A inauguração das grandes obras em Ipirá sempre teve um público gigantesco. A energia na década de 1970 e a água do Paraguaçu na década de 1980 fizeram de Ipirá um formigueiro assanhado de gente. A inauguração da estrada Ipirá – Pintadas não empolgou muita gente.
Vamos por parte. Não gostei do discurso do prefeito de Ipirá, Diomário. Parecia que estava rouco, motivo pelo qual seu discurso apresentou-se desafinado, mas não gostei mesmo, porque ele só faz agradecer; obedece e agradece; agradece e obedece. Não precisa agradecer tanto, Ipirá sabe que o prefeito não é chegado à ingratidão, na verdade, precisa mesmo é reivindicar, é dizer o que Ipirá precisa e exigir que isso aconteça.
Gostei mesmo foi da prosa de Jacques Wagner. Êta governador pra falar bonito. Proseou bem e bem legal, por 28 min. e 45 segundos. Disse que estava alegre por se relacionar com um povo sincero e verdadeiro, que pede tudo o que precisa e que ele, governador, fala para cumprir e não para mentir. É isso! Esse é um governador arretado, como disse a esposa do ex-presidente Lula.
Acho que o governador disse tudo, quando afirmou: “antes, promessa de político era dúvida e, hoje, é dívida.” Aí, Aí... o governador bateu o prego e não virou a ponta, quando disse: “o Hospital de Ipirá vai ter UTI.” Pergunto ao governador: isso é para duvidar do seu governo ou é uma dívida com o povo de Ipirá? Vou ser sincero, governador: eu duvido que seu governo faça um esquema de UTI no Hospital Municipal de Ipirá, observem bem, Hospital Municipal. A partir de hoje, V. Exa. tem uma dívida com o povo de Ipirá, não permita que isso vire uma dúvida.
Vibrei quando o governador Wagner fez um rosário dos Institutos Federais de Ensino Tecnológico e das Universidades Federais que virão para a Bahia. Pensei: “agora vem.” As Universidades Federais ficarão em três sedes no Sul do Estado e quatro sedes no Oeste. Parei para pensar: “não veio.”
São oito Institutos Federais de Ensino Tecnológico para a Bahia. Fiquei entusiasmado, quando o governador disse: “vai ter um aqui, em I.....”. Pulei para gritar, quando ele completou: “Itaberaba.” Perdi o pulo.
Quando o governador Wagner disse: “vai ter uma Universidade Federal aqui em... (aqui, é aqui não pode ser lá), falei para mim mesmo: “aqui, em Ipirá” e o governador arrematou: “aqui, em Feira de Santana” (tenho que entender, aqui não é aqui, é lá) e o governador disse mais: “agora, que tem estrada boa, o jovem que quiser estudar pode ir para lá” (não é mais aqui, é lá mesmo, Feira ou Itaberaba). Governador! Aqui pra gente, não é isso que a juventude de Ipirá precisa.
O governador estava ligado e eu ligado nele. Comentou que a fanfarra foi embora antes do tempo. Foi verdade, assim que o prefeito Diomário terminou o discurso, a fanfarra deu o pinote. Tem gente querendo deixar o prefeito Diomário ruim na fita. E o fogueteiro? O governador não tinha terminado de prosear e o fogueteiro mandou ver. O governador reclamou, mas perdoou o fogueteiro, que estava tirando um cochilo. Tem gente querendo deixar o prefeito Diomário mal na fita.
Falaram bastante da importância da obra para a Bacia do Jacuípe e eu concordo plenamente com o que foi dito. A estrada não é somente um canal de tráfego, tem uma importância muito maior para o desenvolvimento da região. Apesar da grandiosidade ostentada, eu gosto de pegar as rebarbas para incrementar meu pensamento e pensar no que não foi dito para que o dito não vire não-dito.
Foi dito: “agora com estrada boa, quem quiser pode ir estudar lá.” Eu fico perguntando-me: “com estrada boa, nosso carneiro tem que ser abatido no Frigorífico de Pintadas?” Com estrada boa, o estudante de Ipirá tem que ficar fazendo vestibular em Pintadas, Itaberaba e Feira?
Não deu uma multidão por isso: essa é uma obra muito importante, mas não é uma obra essencial para Ipirá. Ipirá tem necessidades específicas, localizadas e imprescindíveis. Tenho o direito e o povo de Ipirá, também, tem o direito de expressar o que é fundamental para o nosso município de forma urgente e imprescindível. Posso citar: 1. Um Parque de Vendas de Animais; 2. Um Matadouro de Bovinos e Ovinos; 3. Mais fábricas, para desenvolver nossa economia; 4. Uma extensão universitária presencial, que é um sonho da juventude; 5. Curso federal de ensino tecnológico; 6. Um hospital para atender, pelo menos, as médias complexidades. Tem mais, se ouvirem o povo, vai aparecer mais reivindicações. Digo tudo isso, não é para contradizer o senador que conhece isso aqui como a palma da mão, digo isso tudo, porque tenho o cordão umbilical e a alma amarrados a este chão.






