terça-feira, 21 de abril de 2009

O PÓ BRANCO

Eu juro que vi.
Na última semana, o céu de Ipirá estava tomado por nuvens densas, escuras e carregadas. Ficamos com água na boca. Armou e não choveu. Bastaria um avião bombardeando as núvens com um pó branco para que a chuva caísse.

Sem chover, desde janeiro, ou com as raras precipitações que caíram em alguns lugares a situação torna-se crítica. Os produtores rurais não terão condições de sustentar o rebanho por longo período de estiagem, até o fim do ano, considerando-se que o inverno não rende alimento para os animais.

Trio elétrico na Praça da Bandeira.
Quatro adolescentes chegaram ao jardim em frente à minha residência, sendo que, um deles atravessou a rua e dirigiu-se à janela de minha casa, espalhou um pó, para depois dar uma fungada. Eu estava a certa distância. Os outros, um de cada vez, foram até a janela, fungaram e voltaram para o jardim, quando sumiram ao misturarem-se ao povo.

Fui até minha janela e notei a presença de vestígios de um pó branco, batizado com pó de giz, cal e outras porcarias, que serve para levar à fuga da realidade, ou para suportar a possível felicidade dos outros, ou para o que você queira imaginar. Nestas circunstâncias, algumas figuras ganham espaço, fortalecem-se e preparam vôos mais elevados e consistentes: os agiotas e os traficantes.

De minha parte, só resta-me retirar o pedaço de mármore de minha janela, ou lambuza-la com maizena. Fora isso, como é 20 de abril, dia do aniversário do município, resta-me desejar: FELIZ ANIVERSÁRIO IPIRÁ.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A GANGORRA


"Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és". Com base neste ditado popular, o então candidato a deputado federal, Rui Costa, não precisava de apresentação, chegou à Ipirá numa dobradinha com Carlinhos Oliveira, que era candidato a deputado estadual. Foi bem votado. Já está na fita uma nova dobradinha: Rui Costa para federal e Jurandy Oliveira para estadual. Não precisa dizer mais nada.

Outra dobradinha deverá se estabelecer entre Afonso Florence para deputado federal e Neuza Cadore para estadual, levando-se em conta, que a deputada foi bem votada em Ipirá, inclusive recebendo uma votação significativa da jacuzada naquele pleito, porque, hoje, a jacuzada está de corpo fechado contra a deputada, devido a sua postura nas eleições municipais, quando ficou com a macacada.

Feita essa explanação, é aqui que se estabelece a gangorra, com Jurandy Oliveira com 6,2 e Neuza Cadore com 5,2. Os dois atuando e digladiando-se no mesmo espaço, no próprio campo; o da macada. Um sobe e o outro desce. Não sei quem.

Nisso tudo, qual será o papel do prefeito Diomário ? Só ele sabe, mas é possível arriscar um prognóstico. Hoje, o prefeito Diomário é o homem de confiança e a grande esperança eleitoral do governador Jaques Wagner em Ipirá. Desse status ele não abre mão, pois Diomário não é menino, além do mais é o maior estrategista político de Ipirá.

Sem dúvida, Diomário não escorregará na casca de banana, apoiará Jurandy Oliveira e Neuza Cadore, naturalmente, com a mão fechada e no bolso; resmungando, chorando e lamentando-se, mas na postura de sempre, meloso, ensaboado, escorregadio e sabendo aproveitar a oportunidade.

E quanto ao PT de Ipirá ? Entraram na fase da múltipla escolha. Podem ficar com Afonso ou Rui, embora com todo cuidado, porque Rui é o dono da caneta, e poderá acontecer com alguns, o que aconteceu com Tineck e André no Ciretran de Ipirá.

Na esfera estadual, o PT de Ipirá poderá ficar com Jurandy Oliveira, homem de confiança do governo de Wagner, e tem mais prestígio na esfera governamental do que qualquer petista, esquerdista, reformista, militante ou comunista de Ipirá, é bom que se frise, de Ipirá. Oh! Errei. Peço perdão. Jurandy Oliveira não tem no peito a sagrada estrelinha do PT. Resta Neuza Cadore.

Agora, o PT de Ipirá vai sentir o gosto amargo do fel. Vai ter que disputar com a macacada no mesmo terreno. Vai ter que conquistar vereador e cabo-eleitoral, que não trabalham para deputado sem uns trocados. Vai ter que fazer assistencialismo na saúde. Vai ter que comprar votos. Não ! isso aí não. É que as coisas estão turvas e não estou enxergando direito. Perdoem-me pelos exageros.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

É DE ROSCA.

Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 19. (mês de abril 2009)

Cena de rua.
A briga entre as duas ex-empregadas, Natalina e Tonha, em frente à casa do prefeito Dió, na rua de Delorme, continuava pegando fogo.
A multidão estava compactada e inflamada, quando ouviu-se um estrondo que parecia barulho de terremoto, ou melhor, parecendo mais ainda, o ruidoso barulho do som de carro na Praça da Bandeira, quando qualquer imbecil quer mostrar aos outros, que tem carro, ou mesmo, o grau de alienação em que está contaminado. Um popular apontava, gritando para a multidão:
- Olha o que vem lá de trás da Serra da Caboronga.


Eram seis aviões de guerra, da Força Aérea do Brasil, de marca Mirage, que em vôo rasante, adentraram no espaço aéreo ipiraense, passando a um palmo acima das cabeças que estavam na rua de Delorme, numa velocidade que beirava a mil por hora. Só tiveram condições de fazer a curva em Baixa Grande e, em um minuto, estavam novamente sobre Ipirá, momento em que, o comandante ordenou ao piloto:
- Atenção ! mirar alvo... preparar ... disparar míssil.


O míssil veio desembestado para cima da multidão, que gritou num uníssono som:
- Oh ! Oh ! ooooooooooooooooohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.


O míssil veio direto nas costelas da ex-empregada Natalina, que estava embolada com a ex-empregada Tonha, e bateu. A multidão fez:
- Ó ! ó ! óóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóó.


O míssil bateu nas costelas de Natalina e repicou, subindo em direção ao antigo Cenecista, e foi cair na Avenida César Cabral, abaixo do Sindicato Rural, precisamente, em frente à casa de Toinho da Esportiva, fazendo uma cratera de dez metros de comprimento, que engole carro, carroça, menino, você e o que mais passar por lá. Você está duvidando ? Vá lá e verifique.

O comandante da esquadrilha ordenou o disparo de outro míssil, que saiu em desembestada carreira para atingir a cabeça da ex-empregada Tonha. A multidão gritou engolindo vento:
- Á ! Á! Áááááááááááááááááááááááááááááááááaáááááá.


O míssil bateu e subiu, passando por cima da residência de Dr. Luís José (Dr. Pereira) e foi cair na rua Pedro Alves, abaixo do Zangão Lanches, fazendo uma cratera enorme. Dê um salto lá e verifique "in loco" o buraco, antes que o rápido prefeito de Ipirá mande entupi-lo. Os aviões partiram em direção a Salvador. A multidão vibrou:
- Ú ! ú! úúúúúúúúúúúúúúúúúúúúúú ! Ipirá é jacu e macaco e não tem pra ninguém.


O comandante da esquadrilha não se conteve e comentou:
- É verdade ! não conseguimos acabar com essa raça de jacu e macaco e ainda por cima erramos o alvo. Eu não entendo porque. Isso nunca aconteceu antes. Vamos comunicar imediatamente ao presidente Lula.


Cena no interior da residência.
O prefeito Dió conversava com o ex-prefeito Luiz do Demo:
- Ui ! ui ! uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.

- O que é que você está sentindo prefeito Dió ? Tá doendo ?

- Não, ex-prefeito Luiz do Demo. É que o ferro tá entrando.

- Entrando como, prefeito Dió ?

- É que eu recebi um ofício da UPB dizendo que as verbas da prefeitura vão cair mais de 20% e vão lá para baixo, e que não é para eu contratar banda cara para o São João. Veja bem, ex-prefeito Luiz do Demo, até a Saia Rodada vai ter que apertar, eu só posso contratar a Saia Justa. O que é que eu faço, ex-prefeito Luiz do Demo ? Ajude-me.

- Aí é com você. Você ganhou, você se vire. Agora, se eu fosse você, eu não fazia a festa do aniversário da cidade.

- Bom conselho, ex-prefeito Luiz do Demo. Agora diga-me: o que eu faço com os buracos feitos pelos mísseis ?

- É comigo, é ! até o secretário de infra-estrutura saiu de baixo. Agora, o prefeito Dió quer me botar nesse esparro. Comigo não. Tô fora desse buraco.

- Calma, ex-prefeito Luiz do Demo ! eu já determinei que o buraco vai virar ponto turístico, para isso, mandei colocar um pedaço de pau, com aquela fita amarela e preta para isolar a área, uma coisa de Primeiro Mundo. O povo vai ter que fazer fila para visitar o "Point do Buraco".

- Prefeito Dió ! se eu fosse você eu fechava esse buraco.

- Como, ex-prefeito Luiz do Demo ? Se eu não sei se esse buraco é da Prefeitura de Ipirá, da Embasa, da Coelba, ou da Aeronáutica.


Neste instante, o telefone toca. É uma ligação de Brasília, e o prefeito Dió atende:
- Pois não, companheiro presidente Lula ! pode falar, estou na escuta.

- Mas, companheiro prefeito Dió ! que esculhambação a terra de vocês fêz com meus mísseis ? Meus Mirage saiu daí desmoralizados.

- Em Ipirá é assim mesmo, companheiro presidente Lula, todo mundo tem que se render ao jacu e macaco, como foi o caso do PT. Até o Wagner, que governa a Bahia, votou nus macaco.

- Companheiro prefeito Dió ! eu achei que o galego que governa a Bahia fez uma besteira em só querer macaco, tem que ser como eu, já disse isso a ele, eu quero colo, quero delfim, quero neto, serra, neve e quem mais vier. Agora, vamos deixar de ensinamentos e vamos ao que interessa: cadê meus mísseis ?

- Eu já recolhí do buraco, meu caro companheiro presidente Lula, e vou fazer uma exposição com eles na Câmara de Vereadores de Ipirá.

- Isso não ! de jeito nenhum ! essa Câmara de Vereadores de Ipirá está muito xixilada, e esses mísseis só pode ficar num lugar que só entre autoridade. Entendeu bem, companheiro prefeito Dió ? E tem mais: o caso de Ipirá agora, vai diretamente para as mãos de Ó Brama.

- Captei a Vossa mensagem, meu ilustre companheiro presidente Lula.

- Agora, companheiro prefeito Dió ! eu estou contando os dias para visitar essa tal Ipirá. Já estive no vizinho município de Pintadas, mas não foi possível ir até aí, mas dessa vez eu vou com a Dilma. Eu quero conhecer de perto essa arrumação que vocês fazem aí para embrulhar o povo, o tal do jacu e macaco, e quero trazer isso para Brasília. No mais providencie uma carne de carneiro, com o tempero de sua empregada Natalina para eu saborear. Pode deixar que a Cabeceira do Rio, eu levo.

- Ui ! Ui ! uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Companheiro presidente Lula, Vossa Excelência tocou na desgraça de minha vida: carne de carneiro abatido no Matadouro de Ipirá. Isso já virou até novelinha que não acaba nunca.

- Companheiro prefeito Dió ! parece que eu ouvi um grito de macaco ? Passe o telefone para o companheiro ex-prefeito Luiz do Demo.

- Pronto, companheiro presidente Lula, aqui é Luiz do PMDB.

- Companheir ex-prefeito Luiz do Demo, que se diz PMDB, conto com seu apoio para a Dilma. Já puxei a orelha do Galego que governa a Bahia pela besteira que ele fez em Ipirá.

- Sim ! sim ! companheiro presidente Lula. Tô com Vossa Excelencia, com Dilma, com Geddel, enquanto vida vocês tiverem, oh ! desculpe companheiro presidente Lula, eu errei, eu queria dizer, enquanto poder vocês tiverem.

- Tá certo também, companheiro ex-prefeito Luiz do Demo. Vamos fazer em Ipirá, o mais belo palanque da campanha de Dilma: eu, o galego, o Geddel, macaco, jacu e o PT de Ipirá. Agora, uma coisa é certa, só vou aí, se tiver carne de carneiro.


SUSPENSE: e agora ? o que será que vai acontecer ? Carne de carneiro ? o matadouro ! você sabe que não sai. Você caiu no primeiro de abril. Esse capítulo é primeiro de abril. Nada disso aconteceu. Vá lá no buraco e verifique.

Leia o capítulo 18 – março 2009 - logo abaixo.
OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

segunda-feira, 23 de março de 2009

É DE ROSCA.


Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 18. (mês de março 2009)

Cena de rua.
A briga entre a ex-empregada Natalina e a ex-empregada Tonha continuava firme. O delegado não conseguiu dar conta do recado e convocou a Caatinga, pelotão especial, que chegou à entrada da rua de Delorme, junto ao antigo Posto de Puericultura, com seis homens, com dois metros de altura cada, armados com metranca, escopeta e porrete.

O povão abriu um vácuo e o pelotão desceu até a grudação de Natalina e Tonha, quando alguém na multidão deu um palpite:
- Sai de baixo Catinga, esse bolo aqui é jacu e macaco e ninguém disgruda.


O sujeito recebeu um tapaço pelo meio da cara, que chegou a cair, e ficou recebendo consolo de quem estava perto:
- Como é que pode ! batê assim numa pessoa, que tá assistino a coisa mais bonita dessa terra.

- Qolé ! o que ele recebeu foi merecido. Todo castigo prá macaco é pouco.

- Cala a boca jacu discarado. Quem merece chibatada é essa jacusada sem vergonha.


Vamos deixar o povão de Ipirá digladiando-se e dilacerando-se neste terreno inútil que atravanca a localidade, senão esse capítulo não acaba.

Quando a Caatinga chegou junto da confusão das duas ex-empregadas, três soldados pegaram em Tonha e os outros três em Natalina, tentando separá-las com puxões e solavancos, nada. Tiro para cima, nada. Pegaram os porretes e bateram nas duas, da mesma forma como se bate no feijão no dia da bata, nada; esquentaram mais ainda a batição, fazendo-a do mesmo jeito como se dá porretada em couro para curti-lo e nada.

A Caatinga cansou e a briga das duas ex-empregadas continuou na mesma ferfura. Um popular gritou:
- AQUI É JACU E MACACO.


A Caatinga não deu um tapaço. Estava cansada, se rendeu.
- Só chamando o exército brasileiro – falou o comandante da caatinga.


Cena no interior da residência.
O prefeito Dió comentava com o ex-prefeito Luiz do Demo (Demo ex-PFL)
- Segura a onda ex-prefeito Luiz do Demo, tu tá querendo tomar meu assento na Prefeitura de Ipirá por meio da Justiça daqui ? fica na tua e parte pra outra que vem aí.

- Quem mandou você comprar voto, agora aguente as consequências.

- Calma ex-prefeito Luiz do Demo ! não há nada que a gente não resolva. Uma mão é que lava a outra. Eu estou cheio de problemas neste momento, que se eu for falar, vou inundar Ipirá de lágrimas.

- Não seja por isso não, prefeito Dió. Aqui você tem um ombro amigo, pode desabafar, eu serei um afetuoso ouvinte.

- Observe bem, ex-prefeito Luiz do Demo ! quem está acabando comigo é a saude...


Foi interrompido pelo ex-prefeito que lhe indagou:
- Você está doente ?

- Não é a minha saúde não; é a saúde de Ipirá. Como é que pode, um médico ganhar R$ 1.200,00 por plantão ? Estão levando todo o dinheiro da prefeitura. Eu ainda falei com o Secretário de Saúde para deixar pra começar isso lá para o final do ano, mas ele embirrou de começar no início do ano. Isso tá me dando um prejuízo que não tem tamanho.

- Esse seu Secretário de Saúde quer mandar mais do que o prefeito. Quem já viu isso ? Prefeito Dió, cuidado com ele.

- Não ! isso não ! ele tá manso; tá dominado.

- Aí tá certo, prefeito Dió. Água que muita gente remexe, piaba pensa em virar tubarão. A nossa lição principal é jacu e macaco. A gente só entende disso. Por falar nisso, tem uma coisa que o prefeito Dió está costurando que eu não estou gostando, nem um pouco.

- O que é ? Diga logo, ex-prefeito Luiz do Demo.

- É que o prefeito Dió está botando luxo num prédio de um jacu; desse jeito eu vou ficar sem ninguém do meu lado.

- Calma, ex-prefeito Luiz do Demo ! eu não posso deixar escapar um jacu endinheirado, porque assim, eu conseguirei segurar duzentos macacos lisos, só na base do dando butjão de gás e outras merrecas. Agora, não reclame não, porque eu também tenho o que reclamar: você está levando o dono dos votos do meu time para operar em sua clínica.

- Tenha calma, prefeito Dió ! tudo isso é uma preparação para segurar a onda de seu Secretário de Saúde, que só pensa nas próximas eleições para prefeito.

- Como assim ? será que é mesmo ?

- Claro, prefeito Dió. Você está muito ausente, não perca o controle da prefeitura. Você mesmo lá, faz parte do esquema. Preste bem atenção: primeiro, a tentativa de fechar as clínicas; depois, ajeitou a vida da clínica do Santo, fazendo o arrendamento à Prefeitura e arrombando a clínica da Santa. Aí, não teve jeito, a Clínica da Santa se juntou ao proprietário dos votos dos macacos e seja o que Deus quiser. Aqui em Ipirá, prefeito Dió, é jacu e macaco.

- Eu também acho que sim. Nunca lutei contra isso. Mudando de assunto, ex-prefeito Luiz do Demo, quando é que essa novelinha virada do cão vai acabar ?

- Eu soube, pela boca de terceiros, que essa novelinha só vai acabar, quando for abatido o primeiro carneiro no Matadouro de Ipirá.

- Ui ! ui! uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Não fale em carneiro no meu ouvido; a desgraça de minha vida é esse Matadouro de Ipirá.


SUSPENSE: e agora ? o que será que vai acontecer ? o matadouro ! você sabe que não sai, é do rolo que eu estou indagando. O que será que o exército brasileiro vai fazer ? Natalina e Tonha vão para o paredão ?

Leia o capítulo 17 – fevereiro 2009 - logo abaixo.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

PERIPÉCIAS DE CAMPANHA 4


Achei conveniente compartilhar dos comentários neste espaço da postagem, até mesmo, para interagir com as opiniões.
Na opinião de Simões, nós temos, em Ipirá, uma Nova Era, a Gomes de Sá.
Será que é isso mesmo ? Será que Gomes de Sá tornou-se uma oligarquia ?

Eu acho difícil que isso esteja acontecendo. Gomes de Sá não tem pedigree, tradição, nem sangue nobre, para auferir tal posição e, talvez, nem tenha tais pretensões, porque essa intromissão não é permitida dentro do sistema, que é fechado e impenetrável.

Diomário lidera um grupo político que atua, como força minoritária, dentro da macacada. Não exerce uma liderança consensual e não é carismático, mas é reconhecido por diversos motivos pela macacada, principalmente, devido ao controle da caneta. Embora não seja subserviente, tem o comando na mão, porque tem a chave, e quem tem a chave do cofre é quem manda.

Mesmo mandando, não consegue influenciar e ampliar sua liderança nas hostes da macacada. Nem de longe sua atuação fustiga e enfraquece o sistema jacu-macaco, muito pelo contrário, reforça-o. Dizer que vai quebrar o sistema jacu-macaco diluindo-o por dentro contagiou os ingênuos oportunistas. Diomário não se propõe a isso. Ele reza na cartilha do sistema de forma obediente e servil. Sem o desmanche da politicagem macaco-jacu não se retira o poder das oligarquias. Diomário não contribui para isto; nunca teve essa preocupação e sempre atuou dentro do sistema, aderindo e reforçando-o.

E como Diomário conseguiu ser prefeito por dois mandatos em Ipirá ? O destaque é para sua capacidade pessoal. Com habilidade mostrou-se um exímio equilibrista dentro do sistema macaco-jacu e na conjuntura. Foi arguto no seu sonho político pessoal. Foi bastante sagaz para se impor como candidato da macacada. Procurei e encontrei um dito popular que é a cara de Diomário: "cobra que não anda não engole sapo".

Gilvan coloca o sistema jacu-macaco como um câncer e apresenta justificativas para tal: no fato de Ipirá estar acumulando um déficit de investimento; na exploração do capital e na falta de políticas públicas de verdade para mudar a cara da saúde e da educação.

Eu disse que a droga jacu-macaco deixa a população de Ipirá mesquinha. Para demonstrá-lo vou colocar um exemplo recente. Soube que o Secretário de Saúde resolveu alugar um prédio na avenida César Cabral para o funcionamento da secretaria. Aí a macacada ficou enfurecida e bradou "como é que pode, alugar um prédio de um jacu !" e baixou a madeirada. Ipirá é assim; aqui, a mesquinharia não tem limite. A única preocupação foi que o "prédio era de um jacu"; em nenhum momento, essas pessoas questionaram se esse plano (não é um projeto) vai melhorar a saúde de Ipirá, simplesmente, ficaram presas a uma coisa tão pequena, um simples aluguel. É isso que o sistema jacu-macaco faz com as pessoas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

É DE ROSCA.


Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 17. (mês de fevereiro 2009, - atualizado)

Cena de rua.
O bafafá estava formado na rua de Delorme. A ex-empregada Natalina engalfinhava-se com a ex-empregada Tonha. Era um bolo só. Apostadores alimentavam o clima de agitação. Um apostador, que fez uma pesquisa, presepava barbaridade, é esse tipo de fanfarrice que sustenta a farsa, enquanto saía em retirada, dizia: "não adianta vim atrás de mim, que eu não vou dizê quem ganha; quem quiser que pague prá sabê". E não parava de andar. Ninguém estava atrás dele.

O delegado chegou ao início da rua, junto ao Posto de Saúde da Mulher, parou observando. A multidão fez um corredor polonês. Em um extremo o rolo das ex-empregadas, no outro, o delegado do município. O carro de som colocou uma trilha sonora de filme de cawboy italiano. O delegado andava lentamente, passo a passo, em direção ao rolo. A multidão nem respirava. O rolo das duas estava mais acirrado.

Quando o delegado aproximou-se do rolo, gritou estrondosamente: "VAMO PARAR COM ESSA QUIZUMBARIA JÁ". As duas nem tum. O delegado sacou a pistola e deu dois tiros para o alto. Aí foi que a briga esquentou. O delegado tentou separá-las com toda força; foi mesmo que nada. Observando o esforço do delegado, um popular sentiu-se na obrigação de fazer-lhe um comentário:

- Doutô delegado ! isso aí é briga de jacu e macaco. Isso aí, já vem há mais de trinta anos; não pense o doutô delegado, que o doutô delegado vai dismanchá esse rolo assoprano o fogo, aí é que a brasa esquenta.

O delegado já estava azuretado da vida e gritou:
- NÃO ACABA NÃO, É ? VOU CHAMAR O REFORÇO.

Enquanto o reforço não chega, o panavueiro, na rua, continuava pegando fogo, vamos ver o que está acontecendo dentro de uma residência na mesma rua, onde encontravam-se o prefeito Dió e o ex-prefeito Luiz do Demo, naturalmente, deliciando-se com um bom champagne, que ninguém é de ferro.

Cena na residência.
- Ex-prefeito Luiz do Demo ! às vezes eu fico imaginando como a vida é bela e deliciosa para nós, os comandantes, e para esse povo de Ipirá, que está festejando lá fora – argumentou o prefeito Dió.

- Bem pensado, prefeito Dió. Só não concordo é com meu nome. Eu sou o ex-prefeito Luiz do PMDB.

- Sem essa ex-prefeito Luiz do Demo. Eu te conheço não é de ontem nem de hoje. Quanto tempo eu fui jacu ? Quando você deixar de ser da corriola do defunto que mandou na Bahia, eu deixo de ser jacu.

- Não diga isso prefeito Dió. Você tem Jacu no sangue, no DNA (Dió Nada Acelera). É bem verdade que eu tenho o DNA (Defunto Não Agora) do senador da Bahia, mas com uma tempestade dessa eu não vou ficar sem guarda-chuva; nós não somos meninos, mas vamos deixar essa conversa de lado, senão esse povaréu acaba enxergando o que não deve ver e adeus nosso baile.

- É bem verdade ex-prefeito Luiz do Demo. Eu mesmo estou atazanado da vida.

Realmente, depois que o prefeito Dió empurrou a ex-empregada Natalina prá rua, sua vida perdeu a alegria, o dinamismo e a boa vontade para fazer obras. Em reunião com os marchantes esbravejou: "Tem uns canalhas que só ficam falando de mim". Sem dúvida, um despropósito. Na Jornada Pedagógica Municipal, voltou a lamentar: "Ficam dizendo aí, que eu estou doente da próstata, quando na verdade eu estava passeando na maior maresia".

- E como ninguém soube ? – perguntou o ex-prefeito Luiz do Demo.

- Porque depois que eu empurrei a linguaruda da ex-empregada Natalina prá fora, ninguém sabe de nada – disse o prefeito Dió.

- Tá bem explicado. Prefeito Dió ! você sabe que eu sou médico; deixe eu empurrá o dedo no seu, para eu verificar como está esta próstata ?

- O que ex-prefeito Luiz do Demo ? Você tá querendo me esculhambar. No meu ninguém empurra o dedo não. Minha próstata tá mais sadia do que próstata de macaco. Depois que eu reformei o Hospital de Ipirá, o problema de saúde daqui acabou.

- Cuidado prefeito Dió ! fique de olho aberto no seu Hospital reformado, porque a coisa tá da boca prá fora. Essa semana chegou uma criança nesse Hospital de Ipirá e o lençol foi papel-toalha. Tem médico que ganha mais do que o prefeito da cidade. É melhor ser médico do que ter clínica. Eu aconselho o prefeito Dió fazer REDA para contratar médico.

- É mesmo, ex-prefeito Luiz do Demo ? E eu pensando que estava no céu.Ô, ex-prefeito Luiz do Demo ! será que eu vou ficar esquecido pelo povo de Ipirá ? – indagou o prefeito Dió.

- Taí uma coisa que não vai acontecer. Eu, ex-prefeito Luiz do PMDB, sou lembrado como o prefeito que levou oito anos e não fez o matadouro de Ipirá e, pelo andar da carroça vai acontecer o mesmo com você prefeito Dió; vai levar oito anos e não vai dar conta de acabar esse matadouro.

- Tava tudo bem. Eu estava gostando desse capítulo da novelinha, mas logo agora, você vem lembrar dessa desgraça de matadouro de boi e ovelha. É por isso que eu digo; tem um canalha me perseguindo.

SUSPENSE: e agora ? o que será que vai acontecer ? o matadouro ! você sabe que não sai, é do rolo que eu estou indagando. O que será que o delegado vai fazer ? Natalina e Tonha vão para a cadeia ?

Leia o capítulo 16 – janeiro 2009 - logo abaixo.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

PERIPÉCIAS DE CAMPANHA 4


Como surgiu essa droga jacu-macaco ?
Essa droga foi estabelecida em Ipirá, a partir de 1976, com a derrota do grupo de Delorme Martins. Pela tradição popular, os derrotados eram denominados de jacu, mas, em Ipirá essa marca tornou-se o registro definitivo de um grupo e o troco foi o imediato tachamento de macaco para o adversário. Aí a droga chegou e estabeleceu-se nesta terra.

Antes desse período, os embates políticos em Ipirá eram travados através dos partidos (PSD - UDN - PTB), não era grande coisa, mas proporcionava uma visão mais verdadeira e de maior amplitude. Na fase inicial da Ditadura Militar eram o MDB e a Arena, depois jacu-macaco. Na década de 1980 surgiram o PT, PDT,PSB e outros, o PCdoB foi legalizado.

Nada mais justo na política, do que a disputa através de partidos, que envolve idéias, programas e propostas com uma amplitude nacional. O nível torna-se elevado e o grau de politização aumenta, na medida que exista uma correlação das questões municipais com as nacionais. A política quando é impulsionada por partidos esclarece mais o povo, que passa a enxergar com horizontes mais amplos.

Com a implantação da droga macaco-jacu, o primeiro e único derrotado, além de prejudicado, foi o povo ipiraense, que deixou sua verdadeira causa: a causa do povo brasileiro, por liberdade; por justiça; por melhores condições de vida, para submeter-se e subjugar-se aos interesses das oligarquias locais, que dominam e controlam os agrupamentos jacu-macaco e tiram proveitos pessoais desse controle.

A droga jacu-macaco é uma forma de amesquinhar o povo de Ipirá. Eu afirmo isso, porque minha intenção é provocar você. Provocar você para o bom debate. Longe da fase eleitoral os ânimos estão mais frios e numa terra que tem tanto macaco e jacu apaixonado, não é possível que não apareça um, que consiga convencer-me do contrário, dentro da racionalidade, inteligência e de uma boa argumentação. Estou aguardando.