quarta-feira, 5 de dezembro de 2007


TRAIÇÃO EM IPIRÁ.

Quero dirigir-me ao povo de Ipirá e, principalmente, a você que diz que ama Ipirá e está sempre preocupado com seus problemas.

Em entrevista ao programa Conexão Chapada, da rádio Ipirá FM, no dia 28/11/07, o presidente da ADAB foi categórico, preciso e direto; não deixando nenhuma dúvida. Neste instante faço um resumo de cinco pontos que foram mais ou menos expostos da seguinte maneira:

1. ... não sei porque o pessoal de Ipirá não quer abater o carneiro em Feira de Santana, que fica a 100 Km ou em Pintadas, que fica a 70 km de Ipirá...

2. ...o poder público não tem a obrigação de fazer matadouro, isso tem que ser ação da iniciativa privada...

3. ...Ipirá tem 60 mil habitantes e temos que olhar para o interesse de toda essa população consumidora e não para 100 ou 200 pessoas...

4. ...matadouro é uma espécie de indústria e não pode funcionar abaixo da capacidade produtiva, porque representa prejuízo...

5. ...o governo não vai fazer gastos desnecessários com um matadouro em cada cidade; apenas é necessário que tenha um no território...

Podemos concluir, baseado na clarividência dessas colocações, que o Matadouro de Ipirá não vai sair do projeto e que Ipirá não vai ter matadouro para ovinos, caprinos e suínos. PONTO FINAL (é o que eles querem).

Vou colocar meu ponto de vista sem rodeios. Existe um complô contra Ipirá, por diversas razões, que envolve poderes públicos, comerciantes, políticos, partidos, sindicatos e até fervorosos ipiraenses, para beneficiar diretamente Feira de Santana ou Pintadas, que tem matadouro de ovinos. Isso não é fantasia nem invenção de minha parte.

O problema é que falta vontade política. No esquema administrativo e político montado com base no território, algumas demandas localizadas, que são essenciais e prioritárias para o município, perdem força e substância em razão do regional. Ipirá tem necessidade urgente, vital e logística de uma matadouro para sua produção de ovinos, para o sustento direto e a manutenção do seu mercado consumidor, mas como no território já existe um matadouro para ovinos, em Pintadas, o governo do Estado não vai gastar dinheiro à toa e não vai inviabilizar o matadouro de Pintadas, que para funcionar dando lucro depende da produção e do mercado de Ipirá, que não se indispõe a contribuir, mas não desse jeito avassalador.

Eis a questão fundamental. Tem muita gente e políticos na defesa dos interesses de lá e desse jeito o maior prejudicado será Ipirá.

Por que nem a reforma do matadouro de bovinos em Ipirá sai do papel ? Observe bem. Um grande matadouro tem um custo de 10 milhões de reais; um pequeno de 2 milhões de reais. Ipirá só recebeu 740 mil reais do Ministério do Desenvolvimento Agrário/CEF/SAF, para adequação e ampliação físicas para operação do matadouro de Ipirá. De onde sairá o restante ? Por que não mandaram o total de recursos necessários ? Porque uma pessoa do CRA até hoje, não veio vistoriar a obra e liberar o local ? Será que tudo isso não é uma farsa ? Se não for, no mínimo, é muita falta de seriedade e respeito para com a população de Ipirá.

Resta ver quem está a favor de Pintadas e contra Ipirá. Eles querem ganhar na opressão e perseguição aos marchantes de carneiros; na demora e delonga da obra; pelo cansaço da população; e pelo tempo, na esperança que as pessoas esqueçam a luta e acomodem-se. Trata-se de um grande jogo de interesse. Está na hora do prefeito Diomário mobilizar a população e enfrentar o problema de frente com o apoio e a ajuda popular, porque o esquema do governo e da justiça é forte e tem todos os trunfos nas mãos.

Cumpro a minha obrigação de enfrentar a discussão e alertar a população de Ipirá para todos esses fatos, porque até mesmo essa conversa de beneficiar 60 mil pessoas é puro engodo e um simples disfarce para atender aos interesses de três pessoas: dois atravessadores e um empresário. Ipirá necessita de um relacionamento econômico com Pintadas em mão-dupla e não nessas condições. O que é que você acha de tudo isso ?

quinta-feira, 29 de novembro de 2007


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 03. (mês de dezembro 2007)
Atenção: leia os capítulos 01 e 02, que estão abaixo.

O prefeito Dió foi ao matadouro e começou a observar que a obra encontrava-se no seu início, na capinagem, e pela sua vontade era para estar em ponto de inauguração. Ficou observando tudo com a maior paciência, ao tempo em que anotava todos os detalhes para fazer uma cobrança enérgica aos devidos responsáveis. Quando o sino da Igreja Matriz, na Praça da Bandeira, sinalizou que eram seis horas, o prefeito Dió deixou o matadouro e foi para casa. Deitou-se e acordou precisamente ao meio-dia, novamente sob os acordes do sino da Igreja Matriz. Dirigiu-se a empregada e falou:
- Minha dedicada empregada Natalina, prepare um almoço, que eu vou andar na Praça da Bandeira, êpa, errei o nome ! apaga o que eu falei – respirou fundo e continuou – aliás, eu quero apagar a noite de ontem e esquecer de vez esse Matadouro de Ipirá, que só me tem trazido preocupação.

- Vosmicê tem toda sabedoria, prefeito Dió; ficá com o pensamento em coisa que não vai prá frente só traz fervura na cabeça. Por que vosmicê não bota o pensamento só no campo de futebol, que vai ser desenroscado esse mês ? – sugeriu a empregada.

- Desenroscado não, ele vai ser inaugurado. Veja bem como você fala as coisas, minha empregada Natalina. Eu já estou pensando num time de primeira divisão para inaugurá-lo. Vai ser o tricolor de aço.

- Não prefeito Dió ! é que minha língua ficou atravessada e eu troquei as bola. E se vosmicê não se incomodar, eu vou fazer uma nova pergunta – esperou uma resposta, que veio com o balançar da cabeça – esse tal tricolor de aço sartou da terceira prá primeira ?

- Não é isso, minha grata empregada Natalina, o esquadrão de aço pode estar até na quinta, mas é time de primeira divisão. De futebol você não entende nada.

- Ah ! taí prefeito Dió, uma coisa que eu estou por dentro, igualmente a fazer comida. Eu acompanho jogo de bola desde o tempo do Independente, que quando entrava em campo, ia um bode na frente.

- Eu alcancei esse tempo, minha empregada Natalina, e lembro-me do bode que era mascote do Independente. O Bahia tem como mascote o super-homem. Eu quero descobrir uma pessoa, aqui em Ipirá, para se fantasiar de super-homem no dia da inauguração.

- O único super-homem que eu conheço nessa terra é vosmicê, prefeito Dió. Eu sou de opinião que vosmicê, prefeito Dió, deve vestir a roupa de super-homem, porque vosmicê é merecedor.

- Isso aí não ! eu prefiro não trazer o Bahia no dia da inauguração.

- Vosmicê, prefeito Dió, devia trazer um time com três letrinhas, igualmente ao nome de vosmicê, D – I – Ó, com acento no Ó, para abrir esse campo.

- Minha empregada Natalina ! não me fale em três letrinhas, porque é justamente três letrinhas que tem atanazado minha vida. Tem três letrinhas que mora aí no outro lado da rua, que só fica no meu calcanhar, e tem essas três letrinhas CRA, que pisa no meu calo e está tirando o meu sono.

- Taí prefeito Dió, porque vosmicê não trás o irmão desse CRA, o CRB das Alagoas para abrir o campo ? O CRB vem e joga, mas vosmicê paga ao irmão dele o CRA, aí esse trem ruim tira o pé de riba do seu.

- Não é assim que as coisas acontecem. O CRA não quer vir nesta cidade.

- Êta sujeito pozudo, esse tal de CRA. Vá vê que esse CRA é da quinta divisão do futebol das Alagoas. Eu já tô me vendo naquela arquibancada, que dá pra gente ficar deitada, pra vê o irmão desse CRA, o CRB abrindo o campo de Ipirá e entrando no gramado, com seu mascote na frente do time.

- Qual é o mascote deles ? – perguntou o prefeito Dió.

- É um carneiro – respondeu a empregada Natalina.

- Ai ! ai ! ai! Tira esse carneiro de dentro do campo, ele vai comer o gramado todo e só vai deixar a terra, ai ele vai engordar e vão querer matá-lo e o Matadouro de Ipirá não está pronto. Novamente, esse bicho carneiro atravessando na minha vida; eu não aguento mais isso. O que eu devo fazer para acabar com essa raça de bicho carneiro no município de Ipirá ?

- Eu tenho uma idéia, prefeito Dió. Como tá tudo seco em Ipirá e só tem de verde a grama do campo de futebol, vosmicê deixa todos os carneiro que tem em Ipirá entrá no campo, com as otoridade que persegue os carneiro, e traz as três letrinhas, ECV, o Vitória, para abrir o campo, aí o mascote do time, o leão da barra, come os carneiro e as otoridade, e aí acaba o problema prá vosmicê.

- Ô minha empregada Natalina, com essa enrolação toda de três letrinhas, era para chegar no ECV. Você é Vitória ?

- Desde criancinha, prefeito Dió.

- Em minha casa não, você vai trabalhar no matadouro – disse o prefeito Dió.

SUSPENSE: Será que o prefeito Dió vai botar a empregada vitoreira prá fora ? O que é que faz uma espiã do Vitória na casa do prefeito Dió ? Será que o prefeito Dió já virou Quinta coluna e agora é Vitória ? Quem vai inaugurar o campo de futebol de Ipirá, é o CRA; CRB; ECV; ECB; LCM; DIÓ ?

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.
Leia o próximo capítulo no mês de janeiro 08

sexta-feira, 23 de novembro de 2007


UNHA ENCRAVADA.

Abrem-se as cortinas no sertão ipiraense; no cenário, aparece a terra nua à mostra, o chão está rachado e esturricado; e neste instante, recomeça, novamente, o velho e surrado drama: a seca. Invariavelmente, ainda não aprendemos a lição da convivência com esta milenar incidência, que fica ao crivo das possibilidades individuais de cada personagem envolvido. O drama trágico desenvolve-se na angústia sentida pelo ser humano catingueiro, encravado nesta situação, que se vê negativado diante dos grandes problemas colocados à sua capacidade de ser gente e devido ao temor de desintegrar-se no nada. Aí, fica olhando para o céu em busca da ajuda divina e esperando que a natureza atenda
com abundantes chuvas as suas preces.

Enquanto as chuvas não caem, a nordestina indústria da seca faz a festa e suga a seiva que ainda resta. A estiagem chupa as reservas de água e a necessidade de água para beber passa a ser um tormento para o ser humano catingueiro. Aqui, o drama vira uma tragédia diabólica, porque os olhares ficam esperando o "Água para todos" e todo ser vivente está enfastiado de saber que a burocracia traceja com a desgraça humana e alheia, sendo que, neste triste cenário desenrola-se o já batido enredo das mulheres e crianças com latas de água nas cabeças; dos carros pipas atendendo às filas de gente com vasilhames, numa cena tão costumeira e de uso geral, que pouco importa ao sertanejo pagar o bem ou todo direito com o que se deposita nas urnas em tempo de eleições. Até as cisternas, que são reservatórios que atendem as unidades familiares, estão lacradas a diversos interesses e não consegue deixar de lado essa moeda de troca, e aconteceu até casos, em que o candidato que influenciou para que se fizesse a cisterna, perdesse o voto para o candidato que colocou a água na cisterna, que ele não influenciou para que fosse feita. Essa é a engrenagem em que está o ser humano carente da caatinga. Tudo é política, politicagem, favores, dependência, cabresto e unha encravada.

A base econômica do município de Ipirá é a pecuária. Na estiagem, essa base começa a declinar. Toma dimensões trágicas porque é formada por pequenos proprietários, sem apoio, carentes de recursos e de técnicas de convivência com a seca e sem capacidade para quitar dívidas sem dificuldades; mesmo nas unidades produtivas mais organizadas e preparadas para o enfrentamento da estiagem, esse é um período em que ocorrem perdas das reservas obtidas nos tempos mais favoráveis, assim sendo, esvaem-se as riquezas dos produtores e do município. Os carentes de recursos fazem das tripas, coração, e estendem as mãos em busca de uma ajuda. Poucos aguentam o tranco; só aqueles que retiram recursos de outras atividades para sustentar a pecuária, suportam a peleja. É uma fase de baixo ou nenhum rendimento e muita e alta despesa. É uma coisa que está amarrada no mourão de cada fazenda. Como um município pode prosperar com uma economia tão frágil e precária como esta ? Como um município pode ir para frente com uma base produtora tão vulnerável como essa ? Como um município pode aguentar o tranco, quando a esmagadora maioria de seus produtores rurais não possuem recursos para auto-sustentar-se ou nestes momentos, só fazem dilapidar a sua base de sustentação ?

Dessa dramaturgia barata da vida sertaneja, desponta os dramalhões de sempre nesse encantado reino ipiraense, quando a Prefeitura Municipal recebe 1 milhão de reais de convênios: 877 mil reais do Ministério do Turismo/CEF/TUR para a construção do mercado eventos pavimentação de vias/ruas em Ipirá – 130 mil reais do Ministério das Cidades/CEF para infra-estrutura urbana comunitária e apenas 740 mil reais para reformar o matadouro de animais, uma obra necessária, elementar e urgente para salvar a pecuária local. Não é uma inversão de prioridades ?

Mesmo vivendo um momento crítico para a economia do município, a preocupação está voltada para a feitura da praça mais bonita do interior da Bahia, para o deleite dos olhos que brilham com as flores na primavera, mas que, muitas vezes, não conseguem enxergar os galhos secos da vida e, também, daquelas pessoas que ouvem música estrangeira e a suadeira, mas que não se tocam com o que está em sua volta, porque estão cagando para o mundo. Dessa forma a realidade é o que é; depois não digam que a seca é crua e cruel.
O drama prossegue seu lento desenrolar. A pecuária de Ipirá, com seca ou sem seca, mastiga grandes dificuldades e está tomando uma topada que pode tirar-lhes os pés, porque está fechada em vontades estranhas às suas estruturas íntimas, que são sinuosas e frágeis, por isso precisam de mudanças, como o matadouro e um parque de venda de animais, coisas que não têm em Ipirá, mas a unha está encravada

terça-feira, 13 de novembro de 2007


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 02. (mês de novembro 2007)
Observação: Antes, Leia o primeiro capítulo logo abaixo.

O prefeito Dió só conseguiu sair do seu gabinete, na Prefeitura Municipal, depois da meia-noite. Estava exausto. Foi direto para casa, tomou um banho e deitou-se. Com meia hora de sono já estava envolvido com um sonho, no qual discutia-se qual seria o primeiro animal a ser abatido na inauguração do matadouro de Ipirá.
- Tem que ser uma vaca – dizia um fazendeiro.
- Por que vaca ? tem que ser um boi – falava um negociante de carne.
- Tem que ser uma vaca; por ser a vaca um animal sagrado lá na Índia e que representa a fertilidade que vai nutrir esse matadouro. Tem que ser uma vaca; porque a vaca tem uma anca sinuosa e apetitosa. Quem não tem vontade de comer uma vaca ? a vaca tem a docilidade e o frescor da feminilidade. Tem que ser uma vaca; porque a vaca tá no jogo do bicho e o boi não. Tem que ser uma vaca...

Neste instante foi interrompido pelo comerciante, que disse em voz alta:
- Só você pode falar ? você também tem que ouvir. Não tem nada a ver isso que você falou. Tem que ser um boi, por ser uma espécie robusta e cheia de vitalidade, a vaca tem que ir é para o brejo. O boi é o maior representante mamífero da caatinga; é um ruminante de aparência indolente, mas é de um temperamento indócil e é disso que os valentes catingueiros precisam. Não tem outro artiodáctilo que mereça a primazia diante do boi...

O prefeito Dió acompanhava toda aquela embolação sobre o boi e a vaca de forma displicente e já estava impaciente com aquela converseira toda, que não apresentava uma definição precisa, imediata e prática para que se inaugurasse logo aquele matadouro. Era preciso um rumo definidor. O prefeito Dió apenas ouvia, mas seu olhar esta petrificado na direção da navalha e quando o responsável gritou:
- Atenção ! neste exato momento, vai ser abatido o primeiro animal no Matadouro de Ipirá – pegando a alavanca e...
- Nãããããão – gritou o prefeito Dió, na tentativa de parar a ação do abate, antes que fosse tarde.

O prefeito Dió acordou, deu um salto da cama, atormentado e suando barbaridade, ao tempo que, sua esposa, assustada, indagava-lhe:
- O que foi prefeito Dió ?
- São os carneiros que querem tomar conta do matadouro.
- Foi um sonho prefeito Dió. Prá que a família Carneiro quer o matadouro ?
- Não é a família Carneiro não; é o bicho carneiro que botou a cabeça na guilhotina do matadouro para inaugura-lo e isso não pode acontecer e eu não vou deixar. Vou lá para ver como está a obra.
- Mas, prefeito Dió, é uma e meia da madrugada. O que é que você vai fazer lá, homem de Deus ? – perguntou a esposa.

SUSPENSE: O prefeito Dió vai ou não vai ao matadouro, acompanhar a obra ?
Ele vai ou não vai observar de perto ?
Leia o terceiro capítulo no mês de dezembro 2007.
OBSERVAÇÃO: Essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

sábado, 10 de novembro de 2007

PARADA MÉDICA

A população ipiraense é obrigada a engolir cada caroço de manga-mamão, que não sei como passa pela garganta. Algumas idéias ficam embutidas nas cabeças das pessoas do mesmo jeito como o mandacaru está fincado na terra árida, como uma fortaleza. Mesmo sendo dessa maneira, nada é irremediavelmente verdadeiro, nem tão necessariamente correto.

Afirmava-se e acreditava-se que: "médico era imbatível nas eleições em Ipirá". Muito acreditou-se nisso, porém, esta proposição já caiu por terra e nem é levada em consideração, pois, por duas vezes, candidato médico foi derrotado por candidato advogado.

Reformularam a afirmativa, que tomou o formato de: "candidato a prefeito em Ipirá, para ser potencialmente forte tem que ser médico". Não duvido que seja forte, mas também, não me abstenho de fazer uma verificação da veracidade e legitimidade de tal proposição.

Se nenhum dos médicos, que atuam em Ipirá, é especialista em administração de cidades, então, os médicos, que aqui trabalham, não são portadores de um requisito que lhes dariam a preponderância diante de outros segmentos sociais.

Certas assertivas, como "médico é candidato forte" que são alavancadas para determinados fins, atendem muito mais aos interesses corporativos de determinado setor social, do que à essência das necessidades do município.Contrapõe-se à afirmativa "médico é candidato forte" um valor que contém muito mais substância do que o anterior, seria: "candidato com preparo". Então, a proposição anterior demonstra ser vulnerável diante de um olhar mais apurado e vai diluindo-se diante de uma inferência mais atenta, deixando de ser absolutamente verdadeira e muito menos legítima para as amplas aspirações municipais. Para o corporativismo da categoria que almeja o poder público é altamente satisfatória, útil e necessária; para o município, em sua complexidade, é de uma inutilidade a toda prova.

Se nenhum desses médicos, que atuam em Ipirá, possui uma compreensão total do município, o que é totalmente impossível; e se nenhum deles possui um conhecimento amplo dessa complexidade socioeconômica, então, esses fatos, por si só, já pressupõem uma deficiência e uma carência que os iguala a qualquer outro postulante, de qualquer outro segmento da sociedade ipiraense, e dessa forma, adeus superioridade e pretendente forte, ficaria eliminada a primazia.

Será que os pretendentes candidatos à prefeitura de Ipirá, que são médicos, debruçam-se diante de uma análise das raízes dos nossos problemas ? Será que eles pretendem buscar soluções com vistas ao bem comum ? Será que já extirparam da alma, os interesses pessoais ou de pequenos grupos ? Será que já estão convencidos da necessidade de uma prática política voltado para o bem comum ? Será que eles conseguem visualizar o traçado de uma infra-estrutura capaz de tirar Ipirá do fundo do poço ?

Ter o município de Ipirá administrado por médicos, não pressupõe de forma alguma progresso e desenvolvimento, também podem ser acompanhados de grandes escândalos. A prática tem nos mostrado essa realidade, o município de Ipirá está sendo obrigado a desembolsar mais de um milhão de reais em precatórios para a família de um médico despedido da Prefeitura Municipal, pelo prefeito de plantão, que era médico, nada mais, nada menos, por arrogância, prepotência, estupidez e irresponsabilidade. É dinheiro que está faltando para o matadouro, calçamento, escolas e hospital.

No meu entendimento, esse ponto de vista é insustentável e bem que poderia ser um princípio para uma boa discussão, e quem sabe, talvez desmanche alguns pedestais e apague algumas chamas da mais pura vaidade. O desenrolar dos acontecimentos leva a crer, que em Ipirá, no ano que vem, todos os candidatos a prefeito, serão médicos. Isso não significa a redenção deste município.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 01 (mês de outubro 2007)

Ipirá vivia mais um dia calorento, como sempre, e sem grandes novidades, não tinha acontecido nenhum crime e, nem ao menos, uma traição, daí não haver grande burburinho entre os munícipes. Nesse ar de monotonia, algo relevante tinha acontecido e quem mais vibrava e comemorava exaustivamente era o prefeito Dió, que reuniu em seu gabinete, na Prefeitura Municipal, seu secretariado e alguns puxa-sacos, ao tempo, que dizia eufórico:
- A batalha foi difícil, mas alcancei grande êxito na minha empreitada e posso afirmar com toda convicção, que já está disponível 740 mil reais para o matadouro de Ipirá.
A platéia presente não economizou os calorosos e efusivos aplausos:
- Viva o prefeito Dió – gritavam.
- O prefeito Dió conseguiu o que nenhum outro prefeito conseguiu: o matadouro para Ipirá – bradava um secretário.
- Vamos abrir uma garrafa de champagne para comemorar – gritou um puxa.
- Só que aqui não tem champagne – retrucou outro puxa fazendo deboche.
- Eu vou comprar agora mesmo – afirmou o puxa que fez a proposta e saiu em disparada do gabinete, voltando em dois preciosos minutos e, cansado, disparou a língua:
- Aqui está o champagne e quem vai abrir é o prefeito Dió.
O prefeito Dió pegou a garrafa e tentou abri-la, mas não conseguia.
- Prefeito Dió ! ela é de rosca e desenrosca ao contrário – orientou o puxa.
O prefeito Dió, meio sem jeito, e querendo fazer uma gracinha para a turma divertir-se, comentou:
- É verdade, para desenroscar esse troço e o matadouro – frisou bem – eu tenho que fazer o contrário do que fizeram meus antecessores.
Neste espaço de tempo de interminável labuta para abrir o champagne, ouviu-se um foguetório ensurdecedor que vinha do pátio da prefeitura. Um funcionário entrou no gabinete e disse o que estava acontecendo:
- Prefeito Dió, os perseguidos marchantes de carneiro estão festejando o matadouro de Ipirá e querem parabenizá-lo por isso. É uma alegria só.
O prefeito Dió deu um pinote e foi ordenando ao funcionário:
- Não deixe essa gente entrar aqui não. Vamos fechar a porta e as cortinas. Ninguém fala nada, vamos fazer o maior silêncio até eles saírem. Diga a eles, que eu estou em Salvador e que dei a notícia por telefone. Não deixe ninguém entrar aqui. Não quero ver esse povo.

SUSPENSE: Por que o prefeito Dió não quer encontrar os perseguidos marchantes de carneiro ? O que está acontecendo ? Debaixo desse angu tem carne.
Leia o SEGUNDO CAPÍTULO no mês de dezembro 2007.

OBSERVAÇÃO: Como nas novelas da Globo, nesta novelinha É DE ROSCA, tem personagens do bem e do mal (senão não é novelinha), agora só tem um artista, o prefeito Dió. Essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007


É DE ROSCA.

Por onde começa nossa história ? Começa lá por trás e vem dando voltas pelas trapalhadas da vida. Sendo assim, nesta pacata cidade de Ipirá, há muito tempo atrás, na administração do prefeito Antônio Colonnezi, foi feito na beira da estrada do Feijão, com dinheiro do povo, um belo "elefante branco", chamado MATADOURO DE IPIRÁ. Não matou um mosquito. Seu seguidor, prefeito Luís Carlos Martins, governou por oito anos, não mexeu um palito e o "elefante branco" foi perdendo a cor e a serventia, virando um traste dilapidado e não foi abatido nem um bengo. Conclusão: o marchante de carneiro é um criminoso ( tem gente que só consegue enxergar desse jeito ).

E contra os dois prefeitos foi feito o que ? Nada, absolutamente nada. Para eles a vida continua bela, colorida e distante das atrapalhações que merecem os irresponsáveis que não trataram com seriedade um bem público essencial e necessário para que a população tenha qualidade nas suas mesas e não corra nenhum risco com tais produtos de origem animal. Não foram enxotados da vida pública. Enquanto isso, os marchantes de carneiro vivem na peia ( tem gente que quer assim ).

A batata quente caiu na mão do atual prefeito Antônio Diomário. Antes das eleições de 2004, ele participou das passeatas dos marchantes na luta pelo funcionamento do matadouro em Ipirá, agora é a sua vez. Começou jogando a batata para cima e disse: "o INSS impede a liberação de recursos para o início das obras" , e dizia mais: "a prefeitura tem que obter da Receita Federal a liberação do CND, Certidão Negativa de Débitos, que vai possibilitar a ordem da Caixa Econômica Federal para licitar as obras e iniciar o matadouro". Observe bem, em que engrisilhada da desgraça estava metida a população consumidora de Ipirá. E não para aí, o prefeito Diomário afirmou: " depende do órgão ambiental". Veja que situação: depender de burocrata no Brasil é problema, essa gente não tem pressa e não tá nem aí para os problemas do povo de Ipirá. E os marchantes de carneiro são os culpados.

A batata estava muito quente e o prefeito Diomário, cansado, foi dizendo: "foi uma grande luta que travei em duas difíceis frentes: primeiro, junto a Super Receita, que descobriu mais débitos da prefeitura com o INSS desde 1999 até 2003. O ex-prefeito não fez os GFIPS (Guias Fiscais) que recolhem as contribuições para o INSS e por conta disso o governo federal só libera o recurso depois da regularização". Deu para perceber que o prefeito Diomário não diz o nome do ex-prefeito nem quando é futucado, mas continua dizendo: " paguei R$106.896,56, como parte do débito e parcelei o restante, mais de 400 mil reais para receber a certidão". Ele não disse, mas eu posso lembrar o nome do ex-prefeito, foi o Luís Carlos Martins, esse é um sujeito desastrado quando trata com a coisa pública. E a culpa é dos marchantes de carneiro.

Depois, o prefeito Diomário aparou a batata no colo e soltou o verbo: " a empresa TRANSFRAN ganhou a licitação para a construção do matadouro de Ipirá" e concluiu: " o CRA liberou o local, mas exige inúmeros projetos para a liberação da implantação do projeto". Aí eu posso dizer: oh, beleza ! agora vai !. E quem atrapalha tudo é o marchante de carneiro.
Agora prefeito Diomário, a batata é sua. Desde o dia 01.10.07 foi liberado de forma integral os recursos para adequação e ampliação físicas para operação do matadouro de Ipirá, no valor total de 740 mil reais. Esse convênio vem desde as eleições de 2006 e só agora saiu da gaveta, mas quem amarra as coisas é o marchante de carneiro.

COM DINHEIRO NA MÃO, não é possível que demore mais um ano para sair esse matadouro de rosca. Esta é a prova de fogo da administração do governo Diomário. Chegou a hora de mostrar para que veio ser prefeito. Este é um momento de ação e agilidade, porque Ipirá não aguenta mais esse sofrimento e essa perseguição. É hora de dar um basta no descaso e na irresponsabilidade administrativa neste município, caso contrário, o prefeito Diomário será enxotado da vida pública de Ipirá, ao menos, pelos marchantes de carneiro. Disso eu não tenho dúvida, porque eles não são culpados por nada.

Neste instante, encerro essa série de artigos sobre o matadouro, mas iniciarei, só no meu blog, a novela É DE ROSCA. Escreverei um capítulo por mês, até que desenrosque o dito cujo matadouro. No seu entender, quantos capítulos escreverei ?.