O município de Ipirá vive um momento complicado; vive em estado de emergência, ou melhor, em estado de calamidade: não tem um candidato. Estamos em abril e nada; nada de candidatos. Parece que não estamos em ano eleitoral. Embora, a população queira mesmo é chuva.
O mais grave: a economia rural de Ipirá caminha para o buraco, mais pela falta de chuvas do que pela ausência de candidatos, assim sendo, tudo está rigorosamente embolado nas duas bandas: na governista e na oposicionista.
Na zona rural, a escassez de água provoca um grande infortúnio e a radiografia é clara: o município de Ipirá não é auto-sustentável na questão primordial da armazenagem da água (o prefeito quer ir buscar água em Feira de Santana). No campo político, a escassez de nomes prefeituráveis é significativa e a radiografia é clara: o sistema jacu-macaco criou um monstro que agora vai devorá-los.
Primeiro; nunca trabalharam outros nomes, só os das oligarquias. Agora, carecem de nomes, isso gera insatisfações e contradições. Segundo; criaram eleições de gastos astronômicos (milhões) e agora não podem bancar, isso gera desespero. A Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei Eleitoral são pedras no caminho deles (qualquer compra de voto poderá ser um motivo para a cassação do mandato).
A macacada encontra-se na situação, mas tem o desgaste natural. O primeiro ponto divergente encontra-se na intenção e necessidade do prefeito Diomário dar as cartas na escolha do seu sucessor macaco. Utilizou-se e impôs uma lista (imagine que balaio de gato!), primeiro Antônio Colonnezi (ficha-suja), segundo Dudy (não aceita), terceiro o ex-deputado Jurandy Oliveira (o prefeito não quer e não aceita). A candidatura sobrou no colo do deputado. O prefeito saltou fora.
Se o prefeito Diomário não apresentar o candidato, significa perda de influência local, num momento em que está bem na fita com o governo estadual, então, ele faz questão de manter sua influência e controle para manter espaço no grupo e no município, tem que ter seu dedo na indicação do nome do grupo. Ele não é besta e tem suas razões em não aceitar o deputado, significa um “bay, bay, Dió” e além do mais, ele tem suas mágoas pelo que o deputado aprontou na última campanha, e vingança com carimbo “prefeito Diomário” acontece com sorriso largo (Jurandy! Quá, quá!) e taça de vinho seco para sentir o gosto nas profundezas da alma. “Jurandy não!” Essa é a palavra de ordem do prefeito. E se a macacada pensar pouco e insistir com Jurandy poderá receber uma nova palavra de ordem; “ O prefeito Diomário lava as mãos” ou poderá ser; “ O prefeito ta fora”. A macacada tem que ser mais inteligente do que costuma ser.
Sem nomes não se pode lançar candidatos. O processo de escolha de candidato de grupo é algo melindroso e quando ele ocorre de forma impositiva (lista do prefeito), ele implica humilhação, desconsideração, desprezo, corte de cabeça, passar o cutelo no pescoço. E assim, encontra-se o ex-deputado Jurandy Oliveira, constrangido e desrespeitado no seu pleito legítimo de ser um candidato, mas a vontade imperativa do prefeito não permite e não aceita. Mas o ex-deputado insiste no reconhecimento de sua trajetória e história política com a mais pura legitimidade e apela para a substituição da lista pela pesquisa (mais democrática).
Acontece uma grande queda-de-braço entre o prefeito e o deputado. Se o prefeito aceitar a pesquisa perde para o deputado. O prefeito não vai aceitar. Se o deputado aceitar a lista do prefeito, pode-se considerar fora do balaio de gato. Já foi. Está em ‘jogo político’ o rebaixamento político e o descrédito do deputado ou o enfraquecimento do prefeito. Aí o couro come. Até o momento, o deputado não mostrou predisposição a sair candidato sem o apoio do poder municipal e o prefeito não se dispõe a apoiar o deputado com o financiamento do poder municipal, assim sendo, o melhor seria o deputado tomar um Simacol, porque, ou tem inclinação a sair sem o apoio do poder municipal, ou aceita o rebaixamento moral e político a que está sendo levado e sai do processo.
O embate político é assim, é para quem tem sangue no olho. Vamos exigir seriedade. Não é possível que o prefeito Diomário se digne a gastar numa campanha eleitoral (seja qual for o seu candidato) o que diz que a prefeitura não tem para socorrer o município de Ipirá da estiagem, seria uma agressão à decência cidadã; fere a ética e seria um ato que atenta contra o respeito à dignidade da cidadania ipiraense. O prefeito tem que mostrar uma postura responsável e digna no processo sucessório deste ano; num momento em que o município de Ipirá é fustigado de forma contundente por uma estiagem vigorosa.
A macacada está no poder municipal. Repatriou dois vereadores e um candidato a vereança de peso. Está perdendo vários correligionários para o Renova Ipirá e está na iminência de perder o PT de Ipirá, que só aceita ser cabaça-de-chapa. No sistema jacu-macaco, ao PT de Ipirá só cabe a eles à vice.
O PT de Ipirá é o segundo grupo da situação, ou pelo menos, fez parte da situação com duas secretarias (já entregou os cargos), com trânsito limitado e controlado na esfera do poder macaco. Possuem o propósito de indicar candidatura própria, mas não conseguem seduzir nenhum grupo para apoiar o seu projeto, esperam adquirir gordura para pleitear o vazio de candidaturas na macacada. É um sonho. O PT de Ipirá tem três caminhos: sai com candidatura própria e sozinho (um contrapé); pega a vice dos macacos (está na mão), ou faz uma aliança com o Renova Ipirá (não pode demorar porque o tempo é curto).
Na oposição, encontra-se a jacuzada. Está sem lenço e sem documento. Não lançou candidatos ainda por não ter nomes fora da família. Luiz Carlos (ficha-suja), o seu candidato mais forte é Marcelo Brandão. Sem influência no Estado e sem o poder municipal, o grupo vai ter que bancar a corrida municipal. Tentam emplacar Luciano Cintra, para resolver esse problema, é difícil emplacar uma candidatura com as características de Luciano. Sem o apoio do prefeito Diomário, essa candidatura não tem condições de vir à tona. Morre no embrião.
Quem vai bancar? Eis a questão. Criaram o monstro das campanhas milionárias e agora o bicho vai pegar. Dizem que o “sistema de sustentação do grupo” não aceita Marcelo Brandão, dizem. Se Marcelo tivesse a quantia necessária já seria o pré-candidato, se não tiver, vai ter que bater cabeça na marra. Esse é um problema interno. O dono do grupo sabe que com pouco dinheiro vai nadar e morrer na praia e uma perda de “uma milha” de reais, nestes tempos bicudos, faz uma falta.
A verdade é clara. A jacuzada perdeu um vereador e um candidato forte; recuperou um vereador que está mais para lá do que para cá por questões partidárias. Sem nada para oferecer, sem o poder municipal, sem o poder estadual e federal, não atrairá nenhum contingente forte da macacada, se pensar que isso vai acontecer, vai ficar chupando dedo. Se a jacuzada não captar setores dos macacos, não vai criar força suficiente para chegar ao poder, manterá só a base jacu, mas não terá força para ultrapassar esse limite. Ficará na dependência da saída do PT de Ipirá dos macacos e do crescimento do Renova, atraindo macacos que não votam na jacuzada. Se isso não acontecer adeus jacuzada; será a terceira derrota seguida na caçapa. Sozinha a jacuzada vai bater a testa na portada.
Na oposição, encontra-se o Renova Ipirá, que terá candidatura própria. O Renova é composto por vários partidos, PCdoB; PSB; PRTN; PMN; já estamos em conversações com os companheiros do PSOL e PCB; já tivemos contato com o PT de Ipirá. O Renova Ipirá tem a simpatia das pessoas que já percebem e visualizam a necessidade da mudança da política em Ipirá, porque chega dessa mesmice da macaquice e da jacuzada, que não responde à necessidade e ao patamar de complexidade que se encontra a sociedade ipiraense. Ipirá tem que ser governada com a participação popular e dentro do interesse da sua população mais necessitada, sempre no sentido da independência e liberdade popular. Esse é o caminho e é preciso renovar a política de Ipirá, porque nesse momento Ipirá está sendo sacudida pela maior crise econômica de sua história. Não vamos fazer chicana (manobra capciosa, trapaça, tramóia) com Ipirá.

