terça-feira, 13 de novembro de 2007


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 02. (mês de novembro 2007)
Observação: Antes, Leia o primeiro capítulo logo abaixo.

O prefeito Dió só conseguiu sair do seu gabinete, na Prefeitura Municipal, depois da meia-noite. Estava exausto. Foi direto para casa, tomou um banho e deitou-se. Com meia hora de sono já estava envolvido com um sonho, no qual discutia-se qual seria o primeiro animal a ser abatido na inauguração do matadouro de Ipirá.
- Tem que ser uma vaca – dizia um fazendeiro.
- Por que vaca ? tem que ser um boi – falava um negociante de carne.
- Tem que ser uma vaca; por ser a vaca um animal sagrado lá na Índia e que representa a fertilidade que vai nutrir esse matadouro. Tem que ser uma vaca; porque a vaca tem uma anca sinuosa e apetitosa. Quem não tem vontade de comer uma vaca ? a vaca tem a docilidade e o frescor da feminilidade. Tem que ser uma vaca; porque a vaca tá no jogo do bicho e o boi não. Tem que ser uma vaca...

Neste instante foi interrompido pelo comerciante, que disse em voz alta:
- Só você pode falar ? você também tem que ouvir. Não tem nada a ver isso que você falou. Tem que ser um boi, por ser uma espécie robusta e cheia de vitalidade, a vaca tem que ir é para o brejo. O boi é o maior representante mamífero da caatinga; é um ruminante de aparência indolente, mas é de um temperamento indócil e é disso que os valentes catingueiros precisam. Não tem outro artiodáctilo que mereça a primazia diante do boi...

O prefeito Dió acompanhava toda aquela embolação sobre o boi e a vaca de forma displicente e já estava impaciente com aquela converseira toda, que não apresentava uma definição precisa, imediata e prática para que se inaugurasse logo aquele matadouro. Era preciso um rumo definidor. O prefeito Dió apenas ouvia, mas seu olhar esta petrificado na direção da navalha e quando o responsável gritou:
- Atenção ! neste exato momento, vai ser abatido o primeiro animal no Matadouro de Ipirá – pegando a alavanca e...
- Nãããããão – gritou o prefeito Dió, na tentativa de parar a ação do abate, antes que fosse tarde.

O prefeito Dió acordou, deu um salto da cama, atormentado e suando barbaridade, ao tempo que, sua esposa, assustada, indagava-lhe:
- O que foi prefeito Dió ?
- São os carneiros que querem tomar conta do matadouro.
- Foi um sonho prefeito Dió. Prá que a família Carneiro quer o matadouro ?
- Não é a família Carneiro não; é o bicho carneiro que botou a cabeça na guilhotina do matadouro para inaugura-lo e isso não pode acontecer e eu não vou deixar. Vou lá para ver como está a obra.
- Mas, prefeito Dió, é uma e meia da madrugada. O que é que você vai fazer lá, homem de Deus ? – perguntou a esposa.

SUSPENSE: O prefeito Dió vai ou não vai ao matadouro, acompanhar a obra ?
Ele vai ou não vai observar de perto ?
Leia o terceiro capítulo no mês de dezembro 2007.
OBSERVAÇÃO: Essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

sábado, 10 de novembro de 2007

PARADA MÉDICA

A população ipiraense é obrigada a engolir cada caroço de manga-mamão, que não sei como passa pela garganta. Algumas idéias ficam embutidas nas cabeças das pessoas do mesmo jeito como o mandacaru está fincado na terra árida, como uma fortaleza. Mesmo sendo dessa maneira, nada é irremediavelmente verdadeiro, nem tão necessariamente correto.

Afirmava-se e acreditava-se que: "médico era imbatível nas eleições em Ipirá". Muito acreditou-se nisso, porém, esta proposição já caiu por terra e nem é levada em consideração, pois, por duas vezes, candidato médico foi derrotado por candidato advogado.

Reformularam a afirmativa, que tomou o formato de: "candidato a prefeito em Ipirá, para ser potencialmente forte tem que ser médico". Não duvido que seja forte, mas também, não me abstenho de fazer uma verificação da veracidade e legitimidade de tal proposição.

Se nenhum dos médicos, que atuam em Ipirá, é especialista em administração de cidades, então, os médicos, que aqui trabalham, não são portadores de um requisito que lhes dariam a preponderância diante de outros segmentos sociais.

Certas assertivas, como "médico é candidato forte" que são alavancadas para determinados fins, atendem muito mais aos interesses corporativos de determinado setor social, do que à essência das necessidades do município.Contrapõe-se à afirmativa "médico é candidato forte" um valor que contém muito mais substância do que o anterior, seria: "candidato com preparo". Então, a proposição anterior demonstra ser vulnerável diante de um olhar mais apurado e vai diluindo-se diante de uma inferência mais atenta, deixando de ser absolutamente verdadeira e muito menos legítima para as amplas aspirações municipais. Para o corporativismo da categoria que almeja o poder público é altamente satisfatória, útil e necessária; para o município, em sua complexidade, é de uma inutilidade a toda prova.

Se nenhum desses médicos, que atuam em Ipirá, possui uma compreensão total do município, o que é totalmente impossível; e se nenhum deles possui um conhecimento amplo dessa complexidade socioeconômica, então, esses fatos, por si só, já pressupõem uma deficiência e uma carência que os iguala a qualquer outro postulante, de qualquer outro segmento da sociedade ipiraense, e dessa forma, adeus superioridade e pretendente forte, ficaria eliminada a primazia.

Será que os pretendentes candidatos à prefeitura de Ipirá, que são médicos, debruçam-se diante de uma análise das raízes dos nossos problemas ? Será que eles pretendem buscar soluções com vistas ao bem comum ? Será que já extirparam da alma, os interesses pessoais ou de pequenos grupos ? Será que já estão convencidos da necessidade de uma prática política voltado para o bem comum ? Será que eles conseguem visualizar o traçado de uma infra-estrutura capaz de tirar Ipirá do fundo do poço ?

Ter o município de Ipirá administrado por médicos, não pressupõe de forma alguma progresso e desenvolvimento, também podem ser acompanhados de grandes escândalos. A prática tem nos mostrado essa realidade, o município de Ipirá está sendo obrigado a desembolsar mais de um milhão de reais em precatórios para a família de um médico despedido da Prefeitura Municipal, pelo prefeito de plantão, que era médico, nada mais, nada menos, por arrogância, prepotência, estupidez e irresponsabilidade. É dinheiro que está faltando para o matadouro, calçamento, escolas e hospital.

No meu entendimento, esse ponto de vista é insustentável e bem que poderia ser um princípio para uma boa discussão, e quem sabe, talvez desmanche alguns pedestais e apague algumas chamas da mais pura vaidade. O desenrolar dos acontecimentos leva a crer, que em Ipirá, no ano que vem, todos os candidatos a prefeito, serão médicos. Isso não significa a redenção deste município.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 01 (mês de outubro 2007)

Ipirá vivia mais um dia calorento, como sempre, e sem grandes novidades, não tinha acontecido nenhum crime e, nem ao menos, uma traição, daí não haver grande burburinho entre os munícipes. Nesse ar de monotonia, algo relevante tinha acontecido e quem mais vibrava e comemorava exaustivamente era o prefeito Dió, que reuniu em seu gabinete, na Prefeitura Municipal, seu secretariado e alguns puxa-sacos, ao tempo, que dizia eufórico:
- A batalha foi difícil, mas alcancei grande êxito na minha empreitada e posso afirmar com toda convicção, que já está disponível 740 mil reais para o matadouro de Ipirá.
A platéia presente não economizou os calorosos e efusivos aplausos:
- Viva o prefeito Dió – gritavam.
- O prefeito Dió conseguiu o que nenhum outro prefeito conseguiu: o matadouro para Ipirá – bradava um secretário.
- Vamos abrir uma garrafa de champagne para comemorar – gritou um puxa.
- Só que aqui não tem champagne – retrucou outro puxa fazendo deboche.
- Eu vou comprar agora mesmo – afirmou o puxa que fez a proposta e saiu em disparada do gabinete, voltando em dois preciosos minutos e, cansado, disparou a língua:
- Aqui está o champagne e quem vai abrir é o prefeito Dió.
O prefeito Dió pegou a garrafa e tentou abri-la, mas não conseguia.
- Prefeito Dió ! ela é de rosca e desenrosca ao contrário – orientou o puxa.
O prefeito Dió, meio sem jeito, e querendo fazer uma gracinha para a turma divertir-se, comentou:
- É verdade, para desenroscar esse troço e o matadouro – frisou bem – eu tenho que fazer o contrário do que fizeram meus antecessores.
Neste espaço de tempo de interminável labuta para abrir o champagne, ouviu-se um foguetório ensurdecedor que vinha do pátio da prefeitura. Um funcionário entrou no gabinete e disse o que estava acontecendo:
- Prefeito Dió, os perseguidos marchantes de carneiro estão festejando o matadouro de Ipirá e querem parabenizá-lo por isso. É uma alegria só.
O prefeito Dió deu um pinote e foi ordenando ao funcionário:
- Não deixe essa gente entrar aqui não. Vamos fechar a porta e as cortinas. Ninguém fala nada, vamos fazer o maior silêncio até eles saírem. Diga a eles, que eu estou em Salvador e que dei a notícia por telefone. Não deixe ninguém entrar aqui. Não quero ver esse povo.

SUSPENSE: Por que o prefeito Dió não quer encontrar os perseguidos marchantes de carneiro ? O que está acontecendo ? Debaixo desse angu tem carne.
Leia o SEGUNDO CAPÍTULO no mês de dezembro 2007.

OBSERVAÇÃO: Como nas novelas da Globo, nesta novelinha É DE ROSCA, tem personagens do bem e do mal (senão não é novelinha), agora só tem um artista, o prefeito Dió. Essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007


É DE ROSCA.

Por onde começa nossa história ? Começa lá por trás e vem dando voltas pelas trapalhadas da vida. Sendo assim, nesta pacata cidade de Ipirá, há muito tempo atrás, na administração do prefeito Antônio Colonnezi, foi feito na beira da estrada do Feijão, com dinheiro do povo, um belo "elefante branco", chamado MATADOURO DE IPIRÁ. Não matou um mosquito. Seu seguidor, prefeito Luís Carlos Martins, governou por oito anos, não mexeu um palito e o "elefante branco" foi perdendo a cor e a serventia, virando um traste dilapidado e não foi abatido nem um bengo. Conclusão: o marchante de carneiro é um criminoso ( tem gente que só consegue enxergar desse jeito ).

E contra os dois prefeitos foi feito o que ? Nada, absolutamente nada. Para eles a vida continua bela, colorida e distante das atrapalhações que merecem os irresponsáveis que não trataram com seriedade um bem público essencial e necessário para que a população tenha qualidade nas suas mesas e não corra nenhum risco com tais produtos de origem animal. Não foram enxotados da vida pública. Enquanto isso, os marchantes de carneiro vivem na peia ( tem gente que quer assim ).

A batata quente caiu na mão do atual prefeito Antônio Diomário. Antes das eleições de 2004, ele participou das passeatas dos marchantes na luta pelo funcionamento do matadouro em Ipirá, agora é a sua vez. Começou jogando a batata para cima e disse: "o INSS impede a liberação de recursos para o início das obras" , e dizia mais: "a prefeitura tem que obter da Receita Federal a liberação do CND, Certidão Negativa de Débitos, que vai possibilitar a ordem da Caixa Econômica Federal para licitar as obras e iniciar o matadouro". Observe bem, em que engrisilhada da desgraça estava metida a população consumidora de Ipirá. E não para aí, o prefeito Diomário afirmou: " depende do órgão ambiental". Veja que situação: depender de burocrata no Brasil é problema, essa gente não tem pressa e não tá nem aí para os problemas do povo de Ipirá. E os marchantes de carneiro são os culpados.

A batata estava muito quente e o prefeito Diomário, cansado, foi dizendo: "foi uma grande luta que travei em duas difíceis frentes: primeiro, junto a Super Receita, que descobriu mais débitos da prefeitura com o INSS desde 1999 até 2003. O ex-prefeito não fez os GFIPS (Guias Fiscais) que recolhem as contribuições para o INSS e por conta disso o governo federal só libera o recurso depois da regularização". Deu para perceber que o prefeito Diomário não diz o nome do ex-prefeito nem quando é futucado, mas continua dizendo: " paguei R$106.896,56, como parte do débito e parcelei o restante, mais de 400 mil reais para receber a certidão". Ele não disse, mas eu posso lembrar o nome do ex-prefeito, foi o Luís Carlos Martins, esse é um sujeito desastrado quando trata com a coisa pública. E a culpa é dos marchantes de carneiro.

Depois, o prefeito Diomário aparou a batata no colo e soltou o verbo: " a empresa TRANSFRAN ganhou a licitação para a construção do matadouro de Ipirá" e concluiu: " o CRA liberou o local, mas exige inúmeros projetos para a liberação da implantação do projeto". Aí eu posso dizer: oh, beleza ! agora vai !. E quem atrapalha tudo é o marchante de carneiro.
Agora prefeito Diomário, a batata é sua. Desde o dia 01.10.07 foi liberado de forma integral os recursos para adequação e ampliação físicas para operação do matadouro de Ipirá, no valor total de 740 mil reais. Esse convênio vem desde as eleições de 2006 e só agora saiu da gaveta, mas quem amarra as coisas é o marchante de carneiro.

COM DINHEIRO NA MÃO, não é possível que demore mais um ano para sair esse matadouro de rosca. Esta é a prova de fogo da administração do governo Diomário. Chegou a hora de mostrar para que veio ser prefeito. Este é um momento de ação e agilidade, porque Ipirá não aguenta mais esse sofrimento e essa perseguição. É hora de dar um basta no descaso e na irresponsabilidade administrativa neste município, caso contrário, o prefeito Diomário será enxotado da vida pública de Ipirá, ao menos, pelos marchantes de carneiro. Disso eu não tenho dúvida, porque eles não são culpados por nada.

Neste instante, encerro essa série de artigos sobre o matadouro, mas iniciarei, só no meu blog, a novela É DE ROSCA. Escreverei um capítulo por mês, até que desenrosque o dito cujo matadouro. No seu entender, quantos capítulos escreverei ?.

sábado, 13 de outubro de 2007


É CRIME, COM PRISÃO DE 2 A 5 ANOS.

Sim. É isto mesmo. É crime, com prisão de 2 a 5 anos, vender produtos de origem animal não inspecionado pela Vigilância Sanitária e está previsto no Código Penal. É a LEI e estamos no Brasil.

É a LEI. Na África do Sul, a população branca de origem inglesa ou holandesa impôs ao país uma LEI oficializando a segregação racial denominada de apartheid. Era a LEI da Terra; a LEI Residencial; a LEI do Registro da População. Era a LEI. Pelas LEIS sul-africanas a maioria negra da população não tinha nenhum direito. Era a LEI. Então não custa nada deduzir e dizer que tem LEI boa e tem LEI que é boa porcaria, pois ela é fruto dos interesses das classes sociais que dominam a sociedade. Foi uma luta longa e penosa, mas o povo sul-africano derrubou aquelas deploráveis LEIS.

Voltando à Bahia. Jornal A TARDE 30/09/07. Carne Proibida. Lá vem a LEI. 566 quilos de carne foram apreendidos nas feiras livres dos bairros de Cosme de Farias, Liberdade e Itapuã em Salvador e os produtos recolhidos foram incinerados no Aterro da Canabrava. Diante da notícia vem uma pergunta: e Salvador não tem matadouro e frigorífico ? tem, e vários. Mais uma pergunta: e por que essa gente de lá mata bicho clandestino ? eu não sei.

Chegando à Ipirá. Salvador tem o que Ipirá não possui, tem matadouro e tem frigorífico. Aí vem a LEI achando que Ipirá tem o que Salvador possui e ameaça os marchantes de carneiros daqui com o mesmo rigor que atua contra os de lá. As realidades são diferentes. A aplicabilidade das normas na mesma tonalidade implica penalidades com grau desajustado. Explicitando: vamos supor que pela LEI, 5 anos de prisão para um negociante de carne em Salvador, nestas condições de procedência duvidosa, "talvez" esteja razoavelmente justa, mas 2 anos de prisão para um marchante de carneiro em Ipirá seria muito mais injustiça do que justiça. E por que seria uma crueldade e uma desumanidade sem par a prisão de um marchante de carneiro em Ipirá ? simplesmente porque Ipirá não tem matadouro; simplesmente porque Ipirá não oferece a essas pessoas as mínimas condições de um abate diferente do que eles fazem; simplesmente porque essas famílias vivem sob os efeitos da LEI da sobrevivência.

Todas essas pessoas que abatem o carneiro em Ipirá são acolhedoras das normas, são respeitadoras e prestimosas perante a LEI, até que esta não lhes tire a vida. A aplicabilidade da LEI PURA tem a mesma ressonância grosseira da defesa insistente e inconsistente da venda da carne procedente do abate clandestino e sem normas de higiene. A razão encaminha para um ajuste de conduta de todas as partes interessadas, até chegar a solução final: o matadouro em Ipirá. Depois disso, que venha a LEI.
UMA PROPOSTA: que o Poder Público Municipal contrate um veterinário para observar, acompanhar os abates de carneiros na forma provisória que ocorrem em Ipirá, e também, inspecionar as carnes de carneiro no Centro de Abastecimento de Ipirá.

domingo, 23 de setembro de 2007


ÊTA IPIRÁ PORRETA !.

Dizem que no reino animal é assim: "qualquer ventinho balança o macaco no cipó e ele apanha tanto porque não pensa". Não sei se é desse jeito, mas no reinado da bicharada em Ipirá, a macacada (grupo político) já ganhou o poder municipal por três vezes, sendo duas delas apoiando migrantes da jacusada (outro grupo político).

Atualmente o controle do município é da macacada, mas nos quatro cantos do município a choradeira dos macacos é impressionante e só pode ser por dois motivos: porque não pensam ou porque estão querendo entregar o poder municipal à jacusada.

Saindo do reino animal para o reino coronelístico ipiraense, o chefe da macacada, o médico Antônio Colonnezi , que não é bobo, já declarou nos bastidores, extra-oficialmente, pelo menos é o que comentam as línguas afiadas, que não quer ser mais candidato a prefeito ( se quiser será); quem mais sabe é ele a sangria interminável que sofre um patrimônio particular ou público ao receber uma "facada" do eleitorado esperto. Caso seja uma declaração verdadeira, a sua conseqüência imediata é que ele passa a ser o maior e mais forte apoiador e ponto de sustentação de outras candidaturas que saiam da macacada, dos migrantes ou até da esquerda. Não sei suas pretensões, nem dos seus limites.

Vamos à primeira suposição. Seu apoio a um candidato saído do seio da macacada para ser um candidato forte e com grandes possibilidades de vitória, tem que ter também, além do seu apoio, o aval do outro Dr. Antônio, o Diomário, porque o deslocamento e o retorno do prefeito às hostes da jacusada representa a derrota do grupo. Quem duvidar do estrago que o prefeito Diomário fará se deixar a macacada pensa pouco. Essa unidade é fundamental para a garantia do sucesso dos macacos.

A segunda suposição. Apoiando o candidato que saia do campo dos migrantes, naturalmente que o nome que tem mais potencial é o do prefeito Antônio Diomário de Sá , mas que, neste preciso momento, sofre um desgaste fantástico junto aos seus eleitores do grupo macaco, que querem fritá-lo de qualquer jeito, é um negócio de louco. Só se vê macaco alfinetando o prefeito, que se não tiver o corpo fechado vai virar boneco de vodu de tanta espetada. Se arrependimento matasse em toda encruzilhada ia ter um defunto macaco. Como macaco pensa pouco, a debandada parece que vai ser determinante para a derrota da reeleição do prefeito.

A terceira suposição. Apoiando um candidato de esquerda ! Aqui começa os partidos ( PT – PCdoB), os problemas, as contradições e um esclarecimento: ninguém é dono da esquerda, por melhor articulador ou manipulador que seja. E aqui, também, começa o debate. Uma coisa é certa: a base da macacada nunca foi carlista por vontade própria e chegou a proporcionar a maior vaia que ACM recebeu em Ipirá e foi cara a cara, mas também, outra coisa é verdadeira, a cúpula da macacada sempre foi carlista, mesmo desprestigiada, massacrada, humilhada e esporroteada, nem mesmo assim, deixou de ser carlista. Hoje é muito fácil deixar o carlismo, desde quando o poder estadual é outro e "Toninho Malvadeza" não se encontra mais aqui e está em qualquer alto promontório praticando das suas e tirando o sossego lá de cima ou lá de baixo, pelo menos ficamos livres dele cá em baixo e é um despropósito colocá-lo como argumento justificativo para a formação de compromissos, o que pode conduzir-nos a muito mais equívocos. Além do mais, tem que ficar bem claro que nesta cúpula encontra-se os maiores opositores ao governo Lula aqui em Ipirá.

Tem que se pensar em um monte de coisas, até porque, para quem não tem memória curta, nas últimas eleições municipais em Ipirá, o PT rejeitou a indicação para vice feita pelo PCdoB e, agora, seria muito estranho aceitar na vice o apoiador Dr. Antônio Colonnezi, sem mais nem menos. Com que argumento ? O argumento de estar na cabeça é muito simples, porque existem muitas contradições políticas. Tem que haver um argumento convincente, porque se não for assim, os militantes e eleitores destes dois partidos em Ipirá ficarão na dúvida e pensarão que com seu voto estarão dando um emprego seguro, tranqüilo de quatro anos ou um merecido prêmio ao apoiador, que não vai se preocupar nem precisar trabalhar, porque vice não faz absolutamente nada. O que é que tem que ser feito ? Ocupar os cargos já foi feito. E agora, fazer o quê ? isso talvez seja o ponto primordial e mais importante até do que colocar todo mundo no mesmo bocapio. É sempre bom sonhar, agora quando o sonho é atravessado vira pesadelo.

Enquanto isso acontece, retorno ao reino animal, precisamente ao ninho da jacusada, onde entrava Abelha e deu de cara com uma figura estranha, ele olhou atravessado e espantado, ao virar o rosto viu o grande chefe da jacusada dando uma risadinha disfarçada, foi logo indagando-lhe:
- É mesmo o que eu tô vendo ? esse aí é o Tatuzão que está saindo daqui ?
- É ele mesmo. Os amigos estão voltando para nossa casa – respondeu o grande chefe.
- O senhor chama isso aí de amigo ! isso aí é uma traíra traidora, seu amigo sou eu, que fiquei com o senhor mesmo com o senhor perdendo a eleição.
- Sim, sim, mas não deixa de ser nosso amigo, você sabe... – respondeu o grande chefe.

A jacusada está igual a cobra no bote, só na espera. A jacusada, liderada pelo médico Delorme Martins foi um grupo político cevado no carlismo e hoje depende exclusivamente do retorno dos antigos amigos, os traíras, caso contrário, já entra em campo perdido. Ou não é assim ? Não conta com o apoio do governo estadual, nem federal. Se o projeto do DEMo com Paulo Souto fracassar na Bahia, o que não está difícil, aí adeus Corina, a jacusada vai entra em órbita e girar na política do desespero, e eu vou ficando por aqui, porque em terra de bicho o progresso chega de jegue e ainda querem colocar todo mundo no mesmo balaio de gato.

domingo, 9 de setembro de 2007


FALTOU A FOTO DA VERGONHA DE IPIRÁ.

A CRÔNICA.
Quem chegar ao Banco do Brasil, agência Ipirá, para enfrentar aquela terrível fila do caixa, terá a oportunidade de observar uma Mostra de Fotos direcionada ao público. Depois de uma hora na fila, olhando aquelas fotos, observei que um senhor, que estava ao meu lado, começou a contorcer-se e a ficar verde. Segurei-o pelo braço, ao tempo que lhe indagava:
- O senhor está bem ?
- Tô sentindo um embrulhamento na boca do estômago, só pode ser as oitenta arrobas dessa carne aí, que eu comi – respondeu o senhor.
Fiquei assombrado diante daquela situação e perguntei-lhe em cima da bucha, para não perder tempo:
- Como ? o senhor comeu oitenta arrobas desta carne ? aqui em Ipirá até hoje, só teve Zé Bigorna que comeu dois quilos de carne de uma só sentada e o senhor tá dizendo que comeu oitenta arrobas. Como assim ?.
- Não foi de uma sentada não. Foi de bife em bife, de lombo em lombo, e isso foi desde criancinha – explicou o senhor.
Eu estava perplexo e comecei a fazer minhas deduções: "não é que essa minha barriga grande, que eu pensava que era barriga-d’água, só pode ser resultado dessa carne aí, afinal de contas, eu já comi mais de noventa arrobas desse treco". Estava nessa meditação profunda, quando um sujeito magro que estava ao meu lado deu uma tremedeira, que parecia que o bicho estava custipiado, pequei-o pelo braço e já fui perguntando:
- Foi essa carne ?
- Não. Eu não como carne, sou vegetariano.
Pensei rápido e disse: - Então deve ser aquelas verduras e legumes ensopados de agrotóxicos que são vendidos no Centro de Abastecimento.
Neste instante, aproximou-se um rapaz que estava branco feito folha de papel e ao vê-lo, questionei-lhe:
- Você está branco assim é por causa desta carne ?
- Não. Eu não toco em carne, só tomo vitamina de banana pela manhã, no almoço e na janta – disse o branquelo.
Não disse mais nada, mas pensei no pior: "leite saído do peito da vaca com banana no carbureto vendida na feira de Ipirá, depois da branquidão vem a ferrugem". Nesse momento, veio um sujeito alto, com pinta de magarefe, saído de não sei onde, e falou:
- Morreu mais gente de vaca-louca na Inglaterra do que aqui.
- Quantos morreram lá na Inglaterra ? – perguntei-lhe.
- Não sei – respondeu e perguntou-me – e aqui, quantos tiveram óbitos ?
- Não sei, mas sei que sem dados corretos não esquento mais a panela – respondi.
Saímos os cinco da agência do banco, um amparado no outro e todos com um destino duvidoso.
Deixando de lado a brincadeira literária, afirmo que o assunto é seríssimo, porque tem que haver ótima qualidade nos gêneros alimentícios consumidos pela população. Ninguém duvida disso e toda população é favorável a que isso aconteça.

A VIDA.
A exposição de fotos na agência de Ipirá, do Banco do Brasil, é sintomática. Demonstra de forma transparente e cabal que Ipirá é um município atrasado; indubitavelmente atrasado; vergonhosamente atrasado; lamentavelmente atrasado. Em pleno século XXI, estamos amargurando as práticas de abate de animais do século XIX, enquanto o desenvolvimento, a modernidade e o progresso estão ali adiante, a 100 km de distância, ali em Feira de Santana, com seus moderníssimos frigoríficos e aparelhadíssimos matadouros de alta tecnologia (se assim não for, que assim se entenda). Que triste sina a de Ipirá. Aqui, do lado de cá, é a falta e a carência; lá, do lado de lá, é o desenvolvimento.

Se estancarmos e circunscrevermos as nossas posições e idéias na observação imediata e intuitiva destas fotos como única e pura verdade, cairemos na fácil constatação e demarcação da autoria do crime: o marchante clandestino.

Será que chegamos ao fim de linha ? será que encerrou a discussão com o argumento irrefutável do estabelecimento do culpado através das fotos, neste preciso momento ? está correto colocarmos nosso foco neste ponto e encerrá-lo neste instante ? pronto, acabou, a solução foi encontrada e está aí, problema resolvido, fim de papo, já fui e que se dane o mundo.

É fácil perceber e visualizar o que acontecerá ao setor trabalhista dos marchantes: ou aceita abater o boi em Feira e o carneiro em Pintadas ou sai do ramo. Não deixa de ser uma solução implacável e rigorosa com esta parcela de prováveis ou supostos culpados. Será que são os únicos e verdadeiros culpados ?

Será que não convém que verifiquemos o que está além das fotos ? e se formos além das fotos, o que veremos ? sem dúvida, ultrapassando os limites das fotos teremos um problema social agudo para um setor trabalhista, que não dispõe de outros recursos para a garantia de sobrevivência e sustento das suas famílias, e neste caso, estarão sendo empurrados para a exclusão social milhares de pessoas, tornando o campo social em Ipirá mais miserável do que é. Isso também é muito preocupante, embora diga-se que o sacrifício de poucos serve para o benefício de muitos.

Está mais do que evidente, que esta situação vai ficando mais complexa. Será que essa situação não atira estilhaços para todas as bandas ? sim, porque ao atingir os marchantes, atinge-se também o município de Ipirá, queiram ou não, e tudo isso vai respingar diretamente sobre o coração de Ipirá, que é a pecuária, o seu principal setor produtivo e daí, canalizado para toda a economia. Desde quando, todas as medidas até agora tomadas foram superficiais, simplesmente não fizeram mais do que "descobrirem os pés para cobrir a cabeça de Ipirá". Está bastante claro e todo mundo entende que Ipirá não pode e não deve ser duramente condenada ao atraso. Ipirá não pode ficar nessa situação de carência e necessidade.

A REALIDADE.
Onde está a pendência ? numa solução que atenda a todas as demandas, tanto a da qualidade, quanto a do abate local.

A foto da vergonha é esta que você vê aqui no blog. Eu não sei o que é, dizem por aqui, que é um matadouro. RAIO X DA OBRA.

LOCALIZAÇÃO: fica na zona oeste, a 4 km de Ipirá, junto à estrada do Feijão. PROJETO: do governo do Estado da Bahia. CUSTO DA OBRA: estimativa (minha) de um milhão e meio de reais. CUSTO DA REFORMA: estimativa (deles) de dois milhões de reais. OBRA CONCLUÍDA: há mais de doze anos. INAUGURAÇÃO: num período de eleição. FUNCIONALIDADE: não tem. Até hoje, nunca foi abatida uma rês aqui. UTILIDADE: é uma obra inútil. CRIME: aí tem prevaricação e má aplicação do dinheiro do povo ( ou não é crime ?). CONCLUSÃO: aí está uma prova incontestável de desperdício do dinheiro público, que escorre para a vala comum do esgoto da ineficiência ou para os bolsos de alguns empreiteiros. Existe uma clara distorção do custo/benefício, e isso é de uma maldade que não tem tamanho, desde quando o governo mendiga ajuda para o FOME ZERO e deixa escorrer rios de dinheiro pelo gargalo da incompetência, ineficiência ou da descaração.
Só tenho a dizer que Ipirá precisa de um matadouro para bovinos e ovinos, caprinos e suínos. Esta é a verdadeira solução, para todas as pendências.