quarta-feira, 4 de agosto de 2010

HOMENAGEM (parte 4)


O menino Dodó recebeu a notícia de que não podia nem passar na porta do Coió de Anália, muito menos, entrar e muito menos ainda, fazer budegagem em seu interior. Foi considerado persona non grata, o que não deixou de ser um desmerecimento e uma injustiça, ainda mais, levando-se em conta o propósito que espalharam para o impedimento do menino Dodó na área. Disseram e espalharam que o menino Dodó comia e não pagava. O menino Dodó não deixava por menos e retrucava à altura:

- Eu tô lá mi incomodano com isso; eu tô acustumado andar no Maria da Vovó em Salvador, vou tá lá mi incomodano com a proibição de intrá nessa ispirigueta.

Na verdade, o menino Dodô não conhecia Salvador ainda, mas ouvia as estórias de Dadai de Genésio, o Internacional, e não perdia a oportunidade de reproduzi-las de forma apimentada e com sua vivência a tonalidade de veridicidade era requentada.

Sendo um exímio zabumbeiro não lhe faltaria oportunidade e o convite veio da boca do sanfoneiro Chiquinho do Acordeão:
- Escuta aqui, ó minino! Tô na pricisão de um zabumbeiro do queixo largo, qui num seja ismoricido; nem molenga nas baquetas; qui tenha ripuxo nas munheca e batida de sino de paróquia prá podê mim acompanhá nos minuetos do acordeão, se é qui vosmicê intende do riscado.

- Eu não só intendo, cuma no capricho da modinha eu dou é dez parmo de distança prá qorquer sanfoneiro pidir pinico – disse o menino Dodó, cheio de si.

- Deixa lá qui eu gostei do teu atrivimento, mas bigorna de cabeça virada não tem primazia; minino de colo, amarelo e remelento, não pode receber ventania na caixa dus peito e o cabra só é valente inquanto num vê uma lapada de viana por riba do lombo. Tô isperano vosmicê no Armazém Estrela do Norte prá gente butá prá ferver no amola viana.

O forró do Armazém Estrela do Norte, de propriedade de Gil Mamona, que ficava onde hoje está o estabelecimento comercial de Deco, na rua Nova, era concorrido e a sociedade ipiraense participava em peso daquele esfrega-bucho sem a menor cerimônia ou preconceito e a mistura social era um congraçamento, sendo que as mocinhas da sociedade caiam no esmero dos presentes por mais humildes que fossem e tudo nos conformes da maior respeitabilidade.

O salão do Armazém Estrela do Norte estava lotado. Os que dançavam esbarravam uns nos outros; o suor escorria; as faces estavam úmidas. Lá pelas tantas, por uma porta entrou Euclides Plácido, pela outra Jonguinha, ambos deram uma volta pelo salão em busca de um par para a dança. Aproximavam-se e saiam deslizando pelo salão, cada qual com sua escolhida. Os casais retraíam-se e iam para as laterais. O sanfoneiro Chiquinho do Acordeão olhou para o zabumbeiro Dodó e disse-lhe:

- É agora filhote de Caboré qui eu quero vê se vosmicê acompanha uma sanfona virada da disgraça.

- O qui vié daí prá mim é peido de veio, vou botá tudo na garrafa – disse o zabumbeiro.

- Intonce, sigura zabumbeiro qui o capeta num leva disaforo pru inferno.

Começou com Brasileirinho; passou para ... “sonhei que estava em Moscou, dançando um” ...”atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”... “corre, corre lambretinha”... “tava o sapo cururu, tava a rã e tava a jia, tava tudo preparado pra fazer a” ... “balançando a cabeleira, um olho só procurando por um”...

Só dois casais no salão, ambos em pleno ápice. Euclides Plácido virava um peão no giro, para logo transformar-se num eixo, que fazia com que a acompanhante girasse reta e cintilante em torno de si, para isso, sustentava-a pelos braços; descia, subia, girava, como carrapeta; era sublime no passo e no deslizamento. Todos ficavam perplexos.

Jonguinha tornava-se um gigante na passada ao suspender a parceira e ao jogá-la para o alto, criava um suspense e arrancava suspiros; seus braços era uma rede protetora e de alto perfeccionismo para o enlace. O seu desempenho era gracioso e solene. Os presentes ficavam boquiabertos e pasmos.

A outra batalha era cruenta. A sanfona deslizava em mãos ágeis. O som cavalgava no dorso de um velocíssimo alazão, que deixava o vento para trás e tinha a aparência de um raio.

O som da zabumba saia inigualável e na ligeireza cadenciada. Estava grudado no lombo de uma pantera negra, que se embrenhava no tempo e rasgava o espaço sem pena nem dó, deixando só o vulto como rastro.

Por ironia do destino, a dança ninguém sabe quem ganhou, mas na peleja do som, a última batida foi da zabumba, que se apresentou tão forte e tão penetrante, o suficiente para imitar o último esforço de um coração para não deixar a vida.

A música parou. A dança esgotou-se. O sanfoneiro Chiquinho do Acordeão faleceu em pleno ato de reverência à vida. Um segundo antes, conseguiu colocar a mão no ombro do zabumbeiro Dodó e disse-lhe sua última frase:

- Não pare a zabumba, que eu estou entrando no céu.

O zabumbeiro Dodó marcou o tom grave, forte, cadenciado e triste do velório e foi assim, até o momento em que foi jogado a última pá de terra sobre o caixão em que estava Chiquinho do Acordeão. Foi uma solene despedida da zabumba para aquela sanfona, que foi brilhante nas mãos de Chiquinho do Acordeão. Foi um grande encontro.

sábado, 24 de julho de 2010

É DE ROSCA


Estilo: ficção
Natureza: novelinha
Capítulo: 30 (mês de março 2010) – incrível, apresentação do novo capítulo da novelinha com, simplesmente, 4 meses de atraso.

O prefeito Dió não estava muito satisfeito com os últimos acontecimentos e resolveu realizar uma reunião democrática com seu grupo político de forma a podar as arestas que estavam deixando saliências visíveis, fato que estava desagradando ao prefeito.

Estavam presentes: o prefeito Dió, o líder Antônio e o médico Antônio. O PT de Ipirá ? Não. Nestas reuniões democráticas e de cúpula, o PT de Ipirá fica no quintal, a uma distância equivalente à sua influência nas decisões do grupo sobre o município, dá para imaginar o poder de mudança que ele tem.

O prefeito Dió argumentava com sua inigualável capacidade de entendimento, ao tempo que olhava nos olhos do médico Antônio:
- Mas, doutor Antônio como é que o senhor vai dizer que eu vou ficar com o rabo do gato na mão, justamente numa reunião em que eu apresentava a minha melhor obra: o Hospital de Ipirá, com 10 UTIS, uma obra de primeiro mundo, o melhor Hospital dessa região, e tudo isso, numa reunião emocionada e brilhante; sem ninguém esperar o senhor diz uma coisa daquela e empanou a minha grandiosa obra.

- Mas prefeito Dió ! eu disse a verdade. A prefeitura não tem como sustentar um hospital com UTIS, pois o custo é de 1 milhão de reais por mês, então, na verdade, uma reforma de 3 milhões é uma reforma meia-boca e na verdade esse hospital não vai funcionar. A não ser que seja entregue ao Estado – argumentou o médico Antônio.

- Eu sei disso, mas o Estado não quer de volta, o fato é que do jeito que o senhor argumentou criou um grande constrangimento na reunião e no nosso grupo. O senhor sabe que eu ganhei uma eleição difícil com duas reformas de praças e com essa reforma no hospital, o nosso grupo ia arrebentar nas eleições e o meu federal ia esmagar na votação – disse o prefeito Dio.

O líder Antônio, que observava aquela conversa, achou providencial a sua intromissão e foi incisivo na sua argumentação:
- Não é querendo ser o porreta, mas o prefeito Dió não pode esquecer da minha ajuda na sua vitória, agora, na minha condição de líder, eu tenho que apresentar os meus candidatos e não, simplesmente, apoiar os candidatos apresentados pelo prefeito.

O prefeito Dió viu o mundo rodar, ficou meio grogue, mas foi logo pegando a palavra e tentando justificar:
- Mas, é claro que quem tem os votos é você, que é o líder, agora, o que eu quero frisar é a respeito da necessidade da unidade do grupo e eu não meço esforços para manter essa unidade que passa pelo deputado federal, desde quando, para deputado estadual temos dois e quem tiver a unha maior que suba na parede.

- Eu só digo ao prefeito, que eu tenho que ter um candidato meu, apresentado por mim, que seja o meu respaldo no Estado – disse o líder Antônio.

- Mas, não seja por isso líder Antônio, vamos ao que interessa: a sua candidatura a prefeito para ser o meu substituto. Vamos ajeitar as contas para que você possa ser candidato a prefeito em 2010. Apresente uma candidatura ao Senado. Que tal Zé Ronaldinho ? Desde quando, Lídice não vai ter chances, então você apresenta o Zé e política tem dessas coisas, quem sabe, num acontecimento imprevisível, caso aconteça um atoleiro do Jaques, o Zé pode ser nosso ponta de lança para ajeitar as coisas lá adiante. Coruja é quem dorme no toco – argumentou o prefeito Dió.

- Tudo bem ! agora, deixa eu dar um palpite sobre o hospital. Na minha opinião o prefeito Dió tem que fazer um hospital para atender a jacu e a macaco, no mais, a gente continua mandando descer doente para Feira e Salvador. É isso que rende voto – disse o líder Antônio.

- Eu também concordo com isso, mas é que eu pedi cinco UTIs ao governo e o governo disse: que não me daria cinco de jeito nenhum, que eu nem pensasse nisso, mas que pelo meu prestígio eu teria era dez UTIs. Como recusar uma atitude que demonstra a minha liderança junto ao governo – disse o prefeito Dió.

- Mas, prefeito Dió, só um iludido acreditaria numa fantasia dessa. Esse Hospital de Ipirá com UTIs não vai funcionar nunca, será mais um elefante branco. Faça um hospital para jacu e macaco e outros bichos – falou o líder Antônio.

- Não é que você tem razão! Taí, vou reformar esse hospital para ele atender a gato, preá, canário do reino, cachorro e outros bichos necessitados que possa haver por aí. Líder Antônio diga outro bicho que também poderá ser atendido nesse Hospital de Ipirá ? – perguntou o prefeito Dió.

- Pensando, assim, rapidamente, só tem ovelha.

- Ah ! que desgraça, isso nunca. Eu já disse, enquanto eu for prefeito nessa terra, aqui não vai ter MATADOURO DE CARNEIRO e quem não gostar que vá se queixar lá no programa Conexão Chapada e que os conversadores, o locutor da rádio e o sujeito do blog, façam esse matadouro, já que reclamam tanto. No meu governo não vai ter Matadouro de Carneiro em Ipirá e muito menos hospital para cuidar de ovelha. Hospital é para cuidar de jacu e macaco e de nenhum outro bicho.

Suspense: e agora ? o que será que vai acontecer ? será que o prefeito Dió vai construir um novo elefante branco em Ipirá ? Não basta o matadouro e já vem um hospital de rosca. Êta, que agora vão ser dois bichos de rosca. Agora é que essa novelinha não acaba nunca. Êta sujeita de rosca, essa novelinha.

Leia o capitulo 29 (fevereiro 2010) logo abaixo.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

sábado, 17 de julho de 2010

TROCANDO GATO POR LEBRE.


A manipulação política de ACM era devastadora. Qualquer obra pública virava uma obra eleitoreira até na estampa e tinha que dar voto até sair sangue. Tudo era motivo para a cobrança de votos da comunidade: a solicitação da obra; a assinatura da ordem de serviço; a divulgação da dita cuja; o lançamento da primeira pedra; o levante de não sei o que; o dia da inauguração.

A chegada da água do Paraguaçu em Ipirá, em 1982, com inauguração uma semana antes da eleição foi um detono. O resultado foi massacrante: 24 mil votos a 500. Nesses conformes, a manobra de ACM era imbatível, era uma propaganda avassaladora que transformava um direito de cidadania em uma obrigação eleitoreira submissa de um povo.

O prefeito Diomário até que tenta trafegar por essas bandas, quando busca fazer uma arrumação de obras com apelo eleitoreiro para que deslanche em votação maciça e a sua obra mais decantada nos últimos dias é a obra do Hospital de Ipirá. “ Três milhões de reais em recursos aplicados na ampliação e reforma do Hospital de Ipirá. Praticamente será feito um novo hospital e está prevista a implantação de semi-UTI e UTIS. Será o maior hospital da região”.

Êta coisa boa ! até uma promessa de Hospital está servindo de trampolim em busca de voto e virou lebre. Já foi inaugurado; tem pouco tempo que foi reformado. E agora foi anunciada a obra da reforma do Hospital em reunião solene.

Ano eleitoral. Como não tem obra, vem o anúncio em reunião. A apresentação do Projeto no Plenário da Câmara de Vereadores, para comemorar a celebração do convênio com o Governo da Bahia para a ampliação do Hospital de Ipirá tem que repercutir; tem que render voto.

Ia tudo bem, o melodrama estava montado e articulado numa promessa de 3 milhões de reais para a reforma do Hospital de Ipirá. Tudo transcorria da melhor maneira possível, até o momento em que o líder dos macacos e médico Antônio Colonnezi jogou areia no ventilador ao questionar de forma alegórica e categórica o propósito daquela obra, quando disse que “o prefeito Diomário ganhou um gato de 10 kg e guando fosse levantá-lo pelo rabo ficaria com o rabo na mão, porque não teria condições de sustentar o restante do corpo”. Trocou a lebre por gato. Trocando em miúdos: do jeito que estavam anunciando a obra, a prefeitura não teria como sustentar o tal hospital, pois o custo ficaria em torno de 1 milhão de reais, então, não tem como funcionar. Pasmem ! deu chabu; na gíria, sujou.

Foi um “Deus nos acuda”. Esqueceram de avisar ao líder dos macacos qual era a intenção da reunião e ele, desavisado, deu com a língua nos dentes. Aí foi um desmantê-lo; jogaram a peteca prá lá, prá cá e o aperto continuava. Quando terminaria a obra ? 3 milhões dá para terminar a obra ? Essa obra é para funcionar ? O Hospital vai parar para a reforma ser feita ? Vai dar de volta ao Estado ? O Estado quer de volta ? Essa obra é de rosca ?

Conclusão: tudo indica que chegou mais uma obra que não vai terminar tão cedo, mas isto aí não é problema, o prefeito Diomário já está acostumado com esse tipo de obra, o Matadouro de Ipirá é um exemplo claro, já foi concluído, foi inaugurado, já acabou, foi reconstruído e nunca terminou, muito menos, funcionou. É de rosca. Festa mesmo só depois que funcionar.

domingo, 11 de julho de 2010

O barulho é monumental.


Realmente, o barulho feito nos estádios da Copa parece mais o zumbido de abelhas-africanas enfurecidas. Se isso te incomodou, pior do que isso é o barulho nos bastidores da politicagem de Ipirá.

Tudo é motivo de bota prá lá, estica, empurra e puxa prá cá. Para deputado estadual, o prefeito Diomário apoiará dois candidatos, justamente para aplicar aquela tática do esforço reduzido, quando, lavará as mãos e colocará protetor nos ouvidos, exatamente, devido ao barulho.

Uma pessoa, bem próxima ao prefeito, que apóia a deputada Neusa, não cansa de afirmar que o deputado Jurandy não terá mais de 3 mil votos em Ipirá; por sua vez, o assessor do deputado faz uma previsão de 8 mil votos em Ipirá para o deputado. Números à parte, o assessor do deputado foi barrado no baile, ou melhor no forró, ou melhor ainda no gabinete do prefeito.

O deputado pediu a cabeça da pessoa próxima ao prefeito. A deputada não deixou por menos, disse que esta é uma briga que ela compra junto ao prefeito. O barulho é infernal, mas conta pouco ou quase nada para o currículo eleitoral do prefeito, desde quando a ficha pesada que o prefeito deposita e aposta é a do candidato a deputado federal, para a qual ele já enquadrou todos os secretários municipais, restando apenas para fechar o cerco, o apoio fundamental, essencial e imprescindível do líder dos macacos, Antônio Colonnezi, para que o projeto político pessoal do prefeito seja substanciado e concretizado. Sem esse apoio o barco ficará à deriva.

Sendo a prioridade do prefeito a candidatura do deputado federal, não significa que ele despreze a candidatura de Wagner ao governo, muito pelo contrário, o prefeito Diomário é o principal responsável e condutor da campanha do governador no município de Ipirá e isto terá como resultado, o fato do prefeito de Ipirá ser considerado e reconfirmado como o principal líder de Ipirá junto ao governo Wagner, caso reeleito; caso Wagner derrotado, o prefeito Diomário procurará um outro galho mais robusto para se agarrar, pois para ficar bem entendido, o município de Ipirá não pode ficar sem o governo do Estado, venha de onde vier.

Com toda essa perspicácia quem será rebaixado, não para a segunda divisão, mas para a condição de cabo eleitoral localizado será o líder dos macacos, Antônio Colonnezi, justamente por não ter influência, articulação e trâmite nas hostes do poder estadual, justamente por não ter uma capacidade política afiada para projetar-se e viabilizar um salto para um patamar mais elevado à nível de Estado, coisa que não falta ao prefeito Diomário. A vida é assim: um sobe e o outro desce a depender da competência.

Não custa nada lembrar que o governador Wagner foi vitorioso em Ipirá nas eleições de 2006, sem o apoio de nenhum cacique local, é bom repetir, de nenhum líder local, inclusive, do prefeito Diomário, que deu apoio ao candidato Paulo Souto do Demo. Naquele pleito, Wagner teve o apoio do PT e PCdoB locais, por isso foi a vitória da vontade do povo e não de lideranças.

É verdade que a vida tem reviravoltas e a novidade nestas eleições no município de Ipirá é o fato de que o governador Wagner ter declarado e definido sua preferência pela macacada e estigmatizado e humilhado a jacuzada, mas mesmo assim, tudo indica que Wagner sairá vencedor no município de Ipirá devido ao apoio da máquina municipal, até mesmo porque, lembrando o governador Wagner: “Jacu é prá perder”.

O PCdoB é uma força vibrante que apoiará as candidaturas de Dilma, Wagner; para o Senado, Lídice e Pinheiro, e o PCdoB de Ipirá terá o mesmo propósito sem nenhum equívoco, mas não mediremos nossos esforços na luta em defesa das candidaturas do deputado federal Daniel Almeida e do deputado estadual Javier Alfaia, independente de qualquer situação ou resultado continuaremos na fronteira da luta por uma sociedade socialista.

domingo, 4 de julho de 2010

Depois do jogo, a prorrogação.


Era um simples jogo de futebol. A Copa do Mundo virou um comércio fenomenal. Envolve dinheiro, custos, lucros ou prejuízos. Existem interesses múltiplos por trás de tudo isso, primordialmente da FIFA, dos investidores, dos patrocinadores e o midiático, este, causa grande impacto e consuma a expectativa do marketing.

Primeiro tempo.
A publicidade em torno é compulsiva e impiedosa. A população é bombardeada por um ufanismo e um nacionalismo exacerbado. Uma disputa esportiva é impulsionada como se fosse uma luta pela soberania nacional. É impositiva a idéia da superioridade e a prerrogativa de “Melhor do Mundo” é sistemática e insistentemente colocada antes do jogo jogado. Luís Fabuloso é colocado como o protótipo de um grande e épico guerreiro na publicidade da cerveja, é enroscado pelas pernas por cipós, desvencilhou-se, chutou uma bola, que não era bola, era um meteoro e estufa as redes. Os frágeis adversários, acabrunhados, carcomidos, com os rabos entre as pernas. Tudo isso antes do jogo jogado. VAI ENCARAR, gritou Fabuloso. Sneijder, com seus arquétipos companheiros, encarou e seu rosto tomou todo o espaço do vídeo da televisão dos brasileiros. Talvez na Holanda, o Sneijder tenha dito o que Fabuloso disse aqui. VAI ENCARAR. Isso é publicidade, campo em que todos os gatos holandeses e brasileiros são pardos. A propaganda sumiu; os palhaços somos nós.

Difícil definir a melhor seleção antes do jogo jogado. Na mídia brasileira existe essa preocupação: é a MELHOR SELEÇÃO DO MUNDO; são os melhores jogadores do planeta; o melhor disso e o melhor daquilo. Parece que existe uma necessidade gritante de carregar no marketing da seleção brasileira na condição de Melhor do Mundo, antes da sétima jogatina. Esse ser “o melhor do mundo” é emblemático, Qualquer firula e vem à tona esse é “o melhor do mundo”. Não me parece uma necessidade vital, mas sim, publicitária. Tanto é verdade, que depois do jogo jogado, no apito do juiz, o pessoal da Globo não perdeu tempo: ISSO É APENAS UM JOGO DE FUTEBOL; não era.

Segundo Tempo.
Vai a Copa, vem as eleições. Os números projetam que poderá acontecer segundo tempo entre o time de Serra e o time de Lula, ou não, da Dilma. Na Bahia, o jogo não quer endurecer e parece que o time de Wagner tem um baba pela frente. Mas interessante mesmo é a torcida, que às vezes fica mais exótica que a da Copa. Eu fico imaginando a fantasia que Antônio Colonnezi vai usar para defender as candidaturas de Lídice da Mata e Pinheiro para o Senado, quando no outro time está o seu grande amigo, parceiro e correligionário José Ronaldo e, tudo isso, tem que ser antes do jogo jogado. Para o deputado Jurandy Oliveira não há dificuldade, vai beber a água batizada que os jogadores brasileiros beberam do massagista argentino e vida que segue.

Prorrogação.
Vai durar até 2012. A vitória do time de Wagner vai atirar na Segunda Divisão a jacuzada por mais quatro anos. A jacuzada tá num mato sem cachorro. Ficou com Geddel e colocou uma parte do time com Paulo Souto. É mesmo que compra um papagaio e levar uma coruja. Pela primeira vez no jogo ficou longe do poder estadual, hoje não indica nem inspetor de quarteirão e não consegue arranjar um emprego de gandula para algum necessitado. O prefeito Diomário trava e dá botinada na Clínica Santa Helena, que vai sair carregada na maca e ninguém sabe se voltará a jogar. Como é que um time de Segunda Divisão vai enfrentar o Poder Estadual e Municipal, dentro dos parâmetros estabelecidos pela politicagem local ? É aquela coisa, se tiver um milhão, o poder tem dois, se tiver dois, o poder gasta três. É o jogo. Se tiver treze mil votos, quatorze, o adversário com a poderosa máquina pública de fazer votos chegará a quinze.

E ficar em segundo não é derrota ? Vou dar uma sugestão: Dunga foi dispensado da seleção brasileira, que tal convidá-lo para ser o candidato a prefeito da jacuzada. Ele simplesmente vai dizer: “o que vale é ser campeão do mundo, o que vale é vencer, não adianta ter o que se tem, treze ou quatorze, e não chegar em primeiro, e ai todo esse trabalho de oito anos estará perdido”. Dunga é pragmático, só vai na boa, não aceitará. Sem o poder, parte do eleitorado da jacuzada migrará para quem tem o poder, é uma forma de adquirir uma pequena vantagem. É interessante como as pessoas acreditavam na vitória da seleção do Dunga, simplesmente acreditavam por acreditar, por ter fé. Quando a jacuzada crédula e desavisada parar para pensar, a prorrogação já estará demorando vinte anos. É uma bênção.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

É DE ROSCA

Estilo: ficção
Natureza: novelinha
Capítulo: 29 (mês de fevereiro 2010) – incrível, apresentação do novo capítulo da novelinha com, simplesmente, 5 meses de atraso.

Quando saiam do Centro de Abastecimento de Ipirá pelo portão que fica próximo ao Chiqueiro de Vendas de Animais de Ipirá, o assessor e o prefeito Dió, que estava mais aliviado, sua barriga não doía mais e, talvez, devido a esse fato botou olho gordo em dois caminhões carregados de milho verde, aproximou-se e deu logo vontade de comprar umas espigas e foi indagando:

- Não posso ver um produto da zona rural de Ipirá, dá logo uma vontade enorme de comprá-lo. Eu quero dez dúzias dessas espigas de milho. Quanto é ?

- Doutô ! em primeiro lugar esse milho não é de Ipirá, é de Juazeiro da Bahia e o doutô vai pagar cento e vinte reais – disse o vendedor.

- Cobre aqui.

Sem nenhuma necessidade o prefeito Dió começou a comentar os gastos com o São João de Ipirá, ao tempo que olhava para todos os lados:

- Nesse São João já gastei mais de seiscentos mil, não apareceu ninguém para mim ajudar. Solicitei quinhentos reais de um banco e o mesmo não deu um centavo. É duro ! Mas eu quero é tranquilidade para curtir meu São João numa boa, sem aperto, aborrecimento e sem preocupação.

Olhando para o lado do portão do Centro, o prefeito Dió observou umas gaiolas e uns passarinhos. Teve uma idéia fantástica e dirigiu-se naquela direção:

- Bom dia. Eu estou precisando de uns canários para fazer uma cantoria num magnífico palco que eu fiz, mas tem que ser daqueles amarelinhos, só serve daqueles, porque eles vão ter que sair na televisão pelo sucesso que vão fazer. Eu acho que eles são conhecidos como canários da terra.

- Doutô ! esse tipo de canário amarelo já acabou em Ipirá faz tempo. O doutô pode andar os quatro canto desse município e o doutô não vai dá de frente com esse tipo de canário amarelo, que cantava de estalo. Agora, eu sei onde é que tem esses canário amarelo e o nome verdadeiro deles não é canário da terra, é Canário do Reino. Mas, eu tenho uma sugestão prá dá ao doutô ! se o doutô quizer eu posso conseguir uns periquitos cantadô prá o doutô, e tem de tudo quanto é cor, o doutô é quem escolhe.

- Não. Só tenho interesse nos canários amarelinhos. Como é seu nome ?

- Eu me chamo Chico Boi.

- Esse seu nome não me agrada, mas de qualquer forma esse tal de Boi a gente já manda prá Feira, se fosse outro bicho menor, eu ia te mandar prá Pintadas. Me consiga esses canarinhos, pode ser da terra, do Reino ou da seleção brasileira, o importante é que esteja na mídia.

Chico Boi, malandro de Feira de Santana, mais esperto do que teiú que engole mosquito, pegou uma porção de pardal, pintou todos de amarelo e apresentou os canarinhos do reino no palco e a cantoria virou um forró virado da celebrina, agradando em cheio aos presentes. Sem ninguém esperar, começou uma chuva fina e os canarinhos do reino começaram a desbotar, apareceu um rebanho de pardal. Não deu outra, polícia e televisão.

O delegado constatou. Não é canário do reino, é canário peba, clonado, do Paraguai. Quem é o responsável ? Pegaram Chico Boi.

- Apresente seu documento, seu Chico Boi – disse o delegado.

Chico Boi tirou a identidade do bolso e apresentou-o ao delegado, que surpreso, falou em voz alta:

- Mas seu nome não é Chico Boi, na realidade você se chama Chico Ovelha.

Aí, o prefeito Dió deu um pinote e foi dizendo:

- Eu já estava imaginando que tinha esse troço de ovelha por trás de tudo isso. Esse bicho chamado ovelha é o calo da minha administração, mas eu vou dizer em bom tom EU NÃO VOU DEIXAR FUNCIONAR ESSE MATADOURO DE OVELHA E BOI EM IPIRÁ, e seu delegado, trate logo de prender esse Chico Ovelha lá em Pintadas e abata ele por lá. Aqui em Ipirá eu não quero saber de matadouro de ovelha e tudo isso aconteceu por causa desse Chico Ovelha, ele é o culpado de tudo.

Suspense: e agora ? o que será que vai acontecer ? agora que o prefeito Dió teve seu São João na mídia, será que esse matadouro de Ipirá vai sair ? êta bicho de rosca.

Leia o capitulo 28 (janeiro 2010) logo abaixo.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

domingo, 20 de junho de 2010

É DE ROSCA

Estilo: ficção
Natureza: novelinha
Capítulo: 28 (mês de janeiro 2010) – incrível, apresentação do novo capítulo da novelinha com, simplesmente, 5 meses de atraso.

No capítulo anterior da novelinha, o prefeito Dió estava na grande obra da sua administração, o Chiqueiro de Vendas de Animais de Ipirá, quando, de repente, sua barriga começou a doer, neste momento, olhou para seu assessor e disse:
- Não vou agüentar chegar em casa.
- Então, só tem o Centro de Abastecimento de Ipirá. É o local mais próximo – disse o assessor.

Pronto. Agora o prefeito Dió vai passar pela mesma situação que passa qualquer cidadão ipiraense quando sente uma dor de barriga estando no Centro de Abastecimento de Ipirá.

O prefeito Dió estava no maior aperto. Sua barriga contorcia-se de dor e ele trancava o bicho, endurecia as pernas para que nada escorregasse pelas calças. O assessor do prefeito Dió observava aquela situação e esclarecia:

- Meu prefeito Dió ! o senhor agora vai sentir o aperto que passa qualquer filho de Deus quando tem necessidade de defecar estando no Centro de Abastecimento de Ipirá. Aqui só temos duas opções: o cagador ou a jurema.

- Decida logo meu assessor, porque eu já não agüento mais – disse o prefeito Dió.

O assessor do prefeito Dió sabia que a situação era complicada, não queria tomar uma decisão e foi explicando com bastante calma:

- Segure a onda meu prefeito Dió, aperte o negócio aí e vamos ali no cagador para examinarmos a situação. Seu sujeito do blog descreva aí o cagador para termos uma noção do que é a coisa.

Cenário no. 1 – o cagador –
Descrição – logo na entrada dois dedo de mijo para ensopar qualquer sapato. O sujeito tem que entrar nas pontas dos pés; se estiver de sandália o risco de contaminação é imediato. Cada vaso tem 2 kg de merda e parece que recebeu um chapisco de bosta, pois está todo impregnado. O vaso não tem tampa e é recomendável, não sentar por hipótese alguma, o melhor é colocar os pés em cima do vaso e ficar de cócoras, não esquecendo antes, de fazer uma reza para que não aconteça nenhum acidente e tapar o nariz para suportar o mau cheiro. Faça tudo o mais rápido possível, não fique jogando pensamento fora. Na hora de limpar o dito cujo, leve um jornal, pois o rolo de papel higiênico poderá estar molhado ou contaminado por sei lá que tipo de bactéria. Não se avexe em limpar as mãos, quase sempre não tem água para a descarga, nem na pia, esse serviço você faz em casa tranquilamente e com sabonete. E ATENÇÃO Conselho Tutelar, a mistura de criança e adulto é grande no cagador do Centro de Abastecimento, desde quando não existe diferenciação para ambos.

Cenário no. 2 – a jurema.
Descrição – fica no pasto de Delorme, no centro de um círculo de bosta, existindo grande possibilidade de atoleiro. O apertado tem que entrar nas pontas dos pés como se estivesse calçando sapatilhas de balé. É merda colada em merda, ficando um espaço mínimo para os dedos dos pés ou a ponta do sapato, sendo que, qualquer vacilo o apertado pisa num tolosco. Tem que ficar agachado, com os braços apoiados nos joelhos e as pernas têm que manter a firmeza. Se amolecer, vai se melar. Se esquecer ou não tiver papel não haverá problema, em torno tem muita malva e cansanção, aí vai ter que conhecer as plantas, senão o cansanção vai fazer um estrago. O cheiro não é nada agradável e se o sol estiver quente a inhaca sobe com mais ardencia, embora sopre um ventinho suave.

O prefeito Dió não aprovou o cagador e dirigiu-se para a jurema. Passou por baixo do fio de arame farpado e com habilidade chegou ao lugar que estava com menos congestionamento de cocô e foi com rapidez que baixou as calças e soltou o que queria sair, foi um alívio, não pensou na prefeitura nem nas complicações políticas dos macacos e petistas, chegou a esquecer da vida. Pensou até, em não sair daquele lugar, quando observou que estava sendo observado, e realmente havia dois olhos arregalados direcionados à sua pessoa, espantado, ficou pensando: “o que é aquilo ? parece que são os dois olhos do lobo mau de Ivete Sangalo olhando prá mim. Lá ele é quem fica aqui”.

Só deu tempo para o prefeito Dió suspender as calças e disparar; quem carregava os dois olhos arregalados, cavou o chão e não perdeu tempo, disparou atrás do prefeito Dió, que do jeito que veio saltou a cerca do pasto de Delorme; quem carregava os dois olhos arregalados não alcançou o prefeito Dió por questão de um palmo. Depois de meia hora descansando o prefeito Dió conseguiu falar:

- Você viu, meu assessor ? O lobo mau de Ivete Sangalo começou a falar e só deu tempo de eu correr, quase o bicho me lasca.

- Não, meu prefeito Dió, eu não vi nada disso não. Quem estava correndo atrás do prefeito Dió para dar uma marrada era um carneiro do pasto de Delorme, não era nada de lobo mau.

- Eta bicho pirracento, até na hora de despachar o que provoca o aperto vem esse bicho me perseguir. Eu já disse, aqui nessa terra, enquanto eu for prefeito, ninguém vai matar carneiro, TEM QUE LEVAR PARA PINTADAS.

Suspense: e agora ? o que será que vai acontecer ? agora que o prefeito Dió não está mais apertado, será que esse matadouro de Ipirá vai sair ? êta bicho de rosca.

Leia o capitulo 26 (dezembro 2009) logo abaixo.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.