quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

UM PORTO SEGURO.








O Campeonato Intermunicipal 2010 finalizou com o título sendo conquistado pela seleção de Porto Seguro. A seleção de Ipirá não foi muito além do esperado. Ficou visível a improvisação, a falta de estrutura e de apoio substancial, inclusive, ficou pelas tabelas com a imaturidade do elenco de jogadores, que para o enfrentamento neste tipo de competição devem incorporar uma atitude de compromisso e responsabilidade de atleta. A seleção para ter a perspectiva do sucesso tem que fazer um planejamento eficiente e contar com um apoio logístico.

A seleção de Ipirá avançou em vários aspectos, inclusive, na implantação de um perfil mais atlético e responsável para os integrantes da equipe, o que não é fácil. Outras questões não puderam ser superadas. Nada é fácil neste campo e não é tarefa fácil tocar o futebol, principalmente quando próceres do poder municipal faziam mau agouro sobre a seleção ipiraense e torciam para o fim das referidas despesas municipais, como se isso levasse os cofres municipais à falência ou como se aplicar fundos municipais em esporte não fosse um investimento em cidadania.

Mesmo como todos os apertos e uma trajetória penosa e árdua, Ipirá teve sua revelação no Intermunicipal 2010. Foi uma brilhante e digna revelação. Seu nome é Anilton Ribeiro, conhecido por Paulistinha, que atuando como árbitro de futebol foi ganhando destaque na competição, devido a sua capacidade técnica, dedicação, responsabilidade e vontade para fazer o melhor e aqui fica a lição: qualquer jogador de bola que quiser aspirar algo mais do que ficar em Ipirá, tem que seguir essas referências.

Paulistinha foi árbitro principal em várias partidas do Intermunicipal 2010, participou do jogo de profissionais Fluminense 1 x 0 Serrano pela Copa Governador do Estado 2010, no Jóia da Princesa. Este mês, Anilton Ribeiro tornou-se árbitro do quadro profissional da Federação Baiana de Futebol. Anilton está de parabéns. Tem todo um caminho pela frente e, sem dúvida, irá trilhá-lo com trabalho, competência, maestria, e desta forma, chegará a um porto seguro e a uma carreira vitoriosa.



domingo, 26 de dezembro de 2010

O TRIO DE OURO.


A rebelião branca está em curso. O “trio de ouro” quer fazer do Legislativo um poder livre do chicote, do domínio e da interferência do Executivo de Ipirá. A liberdade já seria “terra à vista” se não fosse a oposição. A oposição ao prefeito virou situação, não era oposição, e o “trio de ouro” que era situação posicionou-se contrário ao Executivo. Se os vereadores que se diziam oposição mantivessem a posição, o tiro seria bem na testa do Executivo, que baixaria a crista.

Politicamente, a bancada oposicionista da Câmara comete um erro elementar, pois seria o primeiro momento e bom motivo para impor uma derrota ao prefeito e levá-lo a um desgaste profundo. Fez o inverso, pisou na bola. Vacilou. Não tem méritos para ocupar o lugar que está a ocupar.

Um Legislativo autônomo e independente seria altamente positivo para a democracia em nossa terra e na medida em que estivesse disposto a dizer não ao poder impositivo e centralizador do Executivo ipiraense estaria tomando uma postura alvissareira para o município de Ipirá. Mais do que nunca se faz necessário um Legislativo livre do guarda-chuva de ferro do Executivo.

Nos bastidores, a rebelião branca apresenta manchas de sangue, desde quando, o prefeito Diomário sempre atira ao ventilador um argumento que apresenta “um trio de ouro querendo vantagens pessoais”, mas na batalha em campo aberto, principalmente, nos meios de comunicação, ficou bastante claro que o desejo do “trio de ouro” é pelo atendimento às promessas de campanha feita pelo prefeito Diomário e a um acatamento às reivindicações das comunidades. O poder concentrador do prefeito Diomário descarta por completo esta proposição: “não tem recurso” diz ele.

O ponto de discórdia foi a eleição para o corpo diretor da Câmara. O prefeito que por que quer o vereador Edgar Batista na presidência. O “trio de ouro” rejeita e apresenta Weima Fraga como oponente. O prefeito não aceita e não quer de jeito nenhum, mesmo Weima tendo sido seu secretário até um mês atrás e pertencente ao grupo. O prefeito Diomário sai da reta e diz que não tem nada a ver com a eleição da Câmara, na verdade está no olho do furacão.

O impasse está na ordem do dia. A pretensa vantagem e força do prefeito Diomário cai por terra com a necessidade da Câmara votar o Orçamento 2011, em segundo turno. O “trio de ouro” bate pé firme e não vai aprovar o Orçamento 2011, que se cair, obrigará o prefeito a administrar com os valores do Orçamento de 2010. Se o prefeito Diomário deixar a peteca orçamentária cair estará cometendo o seu maior vacilo, pois deixará para trás 8 milhões de janeiro 2011, mais 7 de fevereiro 2011, ou seja, de um total de 15 milhões só poderá utilizar 5 e 10 ficará guardado para 2012. Assim sendo, o prefeito Diomário está sentado em uma bomba com pavio aceso, e entre o seu vacilo e o vacilo dos vereadores oposicionistas é preferível que ele mande para o inferno o vacilo dos vereadores oposicionistas e festeje Weima presidente.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

RADIOGRAFIA 9


Deu burros n’água, o Titanic afundou. Morreram mais de trezentos livros. Não foi noticiado pela mídia, simplesmente, porque a morte de livros não tem missa encomendada nem anuncio em carro de som.

É assim que a coisa anda e desanda em Ipirá. O Centro Cultural Elofilo Marques foi inaugurado um pouco antes das eleições 2010, na fervura da campanha, com a intenção de impressionar e instigar a população para a contemplação carregada de ingenuidade: “ma qui cosita ma bella!”

É incrível! O majestoso não suportou a primeira chuva das trovoadas. A água descia pelas paredes como uma cachoeira. O concreto gotejava como uma espuma. No piso, a água ia aumentando o volume e parecia o encouraçado Titanic recebendo água pelas fendas da fuselagem. Na biblioteca, a água alcançava os joelhos. No auditório, as cadeiras boiavam. O teto encharcado virou um bolsão de água e ameaçava desabar com o peso, foi providencial a abertura feita e a enxurrada desceu feito uma tromba d’água. As caixas de livros do FNDE foram atingidas. Era o dilúvio de Noé. Foram precisamente 1h30min de chuva, ou seja, 30 mm de precipitação e fez esse estrago todo. Imagine 100 mm, o que não faria?

Ninguém podia entrar ou sair. Bater fotos da correria? Nem pensar. Tentavam de todas as formas retirar a inoportuna e recalcitrante água que teimava em continuar. Ali, que outrora era a Caixa d’água de Dé Fonseca, que saciava a sede da população de Ipirá, a água buscava o seu antigo leito e revoltosa molhava as páginas que saciam a sede do saber. Páginas úmidas, molhadas e perdidas. Só saliva de prefeito e secretária pode recuperá-las.

Eis uma característica permanente, que não se pode suprimir e muito menos negar, da administração do prefeito Diomário: as suas obras carregam o crivo do indubitavelmente ordinário. De tão ordinárias as suas obras chegam a ser indecentes.

Indecentes pelo baixo custo e inferioridade do material; indecente pela aplicabilidade dos consideráveis recursos públicos de forma promíscua e irresponsável, quando firmas de fundo de quintal, sem nenhuma expressão e de capacidade duvidosa assumem o que não têm competência e o resultado é esse triste desarranjo de obras fajutas e chinfrins. Indecentes pela falta de fiscalização. Esse é o traço da capacidade administrativa do jacu e macaco em Ipirá.

domingo, 28 de novembro de 2010

OXENTE, BICHIM! O GOVERNADOR EM IPIRÁ.


Convite da FUNDAL. A convite da PREFEITURA. Oxente! Afinal, quem foi que trouxe o governador? Esta indagação tem certa procedência, embora não tenha tão grande relevância, mas, devido a uns dois comentários que ouvi dos munícipes vizinhos que compareceram ao evento, dizendo que: “não tem um acontecimento que consiga trazer o governador à Bacia do Jacuípe e Antônio Almeida conseguiu.” Oxente foi Almeida ou o prefeito Diomário? A dúvida ficou no ar.

Almeida preparou o melhor cavalo do haras; colocou arreio de ouro e sela com estofo acolchoado, quando foi fazer a montaria, o prefeito Diomário, como bom político que é, pongou na frente e desfilou com galhardia, altivez e brio. É um exímio político.

Dúvidas à parte e deixando a brincadeira de lado, não houve discursos, simplesmente, foi um diálogo entre dois grandes mestres da política, o governador Wagner e o prefeito Diomário, onde o céu era o limite.

O prefeito Diomário estava inspiradíssimo, deve ter levado uns quinze dias preparando o discurso. Foi prolixo, complexo e profundo. Foi longe. Foi buscar nas antigas lições do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA o brilhantismo da filosofia de Ortega y Gasset, deixando o governador boquiaberto e estupefato, e este, não deixou passar em branco a sua admiração e disse: “reconheço que o prefeito Diomário hoje está filosófico e poeta.”

O prefeito Diomário estava cheio de preciosidades e, além do mais, todo faceiro e ensaboado, mostrava-se de uma intimidade exemplar a Wagner e garantiu que estava pronto e que o governador iria receber uma farofa com carne de bode acompanhado de rapadura para a sobremesa. Oxente, bichim! Vê lá se governador vai comer esse tipo de comida depois que passou as eleições e não precisa mais de voto! Isso cheirou muito mais a um recado: “leve esse pirão para comer no avião, agora, olha lá, vê lá se não vai esquecer de mim quando chegar na governadoria, em Salvador.”

Depois do falatório expressivo, eloqüente e elogioso do prefeito Diomário, o governador deve ter pensado: “daqui a dois anos, eu tenho que arranjar um cargo lá em Salvador para esse prefeito.” O próprio governador não pediu segredo e disse: “eu sei que o prefeito Diomário vai me entregar um envelope cheio de pedido, quem não sabe pedir não sabe levar.”

Oxente, bichim! Já que é assim, ou o prefeito Diomário não sabe pedir ou pede mal de mais, ou não adianta pedir nada a esse governador. Uma coisa é certa, depois que criaram os territórios, as reivindicações de municípios do porte de Ipirá perderam-se ao vento. Mesmo sem ser chamado para o debate, eu digo assim: nesses oito anos (faltam quatro) Ipirá não terá uma obra de peso, como um Matadouro; um Hospital com UTI; uma Faculdade estadual; um Parque de Venda de animais; uma Escola Técnica federal; FUNCIONANDO é claro, sucata e virtual não vale, e tem mais, o governador Wagner só voltará a Ipirá, na campanha de prefeito, para defender o candidato macaco e nas próximas eleições para o governo do Estado, para defender o seu candidato, a não ser que o prefeito Diomário traga-o para comer uma carne de bode, com farofa e rapadura.

Oxente, bichim! E eu fico pensando:” o prefeito Diomário, com toda essa habilidade política que carrega, se o governador fosse Paulo Souto, o que ele faria? A oferta seria um filé à parmegiana, com figos na sobremesa. Oxente, bichim! E se fosse Geddel? Seria uma polenta com salmão e amoras frescas para o saboreio. E o falatório? Seria o mesmo apresentado para Wagner.” Como diz o ditado popular: raposa que não baba, não balança o rabo.

O governo foi claro no recado: “não concordo com bandido e essa juventude não pode ir por esse caminho, porque terminará presa ou morta.” A polícia colocou a faixa de alerta na avenida: “não deixe a Bahia virar o Rio, aumente nossos salários” ta dito, se não aumentar, o Rio vem para cá, porque com o que ganha os professores, a juventude vai virar bandida, pelo menos, os que quiserem.

Oxente, bichim! E quem trouxe o homem? Há trinta anos, todas vezes que o governador veio à Ipirá, com chamado da Prefeitura, antes da fala do prefeito e a dele, tocava-se umas dez girândolas, num estardalhaço de fazer tremer a terra, mas, dessa vez, não tocaram um traque de massa. Uma coisa é certa, quem tem média com o governador Wagner em Ipirá é o prefeito Diomário.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

UUUUUUUUUUUUUUUUUUÚ, TU ERROU!

Vaias sobre vaias: [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu errou].
Realmente, eu tinha feito um prognóstico para o SEGUNDO TURNO das eleições presidenciais no município de Ipirá (foi no conversando com os números 1) e não foi compatível com a realidade.

Realmente, como diz o prefeito Diomário, eu não acerto uma, mas isso não é motivo para essas vaias, eu não as mereço. Tem um culpado por trás disso. No primeiro turno votaram em Ipirá 30.992 eleitores. Eu afirmei (não nego) que iam comparecer para o segundo turno: 30. 500 eleitores. Não é que compareceram 30.088, errei por causa de 412 malandros que preferiram ir à praia do que comparecer ao local de votação para dar uma carimbada na sua condição de cidadão. No primeiro turno foram 8.558 (21,64%) abstenções, justamente a turma que não encontra trabalho em Ipirá e tem que dá seus pinotes lá fora (cortando cana no Paraná, Mato Grosso, etc), para o segundo turno, a abstenção aumentou para 9.462.

A abstenção cresceu 904 votos e eu vejo que a culpa está nos 412 malandros e no prefeito Diomário que, dessa vez, falhou na questão dos transportes para levar o povo para votar na zona rural. Na Praça do Mercado sobrava gente e faltava transporte. No primeiro turno o interesse era o voto para os deputados. Justifiquei o meu erro ?
[uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu errou]

O voto em branco caiu de 764 para 405. Eu calculei em 629. Realmente, errei por causa de 224 votos. O prestígio de Branco em Ipirá está caindo, aí eu não posso fazer nada. O voto nulo caiu de 2.680 para 1.509. Dessa vez, com o voto solitário, 1.171 pessoas acertaram o dedo. Eu calculei que seriam 775 nulos. Não errei como você está dizendo, foram, justamente, os 734 eleitores (a mais) que não queriam nenhum dos dois candidatos. Isso está claro ? [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu errou]

A votação de Dilma em Ipirá foi 20.365 e eu coloquei na postagem do dia 5 de outubro que seria 21.948, diferença de 1.583 votos a mais. A votação de Serra em Ipirá foi 7.809 votos e eu coloquei quinze dias antes, que seria 7.148, uma diferença de 661 a menos. [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu errou]

Não faça isso, eu não mereço essas vaias. [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu errou]. O que é isso, só porque não foi na mosca ... [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuué, tu errou]. Tenha um pouco de paciência, o percentual da diferença foi mínino... [uuuuuuuuuuuuú, tu errou].

Ó sujeito ! não me rete não, senão eu coloco um prognóstico aqui para 2012 e você vai ter que engolir. [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu não acerta]. É, não acerta não, então lá vai: para 2012, eleições de prefeito em Ipirá, o candidato da macacada será Antônio, ou Dudy, ou Jurandy e o da jacuzada será Luís Carlos, ou Maurício ou Marcelo, agora, engula sua vaia.

[E o resto ?] Que resto ? [o resto da população, você só citou três pra lá e três prá cá]. Ipirá tem 62.197 habitantes menos os seis iluminados e mais o prefeito atual, que não pode ser reeleito, sobram 62.100 habitantes que só servem de massa de manobra e não possuem nenhuma capacidade para administrar esse município, assim está configurado o esquema das oligarquias dominantes. Ó sujeito! Por que você não continua vaiando? [pio, pio, pio, pio].

sábado, 23 de outubro de 2010

HOMENAGEM (parte 6)


O trio de Isaac Sanfoneiro, escorraçado e fugitivo de Ipirá, refugiou-se em Pintadas. O menino Dodó da Zabumba começou a mostrar-se pelas ruas do distrito, com uma camisa de manga comprida, nas cores amarelo e preto, parecendo couro de onça e uma calça verde-sumo, ao tempo que colocava os óculos escuros para distribuir charme e devido ao sol escaldante de Pintadas.

Aquela nova figura começou a despertar corações e atrair, para si, olhares apaixonados. O zabumbeiro Dodó ficava cada vez mais cheio de pose. Depois de algumas apresentações o alvoroço feminino aumentou em torno de sua pessoa. Dodó não podia ficar em casa e muito menos ir para a rua. Onde estivesse era atacado. O que mais ouvia era um tal de: “pão” prá lá e “pão” prá cá; “venha cá meu zabumbeiro”; e por aí a coisa ia esquentando até pegar fogo.

Certo dia, à boca da noite, o zabumbeiro Dodó foi atacado por uma mulher, que o jogou contra a parede dizendo:
- Meu pão gostoso! Ta faltando tu fungá nu meu cangote.
- O que é isso dona? Com uma prosa dessa a dona intorta o meu verso. Do jeito qui eu tô bateno zabumba, eu só vou tê uma folga daqui a três mês, até lá a dona tem qui ficá na fila.

A mulher puxou uma serra e encostou-a no pescoço de Dodô e foi dizendo:
- Se tu num atendê o meu chamego eu toro o teu pescoço em dois.
- Oxe dona! Tire essa serra inferrujada do meu pescoço. Quem já se viu querê assustá os ôtro cum uma serra vagabunda dessa, nem Starret é essa porcaria.
- Eu carrego essa serra é no meu coração e si tu me atraiçoá eu arranco os teus bagulho.
- Oxente dona! No meu coração eu só carrego amor prá dá. Serra xexelenta e ordinária eu num quero nem prá serrá chifre de chifrudo. Isso é lá coisa de gente de bem carregá na gibeira ? Eu num quero sabê do qui não presta.
- Vê lá cuma é qui tu vai depositá teu voto de cunfiança, qui de agora pur diante tu vai se vê cum minha pessoa e cum minha serra.

O zabumbeiro Dodô era determinado, mas, também, não era de ferro e ficou aturdido depois que teve aquela serra enferrujada encostada no pescoço. Levou alguns dias preocupado, mas, sem demora, apareceu na sua vida uma nova e doce esperança. Era uma menina de cabelo curto, que gostava de usar laquê e possuía um sorriso meio forçado. O zabumbeiro Dodó enxergou com clareza o seu verdadeiro caminho e sem perda de tempo foi perguntando:
- Qual é sua graça?
- Dilma – respondeu a menina.
- Bom, Dilma. Nós dois ainda não começou a namorá e eu já tô apaixonado por tu.

A notícia desse novo amor espalhou-se rapidamente e chegou ao conhecimento da concorrente que usava uma serra, esta por sua vez, baixou o nível da disputa e do debate, e quando encontrou o zabumbeiro foi mostrando-lhe a serra enferrujada e dizendo:
- Olha seu cretino, essa mulerzinha é macumbeira; arranca minino do bucho; num acredita in Deus e só torce pru Diabo e eu vou infiar essa serra nas tripa dela e vou te capá cuma se capa bode na fazenda Cais.

O zabumbeiro Dodó suava frio só de pensar em estar dormindo e acordar capado por serra ou com o pescoço cortado pela serra. Deu tempo correr, mas antes ainda falou:
- Lá ele; o cão é que quer uma serra inferrujada; chega prá lá, ti discunjuro.

Não teve jeito. A situação, nesta disputa, era favorável à Dilma. A figura que carregava a serra enferrujada era muito baixa, não subia de jeito algum, embora pressionasse um pouco, mas sem ser uma ameaça concreta e, por isso, no dia 31 de outubro, Dilma foi para Brasília, deixando um bilhete para o zabumbeiro Dodó: “Querido Dodozinho. Estou indo para Brasília; obrigado por confiar em mim. Eu sei que vou fazer muito por todos nós. Pintadas 31 de outubro. Dilma.”

O trio de Isaac Sanfoneiro apresentava-se numa quermesse na porta do Mercado e Dodó com a zabumba era um espetáculo à parte, neste exato momento, apareceu a tropa de elite da polícia de Pintadas: Pedrão, com dois metros de altura e três de largura; Oliveira, com um cacetete do tamanho de uma estaca; João, que tinha uma mão do tamanho de uma pata de onça e que era irmão da mulher da serra, que apontou dizendo:
- Meu devedô é aquele ali, o tocadô.

O zabumbeiro Dodó saiu de mansinho, disfarçando, diminuindo o ritmo da zabumba, que deixou no chão e disparou na correria. Era tarde. Pedrão deu uma rasteira e a mão de onça segurou-o pelo pescoço, enquanto esfregava sua cara no chão.
- É tu o sujeito sem-vergonha que desonrou minha irmã ?
- Qui cunversa é essa seu guarda! Bota essa boca prá lá seu guarda. Eu sou é florzinha, eu gosto é de home assim como o seu guarda – falou o zabumbeiro com a voz afeminada.

- Tu toma vergonha nessa cara seu franginha. Foi esse minha irmã?
- Foi sim, Jão.
- Num fui eu não seu guarda. Foi meu irmão Ramiro Taco Roxo.
- Vamos cumprová isso direito. Minha irmã, mi diga, o taco dele é roxo?
- É roxo Jão, é bem roxo.

O soldado João examinou e concluiu:
- Esse zabumbeiro é marica de nascença – e virando-se para Dodó, disse-lhe – olha sua mariposa, tu tem dois minutos para sumir de minha vista, senão eu te entrego para a serra enferrujada fazer um servicinho nus teus quimba.

O zabumbeiro Dodó saiu numa disparada que não ficou nada na dianteira que ele não levasse no peitoral, foi catinga de porco, palmatória, mandacaru, calumbí e o que mais aparecesse pela frente. Pela manhã estava em Ipirá.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

CONVERSANDO COM OS NÚMEROS (final)


A votação para deputado estadual foi o primeiro voto. Em Ipirá, foi o que menos apresentou votos nulos, apenas, 922 ( presidente foram 2.680 nulos e governador foram 3.026 nulos) o que significa claramente que o voto nulo vai cair no segundo turno. Dois fatores contribuíram para ter a menor quantidade de nulos: ser o primeiro voto de uma série de seis e pelo fato do voto de legenda absorver 4.073 votos ( legenda federal foram 3.372).

Para deputado estadual foram 1.568 votos em branco(5,06%) somados à legenda dá um total de 5.641 votos, mais os nulos apresenta um somatório de 6.563 eleitores que não quiseram ou não acertaram votar nominalmente para estadual e esse total só perdeu para o deputado Jurandy Oliveira. Em Ipirá, foram votados 232 deputados estaduais. Só quatro deputados tiveram mais de mil votos (53,2%).

Vamos ao que interessa. Começando pelo grande vencedor das eleições: o prefeito Diomário, que ao agradecer os votos foi enfático: “ ademais, liberamos partidários e amigos para, os que quisessem, votassem em Neusa Cadore, ela que é parceira e tem ajudado muito Ipirá, obteve 3.056 votos“. Coruja é quem gaba o toco, o prefeito Diomário, prepara o golpe, hoje, cantarola pelo que tem e pelo que deixa de ter, antes tinha dois votos na cuia, hoje, acha que tem um pote abarrotado. Nessa meia-tijela ele não dá prego sem estopa.

O governador Wagner deu o bote certo, fechou de corpo e alma com a macacada e pulou de 13 para 19. A deputada Neusa deu o bote errado, apoiou a macacada nas eleições para prefeito, caiu de 5 para 3. Mas, no giro que o mundo dá, uma linha torta quando esticada termina certa. O apoio da deputada aos macacos trouxe prejuízo neste momento, mas pensando num futuro próximo, a deputada que errou quando apoiou um grupo que tinha deputado próprio, vai sair ganhando porque esse deputado perdeu e o prefeito Diomário, que não perde tempo, vai correr atrás da deputada que será a nobre representante de Ipirá e do líder Diomário na visão do prefeito. Nada nesse mundo fará o governador deixar a macacada e como ele diz:”a macacada é hegemônica em Ipirá”.

A derrota do deputado Jurandy Oliveira encerra o ciclo de ter ipiraense na Assembléia Legislativa. Observe se tem ipiraense no Congresso Nacional. Henrique Lima Santos foi o único e o último. Todos os políticos ipiraenses comem o sal desta terra, são locais. Só tem um ipiraense (nascido nessa terra) que poderá galgar uma vaga na Assembléia, chama-se Lourival Gusmão, que corre toda a Bahia com um trabalho junto às organizações e tem mais, ainda tem que contar com o apoio do senador Pinheiro, a quem está ligado, caso contrário não vai. Fora do esquema é difícil, dificílimo (como diz seu Vavá da televisão). Jurandy não perdeu só a eleição, perdeu o espaço que tinha na política estadual, agora a voracidade petista abocanhará todos os seus redutos e aquele abraço.

O PT de Ipirá não saiu do lugar, mesmo com duas secretarias. Caiu da votação de Carlinhos para a votação de Ailton (1.770). Mas o azar dos petistas ipiraenses vai mais longe. Deram azar por Jurandy ter sido eleito em 2006, quando Wagner ganhou o primeiro mandato, motivo pelo qual o governador buscou o seu apoio e o deputado ficou prestigiado e com muita média junto ao governo, tendo mais respaldo do que qualquer petista ipiraense. O PT de Ipirá sobrou.

Azar maior do PT de Ipirá foi a derrota do deputado nestas eleições, justamente quando Wagner ganhou um segundo mandato. Sem a Assembléia e na geladeira do esquecimento petista, o ex-deputado virou um potencial candidato a prefeito de Ipirá e o que era dois (Antônio e Dudy) virou três postulantes. E o PT de Ipirá sobrou e sobrou feio. Candidato petista pelos macacos é uma carta fora do baralho.

Nessa situação, nem o governador Wagner poderá implorar ou impor uma candidatura petista na cabeça da chapa dos macacos para a prefeitura. Assim sendo, é aconselhável ao PT de Ipirá, baixar logo a crista e brigar por uma vaga de vice e ajudando nesta proeza impressionante, eu sugiro humildemente, se é que minha sugestão vale alguma coisa, uma chapa formada por Ademildo na vice e Jurandy na cabeça. Quem sabe !

A vice está de bom tamanho, até mesmo porque, a turma da prefeitura, para ficar melhor esclarecido, gente da Prefeitura de Ipirá, já começou a divulgar UM boato ou UMA verdade (não sei se é ou não é) sobre a Secretaria de Saúde, que torra com azeite fervendo na frigideira dos macacos e enterra de vez qualquer pretensão (se é que existe) do secretário Ademildo em ser prefeito dessa terra. Procurem averiguar o que estão espalhando, porque agora, os petistas ipiraenses vão ver a verdadeira face do prefeito que vocês apoiaram, o Diomário, e cobrem dele uma atitude, porque chegou a hora dos petistas ipiraenses perceberem a força da mentira ardilosa e o tamanho do embuste em que vocês se meteram.

O PCdoB em Ipirá ficou do mesmo tamanho. Foram votados em Ipirá vinte deputados do PCdoB. Tivemos na totalidade 580 votos. Javier obteve 218 votos e o professor Rui Oliveira teve 172, somados os dois, dá um total de 390 votos. Agradecemos aos amigos, aos simpatizantes, aos que tiveram a convicção de votar nos deputados estaduais de luta do PCdoB. Resistir, sempre, é preciso. Dilma presidenta.