domingo, 12 de julho de 2009

Para não morrer, todo ipiraense tem apenas 1 hora.

São João em Ipirá.


Um adolescente de apenas 15 anos, residente em Salvador, veio passar o São João em Ipirá, cheio de alegria e arroubos próprios da juventude. Domingo, pela manhã, comeu muito amendoim e churrasquinho na Praça do Mercado. Pela tarde, uma dor aguda aportou na barriga do adolescente. Seus familiares levaram-no às pressas ao Novo Hospital de Ipirá.


No Novo Hospital de Ipirá, o diagnóstico foi correto e positivo: apendicite. Aí, o Novo Hospital de Ipirá tomou uma velha prática: "tem que ir para Feira de Santana, reafirmando a velha, conhecida e insistente máxima, de que, todo ipiraense ou melhor, todos os moradores de Ipirá têm uma hora de correria para não correr risco de morte. São 100 km de distância entre o Hospital de Ipirá e qualquer hospital de Feira de Santana.


No Novo Hospital de Ipirá, a velha ambulância com motor quase batido tinha ido à Salvador; a outra tinha levado um paciente para Feira; uma outra, ainda não chegou, é promessa do deputado Jurandy Oliveira. O adolescente teve que ser levado em carro particular, correndo contra o tempo, tentando evitar um imprevisto.


São João no Hospital Cléristo Andrade em Feira de Santana.


O adolescente de 15 anos, saído de Ipirá, chegou por volta das 19 h ao Hospital Clériston Andrade. Neste Velho Hospital, a mãe do adolescente foi informada que não tinha vaga na enfermaria, que estava lotada, e que retornasse a Ipirá para voltar no outro dia pela manhã. A amiga da família do adolescente, dona A, chegando ao Clériston foi informada do fato e indagou quem era o plantonista:


- É Dr. R – disse a mãe do adolescente.


- Será que é um amigo de meu filho K ? Vou lá conferir.


Era. De imediato surgiu uma vaga na enfermaria e a confirmação de que logo o adolescente iria para a mesa de cirurgia. A enfermaria lotada deixava o plantonista Dr. R ocupadíssimo. Quando amenizou a situação, o adolescente foi encaminhado à sala de cirurgia:


- Pára. Chegou um paciente vítima de bala em tiroteio com a polícia e seu estado é grave. Retorne o menino.


A todo instante, chegava uma ambulância de todo buraco, província e cidades vizinhas e distante de Feira de Santana. A maioria tinha que seguir viagem para Salvador. Por incrível que pareça, houve até a separação de um casal, e por coincidência, vindo de Ipirá, onde sofreu um acidente na estrada que liga Ipirá a Itaberaba. A mulher estava inconsciente e em estado delicadíssimo:


- O homem está em melhor condição, só tem quebrado, um braço, duas costelas e uma perna, pode ir para Salvador – disse um preposto do hospital.


Às 3 h da madrugada, o médico R dirigindo-se à família do adolescente, disse:


- Até que enfim aliviou um pouco, vou agora mesmo para a sala de cirurgia com o menino.


Por incrível que pareça, atravessou na frente uma maca com um sujeito todo cortado de facão. Não dá outra, retorna o adolescente para a enfermaria.


Às 7 h da manhã, o médico R foi claro com a família do adolescente:


- Eu estou muito cansado, fiz 21 atendimentos de emergência, mas só saio daqui quando fizer a cirurgia do menino. Estou aguardando a chegada do anestesista, porque o que estava aí já venceu o seu horário.


Às 10 h da manhã, o médico R foi mais transparente ainda:


- O anestesista não chegou ainda e o plantonista que vai substituir-me já está aí, eu vou ter que ir dá plantão em Salvador, mas falei com o plantonista sobre o menino.


- Quem é o médico ? – Perguntou dona A.


- É Dr. G.


Dona A. telefonou para sua amiga e prima do adolescente, Dra. V. que conhecia o médico e telefonou para ele solicitando seus préstimos e atenção.


Às 14 h, o adolescente foi operado.


Tudo terminou bem, mas eu fiquei com uma dúvida e uma pergunta: o que será que diz o Estatuto do Adolescente para este tipo de fato concreto e qual a critério de quem deverá viver nestas ocasiões ?.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

É DE ROSCA.


Estilo: ficção.

Natureza: novelinha.

Capítulo: 21. (mês de junho 2009 – uma semana de atraso)


Cena na residência:


A conversa amistosa entre o ex-prefeito Luiz do DEMO (que finge que é PMDB) e o prefeito Dió continuava, sendo que, este dizia:


- Meu caro Luiz do DEMO, que quer ser PMDB, não sei se você já percebeu o tamanho do meu prestígio, eu só converso com Wagner, Lula, O’Brama e daí prá cima.


- É isso mesmo prefeito Dió, a jacuzada é elite e você também é jacu, mesmo travestido de macaco. No íntimo você não suporta essa macacada e quer acabar com ela.


- Sem essa ex-prefeito Luiz do DEMO ! para mim o que importa é que eu sou a figura mais importante deste município na atualidade; só está faltando eu conversar com Deus. Há ! há ! há !. É brincadeira ex-prefeito Luiz do DEMO. Durma aí no sofá, que eu vou tirar uma madorna no meu quarto.


Cena na rua de Delorme, em frente à residência do prefeito Dió:


A briga entre as duas ex-empregadas Natalina e Tonha continuava firme e forte. A multidão acotovelava-se fanaticamente, quando uma LUZ intensa e forte surpreendeu a todos, ao tempo que ouvia-se uma VOZ altissonante:


"VOCÊS NÃO TOMAM JEITO MESMO ! AINDA CONTINUA ESSA BRIGA DE JACU E MACACO ? COMO É QUE PODE, DUAS SENHORAS DE RESPEITO ENGALFINHANDO-SE NA RUA ? POR CAUSA DE QUE ? DE JACU E MACACO. E ESSE POVO NÃO TEM O QUE FAZER NÃO ? FICA ALVOROÇADO NESSE PANAVOEIRO TODO. É POR ISSO QUE ESTE MUNICÍPIO TEM 94,6% DA POPULAÇÃO VIVENDO COM ATÉ DOIS SALÁRIOS MÍNIMOS E TEM 11 MIL FAMÍLIAS SUSTENTADAS COM O BOLSA FAMÍLIA, E MESMO ASSIM, AINDA FICAM ENCHENDO A CABEÇA COM BABAQUICES QUE SÓ LEVAM AO ATRASO".


As pessoas ficaram paralisadas e perplexas. Natalina e Tonha abraçaram-se, ao tempo que, choravam e beijavam-se. As pessoas deram as mãos e ajoelharam-se num silêncio respeitoso, tratavam-se como irmãos, como gente e não como bicho. A LUZ intensa foi direto para o quarto do prefeito Dió.


Cena na residência:


O prefeito Dió acordou assustado com a forte claridade, olhava cabisbaixo, de soslaio, não entendia direito e estava desconfiado, mas começou a visualizar aquele grande encontro e foi dizendo:


- Já fico imaginando a que devo esta honra, só pode ser pelo meu eficiente desempenho como administrador deste município. Eu sempre digo, com muita modéstia, que eu sou o melhor prefeito do Brasil. Eu tenho uma administração inquestionável.


A LUZ DIVINA percebeu que estava diante de uma pessoa pretensiosa, carregada de orgulho e centralizadora, mas de reconhecida inteligência e grande capacidade malabarista, principalmente quando dá nó em pingo d’água nas questões políticas.


Ouviu-se a VOZ:


"EU ESTOU PREPARANDO UMA BATATA-QUENTE PARA COLOCAR NO SEU COLO, PREFEITO DIÓ. NÃO RESPONDA AGORA, MAS VOCÊ VAI TER QUE DECIFRAR UM ENIGMA: UM LOURO (PAPAGAIO), UMA PERSONAGEM DE NOVELA (CADORE) E UMA PLANTA OLIVEIRA; VOCÊ DETONA OS DOIS PRIMEIROS OU CORTA O PÉ DE OLIVEIRA ? NÃO RESPONDA AGORA; EU VIM AQUI PORQUE VOCÊ ENVIOU UM OFÍCIO PARA SÃO PEDRO REQUISITANDO UMA VAGA NO CÉU".


- Sim, é verdade. SENHOR. Eu sei que não precisava desse ofício, mas é só formalidade, pois minha vaga lá é garantida.


A LUZ solene escutava e o prefeito Dió começou a desfiar um rosário de virtudes e boas obras para impressionar a LUZ divina:


- Eu sou amigo do povo, falo com todo mundo, consigo atrair as pessoas numa facilidade que até fico impressionado, eu pergunto "qual é o pó ?" para todas as pessoas, seja ela humilde ou letrada. Falam por aí que eu fico enciumado com o carisma do chefe dos macacos, um médico muito bem quisto, mas é pura mentira e inveja de quem fala isso, inclusive eu acho que ele não tem essa atração toda, eu sou mais a minha humilde pessoa.


A LUZ brilhante escutava e o prefeito Dió continuava:


- Eu fiz mais obras do que todos os outros prefeitos dessa terra juntos. E tem mais, no meu governo ninguém tira um tostão sequer dos cofres públicos.


A LUZ intensa começou a piscar e ouviu-se:


"HÓ ! HÓ ! HÓ ! VEREMOS ISSO DEPOIS. VAMOS VER SE SEU GOVERNO PASSA POR UMA CPI DO TELHADO DE VIDRO. SE PASSAR AÍ VOCÊ PODERÁ CANTAR DE GALO, AGORA, ANTES DISSO, ABRA BEM OS OLHOS.


O prefeito Dió voltou a se posicionar com uma nova argumentação para ser mais convincente:


- Eu reformei o Hospital de Ipirá, e agora qualquer ipiraense pode ficar doente que tem onde receber socorro sem entrar numa ambulância.


A LUZ intensa voltou a se pronunciar:


"CUIDADO, PREFEITO DIÓ ! EU ESTOU DE OLHO NO SEU PÉ. VOU COLOCAR UMA GRIPE SUÍNA NO SEU CORPO E VOCÊ VAI PARA ESSE SEU HOSPITAL PARA SE CURAR. ESSE É UM BOM TESTE.


- Não, SENHOR, não faça isso. Esse teste não tem validade com minha pessoa, sabe como é, eu tenho Plano de Saúde, e aí eu vou tomar o lugar de uma pessoa que não tem, e isso é injusto, eu prefiro ir para Salvador e deixar esse hospital daqui só para os ipiraenses.


A LUZ intensa piscava e o prefeito Dió continuava:


- Eu fiz um São João que foi o melhor do Nordeste, o SENHOR deve Ter assistido lá de cima. Foi a inauguração de um majestoso palco na Praça do Mercado, um lugar ideal para quando o SENHOR quiser fazer uma visita cá embaixo para falar com as pessoas.


Ouviu-se novamente a VOZ da LUZ intensa:


"CUIDADO, PREFEITO DIÓ ! EU ESTOU DE OLHO NA SUA CABEÇA. EU NÃO OUVI DISCURSO DE INAUGURAÇÃO DESTE PALCO, POR ISSO EU ESTOU COM UMA PULGA ATRÁS DA ORELHA. VOCÊ VAI FAZER UM TESTE DRIVE COM ESSE PALCO. VOCÊ VAI FAZER UMA CANTORIA NESSE PALCO.


- Lá ele SENHOR ! quem tem que subir lá é o cantor, o povo quer ouvir é o cantor. O que é isso SENHOR ? Tá armando esparrela para Dió. Quem vai lá é coelho. Vamos deixar de lado esse palco, na verdade o que importa, é que eu fiz todas as obras que os outros prefeitos deixaram sem fazer.


A LUZ intensa foi taxativa, deixando bem claro que nada aqui embaixo escapa do seu conhecimento:


"E A OBRA DO MATADOURO DE BOVINOS E OVINOS EM IPIRÁ ?"


Aí o prefeito Dió mudou de cor, era justamente o assunto que ele não queria tratar por hipótese alguma, pois é o seu calo, e ele pensava que só ele, exclusivamente ele, o prefeito, sabe da verdadeira e profunda verdade desse matadouro, gaguejou, tossiu, mas disse:


- É, mas, é, bem, como eu disse, não, desculpe;converse com Luiz do DEMO, que ele sabe, mas, como é mesmo ? Como eu ia dizendo, a Prefeitura rescindiu o contrato com a empresa e contratou uma consultoria especializada para apoiar os projetos. A documentação foi entregue à Caixa Econômica para análise e aprovação, infelizmente, os engenheiros da Caixa entraram em greve, e a Prefeitura aguarda que a greve acabe e seja autorizada a nova licitação, aí ... só o SENHOR sabe.


Aí, ouviu-se a VOZ:


"EU ! POR QUE EU ? CUIDADO, PREFEITO DIÓ ! ESSE LUIZ JÁ TEM DONO, NÃO TEM SALVAÇÃO PELO QUE FEZ NA PREFEITURA, MAS EU JÁ ESTOU DE OLHO NA SUA LÍNGUA. PREFEITO DIÓ, SUA BOA OBRA AQUI NA TERRA SERÁ A CONSTRUÇÃO DESSE MATADOURO, SEM ELE, ESQUEÇA O CÉU".


SUSPENSE: e agora ? o que será que vai acontecer ? Carne de carneiro ! o matadouro ! você acredita nele ? Só falta apelar prá quem ? Será que Deus conseguiu mudar a cabeça do prefeito ? Ou será que o prefeito vai ter que encontrar o diabo para dar conta desse matadouro.


Leia o capítulo 20 – maio 2009 - logo abaixo.


OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

terça-feira, 23 de junho de 2009

X + Y = DIOMÁRIO


O prefeito Diomário discursando deu o tom: " Um secretário que tem me ajudado muito, GUARDEM BEM ESSE NOME, Afonso Florence ". Disse tudo, Afonso Florence é o seu candidato a deputado federal em 2010.


Assim sendo, Rui Costa, caso saia candidato a deputado federal, que procure um galho mais fino para encostar-se, pois que, se por alguma razão existe coerência no petismo de Ipirá, essa coerência deverá adotar a mesma atitude que tiveram na eleição municipal no caso Tineck-André, ou seja, o prefeito Diomário terá que sair fortalecido eleitoralmente no próximo ano, então, todos secretários do prefeito Diomário, inclusive o da Saúde e Agricultura, deverão apoiar o seu candidato do PT a deputado federal, senão será uma baita traição. Pensando assim, sobrará Rui Costa.


Pensando de outro jeito, vamos supor que o prefeito Diomário dê liberdade de escolha aos seus secretários, neste caso, terá que conceder a mesma liberdade ao líder maior da macacada, Antônio Colonnezi, que se for acoplado ao projeto de A, B ou C, terá menos reconhecimento e valor do que um secretário municipal. Pensando assim, sobrará para Rui Costa.


Mas, pensando de outra maneira, nem tudo está perdido para Rui Costa, ele tem a caneta, que demitiu Tineck e André, na mão, e assim sendo, ele poderá manter irretocável a prática do PT de Ipirá, que levou ao encabrestamento os votos dos funcionários de confiança do Ciretran em Ipirá: ou segue e vota em quem o dedo aponta ou cai fora. Infelizmente esta é a triste e equivocada lógica implantada pela mão-de-ferro petista em Ipirá (caso Tineck-André).


Deixando o PT de lado e voltando ao prefeito Diomário, observamos que tem quem aposte que a equação X + Y é igual a macacada espatifada. Aí Diomário tem que queimar mais dinheiro do que neurônios para elucidar o grande enigma macaco.


Primeiro – vai ter que tapar a boca da ala macaca que é contra Lula-Dilma-Wagner, e para isso precisa estar forte para que possa botar esta turma com o rabo entre as pernas.


Segundo – a situação de Geddel ficou complicada com o acordo do DEMO-PSDB na Bahia, assim sendo, poderá vingar a chapa Wagner governador – Geddel senador, sendo assim, para o comício de Ipirá, o prefeito Diomário poderá comprar óleo de peroba para passar nos palanquistas do grande comício, pois lá estarão, a macacada, Luiz Carlos do DEMO e os petistas na mesma linha de frente.


Terceiro – tem que usar caneleira, para não levar as sobras das bicudas na canela na disputa fraterna, amiga, solidária, civilizada, entre Jurandy Oliveira e Neusa Cadore.


Quarto – tem que usar MP-3 para não ouvir a arengaria petista no pé-de-ouvido.


Além do mais, eu acho isso tudo café pequeno para o prefeito Diomário, que tem se portado politicamente com grande malabarismo. Hoje, é o homem de confiança eleitoral do governo Wagner em Ipirá, não tenho a menor dúvida disso, até mesmo naquele momento em que fez alusão à goleada de 30 a 2 que o time de Wagner está dando no time de Paulo Souto, o prefeito Diomário está dando demonstração de sua firmeza e disposição de ir até os últimos e marcantes "minutos finais" do crepúsculo da partida com a bandeira em punho. Chega de apoiar projeto de crack, como Fábio Souto, que só engrenou 2 milhões para Ipirá, agora é a vez de santo milagreiro, que de promessa em promessa, já chegou ao prometido de 30 milhões para Ipirá.


Se der zebra ? Diomário é sincero, não torce para time de terceira divisão. Nisso tudo, essa é a única certeza que temos do prefeito Diomário.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Indicação de Javier Alfaia para Ipirá.

A Indicação no. 15.898/2007 foi feita pelo deputado estadual Javier Alfaia, na qual indica ao Governador do Estado da Bahia a realização de obras de recuperação e conservação do Ginásio de Esportes de Ipirá.

Com o esforço do governador Jaques Wagner, houve a designação de R$ 220 mil reais do Estado para serem encorpados com uma contrapartida de R$ 60 mil reais da Prefeitura Municipal e, efetivamente, Ipirá ganha um Ginásio de Esportes que estava sucumbido.

Levando-se em consideração que a prática de esporte ajuda a resgatar ou precaver que a juventude atinja o lamaçal da droga que escorre sossegada pelas franjas dessa cidade, revigora-se a importância deste equipamento esportivo, ao tempo que, aumenta a responsabilidade da sua conservação e utilização de forma adequada e coerente, que é responsabilidade do poder municipal.

A imagem mais recente do Ginásio de Esportes de Ipirá, ainda está presa na retina de qualquer cidadão ipiraense: é a de um escombro de um prédio atingido por bombas, numa guerra. Imagem incrivelmente devastadora, que não deverá ser reavivada; que não deverá ser revitalizada, assim espero, pelo descaso ou pela omissão de quem administra o bem público nesta cidade.

O deputado estadual Javier Alfaia está articulando uma nova indicação para uma obra de grande valor estratégico e de vital necessidade para o município de Ipirá. Se tudo der certo, de surpresa, apareceremos na inauguração, porque na primavera os gritos sobressaem-se aos sussurros e Ipirá precisa vencer seus horizontes.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

É DE ROSCA.


Estilo: ficção.

Natureza: novelinha.

Capítulo: 20. (mês de maio 2009)



Cena: dentro da residência

O prefeito Dió levava um papo descontraído com Luiz do DEMO (que se diz PMDB), intercalado com sonoras gargalhadas e pequenas bebericagens de vinho, acompanhadas com canapés como tira-gosto.


Cena: no meio da rua.

Em frente à casa do prefeito Dió, o couro comia e a multidão arrebatada espremia-se para acompanhar, na condição de cidadania de terceira categoria, aquela fuzarca de jacu e macaco, que mobilizava, entusiasmava, apaixonava e irracionalizava milhares de pessoas em torno daquele conflito tolo, entre: Tonha, representante da jacuzada, e Natalina, representando a macacada.

A grudação das duas era pegajosa. O bolo que formavam abraçadas, rolava pelo chão parecendo uma jibóia engolindo bezerro. O confronto era duríssimo e em determinado momento, Tonha conseguiu desvencilhar sua mão e empurrou o dedão no Fê-O-Fó da macaca Natalina, que gritou furiosa:

- Êpa ! vamo parano pur aí; sem essa de impurrá o dedão no meu Fê-O-Fó; quem impurra aqui é o 22, é a macacada.


- Qui macacada, qui nada ! quem tá impurrano o dedão no parreco dessa macacada toda é o prefeito Dió – retrucou a ex-empregada Tonha.


- Cala a boca sua jacu dispeitada. Quem tá na vez é a macacada e é a macacada quem tá cumeno e é quem pode cumê, ai fica essa jacuzada discarada, doida pra lambê uma carne de pescoço e não acha. Tá tudo com dô de cutuvelo e ispiriguitada, enquanto a macacada tá cumeno é chupa molho – atacou Natalina.


- Deixa de sê besta macaca safada, que vocês não paça nem os beiços na pelanca, que dirá cumê chupa molho. Só quem come nessa Ipirá disprotegida é um molhinho desse tamainho, ou melhor, uma trempezinha, ou melhor ainda, uma panelinha – acrescentou Tonha.


- E no tempo que a jacuzada tava na prefeitura num era do mesmo jeito ? Só comia meia dúzia de crocodilho e o resto pastava – disse Natalina.


A briga entre as duas ex-empregadas continuava rolando. Aquela discussão surrada e amassada prosseguia sem nexo e com a mesma substância de quarenta ano atrás. Ipirá está enfiada na fanfarronice da inutilidade. Ipirá tem 94,6% da população vivendo com até dois salários mínimos. Esse é o laço no pescoço do gado. O tronco fica logo adiante, é o caminho mais próximo.


Novamente, cena dentro da residência.

O prefeito Dió e o ex-prefeito Luiz do DEMO (que só quer ser PMDB) recebiam as notícias da rua pelo celular, via torpedo: "enfiaram o dedão no Fê-O-Fó da macaca Natalina".


- Quá, quá, quá, quá... ! ou rs, rs, rs, rs... (risos, como se bota na Internet) - os dois, o prefeito e o ex-prefeito, deliciavam-se.


- E o pior, é ela ter que ficar três anos e meio com esse dedo no buraco. Quá, quá, quá, quá... – estatelava-se o prefeito Dió.


- Há, há, há...! assim eu morro de rir. Eu fico pensando é no cheiro que vai ficar nesse dedo daqui a três anos e meio. Há, há, há ! eu vou morrer de rir. Oh ! Ipirá bom. Isso aqui é o paraíso; nem o céu é melhor do que Ipirá – arrotava o ex-prefeito Luiz do DEMO (que afirma que é PMDB).


Neste exato momento, graças à alta tecnologia, iria começar a grande conferência internacional, entre os três grandes líderes mundiais, cada qual no seu mundo: o prefeito Dió; o ex-prefeito Luiz do DEMO ( que insiste em ser PMDB) e O’Brama, que todo mundo conhece. Neste devido instante, lembrei-me do apresentador Sílvio Santos, quando aparece no vídeo e coloca a mão para fora apertando a mão do baiano. Assim fêz O’Brama, colocou a mão e saudou o prefeito Dió:

- Oh! My friend prefeito Dió. Não vejo a hora de ir nessa falada cidade brasileira, ou melhor, desculpem-me, vou ratificar, brasileira não, do mundo, para aprender umas manhas com my friend.


- Oh ! meu brother O’Brama. A honra é toda minha. O que é que meu brother quer que eu lhe ensine ?


- OH! My friend prefeito Dió. Quero saber como é que eu posso viajar para Salvador, voltar para minha metrópole na terça à tarde, trabalhar na quarta e retornar à Salvador na quinta pela manhã ? E o mais importante, sem o povo dizer nada.


- Oh ! meu brother O’Brama. Isso é mole prá gente, quando o meu brother O"Brama vier aqui, a gente entra nos detalhes. Agora converse com meu ex-líder, o ex-prefeito Luiz do DEMO, que tá tirando onda de PMDB.


- Oh! My friend Luiz do Demo, tu nunca foi PMDB. Como eu queria conversar com você. Sabe como é, né ! tem coisa que a gente não sabe e tem que ouvir quem sabe. Como é que eu faço para fazer um Aterro Sanitário que vale um com faturamento no valor de dez ?


- Oh ! mister O’Brama, isso é só facilidade. É só pegar nota fiscal de uma livraria, aí ninguém vê, e se correr uns trocados por fora, ninguém ouve, nem fala.


- Ok ! my friend Luiz do DEMO (que gosta de enganar com PMDB) passe aí para o my friend prefeito Dió. Oh ! my friend prefeito Dió, eu só vou aí, em Ipirá, se tiver carne de sheep. Good bye.


Ficando à sós, o prefeito Dió interpelou o ex-prefeito Luiz do DEMO (que acredita que é PMDB):


- Eu estou com meu inglês em dias, mas essa palavra sheep, que o O’Brama disse é nova. O que deve ser isso ?


- Eu também não sei, mas deixa eu entrar em contato com meus children que moram lá para saber o que é – em um instante entrou em contato com os States – meu children o que significa sheep ?


- Is carneiro, my father – respondeu o filho.


- É carneiro, prefeito Dió.


- É mesmo ! grande filho da puta é esse O’Brama ! até esse ianque imperialista está contra mim. Será que esse gringo está pensando em invadir Ipirá para fazer um Matadouro de Carneiro ? Ele que venha. Ele vai ter que enfrentar minha Guarda Municipal. Bem ! é verdade ! primeiro eu vou ter que fazer concurso para a guarda pública. Bem ! é verdade ! antes eu tenho que contratar uma empresa fuleira para fazer esse concurso. Bem ! é verdade ! antes eu tenho que fazer a licitação. Bem ! é verdade ! prá tudo isso, eu tenho que ter dinheiro. Bem ! é verdade ! a crise econômica deixou a prefeitura de Ipirá sem um tostão. Bem ! é verdade ! acreditem no que eu digo. Será que eu vou ter que repetir: IPIRÁ NÃO VAI TER MATADOURO DE CARNEIRO, nem que o porco chauvinista do O’Brama queira.

SUSPENSE: e agora ? o que será que vai acontecer ? Carne de carneiro ? o matadouro ! você sabe que não sai. Só falta apelar prá quem ? Será que Deus vai mudar a cabeça do prefeito ? Ou será o diabo ?

Leia o capítulo 19 – abril 2009 - logo abaixo.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.


quarta-feira, 20 de maio de 2009

Coisa íntima.



Quando o blogueiro posta qualquer coisa no seu blog, ele o faz para que as pessoas leiam o seu ponto de vista, a sua opinião, até mesmo, a sua contribuição sobre qualquer coisa ou questões que nos afetam e que tem gente de olho. Os leitores são os grandes observadores que podem concordar ou discordar do que foi dito ou escrito, ao tempo, que podem se manifestar, caso assim o desejem. Mas, neste momento, antes de colocar qualquer outro artigo, eu tenho necessidade de escrever para mim, para minha pessoa, para o meu íntimo.


Embora, seja improvável ou tempestuoso resumir a vida, pressuponho a montagem de um álbum de família em que, numa determinada fase, ocorre a construção de um retrato, no qual vai ocorrendo o preenchimento do campo visual e a cena vai ficando repleta de gente: gente graúda, gente miúda; não importa a estatura, o importante é que é composto de gente de verdade e que tem que fazer jus a isso. Essa é a grande essência do retrato. Em uma outra fase, ocorre a desconstrução do retrato. As pessoas vão saindo do retrato, que vai perdendo gente e vai esmaecendo, até que o último sobrevivente deixe a cena; restando só o velho retrato, que vira memória, e uma firme convicção: na vida tudo se transforma.


Eu escrevo tudo isso, porque quero fazer uma homenagem a Paulo Guimarães Rebouças. Pensei num poema, mas tenho receio que falte a palavra milimetricamente correta e não atinja a plenitude. Como escrever algo ? Poderia negligenciar as virtudes e exacerbar nas falhas de um ser humano. Posso até fazer uma frase: Paulo Rebouças teve uma existência harmônica e feliz com Leta, nas circunscrições do seu lar. Escrevi tudo e não disse nada. Meu testemunho poderá ser incompleto e estar distante do que deveria ser dito. Poderia falar da tristeza que nos tomou, mas é mais salutar afirmar que o ente que partiu era querido. Poderia expor a dor da perda, mas o vazio deixado deverá ser completado pelas recordações dos momentos que serão lembrados pela saudade.


Para fazer uma homenagem simples, verdadeira e justa, basta falar de Paula, Keu e PH e, neste ponto, faço o reconhecimento da grandeza de Paulo Rebouças, que nos momentos de tranquilidade ou nos de maior rispidez, não se furtou de um dever básico de pai, que é a educação dos filhos e soube dar o exemplo centrado em valores e teve o cuidado com a formação do caráter e o estabelecimento dos princípios que os acompanharão ao longo da vida. Aqui fica o meu reconhecimento. Descanse em paz. Parece-me uma frase apropriada para revigorar este momento em que a saudade é muito forte e a certeza de que a vida de Paulo foi vivida, porque foram tempos de amizade, e que você seguirá conosco guardado no coração e na memória. A brevidade é nosso tempo. Até lá.

sábado, 2 de maio de 2009

É DURO DE DOER.


No Rio Grande do Sul, um rapaz drogado, viciado em crack, ameaçou a própria mãe, que foi obrigada a defender-se: atirou no próprio filho. Além de matar o único filho, ficou uma chaga corrosiva no seu coração de mãe. Uma tragédia. Esse tal de crack dilacera vidas e destrói famílias.

Em Ipirá, esse tal de crack chegou sem pedir licença. Ninguém sabe onde fica, mas está presente e bem presente. É muito fácil encontrá-lo, pois apresenta-se em qualquer esquina, viela ou cloaca desta cidade. Está em profusão. Serpenteia volúvel e vertiginoso pelas bocas, ingressando na vastidão das mentes. Penetra sagaz nas franjas sociais, imiscuindo-se nos setores mais debilitados, nas hostes mais voluntariosas, nos seres mais angustiados e impulsivos. Atua onde houver vida propensa aos seus favores ou aos seus estragos. O vício é tenebroso e teremos a nossa cracolândia, quem viver, verá. São tempos nebulosos e destruidores de efeito devastador. Estamos diante de uma tragédia anunciada.

Como o destino é irônico ! esse tal de crack, a juventude de Ipirá encontra em qualquer esquina. A Biblioteca Municipal Eugênio Gomes ninguém sabe onde está. Sumiu, simplesmente sumiu. Onde encontra-se o acervo da Biblioteca Municipal Eugênio Gomes ? Tudo indica que em algum buraco ou mesmo, corroendo-se em algum depósito. Pouco importa, só temos a lamentar essa tragédia, pois que, a quimera tem a força para alimentar uma vida juvenil sedenta de curiosidade e repleta da fome de informação e de conhecer. Um livro tem força; é forte, saudável e move o mundo; podendo ser um encontro, um belo encontro.

Para não dizerem por aí, que só falo de espinhos. É bastante louvável a idéia, em gestação, da Biblioteca Ambulante, que aos domingos, assim penso eu, adentrará pelos bairros, em um ônibus, ou uma kombi, ou uma van, ou num Fiat, ou numa carroça, seja lá o que for, cheia de livros, para que as crianças, os jovens, a dona-de-casa, o adulto, veja-os, folhei-os, leia os títulos, tome intimidade, requisite-o para que passe uma semana ou mais em sua casa, sem dúvida, terá um grande amigo no seu convívio.

Só em pegar um livro, uma criança sentirá o deslizar de suas mãos por um corpo suave, permissivo, perfeito, harmônico e figurativamente permeável; muito diferente da superfície que de tão dura doe as mãos, carquilhada, imperfeita, disforme, ondulada e grotesca do cristal de crack. As consequências são infinitamente diferentes. Assim penso eu; algumas mentes pensam assim; outras nem tão bem assim, porque acham que não adianta bater a testa no batente, porque é duro de doer.