A VIDA COMO ELA É.Na democracia.
Foi nesse período que o imperador ACM tomou a maior vaia já observada na cidade de Ipirá. Era um dia de quarta-feira, o dia da feira pública na cidade, aproximadamente uma hora da tarde e um sol de lascar; a multidão impacientemente acotovelava-se na rua de Cima. Era um comício da jacuzada em prol da candidatura Maurício Brandão para prefeito do município. A jacuzada estava esfuziante, lépida e fagueira com a chegada do Toninho Malvadeza. A cúpula dos jacus adorava, idolatrava e santificava o Toninho Ternura, não sabíamos, nem imaginávamos, que era enquanto poder e vida tivesse, como a realidade veio mostrar-nos mais tarde. A macacada estava indócil, apreensiva e saçaricando em chapa quente.
Por trás da multidão havia uma faixa da APLB-Sindicato cobrando os salários atrasados dos professores ao prefeito Luís Carlos. O imperador ACM pegou o microfone, saudou o povo de Ipirá e apertou os olhinhos e fitou a faixa e rugiu com a voz da prepotência "o que eles querem é roubaaaaaaaaaaá", falou apenas um minuto, não disse mais nada, a vaia não deixou. Foi impressionante o que se viu; a multidão de trás encurralou a jacuzada na frente do palanque e soltou uma estrondosa, persistente e avassaladora vaia que deixou ACM atônito e sem entender nada, na sua última aparição nesta cidade. Não teve polícia para amordaçar o povo e a liberdade expressou-se apagando o rugido intolerante e prepotente do velho imperador da Bahia.
Quem foi o protagonista dessa ação foi a macacada, o povão que forma a base da macacada, não a cúpula dos macacos que sempre foi humilhada, pisoteada e desprezada, mas nunca deixou de lamber as botas do carlismo. Diomário era o candidato dos macacos e foi o vencedor do pleito. Pode até dizer que não era carlista, mas que gostava e adorava os amigos do carlismo que estavam no poder, isso lá, é pura verdade, que o diga Paulo Souto, enquanto foi governador. É assim no tempo da democracia.
Nos dias atuais estamos vivendo um tabuleiro de acarajé. Diomário quer Ademildo e também quer Antônio, que quer o PT, mas não quer Ademildo, que quer ser vice de Diomário, com apoio de Antônio, que quer a cabeça com a vice do PT, com apoio de Diomário, que não abre mão da cabeça e não dispensa a macacada, que não quer Diomário na cabeça, mas aceita Antônio com a vice do PT, que não quer largar Diomário, que não desiste da reeleição, nem do PT, nem de Antônio, nem dos macacos; e todos eles juntos querem Jaques Wagner que é o único que sabe o que quer: o mais votado. Tá confuso ? É assim mesmo, quando se discute só nomes e nem de longe se toca em programa, o beco fica sem saída. É assim no tempo da democracia.
Neste vatapá ipiraense quem comanda o tabuleiro é o prefeito Diomário Sá, que esfriou o dendê ao seu gosto e preparou a massa do acarajé do jeito que bem entende. Só vai decidir no tempo certo e que lhe convém, ou seja, nas proximidades das convenções; e não adianta ultimato, nem exigência da concordância de um programa mínimo, como quer o PT, porque o tabuleiro que era de acarajé virou um tabuleiro de xadrez e é preciso ter calma, paciência, tolerância e pensar muito, porque isso Diomário faz muito bem, e muito mais do que muita gente junta.
Quando o PT exige uma decisão de sua parte, Diomário, simplesmente, pede paciência e jura que vai até o fim com o PT para o que der e vier. Vai ter que esperar para ver. Quando Antônio diz que é candidato, Diomário, simplesmente, fala da união dos macacos e que vai junto até o fim, que é a vitória. Vai ter que esperar para ver. Nessa geléia quero ver quem tem coragem para derrubar o rei. O chefe do tabuleiro de xadrez, Diomário, joga com um só xeque-mate: ele na cabeça. A vice ? pode ser Ademildo, com a macacada aceitando uma secretaria ou Antônio, com o PT aceitando uma secretaria. Aí não dá outra; o PT vira PeTeca ou o macaco vira saguim. Na democracia é assim.
Em 2000, o PCdoB lançou a sua segunda candidatura para prefeito de Ipirá, foi a do camarada Nadilson, numa coligação com o PT, sendo uma campanha difícil e cheia de dificuldades, mas tivemos a coragem de saudar os ipiraenses que tinham coragem para lutar. Em 2008, estamos vivenciando novamente, uma conjuntura extremamente complexa e de difícil conclusão. O PT teve pressa em lançar um pré-candidato para diluí-lo e desgastá-lo pouco tempo depois, quando tal proeza só fazia sentido, no nosso entendimento, na viabilização de uma terceira força num campo mais amplo para enfrentar os candidatos do jacu e do macaco, e esperar isso de Diomário é mesmo que botar a mão na fogueira e queimar todo o corpo, de tanto esperar. Diante da situação política que se apresenta em Ipirá, o Diretório do PCdoB de Ipirá definiu pelo lançamento de um candidato próprio para a disputa democrática contra o jacu e o macaco e o enfrentamento no campo das idéias e programático, para fazer Ipirá desenvolver e aumentar a consciência política de seu povo. Esperamos compartilhar nessa luta com os valorosos companheiros do PT de Ipirá e também, estamos abertos para a formação de uma frente mais ampla contra jacu e macaco, mas que essa Terceira Via seja um caminho concreto, democrático e de quem tem coragem para lutar.



