segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

É DE ROSCA.


Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 16. (mês de janeiro 2009, - atualizado)

O governador virou ave de arribação e caiu fora desta cidade sertaneja, que se chama Ipirá. A comitiva foi atrás. A empregada Natalina ficou cara-a-cara com o prefeito Dió, que tinha ficado azuretado com ela. A empregada Natalina mostrava-se empolgada e não economizava palavras:
- Viu prefeito Dió ! como o pessoal todo adora carne de carneiro. A dona da justiça de Ipirá chegou a lamber os beiços.

- Deixe de lutrimento empregada Natalina, você me estrepou ? - afirmou o prefeito Dió.

- Eu ! o que é isso prefeito Dió ? Eu só fiz levantar sua guia com o governador. Não medi uma só palavra, prá mostrar que o matadouro tá empacado que nem jegue com medo de assombração.

- E quem é o responsável pela construção desse matadouro de Ipirá ? Sou eu. E quem não quer que esse matadouro seja construído ? Aí você não disse. Você não disse que já roubaram até os blocos que estavam empilhados lá na frente.

- Intonce o prefeito Dió tá nu dizê de qui é o povo qui não deixa construir o matadouro de Ipirá ? Aí o meu amo vai me aperdoá, mas quem tá aprisilhando o dito cujo é meia-dúzia de peixe graúdo que não sorta a caneta e vosmicê tá nu miolo.

- Chega, empregada Natalina ! de uma vez por todas, chega. Você é jacu e eu não vou deixar jacu trabalhando na minha prefeitura. Você está despedida.

- Mas, prefeito Dió ! eu não trabalho na prefeitura, eu trabalho é em sua casa.

- Pior ainda. Eu não quero jacu em minha casa de jeito nenhum. Saia agora mesmo. Com jacu é assim: arrume a mala e rua.


A empregada Natalina abriu o berreiro com um choro espremido e cadenciado, onde as lágrimas desciam em forma de cachoeira. Deixou a residência do prefeito Dió, com uma mala de madeira, dessas usadas por retirantes, e duas trouxas de roupa. Sem lenço e sem documentos, não tinha destino, muito menos para onde ir.

Ao atravessar a rua, a ex-empregada Natalina encontrou-se com a ex-empregada Tonha, que era chefe de cozinha na casa de Luiz do Demo, antigo PFL, travestido de PMDB. A ex-empregada Tonha tinha sido despedida logo após a derrota eleitoral, após uma firme dedução de que teria virado macaca, não merecendo mais confiança. Quando a ex-empregada Tonha avistou a ex-empregada Natalina, indagou-lhe:
- O que é que tá acontecendo cumade ? Prumode de que vosmicê tá nesse derretimento todo ?

- Cumade Tonha, vosmicê nem há de assuntá. O prefeito Dió me empurrou pru olho da rua ? disse a ex-empregada Natalina choramingando.

- Como ? E agora cumade, aonde é que a gente vai conseguir o que comê, se era vosmicê que matava a minha fome ?

- Num sei cumade Tonha, nós estamo intregue nas mão de Deus.

- Cumade Natalina ! veio umas idéia nos meu tutano, que eu vou dizê prá vosmicê.

- Desimbucha logo cumade Tonha.

- Já que dobrou a quantidade de sem-teto em Ipirá, vamo nus organizá. Eu como as comida das casa do doutô e vosmicê come as comida das casa das professora.

- Se assunte cumade Tonha, qui sabedoria é essa qui sai dos teu tutano, hém ! qué dizê, vosmicê come as comida da casa de Dr. Maurício, sarta duas casa cabeça abaixo; da casa de Dr. Gilvan; da casa de Dr. Caio; da casa do Dr. Pereira; deu quatro casa; e eu só fico com as comida da casa de pró Jandira e pró Aline; só duas casa. Se assunte cumade Tonha, vosmicê não deixa de ter as esperteza do jacu.

- Intonce cumade Natalina, prá num tê disavença entre nós duas, vamo fazê um acordo: subindo cabeça arriba, vosmicê fica com as comida da banda da direita e eu com as comida das banda da esquerda. Nada neste mundo vai fazê a gente dismanchá nossa amizade.

- Tá nus conforme cumade Tonha. Não é por pouca coisa que a gente vai se estranhá.

- Mas cumade Natalina, se aperguntá não ofende, prumode de quê o prefeito Dió empurrou vosmicê pru olho da rua ?

- Cumade Tonha ! eu vou arrespondê ao qui vosmicê qué assuntá. Só porque eu defendi os carneiro de Ipirá; só por isso, cumade.

- É o que eu digo, viu cumade Natalina: esses macaco é um cachorro.

- Cachorro não ! viu cumade Tonha. Dobre sua língua, ele paga em dia. Cachorro é aquele jacu, que só pagava com seis meses de atraso e ainda derrubou meio mundo de gente.

- Taí, cumade Natalina ! lave a sua língua prá falá do jacu. Se tem coisa que presta nessa terra é o jacu, o resto é meleca, inclusive vosmicê.

- Me arrespeite sua nigrinha ? - gritou a ex-empregada Natalina, dando um tabefe no rosto da ex-empregada Tonha, e as duas trançaram-se.


A rua estava vazia. Por mera coincidência, destas que só acontecem de século em século, quando o prefeito Dió saiu no portão, por causa do barulho da rua, Luiz do Demo, ex-PFL, travestido de PMDB, apareceu do outro lado. Como não havia ninguém na rua, exceto o bolo formado pelas ex-empregadas, que se engalfinhavam, os dois foram andando, saudaram-se no meio da rua e entraram para tomar um champagne.

A multidão tomou conta da rua. Os ônibus chegavam abarrotados de gente dos povoados e da zona rural. O povo acotovelava-se para dar uma espiada no Big Brother ipiraense. Nada apartava a briga. Tentaram de tudo e nada. Alguém na multidão deu a idéia: "Vamo chamá o delegado". Um voluntário disparou para a delegacia:
- Doutô Delegado ! o mundo tá se acabando na rua de doutô Delorme. Tá pió do que a invasão da Faixa de Gaza. Se o doutô Delegado não for lá, prá acabá com aquela ingrizilhada, pode ser o começo da terceira guerra no mundo.

- O que é que está acontecendo ? - perguntou o delegado.

- É uma briga de duas mulé. Tá pió do que os judeus com os palestinos lá no Oriente. Leve reforço, metralhadora, fuzil; leve a catinga; telefone prá O'brama; que o panavueiro tá um inferno.

- O que ? duas mulheres ? - o delegado, na maior paciência do mundo, olhou para o lado e pediu a um auxiliar - ô Lampião ! traga um cafezinho aí, depois você pega aquela garruncha enferrujada, de dois tiros, e traga prá eu botar na cintura.

- Mas doutô Delegado, o senhor vai com essa pistola velha ?


O delegado olhou fundo nos olhos do mensageiro e com toda seriedade desse mundo, disse-lhe:
- Eu vou acabar com esse fricote dessas duas mulheres com um grito; se isso não acontecer eu vou mudar meu nome para Carlos.

SUSPENSE: e agora ? o que será que vai acontecer à empregada Natalina ? O que será que o delegado vai fazer ? Natalina e Tonha para a cadeia ?

Leia o capítulo 15 ? dezembro 2008 - logo abaixo.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

É DE ROSCA.


Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 15. (mês de dezembro 2008, com um mês de atraso)

O banquete na residência do prefeito Dió continuava farto. Observe que vem acontecendo desde o dia da grande vitória e não adianta ficar com a gemedeira do ui ! ui ! uiiiiiiiiiii, que não vai terminar de uma hora para outra. A carne mais apreciada e extensivamente consumida era a de carneiro, naturalmente carne clandestina. Desde quando Ipirá não possui um matadouro de ovinos e caprinos, vai ter que ser assim. É a sobrevivência que mostra onde a tripa aperta. Enfim, são dezesseis anos para a simples construção de um matadouro de bovinos e, até hoje, não apareceu um prefeito de verdade para dar um basta nesta situação. O bicho é de rosca.

O governador mostrava-se pançudo, mas também, alegre e satisfeito, ao tempo que, derretia-se em suor e elogios ao trato que recebia na casa do prefeito Dió. Até aquele instante, tinha digerido uma banda de carneiro e o garfo não se aquietava e a boca dizia:
- Excelente... hum ! um primor ! prefeito Dió, a sua empregada Natal... Natalina está de parabéns

A empregada Natalina sentia um formigamento subir pela espinha e aqueles elogios transformaram-se num reconforto para o seu altruísmo de secretária da cozinha, muitas vezes, alvo de pouco reconhecimento. Dizia em um só fôlego:
- É bondade de sua excelença. Vosmicê tá nu aprovamento, prumode de qui vosmicê tá saboreano as delícias do Camisão e neste mundo, não tem nada qui se aparelhe a essas delícias.

- Prezada Natal...Natalina ! mate a minha curiosidade. De que é feito as Delícias do Camisão ? – indagou o governador.

- De carne clandestina de carneiro.

Naquele instante, com aquela frase e com aquela clareza, o mundo da empregada Natalina caiu. O governador passou a mão na barba branca impecável e com uma fisionomia imperturbável e rígida, sem dar um sorriso, olhou nos olhos do prefeito Dió e conversaram sem trocar uma palavra.

O governador girou o olhar em busca do intempestivo e oblíquo olhar da dona justiça de Ipirá, que se empanturrava com a graciosa e maciça carne de carneiro e que, neste preciso instante, tinha os olhos vendados para qualquer problema social e, também, para o governador. Não surtindo efeito a confluência de olhares, o governador atinou para o mando dirigido numa ligação imperceptível da mente ao ouvido. Ninguém percebeu a mensagem sub-reptícia.

A empregada Natalina tinha caído na sua própria arapuca e não levou em conta que no mundo das autoridades de ontem e de hoje, não se pode ser transparente, ao ponto de mostrar o corpo desnudo, muito pelo contrário, tem que ter o brilho fosco do michelin, assim todos se sentiriam felizes. O universo do escamoteamento é também realidade. A empregada Natalina disparou:
- Não é de ontem, nem de hoje, que esse matadouro de boi tá encafrunhado, não tem serventia, não abate um bengo. Isso deve ter ingrisilha com empresário graúdo. Não tá vendo esse desassunto com o matadouro de ovelha em Ipirá, é prumode do matadouro de carneiro que fizeram em Pintadas poder ter uso. Esse Ipirá tá num miserê que num é corquer pulítico meia-sola que vai botá nos eixo.

O governador olhava sério para a empregada Natalina e indagou sem pestanejar:
- Você é assim mesmo ou está assim porque hoje é quarta-feira ? Eu só tenho a dizer o seguinte: depois de ouvir a nossa empregada Natal... Natalina e depois dessa comida deliciosa, o que eu mais quero é deleitar-me com um maravilhoso banho.

O governador foi conduzido ao banheiro pela grande comitiva de convidados presentes e com todo cerimonial que faz jus. Tirou a roupa, abriu o registro e ficou esperando a água cair. Nada. A empregada Natalina que estava na porta do banheiro, do lado de fora, naturalmente, junto à comitiva, gritou:
- Excelença ! aproveite e tome um banho de vento bem tomado e espere a água da Embasa chegar no próximo mês.

O governador vestiu a roupa e saiu resmungando:
- Que água é essa meu povo ! só aparece daqui a um mês. Eu vou embora dessa cidade.

- Isso é a água da Embasa, excelença. Um monte de gente chegou no Natal e Ano Novo num dia e foi embora no outro, sem tomar banho, devido a falta de água e tudo por causa dessa Embasa pipoqueira – completou a empregada Natalina.

SUSPENSE:o que será que vai acontecer à empregada Natalina ? O prefeito Dió não ficou nada satisfeito com a empregada Natalina. O que será que ele vai fazer ? Natalina pode ser dispensada do trabalho ou não ?

Leia o capítulo 14: mês de novembro 2008, logo abaixo.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A MISSIVA


O prefeito Diomário, do município de Ipirá, recebeu uma carta do presidente Lula, deixando bem claro, que está prestigiado e tem média com o "homem de Brasília".

Nas entrelinhas do presidente Lula não houve nenhuma menção à crise internacional do capitalismo, que tanto esquenta a cabeça do prefeito de Ipirá.

O presidente Lula quer que o prefeito de Ipirá seja um parceiro para acelerar investimentos e diminuir a pobreza. Aspectos que o prefeito Diomário é de uma fraqueza de dá dó. Seus investimentos estão dispostos na assistência precária e na maquiagem, não geram e nem garantem o emprego permanente.

O prefeito Diomário não deixa de vangloriar-se com os louros da vitória e insiste que sua proposta é a melhor para Ipirá. Vai ter que provar a veracidade disso e deixar de tanta conversa mole.

A carta do presidente Lula, além de trazer um convite para um encontro de dois dias em Brasília, 10 e 11 de fevereiro, assegura que dez ministros e os presidentes do BB, CEF, BNDES estarão à disposição do prefeito de Ipirá. Não é possível que ele venha com a mala vazia ou traga somente bolacha quebrada.

As obras do prefeito Diomário não significam a criação de empregos continuados e consistentes. Sua administração é fraca nesse aspecto. Não adianta ir para Brasília mendigar a vinda de fábricas para Ipirá, desde quando, a indústria na Bahia está sofrendo com a crise internacional do capitalismo.

Se o prefeito Diomário deixar de lado a empáfia e olhar sem tanta presunção para o município de Ipirá, poderá observar que, aqui mesmo, na nossa realidade, encontraremos meios e recursos para garantir o desenvolvimento e o crescimento do município de Ipirá, na forma auto-sustentável.

Não precisa ir longe e de cuia na mão. É necessário terminar e botar para funcionar essa matadouro de Ipirá, esse é um ponto essencial. É fundamental que construa o Campo de Gado de Ipirá, para a venda de animais. Essas duas obras irão impulsionar a base econômica de Ipirá, que é a pecuária; acelerar investimentos; garantir o crescimento de empregos e reduzir a pobreza, como deseja o presidente Lula.

O prefeito Diomário não trouxe nem trará nenhuma fábrica para Ipirá. Não existe condições objetivas para tal pleito. Vamos deixar de lado esse sonho quimérico. Nessa área, o essencial seria concentrar e organizar o fabrico dos artefatos de couro numa determinada área para impulsionar o setor.

Afora isso, o povo de Ipirá ficará observando a deterioração da Praça da Bandeira, que não absorveu nem o emprego de alguns famélicos vigias noturnos.

Enquanto a economia de Ipirá não sai do buraco, desejamos ao prefeito Diomário uma boa estadia em Brasília e que usufrua dos memoráveis banquetes regados a deliciosos vinhos, mas não esqueça de Ipirá, porque a conta já está paga.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Ouvi, sim !


Sou leigo. Nesta semana natalina e de festejos do ano que vem, o que me chamou à atenção foi a entrevista do próximo Secretário Municipal de Saúde do município de Ipirá, o médico Ademildo Almeida. Foi carregada de esclarecimentos, arroubos e extremamente salpicante. Eu diria até, muito parecida com tico-tico no fubá, jogando farofa prá todo lado. Salientou que o município de Ipirá viverá novos tempos com a aplicação da Gestão Plena de Saúde do Município, que será um fator determinante e um marco demarcatório do sistema de saúde deste município. Agora, a saúde em Ipirá passará a ser contada em dois momentos: antes e depois desta Gestão Plena.

O que ficou para trás ? Eu reflito e digo: os tempos românticos da medicina, em que a opinião geral da província satisfazia-se abnegadamente e regozijava-se quando os médicos da localidade mandavam um paciente para Feira de Santana e ouvia-se do povo "Fulano é um médico arretado, mandou Zeca de Joventina descer". Se acontecesse Zeca falecer na viagem, aí era que o povo reafirmava a fama da medicina local: "Zeca de Joventina não chegou em Anguera. Dr. Fulano é o melhor médico da Bahia, quando manda descer é que não tem quem dê jeito". O que era deficiência no atendimento de saúde virava sabedoria médica na boca do povo. Isso é página virada.

Na década de 1970, foi implantado um Hospital Regional em Ipirá, que não deixou de entrar na rota de interesses das clínicas particulares. Logo a medicina particular assumiu a direção do hospital controlando-o, ao mesmo tempo que, mantinha-se um complô que se tornou um entrave à eficiência e ao tratamento humano nas dependências do hospital, deixando-o dentro dos limites satisfatórios aos seus interesses particularistas. Isso é página dobrada.

O bom funcionamento do hospital atrapalhará outros interesses que povoam no entorno dessa questão. A fonte que dá mais votos em Ipirá é a saúde. Atuando nesta área encontram-se vários agenciadores que direcionam os doentes em troca de votos, são os cabos-eleitorais da saúde. Se o hospital funcionar poderá mitigar esses velhos interesses que se colidirão com os novos interessados. Isso é página borrada.

Deixando de lado o que ficou para trás, voltemos ao que vem daqui para adiante. Quanto tempo levará para o Hospital de Ipirá ter aparelho de tomografia computadorizada ? Um ano ! nem com mais seis anos de administração petista no Estado. Se aparecer uma clínica que queira fazer hemodiálise em Ipirá, fará. Nem com mais dez anos de PT no governo isso acontecerá. Quanto tempo necessitará o Hospital de Ipirá para ter o aparelho de radiografia funcionando 24 h ? Não será da noite para o dia ! Tem mais quatro anos do segundo mandato do prefeito, para que isso aconteça. Isso, ainda, é página em branco.

O hospital é para operar tudo e terá médicos para isso. Já está de bom tamanho se operar os casos mais simples, digo eu. Criar e manter essa infra-estrutura é tão necessária quanto manter uma equipe médica capacitada e isso não é fácil, precisa de recursos e todo mundo sabe que a administração do prefeito Diomário é centralizadora, chegando ao ponto de não dá autonomia a um antigo Secretário de Saúde para comprar uma gaze, imagine à sustentação de uma estrutura dessa, com cirurgias todo dia. Só mesmo o prefeito Diomário para abrir os cofres ! é ruim.

Não haverá terceirização. O hospital terá laboratório, ortopedia, fisioterapia, etc, tudo funcionando. O atendimento das clínicas só em último e necessário caso. Nesta perspectiva tem que haver a concordância do prefeito.

Ninguém vai mais para Feira. O Hospital de Ipirá será uma referência para os municípios do território, principalmente Pintadas e Baixa Grande, que poderão participar do atendimento aqui, com uma espécie de pactuação, em que eles botam dinheiro no sistema.

Para qualquer pessoa ser atendida em Feira ou Salvador vai ter que apresentar atestado de residência. Agora é que a desgraceira tá feita. Neste sentido, seria bom que Ipirá tivesse uma grana extra para fazer pactuação com estas duas cidades, porque o buraco fica mais embaixo.

Não custa lembrar que: 90% dos passageiros que se deslocam para Feira de Santana nos ligeirinhos é por motivo de saúde. Feira de Santana extrai da área de saúde um elevado percentual de seu PIB. Ipirá possui muitos usuários do Planserv, e para estas pessoas seria ótimo que na cidade tivesse clínicas particulares de alta eficiência e habilitadas por este plano. Além do mais, a administração do prefeito Diomário é bastante conservadora, não sendo digesta na questão das mudanças, principalmente quando elas ameaçam romper com o esquema do voto de cabresto, e quando ele começa a perceber que o cambão no pescoço da população só vai mudar de lado, ele poderá dizer que não é bem assim, que foi mal entendido, etc e tal. Devido a estes e outros fatores, o sistema de saúde pública na localidade tem uma certa complexidade.

Eu ouvi, fiz uma reflexão e falo, porque sou um ser humano, um cidadão. Vou acompanhar passo a passo e tenho que ver para crer.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

É DE ROSCA


Estilo: ficcão.
Natureza: novelinha.
Capítulo 14 (mês de outubro 2008, um mês de atraso)

O prato dois mais dois do cardápio da empregada Natalina era o mesmo 22 do menu do prefeito Dió. Tinha uma aparência soberba. Parecia um monumento envernizado, brilhante e fumegante. Era um lombo espesso e vinha acompanhado de rodelas de cebola e tomates vermelhos, com espetos de azeitonas, ao molho de alecrim. Os convidados estavam estonteantes e todos achavam-se boquiabertos. O governador tinha a primazia de saborear o prato 22, que ele tanto aplaudiu:
- Este, sem dúvida, é o mais glamuroso dos pratos, e eu tenho a maior convicção, se eu morasse nesta brilhante civilização dos meus amigos, eu só comeria esse prato 22 – disse o governador.


Todos bateram palmas. Muitos gritos ui ! ui! uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii foram dados, afinal, era o governador que parlamentava. O governador continuava:
- E para acompanhar essa obra prima da culinária sertaneja, nada melhor do que bebermos a melhor água do mundo: a água da Embasa.


O partido do governador da localidade levantou em peso e aplaudiu sem cerimônias. O prefeito Dió para não perder o embalo e não ficar por baixo naquele cerimonial, olhou para a empregada Natalina e disse-lhe cantorolando:
- Me dá um copo d’água, eu tenho sede e essa sede pode mim matar – depois, dirigindo-se a empregada Natalina, completou – minha eficientíssima empregada Natalina, traga-me uma jarra com a água mais límpida e saborosa do planeta terra.


A empregada Natalina, com toda a sua simpatia, saltitava alegremente, ao tempo em que gritava:
- Ui ! ui ! uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, prefeito Dió.

Quando retornou, trazendo a jarra, que colocou em cima da mesa, ao tempo, que de sua boca ouvia-se um:
- Empuuuuuuurra prefeito Dió.


O governador olhou assustado e sem entender o que estava acontecendo, ao tempo, que os presentes estavam diante de um enigmático caso, que merecia uma explicação do anfitrião, afinal, todos que estavam ali, eram dignos de honras e gratidão pelos serviços prestados no período eleitoral. O prefeito Dió, não titubeou, chamou a empregada Natalina e disse-lhe.
- Minha querida empregada Natalina ! eu solicitei a Vossa pessoa uma jarra cheia de água.

- Mas tá cheia, prefeito Dió; vosmicê não tá enxergando ?


O prefeito Dió olhou para a jarra com uma visão mais apurada e com plena consciência do que falava, fêz uma observação melindrosa:
- A minha querida empregada Natalina está equivocada; pegue a jarra e coloque a nossa saborosa água da Embasa, que todos os presentes estão no afã de saborear o líquido mais puro e palatável da face da terra.

- Mas seu prefeito Dió, vosmicê tem que cair na compreensão que se eu botá mais uma gota de água, vai derramá e molhá a toalha nova, qui vosmicê comprou esta semana, na feira do Centro de Abastecimento.

- Minha querida empregada Natalina ! não entre em descompasso com os meus ordenamentos, coloque a água da Embasa na jarra e ponha-a na mesa.

- Prefeito Dió ! eu não posso fazê uma disgrameira dessa. Vosmicê não tá veno que a jarra tá cheia de produto que a Embasa vende, e que se eu colocá mais uma gota como é o querer de vosmicê, vai derramá na beira do governador. Será que tanta gente de bons conhecimento como tá aqui, num compreende uma besteira dessa.


O governador como bom conciliador e na obrigação de resolver aquele impasse, interferiu, indagando a empregada Natalina:
- Nada mais justo que a empregada Natal... Natalina, é o seu nome, diga a todos nós quais são os preciosos produtos fornecidos satisfatória e eficientemente pela Embasa aqui nesta cidade.

- Até que infim apareceu uma alma de Deus compreensive neste recinto. Eu enchi a jarra de produto da Embasa. Fui lá na torneira da pia, abri a torneira e botei a jarra embaixo, aí a jarra foi enchendo de vento, quando tava nas rasura, eu fechei a torneira. Se eu butá uma gota d’água, ela vai derramá, prumode que tá cheia de vento.


O prefeito Dió ficou vermelho, não como na sua juventude, mas de raiva. Quase que perdendo a paciência, disse à empregada Natalina:
- Quem foi que lhe disse que a Embasa fornece vento ? Isso é conversa de subversivo.

- É prumode de minha pessoa, que vosmicê não cai na faca cega da Embasa. Toda vez que eu sinto nos ouvido a chiada na casa da vizinha, eu sei que é o vento da Embasa, aí eu corro e fecho o registro, dou um tempo de vinte e dois minutos, adispois, eu abro o registro para passá a água. É prumode disso que vosmicê só paga R$ 11,20 de água e a Embasa fica sem cobrá o vento. Agora, vosmicê tá no esquecimento que mim elogiou por isso ? E disse que eu estava certa.


O prefeito Dió ficou parado, mas todo mundo sabe que o prefeito Dió não dorme no ponto e, como sempre, saiu-se com uma jogada de mestre dos mestres:
- Tá certo Natalina. Agora, pegue a jarra, leve-a para a cozinha, jogue fora este nobre produto da Embasa que é o vento, e coloque o outro nobre produto da Embasa que é a água, até que ela fique cheia de água. Compreendeu ? – quando a obediente empregada Natalina saiu com a jarra, ele completou para que todos ouvissem – É doida.


Natalina voltou com a jarra e o prefeito Dió na expectativa de mudar de assunto, indagou-lhe:
- Minha empregada Natalina ! de que carne é feito esse saboroso e finíssimo prato do 22 ?

- É de carne clandestina de carneiro.


O prefeito Dió finalmente perdeu a calma e gritou para a empregada:
- Paaaaaara Natalina. Lá vem você com esse tal de carneiro, logo não tá vendo que esse Matadouro de Ipirá não vai sair tão cedo, principalmente agora que a firma da licitação abandonou de vez a obra. O dinheiro acabou. Não tem mais dinheiro. A obra não acabou. Que sofrimento ! e agora, o que eu devo fazer ?

- Vosmicê toma um vem-prá-cá e impurra o 2 e 2; adispois vosmicê aprende a fazê contrato com firma, prumode de se ficá só nessa tale de licitação as coisa não toma rumo e esse Matadouro de Ipirá já tá prá lá de vergonheira e num vá me adizê que vosmicê tá igualzinho a Luiz do Demo ou PFL, fantasiado de 15, que levou oito anos e nada. Vosmicê já tem quatro.
- O quê ? – indagou o governador.


SUSPENSE: o que será que vai acontecer com a empregada Natalina ? será
que a autoridade vai desconfiar da carne clandestina ou vai gostar ? E o
prefeito Dió, será que está por dentro do que está acontecendo no seu
banquete ?

Leia o capítulo 13: mês de outubro 2008, logo abaixo.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que
envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança
é mera coincidência.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

AO POVO DE IPIRÁ, EM ESPECIAL AOS SERVIDORES MUNICIPAIS DEMITIDOS.


ARRECADAÇÃO DO
MUNICÍPIO DE IPIRÁ(em reais)= ....... Quadro de Funcionários
........................................................Prefeitura de Ipirá.
Janeiro..........2.433.470,18......!.......Janeiro...... total – 1.605
Fevereiro......2.482.660,08.....!........Fevereiro. total - 1.611
Março............2.062.571,16......!.........Março...... total - 1.833
Abril..............2.384.367,64......!........Abril......... total - 1.886
Maio..............2.494.285,73......!........Maio......... total - 1.904
Junho...........2.216.128,98.......!.......Junho........ total - 1.912
Julho.............2.285.868,33......!........Julho........ total - 1.944
Agosto...........2.450.454,40.....!........Agosto...... total - 1.936
Setembro......2.222.222,79......!.......Setembro. total - 1.928
Outubro........2.143.571,36.......!..........
Novembro.....2.546.764,94......!..........

Dos 1.928 funcionários no mês de setembro = 1.254 eram efetivos / 519 temporários / 152 cargos em comissão / 2 agentes políticos (prefeito e vice).

Diz a nota do prefeito: "TRAZENDO PARA O MUNICÍPIO ENORME DIMINUIÇÃO NA RECEITA DESDE O MÊS DE AGOSTO". Percebe-se claramente que a média da arrecadação do município de Ipirá está num patamar acima de 2 milhões de reais e em nenhum momento foi inferior a este montante. A arrecadação do mês de AGOSTO, acima citada, foi da ordem de 2 milhões, 450 mil reais (foi a 4ª maior) superando a de julho / junho / abril / março / e janeiro. Perdendo para fevereiro / maio / e novembro com 2 milhões, 546 mil reais. A menor foi março com 2 milhões 062 mil reais, seguida de outubro com 2 milhões,143 mil reais (compensada com novembro, que foi a maior receita).

No primeiro semestre, Ipirá arrecadou 14 milhões e 71 mil reais, no segundo semestre 11 milhões e 636 mil reais, faltando dezembro que, em projeção, será maior do que a diferença de 2 milhões, 435 mil reais. Sendo assim, o Segundo Semestre não perderá para o Primeiro nem a pau.

Desta forma fica provado, com os números, que não houve a "ENORME DIMININUIÇÃO NA RECEITA DESDE O MÊS DE AGOSTO". Essa tentativa de plantar esta idéia como a pura verdade, não é cabível; é falsa, e insistindo-se nesta tecla, transformar-se-á num grande engodo.

Diz a nota: "A QUEDA DA ARRECADAÇÃO AFETOU O VOLUME DE DESPESA COM O PESSOAL, LEVANDO A PREFEITURA MUNICIPAL A ULTRAPASSAR O LIMITE DE GASTO PREVISTO NA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL (LRF)".

Já está provado que não houve queda na arrecadação do município de Ipirá, sendo assim, é necessário que se investigue o que motivou a ultrapassagem do limite de gastos com a folha previsto na LEI.
Se não é na arrecadação, onde é que está o problema da ultrapassagem dos limites da lei ?

Vamos examinar detalhadamente o quadro de funcionários da prefeitura. O mês que tem mais funcionários é o de julho (1944), depois, agosto (1936), e setembro (1928).

Observe que no mês de setembro (antes das demissões) a prefeitura tinha 1.928 funcionários e isso pode significar um grande volume de gordura no quadro funcional. Se tiver necessidade do trabalho de tanta gente é lógico que os tenha no quadro funcional. Se não houver necessidade de tanta gente para o trabalho, aí teremos um excedente, que se tornará mão-de-obra ociosa.

Uma investigação mais apurada, mostra-nos que em janeiro havia 1605 funcionários, em fevereiro (1611) e março (1833), que salto ! abril (1886) e maio (1904). O salto de fevereiro para maio foi de 293 funcionários a mais.

Em que esfera ocorreu isso ? No quadro de funcionários efetivos: fevereiro (1198), março (1200). No quadro de cargos comissionados: fevereiro (147), março (159). No quadro de contratos temporários: fevereiro (263), março (475). Aí está a chave da questão: 212 contratos a mais. Observe bem, que houve um aumento considerável de funcionários no mês de março justamente na faixa de contratados.

Está respondida a questão: o que afetou o volume de despesas com o pessoal na folha de pagamentos, levando a Prefeitura Municipal a ultrapassar o limite de gastos previsto na LEI, foi, justamente, a contratação de um excedente de funcionários, talvez, sem necessidade.

Observe que este limite foi quebrado praticamente em março (é só fazer as contas) e não a partir do mês de agosto, como quer o prefeito. Sendo o prefeito Diomário um caprichoso cumpridor da LEI, ele conseguiu burlar a referida LEI por mais de 8 meses e a grande motivação para isto foi o ano eleitoral.

Aí entra o ano eleitoral. O prefeito Diomário apelou para os contratos temporários, sem dar ouvidos à LEI; sabendo que esses contratos venceriam pós-eleição e não seriam renovados; pouco se incomodando com essas pessoas a posteriori, o que ele queria era o voto. Ultrapassar o índice foi um ato pensado.

A exoneração das três secretárias foi uma ardilosa engenharia administrativa desimpactante, para consolar e conformar os demitidos; para mostrar que é justo e verdadeiro; para atender a uma necessidade do segundo mandato, ou seja, adiantar o processo do caminho livre para as devidas e naturais substituições e evitar um possível mal-estar ou insatisfação e não criar um pequeno ressentimento contra o prefeito com o afastamento da secretária. Óbvio que duas retornarão e não acontecerá aquela pequena insatisfação tão indesejável pelo prefeito. Uma engenhoca perfeita de quem é hábil nas atitudes.

O prefeito Diomário sente-se machucado com a atitude que teve de tomar, dizendo ele: "o remédio é duro, é amargo". Para quem. ? Coloca inclusive que é uma "travessia dura e cruel, mas tem que fazê-la" e solicita a compreensão dos demitidos para a difícil situação do prefeito com a Justiça na sua cola e só faltou clamar para que aceitem com boa gratidão a crueldade.

O que seria a crueldade ? É um belo cálice de vinho tinto que sacia o desejo insano de jacú e macaco de pisotear no pescoço das pessoas humildes, sem ao menos perceber que 94,1 % da população de Ipirá (esmagadora maioria, jacú/macaco) sobrevive do biscate a dois salários mínimos.

Mas, é bom que se frise, que crueldade, também, é a manipulação de pessoas através do empreguismo descartável, ao belo prazer do poderoso de plantão. Crueldade, da mesma forma, é perseguir alguns funcionários municipais, pelo simples motivo de terem votado contra, não importa, é o livre exercício da democracia. Crueldade, igualmente, é a suspensão dos serviços dos SUS para a população que precisa de atendimento médico, pelo simples argumento de adequação orçamentária, que se mostra insustentável. Não é só o digníssimo prefeito que se sente vítima da crueldade, naturalmente, os demitidos também.

Resta ao prefeito de Ipirá incrementar o seu projeto de desenvolvimento para Ipirá, dentro das possibilidades reais do município, porque ficar com a cuia na mão aguardando a boa vontade dos governantes das esferas superiores, às vezes, é bastante cruel e a população ipiraense é quem recebe a bordoada.

A verdade verdadeira é que a nota não esclarece os verdadeiros objetivos por trás das demissões. Foi uma atitude clara, precisa e pensada do prefeito Diomário, que determinou a ultrapassagem do limite em março, quando contratou 222 funcionários, neste devido momento, com a intenção claramente eleitoral de garantir um batalhão de funcionários disposto a agradar, a fazer das tripas coração pela eleição do seu patrão, na esperança de continuar a receber o pagamento em dia.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

PERIPÉCIAS DE CAMPANHA 2


A realidade nua e crua de Ipirá está caracterizada nessa sua condição de REINO DA NECESSIDADE, sendo importante que se coloque os números desse município.
CLASSE DE RENDIMENTOS MENSAL = base: SALÁRIO MÍNIMO.
SEM RENDIMENTO = 49,2 %

ATÉ UM SALÁRIO = 34,6 %
DE UM A DOIS SALÁRIOS = 10,3 %
CONCLUSÃO = 94,1 % da população de Ipirá vive do bico a dois salários mínimo.

Em frente ao Frangão, na Av. César Cabral, encontrei uma pessoa que abriu um sorriso e veio em minha direção, dizendo: "Quero falar com o senhor". Eu parei e disse-lhe: "Prontamente, pode dizer", e fiquei na escuta. Meu interlocutor coçou a cabeça e passando a mão pelo queixo foi dizendo: "Sabe o que é ? É que eu recebi uma casa popular e...", neste instante, notei que ele deu uma pausa proposital para respirar fundo e de forma melosa e escorregadia foi soltando as palavras: "O senhor é quem vai me ajudar. Eu recebi a casa popular, mas falta as portas e as janelas e eu quero que o senhor me dê", a conversa prosseguiu e logo ele arrematou: "não vou pegar em sua mão, não ! o senhor dá para um amigo seu de confiança e eu pego na mão dele. Lá em casa são seis votos e vai tudo prá o senhor".

Em frente à Escola Maria Bastos encontrei um estudante, morador do Buraco Fundo, que sem pestanejar solicitou-me com grande insistência, que eu fosse até sua residência para uma conversa particular e num arremate espetacular pediu-me de forma voluntariosa: "mim dê dois reais para eu tomar uma cerveja". Este mesmo pedido foi feito por outro estudante na porta do Polivalente.

No povoado do Rio do Peixe, um morador da localidade, demonstrando muita desenvoltura argumentativa sacou um pedido muito floreado e cercado de todo zelo pela democracia: "Sou um amante do futebol, mas estou precisando de uma chuteira, sei que não pode se dá abertamente, mas me adiante isso por debaixo do pano, que estamos juntos na campanha", e concluiu com a voz baixa: "Basta dizê na mão de quem eu vou pegá".

Depois do pleito, o vereador Ademildo, do PT, deu com a língua nos dentes e bradou em um discurso na Câmara de Vereadores: "Nunca vi tanta corrupção em Ipirá, como nessas eleições municipais de 2008", sendo que depois arrematou: "do Legislativo !". Para o pleito do Executivo ele não viu nada. Isso é o tal do escorregão pela tangente.

O PT de Ipirá vai ter que fazer muita ginástica nesta nova fase de aproximação e participação no poder municipal de Ipirá e, neste sentido, vai ter que fechar a boca e trancar a língua para muitos acontecimentos e situações vexatórias. E nesta nova fase de adaptação, nada melhor do que já começar a afinar o discurso de que nada viu, nada ouviu e não tem nada a ver com isso. É assim que anda a carruagem.

Quanto aos pedintes do início deste texto, continuarão limitados ao Reino da Necessidade, eles e os seus descendentes, pois é dessa carência que macaco e jacú sobrevivem triunfantes e, as pessoas pedintes sempre pedem muito pouco, o suficiente para mantê-los na miséria ou na subalternidade: uma cerveja, uma chuteira, uma merreca. É necessário que haja uma transformação da condição de pessoa pedinte para a condição de cidadão, que ao invés de pedir, reivindique o que é de direito: escola de qualidade, hospitais com atendimento humano e que tudo isso reflita em liberdade de consciência.