domingo, 31 de janeiro de 2010

PODER DE FOGO


PODER DE FOGO.

Em Ipirá, quem tem garrancho para colocar na fogueira ? Tai uma coisa difícil de responder, mas podemos fazer uma suposição e quiçá chegaremos bem próximo de alguma coisa.

Hoje, em Ipirá, quem tem mais prestígio e força junto ao governo do Estado é o prefeito Diomário, afinal de contas, ele é o chefe do Poder Executivo do município. Isso é um fato inequívoco e indubitável, sendo que, o prefeito Diomário é suficientemente sagaz para perceber que tem que mostrar serviço, em boas palavras, tem que mostrar votos.

Quem melhor expressa o resultado eleitoral nestas eleições mais amplas é a votação proporcional (deputado federal e estadual) e o prefeito Diomário sabe disso, precisa desses votos e tem que mostrar poder de fogo.

O prefeito Diomário em seus acordos pessoais com o governo do Estado ( até mesmo sem ouvir os macacos) se acha no direito de apresentar a candidatura à deputado federal, por ser o prefeito e, para o pleito de outubro, o nome (Afonso Florence, é bem cogitado) que lhe foi indicado para fisgar uma boa fatia da macacada e o PT de Ipirá acompanha-o. Até aí, tudo mais ou menos acomodado, se não fosse um porém, a liderança dos macacos, Antônio Colonnezi está disposto a trazer um outro candidato a deputado federal para ser apresentado à macacada utilizando-se da justificativa de que o líder tem autoridade e autonomia para tal, desde quando, o prefeito não o consultou sobre o nome que trouxe.

Vale as indagações: por que o PT de Ipirá tem liberdade para apresentar um deputado estadual próprio e diferente do apoiado pelo prefeito e o chefe da macacada é obrigado a engolir o nome do candidato do prefeito ? Que unidade é esta ? Só porque o PT é um partido e a liderança não é nada ?

Nesse estágio das coisas, o prefeito Diomário perde o juízo ao comentar: “essa macacada além de burra é inconseqüente”. É verdade. Na hora de mostrar poder de fogo junto ao governador, a macacada pisa na bola. Se o deputado a ser apresentado (não sei quem será) pelo chefe Antônio Colonnezi não for da base de Wagner, isso respingará negativamente na liderança e fortalecerá o prefeito, que será mais fiel, mas se for da base governista, aí o pau vai comer e o prefeito vai ter que superá-lo para não ficar inferiorizado. Nesse caso o prefeito Diomário já lançou a sua mensagem preferida e que dá mostra de quem ele é: “nessas eleições quero ver quem está comigo ou contra a minha pessoa”.

Outro prestigiado pelo governo do Estado é o deputado Jurandy Oliveira, mas somente pelo fato de ser deputado estadual, e muito embora com a pulga atrás da orelha, pelo menos até quando Wagner for governador e Jurandy deputado, uma mão lava a outra. A disputa no campo da macacada será em fogo alto. O líder da macacada apóia Jurandy Oliveira. O prefeito apoiará quem ? Acredito que as duas candidaturas: Jurandy Oliveira e Neusa Cadore. Levará vantagens quem tiver o apoio de vereadores e cabos-eleitorais.

Neusa Cadore, em Ipirá, deu preferência à macacada, praticamente vomitou os votos dos jacus; perdeu o apoio de alguns militantes ipiraenses; o diretório do PT local sempre distancia-se dela; até o momento não tem apresentado nada de peso e concreto para Ipirá (uma faculdade por exemplo); isso tudo poderá ter um peso negativo, além do mais terá que buscar apoio de vereador e cabo-eleitoral, aí é muito diferente de militante. Por tudo isso, fica uma incógnita: será que vai repetir a votação passada ?

A jacuzada está cozinhando em fogo brando. Não sabe se vai ou se fica. Está perdendo vereador e cabo-eleitoral. O grupo jacu foi desprezado pelo governador Wagner, quando da definição: “jacu é prá perder”. Apóia uma candidatura a governador (Geddel) que não decola. Nega-se a apoiar o até pouco tempo endeusado (por eles) ACM Neto e vão ter que aprender a ensaiar o apoio e embarcar na candidatura falida de Paulo Souto. Uma lástima. Um grande dilema.

Essa crise vivida pelo grupo da jacuzada não é de pouco tempo. Ela começou com o “ELO PERDIDO”, que foi aquele fato, na década de 1970, em que Delorme Martins deu os braços à ditadura militar, caindo no colo de “ACM teu amor”, dizendo ele, que era para o bem de Ipirá. Naquele momento Delorme Martins perdeu o trem da história, perdeu o senso da resistência e capitulou politicamente. O resultado é essa calamitosa despolitização da população ipiraense. E o grupo jacu tornou-se um arremedo de grupo, sem princípios, sem consciência política, sem formação ideológica, onde tudo flutua em torno do oportunismo e da bajulação ao governante de plantão. Depois de muito tempo provando a doçura do poder, agora é hora de provar o doce sabor do veneno que é fazer oposição de direita. Ninguém morre por isso.

O PT de Ipirá está no tubo de ensaio. Não quer apoiar Neusa Cadore e muito menos Jurandy Oliveira, mas quer o apoio do deputado em 2012, na de prefeito. O PT de Ipirá só sabe rezar: “que venha a nós, ao vosso reino nada”.

Os componentes do PSB só vão apoiar o deputado federal do partido; o estadual será Jurandy Oliveira. A despolitização de Ipirá chega a esse ponto. Uma sigla de resistência e luta pelo socialismo, como o PSB, é transformada numa sigla de aluguel e de conveniências localistas.

O PCdoB de Ipirá mantém a defesa dos seus combativos parlamentares e em especial de Daniel Almeida para deputado federal, Javier Alfaia para estadual e Haroldo Lima para o senado e continua o firme propósito de caminhar em prol do desenvolvimento nacional e do progresso social, tendo no socialismo um caminho necessário e viável.

sábado, 23 de janeiro de 2010

O GRANDE ENCONTRO.

O GRANDE ENCONTRO.

A administração Wagner é diferente da administração do carlismo, embora as duas tenham em comum a fome de votos.

Quando ACM estava no poder do estado, no que diz respeito a Ipirá, “tava tudo dominado”. Ele colocou debaixo das asas, o jacu e o macaco, e mantinha os dois no mesmo balaio, através de migalhas e do porrete: teve pisão no pé; tribunal de contas abrindo e fechando gaveta; era ameaça atrás de ameaça; e o jacu e o macaco sofrendo as maiores humilhações, mas com os rabinhos entre as pernas e pegando o sobejo do banquete dos políticos que estavam no poder na Bahia. Quando ACM estava vivo, eles estavam no bajulismo. ACM foi derrotado nas urnas e logo após faleceu, aí o bajulismo perdeu o sentido. Eles pularam de galho.

Enquanto ACM botava as mãos nos dois, jacu e macaco; Wagner mostrou sua preferência pelo macaco com sua célebre frase: “macaco é prá ganhar e jacu é prá perder”.

De vez em quando, saía uma caravana de Ipirá com o cacique político local e seus comandados para o encontro com o governador carlista que estava de plantão e na governadoria afirmavam que Ipirá precisava de água e luz, o governador atendia e em 1982, o grupo carlista teve em Ipirá 90% dos votos do município.

No grande encontro, a macacada ainda pensa que os velhos hábitos do antigo governo prevalecem no governo Wagner e que basta botar na mesa as reivindicações que elas acontecem, não sacaram ainda que a questão regional (território) diluiu as iniciativas municipais, e sendo assim, eu soube, por boca de macaco, que “ eles pediram 3 leitos de UTI e mais 20 leitos para o Hospital de Ipirá e que o governador já mandou um preposto para fazer os estudos e que já está sendo atendido”.

Bendita seja esta macacada, que já tem um motivo para dar um pinote para um outro galho se por acaso o governador não conseguir sua reeleição, caso ele consiga, como indicam as pesquisas, não é nada além da justa medida esperar mais quatro anos.

domingo, 17 de janeiro de 2010

ABCDL




Eu estava com a intenção de saltar 2010 e chegar o mais rápido possível a 2012, e com essa preocupação, ouvia o relato de uma professora, que me contava um caso sobre um menino que ao dizer o alfabeto, não conseguia entender que o E vinha depois do D e só dizia L. Então ela explicava com sinceridade:
- Depois do D é um E, e não L. Preste bem atenção, é assim: A, B, C, D, E. Entendeu ? Repita.
- A, B, C, D, L. – disse o menino.
- Seu burro! Não é L, é E.
Eu observava atentamente aquele relato e num estalo repentino busquei um exemplo para amenizar o fato e disse-lhe:
- Ele é igual à população de Ipirá.
- Como assim ? – perguntou a professora com um ar de perplexidade.

Iniciei uma explicação meio vaga na tentativa de justificar o que em minha mente ainda era uma idéia vaga:
- Em Ipirá, quando falta muito tempo para as eleições de prefeito, o alfabeto todo, de A a Z, é candidato à prefeitura, mas quando chega na reta final, na hora de oficializar as candidaturas, só ficam A, B, C, D, L e mais ninguém tem chance.

A professora nada entendeu e eu fiquei na obrigação de detalhar mais ainda aquele pensamento que, naquele instante, eu não sabia nem por onde começar, mas tinha que ir em frente, não podia retroagir, fui dizendo:
- Observe bem professora! No frigir dos ovos, as candidaturas à Prefeitura de Ipirá ficarão estabelecidas nesse minúsculo círculo A, B, C, D, L. Vou esclarecer melhor: A de Antônio, B de Brandão (Maurício), C de Carlos (Luiz), D de Dudy, e L de Lady.

A professora arregalou os olhos e eu fiquei entusiasmado com minha suposta tese e continuei:
- Tem duas letras, um A e um L que são cartas fora do baralho: L de Lady e A de Ademildo. L de Lady porque D de Diomário não tem pedrigee político para impor seu nome e A de Ademildo porque é debutante na macacada e uma vice ta de bom tamanho para o PT, aliás, seria uma boa disputa para a vaga de vice.

Neste ponto, sentindo que havia necessidade de uma explicação mais detalhada, prossegui com meu ponto de vista:
- O PT de Ipirá quando fazia aliança no campo da esquerda, apresentava-se como força majoritária e sempre defendia como princípio a tese da escolha do candidato a prefeito ser feita por votação, mas quase sempre não era necessário. Agora, que o PT de Ipirá é uma tendência minoritária da macacada, essa tese de escolha democrática não tem nenhuma serventia. Vai ter que se afinar com o velho “método” de escolha das candidaturas à prefeito das oligarquias ipiraenses: “acordos de bastidores”. Porque na escolha por votação, o PT de Ipirá é infinitamente pequeno e cairá no pau.

A professora estava atenta e curiosa, espremia-se na cadeira, mas escutava o meu ponto de vista, o que me deixava mais a vontade para prosseguir:
- O PT de Ipirá só tem A de Ademildo em condições de ser um candidato a prefeito da macacada lá na frente, mas para isso acontecer, vai ter que comer muita farinha e fazer buraco na sola do sapato. Primeiro, vai ter que fazer muita ginástica nos bastidores da macacada para ganhar confiança. Essa é uma trajetória na qual o pretendente tem que vender a alma ao diabo e render-se aos interesses escusos até o gogó.

A professora não batia os olhos. Percebi que estava agradando e ia adiante:
- O PT de Ipirá para ter candidato a prefeito de Ipirá pela macacada vai ter que rasgar a ética e jogar o jogo dos caras, por isso, os princípios terão que ir para a lata de lixo. O poder municipal de jacu e macaco fundamenta-se na negociata. Vai ter que fazer acertos, nem que seja da boca pra fora, com oligarcas, vereadores, empreiteiros, comerciantes, profissionais liberais, picaretas, aproveitadores, oportunistas, trampolineiros, para ganhar confiança do grupo macaco, e este, vestir a camisa e partir pra cima.

A professora fez cara de pouco entendimento, e eu dizia:
- Nessa trajetória de candidatura à Prefeitura de Ipirá, o apoio externo do governador Jaques Wagner (se eleito), nos bastidores, terá força, mas não será o suficiente para impor um nome à macacada. Os interesses são muitos e diversificados. É internamente que se puxa o freio de mão e se arrumam as diferenças. Nos bastidores, o pretendente do PT terá que buscar, bajular, implorar e humilhar-se ao apoio incondicional do prefeito Diomário, que, decididamente, não terá a mesma força, habilidade e esperteza que teve nos dois pleitos passados. Terá que ter o consentimento do cacique da macacada, Antônio Colonnezi, assim sendo, terá que ser uma conversa “mui amiga”, o que para quem era até pouco tempo um áspero adversário, terá que haver muitos dedos apertando o nariz de ambos os lados. Muito pouco adiantará as pressões que trazem à evidência o freio de arrumação, do tipo: “se eu não for escolhido, vou apoiar o jacu” ou até mesmo “eu garantí a vitória da macacada, agora é minha vez” ou, quem sabe, “o PT é quem tem competência para administrar Ipirá”, porque nesta altura do campeonato, em Ipirá, nada disso importa; a maneira de administrar, transparência, ética e boas intenções fazem parte de um surrado amontoado que jogaram na lata de lixo.

A professora olhou-me de forma incisiva, sua face estava inflexível, e disse-me:
- Seu jumento ! Antes de 2012, teremos 2010 e 2011, além do mais, o candidato a prefeito de Ipirá para 2012 será Zé.

sábado, 9 de janeiro de 2010

CLÍNICA SANTA HELENA RECEBEU R$ 456.679,07


A Clínica Santa Helena recebeu R$ 456.679,04.

O Informativo Oficial da Prefeitura Municipal de Ipirá trouxe, na página 04, o valor recebido pela Clínica Santa Helena, no período de fevereiro a novembro de 2009. Um total de R$ 456.679,07 na condição de prestadora do SUS/Ipirá

A novidade está justamente na exposição destes valores, pela prefeitura, à opinião pública. Ontem era segredo; hoje é abertamente escancarado. Qual será o verdadeiro motivo deste acontecimento ? Não disseram, por isso qualquer cidadão tem o direito de perguntar ou mesmo tentar descobri-lo. Vamos nessa:

Primeiro - Será que foi fraude ? Se o recebimento foi de forma fraudulenta, com desvio do dinheiro público, com atendimentos fantasmas ou malversação do dinheiro público, nada mais justo e haveria motivos de sobra para que a opinião pública tomasse conhecimento do fato, com os seus devidos valores; mas, se os serviços foram prestados dentro da honradez, da normalidade contratual e da ética, não haveria porque expô-lo, pois seria um rigor extremado, desde quando não se aplica e não se publica, nem de longe, os nomes e os números referentes à compra de remédios e aos ganhos dos profissionais da medicina, pois, o corporativismo não permite ou não é necessário, mas, em Ipirá, na politicagem do jacu e do macaco, é factível que nestes contratos sempre ocorreram grandes arrumações de projetos pessoais e conchavos de natureza político-eleitoral.

Segundo - Será que foi para informar ? Na verdade, para expor a lista das clínicas, o governo Diomário teria que anunciar a lista dos vendedores de remédios e dos médicos que mais recebem do Sistema de Saúde em Ipirá. Isso seria a transparência ou não ?

Terceiro - Se o sentido é dar transparência ao governo Diomário, seria também necessário a publicação da relação dos maiores fornecedores da prefeitura em outros setores, como o comércio e serviços. Qual a empreiteira que mais recebeu ? Qual foi o fornecedor de material de construção, material esportivo, de papelaria, de informática, etc, que mais recebeu dos cofres públicos no seu devido ramo ? Talvez assim, soubéssemos e ficaria mais do que evidente o jogo de interesse que empurra a quase totalidade dos comerciantes de Ipirá na linha de fogo das campanhas da politicagem local, do jacu e do macaco.

Quarto - Se é para denunciar, por que a comunidade ipiraense não tem que saber o valor verdadeiro embolsado pela empresa que começou a construção do Matadouro de Ipirá, escolhida ou licitada pela administração do prefeito Diomário, e depois caiu na lapa do mundo, deixando o bagulho pela metade, e agora, outra firma começou tudo de novo ? Qual foi o total do rombo ? Quanto a firma caloteira levou do município ?

Quinto - A grande surpresa fica por conta da Clínica Santo Antônio, que não recebeu uma só merreca no referido período. Observe bem. Justamente a clínica dos correligionários do prefeito Diomário não recebeu um vintém. Nadica de nada. E não houve a menor zoeira nesta cidade. Nem mesmo depois que a Clínica Santo Antonio virou Maternidade Municipal não recebeu nada ? É verdade, não prestou serviços, a maternidade está fechada. Este fato tornou-se verdadeiramente uma grande surpresa, devido ao fato de que o poder municipal (tanto jacu, como macaco) sempre foi e é canalizado para contemplar economicamente as suas elites, sejam elas, jacus ou macacas, cada qual na sua vez e no seu tempo.

Sexto - Será que é para jogar barro na parede e mostrar que o governo Diomário é tão bonzinho e não tem retaliação com ninguém, que até os adversários políticos (jacus) são os mais beneficiados em sua administração, pois são os que mais recebem no seu governo e esse é o “Ipirá de todos nós” ? Aí, tenha paciência. É fazer a população de boba. Quero perguntar o seguinte: aquela presepada da campanha do jacu e do macaco era só fanfarrice para enganar o povo ?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

MENGÃO CAMPEÃO.


MENGÃO CAMPEÃO

Estou voltando a postar em meu blog e queria fazê-lo em grande estilo. Pelo menos é o que pretendo. Poderia colocar um artigo sobre a política local, contemplando, principalmente, aqueles que só pensam, ansiosamente, em 2012, querendo ultrapassar a todo galope 2010; poderia focar a quadrilha de intocáveis que opera em Brasília, com dinheiro pegando picula nos bolsos, cuecas e meias, só para o grandioso ato solidário de distribuir Panetone aos necessitados; ou até mesmo, sobre a grandiosa, esperada e ressuscitada obra do matadouro de Ipirá; mas sem preâmbulos, prefiro uma notícia surrada, de duas semanas passadas, velha como ela só, superada e demasiadamente sem interesse: “MENGÃO CAMPEÃO”.

Vou começar pela cervejada, ou melhor, pelo ritual propagandístico da cerveja patrocinadora da Copa do Mundo, que coloca em cena um exército de homens que se apresentam em desafio, numa carga emotiva voluntariosamente exacerbada e inflamada. As armaduras de ferro fecham-se. O exército de armaduras está a posto para o que der e vier.

“2010 tá chegando”, “é o ano da copa”, continua “Que a seleção fosse prá copa, como se vai prá uma batalha”, vai adiante “Jogadores que lutem em campo como a gente luta na vida”, tem mais “Uma derrota pode ser humilhante, decepcionante, inaceitável”, complementa, “Perder nunca”, e afirma “Se perder uma partida, eu quero a volta por cima”, e “Uma derrota pode derrubar uma lágrima, mas não quero isso”, “Quero jogadores que lutem em campo”, e com um grito “Quero guerreiros” e “Vamos pra guerra juntos”, e fecha “Somos 190 milhões de guerreiros”. Tudo isso, é um incentivo à violência e ao orgulho. Tem que ser guerreiro, hexa e vencedor. “Tenho orgulho de defender essa causa” é a última citação.

O inimigo exército bárbaro aparece; as fisionomias são grotescas e demonstram marcas impiedosas de ódio e violência nas faces; a raiva é um pressuposto transparente. A marcha traz em si um convite ao combate: “É uma batalha para guerreiros”. Um simples jogo de futebol é transformado em guerra. O clima criado é favorável ao desafio, ao embate. A esportividade transcende para a batalha, guerra, ferocidade e barbárie. A intencionalidade é plantar o nacionalismo exacerbado, a agressividade, o orgulho, o chauvinismo chulo e a competição crua. O clima criado, ou mesmo a realidade, é favorável ao desafio e ao embate. A emoção excede canalizando a força bruta. Afloram os instintos mais primitivos. É um puro apelo ao sentimento e ao emocional. Vislumbrar e plantar sistematicamente uma mensagem subreptícia com uma ideologia de “vencer ou vencer” e a idéia de que “sou brasileiro, sou guerreiro” e não querer uma atitude correspondente é chover no molhado e aí vai ter.

Produzem um ambiente em que o campo de futebol vira campo de batalha, e uma simples partida de futebol vira um chamamento para uma guerra, ganhando uma dimensão que ultrapassa a realidade.A música tem tonalidade grave e compassada. O gestos são marcantes e fortes, com vibrações agressivas e violentas. A voz manifesta tensão. A imagem é forte, puxando pela emoção. A caricatura dos adversários é pontilhada como um exército bárbaro e violento. Impera o campo de batalha em lugar do campo de futebol.

Quando se cria uma expectativa muito além da realidade da vida e uma simples partida de futebol vira uma decisiva batalha numa sociedade que sucesso é sinônimo de vencedor, os perdedores não suportam uma derrota de maneira esportiva, “é uma derrota na vida” e os guerreiros não podem se submeterem à derrota, muito menos aceitarem uma derrota, “têm que dar a volta por cima”.

O Fluminense atrasou 20 minutos com a intenção de, é bom que se diga, se o jogo do Botafogo com o Palmeiras continuasse empatado, fazer um “jogo de compadres”, um “anti-jogo” com o Coritiba , o empate entre os dois serviria para ambos, seria aquele joguinho “segura a onda compadre, esse empate deixa nós dois na primeirona, prá que correria”. Nem tudo acontece como se quer, o Botafogo fez o segundo gol e o jogo do Couto Pereira virou um inferno. O caldeirão do diabo estava para estourar. O tempo passava e os jogadores do Fluminense prendiam a bola, caíam, faziam cera. Os guerreiros do Curitiba forçavam, jogavam seus derradeiros esforços, só a vitória interessava, não deu, não foi possível, restavam os guerreiros das arquibancadas que estavam dopados emocionalmente pelas circunstâncias, e como se sabe, guerreiro não aceita a derrota e partiu para “dar a volta por cima”.

Em 1950, o Maracanã, com mais de 100 mil pessoas, calou, chorou, frustrou-se e suportou a derrota. Não tenho notícias de quebra-quebra. Em 2014, quando um simples jogo de futebol, não for mais um simples jogo de futebol, e sim, uma batalha, por propaganda e outros meios, eu posso dizer, mesmo não tendo bola de cristal, que uma derrota será insuportável e aí a gringolhada terá que segurar o fiofó, porque o pescoço estará por um fio. Com tudo isso:”O MENGÃO É CAMPEÃO”.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O BERRO DO CARNEIRO


Aqui está o melhor produto da zona rural de Ipirá.



Este é o tratamento que recebe o melhor produto da zona rural de Ipirá.


É assim que o poder público recepciona o melhor produto de Ipirá.

sábado, 18 de julho de 2009

É DE ROSCA.


Estilo: ficção.

Natureza: novelinha.

Capítulo: 22. (mês de julho 2009 )

Cena de rua.

As ex-empregadas Tonha e Natalina estavam abraçadas. A população de Ipirá estava apaziguada e procurava discutir idéias, propostas e soluções para o município, na perspectiva da melhoria da vida de toda a coletividade e não de uma minoria.

Quando menos esperava-se, surge uma figura estranha dando saltos em cima dos telhados das casas da rua. O primeiro sujeito a observar não perdeu a oportunidade de ser o pioneiro no palpite:

- Olha ! lá em cima da casa ! não é macaco, nem jacu. Que desgraça é aquilo ?

O bicho deu um peido e uma cambalhota caindo no meio da rua, bem no centro da multidão; dava gargalhadas e soltava bufa que formava uma nuvem amarela com um fedor azucrinado de enxofre. Ficava pulando enquanto falava:

- Há ! há ! há! Que tristeza é essa ? Por que esse povo está tão triste ? Cadê a alegria dessa gente ipiraense ? Onde está a paixão de vocês ? Vocês vão ter que viver só na emoção. Vocês não podem viver como gente, pensando como gente, agindo como gente. Vocês são jacus e macacos e nada mais do que isso. Ser jacu e macaco é ter alegria; é aproveitar a vida, mesmo para aqueles que vivem na pobreza. Chega de tristeza minha gente. Viva a raiva; tenham ódio; tenham inveja; torça pela desgraça do seu semelhante; faça tudo para que o outro se lasque. Um pobre só sobe na vida se pisar no pescoço de outro pobre; um pobre arrombado tem que lamber o saco do rico. Há ! há ! há!.

Natalina tacou um tapaço na cara de Tonha, que revidou na hora. As pessoas tomaram partido e a fuzarca estava formada novamente. O bicho dava gaitada e festejava:

- Há ! há ! há ! É isso aí. Fure os olhos dessa que tá aí na frente; bate; esmurra; aplica uma voadora; é isso aí, mete o dedo no furico dela, não, aí não ! mais embaixo, no furico, sim, aí, agora lasca; joga no chão; chuta o saco; dá dentada, besta; pau neles jacuzada; empurra no buraco deles macacada; enfia jacuzada; atocha macacada; arrocha; incarca. Há ! há!.

O bicho tinha meio metro, dava um pulo e ficava com dois metros e meio; sentava e o rabo crescia; dava uma risada e ficava suruco; ficava de quatro, andava com um pé só, pulava com dois; tinha pelo, mas também aparecia lanzudo; modificava-se a todo instante, transmutava-se a todo momento. Deu um peido e pulou para dentro da residência.

Cena dentro da residência.

Com esse pulo o bicho caiu dentro do quarto do prefeito Dió, que dormia, mas acordou com o tombo e sentiu um cheiro horroroso de enxofre. Esperto, o prefeito Dió só abriu um olho, para enxergar melhor o que estava acontecendo; quando viu o bicho pensou: "Que bicho esquisito é esse ? Nem no meu quarto tenho mais sossego, isso aí só pode ser um macaco fantasiado querendo emprego ou um saco de cimento".

O bicho deu uma bufa que deixou o prefeito Dió atordoado e tonto, mas mesmo assim, ainda conseguiu sentar na cama com os dedos tapando o nariz e disse com a voz fanhosa:

- Você vem para o meu quarto e ainda solta uma fedentina de ovo podre com cebola bem na minha cara. Peça logo uma cesta básica que eu dou a ordem.


- Há ! há ! há ! Veja bem como você fala comigo, prefeito Dió. Eu sou Belzebú. Tire logo essa mão do nariz para sentir o meu perfume. Fique sabendo que não gosto de ser destratado. Não quero e não preciso de sua esmola; eu sou rico, tenho panelas de ouro; eu sou um rei, o rei das trevas; eu sou poderoso, eu tenho poder; quem faz pacto comigo é sempre poderoso, tá ligado. Há ! há ! há !.

Ao ouvir a palavra poder, os olhos do prefeito Dió faiscaram e soltaram um brilho luminoso, sendo que, ele fitou nos olhos do bicho e percebeu um olhar vermelho-brasa, aí perguntou:

- Belzebú ! Você tem alguma firma para prestar serviço na prefeitura ?


- Me trate com seriedade, prefeito Dió. Não me chame de você. Eu sou Pé Redondo, o bom da bocada, e vim aqui na sua casa, justamente no capítulo 22 da novelinha. Eu sou o 22 das parada e diga aí para eu empurrá.

- Lá ele, seu Pé Redondo, sem essa. O 22 que empurra aqui sou eu, os outros, o resto, só faz receber. Tá querendo me tirar como otário, seu Pé Redondo, sem essa.


- Eu exijo respeito, prefeito Dió. Eu sou o Rabudo, e agora quem manda nesse pedaço sou eu e você vai me obedecer. Preste bem atenção. Vai aparecer um louro (papagaio), aí arranque as penas dele prá o sujeito ficar despenado; quando a personagem da novela da Globo aparecer, não queira nada com ela, mande ela fazer novela mexicana no SBT; corte o pé de Oliveira (deputado), arranque os galhos e toque fogo; não dê bobeira, meu candidato a deputado é você, prefeito Dió; você é o melhor candidato a deputado desta terra. Há ! Há.


- Eu também acho, Dr. Rabudo, mas tem dois porém: essa crise financeira mundial deixou a prefeitura limpa e aí, o Dr. Rabudo vai ter que dar uma contribuição significante, quanto a isso eu estou tranquilo, mas o problema é quem vou deixar no meu lugar; o homem é mão aberta, dá tudo o que a prefeitura tem.


- Há ! há ! há ! Me trate direito, prefeito Dió. Eu sou Satanás, o bom conselheiro, e já disse, pegue o seu vice Didude e bote no seu gabinete, depois, bote tudo de errado prá cima dele e lasque um pontapé no traseiro dele. Há ! há ! há !.


- Mas que violência é essa, Mister Satanás ? Para que isso ? Eu sou partidário e dou preferência ao método frio, calculado e civilizado. Eu vou botá-lo no meu gabinete, ele vai pensar que está com a bola toda, depois eu invento uma reforma no gabinete, digo a ele que vou ter que trocar os móveis e fazer a pintura, aí com o cheiro da tinta ele cai fora. Gostou mister Satanás ?

O bicho coçou a cabeça e sentiu que em matéria de sagacidade ele estava diante de um mestre, como já estava perdendo terreno, soltou um traque-de-massa, tipo bufa-de- véio, e foi dizendo:

- Me arrespeite, prefeito Dió. Eu sou é o Capeta e estou aqui para orientar a sua pessoa nessa questão de administração e eu quero dizer que em sua gestão está acontecendo uma grande besteira, que é esse negócio de fazer matadouro de bovino e ovino em Ipirá, não perca seu tempo com isso não, home. Mande esse povo matar bode e ovelha lá em Pintadas.


- Não é que Vossa Excelência Capeta tem razão. Se Pintadas tem, é mesmo que Ipirá ter. É isso mesmo Vossa Excelência Capeta, até que enfim vi alguém pensar como eu penso.


- Prefeito Dió ! prefeito Dió ! me trate direito ! eu sou o Cão, o mais lindo dos lindos. Vê se esse povo tá reclamando ao comprar a carne que vem de Feira ? Vê lá se os marchantes não estão vendendo a carne de lá ? E além do mais, eu tenho um pacto com uns coligados aí, que lucram com a carne de Feira e eles têm que ficar rico nas costas desses trouxas. Mande derrubar aquelas paredes daquele matadouro e bote esse dinheiro em festa, faça festa, reforme praça, faça cagador e deixe fechado no dia da festa de Santana, não abra por nada. Isso é que é administração.


- Taí, já comecei a gostar de você ! Até que enfim encontrei alguém que pensa igual
a mim. É isso mesmo, Meritíssimo Cão, vou seguir seus sábios conselhos.

O bicho botou um pé na cabeceira da cama, abriu o compasso e soltou um petardo com cheiro de enxofre, ovo goro e batata. O prefeito Dió já estava acostumando-se com aquela fedentina. O bicho foi dizendo:

- Prefeito Dió ! prefeito Dió ! veja lá como me trata. Eu sou o Rabujento, o rei que cavalga à noite, e eu pergunto: para que Ipirá quer matadouro ? Que use o de Feira, é mais lucrativo para a prefeitura de Ipirá que não terá despesa. Prefeito Dió ! deixe a economia de Ipirá se estrepar, você estando numa boa é o que importa. Abaixo o matadouro ! Nada de matadouro ! Quem gosta de matadouro é São Nunca. Há ! há ! há !.


- Taí um argumento que eu gostei de ouvir, meu nobre Rabujento. Gostei de sua opinião, mas eu penso um pouco diferente, observe bem, eu vou fazer de conta que estou fazendo o matadouro e o povo de Ipirá vai fazer de conta que está vendo eu fazer, no final, não me canso de fazer e o povo não se cansa de esperar.

O bicho botou a mão no queixo; soltou uma saraivada de peido, cheirando a fato acebolado e carniça de boi, sendo que, o prefeito Dió, nem tum, nem botou o dedinho para tapar o nariz. O bicho viu que aquele duelo de sabedoria pendia mais para o outro lado e procurou disfarçar mudando o alvo para uma outra conversa:

- Prefeito Dió ! quem vai se cansar de lhe avisar para me tratar melhor sou eu, pois eu sou o Lúcifer, o quebrador das balada, e agora eu quero conversar com esse seu amigo e correligionário, que está dormindo no sofá. Quem é ele ?


- É Luiz do DEMO, majestade Lúcifer.


- Prefeito Dió ! vê lá home o qui tu fala, porque eu sou o Demônio, o majestoso malígno, e não tô pra brincadeira, eu te boto numa vara de espeto se tu fizer esse matadouro de Ipirá. Que prazer falar com meu Luiiiiiiiiiz. Como você é falado no meu reduto. Lá, tem um sujeito da cabeça branca que só fala em você; eu não consigo lembrar o nome dele, também tenho pouco estudo, mas o que ele quer é ser o rei do meu pedaço, do jeito que vai, vamos ter que dividir o inferno.

Luiz do DEMO saltou do sofá, pegou uma cartilha que estava em cima da estante e disse para o bicho, que virou um jegue seboso, cinzento no dorso, com focinho de porco, orelha de cachorro, pelo de porco-espinho e rabo de vaca:

- Venha cá, vou ensinar a leitura para você. Esta vendo essa primeira letra do alfabeto, é o A, e a segunda é ? Não, seu burro, não é o C; e esse M de Maria, como se fala ? Não, seu idiota, seu jegue, nem eu dizendo você acerta. Você é tão ignorante que nem três letrinhas você sabe unir.

O bicho franziu a cara, começou a sair lágrimas dos seus olhinhos de ET. O prefeito Dió, olhou para aquela figura e pela primeira vez na novelinha, ele ficou com pena de alguma coisa, seja lá o que for, desta vez, ele ficou com uma pena danada do bicho e pensou: "No dia que eu deixar de ser macaco, eu quero ser esse bichinho bonitinho, pois nunca vi coisinha mais sabida".

SUSPENSE: e agora ? o que será que vai acontecer ? Carne de carneiro ! o matadouro ! você acredita nele ? Só falta apelar prá quem ?

Leia o capítulo 21 – junho 2009 - logo abaixo.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.