domingo, 31 de julho de 2016

CONVENÇÃO ‘DUS BRODI’

Ipirá tem 46.069 eleitores aptos ao próximo pleito de outubro 16. Comparecerão às urnas uns 36 mil eleitores. Uns dez mil são os que já morreram; os idosos que não possuem facilidade para locomoção, ou não enxergam direito; são os que estão morando e trabalhando fora, viajando e não possuem motivação ou condições para aqui comparecerem no dia das eleições, etc e tal. Esse é meu palpite para os votos validos: 36 mil votos válidos.
A macacada fez a convenção no dia 30 e a jacuzada no dia 31. Não perderam o prazo estipulado pela Lei Eleitoral. São zelosos obedientes à lei. Vão obedecer rigorosamente ao que diz a lei no referente à propaganda eleitoral, aos prazos, às regras, às decisões acordadas, até para não receberem multas em dinheiro. Serão cumpridores diligentes da lei. Pense num povo que segue a lei ao pé da letra, no seu mais apurado rigor! Pensou no jacu e no macaco.
A Lei Eleitoral determina que as despesas de campanha para prefeito no município de Ipirá terá que ser R$ 143.908,30 por candidato. Pense num pinote que o sujeito foi cair na casa da desgraça! Pensou no jacu e no macaco. Essa lei está errada! Essa lei não presta! Quem é besta para seguir essa lei?
Nem jacu, nem macaco vão obedecer essa lei. Nem Deus, nem Satanás vão fazer jacu e macaco obedecerem essa lei. Mas, a lei não é para ser cumprida? Dizem os advogados que é. Mas, a lei não é para ser burlada? Dizem os advogados da jacuzada e macacada que é. E por que quando se trata de dinheiro todo mundo quer desrespeitar a lei? Hum! Aí é que o bicho pega.
Observem que esse valor foi definido pela prestação de conta de maior valor da última campanha do jacu e do macaco. Observe que agora teremos uma campanha de metade do tempo da anterior e nem assim, e nem por isso, eles querem ou irão obedecer à lei. E convenhamos a lei é boa demais, é generosa demais, tratando-se de dois candidatos lisos (Aníbal e Marcelo) no sentido de disporem de um milhão para gastar tirando do próprio bolso.
Aí, nestas condições, quem corre sério risco de ser assaltada é a Prefeitura Municipal de Ipirá, porque é o dinheiro público que vai bancar a campanha da situação e da oposição, caso venha a ganhar as eleições. Com dois ‘candidatos lisos’ Ipirá está enfiado no buteco do calango, porque eles não obedecerão a Lei Eleitoral e o dinheiro público não será respeitado na campanha, imagine quando um deles estiver lá dentro. É a prática.
Que maldade! Como é que se escreve tanta maldade contra pessoas tão sérias, de mãos limpas e tão bem intencionadas? O dinheiro vem dos grupos, dos empresários dos grupos, dos ricos dos grupos. É tudo dinheiro limpo. É mesmo? Todo mundo tem que acreditar nisso?
Na última eleição municipal, um rico virou para a candidata e disse: “doutora, tome aqui esse dinheiro (valor ?) para a campanha, se a senhora perder, a senhora não me deve nada, se a senhora ganhar a senhora me devolve o mesmo valor sem juros.” A pergunta é simples: esse rico contribuiu com quanto para a campanha? Com nada. Ele sabia que a candidata tinha chance de vitória. E a candidata vitoriosa tiraria do seu bolso para fazer a devolução? Só a cabeça de um jegue poderá achar que sim. O dinheiro ia sair dos cofres da prefeitura. Não sei o resultado disso aí.
Ainda na última eleição municipal, um agiota rico virou para o candidato e disse: “doutor, tome esse dinheiro (400 mil) para a campanha, se o senhor perder o senhor me devolve sem juros, se o senhor ganhar o senhor me paga o dobro.” A pergunta é simples: esse rico contribuiu com quanto para a campanha? Com nada. Ele preveniu seu dinheiro quanto a qualquer risco. E se o candidato fosse o vitorioso, quem pagaria esse dinheiro? O dinheiro ia sair dos cofres da prefeitura. Você na condição de cidadão acha esse tipo de proposta correta?
Uma coisa é certa: o sistema jacu e macaco está podre. Qualquer candidato a prefeito em Ipirá, por mais honesto que seja, está sujeito às mais capciosas propostas porque eles criaram um monstro que corrompe e desmoraliza e não tem como cortar a cabeça dessa figura deletéria que está inserida na politicagem do clientelismo que é a base da conquista do poder em Ipirá. A ação mafiosa mancha e corrói a possibilidade da ética e da honestidade prevalecer. O grande derrotado será o município de Ipirá.
Nesta campanha de 2016, a figura mais importante da campanha será o CONTADOR, que terá que fazer o trabalho químico, de transformar um, dois, três milhões em míseros R$ 143.908,30 para a prestação de contas. Aí eles são forçados a obedecer à lei, queiram ou não. Quanto custará um contador? Quanto custará o silêncio de um contador? Quanto custará o serviço de um contador? Um contador vale tanto quanto, ou bem mais que um marqueteiro.
Não adianta o probo advogado (da jacuzada ou macacada), de caráter íntegro, honesto, honrado, reto e justo dizer que só gastará na campanha o que a Lei Eleitoral determina, porque não será desse jeito; o caixa 2 vai comer no birro 30. Não obedecer a lei é crime. O crime eleitoral do caixa 2 será a nota dessa campanha. Se o Ministério Público montar um Lava Jato em Ipirá e entender de vasculhar essa campanha 2016 em busca de uma agulha vai encontrar prego do tamanho dos postes dos refletores do Estádio Municipal.

Para o cidadão comum, que não leva nenhuma vantagem com as eleições em Ipirá, só resta uma pergunta: se essa gente do jacu e do macaco, com seus dois candidatos à frente, não respeitam o que diz a lei na questão dos gastos de dinheiro na campanha, o que será quando estiverem frente a frente com dez milhões de dinheiro público nos cofres da prefeitura? Se não respeitarão agora, na campanha que vai começar, por que respeitarão depois da campanha na prefeitura? Os candidatos (Marcelo e Aníbal) são figuras comprometidas e enroscadas com seu determinado grupo (jacu e macaco), esse é o limite dos dois, nunca irão compreender que Ipirá é maior do que esse troço.

terça-feira, 26 de julho de 2016

LIMITE DE CAMPANHA

O gasto da campanha eleitoral no município de Ipirá está definido e estipulado em: R$ 143.908,30 para prefeito e R$ 10.803,91 para vereador. É coisa do TSE. Eu sei que os dois grupos (jacu e macaco) não gostam de obedecer e não obedecem à Lei Eleitoral, aí é problema deles.
Ipirá tem 46.069 eleitores aptos. Jacu e macaco têm fama de gastarem os tubos em eleições municipais. De boca pequena, corre conversa de que em Ipirá o gasto é em torno de um a dois milhões de reais. Nada que comprove, é tudo caixa dois, pelo menos o grosso do que se gasta..
Uma vergonha que vem ocorrendo, repetidamente em eleições municipais, é uma tal de boca de urna  praticada nas noites às vésperas do dia do pleito. No último pleito 2012, teve grupo que arrecadou mais de trezentos mil reais (o dobro do estabelecido pelo TSE para 2016) para botar nas mãos de uma malandragem que fica a percorrer casas de eleitores para comprar votos.
Uma coisa vergonhosa por vários motivos: primeiro, porque a compra de voto é um crime eleitoral; segundo, essa malandragem passa o dinheiro para uns dois gatos pingados que vão votar, o resto mete no bolso do brim, dessa forma, essa boca de urna é coisa de otário (os candidatos que a praticam) e de vagabundo (que rouba dinheiro do próprio candidato). É uma oportunidade para se extirpar essa prática criminosa em Ipirá.
Uma boa oportunidade para se ter uma campanha em Ipirá respeitando o direito livre de decisão de cada eleitor. Um respeito, até mesmo, ao cidadão que não tem consciência de nada nesse mundo e que acha que leva uma baita vantagem ao trocar seu voto por um pagamento da conta de água de sua residência.
Os dois candidatos, Aníbal Ramos e Marcelo Brandão, são homens que respeitam a legalidade, se assim não fosse, não mereceriam estar pleiteando um cargo em que o detentor deve ter a honestidade como princípio e prática. Dentro dos dois grupos não faltarão os elementos que atiçarão a desobediência à Lei Eleitoral. São os malfeitores que infestam as campanhas eleitorais, da mesma forma que os vermes assolam os cadáveres pútridos.
Ipirá só tem a lucrar com essa decisão do TSE que limita os gastos eleitorais. Poderemos ter novidades, com candidatos ganhando o pleito por conta do dinheiro e perdendo o mandato por conta do desacordo de suas contas de campanha. O caixa dois é crime eleitoral. O volume da campanha eleitoral tem que ser enquadrado no valor que pode ser gasto e não um super volume com um baixíssimo custo. Eu quero ver carreata de oitocentos carros orçada em mil reais. Nem no inferno.

Qual será a nova maracutaia do jacu e do macaco para burlar a lei? É isso que eu quero ver. Por enquanto, falta uma semana para acontecer o primeiro turno das eleições municipais: a eleição indireta. No segundo turno, a direta. A jacuzada aposta que vai acontecer. A macacada não quer nem ouvir falar nesse troço. Uma coisa é certa, essa poderá ter um custo bem maior do que a de outubro. Nem o TSE arriscou-se em estipular um valor.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

A LEI PELO AVESSO


A Magna Carta é a CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, que bota embaixo do cangote todas as outras leis, inclusive, a Lei Orgânica do Município de Ipirá, que tem que estar em acordo com a Magna Carta.

“Aplica-se aos Estados e Municípios o disposto no artigo 81, § 1º da Constituição Federal que determina a realização de eleição indireta se ocorrer a Vacância dos cargos de Presidente e Vice Presidente da Republica nos dois últimos anos do mandato, independentemente da causa da Vacância”.
Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga.
§ 1º - Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.
§ 2º - Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.

Que tenha ou não eleição indireta, teremos, com certeza, uma contenda entre dois grandes causídicos de nossa província: Marcelo Brandão contra Diomário Sá. Quem será o vencedor? Nesta eleição meia-boca de 3 de agosto, os candidatos à prefeito serão outros, mas as estratégias dos acontecimentos ficarão por conta dos dois grandes bacharéis do direito.

Será uma contenda de elaboração primorosa, onde a estratégia empregada será definidora do resultado. Dos dois, quem baixar o santo e incorporar a capacidade de manobrar ‘tipo Eduardo Cunha’, no bom sentido, sairá vencedor. Será um combate valendo cinturão de ouro tipo UFC.

O que quer o advogado Marcelo Brandão? Que tenha eleição indireta. A jacuzada está pleiteando, pela lei certa, para ser cumprida, com suas bem traçadas linhas, uma eleição indireta até o dia 3 de agosto para eleger o prefeito do município por cinco meses. A jacuzada tem certeza absoluta de que essa eleição vai acontecer.

O que quer o advogado Diomário Sá? Que a eleição indireta não aconteça. A macacada pega a lei torta e pelo avesso, com suas mal traçadas linhas, no sentido de emperrar e não deixar acontecer, de forma alguma, qualquer eleição para eleger o prefeito do município por cinco meses. A macacada tem certeza absoluta de que essa eleição não acontecerá.

Esse pessoal está brincando com Ipirá. A jacuzada argumenta que a Lei Orgânica tem que ser cumprida e não pode ser rasgada; que os atos do prefeito em exercício, Aníbal Ramos, sem o amparo da lei, serão afetados pela nulidade; por ser prefeito interino, genérico, de exceção e não prefeito de direito, não poderá continuar governando, por isso, existe a necessidade da eleição indireta em trinta dias.

Esse pessoal está tratando Ipirá como uma peteca. A macacada argumenta que o prefeito Aníbal Ramos é um prefeito dentro da legalidade e tem que completar o mandato anterior, com base na Lei Orgânica do Município. Nesse sentido vai fazer de tudo para impedir o pleito indireto, num vale-tudo para ganhar tempo, com recursos e outras artimanhas que serão utilizadas no processo protelatório.

Os interesses dos dois grupos são divergentes quanto ao mérito da questão, mas trata-se do mesmo parangolé, é o interesse de grupo, não interessa qual, é interesse de grupo.

Por que a jacuzada faz tanta questão desta eleição indireta? Pelo amor à Ipirá? Hum, hum, hum! Nã, nã, não! Pelo bem da pré-candidatura do advogado Marcelo Brandão. Se acontecer a eleição indireta da Câmara dos Vereadores e a jacuzada fizer o prefeito, como tudo está a indicar, por ter maioria entre os vereadores, corta o controle do cofre pela macacada e abre espaço para usar a máquina pública em benefício da jacuzada.

Por que a macacada não faz questão desta eleição indireta? Pelo amor à Ipirá? Ham, ham, ham! Non, non, não! A macacada tem o doce na boca, se acontecer a eleição indireta da Câmara de Vereadores e a macacada perder a prefeitura, como tudo está a indicar, por ter minoria entre os vereadores, perderá o controle do cofre e poderá ficar impedida de usar a máquina pública em beneficio da pré-candidatura Aníbal Ramos e da própria macacada. Significa entregar o ouro de mão beijada.

Muitas vezes os operadores do direito jogam lama na lei. Mais do que qualquer coisa o que vai acontecer é um embate jurídico. Tanto o jacu quanto o macaco são coerentes com as circunstâncias, não dá outra, a receita é aquela que a circunstância pede.


Tem gente que vê a lei pelo avesso. Muita coisa avilta a lei e a politicagem do jacu e macaco desonra Ipirá. Na última eleição municipal 2012, o episódio das pesquisas fraudulentas, com a rádio FM pelo meio, foi um crime contra a Lei Eleitoral. Fizeram Ipirá ficar de bandinha, feito uma galinha choca, com o ninho cheio de ovos de urubu, para tirar uma ninhada de jaburu com cara de ganso. Impossível! Com a Justiça e as leis que temos tudo é possível, até a imperfeição, pois nada é perfeito, inclusive, Dura Lex, Sed Lex, em Ipirá, pode ser Mole Lex é Zé de Alex.

sábado, 2 de julho de 2016

A DE TI, IPIRÁ! (4)

“A intenção é promover o desenvolvimento em uma região que não tem nenhuma saída para olhar para um futuro melhor. Estudiosos do Brasil inteiro e até de outros países já constataram que a criação dessa zona franca seria o único caminho concreto, viável, possível, para fazer com que o Nordeste possa crescer de verdade.” Extraído do jornal ‘A Tarde’, no dia do São João.
Se você gosta de Ipirá de verdade, leia e releia com atenção esse parágrafo anterior.  Na minha compreensão, esse primeiro parágrafo é cristalino como a água da Caboronga. Refere-se ao desenvolvimento do semiárido e especialistas, até estrangeiros, colocam como o único caminho para crescer de verdade: uma zona franca no semiárido. Não tem outro meio. Caso contrário é esse passo de cágado.
“Crescimento de verdade” é muito diferente de crescer pela boca. Só tem uma única alternativa e eu vou cantar a pedra, assim: “a Zona Franca vem aí gente.” Na Bahia, a cidade contemplada começa com I...
O ipiraense apaixonado por sua cidade, que acha Ipirá o paraíso perfeito no meio do caos ou o pólo de progresso em meio ao descalabro, grita em voz alta e em bom som: “I... I... Itaberaba.” Perdeu. Perdeu Ipirá!  Não vai para Itaberaba, já estamos tão acostumados a perder para Itaberaba, que nem fazemos mais questão de muita coisa. Perdeu Itaberaba. Perdeu Ipirá.
“As cidades polo são: Juazeiro do Norte, no Ceará; Mossoró, no Rio Grande do Norte; Picos, no Piauí; Salgueiro, em Pernambuco; Arapiraca, em Alagoas; Itabaiana, em Sergipe; Irecê, na Bahia; Montes Claros, em Minas Gerais; e Bacabeira, no Maranhão.”
“Cajazeiras como centro da Zona Franca do Semiárido Nordestino é estratégica em função da localização central na região que integra o projeto, apresentando melhor logística.”

“Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 19/11, que cria a Zona Franca do Semiárido Nordestino, com característica de área de livre comércio de exportação e importação. O prazo de vigência dos incentivos fiscais é de 30 anos.”

“A região compreende seis estados e receberia benefícios fiscais.” "Trata-se, portanto, de uma PEC de imenso alcance social e econômico, beneficiando os estados mais pobres do Brasil.  Gente que vive, em sua grande maioria, na dependência  do Bolsa Família, maior programa de distribuição de renda e de redução da pobreza do Governo Federal",
“Somente uma Zona Franca poderá beneficiar essa região, a começar pela criação de mais empregos e mais renda, alavancando e desenvolvendo atividades comerciais e industriais, como um chamariz para novos investidores, em razão da isenção de PIS, COFINS e IPI, além de outros perversos tributos. Montadoras de carros, motos e eletrônicos, serão as primeiras grandes empresas a desembarcarem na região abrangida por este polo.”
“Os incentivos fiscais são de suma importância para viabilizar a implementação de polos industriais e reduzir a desigualdade regional tendo em vista a desvantagem logística, econômica e de qualificação de mão de obra do Semiárido Nordestino com relação às outras regiões do País.”
Quando esta zona franca sair do papel e vencer a burocracia, esta região de Irecê vai ser o grande centro de atração de grandes investimentos no estado. Ipirá está no semiárido e não chupa nem bagaço de cana moída. Por que?
Por ser um município, como outros mais, de contenção da população. Segurar uma parcela da população aqui, para que ela não vá criar problemas ao grande centro. Esse é um ponto. Outro ponto, o Estado não tem dinheiro para investir pesado onde não tem retorno, então, joga-se pesado onde haverá resposta positiva, ou seja, nos pólos produtores e, agora, na zona franca.
Exemplificando: na renúncia, com quinze dias, de Ana Verena e posse do ex-prefeito Ademildo, este, em discurso, disse que a língua estava coçando e ele ia falar, mesmo contrariando o deputado Afonso, e disse: ‘que Ipirá tinha conseguido 200 km de asfalto’. De boca não se vai longe. Governador Rui, nesta quarta-feira, ‘prometeu’ de bom grado, asfaltar uma avenida que não tem um quilômetro. Essa é a diferença de Ipirá para Irecê. Em Ipirá tapar um buraco significa muita coisa.
Ipirá está no ’buteco do calango’; infelizmente é essa situação. Ipirá não está na agenda do governo estadual e federal. Está no mapa, mas não está na agenda. E, tem mais, coloque meio século pela frente e, tem mais, pode ser governador do Estado, um diabo do PT ou um satanás do DEM, dá no mesmo, tanto faz um como o outro, para Ipirá é o mesmo angu-de-caroço, que embucha no estômago e tem que tomar óleo de rícino por cima e meter um supositório por baixo para ver se a coisa acontece de forma diferente. Ipirá está no ‘buteco do calango’.
A única alternativa que sobra para Ipirá, nestas circunstâncias, é o investimento privado dos ipiraenses e das pessoas que moram aqui e acham que Ipirá merece ter uma chance, até mesmo, porque, o poder público municipal é um alvo predatório da politicagem de jacu e macaco, que não incorpora a realidade como um ponto de partida e a coletividade como um objetivo. É coisa de meia dúzia de espertalhões e não de um município.
Uma quarta pergunta para os dois candidatíssimos, Aníbal Ramos e Marcelo Brandão: o que os senhores candidatos pretendem fazer para atender à população como um todo e não como um fragmento de jacu ou macaco? Os senhores não têm a obrigação de responder a estas perguntas formuladas neste blog.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

É DE ROSCA. (19)

Estilo: ficção
Modelo: mexicano
Natureza: novelinha
Fase: Não sei se vale a pena ver de novo
Capítulo: 19 (mês de dezembro 2015)(atraso de 7 meses) (um por mês)

- “Ficou doido!” – “Quem?” – “Foi mesmo!” – “Não é possível!” –“Não acredito!”

A perplexidade tomou conta da cidade. A boataria dobrou a esquina e entrou pela praça, saiu na avenida, desceu cabeça à baixo e entrou por ruas e vielas. Ninguém acreditava, mas a notícia perambulou por toda a parte, de forma ágil, sem precisar do zap zap, só na base do bocão.

- Tá jogando pedra? Jogou uma pedra na cabeça de quem? (ouviu a resposta não) Então não ta doido ainda. Doido para mim tem que jogar pedra ou rasgar dinheiro. Não fazendo uma das duas coisas, no meu haver, ainda, é caso de recuperação.

Vamos aos fatos que comprovam essa situação inusitada na cidade. Em outubro teremos as eleições municipais e, não tem ninguém, nem nada, que tenha mais interesse nessas eleições do que o Matadouro de Ipirá. Agora, ou vai ou racha. O Matadouro de Ipirá foi sincero e mandou o recado: “Dos dois candidatos, quem não tiver uma entrevista comigo será derrotado.”

Essa última palavra foi o suficiente para criar um pandemônio entre os dois candidatos e a preocupação tomou conta do ambiente dos candidatíssimos, que não tinham noção do atropelo que poderia acontecer, desde quando, esse Matadouro de Ipirá é o símbolo número um do fracasso que representam essas administrações do jacu e macaco para o município de Ipirá.

O primeiro a se manifestar foi o candidatíssimo Marcelão, em campanha pessoal há oito anos e que sabe onde é que as cobras moram e, mais do que ninguém, do que o matadouro precisa. Passou na FM e solicitou: “Junior! Prepare todos os discos de Roberto Carlos que eu vou precisar.”

- Você vai fazer serenata pra madame? – indagou Junior.

- Não. Vou ter uma entrevista importante no Matadouro de Ipirá e vou precisar dos discos de Roberto Carlos – explicou Marcelão.

Alguém avisou ao prefeito Bal que Marcelão ia levar uma D-4 de disco de Roberto Carlos. Ele tomou aquele susto, mas recuperou-se à tempo:
- AH, é! Pois, então, eu vou levar uma carreta de disco de Roberto Carlos.

Alguém telefonou para o Matadouro de Ipirá e avisou o que iam fazer o prefeito Bal e o candidatíssimo Marcelão. O Matadouro ficou meio perdido, sem entender direito, mas pensou rápido: “Não estou entendendo nada! Quem faz a propaganda de carne de boi é mister Tony Ramos, parece que Roberto Carlos é vegetariano. Deixa, eles chegarem, que eles vão ver o que bom prá tosse.”

Marcelão parou em frente ao matadouro, desceu com pinta de prefeito, com jeito, traquejo, fala e tremilique, tudo de prefeito. Ligou o som e começou o discurso:
- Eu cheguei em frente ao portão / meu cachorro me sorriu latindo / tudo estava como era antes / quase nada se modificou / acho que só eu mesmo mudei e voltei.

- Eu quero amor decidindo a vida / sentir a força da mão amiga / o meu irmão com um sorriso aberto / se chorar quero estar por perto – mandou ver o Matadouro de Ipirá.

- Meu bem, meu bem / você tem que acreditar em mim / ninguém pode destruir assim / um grande amor / Não dê ouvidos à maldade alheia e creia / sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo – rebateu Marcelão.

- Tudo vai mal /tudo, tudo, tudo / tudo mudou / não me iludo e contudo / a mesma porta sem trinco / mesmo teto, mesmo teto – exprimiu de forma ritmada o Matadouro.

- Falando sério / entre nós dois tem que haver mais sentimento / não quero seu amor por um momento / e ter a vida inteira pra me arrepender – celebrou musicalmente Marcelão.

- Daqui prá pra frente / tudo vai ser diferente / você tem que aprender a ser gente / seu orgulho não vale nada! Nada! – cantarolou o Matadouro.

- Eu sei que esses detalhes vão sumir / na longa estrada / do tempo que transforma todo amor / em quase nada –  mandou brasa Marcelão.

- Você tem a vida inteira pra viver / e saber o que é bom e o que é ruim / é melhor pensar depressa e escolher / antes do fim – proferiu o Matadouro.

- Você foi o melhor dos meus planos / e o maior dos enganos que eu pude fazer / das lembranças que trago da vida / você é a saudade que eu gosto de ter / só assim sinto você bem perto de mim – delirou Marcelão emocionado.

- Você foi a mentira sincera / brincadeira mais séria que me aconteceu – retrucou o Matadouro.

- Detalhes tão pequenos de nos dois / são coisas muito grande pra esquecer / e toda hora vão estar presentes / você vai ver – cantou Marcelão.

- Se você pensa! que vai fazer de mim / o que faz com todo mundo que te ama / acho bom saber que pra ficar comigo / vai ter que mudar – soltou o verbo o Matadouro.

- Este telefone que não para de tocar / está sempre ocupado quando eu penso em lhe falar / quero então saber logo quem lhe telefonou / o que disse, o que queria e o que você falou / só de ciúme, ciúme de você – deu o tom Marcelão.

- Quero que você me aqueça nesse inverno / e que tudo mais vá pro inferno – exprimiu de forma cadenciada o Matadouro.

- De que vale o céu azul e o sol sempre a brilhar / se você não vem e eu estou a lhe esperar / só tenho você no meu pensamento / e a sua ausência é todo o meu tormento – botou pra lá Marcelão.

- Você não vale nada, mas eu gosto de você / eu só queria saber porquê – enfeitou o Matadouro.

O candidatíssimo Marcelão deu um pinote e já foi esbravejando:
- Ôpa, ôpa! Isso aí não é Roberto Carlos, se for assim eu posso mandar a minha preferida “Tudo vai dar certo” e já fui – Marcelão saiu sem, ao menos, dar um até logo, mas o seu pensamento estava envenenado e ele pensava “esse Matadouro ta pirado, vou arrombar com esse sujeito”.

Candidato é assim; um sai, o outro chega. Foi a vez do prefeito-candidato Bal, que parou em frente ao Matadouro e não perdeu tempo, ligou o som e botou prá lá:
- Quanto tempo longe de você / quero ao menos lhe falar / a distancia não vai impedir / meu amor de lhe encontrar.

- Nunca mais você ouviu falar de mim / mas eu continuei a ver você / em toda esta saudade que ficou / tanto tempo já passou e eu não te esqueci – cantou o Matadouro.

- Você foi o maior dos meus casos / você foi dos amores que tive / o mais complicado e o mais simples pra mim / você foi o melhor dos meus erros – mandou brasa o candidato-prefeito Bal.

- Tudo vai mal, tudo / tudo é igual / quando eu canto e sou mudo / mas eu não minto / não minto / estou longe e perto / sinto alegrias, tristezas e brinco – lançou o sucesso o Matadouro.

- Eu voltei agora pra ficar / porque aqui, aqui é meu lugar / eu voltei pras coisas que eu deixei / eu voltei – colocou musicalmente o candidato-prefeito Bal.

- Tudo em volta está deserto / tudo certo / tudo certo como / dois e dois são cinco – soltou o som o Matadouro.

- Está do seu lado pro que der e vier / por você ele encara o perigo / ama você do seu jeito / esse cara sou eu – proferiu em forma de canto o prefeito Bal.

- Cartas já não adiantam mais / quero ouvir a sua voz / vou telefonar dizendo / que eu estou quase morrendo / de saudade de você – deu uma cantada o Matadouro.

- Venha comigo olhar os campos / cante comigo também meu canto / eu só não quero cantar sozinho – celebrou em poesia o prefeito Bal.

- Por mais que eu sofra / obrigado, Senhor, mesmo que eu chore / obrigado, Senhor, por eu saber / que tudo isto me mostra / o caminho que leva a você – cantarolou em melodia o Matadouro.

- Vem, que eu conto os dias, conto as horas pra te ver / Eu não consigo te esquecer / cada minuto é muito tempo sem você – proferiu em ritmo o prefeito Bal.

- Falando sério / é bem melhor você parar com essas coisas / de olhar pra mim com olhos de promessas / depois sorrir como quem nada quer – arremessou musicalmente o Matadouro.

- Você, que vem de dentro da saudade que eu sentia / da noite mal dormida, da minha fantasia / você, momento eterno, você amanhecer / você, razão do meu viver – enviou um torpedo musical o prefeito Bal.

- Quando você /  me ouvir cantar / venha não creia / eu não corro perigo / digo,não digo , não ligo – botou pra lá o Matadouro.

- Não adianta nem tentar me esquecer / durante muito tempo em sua vida / eu vou viver / não, não adianta nem tentar / me esquecer – cantou o prefeito Bal.

- Quero que você me aqueça nesse inverno / e que tudo mais vá pro inferno – anunciou cantando o Matadouro.

- Só queria lhe dizer que eu / tentei deixar de amar não consegui / se alguma vez você pensar em mim / não se esqueça de lembrar que eu nunca te esqueci – proclamou de forma cadenciada o prefeito Bal.

- Você não vale nada, mas eu gosto de você / eu só queria saber porquê – botou pra lá o Matadouro.

O candidato-prefeito Bal deu um salto de uma tarefa e foi esbravejando:
- Pode parar por aí! Isso aí não é Roberto Carlos, se for assim eu vou arrochar a minha preferida: “Chora bebê” e já fui – o candidato-prefeito Bal não deu nem até logo, mas sua cabeça estava envenenada e pensava “Esse Matadouro ta abilolado, vou botá pocano nesse sujeito.”

Suspense: e agora, o bicho pega? esse matadouro vai ou não vai? Êta novelinha complicada e chata, até outubro é nenhuma, vamos ter mais quatro anos pela frente. Será que vai?

O término dessa novelinha acontecerá no dia que acontecer a inauguração desse Matadouro de Ipirá. Inaugurou! Acabou, imediatamente.


Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência. Eles brincam com o povo e o povo brinca com eles.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

AI DE TI, IPIRÁ! (parte 3)

Ipirá tem uma área de 3.060,263 km2. Esse  pedaço de chão não cresce mais, nem que o GPS queira, só pode diminuir. Você tem interesse por Ipirá? Seu interesse é de rocha ou de H? Estou procurando futucar uma discussão sobre a realidade deste município. Não é fácil, porque a maioria das pessoas está com a cabeça vedada para esse assunto; os ipiraenses estão, muito mais, preocupadas com o número do sapato que irão calçar no dia do pleito eleitoral municipal: se 48 ou 49, não tem outra opção, nem a da mais vaga esperança. Em alguns espertalhões ficarão folgados; mas, na imensa maioria do povão produzirá calo no pé e na vida.


Observe bem, a foto da Praça da Bandeira. Representa a nossa tônica de urbanismo. Nesse tempo, a luz vinha de um motor a diesel, candeeiro e fifó eram alternativas; a água vinha da caixa de Dé Fonseca ou do  chafariz, o pote de barro era a alternativa para água da chuva; a comunicação mais rápida era o telegrama dos Correios pelo código  Morse; as residências, em sua maioria, tinham fossas, com uma base e um buraco para as pessoas cagarem de cócoras, o penico e cagar no mato eram alternativas. Contava-se de dedos os veículos automotivos: o Simca de seu Júlio Dantas, o caminhão de seu Quincas, o caminhão de Zé de Jonas; o FNM de seu Tote. Uma viagem de Ipirá a Feira em estrada de chão consumia cinco horas cortando costela de vaca e dando pinote em buraco. A maconha não tinha chegado por estas bandas.


As políticas públicas do Estado trouxeram as mudanças que o município necessitava: a água veio do Paraguaçu; a luz procedeu de Paulo Afonso; chegou o telefone fixo; a estrada asfaltada do Feijão cortou o município.


Pelas políticas públicas municipais apareceu o Ginásio “do Cenec”; a urbanização foi contemplada com o calçamento e o jardim de flores em sua praça; a rede de esgoto teve as suas primeiras linhas no centro da cidade.


A modernidade se encarregou do restante: saímos da boca do buraco da fossa, quando o vaso sanitário apareceu para prestar um serviço sanitário essencial na questão da saúde e higiene; não dava mais para contar com os dedos a quantidade de veículos motorizados que tinha na cidade; a maconha invadiu a cidade.


Você pode achar que essas mudanças aconteceram devido ao pedido de alguma liderança sagrada ou por obra de uma benção divina e que Ipirá é uma sociedade abençoada, de pessoas de bem e são recompensadas com o desenvolvimento. Não é bem por aí. As políticas públicas de um Estado populista atendiam as demandas municipalistas e provocavam mudanças cabíveis no espaço e no tempo. A roda do século XIX não fez o século XX andar.


O século XXI deixou para trás o séc. XX. Ipirá tem energia em toda zona rural, mas é insuficiente para dar suporte a um empreendimento mais robusto que necessite de muita força motriz; tem água em vários povoados, mas não tem água na torneira todo dia e o dia todo; tem estrada asfaltada com uma buraqueira de estrada de chão; está pistiada com a comunicação pelo celular e via Internet, o povo está ficando mais modernizado; tem uma fábrica de calçados, mas não atendeu à solicitação de mais um galpão; não conseguiu concluir sua rede de esgoto por obra da quebradeira do Estado; Ipirá tem 14.688 veículos motorizados (2015), vai faltar estacionamento; não tem faculdade; não tem IFBA; mas tem maconha, cocaína, crack e tem muito carro de som numa altura de trovão para desrespeitar os direitos da maioria da população.


Você pode achar que as mudanças não acontecem devido à falta de um pedido de alguma liderança iluminada ou por este município não ter a bênção divina e a sociedade ser formada por pessoas más, que  têm de padecer do castigo da escassez de obras. Não é bem por aí. As políticas públicas de um Estado que não atende às demandas municipalistas e não provocavam mudanças necessárias no espaço e no tempo são causas mais reais. Querem fazer a roda do século XXI andar com a roda do século XX.


Nosso grande problema está nas políticas públicas do Estado, com resquícios neoliberal, que contaminaram até o ar que se respira. O Estado está em situação de quebradeira. Não tem recurso sobrando, com dinheiro curto só investe onde tem retorno, de preferência capital e pólo produtor.

São doze obras prioritárias no Estado, (nenhuma em Ipirá) como o Metrô de Salvador e a ponte Salvador / Itaparica que nem começou por falta de grana. Ipirá é produtor de quê? É pólo de quê? Esse negócio de pólo coureiro é invencionice, temos é uma manufatura secular e necessitando de apoio concreto, não de conversa mole.  Assim sendo, para o nosso desespero, vamos ser realistas, Ipirá não consta na agenda do governo do Estado.


Ipirá não existe para o Estado? Existe, como área de contenção populacional. Não deixar acontecer o êxodo para os grandes centros e evitar problemas para eles lá. Para cá, a coisa é canalizada para as condições mínimas, com o objetivo de fixar as apessoas aqui, com moradias populares, creches e matrículas escolares, uma saúde precária e insuficiente, mas, de forma, a não deixar as pessoas escapulirem. Na zona rural, a energia, a residência rural, cisternas, quatro ovelhas e um carneiro para manter o homem preso à terra. A sobrevivência sendo mantida por aposentadoria e programas assistenciais. Assim, fica mais barato. O investimento no desenvolvimento requer muito mais recursos e é libertador das mentes e corações.


Aí o bicho pega. Ipirá ficou num mato sem cachorro? Não, Ipirá está entregue ao poder municipal, ao povo de Ipirá e de quem queira investir nestas bandas. E as autoridades desta província? Estão achando que vão resolver o problema de Ipirá pegando uma fita do locutor e entregando-a ao governador: “Ouça o que ele fala de V. Exa!” e o governador zangado e revoltado vai fazer tudo por Ipirá. Quanta bobagem! O Territorio Bacia do Jacuipe tem mais valor na agenda governamental do que Ipirá e recebe as coisas que necessita por conta-gotas e pulverizadas. Ipirá não vai receber UTI, Samu, faculdade, asfalto. Ipirá vive de conversa fiada. Isso não tem consistência.



Depois de tudo isso exposto, vamos a uma terceira pergunta bem simples aos candidatíssimos Aníbal Ramos e Marcelo Brandão: No ponto de vista dos senhores candidatíssimos, qual é a grande ou média obra que o poder público municipal poderá fazer, com recursos próprios, em nosso município na sua gestão?   


Se o poder municipal não tiver nenhuma condição para tal, significa que Ipirá está entregue a sua gente e aos que enxerguem esta terra como promissora. Infelizmente, a grande maioria da população está e vai continuar com o sapato apertado fazendo calo, mas aliviada com a ilusão de que estamos entrando no paraíso. Coisas da cabeça.

domingo, 19 de junho de 2016

AI DE TI, IPIRÁ! (parte 2)


Vamos pensar um pouco. Só um pouco mais do que estamos acostumados. Algumas pessoas reclamaram das fotos da postagem “Ai de ti, Ipirá! (parte 1). A grande preocupação, para essas pessoas, foram as fotos e não o conteúdo. Tem pessoas que estão cativas da superficialidade de uma forma tão profunda que, para elas, as coisas resumem-se às imagens e o conteúdo não tem nenhuma importância. Por aí vamos nós.

Nós estamos bem próximos das eleições municipais de 2016 para a escolha do administrador do município de Ipirá. Temos dois candidatíssimos ao pleito (infelizmente), ambos, terão que apresentar suas propostas ou no mínimo o que pretendem fazer por esse município. Terão que debater a situação do município e seus propósitos, cara a cara, olho no olho com a população. Ou não é por ai? Se assim for, o conteúdo vale mais do que a fotos que se apresentam.

Se estivéssemos à véspera de um ”Concurso de Bonecos”, aí sim, a foto teria predominância absoluta diante do conteúdo. Neste caso, seria muito simples, mais fácil e descomplicado; era só, eleger o boneco mais bonito! Boneco não fala, não houve, não vê. Vixe, Nossa Senhora, Santíssima Santinha, da Igreja de Ipirá, pense num boneco administrando Ipirá! Só ia ficar “os loro” da prefeitura, a turma da esperteza ia raspar o tacho.

Nossa Mãe do Céu, imagine um troço desconcertante! Bonecos vestidos como prefeitos, pleiteando sentar na poltrona mais acolchoada da localidade e investido do poder executivo da municipalidade! Um boneco posto como chefe! É muito mais um angu-de-caroço. E a discussão? Não seria apenas de números, de dezenas para a cabeça da pule no jogo do bicho, seria sobre a foto. Como a foto desse boneco saiu feia! Não desentortou nem o nariz de cera! E o nariz de Pinóquio desse boneco tem uma légua de crescimento! O que Ipirá ganha com a discussão sobre bonecos? Na minha compreensão, nada.

Quem pensava que Tia Eron era uma boneca cobiçada, lascou a boca, ela votou como uma deputada arretada, não se deixou acunhar. Agora, pense num boneco malemolengo, do tipo Mané Gostoso! Pensou naquele deputado federal do Pará, o tal do Wladimir Costa, o elemento fez a defesa do Cunha, foi contra o parecer do relator e na hora do voto meteu o ferro no amigo! Taí um troço que a gente pode chamar de boneco-deputado! Um boneco de engonço, pendurado numa trave, que se move quando o eleitor senta o ferro.

Eu penso que é um perigo ser governado por um boneco. Tem mais, boneco por boneco, seria bem melhor um boneco de Olinda. Vai observar os problemas do município lá do alto; não vai apertar a mão de ninguém depois do concurso, também, não apertaria antes; nem pense em receber dinheiro para depositar seu voto nesse boneco, ele é liso até no bolso; não promete nada por ter convicção que promessa é coisa de santo; não tem cara-de-pau, é feito de gesso e pano; não enrola as pessoas, por ter mãos molembolembas; não faz acordo para não cumprir, porque não cumpre o acordo que faz; não mete a mão em cofre de dinheiro, porque não mete a mão em cumbuca; não toma emprestado, porque emprestado cria limo; por fim, toda self que faz só mostra a mesma cara, não tem duas, nem três fotos, é só a mesma cara, tanto faz na RG como na Habilitação. Não haverá porque reclamar.

Convenhamos que a reclamação está fora do prumo. Ipirá tem que ser encarado dentro da sua realidade e complexidade. Ipirá tem dentro de si, um bolsão de pobreza crônica, que está desenhado na quantidade de famílias inscritas nos programas sociais do governo federal. Mais de treze mil famílias no Bolsa Família, colocando-se três pessoas por família teremos uma quantidade avassaladora de 39 mil pessoas numa população de 62 mil pessoas. Esse é o gargalo que atravanca Ipirá. Isso é preocupante.

Com números nesse patamar Ipirá não tem perspectiva, porque dentro da ótica das esferas governantes mais elevadas, nível estadual e federal, não há dinheiro público para investimento e só se investe onde tem retorno. Capital e pólo produtor são as preferências, municípios médios e pequenos do semi-árido como Ipirá, são lugares de contenção e represamento da população para não migrarem para os grandes centros. E para tal, haja assistencialismo.

Eis uma questão e quem se habilita a ser candidato tem que ter um parecer sobre essa situação. Então, lá vai uma segunda perguntinha, bem simples, para os candidatíssimos Marcelo Brandão e Aníbal Ramos: Qual é a opinião dos senhores candidatíssimos para esta problemática do bolsão de pobreza no município de Ipirá e como encará-lo?

É bom lembrar a primeira pergunta: Qual é a proposta dos senhores candidatíssimos para promover o desenvolvimento do município de Ipirá? Essas perguntas são relevantes e têm uma importância muito grande para Ipirá. Foto não responde a essa perguntas nem aqui, nem no inferno, por isso e por outras razões, o conteúdo das matérias que são escritas e o conteúdo dos candidatos que se apresentam são mais elucidativos do que qualquer foto, inclusive com fotoshop.

Não adianta querer esconder o sol com uma peneira, tem muito interesse particular e exclusivista em jogo. Os candidatíssimos vão ter que soltar a língua, não com xingamentos, mas com propostas, para que a população tenha noção do que teremos pela frente. Ipirá, queiram ou não, é o mais importante e não pode sofrer um abuso coletivo.