terça-feira, 16 de junho de 2009

Indicação de Javier Alfaia para Ipirá.

A Indicação no. 15.898/2007 foi feita pelo deputado estadual Javier Alfaia, na qual indica ao Governador do Estado da Bahia a realização de obras de recuperação e conservação do Ginásio de Esportes de Ipirá.

Com o esforço do governador Jaques Wagner, houve a designação de R$ 220 mil reais do Estado para serem encorpados com uma contrapartida de R$ 60 mil reais da Prefeitura Municipal e, efetivamente, Ipirá ganha um Ginásio de Esportes que estava sucumbido.

Levando-se em consideração que a prática de esporte ajuda a resgatar ou precaver que a juventude atinja o lamaçal da droga que escorre sossegada pelas franjas dessa cidade, revigora-se a importância deste equipamento esportivo, ao tempo que, aumenta a responsabilidade da sua conservação e utilização de forma adequada e coerente, que é responsabilidade do poder municipal.

A imagem mais recente do Ginásio de Esportes de Ipirá, ainda está presa na retina de qualquer cidadão ipiraense: é a de um escombro de um prédio atingido por bombas, numa guerra. Imagem incrivelmente devastadora, que não deverá ser reavivada; que não deverá ser revitalizada, assim espero, pelo descaso ou pela omissão de quem administra o bem público nesta cidade.

O deputado estadual Javier Alfaia está articulando uma nova indicação para uma obra de grande valor estratégico e de vital necessidade para o município de Ipirá. Se tudo der certo, de surpresa, apareceremos na inauguração, porque na primavera os gritos sobressaem-se aos sussurros e Ipirá precisa vencer seus horizontes.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

É DE ROSCA.


Estilo: ficção.

Natureza: novelinha.

Capítulo: 20. (mês de maio 2009)



Cena: dentro da residência

O prefeito Dió levava um papo descontraído com Luiz do DEMO (que se diz PMDB), intercalado com sonoras gargalhadas e pequenas bebericagens de vinho, acompanhadas com canapés como tira-gosto.


Cena: no meio da rua.

Em frente à casa do prefeito Dió, o couro comia e a multidão arrebatada espremia-se para acompanhar, na condição de cidadania de terceira categoria, aquela fuzarca de jacu e macaco, que mobilizava, entusiasmava, apaixonava e irracionalizava milhares de pessoas em torno daquele conflito tolo, entre: Tonha, representante da jacuzada, e Natalina, representando a macacada.

A grudação das duas era pegajosa. O bolo que formavam abraçadas, rolava pelo chão parecendo uma jibóia engolindo bezerro. O confronto era duríssimo e em determinado momento, Tonha conseguiu desvencilhar sua mão e empurrou o dedão no Fê-O-Fó da macaca Natalina, que gritou furiosa:

- Êpa ! vamo parano pur aí; sem essa de impurrá o dedão no meu Fê-O-Fó; quem impurra aqui é o 22, é a macacada.


- Qui macacada, qui nada ! quem tá impurrano o dedão no parreco dessa macacada toda é o prefeito Dió – retrucou a ex-empregada Tonha.


- Cala a boca sua jacu dispeitada. Quem tá na vez é a macacada e é a macacada quem tá cumeno e é quem pode cumê, ai fica essa jacuzada discarada, doida pra lambê uma carne de pescoço e não acha. Tá tudo com dô de cutuvelo e ispiriguitada, enquanto a macacada tá cumeno é chupa molho – atacou Natalina.


- Deixa de sê besta macaca safada, que vocês não paça nem os beiços na pelanca, que dirá cumê chupa molho. Só quem come nessa Ipirá disprotegida é um molhinho desse tamainho, ou melhor, uma trempezinha, ou melhor ainda, uma panelinha – acrescentou Tonha.


- E no tempo que a jacuzada tava na prefeitura num era do mesmo jeito ? Só comia meia dúzia de crocodilho e o resto pastava – disse Natalina.


A briga entre as duas ex-empregadas continuava rolando. Aquela discussão surrada e amassada prosseguia sem nexo e com a mesma substância de quarenta ano atrás. Ipirá está enfiada na fanfarronice da inutilidade. Ipirá tem 94,6% da população vivendo com até dois salários mínimos. Esse é o laço no pescoço do gado. O tronco fica logo adiante, é o caminho mais próximo.


Novamente, cena dentro da residência.

O prefeito Dió e o ex-prefeito Luiz do DEMO (que só quer ser PMDB) recebiam as notícias da rua pelo celular, via torpedo: "enfiaram o dedão no Fê-O-Fó da macaca Natalina".


- Quá, quá, quá, quá... ! ou rs, rs, rs, rs... (risos, como se bota na Internet) - os dois, o prefeito e o ex-prefeito, deliciavam-se.


- E o pior, é ela ter que ficar três anos e meio com esse dedo no buraco. Quá, quá, quá, quá... – estatelava-se o prefeito Dió.


- Há, há, há...! assim eu morro de rir. Eu fico pensando é no cheiro que vai ficar nesse dedo daqui a três anos e meio. Há, há, há ! eu vou morrer de rir. Oh ! Ipirá bom. Isso aqui é o paraíso; nem o céu é melhor do que Ipirá – arrotava o ex-prefeito Luiz do DEMO (que afirma que é PMDB).


Neste exato momento, graças à alta tecnologia, iria começar a grande conferência internacional, entre os três grandes líderes mundiais, cada qual no seu mundo: o prefeito Dió; o ex-prefeito Luiz do DEMO ( que insiste em ser PMDB) e O’Brama, que todo mundo conhece. Neste devido instante, lembrei-me do apresentador Sílvio Santos, quando aparece no vídeo e coloca a mão para fora apertando a mão do baiano. Assim fêz O’Brama, colocou a mão e saudou o prefeito Dió:

- Oh! My friend prefeito Dió. Não vejo a hora de ir nessa falada cidade brasileira, ou melhor, desculpem-me, vou ratificar, brasileira não, do mundo, para aprender umas manhas com my friend.


- Oh ! meu brother O’Brama. A honra é toda minha. O que é que meu brother quer que eu lhe ensine ?


- OH! My friend prefeito Dió. Quero saber como é que eu posso viajar para Salvador, voltar para minha metrópole na terça à tarde, trabalhar na quarta e retornar à Salvador na quinta pela manhã ? E o mais importante, sem o povo dizer nada.


- Oh ! meu brother O’Brama. Isso é mole prá gente, quando o meu brother O"Brama vier aqui, a gente entra nos detalhes. Agora converse com meu ex-líder, o ex-prefeito Luiz do DEMO, que tá tirando onda de PMDB.


- Oh! My friend Luiz do Demo, tu nunca foi PMDB. Como eu queria conversar com você. Sabe como é, né ! tem coisa que a gente não sabe e tem que ouvir quem sabe. Como é que eu faço para fazer um Aterro Sanitário que vale um com faturamento no valor de dez ?


- Oh ! mister O’Brama, isso é só facilidade. É só pegar nota fiscal de uma livraria, aí ninguém vê, e se correr uns trocados por fora, ninguém ouve, nem fala.


- Ok ! my friend Luiz do DEMO (que gosta de enganar com PMDB) passe aí para o my friend prefeito Dió. Oh ! my friend prefeito Dió, eu só vou aí, em Ipirá, se tiver carne de sheep. Good bye.


Ficando à sós, o prefeito Dió interpelou o ex-prefeito Luiz do DEMO (que acredita que é PMDB):


- Eu estou com meu inglês em dias, mas essa palavra sheep, que o O’Brama disse é nova. O que deve ser isso ?


- Eu também não sei, mas deixa eu entrar em contato com meus children que moram lá para saber o que é – em um instante entrou em contato com os States – meu children o que significa sheep ?


- Is carneiro, my father – respondeu o filho.


- É carneiro, prefeito Dió.


- É mesmo ! grande filho da puta é esse O’Brama ! até esse ianque imperialista está contra mim. Será que esse gringo está pensando em invadir Ipirá para fazer um Matadouro de Carneiro ? Ele que venha. Ele vai ter que enfrentar minha Guarda Municipal. Bem ! é verdade ! primeiro eu vou ter que fazer concurso para a guarda pública. Bem ! é verdade ! antes eu tenho que contratar uma empresa fuleira para fazer esse concurso. Bem ! é verdade ! antes eu tenho que fazer a licitação. Bem ! é verdade ! prá tudo isso, eu tenho que ter dinheiro. Bem ! é verdade ! a crise econômica deixou a prefeitura de Ipirá sem um tostão. Bem ! é verdade ! acreditem no que eu digo. Será que eu vou ter que repetir: IPIRÁ NÃO VAI TER MATADOURO DE CARNEIRO, nem que o porco chauvinista do O’Brama queira.

SUSPENSE: e agora ? o que será que vai acontecer ? Carne de carneiro ? o matadouro ! você sabe que não sai. Só falta apelar prá quem ? Será que Deus vai mudar a cabeça do prefeito ? Ou será o diabo ?

Leia o capítulo 19 – abril 2009 - logo abaixo.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.


quarta-feira, 20 de maio de 2009

Coisa íntima.



Quando o blogueiro posta qualquer coisa no seu blog, ele o faz para que as pessoas leiam o seu ponto de vista, a sua opinião, até mesmo, a sua contribuição sobre qualquer coisa ou questões que nos afetam e que tem gente de olho. Os leitores são os grandes observadores que podem concordar ou discordar do que foi dito ou escrito, ao tempo, que podem se manifestar, caso assim o desejem. Mas, neste momento, antes de colocar qualquer outro artigo, eu tenho necessidade de escrever para mim, para minha pessoa, para o meu íntimo.


Embora, seja improvável ou tempestuoso resumir a vida, pressuponho a montagem de um álbum de família em que, numa determinada fase, ocorre a construção de um retrato, no qual vai ocorrendo o preenchimento do campo visual e a cena vai ficando repleta de gente: gente graúda, gente miúda; não importa a estatura, o importante é que é composto de gente de verdade e que tem que fazer jus a isso. Essa é a grande essência do retrato. Em uma outra fase, ocorre a desconstrução do retrato. As pessoas vão saindo do retrato, que vai perdendo gente e vai esmaecendo, até que o último sobrevivente deixe a cena; restando só o velho retrato, que vira memória, e uma firme convicção: na vida tudo se transforma.


Eu escrevo tudo isso, porque quero fazer uma homenagem a Paulo Guimarães Rebouças. Pensei num poema, mas tenho receio que falte a palavra milimetricamente correta e não atinja a plenitude. Como escrever algo ? Poderia negligenciar as virtudes e exacerbar nas falhas de um ser humano. Posso até fazer uma frase: Paulo Rebouças teve uma existência harmônica e feliz com Leta, nas circunscrições do seu lar. Escrevi tudo e não disse nada. Meu testemunho poderá ser incompleto e estar distante do que deveria ser dito. Poderia falar da tristeza que nos tomou, mas é mais salutar afirmar que o ente que partiu era querido. Poderia expor a dor da perda, mas o vazio deixado deverá ser completado pelas recordações dos momentos que serão lembrados pela saudade.


Para fazer uma homenagem simples, verdadeira e justa, basta falar de Paula, Keu e PH e, neste ponto, faço o reconhecimento da grandeza de Paulo Rebouças, que nos momentos de tranquilidade ou nos de maior rispidez, não se furtou de um dever básico de pai, que é a educação dos filhos e soube dar o exemplo centrado em valores e teve o cuidado com a formação do caráter e o estabelecimento dos princípios que os acompanharão ao longo da vida. Aqui fica o meu reconhecimento. Descanse em paz. Parece-me uma frase apropriada para revigorar este momento em que a saudade é muito forte e a certeza de que a vida de Paulo foi vivida, porque foram tempos de amizade, e que você seguirá conosco guardado no coração e na memória. A brevidade é nosso tempo. Até lá.

sábado, 2 de maio de 2009

É DURO DE DOER.


No Rio Grande do Sul, um rapaz drogado, viciado em crack, ameaçou a própria mãe, que foi obrigada a defender-se: atirou no próprio filho. Além de matar o único filho, ficou uma chaga corrosiva no seu coração de mãe. Uma tragédia. Esse tal de crack dilacera vidas e destrói famílias.

Em Ipirá, esse tal de crack chegou sem pedir licença. Ninguém sabe onde fica, mas está presente e bem presente. É muito fácil encontrá-lo, pois apresenta-se em qualquer esquina, viela ou cloaca desta cidade. Está em profusão. Serpenteia volúvel e vertiginoso pelas bocas, ingressando na vastidão das mentes. Penetra sagaz nas franjas sociais, imiscuindo-se nos setores mais debilitados, nas hostes mais voluntariosas, nos seres mais angustiados e impulsivos. Atua onde houver vida propensa aos seus favores ou aos seus estragos. O vício é tenebroso e teremos a nossa cracolândia, quem viver, verá. São tempos nebulosos e destruidores de efeito devastador. Estamos diante de uma tragédia anunciada.

Como o destino é irônico ! esse tal de crack, a juventude de Ipirá encontra em qualquer esquina. A Biblioteca Municipal Eugênio Gomes ninguém sabe onde está. Sumiu, simplesmente sumiu. Onde encontra-se o acervo da Biblioteca Municipal Eugênio Gomes ? Tudo indica que em algum buraco ou mesmo, corroendo-se em algum depósito. Pouco importa, só temos a lamentar essa tragédia, pois que, a quimera tem a força para alimentar uma vida juvenil sedenta de curiosidade e repleta da fome de informação e de conhecer. Um livro tem força; é forte, saudável e move o mundo; podendo ser um encontro, um belo encontro.

Para não dizerem por aí, que só falo de espinhos. É bastante louvável a idéia, em gestação, da Biblioteca Ambulante, que aos domingos, assim penso eu, adentrará pelos bairros, em um ônibus, ou uma kombi, ou uma van, ou num Fiat, ou numa carroça, seja lá o que for, cheia de livros, para que as crianças, os jovens, a dona-de-casa, o adulto, veja-os, folhei-os, leia os títulos, tome intimidade, requisite-o para que passe uma semana ou mais em sua casa, sem dúvida, terá um grande amigo no seu convívio.

Só em pegar um livro, uma criança sentirá o deslizar de suas mãos por um corpo suave, permissivo, perfeito, harmônico e figurativamente permeável; muito diferente da superfície que de tão dura doe as mãos, carquilhada, imperfeita, disforme, ondulada e grotesca do cristal de crack. As consequências são infinitamente diferentes. Assim penso eu; algumas mentes pensam assim; outras nem tão bem assim, porque acham que não adianta bater a testa no batente, porque é duro de doer.

terça-feira, 21 de abril de 2009

O PÓ BRANCO

Eu juro que vi.
Na última semana, o céu de Ipirá estava tomado por nuvens densas, escuras e carregadas. Ficamos com água na boca. Armou e não choveu. Bastaria um avião bombardeando as núvens com um pó branco para que a chuva caísse.

Sem chover, desde janeiro, ou com as raras precipitações que caíram em alguns lugares a situação torna-se crítica. Os produtores rurais não terão condições de sustentar o rebanho por longo período de estiagem, até o fim do ano, considerando-se que o inverno não rende alimento para os animais.

Trio elétrico na Praça da Bandeira.
Quatro adolescentes chegaram ao jardim em frente à minha residência, sendo que, um deles atravessou a rua e dirigiu-se à janela de minha casa, espalhou um pó, para depois dar uma fungada. Eu estava a certa distância. Os outros, um de cada vez, foram até a janela, fungaram e voltaram para o jardim, quando sumiram ao misturarem-se ao povo.

Fui até minha janela e notei a presença de vestígios de um pó branco, batizado com pó de giz, cal e outras porcarias, que serve para levar à fuga da realidade, ou para suportar a possível felicidade dos outros, ou para o que você queira imaginar. Nestas circunstâncias, algumas figuras ganham espaço, fortalecem-se e preparam vôos mais elevados e consistentes: os agiotas e os traficantes.

De minha parte, só resta-me retirar o pedaço de mármore de minha janela, ou lambuza-la com maizena. Fora isso, como é 20 de abril, dia do aniversário do município, resta-me desejar: FELIZ ANIVERSÁRIO IPIRÁ.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A GANGORRA


"Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és". Com base neste ditado popular, o então candidato a deputado federal, Rui Costa, não precisava de apresentação, chegou à Ipirá numa dobradinha com Carlinhos Oliveira, que era candidato a deputado estadual. Foi bem votado. Já está na fita uma nova dobradinha: Rui Costa para federal e Jurandy Oliveira para estadual. Não precisa dizer mais nada.

Outra dobradinha deverá se estabelecer entre Afonso Florence para deputado federal e Neuza Cadore para estadual, levando-se em conta, que a deputada foi bem votada em Ipirá, inclusive recebendo uma votação significativa da jacuzada naquele pleito, porque, hoje, a jacuzada está de corpo fechado contra a deputada, devido a sua postura nas eleições municipais, quando ficou com a macacada.

Feita essa explanação, é aqui que se estabelece a gangorra, com Jurandy Oliveira com 6,2 e Neuza Cadore com 5,2. Os dois atuando e digladiando-se no mesmo espaço, no próprio campo; o da macada. Um sobe e o outro desce. Não sei quem.

Nisso tudo, qual será o papel do prefeito Diomário ? Só ele sabe, mas é possível arriscar um prognóstico. Hoje, o prefeito Diomário é o homem de confiança e a grande esperança eleitoral do governador Jaques Wagner em Ipirá. Desse status ele não abre mão, pois Diomário não é menino, além do mais é o maior estrategista político de Ipirá.

Sem dúvida, Diomário não escorregará na casca de banana, apoiará Jurandy Oliveira e Neuza Cadore, naturalmente, com a mão fechada e no bolso; resmungando, chorando e lamentando-se, mas na postura de sempre, meloso, ensaboado, escorregadio e sabendo aproveitar a oportunidade.

E quanto ao PT de Ipirá ? Entraram na fase da múltipla escolha. Podem ficar com Afonso ou Rui, embora com todo cuidado, porque Rui é o dono da caneta, e poderá acontecer com alguns, o que aconteceu com Tineck e André no Ciretran de Ipirá.

Na esfera estadual, o PT de Ipirá poderá ficar com Jurandy Oliveira, homem de confiança do governo de Wagner, e tem mais prestígio na esfera governamental do que qualquer petista, esquerdista, reformista, militante ou comunista de Ipirá, é bom que se frise, de Ipirá. Oh! Errei. Peço perdão. Jurandy Oliveira não tem no peito a sagrada estrelinha do PT. Resta Neuza Cadore.

Agora, o PT de Ipirá vai sentir o gosto amargo do fel. Vai ter que disputar com a macacada no mesmo terreno. Vai ter que conquistar vereador e cabo-eleitoral, que não trabalham para deputado sem uns trocados. Vai ter que fazer assistencialismo na saúde. Vai ter que comprar votos. Não ! isso aí não. É que as coisas estão turvas e não estou enxergando direito. Perdoem-me pelos exageros.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

É DE ROSCA.

Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 19. (mês de abril 2009)

Cena de rua.
A briga entre as duas ex-empregadas, Natalina e Tonha, em frente à casa do prefeito Dió, na rua de Delorme, continuava pegando fogo.
A multidão estava compactada e inflamada, quando ouviu-se um estrondo que parecia barulho de terremoto, ou melhor, parecendo mais ainda, o ruidoso barulho do som de carro na Praça da Bandeira, quando qualquer imbecil quer mostrar aos outros, que tem carro, ou mesmo, o grau de alienação em que está contaminado. Um popular apontava, gritando para a multidão:
- Olha o que vem lá de trás da Serra da Caboronga.


Eram seis aviões de guerra, da Força Aérea do Brasil, de marca Mirage, que em vôo rasante, adentraram no espaço aéreo ipiraense, passando a um palmo acima das cabeças que estavam na rua de Delorme, numa velocidade que beirava a mil por hora. Só tiveram condições de fazer a curva em Baixa Grande e, em um minuto, estavam novamente sobre Ipirá, momento em que, o comandante ordenou ao piloto:
- Atenção ! mirar alvo... preparar ... disparar míssil.


O míssil veio desembestado para cima da multidão, que gritou num uníssono som:
- Oh ! Oh ! ooooooooooooooooohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.


O míssil veio direto nas costelas da ex-empregada Natalina, que estava embolada com a ex-empregada Tonha, e bateu. A multidão fez:
- Ó ! ó ! óóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóó.


O míssil bateu nas costelas de Natalina e repicou, subindo em direção ao antigo Cenecista, e foi cair na Avenida César Cabral, abaixo do Sindicato Rural, precisamente, em frente à casa de Toinho da Esportiva, fazendo uma cratera de dez metros de comprimento, que engole carro, carroça, menino, você e o que mais passar por lá. Você está duvidando ? Vá lá e verifique.

O comandante da esquadrilha ordenou o disparo de outro míssil, que saiu em desembestada carreira para atingir a cabeça da ex-empregada Tonha. A multidão gritou engolindo vento:
- Á ! Á! Áááááááááááááááááááááááááááááááááaáááááá.


O míssil bateu e subiu, passando por cima da residência de Dr. Luís José (Dr. Pereira) e foi cair na rua Pedro Alves, abaixo do Zangão Lanches, fazendo uma cratera enorme. Dê um salto lá e verifique "in loco" o buraco, antes que o rápido prefeito de Ipirá mande entupi-lo. Os aviões partiram em direção a Salvador. A multidão vibrou:
- Ú ! ú! úúúúúúúúúúúúúúúúúúúúúú ! Ipirá é jacu e macaco e não tem pra ninguém.


O comandante da esquadrilha não se conteve e comentou:
- É verdade ! não conseguimos acabar com essa raça de jacu e macaco e ainda por cima erramos o alvo. Eu não entendo porque. Isso nunca aconteceu antes. Vamos comunicar imediatamente ao presidente Lula.


Cena no interior da residência.
O prefeito Dió conversava com o ex-prefeito Luiz do Demo:
- Ui ! ui ! uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.

- O que é que você está sentindo prefeito Dió ? Tá doendo ?

- Não, ex-prefeito Luiz do Demo. É que o ferro tá entrando.

- Entrando como, prefeito Dió ?

- É que eu recebi um ofício da UPB dizendo que as verbas da prefeitura vão cair mais de 20% e vão lá para baixo, e que não é para eu contratar banda cara para o São João. Veja bem, ex-prefeito Luiz do Demo, até a Saia Rodada vai ter que apertar, eu só posso contratar a Saia Justa. O que é que eu faço, ex-prefeito Luiz do Demo ? Ajude-me.

- Aí é com você. Você ganhou, você se vire. Agora, se eu fosse você, eu não fazia a festa do aniversário da cidade.

- Bom conselho, ex-prefeito Luiz do Demo. Agora diga-me: o que eu faço com os buracos feitos pelos mísseis ?

- É comigo, é ! até o secretário de infra-estrutura saiu de baixo. Agora, o prefeito Dió quer me botar nesse esparro. Comigo não. Tô fora desse buraco.

- Calma, ex-prefeito Luiz do Demo ! eu já determinei que o buraco vai virar ponto turístico, para isso, mandei colocar um pedaço de pau, com aquela fita amarela e preta para isolar a área, uma coisa de Primeiro Mundo. O povo vai ter que fazer fila para visitar o "Point do Buraco".

- Prefeito Dió ! se eu fosse você eu fechava esse buraco.

- Como, ex-prefeito Luiz do Demo ? Se eu não sei se esse buraco é da Prefeitura de Ipirá, da Embasa, da Coelba, ou da Aeronáutica.


Neste instante, o telefone toca. É uma ligação de Brasília, e o prefeito Dió atende:
- Pois não, companheiro presidente Lula ! pode falar, estou na escuta.

- Mas, companheiro prefeito Dió ! que esculhambação a terra de vocês fêz com meus mísseis ? Meus Mirage saiu daí desmoralizados.

- Em Ipirá é assim mesmo, companheiro presidente Lula, todo mundo tem que se render ao jacu e macaco, como foi o caso do PT. Até o Wagner, que governa a Bahia, votou nus macaco.

- Companheiro prefeito Dió ! eu achei que o galego que governa a Bahia fez uma besteira em só querer macaco, tem que ser como eu, já disse isso a ele, eu quero colo, quero delfim, quero neto, serra, neve e quem mais vier. Agora, vamos deixar de ensinamentos e vamos ao que interessa: cadê meus mísseis ?

- Eu já recolhí do buraco, meu caro companheiro presidente Lula, e vou fazer uma exposição com eles na Câmara de Vereadores de Ipirá.

- Isso não ! de jeito nenhum ! essa Câmara de Vereadores de Ipirá está muito xixilada, e esses mísseis só pode ficar num lugar que só entre autoridade. Entendeu bem, companheiro prefeito Dió ? E tem mais: o caso de Ipirá agora, vai diretamente para as mãos de Ó Brama.

- Captei a Vossa mensagem, meu ilustre companheiro presidente Lula.

- Agora, companheiro prefeito Dió ! eu estou contando os dias para visitar essa tal Ipirá. Já estive no vizinho município de Pintadas, mas não foi possível ir até aí, mas dessa vez eu vou com a Dilma. Eu quero conhecer de perto essa arrumação que vocês fazem aí para embrulhar o povo, o tal do jacu e macaco, e quero trazer isso para Brasília. No mais providencie uma carne de carneiro, com o tempero de sua empregada Natalina para eu saborear. Pode deixar que a Cabeceira do Rio, eu levo.

- Ui ! Ui ! uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Companheiro presidente Lula, Vossa Excelência tocou na desgraça de minha vida: carne de carneiro abatido no Matadouro de Ipirá. Isso já virou até novelinha que não acaba nunca.

- Companheiro prefeito Dió ! parece que eu ouvi um grito de macaco ? Passe o telefone para o companheiro ex-prefeito Luiz do Demo.

- Pronto, companheiro presidente Lula, aqui é Luiz do PMDB.

- Companheir ex-prefeito Luiz do Demo, que se diz PMDB, conto com seu apoio para a Dilma. Já puxei a orelha do Galego que governa a Bahia pela besteira que ele fez em Ipirá.

- Sim ! sim ! companheiro presidente Lula. Tô com Vossa Excelencia, com Dilma, com Geddel, enquanto vida vocês tiverem, oh ! desculpe companheiro presidente Lula, eu errei, eu queria dizer, enquanto poder vocês tiverem.

- Tá certo também, companheiro ex-prefeito Luiz do Demo. Vamos fazer em Ipirá, o mais belo palanque da campanha de Dilma: eu, o galego, o Geddel, macaco, jacu e o PT de Ipirá. Agora, uma coisa é certa, só vou aí, se tiver carne de carneiro.


SUSPENSE: e agora ? o que será que vai acontecer ? Carne de carneiro ? o matadouro ! você sabe que não sai. Você caiu no primeiro de abril. Esse capítulo é primeiro de abril. Nada disso aconteceu. Vá lá no buraco e verifique.

Leia o capítulo 18 – março 2009 - logo abaixo.
OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.