Considerando a vitória nas Eleições do primeiro turno e as
pesquisas do sábado 24/10, favoráveis ao candidato Flávio, dando-lhe a cabeça
da pule; nada mais edificante neste cenário, do que o uso do sapato alto, da
soberba de quem já ganhou e da arrogância de quem se acha superior e vitorioso
antes do tempo e por uma quinzena de dias. O homem dormiu e acordou presidente.
Na verdade e na coerência, o embate tinha ficado no campo do
empate técnico, sendo que, tudo seria decidido no domingo. Bem antes, juventude
mobilizada; exército do Lula movimentado; o idoso indo pra cima e o povo na rua
para defender a democracia. Engajaram-se na boa causa de resistência ao fascismo.
O fascismo não pode criar limo, tem que ser combatido.
Domingo. Eleições do segundo turno. 9 h da manhã, saí de
Salvador em busca de uma urna. Na região de São Cristóvão os pontos de ônibus
estavam lotados de gente. Pensei que se tratava de boca de urna. Não observei
um ônibus nas imediações.
Em Feira de Santana não tinha ônibus nas ruas. 3 h da tarde,
fui ao encontro de uma urna em Ipirá. A Praça do Mercado estava lotada de ônibus
parados, mais de dez e não havia eleitores para serem transportados.
5 da tarde, a arbitragem bate cabeça e provoca a prorrogação
do jogo. Com 1% das urnas, Lula estava com 58,59% contra 41,41% de Flávio. O
suficiente para ter gente gritando: “acabou, acabou!” Colé acabou, tá tudo
começando! Prorrogação anunciada, contagem paralisada. Duas horas olhando para
aquele placar congelado, sem sebo nas canelas para sair do lugar.
19 h - Encerrada a prorrogação, retorna a recontagem e Lula
vai descendo a ribanceira com 50,39% contra 49,61% de Flávio, o temor aumenta;
Lula com 50,01 contra 49,99, tem gente rezando; Lula com 50% e 50% para Flávio,
tem gente fazendo mandinga e cruzando os dedos.
Com 17% das urnas, Flávio ultrapassa Lula e ia subindo a
rampa com 51,71 e Lula tinha 48,89. A turma de Flávio, com sapato alto, fome e
sede de poder, não dá outra, era só euforia e a zoeira toma conta: “já foi nove
dedos!”, “este quintal agora é nosso e dus americano!”; “Flávio subindo a
rampa”, “Bolsonaro botando a faixa!”
Na casa de Lula era só tristeza e desânimo. A voz mais
esperançosa conseguiu passar uma mensagem menos pessimista: “deixa o Nordeste
chegar que a gente vira”. Para animar o ambiente deixaram o Canário cantar:
“BOTA PRA VIRAR”
Depois dos 30% das urnas, Flavio foi despencando ponto a
ponto, Lula foi subindo, subindo e se aproximando, subindo e encostando, com
47% das urnas contabilizadas Lula ultrapassou Flávio. A partir daí Lula foi
subindo de elevador, andar por andar, até chegar ao apartamento 51,78, onde a
maioria do povo brasileiro o esperava.
Lula é tetra (4) vezes presidente; Lula botou frente de (4)
milhões, não só, mais (4) quatrocentos mil votos de frente. e vai governar por
mais (4) anos. O velhinho é tetra.
A virada da abstenção: 33 milhões no primeiro para 30 milhões
no segundo. Todo mundo sabe e já era esperado que eu cometesse um grande erro
no meu prognóstico eleitoral sobre Ipirá; eu disse que: votariam (em Ipirá) no
segundo turno 43 mil eleitores (completamente errado), votaram 38.822; uma diferença
de 4 mil votos.
Eu disse que Lula teria 29.353 votos, na urna teve 28.509;
uma diferença de 844 votos. Eu disse que Flavio teria 9.453 votos, na urna teve
8.822; uma diferença de 631 votos.
No meu prognóstico a frente de Lula, em Ipirá, seria de 19.900
votos; na urna foi de 19.687. Quase acerto.
Completamente errado e equivocado, quando afirmei que
votariam 43 mil eleitores. Votaram 38.882 eleitores, apenas. Só aumentaram do
primeiro para o segundo turno (apenas) 1.774 eleitores.
Segundo turno das Eleições em Ipirá: Lula teve 28.509 votos /
Flávio 8.822 uma frente de 19.687 votos
Brancos foram 323 votos / nulos 1.168 votos
Bota tudo na frigideira e soma dá 38. 822 votos. Esse é o
número verdadeiro, real, quase que absoluto do eleitorado de Ipirá. Hoje,
agora, se fizer um recadastramento do eleitorado de Ipirá, não tem como ultrapassar
esse número.
Mas porque Ipirá tem registrado 47.885 eleitores e faltaram 9.063
eleitores. Esse fato merece uma reflexão.
Por que faltaram 9.063 (abstenção) eleitores em Ipirá? A
grande maioria, desse pessoal não mora mais em Ipirá, são retirantes que estão
em outros estados lutando pela sobrevivência, porque a sua terra natal ou do
seu título eleitoral não lhes deu condições de sobrevivência aqui em seu torrão.
Esse é o ponto fraco da nossa sociedade.
É por isso que a população de Ipirá está na casa
dos 59 mil habitantes, se esse pessoal morasse aqui teríamos 70 mil habitantes.






