Para
combater a remada a torcida brasileira foi atrás do Créu. Fazia um tempão que
tinham lembrado do Créu.
Apareceu
em Ipirá um circo que tinha um elenco poderoso de mulheres lutadoras e a mais
famosa era Salomé Garcia, que após mais uma vitória fez um desafio aos
moradores da cidade; pelo alto-falante do circo disse: “quero ver se essa
cidade tem homem, desafio ao homem desta cidade para lutar comigo neste
ringue.”
A cidade
desabou e ficou em polvorosa. Houve uma reunião do prefeito e vereadores com
vários cidadãos importantes da cidade para discutir aquele desafio. Quem será?
Um jogava a bola no peito do outro e todos tinham uma desculpa. “Se eu não
estivesse com essa gripe miserenta, essa Salomé Garcia ia vê como se esfria um
tacho de rapadura quente e ela ia vê que nessa cidade tem cabra macho!”
Lá pelas
tantas, com uma preocupação crescente surgiu uma voz que aliviou a tensão do
ambiente: “no meu haver, quem podia enfrentar essa onça fantasiada de mulher é
Créu, filho de Terto.”
A sugestão
tinha caído do céu. Créu tinha servido o tiro de guerra em Feira de Santana e
tinha recebido baixa do exército. Era baixinho, troncudo, forte e enfezado
feito um touro. Ia receber uma orientação sobre luta livre do professor Zelito
Saint Clair. Créu aceitou o convite e foi marcado o dia da luta.
Créu
tornou-se a principal personagem da cidade. Não faltavam convites para almoço
na casa do prefeito, vereadores e cidadãos da localidade. Recebia carros para
passear pela cidade, mesmo sem saber dirigir. E lá ia o Créu treinando,
passeando, participando de banquetes e sendo a esperança de uma cidade para
resgatar a honra masculina da cidade colocada em dúvida pela principal lutadora
do circo.
O circo
estava lotado. Toda a cidade estava presente. Créu chutava a perna de Salomé,
que nem se abalava. Salomé batia no braço de Créu, que resistia firme. Murro na
cara, no peito, na barriga, de ambos os lados e não adiantava nada. Ambos
permaneciam intactos. Até que, em certo momento, Salomé deu uma voadora e laçou
o Créu pelo pescoço e cabeça, girou o corpo e parecendo uma jiboia laçando um
bezerro, imobilizou o Créu, que ficou desacordado. O prefeito, o juiz e o
delegado deram 24 h para o circo ir embora,
Créu ficou
em casa, levou quinze dias inconsciente e só recebia a visita do médico, que
comparecia para ver se tinha chegado o dia de assinar o óbito. Até os dias
atuais, na memória de Créu só ficou uma frase curta: “foi Salomé”. Foram-se os
áureos tempos,
Hoje, em
2026, com a Copa do Mundo, na hora do aperto, da dificuldade, da briga
acirrada, de quem é que o brasileiro se lembra? Quem o brasileiro busca para
tirar a seleção brasileira da dificuldade? Do Créu! Nessa hora, todos recorrem
ao Créu.
Não que o
Créu não soubesse jogar bola. Quando menino, de família popular, seu pai Terto,
incentivava e treinava Créu nos fundamentos do futebol. Ensinava Créu cabecear atirando
um coco verde ou uma manga-mamão em sua direção. Créu jogava bola no calçamento
de pedras irregulares, descalço, com bola de meia ou bexiga de porco e aprendeu
a ter grande habilidade no controle e manuseio da bola, na rapidez do drible e no
jeito de evitar perder o dedão do pé na saliência de uma pedra do calçamento
que virava campo para a pelada de todo dia. Créu não teve nenhuma chance para
seguir uma carreira de jogador de bola. Naquele tempo era difícil.
Nos dias
de hoje, o menino Créu entraria numa escola de futebol, usaria um par de
chuteiras de marca e teria uma orientação de um especialista: “Você tá doido,
cabecear coco verde vai deixar sua cabeça inchada”. E o menino Créu ia
aprendendo: “futebol é simples, você recebe um passe e deve tocar de primeira
para o seu colega, ao tempo que corre para receber abola novamente lá na frente,
o que vale aqui é aprender a dancinha para o gol, mostrar que é feliz para ser
bom de bola, sacou garotão!”
Assim, o
menino Créu foi fazer um teste num time profissional. Pegou a bola driblou o
primeiro, o segundo, o terceiro e ouviu um grito: “Para, Para! Dá o passe, seja
objetivo!” O menino Créu não passou no teste.
Nesta Copa
do Mundo de 2026, diante da remada lembraram do Créu. A remada é coisa dos
vikings, tem o urro de urso brabo e um tal de Rala (Haaland), prá gente aqui da
caatinga é Rala, rala coco, rala pedra, rala bola, em cinco ralação ele faz um
gol, contra o Brasil em três raladas ele fez dois gols. Aí chamam o Créu.
A Noruega trocando
passe, parecendo uma galinha ciscando com sua ninhada; o Brasil admirado e olhando,
de forma que ficou parecendo raposa com a barriga cheia. Isso é futebol! Bola do
pé de um para o pé do outro e o Brasil paralisado olhando. Isso é o futebol,
prazer em conhecê-lo. Isso é futebol na Noruega, na Europa, na Copa e o Brasil,
simplesmente, recorrendo a um Créu, driblador, serelepe, bailarino, contorcionista,
doido e maluco. Não tem jeito, Créu nem lá foi.
E Copa do
Mundo nos Estados Unidos, na terra do homem (Trump)temido por Deus e o Diabo, que
quer ser dono do mundo e da copa, que pegou o telefone e disse: “dona FIFA não
bote os americanos no créu, não! Libere o atacante dos Estados Unidos que foi
expulso por um juiz brasileiro, do qual eu já tenho um dossiê e se trata de um
terrorista perigoso, ligado a um grupo terrorista lá do Brasil chamado PCC. Se
Brugundun (Balogun) não jogar eu acabo a copa e faço uma guerra contra a senhora,
dona FIFA.”
O Brugudun
do Trump jogou e a seleção dos Estados Unidos tomou um créu e saiu da copa. Preocupado
com a Guerra do Petróleo, Trump disse que não quer acordo com o Irã e que vai chamá-lo
no créu. Tá na hora das empresas petrolíferas americanas venderem petróleo
porque o preço vai subir. Aguardem a fala de Trump que vai fazer os preços caírem.
Tudo é manipulação em busca do lucro.
Créu mora em Ipirá, esquecido, ignorado e sem reconhecimento; de lá para
cá, nenhum prefeito dessa terra deu um bom dia ao Créu. O prefeito atual é
Tiago da família Oliveira, não tem uma obra em seu mandato que está chegando à
metade, no entanto, festeja o restaurante popular como obra municipal, no
mínimo tem que falar a verdade, esse é mais um projeto do governo federal na
gestão do presidente Lula. A copa já
foi, agora são as Eleições de outubro de 2026. Um Créu para a Copa do Mundo.





