sábado, 13 de outubro de 2007


É CRIME, COM PRISÃO DE 2 A 5 ANOS.

Sim. É isto mesmo. É crime, com prisão de 2 a 5 anos, vender produtos de origem animal não inspecionado pela Vigilância Sanitária e está previsto no Código Penal. É a LEI e estamos no Brasil.

É a LEI. Na África do Sul, a população branca de origem inglesa ou holandesa impôs ao país uma LEI oficializando a segregação racial denominada de apartheid. Era a LEI da Terra; a LEI Residencial; a LEI do Registro da População. Era a LEI. Pelas LEIS sul-africanas a maioria negra da população não tinha nenhum direito. Era a LEI. Então não custa nada deduzir e dizer que tem LEI boa e tem LEI que é boa porcaria, pois ela é fruto dos interesses das classes sociais que dominam a sociedade. Foi uma luta longa e penosa, mas o povo sul-africano derrubou aquelas deploráveis LEIS.

Voltando à Bahia. Jornal A TARDE 30/09/07. Carne Proibida. Lá vem a LEI. 566 quilos de carne foram apreendidos nas feiras livres dos bairros de Cosme de Farias, Liberdade e Itapuã em Salvador e os produtos recolhidos foram incinerados no Aterro da Canabrava. Diante da notícia vem uma pergunta: e Salvador não tem matadouro e frigorífico ? tem, e vários. Mais uma pergunta: e por que essa gente de lá mata bicho clandestino ? eu não sei.

Chegando à Ipirá. Salvador tem o que Ipirá não possui, tem matadouro e tem frigorífico. Aí vem a LEI achando que Ipirá tem o que Salvador possui e ameaça os marchantes de carneiros daqui com o mesmo rigor que atua contra os de lá. As realidades são diferentes. A aplicabilidade das normas na mesma tonalidade implica penalidades com grau desajustado. Explicitando: vamos supor que pela LEI, 5 anos de prisão para um negociante de carne em Salvador, nestas condições de procedência duvidosa, "talvez" esteja razoavelmente justa, mas 2 anos de prisão para um marchante de carneiro em Ipirá seria muito mais injustiça do que justiça. E por que seria uma crueldade e uma desumanidade sem par a prisão de um marchante de carneiro em Ipirá ? simplesmente porque Ipirá não tem matadouro; simplesmente porque Ipirá não oferece a essas pessoas as mínimas condições de um abate diferente do que eles fazem; simplesmente porque essas famílias vivem sob os efeitos da LEI da sobrevivência.

Todas essas pessoas que abatem o carneiro em Ipirá são acolhedoras das normas, são respeitadoras e prestimosas perante a LEI, até que esta não lhes tire a vida. A aplicabilidade da LEI PURA tem a mesma ressonância grosseira da defesa insistente e inconsistente da venda da carne procedente do abate clandestino e sem normas de higiene. A razão encaminha para um ajuste de conduta de todas as partes interessadas, até chegar a solução final: o matadouro em Ipirá. Depois disso, que venha a LEI.
UMA PROPOSTA: que o Poder Público Municipal contrate um veterinário para observar, acompanhar os abates de carneiros na forma provisória que ocorrem em Ipirá, e também, inspecionar as carnes de carneiro no Centro de Abastecimento de Ipirá.

domingo, 23 de setembro de 2007


ÊTA IPIRÁ PORRETA !.

Dizem que no reino animal é assim: "qualquer ventinho balança o macaco no cipó e ele apanha tanto porque não pensa". Não sei se é desse jeito, mas no reinado da bicharada em Ipirá, a macacada (grupo político) já ganhou o poder municipal por três vezes, sendo duas delas apoiando migrantes da jacusada (outro grupo político).

Atualmente o controle do município é da macacada, mas nos quatro cantos do município a choradeira dos macacos é impressionante e só pode ser por dois motivos: porque não pensam ou porque estão querendo entregar o poder municipal à jacusada.

Saindo do reino animal para o reino coronelístico ipiraense, o chefe da macacada, o médico Antônio Colonnezi , que não é bobo, já declarou nos bastidores, extra-oficialmente, pelo menos é o que comentam as línguas afiadas, que não quer ser mais candidato a prefeito ( se quiser será); quem mais sabe é ele a sangria interminável que sofre um patrimônio particular ou público ao receber uma "facada" do eleitorado esperto. Caso seja uma declaração verdadeira, a sua conseqüência imediata é que ele passa a ser o maior e mais forte apoiador e ponto de sustentação de outras candidaturas que saiam da macacada, dos migrantes ou até da esquerda. Não sei suas pretensões, nem dos seus limites.

Vamos à primeira suposição. Seu apoio a um candidato saído do seio da macacada para ser um candidato forte e com grandes possibilidades de vitória, tem que ter também, além do seu apoio, o aval do outro Dr. Antônio, o Diomário, porque o deslocamento e o retorno do prefeito às hostes da jacusada representa a derrota do grupo. Quem duvidar do estrago que o prefeito Diomário fará se deixar a macacada pensa pouco. Essa unidade é fundamental para a garantia do sucesso dos macacos.

A segunda suposição. Apoiando o candidato que saia do campo dos migrantes, naturalmente que o nome que tem mais potencial é o do prefeito Antônio Diomário de Sá , mas que, neste preciso momento, sofre um desgaste fantástico junto aos seus eleitores do grupo macaco, que querem fritá-lo de qualquer jeito, é um negócio de louco. Só se vê macaco alfinetando o prefeito, que se não tiver o corpo fechado vai virar boneco de vodu de tanta espetada. Se arrependimento matasse em toda encruzilhada ia ter um defunto macaco. Como macaco pensa pouco, a debandada parece que vai ser determinante para a derrota da reeleição do prefeito.

A terceira suposição. Apoiando um candidato de esquerda ! Aqui começa os partidos ( PT – PCdoB), os problemas, as contradições e um esclarecimento: ninguém é dono da esquerda, por melhor articulador ou manipulador que seja. E aqui, também, começa o debate. Uma coisa é certa: a base da macacada nunca foi carlista por vontade própria e chegou a proporcionar a maior vaia que ACM recebeu em Ipirá e foi cara a cara, mas também, outra coisa é verdadeira, a cúpula da macacada sempre foi carlista, mesmo desprestigiada, massacrada, humilhada e esporroteada, nem mesmo assim, deixou de ser carlista. Hoje é muito fácil deixar o carlismo, desde quando o poder estadual é outro e "Toninho Malvadeza" não se encontra mais aqui e está em qualquer alto promontório praticando das suas e tirando o sossego lá de cima ou lá de baixo, pelo menos ficamos livres dele cá em baixo e é um despropósito colocá-lo como argumento justificativo para a formação de compromissos, o que pode conduzir-nos a muito mais equívocos. Além do mais, tem que ficar bem claro que nesta cúpula encontra-se os maiores opositores ao governo Lula aqui em Ipirá.

Tem que se pensar em um monte de coisas, até porque, para quem não tem memória curta, nas últimas eleições municipais em Ipirá, o PT rejeitou a indicação para vice feita pelo PCdoB e, agora, seria muito estranho aceitar na vice o apoiador Dr. Antônio Colonnezi, sem mais nem menos. Com que argumento ? O argumento de estar na cabeça é muito simples, porque existem muitas contradições políticas. Tem que haver um argumento convincente, porque se não for assim, os militantes e eleitores destes dois partidos em Ipirá ficarão na dúvida e pensarão que com seu voto estarão dando um emprego seguro, tranqüilo de quatro anos ou um merecido prêmio ao apoiador, que não vai se preocupar nem precisar trabalhar, porque vice não faz absolutamente nada. O que é que tem que ser feito ? Ocupar os cargos já foi feito. E agora, fazer o quê ? isso talvez seja o ponto primordial e mais importante até do que colocar todo mundo no mesmo bocapio. É sempre bom sonhar, agora quando o sonho é atravessado vira pesadelo.

Enquanto isso acontece, retorno ao reino animal, precisamente ao ninho da jacusada, onde entrava Abelha e deu de cara com uma figura estranha, ele olhou atravessado e espantado, ao virar o rosto viu o grande chefe da jacusada dando uma risadinha disfarçada, foi logo indagando-lhe:
- É mesmo o que eu tô vendo ? esse aí é o Tatuzão que está saindo daqui ?
- É ele mesmo. Os amigos estão voltando para nossa casa – respondeu o grande chefe.
- O senhor chama isso aí de amigo ! isso aí é uma traíra traidora, seu amigo sou eu, que fiquei com o senhor mesmo com o senhor perdendo a eleição.
- Sim, sim, mas não deixa de ser nosso amigo, você sabe... – respondeu o grande chefe.

A jacusada está igual a cobra no bote, só na espera. A jacusada, liderada pelo médico Delorme Martins foi um grupo político cevado no carlismo e hoje depende exclusivamente do retorno dos antigos amigos, os traíras, caso contrário, já entra em campo perdido. Ou não é assim ? Não conta com o apoio do governo estadual, nem federal. Se o projeto do DEMo com Paulo Souto fracassar na Bahia, o que não está difícil, aí adeus Corina, a jacusada vai entra em órbita e girar na política do desespero, e eu vou ficando por aqui, porque em terra de bicho o progresso chega de jegue e ainda querem colocar todo mundo no mesmo balaio de gato.

domingo, 9 de setembro de 2007


FALTOU A FOTO DA VERGONHA DE IPIRÁ.

A CRÔNICA.
Quem chegar ao Banco do Brasil, agência Ipirá, para enfrentar aquela terrível fila do caixa, terá a oportunidade de observar uma Mostra de Fotos direcionada ao público. Depois de uma hora na fila, olhando aquelas fotos, observei que um senhor, que estava ao meu lado, começou a contorcer-se e a ficar verde. Segurei-o pelo braço, ao tempo que lhe indagava:
- O senhor está bem ?
- Tô sentindo um embrulhamento na boca do estômago, só pode ser as oitenta arrobas dessa carne aí, que eu comi – respondeu o senhor.
Fiquei assombrado diante daquela situação e perguntei-lhe em cima da bucha, para não perder tempo:
- Como ? o senhor comeu oitenta arrobas desta carne ? aqui em Ipirá até hoje, só teve Zé Bigorna que comeu dois quilos de carne de uma só sentada e o senhor tá dizendo que comeu oitenta arrobas. Como assim ?.
- Não foi de uma sentada não. Foi de bife em bife, de lombo em lombo, e isso foi desde criancinha – explicou o senhor.
Eu estava perplexo e comecei a fazer minhas deduções: "não é que essa minha barriga grande, que eu pensava que era barriga-d’água, só pode ser resultado dessa carne aí, afinal de contas, eu já comi mais de noventa arrobas desse treco". Estava nessa meditação profunda, quando um sujeito magro que estava ao meu lado deu uma tremedeira, que parecia que o bicho estava custipiado, pequei-o pelo braço e já fui perguntando:
- Foi essa carne ?
- Não. Eu não como carne, sou vegetariano.
Pensei rápido e disse: - Então deve ser aquelas verduras e legumes ensopados de agrotóxicos que são vendidos no Centro de Abastecimento.
Neste instante, aproximou-se um rapaz que estava branco feito folha de papel e ao vê-lo, questionei-lhe:
- Você está branco assim é por causa desta carne ?
- Não. Eu não toco em carne, só tomo vitamina de banana pela manhã, no almoço e na janta – disse o branquelo.
Não disse mais nada, mas pensei no pior: "leite saído do peito da vaca com banana no carbureto vendida na feira de Ipirá, depois da branquidão vem a ferrugem". Nesse momento, veio um sujeito alto, com pinta de magarefe, saído de não sei onde, e falou:
- Morreu mais gente de vaca-louca na Inglaterra do que aqui.
- Quantos morreram lá na Inglaterra ? – perguntei-lhe.
- Não sei – respondeu e perguntou-me – e aqui, quantos tiveram óbitos ?
- Não sei, mas sei que sem dados corretos não esquento mais a panela – respondi.
Saímos os cinco da agência do banco, um amparado no outro e todos com um destino duvidoso.
Deixando de lado a brincadeira literária, afirmo que o assunto é seríssimo, porque tem que haver ótima qualidade nos gêneros alimentícios consumidos pela população. Ninguém duvida disso e toda população é favorável a que isso aconteça.

A VIDA.
A exposição de fotos na agência de Ipirá, do Banco do Brasil, é sintomática. Demonstra de forma transparente e cabal que Ipirá é um município atrasado; indubitavelmente atrasado; vergonhosamente atrasado; lamentavelmente atrasado. Em pleno século XXI, estamos amargurando as práticas de abate de animais do século XIX, enquanto o desenvolvimento, a modernidade e o progresso estão ali adiante, a 100 km de distância, ali em Feira de Santana, com seus moderníssimos frigoríficos e aparelhadíssimos matadouros de alta tecnologia (se assim não for, que assim se entenda). Que triste sina a de Ipirá. Aqui, do lado de cá, é a falta e a carência; lá, do lado de lá, é o desenvolvimento.

Se estancarmos e circunscrevermos as nossas posições e idéias na observação imediata e intuitiva destas fotos como única e pura verdade, cairemos na fácil constatação e demarcação da autoria do crime: o marchante clandestino.

Será que chegamos ao fim de linha ? será que encerrou a discussão com o argumento irrefutável do estabelecimento do culpado através das fotos, neste preciso momento ? está correto colocarmos nosso foco neste ponto e encerrá-lo neste instante ? pronto, acabou, a solução foi encontrada e está aí, problema resolvido, fim de papo, já fui e que se dane o mundo.

É fácil perceber e visualizar o que acontecerá ao setor trabalhista dos marchantes: ou aceita abater o boi em Feira e o carneiro em Pintadas ou sai do ramo. Não deixa de ser uma solução implacável e rigorosa com esta parcela de prováveis ou supostos culpados. Será que são os únicos e verdadeiros culpados ?

Será que não convém que verifiquemos o que está além das fotos ? e se formos além das fotos, o que veremos ? sem dúvida, ultrapassando os limites das fotos teremos um problema social agudo para um setor trabalhista, que não dispõe de outros recursos para a garantia de sobrevivência e sustento das suas famílias, e neste caso, estarão sendo empurrados para a exclusão social milhares de pessoas, tornando o campo social em Ipirá mais miserável do que é. Isso também é muito preocupante, embora diga-se que o sacrifício de poucos serve para o benefício de muitos.

Está mais do que evidente, que esta situação vai ficando mais complexa. Será que essa situação não atira estilhaços para todas as bandas ? sim, porque ao atingir os marchantes, atinge-se também o município de Ipirá, queiram ou não, e tudo isso vai respingar diretamente sobre o coração de Ipirá, que é a pecuária, o seu principal setor produtivo e daí, canalizado para toda a economia. Desde quando, todas as medidas até agora tomadas foram superficiais, simplesmente não fizeram mais do que "descobrirem os pés para cobrir a cabeça de Ipirá". Está bastante claro e todo mundo entende que Ipirá não pode e não deve ser duramente condenada ao atraso. Ipirá não pode ficar nessa situação de carência e necessidade.

A REALIDADE.
Onde está a pendência ? numa solução que atenda a todas as demandas, tanto a da qualidade, quanto a do abate local.

A foto da vergonha é esta que você vê aqui no blog. Eu não sei o que é, dizem por aqui, que é um matadouro. RAIO X DA OBRA.

LOCALIZAÇÃO: fica na zona oeste, a 4 km de Ipirá, junto à estrada do Feijão. PROJETO: do governo do Estado da Bahia. CUSTO DA OBRA: estimativa (minha) de um milhão e meio de reais. CUSTO DA REFORMA: estimativa (deles) de dois milhões de reais. OBRA CONCLUÍDA: há mais de doze anos. INAUGURAÇÃO: num período de eleição. FUNCIONALIDADE: não tem. Até hoje, nunca foi abatida uma rês aqui. UTILIDADE: é uma obra inútil. CRIME: aí tem prevaricação e má aplicação do dinheiro do povo ( ou não é crime ?). CONCLUSÃO: aí está uma prova incontestável de desperdício do dinheiro público, que escorre para a vala comum do esgoto da ineficiência ou para os bolsos de alguns empreiteiros. Existe uma clara distorção do custo/benefício, e isso é de uma maldade que não tem tamanho, desde quando o governo mendiga ajuda para o FOME ZERO e deixa escorrer rios de dinheiro pelo gargalo da incompetência, ineficiência ou da descaração.
Só tenho a dizer que Ipirá precisa de um matadouro para bovinos e ovinos, caprinos e suínos. Esta é a verdadeira solução, para todas as pendências.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007


SEJA BEM-VINDO A IPIRÁ.

Todos os envolvidos na política de Ipirá acham-se conhecedores profundos desta terra. Eu não duvido que conheçam esta terra como a palma de sua mão esquerda ou direita; mas quem tem boca fala o que quer e diz até o que não pensa. De minha parte, eu acho que o problema reside no fato de que, quando eles falam deste município os seus olhos estão direcionados para o próprio umbigo e o respectivo bolso. Eu nunca presenciei "nenhum deles" fazendo qualquer pronunciamento analisando a situação econômica, social e política deste município. Situam-se sempre na fronteira do episódico e do quanto mais curto e simples melhor. São reflexões pessoais, contemplativas e superficiais de quem se diz possuidor de fórmulas salvacionistas, mas que não são expressadas, nem externadas, talvez, para não se comprometer. Muitos deles não conseguem livrar-se do campo da difamação e do procedimento indigno. "Queta com essa gente", vamos deixá-los num canto com seus motivos carregados de excesso ou de escassez de conhecimento sobre Ipirá.

Seja bem-vindo a Ipirá.
Essa recepção é para você que NÃO conhece ou NUNCA ouviu falar nessa cidade. Tenho a intenção de impressionar você e, nesse sentido, não me recuso em usar a argumentação da ala IMPRESSIONISTA, que afirma: "em Ipirá acontece coisa que nem em Paris acontece", praticamente colocando Ipirá acima de Paris, mesmo sabendo que seus integrantes não conhecem Paris e, talvez, nem saibam onde ela está no mapa; mas, deixando de lado esse detalhe, eu gosto mais daquele argumento que vem com o pé no freio e afirma que "isso só acontece em Paris e em Ipirá", aí, dentro dos conformes, colocam Ipirá no mesmo patamar de Paris, nesse caso, menos mal, porque se for verdade, você está perdendo a maior oportunidade da sua vida, que é matar dois coelhos de uma só cacetada, visitar Ipirá e enxergar Paris, o que será muito atrativo. Para apimentar ainda mais a sua curiosidade, utilizo-me de outra afirmativa da ala IMPRESSIONISTA que diz de boca cheia "êta Ipirá bom". Quando a ala IMPRESSIONISTA diz: "êta Ipirá bom", eles nunca dizem em que. Neste caso só resta a você, visitar Ipirá para descobrir e é este o convite que te faço. Vem comigo.

Agora, quero dirigir-me aos que conhecem Ipirá. Tenho certeza que você conhece Ipirá e você sabe que Ipirá está de coração escancarado para acolhê-lo(a). Mas, também, não é nada de mais perguntar. Você conhece realmente Ipirá ? de resenha ou nas entranhas ? Eu pergunto isso, porque você pode ser daquela ala ROMÂNTICA, que visualiza Ipirá como "a mais bela criatura do universo" e acrescenta que: "seu amor por Ipirá é sublime, eterno e irretocável", além do mais "é um paraíso no interior e é muito linda" e, sem cansar de louvar, diz: "essa Ipirá é uma terra abençoada e famosa" e ainda afirma: "uma cidade impar, conhecida internacionalmente por suas iguarias". Somando-se a esta, encontra-se a ala SAUDOSISTA, que não declina de ser "suadosista das coisas boas", sempre relatando que "Ipirá é muito famosa por suas festas de vaquejadas e suas feiras- livres.

Defrontando-se amistosamente com as alas anteriores, desponta a ala RADICAL XIITA, que não perde tempo em alfinetá-los: "Ipirá é um ovo e todo mundo se conhece" e com a língua afiada afirma: "esse interiorzinho", acrescentando "isso já é uma grande bosta" e complementando "uma grande merda, um verdadeiro c...". Até que os politiqueiros locais gostariam de tomar partido nessa contenda, mas como formam a ala ABSTRACIONISTA ficam em cima do muro, mas defendem a idéia de que "Ipirá é uma cidade em franca expansão dentre as demais do interior" e que "amam essa nossa cidade maravilhosa" e que aqui tem "o melhor S.João do mundo" e desfiam um rosário de "aqui tem o melhor não sei o que do Brasil". Do exagero à hipocrisia não se distanciam um palmo. Com tudo isso, seja bem-vindo a Ipirá e venha comigo.

Para aqueles que residem ou adotaram Ipirá em seu cotidiano, e mantendo um grau de preocupação relevante com o que está acontecendo, e desse jeito, formando a ala NATURALISTA que brada com vigor: "a mata da Caboronga, riquíssima reserva ecológica, com mata nativa e fontes de água mineral", o que não deixa de ser uma grande retrospectiva idealista, porque nem mesmo a aspiração de um bioma de caatinga, com seus galhos retorcidos, está pulsando veemente em nossos arredores. Neste semi-árido, região de sol causticante, de terra esturricada, de água barrenta, de mandacarus e palmatórias, apelo para a ala EXÓTICA, que diz: "I love that city" e deixo sem comentários.
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Tem uma ala SURREALISTA, que impõe a idéia de que "Ipirá é uma boa madastra e uma péssima mãe" ficando equidistante do concreto. Apego-me à visão da ala REALISTA, que diz sempre "aqui tem miséria e riqueza; aqui tem a paz de poucos e a intranquilidade de muitos".
Eu digo que aqui é o céu e o inferno. Bem-vindo a Ipirá, vem comigo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

VOU JOGAR AS CARTAS (Parte I )

No próximo ano teremos eleições municipais em Ipirá. Todo mundo sabe que eleições para prefeito em Ipirá o bicho pega. Sem dúvida, as paixões serão afloradas e ganharão as ruas numa intensidade volumosa e como sempre acontece. Tratando-se de política, seria conveniente fazer uma análise da conjuntura local, mesmo numa distância significativa do pleito, um ano e três meses, mas referindo-se a paixão, prefiro jogar as cartas para ver que bicho vai dar, mesmo não tendo tendência para vidente.

Jogo as cartas sobre a mesa e observo o primeiro problema: o baralho perdeu um montão de cartas. Em tempo de recadastramento é sempre assim, perde-se o excesso de gordura e o ajuste é no facão e na rigidez do critério residencial. Se o peão não tiver sete palmos de terra registrado nesta localidade; já era, cai fora do baralho. De quarenta e cinco mil cartas apareceram mais ou menos trinta mil cartas (presumo). Lá em casa, três cartas saíram do baralho; sem um pigí em seus nomes nestas paragens e se aqui, em Ipirá, não tem Universidade e trabalho para elas, não tem como fixarem residência neste município. Como ficar em Ipirá com essas necessidades ? Só na cabeça de um jegue.

Ôpa ! que carta diferente é essa ? que problemão. Comício na praça do Mercado, aberta, sem feira, dia de quarta, só vai nessa quem tem azeite na moringa. Tem gente que vai pipocar e vai sair escorregando de mansinho, fazendo caminhada pelo Centro de Abastecimento, disfarçando, pegando de mão em mão e fugindo do antigo local da feira como bode foge da chuva. São as mudanças. Não posso dizer quem é, mas que tem gente que vai dar um pinote da antiga praça da feira, isso aí vai, as cartas não mentem.

Lá vai carta ! O delormismo não vive um bom momento. Apiado dos três poderes (municipal, estadual, nacional), isso para quem sempre teve um galho lá em cima para se sustentar é simplesmente doloroso e leva a um isolamento de dar pena, além do mais, estão órfãos, devido ao falecimento de Toninho Ternura, para eles, e neste sentido, o projeto do DEMo na Bahia perde um pouco de fôlego e pode não ter o futuro previsto, isso pode tornar-se um pesadelo para os delormistas que não sabem onde vão colocar as trouxas de roupa. Vão precisar de muito dinheiro para bancar a corrida do ouro e dinheiro está curto nestes tempos bicudos, além disso, não cai do céu. Seu pretendente mais forte gosta de usar uma sigla com três letrinhas LCM, para facilitar a comunicação com o povão e por sorte, ainda pode utilizar-se de "Lula" ou "Lulinha" para influenciar mais ainda; mas da forma e com a roupagem que se apresentar é um pretenso candidato que tem estrada rodada e toda população sabe de quem se trata, principalmente o funcionalismo público municipal e seus amigos fornecedores que ficaram a ver navios e em sua administração o calote funcionou direitinho, deste jeito, já deu mostras de ser um futuro candidato bastante manjado. Esse grupo depende substancialmente do fracasso e desgaste da atual administração municipal de Ipirá, e que, em consequência disso aconteça uma revoada de cartas debandando para o seu lado. Sem que aconteça essa fuga significativa de cartas do grupo do lado do prefeito para esse outro lado, teremos a reafirmação do adágio popular "nadou, nadou, e morreu no Rio do Peixe, por ter fôlego curto". É o que dizem as cartas.

VOU JOGAR AS CARTAS (Parte II)

E tome-lhe carta. O prefeito Diomário Sá é o dono do baralho. Espernei quem quiser, mas a sucessão municipal tem que ter o seu pitaco; além de ser a atual vidraça é quem vai liderar o processo. O seu momento pode não ser dos melhores; sofre um grandioso desgaste no seio de suas próprias cartas, a macacada, que parece que não querem provar café requentado, mas mesmo assim, saltou uma fogueira no São João e na transferência da feira-livre, que não o salpicou. Livrar-se do desgaste tem sido o seu principal esforço. Possui uma equipe que embola o meio-de-campo e parece desencontrada; gasta pouco e uma radiografia da sua gestão na saúde, a chapa apresentar-se-á queimada; o município tem carências estruturais que sua administração não consegue enxergar (campo de venda de animais estruturado e decente é uma delas) que viraram grandiosos problemas e o seu governo é demasiado lento nas ações para atender as demandas e suprir as necessidades estruturais; teve a porta de sua administração arrombada e agora surpreende a todos ao colocar-se como corretor de imóveis, leiloando fazenda. Nessa marcha lenta e pelo andar da carruagem, se a administração não melhorar, se não ajustar os parafusos, se não apertar o cinto e fechar os ralos, poderá ser um grande perdedor de cartas.

Tem mais cartas. Agora o bicho pegou. Os ventos sopram favoráveis a estas cartas contrárias. Nestas muitas décadas criou-se uma dependência total do município em relação aos governos estadual e federal, e por incrível que possa parecer, são estas cartas contrárias que caminham nos trilhos do governo federal e estadual, além disso, dispõem de uma representante na Assembléia Estadual, a deputada Neusa Cadore. Em tempo algum as condições e os ventos foram tão favoráveis. Nunca o terreno apresentou-se tão fofo e tão propenso a ser um atrativo para a sublevação descontente e silenciosa. Nos arcabouços em que colocaram o município, a vinda do governador Jaques Wagner a Ipirá poderá ser uma alavanca para este conjunto de cartas, desde quando atenda às necessidades fundamentais do município (por exemplo: a estrada Ipirá-Pintadas; a extensão da UNEB; Parque de Venda de Animais, etc); porque se vier sem as obras, não atendendo às expectativas do povo, só no zero a zero e na base da conferência, a população ficará com saudade de quem já se foi. Na boa lógica a deputada Neusa Cadore apresenta-se como uma carta de boa aceitação junto à população ipiraense, pelo seu desempenho no último pleito, pelo seu carisma e simpatia angariou potencialidade para promover a esperança e a mudança. Infelizmente é uma carta de outro baralho e não pode ser protagonista direta desse sonho. Aí, as cartas, que aqui pelejam, descobriram a monumental divisão do átomo e procuram fazer uma tempestade num copo d’água, que para mim, demonstra e reafirma muito mais que "farinha pouca meu pirão primeiro" e que todo pensamento que rola é para o "ser em si". Aí, paciência, é muita metafísica para o meu gosto.

Não se zangue comigo, isso é apenas um jogo de cartas. Se você quiser uma análise baseada em critérios metodológicos, para que possa refletir com clareza um momento conjuntural, convém que contrate um instituto de pesquisa, porque de minha parte fiz o que foi possível, joguei as cartas fora.

quinta-feira, 12 de julho de 2007


Tributo a dona Alzira Barrêto. ( Parte I )

Queria construir um poema falando dessa pessoinha meiga e amiga; miudinha como um beija-flor. Precisa ser doce, belo e úmido de lágrimas. Precisa falar da tristeza e saudade que me cerca, mas também, da alegria e da vida que partiu como um pássaro ferido em busca de um sopro. Precisa ser repleto com a dimensão do amor vibrante que embalava a sua existência. Precisa ter a arte da escrita perfeita, um estilo cativante e um canto melodioso, que não deve ser apagado pelo tempo. Não pode ser de outro jeito. Preciso dizer queria, porque não passarei para o papel e só dona Alzira sabe que ele existe, aliás só nós sabemos que ele existe; está aqui no meu peito, bem grudado e lapidado, retratando este diamante duro e resistente, mas também, essa fina e delicada porcelana chinesa que foi dona Alzira, merecedora de um cuidado todo-especial.

Dona Alzira era uma catingueira valente e destemida. Quando ainda menina, invadiu um curral para defender seu pai, Chico Antõe, de uma vaca "braba" que o derrubou, sob olhares masculinos paralisados. Assim ela levou a vida enfrentando com firmeza as agruras e as dificuldades que povoam a existência das pessoas simples e humildes na caatinga. Em 1964, soube suportar o pesadelo que se abateu sobre nossa família com a prisão de seu companheiro Arnaldo Barrêto, pela ditadura militar, por razões estritamente políticas e ideais humanitários (isso não é crime, é honra), e protegeu suas crianças, blindando-as com lágrimas, afeto e uma resistência defensiva da dignidade de nossa família, para aguentar a sanha criminosa e o terrorismo ideológico odiento e raivoso que sofremos. Na década de 70, quando perdeu a sua filha Josete, rasgou o coração com um pranto constante, e isso anos à fio; até que um dia, pediu para mudarmos o retrato do lugar costumeiro, deixando de lado o choro, mas guardando a lembrança com um amor profundo, sem jamais esquece-la. No século XXI, quando acometida pelo terceiro AVC e com sérios comprometimentos para voltar a andar; trouxemos-lhe uma cadeira de rodas, recusou-se a aceita-la no mesmo instante, nem experimentou, em alguns dias estava dando novos passos. Era obstinada.

Dona Alzira era uma pessoa de poucas letras, possuía apenas o primário, mas trazia consigo uma sabedoria especial. Tinha os seus instrumentos de raciocínio bastante afiados; usava a intuição e a dedução como pouca gente é capaz de faze-lo. Possuía uma percepção psicológica apuradíssima, sem ao menos ter lido uma linha sequer sobre essa temática. Lia com os olhos e sabia como estavam passando seus familiares com um simples passar de vistas. Dizia-me: "meu filho ! cuidado com fulano, ele é falso". Mais tarde eu tinha a comprovação. E eu afirmo que era sábia, porque sendo uma pessoa simples, viveu de forma decente e honesta com seu companheiro Arnaldo, e ministraram essa lição de vida como os melhores mestres, nenhum de seus filhos anda por aí tocando fogo em índio, nem espancando e massacrando pessoas simples e trabalhadoras. Souberam educar, transmitindo dignidade, caráter e valores humanos, que muitos doutores não conseguem passar, e eles nas suas simplicidades mostraram-nos essa trilha e nela marcamos nossas passadas. Eu sou imensamente grato por isso e não tem preço que pague esse patrimônio herdado. Isso é uma riqueza inestimável e por isso somos seus devedores morais.

Se você leu até aqui, solicito encarecidamente que não faça nenhum comentário, porque o atendimento qualificado da saúde pública só melhorará se ultrapassarmos a fronteira da indignação e adentrarmos no campo da ação.

Tributo a dona Alzira Barrêto. ( Parte II )

Minha ignorância é profunda em conhecimento de medicina. O erro é humano, mas algumas vezes, suas consequências podem ser irreparáveis. Dona Alzira estava alegre e falante até o momento crucial da crise. Visualizei o momento da dor, que eu não sentia e nem compreendia, na sua fase regressiva e imaginei que fosse uma indisposição estomacal e logo, ela adormeceu com um sono leve e suave. Se eu estivesse em Cuba, viria um médico de família para atendê-la ainda em seu leito, porque com o sistema de atendimento familiar, o médico vai ao povo, mas eu estou é no Brasil e aqui, os profissionais de medicina são formatados como criaturas de elite e são raros os que se livram dessa concepção elitista e da necessidade de status social na cúpula da sociedade e o povo é que tem que ir ao seu encontro nestes clausuros que chamam de hospitais. O atendimento do nosso plano de saúde fica a 100 km de distância. Sua paciência e tranquilidade retornavam após as crises e depois veio mais uma, removemo-la para o Hospital Regional de Ipirá. O diagnóstico saiu correto, era infarto, e a ambulância veio de imediato. Neste instante, caí na real e começou meu tormento interior, pois minha negligência poderia ser fatal. Fiquei remoendo de forma constante e instigante em meu pensamento uma culpa dilacerante.

Dona Alzira era destemida e arrojada; agora estava na U.T.I. em Feira de Santana. Com sua intuição sabia perfeitamente que sua morada não era ali e ela queria arrancar toda entubação na sua determinação arretada, até mesmo, por não ter consciência da gravidade de sua situação. Fui vê-la e encontrei-a amarrada ao leito. Olhou em meus olhos e mandou eu sair, virando o seu rosto: "vá, vá embora, vá". Não queria ver tristeza em minha face atormentada. Ela era sábia em sua intuição e ali demonstrava o amor profundo, fraterno e qualificado que possuía para doar. Sabia que não daria mais para segurar a onda da vida, mas ainda tinha uma grande missão a cumprir: restava salvar seu filho. A intuição de dona Alzira entrava em rota de colisão com o pensamento cartesiano e científico que indicava um direcionamento em contrário, teria que ficar ali por 96 h. Mantinha um quadro estável e de súbito recebemos a notícia de sua saída da U.T.I. Do mesmo jeito que fui enganado no momento da sua crise, também foram enganados os aparelhos de monitoramento, médicos e enfermeiras e minha impressão é que sua intuição foi determinante nesse sentido. Veio para o apartamento do hospital com sua alegria cativante, brincou, gargalhou e esbravejou. Encontrei-me com sua sensibilidade e ela dizia, tentando descer do leito: "vou embora pra minha casa", querendo fugir do tenebroso inverno, que trás raios que rompem com a vida. Dona Alzira não me faltou em nenhum momento da vida. Salvou-me de um martírio penoso e de um remorso eterno de culpa e traição.

Dona Alzira não foi fútil, nem besta. Foi uma pessoa simples que se tornou o esteio de uma família e soube conduzi-la com correção e dignidade. Sabia assimilar e compartilhar sofrimentos e alegrias com os seus; tinha uma imensa capacidade de perdoar para amenizar a dor; possuía uma força interior gigantesca que se tornou o alicerce da sua beleza; era carinhosa e amável. Foi um exemplo de vida revigorante e de norteadora beleza para seus filhos, netos e bisnetos seguirem, porque amou plenamente a vida. Nosso amor por ela é suave e eterno, porque é de coração para coração, todos feridos, um pela lancinante dor sentida, os outros pela tristeza da ausência.
Essa é minha interpretação.

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Tributo a dona Alzira Barrêto. ( Parte III )

Dona Alzira era corajosa e eu tenho que me espelhar nisso. Agora chegou a minha vez de fazer a minha confissão com a mesma sinceridade de quem vai a um confessionário, sem medo, sem mentira e sem receio de abrir a ferida, doa a quem doer. Por princípio sou favorável ao tratamento de saúde pública com qualidade, como é prerrogativa constitucional. Toda e qualquer demora de chegar até o Hospital Regional de Ipirá vem do meu íntimo mais profundo. Esse hospital deixa-me indignado; me deprime; deteriora a minha condição de cidadão; envergonha-me como gente; estraçalha-me a alma e reduz meu lado humano a nada; destrói a minha convicção humanitária e coloca-me para baixo com sua auréola de negatividade. Ali a fragilidade das pessoas é machucada e triturada.

Estive lá várias vezes, algumas acertaram e outras erraram o diagnóstico, mas sem gravidade, porque o meu grau de confiança não era total. A assistência da saúde no Hospital Regional de Ipirá é deficiente e totalmente carente nos casos mais complexos. É um monstrengo sucateado, cheio de improvisação e uma aparência interna horrorosa. É um amontoado de macas em péssimas condições, com lençóis sujos, num espaço aberto em que qualquer pessoa estranha transita livremente, disparando olhares indecifráveis sobre os doentes e a curiosidade voeja como varejeiras.

É um espaço imundo, com paredes sujas, infectada de sangue, num ambiente onde uma paciente fazia inalação e a faxineira arrastava um monte de sujeira em sua direção. Um local, onde eu pedi um vaso para a paciente cuspir e a enfermeira trouxe a cesta de lixo. É um local dirigido por pessoas sem nenhuma condição administrativa, desde quando isso aí não é quitanda, mas um hospital, e é necessário uma qualificação em administração hospitalar, e se o diretor disso aí for um médico, piora ainda mais a situação, porque demonstra a falta de capacidade e de competência que esse sujeito tem.

O funcionalismo é formado por pessoas boas, mas que não têm culpa de exercerem uma função para a qual não receberam um preparo adequado. Aí junta a incapacidade com o despreparo e o problema é gravíssimo. Uma enfermeira tem que ter uma formação superior da mesma forma que o médico, não pode haver charlatanismo. Tem que haver sensibilidade humana e qualidade no tratamento das pessoas.

É necessário uma saúde pública de qualidade, como um dever do Estado e não essa porcaria que existe no Brasil, até mesmo pelo caráter mercantilista da saúde privada. Encerro com a frase de um conhecido que é dono de um Plano de Saúde e hoje esbanja riqueza e gasta dinheiro como se fosse folha seca. Ao ser perguntado sobre sua empresa de saúde, disse: "estou arrombado, o Ministério Público obrigou-me a colocar uma paciente num hospital em Salvador e eu estou gastando 150 mil reais por mês com a U.T.I. e a desgraçada não morre". Está mais do que evidente que o atendimento da saúde pública tem que melhorar e qualificar-se.
Isso é o que eu enxergo.

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segunda-feira, 9 de julho de 2007


O CARNEIRO E O PREFEITO.

Ipirá está num beco sem saída, com esta questão do abate de bovinos e ovinos fora do nosso município. É um problema sério e que afeta de forma violenta a nossa economia, com repercussões avassaladoras na questão social, com a exclusão de milhares de homens, mulheres e seus filhos. Trata-se do desmonte de uma estrutura de "abate tradicional" sem dó, nem piedade ou sensibilidade humana e sem ao menos dar a menor chance. Quem vai alimentar essa gente ?
É bom reviver um pouco o passado histórico. A grande questão social que aconteceu no município de Ipirá foi o conflito entre os criadores de bode contra os fazendeiros que criavam boi. Foi um período quente, com discussões, tiros e mortes. O prefeito daquela época, Edson Pires (1954-1958) não ficou em cima do muro, tomou posição a favor dos criadores de bode, de forma clara, aberta e transparente, sem subterfúgio, vacilo ou morosidade. Partiu para cima e foi o grande baluarte daquele movimento.
Nos dias atuais, vivemos um problema de largas proporções econômicas e sociais: o abate de carneiro e bovinos fora de Ipirá. É necessário que as instituições locais digam ao povo de Ipirá de que lado estão. A Câmara de Vereadores de Ipirá já se posicionou favorável a Ipirá. A rádio Ipirá FM está do lado do povo de Ipirá. Diante dos fatos queremos fazer as seguintes perguntas ao prefeito de Ipirá, Diomário Gomes de Sá, que como democrata não se furtará de responde-las publicamente, desde quando, referem-se a um problema social do nosso município e não ao desejo do missivista.
O prefeito acha que o abate de ovinos deve ser feito em Ipirá ou Pintadas ?
O prefeito acha que o abate de bovinos deve continuar do jeito que está sendo feito hoje em Feira de Santana ou deve ser em Ipirá ?
Qual é a proposta imediata do prefeito para a solução deste problema ?
O drama dos machantes de bovinos em Ipirá já está completando 4 anos e até agora não saiu o matadouro em Ipirá. Na opinião do prefeito, quais são os setores sociais beneficiados com essa demora ?
Por que o dinheiro ( + de 800 mil reais) que veio para o matadouro de bovinos de Ipirá não saiu ainda da gaveta da Caixa Econômica, afinal de contas fazem mais de 9 meses ? É a morosidade do governo municipal ou são erros técnicos no projeto ?
Por causa dos equipamentos necessários os custos do matadouro subiram para aproximadamente 1 milhão e 800 mil reais. A Prefeitura de Ipirá tem 1 milhão de reais para suprir esses custos ? O que a prefeitura vai fazer ?
O prefeito é o representante público mais importante do município diante dos órgãos governamentais e neste momento de grande dificuldade esperamos que a ação do prefeito de Ipirá seja em prol de sua comunidade trabalhadora e não outra, e neste sentido, salientamos que o prefeito de Ipirá tem que estar à frente dessa movimentação, liderando e buscando atender duas reivindicações importantes para o município de Ipirá: o matadouro de bovinos acoplado ao de ovinos e um campo de vendas de animais estruturado, organizado e decente, para alavancar o desenvolvimento da pecuária de Ipirá. Abater o boi em Feira de Santana e o ovino em Pintadas não é solução, é atrapalhação.