quinta-feira, 31 de janeiro de 2008


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 05. (mês de fevereiro 2008)
Leia os capítulos anteriores (1-2-3-4-)nas postagens abaixo.

Com dois minutos, a ambulância parou em frente à residência do prefeito Dió e o socorro foi prestado. Quando o motorista arrancou o carro, a empregada foi comentando:
- Bastou eu falar em carneiro prá o prefeito Dió ficá todo trampizinado, nem tocou nas delícia.

- É assim mesmo. Essas pessoas que não é da caatinga tem uma quebrança com os carneiros que até hoje eu não sei dos motivo. Tem uma bacana, aqui em Ipirá, que não sabe a diferença de um carneiro e uma ovelha, mas bota uma banca disgramada contra os carneiro – disse o motorista.

- Prá ser verdadeira, eu também num assuntei porque isso acontece. Seu motorista pisa fundo prá gente salvar o prefeito Dió – falou de forma agitada a empregada.

O motorista colocou 300 Km p/hora, para levar o prefeito Dió para o Hospital de Ipirá, quando chegou no quebra-molas que fica em frente ao Hospital de Ipirá, pisou no freio para entrar à direita e nada, a ambulância não obedeceu, faltou freio, passando por cima do quebra-molas, levantando fumaça e logo, deixava para trás a fábrica de calçados Paquetá. Do posto de gasolina Augustos só viram o vulto e dois segundos foram suficientes para cruzar o Parque de Exposições, mas quando chegou ao Matadouro de Ipirá, a ambulância estancou de vez, parecia jegue pirracento quando planta as quatro patas. Com a parada brusca, o prefeito Dió voltou a si e viu pela janela o prédio do Matadouro de Ipirá. Saltou imediatamente, olhou para a empregada e perguntou meio sonolento:
- Onde é que eu estou ?

- Vosmicê tá sendo levado para o Hospital de Ipirá , mas neste devido momento, vosmicê tá de frente com o matadouro – disse a empregada.

- Foi bom a gente parar aqui. Deixe eu fazer uma vistoria na minha obra preferida.

Depois de examinar a obra, o prefeito Dió verificou que a mesma não avançava como ele queria e, pensando rápido, concluiu que novos procedimentos deveriam ser tomados, mas não deixou de comentar em voz alta:
- Um mês de trabalho e só levantaram duas linhas de tijolos ! vou tomar as medidas cabíveis.

- E essa é sua obra preferida, imagine se não fosse ! a outra lá, já tá nas artura – comentou a empregada Natalina.

- Qual outra ?

- O mijador da Praça da Bandeira, já dá pra gente vê pur
riba das madeirite.

- Ipirá não tem praça com esse nome – disse o prefeito Dió.

- Até qui vosmicê podia botá o mijador em outro nome, mas vosmicê vai vê a cagada qui vosmicê deu botano esse mijador nos canto da Praça da Bandeira, e adispois num fique aí dizeno qui não tem mijador nenhum prumode qui não tem praça com esse nome.

- Ora minha cara funcionária do lar Natalina ! já entendi a preocupação que você quer pronunciar na sua singela ingenuidade e rudes palavras; você está referindo-se aos dois monumentais, cheirosos e profiláticos sanitários públicos que ficarão nas esquinas do jardim, fazendo um belo conjunto arquitetônico, com a igreja no meio.

-E vosmicê acha qui isso tá de acordo e qui o povo tá bateno parma, isso vai fedê qui nem peido de bode capado – disse Natalina.

- Ora minha precavida funcionária Natalina ! eu vi isso foi em Paris, um sanitário público bem no centro de uma praça. A utilidade é quem dá a dimensão da obra. Inclusive, adiantando só para você, observe a consideração que lhe dedico, eu pretendo dá um carro novo a quem inaugurar essa obra, e de antemão já estou vendo a fila quilométrica que se formará.

- Todo mundo sabe qui vosmicê é conhecedor daz Oropa, agora o povo daqui é conhecedor da Fróes da Mota, da Piedade e do Campo Grande e no meu haver quem devia ter sanitário público era o Banco do Brasil, Bradesco, CEF, SICOOB e os bares da praça. Só em Ipirá é que o sujeito bota um bar e o mijador dos bêbados é na rua !.

- Tenha calma Natalina ! não precisa também ficar alertando o povo. Eu quero é sua opinião sobre esse assunto.

- Bom ! já qui vosmicê tá fazeno questão do meu dizê, eu digo prá vosmicê, qui vosmicê tem que arrumá esse matadouro de carneiro aí; como o povo tá com fome de carneiro, vosmicê faz uma grande matança de carneiro e adispois, eu faço umas mandinga prá dá uns tremileco na barriga do povo no dia da inauguração dos mijador, ai a caganeira desse dia, vai ser do povo e não de vosmicê.

SUSPENSE: o que será que vai acontecer ? será que esse matadouro de rosca vai matar tanto carneiro ? ou será que o prefeito Dió vai derrubar os sanitários públicos como foi feito com os caixões da rua de Cima ? ou o prefeito Dió já esqueceu ? ajudem o prefeito Dió dando a sua opinião.
Leia o sexto capítulo no mês de março 2008.
OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008


A FILA DO BANCO DO BRASIL, AGÊNCIA IPIRÁ, É BOCA DE ... (parte 1)

O Banco do Brasil em Ipirá fica na Praça da Bandeira, embora conste um outro domicílio na folha de cheque, mas como eu dizia, é nesta praça que fica o Banco do Brasil. Em frente ao Banco do Brasil encontrei Ló, que estava entrando num ligeirinho. Gritei para ele:
- Ô Ló ! ô Ló ! quero falar com você.
- Agora eu não posso, são 12 h e estou com pressa. Vou à Feira de Santana buscar uma encomenda e ainda quero encontrar esse Banco do Brasil, agência Ipirá, aberto, para resolver um empréstimo urgente – disse Ló e o ligeirinho seguiu viagem.

Entrei no prédio do Banco do Brasil, agência Ipirá, e logo de cara defrontei-me com a fila, que estava na terceira volta; deste ponto até o caixa leva-se uma hora de cansaço, em pé, que significa um verdadeiro teste de paciência. Nada mais resta do que ficar saboreando os saracoteios que vão acontecendo na fila para ir esquecendo que esta fia do Banco do Brasil é uma das piores coisas que existe em Ipirá. É um verdadeiro desperdício de tempo e uma prova da sagrada incompetência de muita gente.

Em minha frente estava um cidadão baixo e gordo, que demonstrava sinais de impaciência e arriscou um palpite: "a fila do inferno anda mais ligeiro do que a fila deste Banco do Brasil; lá pelo menos o diabo tem pressa em atender os clientes e vai mandando entrar". Parado eu já estava há 15 minutos e não saía do lugar; a fila não andava e naquele instante, aquela observação pareceu-me a mais pura verdade, mesmo sem saber prá que banda fica esse tal de inferno, mas concordei com aquele dizer "essa fila do Banco do Brasil é pior do que a fila do inferno", pelo menos pareceu-me adequada àquela situação, que considero uma viagem de cágado; onde o espaço engole o tempo, cada passo leva 10 minutos e o tempo ganha a sua suprema lentidão: lentidão do lado de cá da fila e do lado de lá do caixa. Ah ! sim, o caixa. Um só caixa no horário de pique é a prova da insensatez e do descaso.

A fila do Banco do Brasil não é uma fila peba não. Tem a cabeça lá perto do caixa e o rabo perto da porta giratória, parece uma cobra deslizando pelo chão; às vezes reta, outras desengonçada e bagunçada, a depender do seu estado de espírito e da sua impaciência, que reluta em não ficar parada, mesmo sem sair do lugar.

O apito da porta giratória disparou. Os olhares da fila foram naquela direção. Uma senhora, toda nos trinques, carregando o mais puro ouro nos braços e no pescoço, traspassou aquele obstáculo e aproximava-se da fila, que ficou embasbacada diante de tanta altivez. Um sujeito sarará e bastante sagaz deu a dica:
- Aquela é dona Letícia, a mulher do homem de Brasília.

A fila na dúvida, concordou prontamente, afinal, devia tratar-se de uma altíssima autoridade, quem sabe até do Fórum e ninguém queria passar por vexame, porque autoridade é autoridade. A madame granfina nem olhou para o rabo da fila; foi em direção à cabeça e com aquela empáfia que Deus lhe deu, dirigiu-se ao caixa e com a suavidade da finíssima educação britânica, falou-lhe:
- Boa tarde ! por obséquio diletante jovem, eu gostaria de sacar este cheque de Brasília, ele está assinado por Lulinha.

O funcionário do caixa sentiu um tremor no corpo; seu coração acelerou; faltou-lhe respiração; era emoção demais; afinal, não é todo dia que se tem a sorte de atender uma madame tão vistosa, educada, cidadã, e foi logo dizendo:
- Prontamente V. Exa., seu pedido é uma ordem – e foi colocando aquela bolada nas mãos da elegantíssima mulher, que não poupou elogios.

- Muito agradecida pela gentileza. Estou deslumbrada com a rapidez e a eficiência com que vocês atendem os clientes aqui. Eu confesso que tenho andado por este mundo afora e nunca vi atendimento igual, nem no primeiro mundo, e você deve saber que eu sou viajada. Olhe ! meu querido, vou recomendar esta agência do Banco do Brasil de Ipirá ao Lulinha e ao Guidon de Manteiga lá de Brasília. Com certeza vocês ganharão o prêmio Fórmula 1 de velocidade no atendimento bancário. Vocês terão o meu depoimento, simplesmente, levei apenas um segundo para ser atendida. Muito agradecida, meu jovem – e foi saindo com toda elegância, que não cabe neste mundo.

Lá se foi a fragrância do perfume francês acompanhando a virtuosa mulher, que passou pela porta giratória e foi embora. Fazia meia hora que eu não saía do lugar e no rabo da fila começou uma algazarra, mas esse relato, você vai ter que esperar, porque eu ainda tenho muito tempo pela frente, nesta fila, e enquanto isso eu vou escrevendo o que acontece, então aguarde a parte 2, é só mais duas semanas.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008


QUEM GOSTA DE TERRA É MINHOCA.

Esta semana, precisamente, quarta-feira 09.01.08, eu assistia um noticiário na Record News, que apresentava uma reportagem feita diretamente do Paraná, com agricultores e agrônomos falando da importância e do valor extraordinário do adubo natural em suas plantações com resultados excelentes, com um custo bastante inferior ao adubo químico e com uma produtividade bem superior e mais limpa por ser orgânica. PASMEM ! estavam falando de um produto que chegou ao Paraná e é conhecido por "Terra de Ipirá", ou seja, trocando em miúdos, falavam das excelentes qualidade do farelo de rocha retirado da região do Bomfim, em Ipirá.

Também, não custa nada lembrar, que Ipirá localiza-se no sertão da Bahia e sua vegetação típica é a caatinga, que se encontra hoje bastante reduzida daquela formação original, fruto do desmatamento para a constituição de pastos para a sua principal atividade econômica, a pecuária. Sofre com as secas cíclicas e prolongadas (estamos na boca de uma seca que pode ter consequências terríveis, metade de janeiro 08 e nada de chuva); tem um clima semi-árido; seu solo é raso e de
cascalho, não é terra de centro.

É bom que se diga que, gradativamente, as pastagens estão perdendo a qualidade nutritiva e a terra está ficando degradada por conta do uso inadequado, ou seja, com a derrubada da caatinga; com o pisoteio excessivo; com a falta de chuva; por não haver cobertura e acontecer a exposição excessiva da terra nua ao sol; com o uso da aração; com as primitivas queimadas; com a poluição desgraçada provocada pelo plástico que toma conta dos pastos. Com o mau uso do solo aumenta a erosão natural na superfície terrestre e devasta a capacidade produtiva do solo e ainda provoca a voçoroca, basta ver a quantidade de novos riachos que vão aparecendo nas propriedades.

O município de Ipirá é implementado por uma pecuária, que podemos muito bem caracterizá-la de predatória, pois não há uma prática de rotação correta das pastagens; até mesmo, porque a formação das pastagens levam à redução da cobertura vegetal, provocando a extinção de espécies vegetais nativas, até o umbuzeiro corre perigo de extinção, pois morre mais do que nasce. O empobrecimento do solo é um resultado saliente, basta observar o surgimento de terreno arenoso, resultado de práticas extremamente nocivas que consomem nutrientes do solo, matéria orgânica e sementes. A lição é simples: a utilização de recursos naturais sem garantir sua reposição resulta na desertificação.

O problema fica ainda mais grave porque o clima do planeta está ficando louco, com o aquecimento global. Essa elevação da temperatura média global está ligada a fenômenos como o agravamento da desertificação, ou seja, a ampliação do aquecimento global gera desertificação. Esse aquecimento é suficiente para alterar o clima, com terríveis secas em áreas semi-áridas, sendo assim, o Nordeste brasileiro pode ser o mais afetado e Ipirá está encravado aí, atingindo profundamente a biodiversidade, com a redução da vegetação e da capacidade produtiva do solo.
Não sei se as coisas acontecem por burrice, ignorância ou pobreza; penso até, que é por uma arrogante individualidade do homem, principalmente do ipiraense, mas depois, não fiquem por aí, com a boca escancarada, esperando a morte chegar, querendo ir buscar terra no Paraná, depois de ter esbravejado em alto e bom som que, quem gosta de terra é minhoca.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 04. (mês de Janeiro 08)
Observação: Leia os capítulos 01,02 e 03 abaixo ou nas postagens anteriores.

A empregada Natalina não foi dispensada, porque o matadouro não está pronto e, também, devido à mão caprichosa que possui, o que a destaca como um dos melhores temperos de Ipirá, mas o fato de ser torcedora do Vitória e só saber cozinhar carne de carneiro, fez com que o prefeito Dió, anunciasse que dentro de sua casa não se falava mais em futebol. Com um problema a menos e com o campo de futebol inaugurado, o prefeito Dió andava muito sorridente, fato que chamou à atenção da empregada Natalina que falou, com a cara meio retorcida:
- Ô prefeito Dió ! eu tô cá com meus desconfiamento; vosmicê só tá de dente aberto, não é mais aquele homem carrancudo que só andava pelos canto, resmungando a farta de dinheiro. O que tá se assucedendo ?

- Não é nada fora do esperado, minha querida empregada Natalina, é que o Bahia ganhou na inauguração do campo e a vida é bela.

- Vosmicê num quer dizer, mas eu já tomei meus conhecimento pelo www. ipiranegócios que vosmicê tá montado na bufunfa e o que me deixa contrariada é que vosmicê primeiro contou para o mundo e não teve a consideração de mim dizer nem os centavos. Que farta de consideração é essa, como se trai assim a quem sempre lhe deu a mão ?

- Não entendi ainda o que a minha adorável empregada Natalina está referindo-se. Não lhe contei o que ?

- Já é do meu conhecimento que vosmicê recebeu do banco: dois milhões, vinte e um mil e duzentos e vinte e um real, e não me disse nem tantinho assim. Será que vosmicê pensou que eu ia querer esse um real ?

- Minha empregada Natalina ! quem tem que ficar aborrecido aqui sou eu. Não fique bisbilhotando Internet para ver as coisas. Lá tem coisa que não deve ser vista, como uma tal novelinha, que não vale nada. Assista só as novelas da Globo. Eu não falei com você, porque reservei a parte mais importante para o seu pronunciamento. O que eu devo fazer com esse dinheiro ?

- Vosmicê agora mim acarmou. Eu com uma dinheirama dessa deixava Ipirá nos trinco. Mandava pintar todo meio-fio da cidade, não podia ficar um parmo de meio-fio sem cal, e de lambuja exportava essa beleza para Baixa Grande e Macajuba, e bancava as conta; ia deixar tudo, uma belezoca de encher os zoim d’água. O povo ia ficar com os zoim anuviado de tanta belezura.

- Minha empregada Natalina ! fale sem querer dá lição de administração. É bom que você saiba que de todos os prefeitos que já teve essa terra, o que melhor e mais pintou meio-fio está aqui na sua frente e o povo na hora do vamos ver e digitar o seu número de confiabilidade, de que terá mais meio-fio pintado, não esquecerá dessa grande obra.

- Ô prefeito Dió ! deixe eu escutar de sua boca. O número de vosmicê é dois patinho na lagoa ou é aquele que as pessoa diz que dá azar ?

O tempo tinha passado e o prefeito Dió ficou sem condições de ir andar na Praça da Bandeira, resolveu dar outro rumo à conversa, e dirigindo-se à sua empregada doméstica e falou:
- Dona empregada Natalina coloque uma comida bem saborosa para este almoço, porque hoje eu estou com uma fome de leão do fazendão, enquanto isso eu vou tomar um banho rápido.

- Pode deixar prefeito Dió, a comida hoje tá uma delícia – disse a empregada.

O prefeito Dió foi rápido no banho, depois sentou-se à mesa e começou a fazer o seu prato, que estava posto sobre a mesa, logo surgiu uma montanha de arroz e de macarrão, e o prefeito Dió ordenou à empregada:
- Dona empregada Natalina ! traga a carne, por favor.

A empregada chegou com um prato cheiroso e fumegante e foi anunciando:
- Prefeito Dió ! adivinha o que eu fiz hoje, com molho de tomate e cebola ? vosmicê vai comer e recomer, até dizer chega: um fresco de carneiro.

O prefeito Dió deu um tremeleco, ficou sem sangue, botou a mão no estômago e desmaiou, caindo numa suadeira, que encheu a sala de água. A empregada pediu por socorro:
- Corre aqui gente, que o prefeito Dió tá entupizinado. Chama logo a ambulância.

SUSPENSE: Para onde o prefeito Dió será levado: para Salvador ou para o Hospital de Ipirá ? Será que o Hospital de Ipirá vai salvar o prefeito Dió, que corre risco de vida ? O que vai acontecer ?
Leia o quinto capítulo no mês de fevereiro 2008.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


OS CÃES LADRAM.

Interessante. O dia em que meu pensamento pensou, mas não falou, quando deveria falar mais do que pensar. Fui abordado por um conhecido, que me disse:
- Você seu Agildo, que fala de tudo, por que nunca falou do cartel do gás de cozinha em Ipirá ?

Naquele instante fiquei três p: parado, perplexo e pensativo; buscando uma resposta que não aparecia de nenhum jeito. Meu pensamento viajou para dentro de si, numa reflexão intensa e intempestiva: "será que estou sendo agraciado com a responsabilidade de trazer à tona todo e qualquer problema existente no município de Ipirá ?" Isso é impossível, não deve e não pode ser assim. Gritar é um pressuposto da cidadania e não é um pertence de uma só pessoa, mas de todos ou de qualquer munícipe, sem nenhuma exclusividade.

Enquanto eu pensava para responder, meu interlocutor conhecido encurralava-me no meu pensamento, que girava buscando, a todo custo, desembaraçar-se, mas a metralhadora verbal interlocutora desferia uma rebombada atrás da outra:
- Eu estou por dentro do que está acontecendo. O gás em Ipirá custa 35 reais, enquanto ali no Bravo é 27 reais. Em Irecê é 28 reais. Por que aqui tem esse preço ? é por causa do cartel.

Meu pensamento estava estancado numa encruzilhada impiedosa e não sabia se respondia que não sabia de nada, como fazem os governantes desse país, ou se recriminava-me pelo fato de nunca ter ido saber o preço do gás no Bravo. A resposta não se apresentava à minha língua e o conhecido interlocutor lascava o verbo da maneira que achava mais apropriada:
- Você não fala da máfia do gás de cozinha em Ipirá, porque você é conivente, tem o rabo-preso com essa gente graúda e tem medo.

No meu pensamento, fiquei até agraciado de certa forma, pelo fato de fazer postagem num blog, e este ser reconhecido, de certa forma, como um porta-voz e levantador dos problemas da comunidade, mas virar a lama e desinfetar uma sociedade corrompida como a nossa, sem a menor dúvida, é tarefa de muita gente e de muita ação cidadã.

Meu pensamento continuava em busca da resposta adequada e própria, que insistia em não sair, mas conseguiu visualizar a caravana dos mafiosos do gás de cozinha passando, enquanto dois cães, eu e meu conhecido interlocutor, ladravam desesperadamente; repentinamente, meu interlocutor pulou para o cortejo de príncipes, princesas e pequenos-burgueses formadores do cartel do gás de cozinha em Ipirá e, sorrindo alvissareiro, deixou-me latindo... latind...latin... e assim vamos chafurdando nessa imundície e engasgando com essa podridão que impera na sociedade capitalista. Eu espero continuar com meu latido, agora, eu juro por tudo, se estivesse a par desse abuso econômico não me negaria de fazer um artigo de repúdio e indignação. Fora isso e a tempo, resta dizer, que de gás eu sou apenas um simples consumidor.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007


TRAIÇÃO EM IPIRÁ.

Quero dirigir-me ao povo de Ipirá e, principalmente, a você que diz que ama Ipirá e está sempre preocupado com seus problemas.

Em entrevista ao programa Conexão Chapada, da rádio Ipirá FM, no dia 28/11/07, o presidente da ADAB foi categórico, preciso e direto; não deixando nenhuma dúvida. Neste instante faço um resumo de cinco pontos que foram mais ou menos expostos da seguinte maneira:

1. ... não sei porque o pessoal de Ipirá não quer abater o carneiro em Feira de Santana, que fica a 100 Km ou em Pintadas, que fica a 70 km de Ipirá...

2. ...o poder público não tem a obrigação de fazer matadouro, isso tem que ser ação da iniciativa privada...

3. ...Ipirá tem 60 mil habitantes e temos que olhar para o interesse de toda essa população consumidora e não para 100 ou 200 pessoas...

4. ...matadouro é uma espécie de indústria e não pode funcionar abaixo da capacidade produtiva, porque representa prejuízo...

5. ...o governo não vai fazer gastos desnecessários com um matadouro em cada cidade; apenas é necessário que tenha um no território...

Podemos concluir, baseado na clarividência dessas colocações, que o Matadouro de Ipirá não vai sair do projeto e que Ipirá não vai ter matadouro para ovinos, caprinos e suínos. PONTO FINAL (é o que eles querem).

Vou colocar meu ponto de vista sem rodeios. Existe um complô contra Ipirá, por diversas razões, que envolve poderes públicos, comerciantes, políticos, partidos, sindicatos e até fervorosos ipiraenses, para beneficiar diretamente Feira de Santana ou Pintadas, que tem matadouro de ovinos. Isso não é fantasia nem invenção de minha parte.

O problema é que falta vontade política. No esquema administrativo e político montado com base no território, algumas demandas localizadas, que são essenciais e prioritárias para o município, perdem força e substância em razão do regional. Ipirá tem necessidade urgente, vital e logística de uma matadouro para sua produção de ovinos, para o sustento direto e a manutenção do seu mercado consumidor, mas como no território já existe um matadouro para ovinos, em Pintadas, o governo do Estado não vai gastar dinheiro à toa e não vai inviabilizar o matadouro de Pintadas, que para funcionar dando lucro depende da produção e do mercado de Ipirá, que não se indispõe a contribuir, mas não desse jeito avassalador.

Eis a questão fundamental. Tem muita gente e políticos na defesa dos interesses de lá e desse jeito o maior prejudicado será Ipirá.

Por que nem a reforma do matadouro de bovinos em Ipirá sai do papel ? Observe bem. Um grande matadouro tem um custo de 10 milhões de reais; um pequeno de 2 milhões de reais. Ipirá só recebeu 740 mil reais do Ministério do Desenvolvimento Agrário/CEF/SAF, para adequação e ampliação físicas para operação do matadouro de Ipirá. De onde sairá o restante ? Por que não mandaram o total de recursos necessários ? Porque uma pessoa do CRA até hoje, não veio vistoriar a obra e liberar o local ? Será que tudo isso não é uma farsa ? Se não for, no mínimo, é muita falta de seriedade e respeito para com a população de Ipirá.

Resta ver quem está a favor de Pintadas e contra Ipirá. Eles querem ganhar na opressão e perseguição aos marchantes de carneiros; na demora e delonga da obra; pelo cansaço da população; e pelo tempo, na esperança que as pessoas esqueçam a luta e acomodem-se. Trata-se de um grande jogo de interesse. Está na hora do prefeito Diomário mobilizar a população e enfrentar o problema de frente com o apoio e a ajuda popular, porque o esquema do governo e da justiça é forte e tem todos os trunfos nas mãos.

Cumpro a minha obrigação de enfrentar a discussão e alertar a população de Ipirá para todos esses fatos, porque até mesmo essa conversa de beneficiar 60 mil pessoas é puro engodo e um simples disfarce para atender aos interesses de três pessoas: dois atravessadores e um empresário. Ipirá necessita de um relacionamento econômico com Pintadas em mão-dupla e não nessas condições. O que é que você acha de tudo isso ?

quinta-feira, 29 de novembro de 2007


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 03. (mês de dezembro 2007)
Atenção: leia os capítulos 01 e 02, que estão abaixo.

O prefeito Dió foi ao matadouro e começou a observar que a obra encontrava-se no seu início, na capinagem, e pela sua vontade era para estar em ponto de inauguração. Ficou observando tudo com a maior paciência, ao tempo em que anotava todos os detalhes para fazer uma cobrança enérgica aos devidos responsáveis. Quando o sino da Igreja Matriz, na Praça da Bandeira, sinalizou que eram seis horas, o prefeito Dió deixou o matadouro e foi para casa. Deitou-se e acordou precisamente ao meio-dia, novamente sob os acordes do sino da Igreja Matriz. Dirigiu-se a empregada e falou:
- Minha dedicada empregada Natalina, prepare um almoço, que eu vou andar na Praça da Bandeira, êpa, errei o nome ! apaga o que eu falei – respirou fundo e continuou – aliás, eu quero apagar a noite de ontem e esquecer de vez esse Matadouro de Ipirá, que só me tem trazido preocupação.

- Vosmicê tem toda sabedoria, prefeito Dió; ficá com o pensamento em coisa que não vai prá frente só traz fervura na cabeça. Por que vosmicê não bota o pensamento só no campo de futebol, que vai ser desenroscado esse mês ? – sugeriu a empregada.

- Desenroscado não, ele vai ser inaugurado. Veja bem como você fala as coisas, minha empregada Natalina. Eu já estou pensando num time de primeira divisão para inaugurá-lo. Vai ser o tricolor de aço.

- Não prefeito Dió ! é que minha língua ficou atravessada e eu troquei as bola. E se vosmicê não se incomodar, eu vou fazer uma nova pergunta – esperou uma resposta, que veio com o balançar da cabeça – esse tal tricolor de aço sartou da terceira prá primeira ?

- Não é isso, minha grata empregada Natalina, o esquadrão de aço pode estar até na quinta, mas é time de primeira divisão. De futebol você não entende nada.

- Ah ! taí prefeito Dió, uma coisa que eu estou por dentro, igualmente a fazer comida. Eu acompanho jogo de bola desde o tempo do Independente, que quando entrava em campo, ia um bode na frente.

- Eu alcancei esse tempo, minha empregada Natalina, e lembro-me do bode que era mascote do Independente. O Bahia tem como mascote o super-homem. Eu quero descobrir uma pessoa, aqui em Ipirá, para se fantasiar de super-homem no dia da inauguração.

- O único super-homem que eu conheço nessa terra é vosmicê, prefeito Dió. Eu sou de opinião que vosmicê, prefeito Dió, deve vestir a roupa de super-homem, porque vosmicê é merecedor.

- Isso aí não ! eu prefiro não trazer o Bahia no dia da inauguração.

- Vosmicê, prefeito Dió, devia trazer um time com três letrinhas, igualmente ao nome de vosmicê, D – I – Ó, com acento no Ó, para abrir esse campo.

- Minha empregada Natalina ! não me fale em três letrinhas, porque é justamente três letrinhas que tem atanazado minha vida. Tem três letrinhas que mora aí no outro lado da rua, que só fica no meu calcanhar, e tem essas três letrinhas CRA, que pisa no meu calo e está tirando o meu sono.

- Taí prefeito Dió, porque vosmicê não trás o irmão desse CRA, o CRB das Alagoas para abrir o campo ? O CRB vem e joga, mas vosmicê paga ao irmão dele o CRA, aí esse trem ruim tira o pé de riba do seu.

- Não é assim que as coisas acontecem. O CRA não quer vir nesta cidade.

- Êta sujeito pozudo, esse tal de CRA. Vá vê que esse CRA é da quinta divisão do futebol das Alagoas. Eu já tô me vendo naquela arquibancada, que dá pra gente ficar deitada, pra vê o irmão desse CRA, o CRB abrindo o campo de Ipirá e entrando no gramado, com seu mascote na frente do time.

- Qual é o mascote deles ? – perguntou o prefeito Dió.

- É um carneiro – respondeu a empregada Natalina.

- Ai ! ai ! ai! Tira esse carneiro de dentro do campo, ele vai comer o gramado todo e só vai deixar a terra, ai ele vai engordar e vão querer matá-lo e o Matadouro de Ipirá não está pronto. Novamente, esse bicho carneiro atravessando na minha vida; eu não aguento mais isso. O que eu devo fazer para acabar com essa raça de bicho carneiro no município de Ipirá ?

- Eu tenho uma idéia, prefeito Dió. Como tá tudo seco em Ipirá e só tem de verde a grama do campo de futebol, vosmicê deixa todos os carneiro que tem em Ipirá entrá no campo, com as otoridade que persegue os carneiro, e traz as três letrinhas, ECV, o Vitória, para abrir o campo, aí o mascote do time, o leão da barra, come os carneiro e as otoridade, e aí acaba o problema prá vosmicê.

- Ô minha empregada Natalina, com essa enrolação toda de três letrinhas, era para chegar no ECV. Você é Vitória ?

- Desde criancinha, prefeito Dió.

- Em minha casa não, você vai trabalhar no matadouro – disse o prefeito Dió.

SUSPENSE: Será que o prefeito Dió vai botar a empregada vitoreira prá fora ? O que é que faz uma espiã do Vitória na casa do prefeito Dió ? Será que o prefeito Dió já virou Quinta coluna e agora é Vitória ? Quem vai inaugurar o campo de futebol de Ipirá, é o CRA; CRB; ECV; ECB; LCM; DIÓ ?

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.
Leia o próximo capítulo no mês de janeiro 08