terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Ouvi, sim !


Sou leigo. Nesta semana natalina e de festejos do ano que vem, o que me chamou à atenção foi a entrevista do próximo Secretário Municipal de Saúde do município de Ipirá, o médico Ademildo Almeida. Foi carregada de esclarecimentos, arroubos e extremamente salpicante. Eu diria até, muito parecida com tico-tico no fubá, jogando farofa prá todo lado. Salientou que o município de Ipirá viverá novos tempos com a aplicação da Gestão Plena de Saúde do Município, que será um fator determinante e um marco demarcatório do sistema de saúde deste município. Agora, a saúde em Ipirá passará a ser contada em dois momentos: antes e depois desta Gestão Plena.

O que ficou para trás ? Eu reflito e digo: os tempos românticos da medicina, em que a opinião geral da província satisfazia-se abnegadamente e regozijava-se quando os médicos da localidade mandavam um paciente para Feira de Santana e ouvia-se do povo "Fulano é um médico arretado, mandou Zeca de Joventina descer". Se acontecesse Zeca falecer na viagem, aí era que o povo reafirmava a fama da medicina local: "Zeca de Joventina não chegou em Anguera. Dr. Fulano é o melhor médico da Bahia, quando manda descer é que não tem quem dê jeito". O que era deficiência no atendimento de saúde virava sabedoria médica na boca do povo. Isso é página virada.

Na década de 1970, foi implantado um Hospital Regional em Ipirá, que não deixou de entrar na rota de interesses das clínicas particulares. Logo a medicina particular assumiu a direção do hospital controlando-o, ao mesmo tempo que, mantinha-se um complô que se tornou um entrave à eficiência e ao tratamento humano nas dependências do hospital, deixando-o dentro dos limites satisfatórios aos seus interesses particularistas. Isso é página dobrada.

O bom funcionamento do hospital atrapalhará outros interesses que povoam no entorno dessa questão. A fonte que dá mais votos em Ipirá é a saúde. Atuando nesta área encontram-se vários agenciadores que direcionam os doentes em troca de votos, são os cabos-eleitorais da saúde. Se o hospital funcionar poderá mitigar esses velhos interesses que se colidirão com os novos interessados. Isso é página borrada.

Deixando de lado o que ficou para trás, voltemos ao que vem daqui para adiante. Quanto tempo levará para o Hospital de Ipirá ter aparelho de tomografia computadorizada ? Um ano ! nem com mais seis anos de administração petista no Estado. Se aparecer uma clínica que queira fazer hemodiálise em Ipirá, fará. Nem com mais dez anos de PT no governo isso acontecerá. Quanto tempo necessitará o Hospital de Ipirá para ter o aparelho de radiografia funcionando 24 h ? Não será da noite para o dia ! Tem mais quatro anos do segundo mandato do prefeito, para que isso aconteça. Isso, ainda, é página em branco.

O hospital é para operar tudo e terá médicos para isso. Já está de bom tamanho se operar os casos mais simples, digo eu. Criar e manter essa infra-estrutura é tão necessária quanto manter uma equipe médica capacitada e isso não é fácil, precisa de recursos e todo mundo sabe que a administração do prefeito Diomário é centralizadora, chegando ao ponto de não dá autonomia a um antigo Secretário de Saúde para comprar uma gaze, imagine à sustentação de uma estrutura dessa, com cirurgias todo dia. Só mesmo o prefeito Diomário para abrir os cofres ! é ruim.

Não haverá terceirização. O hospital terá laboratório, ortopedia, fisioterapia, etc, tudo funcionando. O atendimento das clínicas só em último e necessário caso. Nesta perspectiva tem que haver a concordância do prefeito.

Ninguém vai mais para Feira. O Hospital de Ipirá será uma referência para os municípios do território, principalmente Pintadas e Baixa Grande, que poderão participar do atendimento aqui, com uma espécie de pactuação, em que eles botam dinheiro no sistema.

Para qualquer pessoa ser atendida em Feira ou Salvador vai ter que apresentar atestado de residência. Agora é que a desgraceira tá feita. Neste sentido, seria bom que Ipirá tivesse uma grana extra para fazer pactuação com estas duas cidades, porque o buraco fica mais embaixo.

Não custa lembrar que: 90% dos passageiros que se deslocam para Feira de Santana nos ligeirinhos é por motivo de saúde. Feira de Santana extrai da área de saúde um elevado percentual de seu PIB. Ipirá possui muitos usuários do Planserv, e para estas pessoas seria ótimo que na cidade tivesse clínicas particulares de alta eficiência e habilitadas por este plano. Além do mais, a administração do prefeito Diomário é bastante conservadora, não sendo digesta na questão das mudanças, principalmente quando elas ameaçam romper com o esquema do voto de cabresto, e quando ele começa a perceber que o cambão no pescoço da população só vai mudar de lado, ele poderá dizer que não é bem assim, que foi mal entendido, etc e tal. Devido a estes e outros fatores, o sistema de saúde pública na localidade tem uma certa complexidade.

Eu ouvi, fiz uma reflexão e falo, porque sou um ser humano, um cidadão. Vou acompanhar passo a passo e tenho que ver para crer.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

É DE ROSCA


Estilo: ficcão.
Natureza: novelinha.
Capítulo 14 (mês de outubro 2008, um mês de atraso)

O prato dois mais dois do cardápio da empregada Natalina era o mesmo 22 do menu do prefeito Dió. Tinha uma aparência soberba. Parecia um monumento envernizado, brilhante e fumegante. Era um lombo espesso e vinha acompanhado de rodelas de cebola e tomates vermelhos, com espetos de azeitonas, ao molho de alecrim. Os convidados estavam estonteantes e todos achavam-se boquiabertos. O governador tinha a primazia de saborear o prato 22, que ele tanto aplaudiu:
- Este, sem dúvida, é o mais glamuroso dos pratos, e eu tenho a maior convicção, se eu morasse nesta brilhante civilização dos meus amigos, eu só comeria esse prato 22 – disse o governador.


Todos bateram palmas. Muitos gritos ui ! ui! uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii foram dados, afinal, era o governador que parlamentava. O governador continuava:
- E para acompanhar essa obra prima da culinária sertaneja, nada melhor do que bebermos a melhor água do mundo: a água da Embasa.


O partido do governador da localidade levantou em peso e aplaudiu sem cerimônias. O prefeito Dió para não perder o embalo e não ficar por baixo naquele cerimonial, olhou para a empregada Natalina e disse-lhe cantorolando:
- Me dá um copo d’água, eu tenho sede e essa sede pode mim matar – depois, dirigindo-se a empregada Natalina, completou – minha eficientíssima empregada Natalina, traga-me uma jarra com a água mais límpida e saborosa do planeta terra.


A empregada Natalina, com toda a sua simpatia, saltitava alegremente, ao tempo em que gritava:
- Ui ! ui ! uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, prefeito Dió.

Quando retornou, trazendo a jarra, que colocou em cima da mesa, ao tempo, que de sua boca ouvia-se um:
- Empuuuuuuurra prefeito Dió.


O governador olhou assustado e sem entender o que estava acontecendo, ao tempo, que os presentes estavam diante de um enigmático caso, que merecia uma explicação do anfitrião, afinal, todos que estavam ali, eram dignos de honras e gratidão pelos serviços prestados no período eleitoral. O prefeito Dió, não titubeou, chamou a empregada Natalina e disse-lhe.
- Minha querida empregada Natalina ! eu solicitei a Vossa pessoa uma jarra cheia de água.

- Mas tá cheia, prefeito Dió; vosmicê não tá enxergando ?


O prefeito Dió olhou para a jarra com uma visão mais apurada e com plena consciência do que falava, fêz uma observação melindrosa:
- A minha querida empregada Natalina está equivocada; pegue a jarra e coloque a nossa saborosa água da Embasa, que todos os presentes estão no afã de saborear o líquido mais puro e palatável da face da terra.

- Mas seu prefeito Dió, vosmicê tem que cair na compreensão que se eu botá mais uma gota de água, vai derramá e molhá a toalha nova, qui vosmicê comprou esta semana, na feira do Centro de Abastecimento.

- Minha querida empregada Natalina ! não entre em descompasso com os meus ordenamentos, coloque a água da Embasa na jarra e ponha-a na mesa.

- Prefeito Dió ! eu não posso fazê uma disgrameira dessa. Vosmicê não tá veno que a jarra tá cheia de produto que a Embasa vende, e que se eu colocá mais uma gota como é o querer de vosmicê, vai derramá na beira do governador. Será que tanta gente de bons conhecimento como tá aqui, num compreende uma besteira dessa.


O governador como bom conciliador e na obrigação de resolver aquele impasse, interferiu, indagando a empregada Natalina:
- Nada mais justo que a empregada Natal... Natalina, é o seu nome, diga a todos nós quais são os preciosos produtos fornecidos satisfatória e eficientemente pela Embasa aqui nesta cidade.

- Até que infim apareceu uma alma de Deus compreensive neste recinto. Eu enchi a jarra de produto da Embasa. Fui lá na torneira da pia, abri a torneira e botei a jarra embaixo, aí a jarra foi enchendo de vento, quando tava nas rasura, eu fechei a torneira. Se eu butá uma gota d’água, ela vai derramá, prumode que tá cheia de vento.


O prefeito Dió ficou vermelho, não como na sua juventude, mas de raiva. Quase que perdendo a paciência, disse à empregada Natalina:
- Quem foi que lhe disse que a Embasa fornece vento ? Isso é conversa de subversivo.

- É prumode de minha pessoa, que vosmicê não cai na faca cega da Embasa. Toda vez que eu sinto nos ouvido a chiada na casa da vizinha, eu sei que é o vento da Embasa, aí eu corro e fecho o registro, dou um tempo de vinte e dois minutos, adispois, eu abro o registro para passá a água. É prumode disso que vosmicê só paga R$ 11,20 de água e a Embasa fica sem cobrá o vento. Agora, vosmicê tá no esquecimento que mim elogiou por isso ? E disse que eu estava certa.


O prefeito Dió ficou parado, mas todo mundo sabe que o prefeito Dió não dorme no ponto e, como sempre, saiu-se com uma jogada de mestre dos mestres:
- Tá certo Natalina. Agora, pegue a jarra, leve-a para a cozinha, jogue fora este nobre produto da Embasa que é o vento, e coloque o outro nobre produto da Embasa que é a água, até que ela fique cheia de água. Compreendeu ? – quando a obediente empregada Natalina saiu com a jarra, ele completou para que todos ouvissem – É doida.


Natalina voltou com a jarra e o prefeito Dió na expectativa de mudar de assunto, indagou-lhe:
- Minha empregada Natalina ! de que carne é feito esse saboroso e finíssimo prato do 22 ?

- É de carne clandestina de carneiro.


O prefeito Dió finalmente perdeu a calma e gritou para a empregada:
- Paaaaaara Natalina. Lá vem você com esse tal de carneiro, logo não tá vendo que esse Matadouro de Ipirá não vai sair tão cedo, principalmente agora que a firma da licitação abandonou de vez a obra. O dinheiro acabou. Não tem mais dinheiro. A obra não acabou. Que sofrimento ! e agora, o que eu devo fazer ?

- Vosmicê toma um vem-prá-cá e impurra o 2 e 2; adispois vosmicê aprende a fazê contrato com firma, prumode de se ficá só nessa tale de licitação as coisa não toma rumo e esse Matadouro de Ipirá já tá prá lá de vergonheira e num vá me adizê que vosmicê tá igualzinho a Luiz do Demo ou PFL, fantasiado de 15, que levou oito anos e nada. Vosmicê já tem quatro.
- O quê ? – indagou o governador.


SUSPENSE: o que será que vai acontecer com a empregada Natalina ? será
que a autoridade vai desconfiar da carne clandestina ou vai gostar ? E o
prefeito Dió, será que está por dentro do que está acontecendo no seu
banquete ?

Leia o capítulo 13: mês de outubro 2008, logo abaixo.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que
envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança
é mera coincidência.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

AO POVO DE IPIRÁ, EM ESPECIAL AOS SERVIDORES MUNICIPAIS DEMITIDOS.


ARRECADAÇÃO DO
MUNICÍPIO DE IPIRÁ(em reais)= ....... Quadro de Funcionários
........................................................Prefeitura de Ipirá.
Janeiro..........2.433.470,18......!.......Janeiro...... total – 1.605
Fevereiro......2.482.660,08.....!........Fevereiro. total - 1.611
Março............2.062.571,16......!.........Março...... total - 1.833
Abril..............2.384.367,64......!........Abril......... total - 1.886
Maio..............2.494.285,73......!........Maio......... total - 1.904
Junho...........2.216.128,98.......!.......Junho........ total - 1.912
Julho.............2.285.868,33......!........Julho........ total - 1.944
Agosto...........2.450.454,40.....!........Agosto...... total - 1.936
Setembro......2.222.222,79......!.......Setembro. total - 1.928
Outubro........2.143.571,36.......!..........
Novembro.....2.546.764,94......!..........

Dos 1.928 funcionários no mês de setembro = 1.254 eram efetivos / 519 temporários / 152 cargos em comissão / 2 agentes políticos (prefeito e vice).

Diz a nota do prefeito: "TRAZENDO PARA O MUNICÍPIO ENORME DIMINUIÇÃO NA RECEITA DESDE O MÊS DE AGOSTO". Percebe-se claramente que a média da arrecadação do município de Ipirá está num patamar acima de 2 milhões de reais e em nenhum momento foi inferior a este montante. A arrecadação do mês de AGOSTO, acima citada, foi da ordem de 2 milhões, 450 mil reais (foi a 4ª maior) superando a de julho / junho / abril / março / e janeiro. Perdendo para fevereiro / maio / e novembro com 2 milhões, 546 mil reais. A menor foi março com 2 milhões 062 mil reais, seguida de outubro com 2 milhões,143 mil reais (compensada com novembro, que foi a maior receita).

No primeiro semestre, Ipirá arrecadou 14 milhões e 71 mil reais, no segundo semestre 11 milhões e 636 mil reais, faltando dezembro que, em projeção, será maior do que a diferença de 2 milhões, 435 mil reais. Sendo assim, o Segundo Semestre não perderá para o Primeiro nem a pau.

Desta forma fica provado, com os números, que não houve a "ENORME DIMININUIÇÃO NA RECEITA DESDE O MÊS DE AGOSTO". Essa tentativa de plantar esta idéia como a pura verdade, não é cabível; é falsa, e insistindo-se nesta tecla, transformar-se-á num grande engodo.

Diz a nota: "A QUEDA DA ARRECADAÇÃO AFETOU O VOLUME DE DESPESA COM O PESSOAL, LEVANDO A PREFEITURA MUNICIPAL A ULTRAPASSAR O LIMITE DE GASTO PREVISTO NA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL (LRF)".

Já está provado que não houve queda na arrecadação do município de Ipirá, sendo assim, é necessário que se investigue o que motivou a ultrapassagem do limite de gastos com a folha previsto na LEI.
Se não é na arrecadação, onde é que está o problema da ultrapassagem dos limites da lei ?

Vamos examinar detalhadamente o quadro de funcionários da prefeitura. O mês que tem mais funcionários é o de julho (1944), depois, agosto (1936), e setembro (1928).

Observe que no mês de setembro (antes das demissões) a prefeitura tinha 1.928 funcionários e isso pode significar um grande volume de gordura no quadro funcional. Se tiver necessidade do trabalho de tanta gente é lógico que os tenha no quadro funcional. Se não houver necessidade de tanta gente para o trabalho, aí teremos um excedente, que se tornará mão-de-obra ociosa.

Uma investigação mais apurada, mostra-nos que em janeiro havia 1605 funcionários, em fevereiro (1611) e março (1833), que salto ! abril (1886) e maio (1904). O salto de fevereiro para maio foi de 293 funcionários a mais.

Em que esfera ocorreu isso ? No quadro de funcionários efetivos: fevereiro (1198), março (1200). No quadro de cargos comissionados: fevereiro (147), março (159). No quadro de contratos temporários: fevereiro (263), março (475). Aí está a chave da questão: 212 contratos a mais. Observe bem, que houve um aumento considerável de funcionários no mês de março justamente na faixa de contratados.

Está respondida a questão: o que afetou o volume de despesas com o pessoal na folha de pagamentos, levando a Prefeitura Municipal a ultrapassar o limite de gastos previsto na LEI, foi, justamente, a contratação de um excedente de funcionários, talvez, sem necessidade.

Observe que este limite foi quebrado praticamente em março (é só fazer as contas) e não a partir do mês de agosto, como quer o prefeito. Sendo o prefeito Diomário um caprichoso cumpridor da LEI, ele conseguiu burlar a referida LEI por mais de 8 meses e a grande motivação para isto foi o ano eleitoral.

Aí entra o ano eleitoral. O prefeito Diomário apelou para os contratos temporários, sem dar ouvidos à LEI; sabendo que esses contratos venceriam pós-eleição e não seriam renovados; pouco se incomodando com essas pessoas a posteriori, o que ele queria era o voto. Ultrapassar o índice foi um ato pensado.

A exoneração das três secretárias foi uma ardilosa engenharia administrativa desimpactante, para consolar e conformar os demitidos; para mostrar que é justo e verdadeiro; para atender a uma necessidade do segundo mandato, ou seja, adiantar o processo do caminho livre para as devidas e naturais substituições e evitar um possível mal-estar ou insatisfação e não criar um pequeno ressentimento contra o prefeito com o afastamento da secretária. Óbvio que duas retornarão e não acontecerá aquela pequena insatisfação tão indesejável pelo prefeito. Uma engenhoca perfeita de quem é hábil nas atitudes.

O prefeito Diomário sente-se machucado com a atitude que teve de tomar, dizendo ele: "o remédio é duro, é amargo". Para quem. ? Coloca inclusive que é uma "travessia dura e cruel, mas tem que fazê-la" e solicita a compreensão dos demitidos para a difícil situação do prefeito com a Justiça na sua cola e só faltou clamar para que aceitem com boa gratidão a crueldade.

O que seria a crueldade ? É um belo cálice de vinho tinto que sacia o desejo insano de jacú e macaco de pisotear no pescoço das pessoas humildes, sem ao menos perceber que 94,1 % da população de Ipirá (esmagadora maioria, jacú/macaco) sobrevive do biscate a dois salários mínimos.

Mas, é bom que se frise, que crueldade, também, é a manipulação de pessoas através do empreguismo descartável, ao belo prazer do poderoso de plantão. Crueldade, da mesma forma, é perseguir alguns funcionários municipais, pelo simples motivo de terem votado contra, não importa, é o livre exercício da democracia. Crueldade, igualmente, é a suspensão dos serviços dos SUS para a população que precisa de atendimento médico, pelo simples argumento de adequação orçamentária, que se mostra insustentável. Não é só o digníssimo prefeito que se sente vítima da crueldade, naturalmente, os demitidos também.

Resta ao prefeito de Ipirá incrementar o seu projeto de desenvolvimento para Ipirá, dentro das possibilidades reais do município, porque ficar com a cuia na mão aguardando a boa vontade dos governantes das esferas superiores, às vezes, é bastante cruel e a população ipiraense é quem recebe a bordoada.

A verdade verdadeira é que a nota não esclarece os verdadeiros objetivos por trás das demissões. Foi uma atitude clara, precisa e pensada do prefeito Diomário, que determinou a ultrapassagem do limite em março, quando contratou 222 funcionários, neste devido momento, com a intenção claramente eleitoral de garantir um batalhão de funcionários disposto a agradar, a fazer das tripas coração pela eleição do seu patrão, na esperança de continuar a receber o pagamento em dia.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

PERIPÉCIAS DE CAMPANHA 2


A realidade nua e crua de Ipirá está caracterizada nessa sua condição de REINO DA NECESSIDADE, sendo importante que se coloque os números desse município.
CLASSE DE RENDIMENTOS MENSAL = base: SALÁRIO MÍNIMO.
SEM RENDIMENTO = 49,2 %

ATÉ UM SALÁRIO = 34,6 %
DE UM A DOIS SALÁRIOS = 10,3 %
CONCLUSÃO = 94,1 % da população de Ipirá vive do bico a dois salários mínimo.

Em frente ao Frangão, na Av. César Cabral, encontrei uma pessoa que abriu um sorriso e veio em minha direção, dizendo: "Quero falar com o senhor". Eu parei e disse-lhe: "Prontamente, pode dizer", e fiquei na escuta. Meu interlocutor coçou a cabeça e passando a mão pelo queixo foi dizendo: "Sabe o que é ? É que eu recebi uma casa popular e...", neste instante, notei que ele deu uma pausa proposital para respirar fundo e de forma melosa e escorregadia foi soltando as palavras: "O senhor é quem vai me ajudar. Eu recebi a casa popular, mas falta as portas e as janelas e eu quero que o senhor me dê", a conversa prosseguiu e logo ele arrematou: "não vou pegar em sua mão, não ! o senhor dá para um amigo seu de confiança e eu pego na mão dele. Lá em casa são seis votos e vai tudo prá o senhor".

Em frente à Escola Maria Bastos encontrei um estudante, morador do Buraco Fundo, que sem pestanejar solicitou-me com grande insistência, que eu fosse até sua residência para uma conversa particular e num arremate espetacular pediu-me de forma voluntariosa: "mim dê dois reais para eu tomar uma cerveja". Este mesmo pedido foi feito por outro estudante na porta do Polivalente.

No povoado do Rio do Peixe, um morador da localidade, demonstrando muita desenvoltura argumentativa sacou um pedido muito floreado e cercado de todo zelo pela democracia: "Sou um amante do futebol, mas estou precisando de uma chuteira, sei que não pode se dá abertamente, mas me adiante isso por debaixo do pano, que estamos juntos na campanha", e concluiu com a voz baixa: "Basta dizê na mão de quem eu vou pegá".

Depois do pleito, o vereador Ademildo, do PT, deu com a língua nos dentes e bradou em um discurso na Câmara de Vereadores: "Nunca vi tanta corrupção em Ipirá, como nessas eleições municipais de 2008", sendo que depois arrematou: "do Legislativo !". Para o pleito do Executivo ele não viu nada. Isso é o tal do escorregão pela tangente.

O PT de Ipirá vai ter que fazer muita ginástica nesta nova fase de aproximação e participação no poder municipal de Ipirá e, neste sentido, vai ter que fechar a boca e trancar a língua para muitos acontecimentos e situações vexatórias. E nesta nova fase de adaptação, nada melhor do que já começar a afinar o discurso de que nada viu, nada ouviu e não tem nada a ver com isso. É assim que anda a carruagem.

Quanto aos pedintes do início deste texto, continuarão limitados ao Reino da Necessidade, eles e os seus descendentes, pois é dessa carência que macaco e jacú sobrevivem triunfantes e, as pessoas pedintes sempre pedem muito pouco, o suficiente para mantê-los na miséria ou na subalternidade: uma cerveja, uma chuteira, uma merreca. É necessário que haja uma transformação da condição de pessoa pedinte para a condição de cidadão, que ao invés de pedir, reivindique o que é de direito: escola de qualidade, hospitais com atendimento humano e que tudo isso reflita em liberdade de consciência.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A TRAVESSURA.


Em nota pública do dia 12 de novembro 2008, o prefeito Diomário deixa explícito que: "é uma travessia penosa, dura, difícil e cruel, mas temos que fazê-la". Demonstra que está vivendo um grande momento de angústia e pesar. Só faltou chorar.

Eu digo que é muito mais uma travessura e que esse negócio de "penosa, dura, difícil ..." são expressões usadas para fingir que está sentindo no fundo d’alma, mas a decisão que tomou foi a desejada no fundo d’alma, senão jamais seria tomada. Vamos aos equívocos de um sofredor.

O que ganha saliência na nota do gestor do município de Ipirá é a sua rigorosa devoção e desmedida intransigência ao cumprimento da LEI. Esclarecendo com um dito popular, seria o seguinte: "o prefeito se pela diante da LEI". Mas, nem tanto assim.

É notório que o gestor público tem que está no limite previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal e disso o prefeito Diomário não abre mão. Afirma, na nota, que ocorreu uma queda na arrecadação municipal, fato que deixou as despesas com o pessoal acima do limite legal. Parece que não despencou tanto assim, por isso estou preparando uma nota com toda arrecadação municipal deste ano, mês a mês. Mas, o fato é que este acontecido vem do mês de AGOSTO 2008 e neste caso, fica necessário um grande esclarecimento: ou o prefeito não percebeu na época, ou apenas três meses fora-da-lei não é problema para quem tem tanto medo da Justiça, ou o prefeito foi de uma sagacidade política brilhante, ao ponto de não tomar uma atitude que lhe prejudicasse eleitoralmente, pois a LEI..., não mete tanto medo assim.

Certo que o prefeito Diomário é um aficionado pela LEI e às vezes até exagera nessa busca obsessiva pela legalidade, chegando ao ponto de ameaçar demitir servidores estáveis. Isso é ilegal e é abuso de poder. O gestor municipal tem que cortar e enxugar a folha é nos seus excessos administrativos e eleitorais, que incham o quadro funcional municipal com contratados e ocupantes de cargo de confiança. Está claro que o prefeito de Ipirá quando diminui as despesas exonerando o excesso de funcionários admitidos em sua administração em determinado momento, está tendo que compactuar muito mais com o interesse político do que com o cumprimento da lei, até então negligenciada.

A exoneração de secretárias e de ocupantes de cargos que são necessários e indispensáveis às ações administrativas demonstra a habilidade política de quem deseja abrir os espaços para o novo mandato que começará em 2009 e preenchê-los com o novo arco de aliança eleitoral. Se não for por isso, não vai contratar mais ninguém, porque a crise é profunda e longa, além do mais, a arrecadação municipal não vai subir messes poucos meses, se é que caiu. O prefeito Diomário demonstra que não vacila na hora que lhe interessa.

A adequação orçamentária levou à suspensão temporária dos serviços com as Clínicas. Uma medida temerária, porque canaliza para duas situações: ou gasta mais do que gastou com as clínicas para que o Hospital de Ipirá torne-se eficiente ou a população de Ipirá tem que deixar de ficar doente por esta, sei lá quanto, temporada.

Eu não acredito que um prefeito do quilate do administrador Diomário, que é temente à LEI, que só faz tudo nos limites da LEI, tenha deixado a Prefeitura de Ipirá gastar mais de um milhão e meio de reais A MAIS do que a LEI determinava. Não foi ele, foi o sistema eleitoral de Ipirá.
Entre o choro do prefeito e a sua compreensão, que ele solicita; eu espero que você compreenda que a crise financeira do capitalismo faz os seus estragos em todo o mundo e, o desemprego é a sua face mais cruel. Também se faz necessário que o prefeito de Ipirá implemente as suas medidas e o seu programa para desenvolver este município, se é que os têm, caso contrário, ficará a gerir uma receita que é a conta de atender a uma folha funcional. E neste caso terá que "adotar as providências que a LEI impõe ou sofrerá sanções da Justiça". Mesmo sofrendo muito, o prefeito Diomário mostrou que é político e determinado, porque "não resta outra alternativa ao gestor senão cumprir a LEI e obedecer as ordens do TRIBUNAL", até que a crise mundial termine no início ou meados de 2009, se não no mundo, pelo menos em Ipirá.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

É DE ROSCA


Estilo: ficcão.
Natureza: novelinha.
Capítulo 13 (mês de outubro 2008, com um mês de atraso)

A residência do prefeito Dió já estava arrumada para o grande dia da festança. Logo na entrada, a empregada Natalina colocou um jacú com um rabo amarelo de um metro, pendurado em um círculo, dizendo ela que "o prefeito Dió sempre deu sorte com jacú".

Até que enfim chegou o mais belo dos dias. O dia do grandioso, aguardado e prometido banquete, em comemoração à espetacular vitória do prefeito Dió. Sua casa estava repleta de autoridades e não havia nenhum puxa por perto, para não "entulhar o ambiente" como pensava a empregada Natalina.

Pratos de porcelana inglesa em seus devidos lugares, acompanhados de talheres da Escandinávia, que luziam feito vidro do mais puro teor. A empregada Natalina tinha sido alçada ao posto de maître da cozinha, para ter a enorme incumbência de explicar a substância e a essência do paladar de cada iguaria a ser servida.

O prefeito Dió era só alegria e entusiasmo com aquela extraordinária vitória e a sua satisfação era maior ainda com a nova oportunidade para administrar por mais quatro anos este município que ele trazia lacrado no peito com muito orgulho e dedicação. O prefeito Dió comentava para que todos escutassem:
- Neste novo mandato vou ter uma devoção bem mais aprimorada pelo povo desta terra, bem mais do que no primeiro mandato, porque meu objetivo é ser o melhor prefeito da Bahia... – parou, quando foi obrigado a interromper o seu raciocínio, por ter ouvido uma voz feminina.

- Se vosmicê fizer o Matadouro de carneiro em Ipirá, vosmicê vai ser o melhor do Brasil – era a voz de Natalina interrompendo a frase do prefeito Dió.


O prefeito Dió observou que o pitaco tinha sido da empregada Natalina; fechou os olhos, balançou a cabeça, ao tempo em que, passava a mão pelos cabelos procurando alinhá-los, mas aproveitando a oportunidade foi dando as ordens:
- Prezada empregada Natalina providencie o primeiro prato, que essa nata da sociedade baiana, aqui presente, está querendo degustar e apreciar o manjar dos deuses feito à capricho por vossa experiência.

- Pois não prefeito Dió, vosmicê é quem ordena e eu é quem obedece, tô aqui é prá ajudá.


Alguns minutos depois, a empregada Natalina apareceu na sala do banquete, suas mãos estavam ocupadas com uma bandeja, que continha um monumental peito de ave com duas coxas esticadas e pontiagudas, apresentava uma cor de bronze platinada e estava rodeadas e embelezadas por cenouras gigantes e beterrabas perfeitamente redondas e folhas artesanalmente trabalhadas em figuras de macacos. Era uma tentação aquele brilho magnético e aparência lascívia para provocar os paladares e os desejos exacerbados da gula. A empregada Natalina, acompanhada de mais de cem garçonetes, foi entrando e gritando:
- Ui ! ui ! uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii prefeito Dió, as delícias já está na mesa.


O governador, que estava junto ao prefeito Dió, indagou-lhe:
- O que está acontecendo ?

- É que esse aí é o prato ui ! ui ! uiiiiiiiiiiiiiiiii que está sendo servido agora. Minha empregada Natalina fez isso para mostrar que esse foi o prato mais ingerido em Ipirá de outubro para cá – explicou o prefeito Dió.

- Como assim ? – indagou o governador, que chamou a empregada Natalina e pediu para que ela falasse do prato.

- Dotô otoridade governadô ! é qui esse prato foi servido em muitas casa aqui na cidade, até mesmo nas casa qui não tinha o qui comê, aí as criançada e os adulto se assentava ao redó da mesa e começava a gritá, ui ! ui ! uiiiiiiiiiii e todo o mundo impazinava a barriga.


Todos estavam com água na boca e a disputa pelo primeiro prato servido foi sem cerimônia. A cúpula do PT de Ipirá caiu prá cima e comentavam uns com os outros: "isso aqui só pode ser jacú temperado com azeite vermelho do Conde" e soltavam gargalhadas; "farinha pouca meu pirão primeiro e com jacú baleado é melhor ainda, vamo cair de pau turma" e saboreavam gargalhadas; "vamo cascatá o bico desse jacú agoureiro em Ipirá" e tome-lhe gargalhada; "eu não sei onde era que eu estava que não vim para os macaco bem antes" e a sinfonia de gargalhadas dominava o ambiente.

A autoridade da Justiça brasileira, cheia de melindres, solicitou de uma garçonete uma porção daquela iguaria; cortou um pedacinho da delícia que estava em seu prato e colocou-o na pontinha da língua, com a boca fechada, os olhos cerrados e a cabeça para cima, saboreava com grande primor. A empregada Natalina que não perdia um detalhe, comentou baixinho no ouvido da garçonete que estava ao seu lado: "olha prá quela dita cuja, parece uma galinha bebendo água". A autoridade da Justiça brasileira não perdeu tempo para esnobar a sua grandeza e a sua satisfação e, em voz alta, para que todas as atenções voltassem em sua direção, falou:
- Que delícia ! isto parece a trajetória suprema para o paraíso. Nunca provei algo tão palatável e que desintegrasse do sólido para o líquido de forma tão doce, tão sublime e pacientemente sedutor. É simplesmente divino. Nem em Paris, quando estive lá, nos mais granfinos restaurantes da avenida Champs-Élysées, quando cotidianamente e intensivamente saboreei salmão ao molho de alcaparras; filé de avestruz ao molho de cumberland; pato rosé ao molho de agridoce; não posso deixar de lembrar, o Foie Gras, para quem não sabe, é feito com fígado de um pato ou ganso que foi super-alimentado, e é bom que se diga, tudo isso no Le Procope, no Moulin Rouge, no Le Fouquet’s, no restaurante do Hotel Le Meurice, no restaurante Paris Clermont, sempre acompanhado por um bom vinho Malbec de France, ou Impernal, ou Le Paradis, ou Beaujolais, que era o que eu mais gostava, por ser elegante, fino e excepcional no seu frescor inconfundível.


A empregada Natalina ouvia toda aquela verborréia consubstanciada e refinada na preciosidade da cozinha francesa, mas não ficava nem um pouco impressionada e acabrunhada, ao tempo em que ia pensando: "êta sujeita lutrida ! só qué sê a dona do louro José, nem sabe ela que tá saboreando um urubu, que é bicho super-alimentado aqui nesse Ipirá seco pur nascenaça" e só parou de pensar quando a autoridade da Justiça brasileira pediu para que ela chegasse até à mesa. O coração de Natalina quase parou.

SUSPENSE: o que será que vai acontecer com a empregada Natalina ? será que a autoridade vai desconfiar do que está comendo ? E o prefeito Dió, será que está por dentro do que está acontecendo no seu banquete ?

Leia o capítulo 12: mês de setembro 2008, logo abaixo.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

sábado, 8 de novembro de 2008

IPIRÁ PERDEU PARA SERRINHA.


Eu aguardei o debate eleitoral para dar destaque a essa questão. Não houve o tal debate. Darei o destaque com este artigo e em outro tom. Uma pessoa de grande credibilidade disse-me, "Ipirá perdeu para Serrinha ...".

Eu pensei, "não é possível que isto tenha acontecido !" e fiquei com aquilo na mente, sempre procurando descobrir algo mais, pelo menos, que me desse uma explicação mais detalhada e profunda do que tinha acontecido.

A surrada discussão jacú-macaco em Ipirá é por demais ridícula, mesquinha e pré-histórica, por isso não abriu as cortinas para o que realmente tinha ocorrido. Dessa forma, continuei naquela expectativa e na busca interminável por informações que elucidassem o paradigma da derrota ipiraense.

Quando da vinda do governador Wagner a Ipirá (da primeira vez), ele tocou no assunto de relapada, quando disse, "Vamos fazer uma escola de tecnologia do semi-árido em Serrinha". Eu pensei, "é por este lado que a banda toca".

A partir desse momento, orientei minha curiosidade investigativa nesse sentido e comecei a descobrir muitas coisas; uma delas, foi a existência de um projeto inspirado no Instituto Internacional de Neurociência de Natal. Até aí tudo bem, não dizia muita coisa, mas continuei descobrindo algo mais: o Brasil tem como meta criar 12 institutos de ciência espalhados por todo o país. O grande objetivo é descentralizar a produção científica no Brasil, que fica encambitada lá no sul / sudeste e, imprimir o estudo da ciência como um agente de transformação.

Nesse contexto, descobri que o governo do Estado firmou uma parceria para trazer para a Bahia um projeto científico e social, que redundaria na implantação de uma escola de educação científica infanto-juvenil, que seria a Escola de Ciências na Bahia, na região do semi-árido, justamente no município de Serrinha.

Essa escola tem um objetivo claro: que é proporcionar às crianças das escolas públicas uma educação de alto nível científico; não para transformá-los em cientistas, mas para que aprendam o método científico, se habituem com os conceitos elementares da ciência e possam utilizar esse conhecimento para o resto da vida no semi-árido.

Uma outra meta é a transformação da sociedade do semi-árido, na medida em que haja uma transferência de todo conhecimento descoberto para os agricultores familiares, para as pequenas propriedades agrícolas e não para as empresas, naturalmente isso irá implicar na transformação da realidade da economia agrícola do semi-árido, aí o catingueiro terá condições de permanecer no seu chão aliado às condições para que seus filhos possam ser educados.

O semi-árido não pode ser mais desprezado do que já é, afinal de contas, esse é o bioma mais brasileiros de todos e tem que ser visto como um potencial de segredos e riquezas de sobrevivência insubstituíveis para a economia da região. Isso é muito bom.

A idéia básica "é entender certas cadeias produtivas e peculiaridades do semi-árido que possam auxiliar no desenvolvimento da economia da agricultura familiar", afirmou o cientista brasileiro Miguel Nicolelis.

"Vamos explorar o semi-árido baiano. Vamos criar um projeto, um plano de pesquisa, recrutando cientistas do Brasil inteiro que queiram participar desse processo", afirma o cientista.

"A instituição atenderá estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública municipal e estadual. No turno oposto ao da escola regular, os estudantes participarão do ensino de física, química, biologia, informática e robótica, dentre outras disciplinas em laboratórios especializados", diz o cientista.

Tratando-se da tecnologia do semi-árido; de um Instituto Internacional de Biotecnologia e Bioprospecção do semi-árido baiano, naturalmente que a escolha privilegiaria uma cidade localizada no semi-árido. Além do mais, aescolha de cidades nordestina para a implantação de projetos desse porte tem a ver com o objetivo de descentralizar a produção científica, ou seja, trazer para todas as regiões do país a oportunidade e os caminhos para gerar oconhecimento de ponta. A disputa final ficou entre Ipirá e Serrinha.

Quanto custa uma Escola dessa ? O Instituto Internacional de Neurociência em Macaíba, cidade na periferia de Natal, com previsão para funcionar em março de 2009 para 400 crianças, tem um custo orçamentário de R$ 20 milhões, mas já passou de R$ 90 milhões. É muito difícil estipular um valor. Observem que o Matadouro de Ipirá é de R$ 2 milhões.

Quais são as fontes de recursos para a manutenção desses projetos ?A Associação Alberto Santos Dumont para o Apoio à Pesquisa – que é a sociedade mantenedora, é eminentemente privada. 70% da receita é privada. São trabalhos e projetos de pesquisa realizados. Também doações de fundações do mundo inteiro, européias, americanas, brasileiras.

Minha fonte de informação é criteriosa e de grande credibilidade, " Ipirá perdeu para Serrinha uma escola de tecnologia do semi-árido e a palavra final na indicação coube a UNEB".

Eu fico a pensar: "tenho a impressão que a maioria da juventude de Ipirá não acredita em sonhos, talvez por isso ela não tenha passado batida com essa perda. Não sei se é porque eu saí, tem um mês, justamente, desse processo de forte conteúdo alienante que esteja pensando assim, não sei, talvez sim, mas seria bom um aprendizado do método científico para que a juventude ipiraense pudesse dispor de uma grande ferramenta intelectual para que ela possa desenvolver suas aptidões de forma livre e libertária, sem os grilhões do jacú e do macaco". É só um sonho.

Porque na realidade, para a grande maioria dos jovens de Ipirá, talvez falte interesse pela ciência, até mesmo por conta da educação precária, que se preocupa em empurrar "guela abaixo" do estudante um tal de "RALO U I" como se essa desgraça tivesse alguma coisa a ver com a realidade do Brasil, do Nordeste e do semi-árido e, além do mais, há um grande interesse de vê-los pulando na chapa quente do jacú ou do macaco, porque se não for desse jeito muito graúdo em Ipirá vai perder a mamata e a vida fácil.

O jovem ipiraense que tenha talento e talento humano tem em todo lugar, tem que ir para Serrinha, porque é lá que existe as oportunidades para que os talentosos possam demonstrar suas aptidões. No meu parecer Ipirá perdeu.