domingo, 12 de fevereiro de 2012

HOMENAGEM (parte 14).




O Trio Estrela do Norte foi contratado para fazer um forró na fazenda Caipora, num leilão, que o dono da fazenda Temístocles vinha organizando fazia três meses. O trio era transportado em cima de uma caminhonete, que passou pelo bar de Carlito e pegou um isopor grande cheio de gelo e algo mais.



Na estrada de chão, uma poeira desembestada embaçava todos que estavam em cima da caminhonete e um pequeno incidente fez a caminhonete parar por meia hora, motivo que jogou o zabumbeiro Dodó num lampejo de curiosidade e manha, que fez com que ele abrisse o isopor para verificar o que continha, notou que estava com cerveja, o que o levou a sugerir:


- Essa cerveja é para dar aos convidados, então se a gente vai receber lá, vamo tomá a nossa parte logo aqui.



Sem pestanejar o trio caiu dentro e mandou ver, Dodó comentava:


- Êta que eu hoje tô bebendo igual a pinto com sede e esse isopor eu tomo é numa sentada.



Era só pegar a garrafa, abrir utilizando os dentes e o líquido escorregava pela garganta. Meia hora foi o suficiente para o trio fazer um estrago possante. Pegaram as garrafas vazias, colocaram as tampas e botaram-nas no isopor.



Quando chegaram na fazenda Caipora, a malhada estava abarrotada de cavalo. Temístocles, que estava acostumado a pegar boi remetedor com a unha, mostrava um corpo musculoso e uma valentia inigualável, sendo o mesmo, muito temido pelos peões da região, aproximou-se da caminhonete e pediu para dois vaqueiros carregarem a caixa de isopor, ao tempo que comentava:


- Com a venda dessas cervejas, eu quero pagar ao trio de tocadô; com a quantidade de gente qui ta aqui hoje, não vai sobrá nada. Vamo desceno meus tocadô e pode ir puxano o fole que é prá dá animação a esse povo.



O zabumbeiro Dodó só ouviu o início da conversa e deduziu para si: “a cerveja é prá vender e não prá dá!”. Seu sangue gelou, a garganta apertou e deu uma dor na barriga, que não queria parar.



O Trio Estrela do Norte começou a tocar. As moças solteiras passaram o olho no zabumbeiro e começou uma concorrência para ver quem seria a princesa contemplada por aquele pop star da música forrozeira na região de Ipirá. Uma trouxe um peito de peru; outra um pedaço de doce goiabada; alguém trazia um sorriso; teve delas que soltou um psiu e por aí a coisa andava, ao tempo que a barriga do zabumbeiro apertava de dor. Maria do Beiço Preto logo mostrou-se saliente e manifestou-se abertamente e sem subterfúgio para cima do zabumbeiro, sendo direta a sua pergunta:


- Eu posso lá saber a graça do galão de Roliude?



- Dona eu num sou eu e num posso a dizê meu nome pra não ficar mal afamado – falou o zabumbeiro.



- Oxente, meu boi zebu! Se vos-mi-cê num ta prá dizê o nome, euzinha aqui vai batizá vos-mi-cê e bem batizado – falou Maria do Beiço Preto.



- Num é isso não dona! É qui eu tô cum uma ingrisilha na barriga, que hoje num sobe nem vara prá derrubá imbú – disse o zabumbeiro.



- Eu duvi-d-odó, que um saruê da tua qualidade, butano uns zóio de marruás numa galinha butano ovo, que num queira prová da canja – falou Maria Beiço Preto.



- Ô dona! Sabe cuma é, eu nem sou de injeitá nem jumenta cismada, mas tem dia qui cobra num dá bote nem em bengo de gravatá.



- Oxente, meu marruás! Eu tenho uns mode de fazê cum que meu galo de terrêro num fique de crista baixa de manêra arguma.



O vaqueiro encostou em Temístocles e deu a triste e péssima notícia:


- O isopor de cerveja tá quase vazio, arguém tomou toda cerveja e butou os casco vazio prá inganá a gente.



Temístocles virou uma arara, esbravejou, parecia uma trovoada cortando o céu da fazenda Caipora:


- Vamo butá os secreta pra discubrí quem foi o salafrário que fez isso e eu garanto que esse traste que cometeu essa disorde num vai saí daqui intêro, pelo menos dois cunhão eu jogo na malhada prá Duque e Biriba inchê a barriga.



O zabumbeiro ouviu aquela conversa e tremeu. A dor na barriga ficou insuportável. Olhou para os cachorros Duque e Biriba, que estavam com os olhos em sua direção, e os dentaços salientes faziam a baba descer pela boca, ouviu os cachorros falarem: “vou te comer”. Sua barriga dava pontada, virou para o sanfoneiro e falou:


- Essa festa tá sem graça, num tem mulé e nem uma cachaça truxeram prus tocadô, bota um zabumbeiro im meu lugá, qui eu vou caí na lapa do mundo.



O zabumbeiro estava com a cabeça pesada e não sabia nem pensar direito, virou para Maria do Beiço Preto e falou:


- Ô dona! Hoje eu tô derrubado e eu tenho que ir às pressa prá Ipirá, pra fazê uma reza cum Miro Buziguim, sinão eu vou ficá ismuricido.



- Eu posso até ajudá vos-mi-cê, mas vos-mi-cê tem qui dá uma prova pra mim de qui é um marruás montadô e qui num fica ismuricido – disse Maria do Beiço Preto.



- Mas, dona! Hoje eu num posso dizê nada, cuma é qui a dona qué qui eu diga arguma coisa, se hoje eu tô nus trimilique – disse o zabumbeiro.



Maria do Beiço Preto pegou uma vela do tipo que leva um mês queimando para depois ficar o pitôco, mostrou ao zabumbeiro e depois falou:


- Vou ajudá vos-mi-cê, mas com uma condição, se eu te pegar no caminho, vos-mi-cê vai tê que mostrá qui é marruás, se não fô dessa devida manêra, vos-mi-cê pode disconsiderá de minha ajuda.



- No aperto qui eu to aqui, a dona pode acendê logo essa vela prá vê si quando eu chegá im Ipirá eu vorte a sê o Dodó de Pijú. Ô dona! Mi aponte logo o caminho prá Ipirá e seja o qui a dona ta astuciano.



- Vos-mi-cê vai pur aquele caminho que vai dá in Ipirá, vá andando do jeito qui vos-mi-cê quisé, se eu pegá vos-mi-cê no caminho, vos-mi-cê já pode ir arriano as calça – explicou Maria do Beiço Preto.



- Ta feito Dona! Intonce o caminho é aquele? – indagou o zabumbeiro.



Pelo caminho levava cinco horas para chegar à Ipirá, por uma vereda eram duas horas e meia. Maria do Beiço Preto seguiu pela vereda, carregando a vela, e esperou Dodô na encruzilhada, olhou o rastro e observou que ele não tinha passado, preparou-se, ficando do jeito que veio ao mundo. Quando o zabumbeiro Dodó surgiu, não teve nem tempo de se assustar, Maria do Beiço Preto avançou que nem carcará pegando pinto e jogou o zabumbeiro no chão, dando uma chave na sua cintura. O zabumbeiro caído, sem roupa, procurava explicar-se:


- Ô dona! É a primeira vez que me acontece uma disgrameira dessa, num vá ficá pur aí falano as coisa qui num deve sê falada prumode das língua grande.



- Ó, meu É Roflin! Num se aveche não qui o seu negoço vai funcioná agora mermo – afirmou Maria do Beiço Preto.



Maria do Beiço Preto pegou a vela de dois metros e colocou nas costas do zabumbeiro e foi descendo, quando chegou na posição tentou introduzir a vela. O zabumbeiro mais esperto do que Satanás em época de Quaresma, trancou o que devia ser trancado e a vela encontrou a porta fechada, o zabumbeiro saltou fora:


- Oxente, dona! Qolé a sua, dona? A dona ta mi estranhano ou a dona é maluca? Querê butá uma vela desse tamanho no meu furico, ta pensano o que dona? Ta mi achano cum cara remelenta! Se oriente dona! No meu orbílio num ientra nem vento de peido que dirá um dismantelo desse. A dona num cunhece o qui é um cabra arretado, virado da disgraça, que disputa jega cum cavalo garanhão e um rebanho de cabrita eu toro com dois bodego, prá dona vim querê atravessá uma vela no meu butiá, é mermo qui querê derrubá o nome do zabumbeiro conhecido im todo o Brasil como o maió garanhão.



- Mas, meu É Roflin de Roliude! Vos-mi-cê tá brocha, eu queria sará vos-mi-cê – disse Maria do Beiço Preto.



- Oi, dona! Só tô na pricisão de uma reza, adispois qui Miro Buziguim fizé isso, nem buraco de formigueiro vai escapá – disse o zabumbeiro.



Na quarta-feira, dia da feira livre, Temósticles procurou seu Pijú e apresentou a prestação de contas, mostrando o contrato do Trio Estrela do Norte, constando um valor de 5 mil cruzeiros e uma nota com as despesas das cervejas, no valor de 15 mil cruzeiros, sendo que seu Pijú teria que reembolsá-lo em 10 mil cruzeiros.



O menino Dodó estava doente com uma dor de barriga que durava três dias e as dores ficavam mais agudas, neste exato momento, ao tempo que, o menino ouvia toda aquela conversa, tremia e pensava, chegando a uma conclusão clara e evidente em seu pensamento: “É assim que uma pessoa se lasca.”

domingo, 5 de fevereiro de 2012

ESTACA ZERO




O que é ESTACA ZERO? Alguém poderá responder: é uma banda de forró. Acertou. Mas, falando sério, estaca zero é a condição dos pré-candidatos à prefeitura de Ipirá. Zerou tudo, novamente. Eu não disse que eram coelhos. Era uma corrida de coelhos.



Mas o fato concreto é que estamos em fevereiro e, até agora, nada, vai começar tudo novamente, sempre dentro dos conformes, pelos nomes. Nomes e nada mais.



Quem não se lembra do nome de Luciano Cintra, um pré-candidato que veio lá de cima, das nuvens, dos pináculos do poder, parecia um vendaval estabanado que ia encharcar Ipirá, pelo menos, pelas bocas dos seus, era o que diziam, encharcar Ipirá de dinheiro. Notícia alvissareira, que levanta até candidato-defunto.



- Só a Odb vai dar a Luciano, quinhentos mil reais, o homem vem com muita bala na agulha – diziam eles de boca cheia, sem constrangimento, nem pedindo segredo.



Os seus, nem pensavam e muito menos, preocupavam-se com a esparrela em que estavam botando o pré-candidato. Naturalmente, estavam bem intencionados quando procuravam projetar o candidato a uma condição de um Bill Gattes na política ipiraense, com tanta bufunfa seria imbatível. Seria a verdadeira vitória realíssima, ou da realeza, ou da realidade, sem disfarce, do real. Sem intenção, nem maldade colocaram o pré-candidato num ninho de vespa.



O pré, em uma reunião no vespeiro, sentiu que arroz doce na boca de menino tem gosto de papa de farinha, o primeiro vereador foi logo mostrando o enredo do samba:


- Minha campanha é cem mil reais.



O pré deu um salto e mostrou-se estupefato:


- Quanto! O quê? Cem mil!



- Não! Pode ser cinqüenta no início e cinqüenta no meio – disse o futuro correligionário, na mais pura inocência, como se duas de cinqüenta não fosse cem mangarotes.



Foi isso o que plantaram o Sr. Diomário, o Sr. Antônio, o Sr. Luiz Carlos, o Sr. Jurandy e outros mais, nessa terra. Criaram um monstrengo gelatinoso que passa a excrescência gordurosa em todos eles. Contudo, eu estava aguardando para ver na prática como ia ficar um candidato, irmão de um desembargador, com pretensões de presidir o TRE no Estado da Bahia, com a função de coibir e fazer valer a LEI contra o crime de compra de voto, tendo no irmão-candidato, um verdadeiro campeão de arrecadação de contribuição para a campanha (alardeado pelos seus), o que é permitido por LEI, mas com contribuições oriundas de fontes absolutamente alheias e sem nada, nada mesmo ter, nem um interessezinho bem pequenininho, por Ipirá, a esmola ia fica maior do que a capacidade milagrosa do santo nessas terras longínquas do Ipirá . São essas coisa que fazem o céu desabar e depois fica todo mundo gaguejando, com voz presa e com cara de sabido-trouxa, que pensa que o mundo das pedras não desaba de vez em quando.



Até então, o maior lançador de nomes é o prefeito Diomário. Tanto lança como deslança e cortando pelo pescoço. O ex-deputado Jurandy Oliveira é um dos decepados. Muito entusiasmado e animado, Jurandy lançou seu nome no dia 7 de setembro, no dia seguinte o prefeito passou o cutelo, já foi. Pensa em Antônio e Dudy. Pensa e não pensa. Pensa mais no governador. Agradar o governador é mais compensatório e como seria do agrado do governador um candidato do seu PT com o apoio da macacada. Seria a maior vitória do grande articulador Diomário em todos os tempos: a apresentação de um petista na cabeça da chapa dos macacos. Valeria dois litros de whiski, um para o prefeito e outro para o governador, depois, só risos.



O macaco se pensar um pouco mais do que o que pensa, deve ficar igual a jegue quando vê rodilha de cascavel na beira do caminho. Diomário diz dizendo para desfazer desfazendo. Diomário ainda espera fritar lideranças macacas na manteiga, sem triturá-las, para em cima da hora apresentar um nome petista, para ser acatado pela cúpula macaca. Um bom sinal para o governador. Os macacos continuam lambendo as benesses do poder e Diomário consagrado: o líder que entregou o poder municipal ao petismo em Ipirá.



Por isso que as coisas não vão se desdobrar por estes meses. Para tudo acontecer, é melhor esperar pela prorrogação do jogo. Se o candidato do macaco sair agora, o PT de Ipirá cai fora. Por falar em PT de Ipirá, é bom que se diga que continua encalacrado. Continua porque quer. Para se juntar ao macaco perdeu uma banda. Para deixar a macacada perde outra banda. Tinha tudo para ser o partido com maior poder de atração de pessoas em Ipirá, devido ao presidente Lula, Dilma e governador Wagner, mas preferiram entrar num barco furado e vão ter que assumir o passo em falso, mas não da forma como estão querendo fazer, lançando um nome para prefeito. Não é por ai, um nome petista não contagia nem o seu coligado macaco, imagine a população de Ipirá. Este momento é de estaca zero, os petistas têm que compreender isso.



O Movimento Renova Ipirá tem que entrar em campo. É chegado o momento da mobilização, da discussão sobre os inúmeros e graves problemas do município de Ipirá. É chegado o momento de entrar em campo. Ipirá tem necessidade de um programa de políticas públicas para o município. Isso é o mais importante. Ipirá precisa de um projeto de governo para viabilizar o município de Ipirá como um município próspero, justo e humano para sua gente. Aguardamos o PT de Ipirá para essa construção.



O nome do candidato do Renova? Nossa preocupação é o nosso debate para construirmos, juntamente com as pessoas, o nosso projeto para Ipirá. Nosso nome será escolhido, democraticamente, dentro desse processo de cinco meses (para o nome), com o maior elenco possível de nomes, inclusive dos companheiros do PT de Ipirá, coisa que não acontecerá, por hipótese alguma, nas hostes da macacada. Petista ser candidato na cabeça dos macacos é mais do que estaca zero, é um zero do tamanho, não de uma estaca, mas do buraco negro que ameaça chafurdar a vida no planeta Terra. Ipirá necessita de ser pensada, caso contrário, a estaca continuará zero.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Ipirá está chupando dedo.




Você quer ver o desenvolvimento e o progresso de Ipirá? Não! (não continue a leitura)


Quais são os motivos que desenvolvem uma região? Vários, entre os quais, a iniciativa privada, mas é essencial, a iniciativa, o fomento e o apoio do Estado.



Um exemplo simples: Mimoso do Oeste era um povoado, prosperou e tornou-se um município pujante, graças a produção.


Ipirá, há muito tempo, é um município, sendo que, sua maior fonte de rendimento são os benefícios do INSS, graças a esses proventos sobrevive e continua sendo um município.



Qual é o município mais desenvolvido: Ipirá ou Mimoso do Oeste? Você pode até dizer que Mimoso do Oeste não existe nem no mapa, assim sendo, fica fácil enganar e iludir as pessoas e, até mesmo, a si própria.



Na minha compreensão, produção é o fator essencial para alavancar e segurar o desenvolvimento. Em Mimoso do Oeste houve o fomento e o incremento da soja e o resultado foi o boom econômico.



Assim sendo, como ipiraense, vamos fazer o desenvolvimento de Ipirá, numa boa. Com o apoio e o dedo do Estado estão sendo feitas em Salvador, a Arena Fonte Nova; vem a ponte Salvador-Itaparica e vamos considerar os portos de Salvador e Aratu. Tudo isso é bomba e tem prioridade, mas fica lá pelas bandas da capitá.



Vamos deixar a capital e partir para o interior: “o Pólo Industrial de Camaçari recebe R$ 1,2 bilhões com a chegada do pólo acrílico, que vai permitir o adensamento da cadeia”, tem mais, “o setor automotivo contará com uma nova montadora a JAC Motors e haverá a atração de novas montadoras e a consolidação do pólo automotivo do Estado”. Mas Camaçari tem um quê de capital, sem discussão. Vamos em frente.



“Outro aspecto positivo é o processo de interiorização do desenvolvimento econômico e social”, até que enfim vem coisa boa para Ipirá. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), porto e aeroporto de Ilhéus, tudo muito distante de nossa Ipirá. Vamos para mais perto, vamos para Feira de Santana: “importante centro de abastecimento do Norte e Nordeste, em fase de crescimento, o município está na iminência de sediar uma Plataforma Logística, com a meta ambiciosa de tornar-se o maior centro de distribuição de produtos e insumos do Nordeste, envolvendo as economias de Feira de Santana e Salvador”. Parece que por aqui Ipirá não chupa nem um picolé.



Tem mais coisa para Feira de Santana: “se desenvolver como um pólo logístico regional”, havendo a necessidade de “reforçar a radialização rodoviária, e de implantação de um sistema multinodal, incluindo os transportes ferroviário e aéreo como forma de assegurar o rápido escoamento da produção” neste caso, deverá acontecer “a imediata ampliação do aeroporto de Feira e sua adequação para o transporte de cargas”. Bom para Ipirá escoar o que produzir ou não?



Já que Ipirá não tem vez na industrialização e na comercialização, vamos para um setor que está tendo grande crescimento: “investimentos em extração mineral se multiplicam pelo interior. No segmento de extração mineral, 23 mil licenças de exploração mineral estão sendo analisadas no Estado. 1,3 mil estão em estudo pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral CBPM – são pesquisas importantes como o ouro em Santa Luz, o vanádio em Maracás, ferro em Ibicuí, cobre e enxofre em Juazeiro. As descobertas minerais, somadas a investimentos nas cadeias petroquímicas e de papel celulose devem colocar a Bahia na inédita situação econômica”. Aqui, Ipirá não chupa nada.



Agora, tem coisa boa e Ipirá vai: “a energia eólica está se transformando em uma realidade no Estado e a produção de energia eólica avança rapidamente, em especial, no semiárido baiano fazendo do estado o segundo maior parque eólico do País.” Com tanto vento e tanta terra para alugar e colocar as torres para produzir energia, nem isso Ipirá descola.



Segmentos como turismo, cultura e artesanato, Ipirá não chupa nem uma bala. Ainda tem gente que acha que o Mercado de Arte atendeu a esta perspectiva. Paciência!



Vamos deixar de lado a questão econômica e vamos para outra área: “duas novas universidades federais e os novos institutos federais de educação tecnológica anunciados. Deverão influenciar enormemente na qualidade do desenvolvimento do interior do Estado”. Ipirá foi excluído, não chupou nada, mas quem não tem onça caça com lebre, tem gente que está contente com o CETEP.



Perceberam que pelo crivo do Estado a nossa Ipirá é carta fora do baralho. Isso é real e patente. Resta o grande problema: a questão da social. “O passivo social na Bahia é histórico e de grande amplitude”. O de Ipirá também. “O estado ainda possui o maior quantitativo absoluto de pessoas em extrema pobreza”. Ipirá também. Aí Ipirá chupa alguma coisa?



Nesses programas sociais, também perdemos. Tudo decorre e acontece dentro do Território Bacia do Jacuípe e, por incrível que pareça, o município mais desorganizado, mais despolitizado e mais desmobilizado é o nosso. Por que? Reflexo da politicagem jacu-macaco.



Ficamos com muito pouco ou quase nada. “O Programa Vida Melhor busca a inclusão produtiva de famílias representantes de um universo de unidades de agricultura familiar beneficiarias do Bolsa Família” tem mais, “o programa irá atender famílias em situação de vulnerabilidade e risco social, insegurança alimentar e com baixo acesso aos serviços públicos” tem muito o que fazer em Ipirá, “Programa pretende fortalecer as sete principais cadeias produtivas da agricultura familiar na Bahia” De boa intenção o diabo ficou roxo e de chifre, aqui em Ipirá tem a politicagem do assistencialismo vulgar e rasteiro para desvirtuar e desmanchar qualquer coisa bem intencionada. Em Ipirá, pobre é fabrica de votos e tem muito cabra safado que sobrevive disso.



Você acha que Ipirá vai desenvolver-se nestas condições? Parece que não tem jeito. O Estado está fora. A pobreza é gritante. Você acha que a politicagem jacu-macaco tem resposta e saída para esta questão?


Ou Ipirá entra numa discussão mais profunda, racional e pertinente, ou Ipirá estará caminhando contra a história. A discussão sobre Ipirá esta acima dessa coisa miúda, mesquinha e fanática que é a forma como o sistema jacu-macaco dispõe o município (Antônio ou Luiz?) (o que pensa Luiz ou Antônio?) (Nem eles mesmos sabem, imaginem o povo). Uma coisa é certa: se o Estado está fora, o desenvolvimento de Ipirá está nas mãos de seu povo e se esse debate não acontecer no nível que Ipirá merece, o grande perdedor será Ipirá e sua gente, não se enganem, só restará para Ipirá chupar um prego.

domingo, 22 de janeiro de 2012

IPIRÁ MUITO MAIS POR VOCÊ.




O Informativo Ipirá Muito Mais Por Você começa assim: “Desde o inicio da sua primeira gestão que o prefeito Diomário vinha solicitando ao Governo Estadual uma OBRA DE ENVERGADURA para resolver o grave problema de ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO”.



Continuando com a ladainha do prefeito: “O projeto, que já se encontra em fase de pré-contratação na Caixa Econômica Federal, custará R$ 36.037.704,12” e mais “ o início para, no máximo, até maio de 2012 e a conclusão, dois anos depois”



TRINTA E SEIS MILHÕES! Um espetáculo! Na cabeça do prefeito Diomário foi uma conquista extraordinária para que todos ipiraenses batam palmas. Isso é que é prosperidade. Foguetes para a grandiosa conquista do prefeito Diomário.



O estado da Bahia tem 12 GRANDES OBRAS, (são os pólos de desenvolvimento) que não faltarão recursos por hipótese alguma, aí sim, criarão oportunidades geradas por investimentos em infraestrutura em 12 municípios baianos:


01. Barreiras – ferrovia Oeste-Leste (632,1 milhões)


- pavimentação da BR-135 – Cocos / Carinhanha – (54 milhões)


02. Feira de Santana – construção de usina termelétrica (352 milhões)


- adequação da capacidade de trecho da BR (649 milhões)


03. Ilhéus – obras Ferrovia da Integração Oeste-Leste (1.723 bilhões)


04. Seabra – Projeto de Irrigação Baixio do Irecê (880 milhões)


05. Jacobina – construção de usina termelétrica em Senhor do Bonfim (352 milhões)


06. Juazeiro – obras do corredor do São Francisco (490 milhões)


07. Região Metropolitana de Salvador – Arena Fonte Nova (591 milhões)


- obras da Via Expressa (251,5 milhões)


- ampliação do Porto de Aratu (54,8 milhões)


- requalificação da Baía de Todos os Santos (85,6 milhões)


08. Santo Antônio de Jesus – contorno ferroviário São Felix-Cachoeira (2,1 milhões)


Construção das plataformas P-59 P-60 Maragogipe (1.205 bilhões)


09. Teixeira de Freitas – Pólo Moveleiro (3,4 milhões)


10. Itagiba – obras da Ferrovia da Integração Oeste-Leste (822,3 milhões)


11. Jequié – obras da Ferrovia da Integração Oeste-Leste (1.788 bilhões)


12. Tanhaçu – obras da Ferrovia da Ingegração Oeste-Leste (1.234 bilhões)



Investimentos previstos por empresas privadas:


01. Barreiras – processadora de soja da Hu junlie (4,67 bilhões)


- siderúrgica da Arcelomittal (320 milhões)


- processadora de algodão da agrícola Xingu (350 milhões)


02. Ilhéus – siderúrgica da Votorantim / Hondridge / Xin Wen (2 bilhões)


- complexo Porto Sul (1,7 bilhões)


- aeroporto ( 270 milhões)


03 Seabra - mineradora de zinco da Votorantim (284 milhões)


04 Jacobina – mineradora de zinco da Votorantim (19,5 milhões)


- mineradora de níquel da Votorantim (43,1 milhões)


05 Região Metropolitana – Hotel Hilton do Grupo Imocom (55 milhões)


- fábrica da JAC Motors (900 milhões)


- ponte Salvador-Itaparica (3,6 bilhões)


- solução intermodal Salvador-RMS metrô (3 bilhões)


06. Santo Antônio – estaleiro de Maragogipe OAS / Odebrecht (910,8 milhões)


07. Teixeira de Freitas – ampliação da fábrica de celulose Veracel (9 milhões)


08. Maracás – mineradora de vanádio da Falcon Metais ( 320 milhões)



O prezado leitor desse blog tem que compreender que esta é a grande questão política para o nosso e qualquer outro município. É ai que mora a questão do desenvolvimento de fato e sem conversa mole. São esses os investimentos de peso e com um objetivo definido. Se Ipirá não consta nestas oportunidades é uma lástima e nos resta (aos que visualizam uma Ipirá em outro patamar) uma grande indignação ou preocupação, porque quem não estiver inserido neste contexto, terá que se contentar com a programação de sempre: uma cisterna; quatro ovelhas e um carneiro; bolsa disso e bolsa daquilo, em outras palavras, com programas assistencialistas, etc e tal, numa prova inconteste da nossa carência.



O prefeito Diomário brada retumbante em letras garrafais: TRINTA E SEIS MILHÕES SERÃO APLICADOS NA OBRA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DE IPIRÁ. Alguns acharão monumental, gigantesco e apoteótico. Quem parar para pensar um pouco mais e sem a nociva paixão enxergará que além de monumental, isso também, demonstra a gigantesca falha e deficiência da tão badalada administração jacu-macaco que domina Ipirá por mais de cinqüenta anos, que por todo esse tempo, fizeram e construíram calçamentos, mas esqueceram de realizar os esgotos. Pasmem!



Ipirá está tão atrasada que ainda requer uma obra de infraestrutura tão simples e superada em qualquer outra cidade que se respeite. Este é o nosso patamar: convivemos com o atraso. A verdade nua e crua é esta: Ipirá está fora da agenda de desenvolvimento do Estado. O que fazer? Este é o grande e verdadeiro debate. O resto é “farinha pouca meu pirão primeiro”, tão ricamente adensada nesta picuinha ridícula, jacu/macaco, a essência do atraso de Ipirá.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

HOMENAGEM (parte 13).




A maconha chegou à Ipirá e alastrou-se como umbu no tempo da safra. Dodó da Zabumba estava animado, pois era o dia da festa da padroeira e ele era devoto de Senhora Santana, coisa que ele primava em sua vida. A animação era maior ainda porque ele iria tocar com o sanfoneiro Zé Bezerra, consagrado e afamado em todo Nordeste e para aumentar ainda mais a animação, o zabumbeiro pensou e resolveu: “vou tomar uma cerveja no bar de Tonho Gordo”. Foi para a rua de Cima, com a zabumba pendurada nas costas, e entrou no bar Cafuçú, logo sendo chamado pela turma que estava sentada em uma mesa no fundo do salão.



- Menino Dodó! Chegue mais meu irmão, venha ficar numa boa, cara – disse um coligado.



- Vou tomar um copo de cerveja, porque daqui a pouco eu vou tocar no show de Zé Bezerra – comentou o zabumbeiro.



- Qolé, minino Dodó, você é um cara cabeça, se quisé ficá legal você tem que tomá um chá, esse negoço de birita é coisa de careta – falou alguém no grupo.



O zabumbeiro não entendia nada daquelas insinuações. Tonho Gordo não deixou por menos e foi falando:


- Dodó é broder. Chegue mais broder, vai rolá um baseado e se você quisé pode dá uns tapa.



- Eu vou tomá um copo de cerveja pra dá animação no forró lá no coreto – disse o zabumbeiro.



- Dodó ta pareceno qui é bunda-mole, meu irmão! Esse zabumbeiro ta pricisano é ficá legal e de cabeça feita. Um broder como você não pode ficá de cara, você é um carinha legal. Acende logo esse morrão, qui Dodó vai dá uns tapa – falou com convicção alguém.



O cheiro tomou conta do ambiente, ao mesmo tempo que a fumaça impregnou-se em volta da mesa, Dodó esperniou.


- Qui fedô da disgraça é esse? Qui diabo é isso?



Em torno da mesa soaram as risadas, cada qual com sua galhofa, sendo que Tonho Gordo falou:


- Isso é a massa, zabumbeiro! Você tem é que curtir com a gente. Se você isperimentá essa massa, você vai ficá legal.



- O que é isso? - Indagou o zabumbeiro.



- É a marijuana, também conhecida por maconha, dê um tapa aqui e você fica logo batizado.



- Chega esse troço prá lá. Isso aí é a fumaça qui os ladrão bota pelo buraco da fechadura, os povo da casa dorme e o ladrão i entra e roba tudo. Eu quero é distança desse bagulho – disse Dodó que se afastou para o quintal, por causa do fedor e da fumaça, mas deixou o copo de cerveja sobre a mesa – quando vocês terminá com esse bagulho eu volto.



Tonho Gordo falou baixinho:


- Bota o produto na cerveja dele.



Botaram Artane e Rupinol no copo. A turma era só risada. Dodó voltou e tomou o copo de cerveja e disse:


- Essa cerveja parece que tá choca! Vou ali, que eu vou tocá no coreto e vocês que fique ai com seus bagulho.



Dodó aprumou as pernas e começou a andar, no batente da porta sentiu a diferença, havia dois metros de altura, fez que ia o passeio pulou para três metros de altura, Dodó parou e recuou, o passeio voltou para 20 cm; Dodó olhou, imaginou e pulou, o passeio não teve tempo de descer, Dodó falou:


- Tu viu passeio! Eu não disse que eu ti pegava, logo não ta veno que tu não vai dá im Dodô Zabumbeiro. Eu sou um cabra arretado – o zabumbeiro falava e dava risada.



As pessoas ficaram olhando com certo espanto para o menino Dodó, que seguia para a Praça da Bandeira, de forma que parecia que ia andando em câmara lenta, sempre sorrindo e vendo coisas e falando alto, para todo mundo e para ninguém:


- Oxente, quem foi que mandou botá ovo istalado no passeio do jardim? Agora, eu tenho qui andá por cima de tanto ovo.



Dodó andava de forma atabalhoada, mas era uma luta que ele travava consigo para pisar e não quebrar nenhuma gema de ovo, ao tempo que as pessoas olhavam e não entendiam porque o zabumbeiro andava com aquele jeito engraçado, como se estivesse pisando em ovos. Dodó começou a ver cobra e gritava:


- SAI DE BAIXO DONA! SE NÃO ESSA CASCAVEL PEGA A SENHORA.



A senhora pulava para depois olhar, como não via nada, não deixava por menos:


- Êta qui esse Dodó hoje, ta num lutrimento.



Quando Dodó chegou no coreto, tinha um palanque de madeira que seria o local do show, o zabumbeiro estranhou aquela altura e indagou:


- Cuma é qui eu vou subir nessas artura?



O sanfoneiro Zé Bezerra, sem perceber nada foi dizendo:


- Vamo lá zabumbeiro qui agorá é com a gente.



O sanfoneiro mandou um xote caprichado, o zabumbeiro cacetou uma valsa. O sanfoneiro não ficou por menos, puxou um xaxado, o zabumbeiro veio com um tango. O sanfoneiro tomou aquele susto e tocou um baião, o zabumbeiro sarrafiou um rock, ai o sanfoneiro olhou nos olhos do zabumbeiro e falou, contrariado e arretado da vida:


- Qui zabumbeiro é esse!



O zabumbeiro Dodó entendeu pelo avesso e aí se soltou de vez, jogava para a direita e rebatia com a esquerda, começou a tocar tamborim, bumbo e zabumba, tudo de uma só vez, era o famoso três em um, inventado e criado naquela hora, o sanfoneiro se atrapalhou; o zabumbeiro lascou a madeira, fez da zabumba, caixa de repique, surdo e berimbau; o sanfoneiro Zé Bezerra parou. Dodó não pestanejou e falou:


- Toca direito sanfoneiro, tu ta quereno mi tirá de tempo.



Terminado a apresentação, o trio desceu do palanque, o sanfoneiro com aquela cara de bolachão que seu Agnaldo vendia, não dava uma palavra. O zabumbeiro encontrou Tonho Gordo e a turma, foi logo dizendo:


- Vocês viu qui show da porra eu dei hoje aí?


A turma não dizia nada, só dava risada. Estavam todos sob o efeito da maconha

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

É DE ROSCA,




Estilo: ficção


Natureza: novelinha


Capítulo: 40 (mês de janeiro 2011) – incrível, apresentação do novo capítulo da novelinha esculhambada com, simplesmente, um ano de atraso e não acaba. Nem satanás acaba essa novelinha.



O prefeito Dió estava estendido em uma maca, já estava desenganado e pronto para bater as botas. Seu subconsciente começava a visualizar sua trajetória de retorno. Pensava o que tinha sido sua vida e observava o que vinha pela frente: o céu, com aquela paz, tranqüilidade e monotonia celestial, de um lado; do outro, o inferno, com aquele alvoroço, puxa-encolhe, arranca-rabo e sacode a peteca. “Agora não adiantava mais nada” pensava ele, estava nas mãos de Deus. Não tinha feito muita desgraça na vida, embora na questão política, sempre tinha enterrado uma peixeira no pescoço de alguém e, quase sempre, por trás. Mas, talvez, Deus nem levasse isso em consideração, porque política tem essa inclinação para o lado sombrio do espírito. “Seja lá o que Deus quiser, estava em suas mãos” confortou-se.



O médico encostou, abriu o olho esquerdo do prefeito Dio e balançou a cabeça negativamente e balbuciou: “ de esquerda esse nunca teve nada, infelizmente não tem mais jeito, vou fazer por fazer” e ordenou alto:


- Vá para a UTI-lidade rápido. Enfermeira entube o homem.



-Entubar é comigo mesmo – disse a enfermeira que foi pegar os tubos.



A enfermeira voltou com um tubo de esgoto de 4”, fedorento que nem buraco de esgoto e foi abrindo as pernas do prefeito Dió e quando ia entufando, ouviu aquela voz grossa:


- Espere um instante, a enfermeira é formada onde? – indagou o prefeito Dio.



- No CETEP.



O prefeito Dio deu um salto, caiu dois metros da maca e foi dizendo, ao tempo que saiu da UTI-lidade.


- La ele é quem fica aqui, não eu!



O comentário foi geral. Dispenso-me de escrevê-los na totalidade, não que não tivessem a mais profunda relevância, mas pelo fato de que seriam dez capítulos no mínimo só para postá-los, assim sendo, vão somente dois deles:


- Êta UTI-lidade boa essa do Hospital de Ipirá! O prefeito Dió chegou mais indo do que ficando e já está em pé – comentou o maqueiro.



- O prefeito Dió chegou nesse hospital pra lá de Bagdá, já tinha dobrado o quebra-mola de Paraíba e ia de ribanceira abaixo, não é que a UTI-lidade ressuscitou o defunto! – comentou o recepcionista.



Na portaria o prefeito Dió só fez sacudir a poeira, gesticulou e disse:


- Mas, menino! Só se eu fosse besta pra ficar num rabo de foguete desse, eu vou é mim distrair na minha Câmara de Vereadores.



Chegando à Câmara, o prefeito foi bem recebido. Sentou-se e ouviu o discurso do vereador Edu: “ É preciso que se faça uma CPI sobre o Matadouro de Ipirá, para se vê onde foi enterrado tanto dinheiro”.



O prefeito Dió fez que não ouviu. O vereador Edu repetiu, ai o prefeito Dió teve que interferir:


- Não vou nem pedir aparte a V. Exa, democraticamente o prefeito tem direito de falar na hora que bem quiser. Eu só quero salientar a V.Exa. que os nossos nobres vereadores não sabem o que é CPI, então não faz sentido V. Exa. ficar aí propondo uma coisa sem cabimento. Quer ver? Vereador no. 1, o que é CPI?



- Só pode ser cobra picando ipiraense.



- Essa foi boa! Mas é verdade! Não deixa de ser interessante soltar uma cobras no jardim para envenenar quem não enxerga as minhas obras. Vereador no. 2, o que é CPI?



- Só pode ser, cavalo pangaré inglês.



- Essa não foi boa, foi mais ou menos! Realmente, faz sentido, mas um cavalo inglês é muito caro e em Ipirá ninguém tem dinheiro para comprar um. Eu não gosto de cavalo, eu odeio cavalo. Vereador no.3, o que é CPI?



- Deve ser: coelho, paca e iguana.



- Como seria bom que Ipirá produzisse coelho e paca, iguana não, que eu não sei o que é isso. Vereador no. 4, o que é CPI?



- Com certeza, é cachorro pastando em Ipirá.



- Ô seu jegue! V. Exa. já viu cachorro comendo capim, se não tem, como é que ccc pode ser CPI? Vereador no. 5, O que é CPI?



- CPI, só pode ser caçando prefeito impostor.



- Essa foi péssima! Mas, pensando bem, V.Exa. não deve estar referindo-se ao grande prefeito Dió, que sou eu, mas ao próximo. Essa foi ótima. Vereador no. 6, o que é CPI?



- É Carneiro e a Pergunta do Ipiraense: onde é que vai matar esse bicho?



- Carneiro na balada, o que é que tem; ai, ai, assim você me mata; ai ai assim eu não agüento, se eu te pego, eu te mato, eu te acabo – cantava o prefeito Dió.



“carneiro, carneiro, na balada! Nossa, nossa! Assim você me mata, ai se eu te pego; delícia, delícia, assim você me mata, ai, ai se eu te pego” cantavam os vereadores.



Com a coreografia tornou-se o show do ano e nada da delícia do carneiro no Matadouro de Ipirá.



Suspense: e agora ? o que será que vai acontecer ? Em quem o prefeito Dió vai dar a próxima facada? Na macacada ou no irmão? Será que não vai ter sangue e morte nessa novelinha? Ou vai ser tudo de mentirinha para aumentar a audiência. Agora é que essa novelinha vai ter briga de irmãos e não acaba nunca. Duas coisas de rosca, essa novelinha e o Matadouro de Ipirá.



Leia o capitulo 39 (dezembro 2010) bem abaixo.



Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

HOMENAGEM (parte12)




O zabumbeiro Dodó narrou este episódio, mesmo tendo sido atingido por um lapso do de memória, pois esqueceu o nome do deputado que lhe arranjou o emprego, pois, nesta época, Ipirá tinha dois deputados: A.M. e J.O. Como ele não se lembra qual foi, mesmo fazendo um longo exercício de memória, vamos à narrativa, que não perderá o brilho pela prevalência do lapso.



O deputado estava confabulando numa roda de correligionários, numa conversa amistosa e entusiasmada, quando aproximou-se o zabumbeiro Dodô e disse:


- Deputado! Eu sou Dodô Zabumbeiro, me arranje um emprego.



O deputado olhou o intruso de cima para baixo e virou o rosto, voltando-se para a roda de amigos na tentativa de retomar a conversa. O zabumbeiro Dodó não percebeu sua indiferença, muito menos o olhar de desprezo de que fora vítima e voltou a falar:


- Na minha família tem mais de duzentos votos e eu posso dizê um a um: tem Ramiro Taco-Roxo, Chiquinho, Joel...



- O que é isso meu amigo Dodô da Zabumba? Você acha que eu vou duvidar da sua hombridade? Um homem do seu quilate, que possue uma família como a sua, não pode ser preterido em um pedido como este seu. Tem mais, procure-me quarta-feira no meu gabinete, lá na Assembléia, que seu emprego é garantido – disse o deputado tentando remediar o descaso inicial.



Na quarta-feira, Dodó, de peito estufado, colocou a zabumba pendurada nas costas e partiu rumo à Salvador, mas, antes, teceu um comentário que repetiu inúmeras vezes: “o deputado vai mim dá um emprego de zabumbeiro.”



Na Assembléia Legislativa do Estado encontrou o primeiro e grande obstáculo, justamente, no saguão, os seguranças e o pessoal da portaria não queriam deixar Dodó subir com a zabumba, fato que gerou o primeiro entrevero entre o zabumbeiro e o pessoal do poder:


- E tem gente aí em cima melhor do que minha zabumba? Eu vou subir cum minha zabumba e não quero xiada.



- Eu tenho que dizer ao senhor, que o senhor tem que cumprir as normas regimentais e qualquer atitude que o senhor venha tomar de forma exacerbada, o senhor poderá estar infligindo a lei e estará sujeito à detenção.



- Vocês aqui, sabe quem sou eu? Eu sou é Dodó da Zabumba e vou dá mais de duzentos voto ao deputado e vocês ainda tão prezepano cum um cabra conhecido como eu!



Tudo indicava que o tempo iria fechar, mas o destino resolveu dar uma ajuda e esfriar aquela situação, que estava tornando-se tensa, pois justamente neste exato momento, apareceu o deputado no saguão e foi gritando:


- MEU ILUSTRE DODÔ DA ZABUMBA! O QUE É QUE TRAZ ESTE ILUSTRE IPIRAENSE À CASA DA CIDADANIA?



- O deputado não me mandou vim aqui hoje? Já esqueceu deputado? – indagou Dodó.



- Você acha que eu ia esquecer uma coisa grandiosa e significativa como esse assunto nosso? Vamos subir para o meu gabinete.



- Essas pessoa aí, num qué deixá eu subir com minha zabumba.



O pessoal da portaria comentou reservadamente ao deputado:


- V. Exa. sabe que estamos vivendo um momento de exceção, porque o terrorismo está agindo de forma instigante e essa pessoa que tem todas as características de um terrorista queria adentrar ao prédio com um bagulho desse tamanho, que podia ser uma bomba disfarçada, com poder para destruir Salvador.



- Não, Não! Você sabe que eu sou deputado do governo e esse amigo aí é uma boa pessoa, um trabalhador de boa índole, pode confiar em minha pessoa.



No elevador, o deputado confidenciou ao zabumbeiro:


- Se eu não chego agora, o amigo zabumbeiro ia ficar estrepado, porque os seguranças já estavam planejando jogá-lo num camburão e colocá-lo num pau-de-arara, mas amigo de verdade não deixa o leite derramar e eu cheguei no momento certo.



No gabinete, o zabumbeiro indagou:


- E meu emprego de zabumbeiro?



Está aqui, consegui com meu prestígio junto ao governador, um REDA para você, pode se considerar professor na escola Albina Cunha.


- Mas, deputado! Eu mal sei fazer um O com o copo, cuma é qui eu vou insiná prá mininada? O qui eu sei fazê e bem feito é tocá zabumba.



- Não se avexe não zabumbeiro! Os meninos de lá sabem menos do que você, tudo que você ensinar pra eles é lucro. Vá e faça o que você tem condições de fazer. Ensine prá ele aquela conta: nada vezes nada é nada e ta tudo arrumado.



Na escola G.C., o entusiasmo era generalizado, pois a diretora alardeou que chegaria um professor catedrático nos próximos dias, era um tal de professor Dorneles. O zabumbeiro Dodó apresentou-se na escola com uma zabumba nas costas e entregou o Termos de Assunção. A diretora atrapalhada, perplexa e acabrunhada, apresentou o professor à turma e desceu para a sala da diretoria, onde desmaiou.



O professor Dodó Zabumbeiro pegou um giz e escreveu no quadro “ vamo cumeçá azaula” e soltou o verbo. A meninada estava extasiada. As outras turmas largaram suas professoras e correram para a sala do professor Dodó, que lascava a porrada na zabumba e apresentava um variado repertório de dança.



A meninada comentava: “ô zaula boa é a do fessor Dodó”, “eu quero istudá cum o fessor Dodó”, “eu num vou querê a pró chata, eu vou querê istudá é cum o fessor Dodó”. A escola virou um pandemônio e o que se via era birra e pirraça da meninada. A diretora colocou as mão na cabeça e comentou:


- A perdição tomou conta do mundo, nem o Senhor dá mais jeito nisso!



Mas, alguém tinha que fazer algo e esse alguém era a diretora, que estava vivenciando aquela bagunça fazia uma semana. Mandou fazer uma farda verde-cana e entregou-a ao zabumbeiro dizendo:


- Professor Dodó! A Secretaria de Educação mandou esta farda para o senhor, agora tem o seguinte, quem veste essa farda tem que trabalhar na portaria da escola.



O zabumbeiro caiu na besteira e vestiu aquela bela e vistosa farda. Deixou de ser professor e virou porteiro. A meninada não gostou, queria por que queria, Dodó na sala de aula como instrutor. Fizeram birra e uma pirraça medonha, que virou greve .


Transferiram o porteiro Dodó para a portaria da escola A.B. Num trabalho sem emoção, sem calor humano e sem fuzarca, o que deixou o menino Dodó entristecido. Três meses depois entregou o emprego do deputado de volta. Era um zabumbeiro, um homem de vida livre.