domingo, 17 de janeiro de 2010

ABCDL




Eu estava com a intenção de saltar 2010 e chegar o mais rápido possível a 2012, e com essa preocupação, ouvia o relato de uma professora, que me contava um caso sobre um menino que ao dizer o alfabeto, não conseguia entender que o E vinha depois do D e só dizia L. Então ela explicava com sinceridade:
- Depois do D é um E, e não L. Preste bem atenção, é assim: A, B, C, D, E. Entendeu ? Repita.
- A, B, C, D, L. – disse o menino.
- Seu burro! Não é L, é E.
Eu observava atentamente aquele relato e num estalo repentino busquei um exemplo para amenizar o fato e disse-lhe:
- Ele é igual à população de Ipirá.
- Como assim ? – perguntou a professora com um ar de perplexidade.

Iniciei uma explicação meio vaga na tentativa de justificar o que em minha mente ainda era uma idéia vaga:
- Em Ipirá, quando falta muito tempo para as eleições de prefeito, o alfabeto todo, de A a Z, é candidato à prefeitura, mas quando chega na reta final, na hora de oficializar as candidaturas, só ficam A, B, C, D, L e mais ninguém tem chance.

A professora nada entendeu e eu fiquei na obrigação de detalhar mais ainda aquele pensamento que, naquele instante, eu não sabia nem por onde começar, mas tinha que ir em frente, não podia retroagir, fui dizendo:
- Observe bem professora! No frigir dos ovos, as candidaturas à Prefeitura de Ipirá ficarão estabelecidas nesse minúsculo círculo A, B, C, D, L. Vou esclarecer melhor: A de Antônio, B de Brandão (Maurício), C de Carlos (Luiz), D de Dudy, e L de Lady.

A professora arregalou os olhos e eu fiquei entusiasmado com minha suposta tese e continuei:
- Tem duas letras, um A e um L que são cartas fora do baralho: L de Lady e A de Ademildo. L de Lady porque D de Diomário não tem pedrigee político para impor seu nome e A de Ademildo porque é debutante na macacada e uma vice ta de bom tamanho para o PT, aliás, seria uma boa disputa para a vaga de vice.

Neste ponto, sentindo que havia necessidade de uma explicação mais detalhada, prossegui com meu ponto de vista:
- O PT de Ipirá quando fazia aliança no campo da esquerda, apresentava-se como força majoritária e sempre defendia como princípio a tese da escolha do candidato a prefeito ser feita por votação, mas quase sempre não era necessário. Agora, que o PT de Ipirá é uma tendência minoritária da macacada, essa tese de escolha democrática não tem nenhuma serventia. Vai ter que se afinar com o velho “método” de escolha das candidaturas à prefeito das oligarquias ipiraenses: “acordos de bastidores”. Porque na escolha por votação, o PT de Ipirá é infinitamente pequeno e cairá no pau.

A professora estava atenta e curiosa, espremia-se na cadeira, mas escutava o meu ponto de vista, o que me deixava mais a vontade para prosseguir:
- O PT de Ipirá só tem A de Ademildo em condições de ser um candidato a prefeito da macacada lá na frente, mas para isso acontecer, vai ter que comer muita farinha e fazer buraco na sola do sapato. Primeiro, vai ter que fazer muita ginástica nos bastidores da macacada para ganhar confiança. Essa é uma trajetória na qual o pretendente tem que vender a alma ao diabo e render-se aos interesses escusos até o gogó.

A professora não batia os olhos. Percebi que estava agradando e ia adiante:
- O PT de Ipirá para ter candidato a prefeito de Ipirá pela macacada vai ter que rasgar a ética e jogar o jogo dos caras, por isso, os princípios terão que ir para a lata de lixo. O poder municipal de jacu e macaco fundamenta-se na negociata. Vai ter que fazer acertos, nem que seja da boca pra fora, com oligarcas, vereadores, empreiteiros, comerciantes, profissionais liberais, picaretas, aproveitadores, oportunistas, trampolineiros, para ganhar confiança do grupo macaco, e este, vestir a camisa e partir pra cima.

A professora fez cara de pouco entendimento, e eu dizia:
- Nessa trajetória de candidatura à Prefeitura de Ipirá, o apoio externo do governador Jaques Wagner (se eleito), nos bastidores, terá força, mas não será o suficiente para impor um nome à macacada. Os interesses são muitos e diversificados. É internamente que se puxa o freio de mão e se arrumam as diferenças. Nos bastidores, o pretendente do PT terá que buscar, bajular, implorar e humilhar-se ao apoio incondicional do prefeito Diomário, que, decididamente, não terá a mesma força, habilidade e esperteza que teve nos dois pleitos passados. Terá que ter o consentimento do cacique da macacada, Antônio Colonnezi, assim sendo, terá que ser uma conversa “mui amiga”, o que para quem era até pouco tempo um áspero adversário, terá que haver muitos dedos apertando o nariz de ambos os lados. Muito pouco adiantará as pressões que trazem à evidência o freio de arrumação, do tipo: “se eu não for escolhido, vou apoiar o jacu” ou até mesmo “eu garantí a vitória da macacada, agora é minha vez” ou, quem sabe, “o PT é quem tem competência para administrar Ipirá”, porque nesta altura do campeonato, em Ipirá, nada disso importa; a maneira de administrar, transparência, ética e boas intenções fazem parte de um surrado amontoado que jogaram na lata de lixo.

A professora olhou-me de forma incisiva, sua face estava inflexível, e disse-me:
- Seu jumento ! Antes de 2012, teremos 2010 e 2011, além do mais, o candidato a prefeito de Ipirá para 2012 será Zé.

sábado, 9 de janeiro de 2010

CLÍNICA SANTA HELENA RECEBEU R$ 456.679,07


A Clínica Santa Helena recebeu R$ 456.679,04.

O Informativo Oficial da Prefeitura Municipal de Ipirá trouxe, na página 04, o valor recebido pela Clínica Santa Helena, no período de fevereiro a novembro de 2009. Um total de R$ 456.679,07 na condição de prestadora do SUS/Ipirá

A novidade está justamente na exposição destes valores, pela prefeitura, à opinião pública. Ontem era segredo; hoje é abertamente escancarado. Qual será o verdadeiro motivo deste acontecimento ? Não disseram, por isso qualquer cidadão tem o direito de perguntar ou mesmo tentar descobri-lo. Vamos nessa:

Primeiro - Será que foi fraude ? Se o recebimento foi de forma fraudulenta, com desvio do dinheiro público, com atendimentos fantasmas ou malversação do dinheiro público, nada mais justo e haveria motivos de sobra para que a opinião pública tomasse conhecimento do fato, com os seus devidos valores; mas, se os serviços foram prestados dentro da honradez, da normalidade contratual e da ética, não haveria porque expô-lo, pois seria um rigor extremado, desde quando não se aplica e não se publica, nem de longe, os nomes e os números referentes à compra de remédios e aos ganhos dos profissionais da medicina, pois, o corporativismo não permite ou não é necessário, mas, em Ipirá, na politicagem do jacu e do macaco, é factível que nestes contratos sempre ocorreram grandes arrumações de projetos pessoais e conchavos de natureza político-eleitoral.

Segundo - Será que foi para informar ? Na verdade, para expor a lista das clínicas, o governo Diomário teria que anunciar a lista dos vendedores de remédios e dos médicos que mais recebem do Sistema de Saúde em Ipirá. Isso seria a transparência ou não ?

Terceiro - Se o sentido é dar transparência ao governo Diomário, seria também necessário a publicação da relação dos maiores fornecedores da prefeitura em outros setores, como o comércio e serviços. Qual a empreiteira que mais recebeu ? Qual foi o fornecedor de material de construção, material esportivo, de papelaria, de informática, etc, que mais recebeu dos cofres públicos no seu devido ramo ? Talvez assim, soubéssemos e ficaria mais do que evidente o jogo de interesse que empurra a quase totalidade dos comerciantes de Ipirá na linha de fogo das campanhas da politicagem local, do jacu e do macaco.

Quarto - Se é para denunciar, por que a comunidade ipiraense não tem que saber o valor verdadeiro embolsado pela empresa que começou a construção do Matadouro de Ipirá, escolhida ou licitada pela administração do prefeito Diomário, e depois caiu na lapa do mundo, deixando o bagulho pela metade, e agora, outra firma começou tudo de novo ? Qual foi o total do rombo ? Quanto a firma caloteira levou do município ?

Quinto - A grande surpresa fica por conta da Clínica Santo Antônio, que não recebeu uma só merreca no referido período. Observe bem. Justamente a clínica dos correligionários do prefeito Diomário não recebeu um vintém. Nadica de nada. E não houve a menor zoeira nesta cidade. Nem mesmo depois que a Clínica Santo Antonio virou Maternidade Municipal não recebeu nada ? É verdade, não prestou serviços, a maternidade está fechada. Este fato tornou-se verdadeiramente uma grande surpresa, devido ao fato de que o poder municipal (tanto jacu, como macaco) sempre foi e é canalizado para contemplar economicamente as suas elites, sejam elas, jacus ou macacas, cada qual na sua vez e no seu tempo.

Sexto - Será que é para jogar barro na parede e mostrar que o governo Diomário é tão bonzinho e não tem retaliação com ninguém, que até os adversários políticos (jacus) são os mais beneficiados em sua administração, pois são os que mais recebem no seu governo e esse é o “Ipirá de todos nós” ? Aí, tenha paciência. É fazer a população de boba. Quero perguntar o seguinte: aquela presepada da campanha do jacu e do macaco era só fanfarrice para enganar o povo ?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

MENGÃO CAMPEÃO.


MENGÃO CAMPEÃO

Estou voltando a postar em meu blog e queria fazê-lo em grande estilo. Pelo menos é o que pretendo. Poderia colocar um artigo sobre a política local, contemplando, principalmente, aqueles que só pensam, ansiosamente, em 2012, querendo ultrapassar a todo galope 2010; poderia focar a quadrilha de intocáveis que opera em Brasília, com dinheiro pegando picula nos bolsos, cuecas e meias, só para o grandioso ato solidário de distribuir Panetone aos necessitados; ou até mesmo, sobre a grandiosa, esperada e ressuscitada obra do matadouro de Ipirá; mas sem preâmbulos, prefiro uma notícia surrada, de duas semanas passadas, velha como ela só, superada e demasiadamente sem interesse: “MENGÃO CAMPEÃO”.

Vou começar pela cervejada, ou melhor, pelo ritual propagandístico da cerveja patrocinadora da Copa do Mundo, que coloca em cena um exército de homens que se apresentam em desafio, numa carga emotiva voluntariosamente exacerbada e inflamada. As armaduras de ferro fecham-se. O exército de armaduras está a posto para o que der e vier.

“2010 tá chegando”, “é o ano da copa”, continua “Que a seleção fosse prá copa, como se vai prá uma batalha”, vai adiante “Jogadores que lutem em campo como a gente luta na vida”, tem mais “Uma derrota pode ser humilhante, decepcionante, inaceitável”, complementa, “Perder nunca”, e afirma “Se perder uma partida, eu quero a volta por cima”, e “Uma derrota pode derrubar uma lágrima, mas não quero isso”, “Quero jogadores que lutem em campo”, e com um grito “Quero guerreiros” e “Vamos pra guerra juntos”, e fecha “Somos 190 milhões de guerreiros”. Tudo isso, é um incentivo à violência e ao orgulho. Tem que ser guerreiro, hexa e vencedor. “Tenho orgulho de defender essa causa” é a última citação.

O inimigo exército bárbaro aparece; as fisionomias são grotescas e demonstram marcas impiedosas de ódio e violência nas faces; a raiva é um pressuposto transparente. A marcha traz em si um convite ao combate: “É uma batalha para guerreiros”. Um simples jogo de futebol é transformado em guerra. O clima criado é favorável ao desafio, ao embate. A esportividade transcende para a batalha, guerra, ferocidade e barbárie. A intencionalidade é plantar o nacionalismo exacerbado, a agressividade, o orgulho, o chauvinismo chulo e a competição crua. O clima criado, ou mesmo a realidade, é favorável ao desafio e ao embate. A emoção excede canalizando a força bruta. Afloram os instintos mais primitivos. É um puro apelo ao sentimento e ao emocional. Vislumbrar e plantar sistematicamente uma mensagem subreptícia com uma ideologia de “vencer ou vencer” e a idéia de que “sou brasileiro, sou guerreiro” e não querer uma atitude correspondente é chover no molhado e aí vai ter.

Produzem um ambiente em que o campo de futebol vira campo de batalha, e uma simples partida de futebol vira um chamamento para uma guerra, ganhando uma dimensão que ultrapassa a realidade.A música tem tonalidade grave e compassada. O gestos são marcantes e fortes, com vibrações agressivas e violentas. A voz manifesta tensão. A imagem é forte, puxando pela emoção. A caricatura dos adversários é pontilhada como um exército bárbaro e violento. Impera o campo de batalha em lugar do campo de futebol.

Quando se cria uma expectativa muito além da realidade da vida e uma simples partida de futebol vira uma decisiva batalha numa sociedade que sucesso é sinônimo de vencedor, os perdedores não suportam uma derrota de maneira esportiva, “é uma derrota na vida” e os guerreiros não podem se submeterem à derrota, muito menos aceitarem uma derrota, “têm que dar a volta por cima”.

O Fluminense atrasou 20 minutos com a intenção de, é bom que se diga, se o jogo do Botafogo com o Palmeiras continuasse empatado, fazer um “jogo de compadres”, um “anti-jogo” com o Coritiba , o empate entre os dois serviria para ambos, seria aquele joguinho “segura a onda compadre, esse empate deixa nós dois na primeirona, prá que correria”. Nem tudo acontece como se quer, o Botafogo fez o segundo gol e o jogo do Couto Pereira virou um inferno. O caldeirão do diabo estava para estourar. O tempo passava e os jogadores do Fluminense prendiam a bola, caíam, faziam cera. Os guerreiros do Curitiba forçavam, jogavam seus derradeiros esforços, só a vitória interessava, não deu, não foi possível, restavam os guerreiros das arquibancadas que estavam dopados emocionalmente pelas circunstâncias, e como se sabe, guerreiro não aceita a derrota e partiu para “dar a volta por cima”.

Em 1950, o Maracanã, com mais de 100 mil pessoas, calou, chorou, frustrou-se e suportou a derrota. Não tenho notícias de quebra-quebra. Em 2014, quando um simples jogo de futebol, não for mais um simples jogo de futebol, e sim, uma batalha, por propaganda e outros meios, eu posso dizer, mesmo não tendo bola de cristal, que uma derrota será insuportável e aí a gringolhada terá que segurar o fiofó, porque o pescoço estará por um fio. Com tudo isso:”O MENGÃO É CAMPEÃO”.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O BERRO DO CARNEIRO


Aqui está o melhor produto da zona rural de Ipirá.



Este é o tratamento que recebe o melhor produto da zona rural de Ipirá.


É assim que o poder público recepciona o melhor produto de Ipirá.

sábado, 18 de julho de 2009

É DE ROSCA.


Estilo: ficção.

Natureza: novelinha.

Capítulo: 22. (mês de julho 2009 )

Cena de rua.

As ex-empregadas Tonha e Natalina estavam abraçadas. A população de Ipirá estava apaziguada e procurava discutir idéias, propostas e soluções para o município, na perspectiva da melhoria da vida de toda a coletividade e não de uma minoria.

Quando menos esperava-se, surge uma figura estranha dando saltos em cima dos telhados das casas da rua. O primeiro sujeito a observar não perdeu a oportunidade de ser o pioneiro no palpite:

- Olha ! lá em cima da casa ! não é macaco, nem jacu. Que desgraça é aquilo ?

O bicho deu um peido e uma cambalhota caindo no meio da rua, bem no centro da multidão; dava gargalhadas e soltava bufa que formava uma nuvem amarela com um fedor azucrinado de enxofre. Ficava pulando enquanto falava:

- Há ! há ! há! Que tristeza é essa ? Por que esse povo está tão triste ? Cadê a alegria dessa gente ipiraense ? Onde está a paixão de vocês ? Vocês vão ter que viver só na emoção. Vocês não podem viver como gente, pensando como gente, agindo como gente. Vocês são jacus e macacos e nada mais do que isso. Ser jacu e macaco é ter alegria; é aproveitar a vida, mesmo para aqueles que vivem na pobreza. Chega de tristeza minha gente. Viva a raiva; tenham ódio; tenham inveja; torça pela desgraça do seu semelhante; faça tudo para que o outro se lasque. Um pobre só sobe na vida se pisar no pescoço de outro pobre; um pobre arrombado tem que lamber o saco do rico. Há ! há ! há!.

Natalina tacou um tapaço na cara de Tonha, que revidou na hora. As pessoas tomaram partido e a fuzarca estava formada novamente. O bicho dava gaitada e festejava:

- Há ! há ! há ! É isso aí. Fure os olhos dessa que tá aí na frente; bate; esmurra; aplica uma voadora; é isso aí, mete o dedo no furico dela, não, aí não ! mais embaixo, no furico, sim, aí, agora lasca; joga no chão; chuta o saco; dá dentada, besta; pau neles jacuzada; empurra no buraco deles macacada; enfia jacuzada; atocha macacada; arrocha; incarca. Há ! há!.

O bicho tinha meio metro, dava um pulo e ficava com dois metros e meio; sentava e o rabo crescia; dava uma risada e ficava suruco; ficava de quatro, andava com um pé só, pulava com dois; tinha pelo, mas também aparecia lanzudo; modificava-se a todo instante, transmutava-se a todo momento. Deu um peido e pulou para dentro da residência.

Cena dentro da residência.

Com esse pulo o bicho caiu dentro do quarto do prefeito Dió, que dormia, mas acordou com o tombo e sentiu um cheiro horroroso de enxofre. Esperto, o prefeito Dió só abriu um olho, para enxergar melhor o que estava acontecendo; quando viu o bicho pensou: "Que bicho esquisito é esse ? Nem no meu quarto tenho mais sossego, isso aí só pode ser um macaco fantasiado querendo emprego ou um saco de cimento".

O bicho deu uma bufa que deixou o prefeito Dió atordoado e tonto, mas mesmo assim, ainda conseguiu sentar na cama com os dedos tapando o nariz e disse com a voz fanhosa:

- Você vem para o meu quarto e ainda solta uma fedentina de ovo podre com cebola bem na minha cara. Peça logo uma cesta básica que eu dou a ordem.


- Há ! há ! há ! Veja bem como você fala comigo, prefeito Dió. Eu sou Belzebú. Tire logo essa mão do nariz para sentir o meu perfume. Fique sabendo que não gosto de ser destratado. Não quero e não preciso de sua esmola; eu sou rico, tenho panelas de ouro; eu sou um rei, o rei das trevas; eu sou poderoso, eu tenho poder; quem faz pacto comigo é sempre poderoso, tá ligado. Há ! há ! há !.

Ao ouvir a palavra poder, os olhos do prefeito Dió faiscaram e soltaram um brilho luminoso, sendo que, ele fitou nos olhos do bicho e percebeu um olhar vermelho-brasa, aí perguntou:

- Belzebú ! Você tem alguma firma para prestar serviço na prefeitura ?


- Me trate com seriedade, prefeito Dió. Não me chame de você. Eu sou Pé Redondo, o bom da bocada, e vim aqui na sua casa, justamente no capítulo 22 da novelinha. Eu sou o 22 das parada e diga aí para eu empurrá.

- Lá ele, seu Pé Redondo, sem essa. O 22 que empurra aqui sou eu, os outros, o resto, só faz receber. Tá querendo me tirar como otário, seu Pé Redondo, sem essa.


- Eu exijo respeito, prefeito Dió. Eu sou o Rabudo, e agora quem manda nesse pedaço sou eu e você vai me obedecer. Preste bem atenção. Vai aparecer um louro (papagaio), aí arranque as penas dele prá o sujeito ficar despenado; quando a personagem da novela da Globo aparecer, não queira nada com ela, mande ela fazer novela mexicana no SBT; corte o pé de Oliveira (deputado), arranque os galhos e toque fogo; não dê bobeira, meu candidato a deputado é você, prefeito Dió; você é o melhor candidato a deputado desta terra. Há ! Há.


- Eu também acho, Dr. Rabudo, mas tem dois porém: essa crise financeira mundial deixou a prefeitura limpa e aí, o Dr. Rabudo vai ter que dar uma contribuição significante, quanto a isso eu estou tranquilo, mas o problema é quem vou deixar no meu lugar; o homem é mão aberta, dá tudo o que a prefeitura tem.


- Há ! há ! há ! Me trate direito, prefeito Dió. Eu sou Satanás, o bom conselheiro, e já disse, pegue o seu vice Didude e bote no seu gabinete, depois, bote tudo de errado prá cima dele e lasque um pontapé no traseiro dele. Há ! há ! há !.


- Mas que violência é essa, Mister Satanás ? Para que isso ? Eu sou partidário e dou preferência ao método frio, calculado e civilizado. Eu vou botá-lo no meu gabinete, ele vai pensar que está com a bola toda, depois eu invento uma reforma no gabinete, digo a ele que vou ter que trocar os móveis e fazer a pintura, aí com o cheiro da tinta ele cai fora. Gostou mister Satanás ?

O bicho coçou a cabeça e sentiu que em matéria de sagacidade ele estava diante de um mestre, como já estava perdendo terreno, soltou um traque-de-massa, tipo bufa-de- véio, e foi dizendo:

- Me arrespeite, prefeito Dió. Eu sou é o Capeta e estou aqui para orientar a sua pessoa nessa questão de administração e eu quero dizer que em sua gestão está acontecendo uma grande besteira, que é esse negócio de fazer matadouro de bovino e ovino em Ipirá, não perca seu tempo com isso não, home. Mande esse povo matar bode e ovelha lá em Pintadas.


- Não é que Vossa Excelência Capeta tem razão. Se Pintadas tem, é mesmo que Ipirá ter. É isso mesmo Vossa Excelência Capeta, até que enfim vi alguém pensar como eu penso.


- Prefeito Dió ! prefeito Dió ! me trate direito ! eu sou o Cão, o mais lindo dos lindos. Vê se esse povo tá reclamando ao comprar a carne que vem de Feira ? Vê lá se os marchantes não estão vendendo a carne de lá ? E além do mais, eu tenho um pacto com uns coligados aí, que lucram com a carne de Feira e eles têm que ficar rico nas costas desses trouxas. Mande derrubar aquelas paredes daquele matadouro e bote esse dinheiro em festa, faça festa, reforme praça, faça cagador e deixe fechado no dia da festa de Santana, não abra por nada. Isso é que é administração.


- Taí, já comecei a gostar de você ! Até que enfim encontrei alguém que pensa igual
a mim. É isso mesmo, Meritíssimo Cão, vou seguir seus sábios conselhos.

O bicho botou um pé na cabeceira da cama, abriu o compasso e soltou um petardo com cheiro de enxofre, ovo goro e batata. O prefeito Dió já estava acostumando-se com aquela fedentina. O bicho foi dizendo:

- Prefeito Dió ! prefeito Dió ! veja lá como me trata. Eu sou o Rabujento, o rei que cavalga à noite, e eu pergunto: para que Ipirá quer matadouro ? Que use o de Feira, é mais lucrativo para a prefeitura de Ipirá que não terá despesa. Prefeito Dió ! deixe a economia de Ipirá se estrepar, você estando numa boa é o que importa. Abaixo o matadouro ! Nada de matadouro ! Quem gosta de matadouro é São Nunca. Há ! há ! há !.


- Taí um argumento que eu gostei de ouvir, meu nobre Rabujento. Gostei de sua opinião, mas eu penso um pouco diferente, observe bem, eu vou fazer de conta que estou fazendo o matadouro e o povo de Ipirá vai fazer de conta que está vendo eu fazer, no final, não me canso de fazer e o povo não se cansa de esperar.

O bicho botou a mão no queixo; soltou uma saraivada de peido, cheirando a fato acebolado e carniça de boi, sendo que, o prefeito Dió, nem tum, nem botou o dedinho para tapar o nariz. O bicho viu que aquele duelo de sabedoria pendia mais para o outro lado e procurou disfarçar mudando o alvo para uma outra conversa:

- Prefeito Dió ! quem vai se cansar de lhe avisar para me tratar melhor sou eu, pois eu sou o Lúcifer, o quebrador das balada, e agora eu quero conversar com esse seu amigo e correligionário, que está dormindo no sofá. Quem é ele ?


- É Luiz do DEMO, majestade Lúcifer.


- Prefeito Dió ! vê lá home o qui tu fala, porque eu sou o Demônio, o majestoso malígno, e não tô pra brincadeira, eu te boto numa vara de espeto se tu fizer esse matadouro de Ipirá. Que prazer falar com meu Luiiiiiiiiiz. Como você é falado no meu reduto. Lá, tem um sujeito da cabeça branca que só fala em você; eu não consigo lembrar o nome dele, também tenho pouco estudo, mas o que ele quer é ser o rei do meu pedaço, do jeito que vai, vamos ter que dividir o inferno.

Luiz do DEMO saltou do sofá, pegou uma cartilha que estava em cima da estante e disse para o bicho, que virou um jegue seboso, cinzento no dorso, com focinho de porco, orelha de cachorro, pelo de porco-espinho e rabo de vaca:

- Venha cá, vou ensinar a leitura para você. Esta vendo essa primeira letra do alfabeto, é o A, e a segunda é ? Não, seu burro, não é o C; e esse M de Maria, como se fala ? Não, seu idiota, seu jegue, nem eu dizendo você acerta. Você é tão ignorante que nem três letrinhas você sabe unir.

O bicho franziu a cara, começou a sair lágrimas dos seus olhinhos de ET. O prefeito Dió, olhou para aquela figura e pela primeira vez na novelinha, ele ficou com pena de alguma coisa, seja lá o que for, desta vez, ele ficou com uma pena danada do bicho e pensou: "No dia que eu deixar de ser macaco, eu quero ser esse bichinho bonitinho, pois nunca vi coisinha mais sabida".

SUSPENSE: e agora ? o que será que vai acontecer ? Carne de carneiro ! o matadouro ! você acredita nele ? Só falta apelar prá quem ?

Leia o capítulo 21 – junho 2009 - logo abaixo.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

domingo, 12 de julho de 2009

Para não morrer, todo ipiraense tem apenas 1 hora.

São João em Ipirá.


Um adolescente de apenas 15 anos, residente em Salvador, veio passar o São João em Ipirá, cheio de alegria e arroubos próprios da juventude. Domingo, pela manhã, comeu muito amendoim e churrasquinho na Praça do Mercado. Pela tarde, uma dor aguda aportou na barriga do adolescente. Seus familiares levaram-no às pressas ao Novo Hospital de Ipirá.


No Novo Hospital de Ipirá, o diagnóstico foi correto e positivo: apendicite. Aí, o Novo Hospital de Ipirá tomou uma velha prática: "tem que ir para Feira de Santana, reafirmando a velha, conhecida e insistente máxima, de que, todo ipiraense ou melhor, todos os moradores de Ipirá têm uma hora de correria para não correr risco de morte. São 100 km de distância entre o Hospital de Ipirá e qualquer hospital de Feira de Santana.


No Novo Hospital de Ipirá, a velha ambulância com motor quase batido tinha ido à Salvador; a outra tinha levado um paciente para Feira; uma outra, ainda não chegou, é promessa do deputado Jurandy Oliveira. O adolescente teve que ser levado em carro particular, correndo contra o tempo, tentando evitar um imprevisto.


São João no Hospital Cléristo Andrade em Feira de Santana.


O adolescente de 15 anos, saído de Ipirá, chegou por volta das 19 h ao Hospital Clériston Andrade. Neste Velho Hospital, a mãe do adolescente foi informada que não tinha vaga na enfermaria, que estava lotada, e que retornasse a Ipirá para voltar no outro dia pela manhã. A amiga da família do adolescente, dona A, chegando ao Clériston foi informada do fato e indagou quem era o plantonista:


- É Dr. R – disse a mãe do adolescente.


- Será que é um amigo de meu filho K ? Vou lá conferir.


Era. De imediato surgiu uma vaga na enfermaria e a confirmação de que logo o adolescente iria para a mesa de cirurgia. A enfermaria lotada deixava o plantonista Dr. R ocupadíssimo. Quando amenizou a situação, o adolescente foi encaminhado à sala de cirurgia:


- Pára. Chegou um paciente vítima de bala em tiroteio com a polícia e seu estado é grave. Retorne o menino.


A todo instante, chegava uma ambulância de todo buraco, província e cidades vizinhas e distante de Feira de Santana. A maioria tinha que seguir viagem para Salvador. Por incrível que pareça, houve até a separação de um casal, e por coincidência, vindo de Ipirá, onde sofreu um acidente na estrada que liga Ipirá a Itaberaba. A mulher estava inconsciente e em estado delicadíssimo:


- O homem está em melhor condição, só tem quebrado, um braço, duas costelas e uma perna, pode ir para Salvador – disse um preposto do hospital.


Às 3 h da madrugada, o médico R dirigindo-se à família do adolescente, disse:


- Até que enfim aliviou um pouco, vou agora mesmo para a sala de cirurgia com o menino.


Por incrível que pareça, atravessou na frente uma maca com um sujeito todo cortado de facão. Não dá outra, retorna o adolescente para a enfermaria.


Às 7 h da manhã, o médico R foi claro com a família do adolescente:


- Eu estou muito cansado, fiz 21 atendimentos de emergência, mas só saio daqui quando fizer a cirurgia do menino. Estou aguardando a chegada do anestesista, porque o que estava aí já venceu o seu horário.


Às 10 h da manhã, o médico R foi mais transparente ainda:


- O anestesista não chegou ainda e o plantonista que vai substituir-me já está aí, eu vou ter que ir dá plantão em Salvador, mas falei com o plantonista sobre o menino.


- Quem é o médico ? – Perguntou dona A.


- É Dr. G.


Dona A. telefonou para sua amiga e prima do adolescente, Dra. V. que conhecia o médico e telefonou para ele solicitando seus préstimos e atenção.


Às 14 h, o adolescente foi operado.


Tudo terminou bem, mas eu fiquei com uma dúvida e uma pergunta: o que será que diz o Estatuto do Adolescente para este tipo de fato concreto e qual a critério de quem deverá viver nestas ocasiões ?.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

É DE ROSCA.


Estilo: ficção.

Natureza: novelinha.

Capítulo: 21. (mês de junho 2009 – uma semana de atraso)


Cena na residência:


A conversa amistosa entre o ex-prefeito Luiz do DEMO (que finge que é PMDB) e o prefeito Dió continuava, sendo que, este dizia:


- Meu caro Luiz do DEMO, que quer ser PMDB, não sei se você já percebeu o tamanho do meu prestígio, eu só converso com Wagner, Lula, O’Brama e daí prá cima.


- É isso mesmo prefeito Dió, a jacuzada é elite e você também é jacu, mesmo travestido de macaco. No íntimo você não suporta essa macacada e quer acabar com ela.


- Sem essa ex-prefeito Luiz do DEMO ! para mim o que importa é que eu sou a figura mais importante deste município na atualidade; só está faltando eu conversar com Deus. Há ! há ! há !. É brincadeira ex-prefeito Luiz do DEMO. Durma aí no sofá, que eu vou tirar uma madorna no meu quarto.


Cena na rua de Delorme, em frente à residência do prefeito Dió:


A briga entre as duas ex-empregadas Natalina e Tonha continuava firme e forte. A multidão acotovelava-se fanaticamente, quando uma LUZ intensa e forte surpreendeu a todos, ao tempo que ouvia-se uma VOZ altissonante:


"VOCÊS NÃO TOMAM JEITO MESMO ! AINDA CONTINUA ESSA BRIGA DE JACU E MACACO ? COMO É QUE PODE, DUAS SENHORAS DE RESPEITO ENGALFINHANDO-SE NA RUA ? POR CAUSA DE QUE ? DE JACU E MACACO. E ESSE POVO NÃO TEM O QUE FAZER NÃO ? FICA ALVOROÇADO NESSE PANAVOEIRO TODO. É POR ISSO QUE ESTE MUNICÍPIO TEM 94,6% DA POPULAÇÃO VIVENDO COM ATÉ DOIS SALÁRIOS MÍNIMOS E TEM 11 MIL FAMÍLIAS SUSTENTADAS COM O BOLSA FAMÍLIA, E MESMO ASSIM, AINDA FICAM ENCHENDO A CABEÇA COM BABAQUICES QUE SÓ LEVAM AO ATRASO".


As pessoas ficaram paralisadas e perplexas. Natalina e Tonha abraçaram-se, ao tempo que, choravam e beijavam-se. As pessoas deram as mãos e ajoelharam-se num silêncio respeitoso, tratavam-se como irmãos, como gente e não como bicho. A LUZ intensa foi direto para o quarto do prefeito Dió.


Cena na residência:


O prefeito Dió acordou assustado com a forte claridade, olhava cabisbaixo, de soslaio, não entendia direito e estava desconfiado, mas começou a visualizar aquele grande encontro e foi dizendo:


- Já fico imaginando a que devo esta honra, só pode ser pelo meu eficiente desempenho como administrador deste município. Eu sempre digo, com muita modéstia, que eu sou o melhor prefeito do Brasil. Eu tenho uma administração inquestionável.


A LUZ DIVINA percebeu que estava diante de uma pessoa pretensiosa, carregada de orgulho e centralizadora, mas de reconhecida inteligência e grande capacidade malabarista, principalmente quando dá nó em pingo d’água nas questões políticas.


Ouviu-se a VOZ:


"EU ESTOU PREPARANDO UMA BATATA-QUENTE PARA COLOCAR NO SEU COLO, PREFEITO DIÓ. NÃO RESPONDA AGORA, MAS VOCÊ VAI TER QUE DECIFRAR UM ENIGMA: UM LOURO (PAPAGAIO), UMA PERSONAGEM DE NOVELA (CADORE) E UMA PLANTA OLIVEIRA; VOCÊ DETONA OS DOIS PRIMEIROS OU CORTA O PÉ DE OLIVEIRA ? NÃO RESPONDA AGORA; EU VIM AQUI PORQUE VOCÊ ENVIOU UM OFÍCIO PARA SÃO PEDRO REQUISITANDO UMA VAGA NO CÉU".


- Sim, é verdade. SENHOR. Eu sei que não precisava desse ofício, mas é só formalidade, pois minha vaga lá é garantida.


A LUZ solene escutava e o prefeito Dió começou a desfiar um rosário de virtudes e boas obras para impressionar a LUZ divina:


- Eu sou amigo do povo, falo com todo mundo, consigo atrair as pessoas numa facilidade que até fico impressionado, eu pergunto "qual é o pó ?" para todas as pessoas, seja ela humilde ou letrada. Falam por aí que eu fico enciumado com o carisma do chefe dos macacos, um médico muito bem quisto, mas é pura mentira e inveja de quem fala isso, inclusive eu acho que ele não tem essa atração toda, eu sou mais a minha humilde pessoa.


A LUZ brilhante escutava e o prefeito Dió continuava:


- Eu fiz mais obras do que todos os outros prefeitos dessa terra juntos. E tem mais, no meu governo ninguém tira um tostão sequer dos cofres públicos.


A LUZ intensa começou a piscar e ouviu-se:


"HÓ ! HÓ ! HÓ ! VEREMOS ISSO DEPOIS. VAMOS VER SE SEU GOVERNO PASSA POR UMA CPI DO TELHADO DE VIDRO. SE PASSAR AÍ VOCÊ PODERÁ CANTAR DE GALO, AGORA, ANTES DISSO, ABRA BEM OS OLHOS.


O prefeito Dió voltou a se posicionar com uma nova argumentação para ser mais convincente:


- Eu reformei o Hospital de Ipirá, e agora qualquer ipiraense pode ficar doente que tem onde receber socorro sem entrar numa ambulância.


A LUZ intensa voltou a se pronunciar:


"CUIDADO, PREFEITO DIÓ ! EU ESTOU DE OLHO NO SEU PÉ. VOU COLOCAR UMA GRIPE SUÍNA NO SEU CORPO E VOCÊ VAI PARA ESSE SEU HOSPITAL PARA SE CURAR. ESSE É UM BOM TESTE.


- Não, SENHOR, não faça isso. Esse teste não tem validade com minha pessoa, sabe como é, eu tenho Plano de Saúde, e aí eu vou tomar o lugar de uma pessoa que não tem, e isso é injusto, eu prefiro ir para Salvador e deixar esse hospital daqui só para os ipiraenses.


A LUZ intensa piscava e o prefeito Dió continuava:


- Eu fiz um São João que foi o melhor do Nordeste, o SENHOR deve Ter assistido lá de cima. Foi a inauguração de um majestoso palco na Praça do Mercado, um lugar ideal para quando o SENHOR quiser fazer uma visita cá embaixo para falar com as pessoas.


Ouviu-se novamente a VOZ da LUZ intensa:


"CUIDADO, PREFEITO DIÓ ! EU ESTOU DE OLHO NA SUA CABEÇA. EU NÃO OUVI DISCURSO DE INAUGURAÇÃO DESTE PALCO, POR ISSO EU ESTOU COM UMA PULGA ATRÁS DA ORELHA. VOCÊ VAI FAZER UM TESTE DRIVE COM ESSE PALCO. VOCÊ VAI FAZER UMA CANTORIA NESSE PALCO.


- Lá ele SENHOR ! quem tem que subir lá é o cantor, o povo quer ouvir é o cantor. O que é isso SENHOR ? Tá armando esparrela para Dió. Quem vai lá é coelho. Vamos deixar de lado esse palco, na verdade o que importa, é que eu fiz todas as obras que os outros prefeitos deixaram sem fazer.


A LUZ intensa foi taxativa, deixando bem claro que nada aqui embaixo escapa do seu conhecimento:


"E A OBRA DO MATADOURO DE BOVINOS E OVINOS EM IPIRÁ ?"


Aí o prefeito Dió mudou de cor, era justamente o assunto que ele não queria tratar por hipótese alguma, pois é o seu calo, e ele pensava que só ele, exclusivamente ele, o prefeito, sabe da verdadeira e profunda verdade desse matadouro, gaguejou, tossiu, mas disse:


- É, mas, é, bem, como eu disse, não, desculpe;converse com Luiz do DEMO, que ele sabe, mas, como é mesmo ? Como eu ia dizendo, a Prefeitura rescindiu o contrato com a empresa e contratou uma consultoria especializada para apoiar os projetos. A documentação foi entregue à Caixa Econômica para análise e aprovação, infelizmente, os engenheiros da Caixa entraram em greve, e a Prefeitura aguarda que a greve acabe e seja autorizada a nova licitação, aí ... só o SENHOR sabe.


Aí, ouviu-se a VOZ:


"EU ! POR QUE EU ? CUIDADO, PREFEITO DIÓ ! ESSE LUIZ JÁ TEM DONO, NÃO TEM SALVAÇÃO PELO QUE FEZ NA PREFEITURA, MAS EU JÁ ESTOU DE OLHO NA SUA LÍNGUA. PREFEITO DIÓ, SUA BOA OBRA AQUI NA TERRA SERÁ A CONSTRUÇÃO DESSE MATADOURO, SEM ELE, ESQUEÇA O CÉU".


SUSPENSE: e agora ? o que será que vai acontecer ? Carne de carneiro ! o matadouro ! você acredita nele ? Só falta apelar prá quem ? Será que Deus conseguiu mudar a cabeça do prefeito ? Ou será que o prefeito vai ter que encontrar o diabo para dar conta desse matadouro.


Leia o capítulo 20 – maio 2009 - logo abaixo.


OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.