segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Ipirá está chupando dedo.




Você quer ver o desenvolvimento e o progresso de Ipirá? Não! (não continue a leitura)


Quais são os motivos que desenvolvem uma região? Vários, entre os quais, a iniciativa privada, mas é essencial, a iniciativa, o fomento e o apoio do Estado.



Um exemplo simples: Mimoso do Oeste era um povoado, prosperou e tornou-se um município pujante, graças a produção.


Ipirá, há muito tempo, é um município, sendo que, sua maior fonte de rendimento são os benefícios do INSS, graças a esses proventos sobrevive e continua sendo um município.



Qual é o município mais desenvolvido: Ipirá ou Mimoso do Oeste? Você pode até dizer que Mimoso do Oeste não existe nem no mapa, assim sendo, fica fácil enganar e iludir as pessoas e, até mesmo, a si própria.



Na minha compreensão, produção é o fator essencial para alavancar e segurar o desenvolvimento. Em Mimoso do Oeste houve o fomento e o incremento da soja e o resultado foi o boom econômico.



Assim sendo, como ipiraense, vamos fazer o desenvolvimento de Ipirá, numa boa. Com o apoio e o dedo do Estado estão sendo feitas em Salvador, a Arena Fonte Nova; vem a ponte Salvador-Itaparica e vamos considerar os portos de Salvador e Aratu. Tudo isso é bomba e tem prioridade, mas fica lá pelas bandas da capitá.



Vamos deixar a capital e partir para o interior: “o Pólo Industrial de Camaçari recebe R$ 1,2 bilhões com a chegada do pólo acrílico, que vai permitir o adensamento da cadeia”, tem mais, “o setor automotivo contará com uma nova montadora a JAC Motors e haverá a atração de novas montadoras e a consolidação do pólo automotivo do Estado”. Mas Camaçari tem um quê de capital, sem discussão. Vamos em frente.



“Outro aspecto positivo é o processo de interiorização do desenvolvimento econômico e social”, até que enfim vem coisa boa para Ipirá. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), porto e aeroporto de Ilhéus, tudo muito distante de nossa Ipirá. Vamos para mais perto, vamos para Feira de Santana: “importante centro de abastecimento do Norte e Nordeste, em fase de crescimento, o município está na iminência de sediar uma Plataforma Logística, com a meta ambiciosa de tornar-se o maior centro de distribuição de produtos e insumos do Nordeste, envolvendo as economias de Feira de Santana e Salvador”. Parece que por aqui Ipirá não chupa nem um picolé.



Tem mais coisa para Feira de Santana: “se desenvolver como um pólo logístico regional”, havendo a necessidade de “reforçar a radialização rodoviária, e de implantação de um sistema multinodal, incluindo os transportes ferroviário e aéreo como forma de assegurar o rápido escoamento da produção” neste caso, deverá acontecer “a imediata ampliação do aeroporto de Feira e sua adequação para o transporte de cargas”. Bom para Ipirá escoar o que produzir ou não?



Já que Ipirá não tem vez na industrialização e na comercialização, vamos para um setor que está tendo grande crescimento: “investimentos em extração mineral se multiplicam pelo interior. No segmento de extração mineral, 23 mil licenças de exploração mineral estão sendo analisadas no Estado. 1,3 mil estão em estudo pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral CBPM – são pesquisas importantes como o ouro em Santa Luz, o vanádio em Maracás, ferro em Ibicuí, cobre e enxofre em Juazeiro. As descobertas minerais, somadas a investimentos nas cadeias petroquímicas e de papel celulose devem colocar a Bahia na inédita situação econômica”. Aqui, Ipirá não chupa nada.



Agora, tem coisa boa e Ipirá vai: “a energia eólica está se transformando em uma realidade no Estado e a produção de energia eólica avança rapidamente, em especial, no semiárido baiano fazendo do estado o segundo maior parque eólico do País.” Com tanto vento e tanta terra para alugar e colocar as torres para produzir energia, nem isso Ipirá descola.



Segmentos como turismo, cultura e artesanato, Ipirá não chupa nem uma bala. Ainda tem gente que acha que o Mercado de Arte atendeu a esta perspectiva. Paciência!



Vamos deixar de lado a questão econômica e vamos para outra área: “duas novas universidades federais e os novos institutos federais de educação tecnológica anunciados. Deverão influenciar enormemente na qualidade do desenvolvimento do interior do Estado”. Ipirá foi excluído, não chupou nada, mas quem não tem onça caça com lebre, tem gente que está contente com o CETEP.



Perceberam que pelo crivo do Estado a nossa Ipirá é carta fora do baralho. Isso é real e patente. Resta o grande problema: a questão da social. “O passivo social na Bahia é histórico e de grande amplitude”. O de Ipirá também. “O estado ainda possui o maior quantitativo absoluto de pessoas em extrema pobreza”. Ipirá também. Aí Ipirá chupa alguma coisa?



Nesses programas sociais, também perdemos. Tudo decorre e acontece dentro do Território Bacia do Jacuípe e, por incrível que pareça, o município mais desorganizado, mais despolitizado e mais desmobilizado é o nosso. Por que? Reflexo da politicagem jacu-macaco.



Ficamos com muito pouco ou quase nada. “O Programa Vida Melhor busca a inclusão produtiva de famílias representantes de um universo de unidades de agricultura familiar beneficiarias do Bolsa Família” tem mais, “o programa irá atender famílias em situação de vulnerabilidade e risco social, insegurança alimentar e com baixo acesso aos serviços públicos” tem muito o que fazer em Ipirá, “Programa pretende fortalecer as sete principais cadeias produtivas da agricultura familiar na Bahia” De boa intenção o diabo ficou roxo e de chifre, aqui em Ipirá tem a politicagem do assistencialismo vulgar e rasteiro para desvirtuar e desmanchar qualquer coisa bem intencionada. Em Ipirá, pobre é fabrica de votos e tem muito cabra safado que sobrevive disso.



Você acha que Ipirá vai desenvolver-se nestas condições? Parece que não tem jeito. O Estado está fora. A pobreza é gritante. Você acha que a politicagem jacu-macaco tem resposta e saída para esta questão?


Ou Ipirá entra numa discussão mais profunda, racional e pertinente, ou Ipirá estará caminhando contra a história. A discussão sobre Ipirá esta acima dessa coisa miúda, mesquinha e fanática que é a forma como o sistema jacu-macaco dispõe o município (Antônio ou Luiz?) (o que pensa Luiz ou Antônio?) (Nem eles mesmos sabem, imaginem o povo). Uma coisa é certa: se o Estado está fora, o desenvolvimento de Ipirá está nas mãos de seu povo e se esse debate não acontecer no nível que Ipirá merece, o grande perdedor será Ipirá e sua gente, não se enganem, só restará para Ipirá chupar um prego.

domingo, 22 de janeiro de 2012

IPIRÁ MUITO MAIS POR VOCÊ.




O Informativo Ipirá Muito Mais Por Você começa assim: “Desde o inicio da sua primeira gestão que o prefeito Diomário vinha solicitando ao Governo Estadual uma OBRA DE ENVERGADURA para resolver o grave problema de ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO”.



Continuando com a ladainha do prefeito: “O projeto, que já se encontra em fase de pré-contratação na Caixa Econômica Federal, custará R$ 36.037.704,12” e mais “ o início para, no máximo, até maio de 2012 e a conclusão, dois anos depois”



TRINTA E SEIS MILHÕES! Um espetáculo! Na cabeça do prefeito Diomário foi uma conquista extraordinária para que todos ipiraenses batam palmas. Isso é que é prosperidade. Foguetes para a grandiosa conquista do prefeito Diomário.



O estado da Bahia tem 12 GRANDES OBRAS, (são os pólos de desenvolvimento) que não faltarão recursos por hipótese alguma, aí sim, criarão oportunidades geradas por investimentos em infraestrutura em 12 municípios baianos:


01. Barreiras – ferrovia Oeste-Leste (632,1 milhões)


- pavimentação da BR-135 – Cocos / Carinhanha – (54 milhões)


02. Feira de Santana – construção de usina termelétrica (352 milhões)


- adequação da capacidade de trecho da BR (649 milhões)


03. Ilhéus – obras Ferrovia da Integração Oeste-Leste (1.723 bilhões)


04. Seabra – Projeto de Irrigação Baixio do Irecê (880 milhões)


05. Jacobina – construção de usina termelétrica em Senhor do Bonfim (352 milhões)


06. Juazeiro – obras do corredor do São Francisco (490 milhões)


07. Região Metropolitana de Salvador – Arena Fonte Nova (591 milhões)


- obras da Via Expressa (251,5 milhões)


- ampliação do Porto de Aratu (54,8 milhões)


- requalificação da Baía de Todos os Santos (85,6 milhões)


08. Santo Antônio de Jesus – contorno ferroviário São Felix-Cachoeira (2,1 milhões)


Construção das plataformas P-59 P-60 Maragogipe (1.205 bilhões)


09. Teixeira de Freitas – Pólo Moveleiro (3,4 milhões)


10. Itagiba – obras da Ferrovia da Integração Oeste-Leste (822,3 milhões)


11. Jequié – obras da Ferrovia da Integração Oeste-Leste (1.788 bilhões)


12. Tanhaçu – obras da Ferrovia da Ingegração Oeste-Leste (1.234 bilhões)



Investimentos previstos por empresas privadas:


01. Barreiras – processadora de soja da Hu junlie (4,67 bilhões)


- siderúrgica da Arcelomittal (320 milhões)


- processadora de algodão da agrícola Xingu (350 milhões)


02. Ilhéus – siderúrgica da Votorantim / Hondridge / Xin Wen (2 bilhões)


- complexo Porto Sul (1,7 bilhões)


- aeroporto ( 270 milhões)


03 Seabra - mineradora de zinco da Votorantim (284 milhões)


04 Jacobina – mineradora de zinco da Votorantim (19,5 milhões)


- mineradora de níquel da Votorantim (43,1 milhões)


05 Região Metropolitana – Hotel Hilton do Grupo Imocom (55 milhões)


- fábrica da JAC Motors (900 milhões)


- ponte Salvador-Itaparica (3,6 bilhões)


- solução intermodal Salvador-RMS metrô (3 bilhões)


06. Santo Antônio – estaleiro de Maragogipe OAS / Odebrecht (910,8 milhões)


07. Teixeira de Freitas – ampliação da fábrica de celulose Veracel (9 milhões)


08. Maracás – mineradora de vanádio da Falcon Metais ( 320 milhões)



O prezado leitor desse blog tem que compreender que esta é a grande questão política para o nosso e qualquer outro município. É ai que mora a questão do desenvolvimento de fato e sem conversa mole. São esses os investimentos de peso e com um objetivo definido. Se Ipirá não consta nestas oportunidades é uma lástima e nos resta (aos que visualizam uma Ipirá em outro patamar) uma grande indignação ou preocupação, porque quem não estiver inserido neste contexto, terá que se contentar com a programação de sempre: uma cisterna; quatro ovelhas e um carneiro; bolsa disso e bolsa daquilo, em outras palavras, com programas assistencialistas, etc e tal, numa prova inconteste da nossa carência.



O prefeito Diomário brada retumbante em letras garrafais: TRINTA E SEIS MILHÕES SERÃO APLICADOS NA OBRA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DE IPIRÁ. Alguns acharão monumental, gigantesco e apoteótico. Quem parar para pensar um pouco mais e sem a nociva paixão enxergará que além de monumental, isso também, demonstra a gigantesca falha e deficiência da tão badalada administração jacu-macaco que domina Ipirá por mais de cinqüenta anos, que por todo esse tempo, fizeram e construíram calçamentos, mas esqueceram de realizar os esgotos. Pasmem!



Ipirá está tão atrasada que ainda requer uma obra de infraestrutura tão simples e superada em qualquer outra cidade que se respeite. Este é o nosso patamar: convivemos com o atraso. A verdade nua e crua é esta: Ipirá está fora da agenda de desenvolvimento do Estado. O que fazer? Este é o grande e verdadeiro debate. O resto é “farinha pouca meu pirão primeiro”, tão ricamente adensada nesta picuinha ridícula, jacu/macaco, a essência do atraso de Ipirá.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

HOMENAGEM (parte 13).




A maconha chegou à Ipirá e alastrou-se como umbu no tempo da safra. Dodó da Zabumba estava animado, pois era o dia da festa da padroeira e ele era devoto de Senhora Santana, coisa que ele primava em sua vida. A animação era maior ainda porque ele iria tocar com o sanfoneiro Zé Bezerra, consagrado e afamado em todo Nordeste e para aumentar ainda mais a animação, o zabumbeiro pensou e resolveu: “vou tomar uma cerveja no bar de Tonho Gordo”. Foi para a rua de Cima, com a zabumba pendurada nas costas, e entrou no bar Cafuçú, logo sendo chamado pela turma que estava sentada em uma mesa no fundo do salão.



- Menino Dodó! Chegue mais meu irmão, venha ficar numa boa, cara – disse um coligado.



- Vou tomar um copo de cerveja, porque daqui a pouco eu vou tocar no show de Zé Bezerra – comentou o zabumbeiro.



- Qolé, minino Dodó, você é um cara cabeça, se quisé ficá legal você tem que tomá um chá, esse negoço de birita é coisa de careta – falou alguém no grupo.



O zabumbeiro não entendia nada daquelas insinuações. Tonho Gordo não deixou por menos e foi falando:


- Dodó é broder. Chegue mais broder, vai rolá um baseado e se você quisé pode dá uns tapa.



- Eu vou tomá um copo de cerveja pra dá animação no forró lá no coreto – disse o zabumbeiro.



- Dodó ta pareceno qui é bunda-mole, meu irmão! Esse zabumbeiro ta pricisano é ficá legal e de cabeça feita. Um broder como você não pode ficá de cara, você é um carinha legal. Acende logo esse morrão, qui Dodó vai dá uns tapa – falou com convicção alguém.



O cheiro tomou conta do ambiente, ao mesmo tempo que a fumaça impregnou-se em volta da mesa, Dodó esperniou.


- Qui fedô da disgraça é esse? Qui diabo é isso?



Em torno da mesa soaram as risadas, cada qual com sua galhofa, sendo que Tonho Gordo falou:


- Isso é a massa, zabumbeiro! Você tem é que curtir com a gente. Se você isperimentá essa massa, você vai ficá legal.



- O que é isso? - Indagou o zabumbeiro.



- É a marijuana, também conhecida por maconha, dê um tapa aqui e você fica logo batizado.



- Chega esse troço prá lá. Isso aí é a fumaça qui os ladrão bota pelo buraco da fechadura, os povo da casa dorme e o ladrão i entra e roba tudo. Eu quero é distança desse bagulho – disse Dodó que se afastou para o quintal, por causa do fedor e da fumaça, mas deixou o copo de cerveja sobre a mesa – quando vocês terminá com esse bagulho eu volto.



Tonho Gordo falou baixinho:


- Bota o produto na cerveja dele.



Botaram Artane e Rupinol no copo. A turma era só risada. Dodó voltou e tomou o copo de cerveja e disse:


- Essa cerveja parece que tá choca! Vou ali, que eu vou tocá no coreto e vocês que fique ai com seus bagulho.



Dodó aprumou as pernas e começou a andar, no batente da porta sentiu a diferença, havia dois metros de altura, fez que ia o passeio pulou para três metros de altura, Dodó parou e recuou, o passeio voltou para 20 cm; Dodó olhou, imaginou e pulou, o passeio não teve tempo de descer, Dodó falou:


- Tu viu passeio! Eu não disse que eu ti pegava, logo não ta veno que tu não vai dá im Dodô Zabumbeiro. Eu sou um cabra arretado – o zabumbeiro falava e dava risada.



As pessoas ficaram olhando com certo espanto para o menino Dodó, que seguia para a Praça da Bandeira, de forma que parecia que ia andando em câmara lenta, sempre sorrindo e vendo coisas e falando alto, para todo mundo e para ninguém:


- Oxente, quem foi que mandou botá ovo istalado no passeio do jardim? Agora, eu tenho qui andá por cima de tanto ovo.



Dodó andava de forma atabalhoada, mas era uma luta que ele travava consigo para pisar e não quebrar nenhuma gema de ovo, ao tempo que as pessoas olhavam e não entendiam porque o zabumbeiro andava com aquele jeito engraçado, como se estivesse pisando em ovos. Dodó começou a ver cobra e gritava:


- SAI DE BAIXO DONA! SE NÃO ESSA CASCAVEL PEGA A SENHORA.



A senhora pulava para depois olhar, como não via nada, não deixava por menos:


- Êta qui esse Dodó hoje, ta num lutrimento.



Quando Dodó chegou no coreto, tinha um palanque de madeira que seria o local do show, o zabumbeiro estranhou aquela altura e indagou:


- Cuma é qui eu vou subir nessas artura?



O sanfoneiro Zé Bezerra, sem perceber nada foi dizendo:


- Vamo lá zabumbeiro qui agorá é com a gente.



O sanfoneiro mandou um xote caprichado, o zabumbeiro cacetou uma valsa. O sanfoneiro não ficou por menos, puxou um xaxado, o zabumbeiro veio com um tango. O sanfoneiro tomou aquele susto e tocou um baião, o zabumbeiro sarrafiou um rock, ai o sanfoneiro olhou nos olhos do zabumbeiro e falou, contrariado e arretado da vida:


- Qui zabumbeiro é esse!



O zabumbeiro Dodó entendeu pelo avesso e aí se soltou de vez, jogava para a direita e rebatia com a esquerda, começou a tocar tamborim, bumbo e zabumba, tudo de uma só vez, era o famoso três em um, inventado e criado naquela hora, o sanfoneiro se atrapalhou; o zabumbeiro lascou a madeira, fez da zabumba, caixa de repique, surdo e berimbau; o sanfoneiro Zé Bezerra parou. Dodó não pestanejou e falou:


- Toca direito sanfoneiro, tu ta quereno mi tirá de tempo.



Terminado a apresentação, o trio desceu do palanque, o sanfoneiro com aquela cara de bolachão que seu Agnaldo vendia, não dava uma palavra. O zabumbeiro encontrou Tonho Gordo e a turma, foi logo dizendo:


- Vocês viu qui show da porra eu dei hoje aí?


A turma não dizia nada, só dava risada. Estavam todos sob o efeito da maconha

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

É DE ROSCA,




Estilo: ficção


Natureza: novelinha


Capítulo: 40 (mês de janeiro 2011) – incrível, apresentação do novo capítulo da novelinha esculhambada com, simplesmente, um ano de atraso e não acaba. Nem satanás acaba essa novelinha.



O prefeito Dió estava estendido em uma maca, já estava desenganado e pronto para bater as botas. Seu subconsciente começava a visualizar sua trajetória de retorno. Pensava o que tinha sido sua vida e observava o que vinha pela frente: o céu, com aquela paz, tranqüilidade e monotonia celestial, de um lado; do outro, o inferno, com aquele alvoroço, puxa-encolhe, arranca-rabo e sacode a peteca. “Agora não adiantava mais nada” pensava ele, estava nas mãos de Deus. Não tinha feito muita desgraça na vida, embora na questão política, sempre tinha enterrado uma peixeira no pescoço de alguém e, quase sempre, por trás. Mas, talvez, Deus nem levasse isso em consideração, porque política tem essa inclinação para o lado sombrio do espírito. “Seja lá o que Deus quiser, estava em suas mãos” confortou-se.



O médico encostou, abriu o olho esquerdo do prefeito Dio e balançou a cabeça negativamente e balbuciou: “ de esquerda esse nunca teve nada, infelizmente não tem mais jeito, vou fazer por fazer” e ordenou alto:


- Vá para a UTI-lidade rápido. Enfermeira entube o homem.



-Entubar é comigo mesmo – disse a enfermeira que foi pegar os tubos.



A enfermeira voltou com um tubo de esgoto de 4”, fedorento que nem buraco de esgoto e foi abrindo as pernas do prefeito Dió e quando ia entufando, ouviu aquela voz grossa:


- Espere um instante, a enfermeira é formada onde? – indagou o prefeito Dio.



- No CETEP.



O prefeito Dio deu um salto, caiu dois metros da maca e foi dizendo, ao tempo que saiu da UTI-lidade.


- La ele é quem fica aqui, não eu!



O comentário foi geral. Dispenso-me de escrevê-los na totalidade, não que não tivessem a mais profunda relevância, mas pelo fato de que seriam dez capítulos no mínimo só para postá-los, assim sendo, vão somente dois deles:


- Êta UTI-lidade boa essa do Hospital de Ipirá! O prefeito Dió chegou mais indo do que ficando e já está em pé – comentou o maqueiro.



- O prefeito Dió chegou nesse hospital pra lá de Bagdá, já tinha dobrado o quebra-mola de Paraíba e ia de ribanceira abaixo, não é que a UTI-lidade ressuscitou o defunto! – comentou o recepcionista.



Na portaria o prefeito Dió só fez sacudir a poeira, gesticulou e disse:


- Mas, menino! Só se eu fosse besta pra ficar num rabo de foguete desse, eu vou é mim distrair na minha Câmara de Vereadores.



Chegando à Câmara, o prefeito foi bem recebido. Sentou-se e ouviu o discurso do vereador Edu: “ É preciso que se faça uma CPI sobre o Matadouro de Ipirá, para se vê onde foi enterrado tanto dinheiro”.



O prefeito Dió fez que não ouviu. O vereador Edu repetiu, ai o prefeito Dió teve que interferir:


- Não vou nem pedir aparte a V. Exa, democraticamente o prefeito tem direito de falar na hora que bem quiser. Eu só quero salientar a V.Exa. que os nossos nobres vereadores não sabem o que é CPI, então não faz sentido V. Exa. ficar aí propondo uma coisa sem cabimento. Quer ver? Vereador no. 1, o que é CPI?



- Só pode ser cobra picando ipiraense.



- Essa foi boa! Mas é verdade! Não deixa de ser interessante soltar uma cobras no jardim para envenenar quem não enxerga as minhas obras. Vereador no. 2, o que é CPI?



- Só pode ser, cavalo pangaré inglês.



- Essa não foi boa, foi mais ou menos! Realmente, faz sentido, mas um cavalo inglês é muito caro e em Ipirá ninguém tem dinheiro para comprar um. Eu não gosto de cavalo, eu odeio cavalo. Vereador no.3, o que é CPI?



- Deve ser: coelho, paca e iguana.



- Como seria bom que Ipirá produzisse coelho e paca, iguana não, que eu não sei o que é isso. Vereador no. 4, o que é CPI?



- Com certeza, é cachorro pastando em Ipirá.



- Ô seu jegue! V. Exa. já viu cachorro comendo capim, se não tem, como é que ccc pode ser CPI? Vereador no. 5, O que é CPI?



- CPI, só pode ser caçando prefeito impostor.



- Essa foi péssima! Mas, pensando bem, V.Exa. não deve estar referindo-se ao grande prefeito Dió, que sou eu, mas ao próximo. Essa foi ótima. Vereador no. 6, o que é CPI?



- É Carneiro e a Pergunta do Ipiraense: onde é que vai matar esse bicho?



- Carneiro na balada, o que é que tem; ai, ai, assim você me mata; ai ai assim eu não agüento, se eu te pego, eu te mato, eu te acabo – cantava o prefeito Dió.



“carneiro, carneiro, na balada! Nossa, nossa! Assim você me mata, ai se eu te pego; delícia, delícia, assim você me mata, ai, ai se eu te pego” cantavam os vereadores.



Com a coreografia tornou-se o show do ano e nada da delícia do carneiro no Matadouro de Ipirá.



Suspense: e agora ? o que será que vai acontecer ? Em quem o prefeito Dió vai dar a próxima facada? Na macacada ou no irmão? Será que não vai ter sangue e morte nessa novelinha? Ou vai ser tudo de mentirinha para aumentar a audiência. Agora é que essa novelinha vai ter briga de irmãos e não acaba nunca. Duas coisas de rosca, essa novelinha e o Matadouro de Ipirá.



Leia o capitulo 39 (dezembro 2010) bem abaixo.



Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

HOMENAGEM (parte12)




O zabumbeiro Dodó narrou este episódio, mesmo tendo sido atingido por um lapso do de memória, pois esqueceu o nome do deputado que lhe arranjou o emprego, pois, nesta época, Ipirá tinha dois deputados: A.M. e J.O. Como ele não se lembra qual foi, mesmo fazendo um longo exercício de memória, vamos à narrativa, que não perderá o brilho pela prevalência do lapso.



O deputado estava confabulando numa roda de correligionários, numa conversa amistosa e entusiasmada, quando aproximou-se o zabumbeiro Dodô e disse:


- Deputado! Eu sou Dodô Zabumbeiro, me arranje um emprego.



O deputado olhou o intruso de cima para baixo e virou o rosto, voltando-se para a roda de amigos na tentativa de retomar a conversa. O zabumbeiro Dodó não percebeu sua indiferença, muito menos o olhar de desprezo de que fora vítima e voltou a falar:


- Na minha família tem mais de duzentos votos e eu posso dizê um a um: tem Ramiro Taco-Roxo, Chiquinho, Joel...



- O que é isso meu amigo Dodô da Zabumba? Você acha que eu vou duvidar da sua hombridade? Um homem do seu quilate, que possue uma família como a sua, não pode ser preterido em um pedido como este seu. Tem mais, procure-me quarta-feira no meu gabinete, lá na Assembléia, que seu emprego é garantido – disse o deputado tentando remediar o descaso inicial.



Na quarta-feira, Dodó, de peito estufado, colocou a zabumba pendurada nas costas e partiu rumo à Salvador, mas, antes, teceu um comentário que repetiu inúmeras vezes: “o deputado vai mim dá um emprego de zabumbeiro.”



Na Assembléia Legislativa do Estado encontrou o primeiro e grande obstáculo, justamente, no saguão, os seguranças e o pessoal da portaria não queriam deixar Dodó subir com a zabumba, fato que gerou o primeiro entrevero entre o zabumbeiro e o pessoal do poder:


- E tem gente aí em cima melhor do que minha zabumba? Eu vou subir cum minha zabumba e não quero xiada.



- Eu tenho que dizer ao senhor, que o senhor tem que cumprir as normas regimentais e qualquer atitude que o senhor venha tomar de forma exacerbada, o senhor poderá estar infligindo a lei e estará sujeito à detenção.



- Vocês aqui, sabe quem sou eu? Eu sou é Dodó da Zabumba e vou dá mais de duzentos voto ao deputado e vocês ainda tão prezepano cum um cabra conhecido como eu!



Tudo indicava que o tempo iria fechar, mas o destino resolveu dar uma ajuda e esfriar aquela situação, que estava tornando-se tensa, pois justamente neste exato momento, apareceu o deputado no saguão e foi gritando:


- MEU ILUSTRE DODÔ DA ZABUMBA! O QUE É QUE TRAZ ESTE ILUSTRE IPIRAENSE À CASA DA CIDADANIA?



- O deputado não me mandou vim aqui hoje? Já esqueceu deputado? – indagou Dodó.



- Você acha que eu ia esquecer uma coisa grandiosa e significativa como esse assunto nosso? Vamos subir para o meu gabinete.



- Essas pessoa aí, num qué deixá eu subir com minha zabumba.



O pessoal da portaria comentou reservadamente ao deputado:


- V. Exa. sabe que estamos vivendo um momento de exceção, porque o terrorismo está agindo de forma instigante e essa pessoa que tem todas as características de um terrorista queria adentrar ao prédio com um bagulho desse tamanho, que podia ser uma bomba disfarçada, com poder para destruir Salvador.



- Não, Não! Você sabe que eu sou deputado do governo e esse amigo aí é uma boa pessoa, um trabalhador de boa índole, pode confiar em minha pessoa.



No elevador, o deputado confidenciou ao zabumbeiro:


- Se eu não chego agora, o amigo zabumbeiro ia ficar estrepado, porque os seguranças já estavam planejando jogá-lo num camburão e colocá-lo num pau-de-arara, mas amigo de verdade não deixa o leite derramar e eu cheguei no momento certo.



No gabinete, o zabumbeiro indagou:


- E meu emprego de zabumbeiro?



Está aqui, consegui com meu prestígio junto ao governador, um REDA para você, pode se considerar professor na escola Albina Cunha.


- Mas, deputado! Eu mal sei fazer um O com o copo, cuma é qui eu vou insiná prá mininada? O qui eu sei fazê e bem feito é tocá zabumba.



- Não se avexe não zabumbeiro! Os meninos de lá sabem menos do que você, tudo que você ensinar pra eles é lucro. Vá e faça o que você tem condições de fazer. Ensine prá ele aquela conta: nada vezes nada é nada e ta tudo arrumado.



Na escola G.C., o entusiasmo era generalizado, pois a diretora alardeou que chegaria um professor catedrático nos próximos dias, era um tal de professor Dorneles. O zabumbeiro Dodó apresentou-se na escola com uma zabumba nas costas e entregou o Termos de Assunção. A diretora atrapalhada, perplexa e acabrunhada, apresentou o professor à turma e desceu para a sala da diretoria, onde desmaiou.



O professor Dodó Zabumbeiro pegou um giz e escreveu no quadro “ vamo cumeçá azaula” e soltou o verbo. A meninada estava extasiada. As outras turmas largaram suas professoras e correram para a sala do professor Dodó, que lascava a porrada na zabumba e apresentava um variado repertório de dança.



A meninada comentava: “ô zaula boa é a do fessor Dodó”, “eu quero istudá cum o fessor Dodó”, “eu num vou querê a pró chata, eu vou querê istudá é cum o fessor Dodó”. A escola virou um pandemônio e o que se via era birra e pirraça da meninada. A diretora colocou as mão na cabeça e comentou:


- A perdição tomou conta do mundo, nem o Senhor dá mais jeito nisso!



Mas, alguém tinha que fazer algo e esse alguém era a diretora, que estava vivenciando aquela bagunça fazia uma semana. Mandou fazer uma farda verde-cana e entregou-a ao zabumbeiro dizendo:


- Professor Dodó! A Secretaria de Educação mandou esta farda para o senhor, agora tem o seguinte, quem veste essa farda tem que trabalhar na portaria da escola.



O zabumbeiro caiu na besteira e vestiu aquela bela e vistosa farda. Deixou de ser professor e virou porteiro. A meninada não gostou, queria por que queria, Dodó na sala de aula como instrutor. Fizeram birra e uma pirraça medonha, que virou greve .


Transferiram o porteiro Dodó para a portaria da escola A.B. Num trabalho sem emoção, sem calor humano e sem fuzarca, o que deixou o menino Dodó entristecido. Três meses depois entregou o emprego do deputado de volta. Era um zabumbeiro, um homem de vida livre.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

UMA VERGONHA.




Quanto custa uma obra como o Matadouro de Ipirá? Três milhões de reais.


Quanto precisa gastar para terminar o Matadouro de Ipirá? Três milhões de reais.


Quanto já se gastou no Matadouro de Ipirá? Três milhões de reais.



Você entendeu alguma coisa? Evidentemente que não. Não coloquei esses valores aleatoriamente, mas também não contém uma precisão absoluta, até mesmo, porque a população ipiraense não tem conhecimento dos números na sua verdadeira concretude. Falta transparência e vergonha com a coisa pública.



Como pode uma obra como o Matadouro de Ipirá levar 20 anos( 4 de Antonio + 8 de Luis Carlos + 8 de Diomário, já estou dando como finalizado) para ser construído e nada? Podendo


Como pode uma obra como o Matadouro de Ipirá ficar pronta e não funcionar; depois sofrer uma reforma após ficar pronta e nunca terminar, para ficar pronta e funcionar? (é para não entender mesmo) Podendo.


Como pode tanto descaso com a coisa pública? Podendo


Transparência neste caso, só para a questionável e dubitável capacidade administrativa dos jacus e macacos na condução dos destinos de Ipirá.



A matéria oficial do prefeito: “Havia uma pendência relativa ao Certificado de Regularidade Previdenciário (CRP) que estava negativando o município e impedindo Ipirá de receber recursos do Governo Federal.”



Mais uma vez o velho e surrado choro do prefeito Diomário. Essa negativação foi causada pelo governo de Luis Carlos ou pelo seu? Porque seu governo recebeu verbas federais recentemente (reforma das praças).



A matéria oficial do prefeito: “o município tem pleitos importantes como a liberação de mais recursos para o Matadouro, proposta no MDA. Estando o município inadimplente, este convênio e contrato não poderiam ser liberados. O prefeito conseguiu a liberação e a expedição da Certidão de Regularidade Previdenciária.”



Mais uma vez a velha e surrada tática do prefeito super-herói, que conseguiu tirar o município do buraco, sendo que ninguém sabe, na verdade, se jogado por Luís ou por ele próprio.



A matéria oficial do prefeito: “O prefeito manteve contato com técnicos do MDA apresentando a proposta para a liberação de mais R$ 1.250.000,00 NECESSÁRIOS para concluir e dar funcionalidade ao Matadouro Municipal de Ipirá.”



O antigo problema. Merece ou não merece ser questionado?


Tinha que haver desde a vigência do primeiro contrato, técnicos para acompanharem a execução por meio de análise de documentos e inspeções presenciais para não acontecer o que ocorreu: veio o dinheiro público e a obra não foi concluída.



O prefeito Diomário tem que dá explicações à população ipiraense: O que aconteceu com as verbas que vieram para o Matadouro de Ipirá, nas outras e na sua gestão? Quem é esse construtor H.B? Quem indicou esse construtor? Ele tem ligação a quais personalidades políticas? A população tem o direito de saber o que aconteceu e está acontecendo.



É necessário que o Ministério Público no seu atributo de exercer atividade fiscalizadora dos atos administrativos do poder executivo acompanhe a aplicação dos recursos públicos advindos para o Matadouro de Ipirá e procure suspender esse tapete para que se possa dirimir as dúvidas existentes, desde quando o poder executivo em Ipirá mostra-se incompetente, ineficaz e perdulário com a aplicação do dinheiro público.



Consta ao Ministério do Desenvolvimento Agrário um maior rigor no acompanhamento da aplicação dos recursos, desde quando existem indícios de irregularidades e de malversação do dinheiro público numa obra que é um elefante-branco e está sendo mal gerida. O fato do prefeito Diomário ter sido cabo-eleitoral do deputado-ministro Afonso Florence exige um acompanhamento mais acentuado quanto a execução desses recursos.



Consta ao senador Walter Pinheiro, que exija com veemência que o prefeito Diomário, pessoa de sua confiança, faça a aplicação correta e adequada dos recursos oriundos da União para que essa obra tão necessária e prioritária para o município de Ipirá seja concluída, inaugurada e colocada em funcionamento. É só isso o que a população aguarda.



A população de Ipirá quer a verdade e a transparência em relação a esse Matadouro de Bovinos em Ipirá. Com tanta irresponsabilidade, imprecisão e descaso não vai demorar esse Matadouro de Ipirá virar caso de escândalo na imprensa nacional e respingar em muita gente graúda nas esferas governamentais. É necessário que os responsáveis expliquem: POR QUE ESSA OBRA ESTÁ EMPACADA?

domingo, 18 de dezembro de 2011

É DE ROSCA.




Estilo: ficção


Natureza: novelinha


Capítulo: 39 (mês de dezembro 2010) – incrível, apresentação do novo capítulo da novelinha esculhambada com, simplesmente, um ano de atraso e não acaba. Nem satanás acaba essa novelinha.



O prefeito Dió e o irmão Lu estavam saciados depois da saborosa comida do Rincão e reiniciaram a viagem em direção à Ipirá. Quando chegaram ao Marajó, o irmão Lu fez uma advertência ao prefeito Dió:


- Se você tocar na politicagem de Ipirá, eu boto você pra fora do meu carro e você vai ter que se virar para ir de ligeirinho.



- Deus me livre, irmão Lu! Já pensou, eu pegar um ligeirinho jacu e ele dá uma queda de asa, a porta abrir, eu cair e morrer! Lá ele, te desconjuro! Eu juro que não vou falar na política de Ipirá. Vamos que vamos.



Saíram do Marajó e o prefeito Dió calado, mas com o juízo pegando fogo e a língua coçando. Ia imaginando a situação em que tinha chegado a sua atuação na política de Ipirá: “botei todo mundo na mão, sou o líder e o chefe do processo sucessório e num piscar de olhos estou mais enrolado do que charuto de bêbado, por causa de uma candidatura que não solicitou a minha permissão e que vai sair pelo lado do jacu.” Estavam chegando à Anguera, o prefeito Dió não resistiu e indagou:


- Ô irmão Lu, por que você quer sair candidato a prefeito de Ipirá?



- Para fazer uma auditoria na sua prefeitura – respondeu friamente o irmão Lu.



O prefeito Dió tremeu, o carro saiu derrapando pela estrada, rrrrrrrrr, saltou uma cerca, tibummmmmm, e saiu por dentro do pasto fazendo o juntamento da boiada que estava naquele pasto na entrada de Anguera. Neste justo momento, passava um ligeirinho Ipirá-Feira e alguém comentou:


- Veja o progresso que nós chegamos, hoje o povo junta o gado com corolla zero.



Nem imaginava que era o prefeito Dió trazendo o progresso para a região. Depois de uma hora por dentro do pasto o carro retornou para a estrada e retomou viagem para Ipirá. No entroncamento do Bravo, o prefeito Dió resolveu, por displicência e sem querer, tocar num assunto que estava instigando o seu juízo:


- Por que o irmão Lu quer fazer uma auditoria na minha prefeitura que é a mais limpa do Brasil?



- Para ver o que você colocou embaixo do tapete – respondeu o irmão Lu friamente.



O carro saiu do asfalto, pra ca tum, pra ca tum, saltou a cerca, ti bum bum bum, daquele pasto que tem um morro de pedra perto da entrada do Bravo, saiu derrubando tudo quanto era pau que encontrava pela frente e começou a fazer um túnel no morro. Neste justo momento, retornava um ligeirinho Feira-Ipirá e alguém comentou:


- Veja o progresso que nós chegamos, hoje o povo faz os pastos é com corolla zero, nem precisa mais de trator.



Nem imaginava que era o prefeito Dió trazendo o progresso para a região. Depois de uma hora por dentro do pasto o carro retornou para a estrada e retomou viagem para Ipirá. O prefeito Dió estava taciturno, foi quando o irmão Lu quebrou o silêncio:


- Que lugar é esse, prefeito Dió?



- É o Pau-ferro, irmão Lu! Já esqueceu? Eu vou rememorar a sua cabeça com as obras que eu já fiz em Ipirá.



Quando lembrou de suas obras, o prefeito Dió acelerou o carro e botou 300 por hora, ao tempo que fechou os olhos, estava dormindo, era a hora de sonhar. O irmão Lu observou os olhos fechados do prefeito e gritou:


- QUE DEUS TOME CONTA DESSE PREFEITO.



Na entrada do Centro de Abastecimento, o prefeito Dió fez a sua primeira apresentação:


- Você está vendo essa entrada e essa drenagem, foi eu quem fiz, isso custou-me um dinheirão. Lá na frente tem umas casas populares espetaculares; são tão boas e bem feitas que já estou fazendo oito anos construindo-as para que saíam de primeira qualidade, se você quiser eu posso ceder uma para você morar, desde que você não mora aqui. Lá, ao lado está uma grande obra que eu inaugurei: o Centro de Abastecimento, que tem até sanitário público. Eu fui o único prefeito que construí sanitário público nesta cidade.



- É esse o Centro de Abastecimento que tem medo de água, quando chove é o maior lameiro, coisa que você não sabe, porque você não faz mais feira em Ipirá, é só em Salvador – disse o irmão Lu, meio aborrecido.



O prefeito Dió continuava com os olhos fechados. O carro continuava a 300 por hora. Na entrada da cidade, o prefeito Dió comentou:


- Olhe por cima das casas e veja o grande Centro Cultural de Primeiro Mundo, com um palco em cima, foi obra do meu governo.



- Ah! É o Centro Cultural que tem uma piscina no meio, basta chover que a água inunda toda a área, também com a cachoeira que você mandou construir, não tem chuvisco que não faça uma melança – criticou o irmão Lu.



Em frente ao Hospital de Ipirá, o prefeito Dió voltou a falar:


- Que UTI de última geração eu fiz nesse hospital, só falta inaugurar. Veja essa grandiosa e bela avenida que eu fiz do hospital à fabrica, se bem que não terminei ainda, mas, também, só tem três anos que venho fazendo e ainda falta um ano para terminar o meu mandato, tenho tempo de sobra para terminá-la.



O irmão Lu estava pasmo com o que ouvia, mas preferiu não questionar, ainda não era hora. Em frente à fábrica o prefeito Dió apontou com os lábios na direção ao Sudoeste e disse:


- Veja que belo Campus Universitário eu construir lá daquele lado, justamente para a juventude de Ipirá ter uma formação de Primeiro Mundo aqui na nossa terra.



O irmão Lu não agüentou e interpelou o prefeito Dió.


- Lá não! lá é a fazenda Cágados do meu irmão Kainho e o Campus que tem lá é para botar a boiada, não venha com essa enrolada não que não cola.



- Mas, irmão Lu, você sabe que minha prefeitura está sem recursos e eu tenho que fazer das tripas coração, sendo que neste caso, por uma boa e justa ação, eu achei melhor utilizar o logradouro de nossa família, para o bom desfrute da nossa juventude.



- Sem essa, prefeito Dió! E eu tinha dito para você não falar de política, não foi?



O carro disparou para 500 por hora, na entrada do matadouro fez a curva, emburacou e estancou na porta da obra, o prefeito Dió abriu os olhos. Quando o prefeito Dió observou um rabo abanando na porta da construção, saltou do carro e foi dizendo:


- É por isso que essa obra não acaba, um cachorro fica dormindo aqui dentro e abanando o rabo bem na porta, isso é sinal de atraso.



Quando puxou o bicho pelo rabo, não era um cachorro, era o bicho carneiro, que olhou para o prefeito Dió, sem entender bem aquele atrevimento de alguém puxá-lo pelo rabo na hora do seu repouso e foi falando:


- Beée! O que é isso? Por que você puxou o meu rabo? Qual de vocês dois quer construir um matadouro de ovelha aqui, neste local, beée?



- É ele, que é o prefeito – disse o irmão Lu apressado.



- Eu não! É ele que quer ser o prefeito – disse o prefeito Dió, mais apressado ainda.



- Beée, qual de vocês dois, é o prefeito Dió, beée? – perguntou o bicho carneiro.



- É ele – apontou o irmão Lu.



O carneiro deu quatro passos para trás. Quando o prefeito Dió viu aquilo, fez o giro, aprumou as pernas e se picou para Ipirá com o bicho carneiro atrás. No posto Augustus, num ligeirinho que tinha ido abastecer, alguém comentou:


- Olha o pique que vai o prefeito Dió na caminhada! Ainda leva um carneiro de estimação de companhia. Rapaz, não sei como prefeito Dió agüenta um pique desse! O sujeito está em forma.



- Também pudera, leva a semana toda dando pique na praia em Salvador, tu queria que ele chegasse aqui morto! – comentou outra pessoa.



Quando chegou ao hospital, o prefeito Dió foi em direção à recepção. Não teve jeito, o carneiro pegou de jeito e deu-lhe uma marrada daquelas de desconjuntar até os ossos. O prefeito Dió caiu em uma maca e o atendente foi dizendo:


- Esse tem que ir direto para a UTI, até que enfim parece que a gente vai inaugurar esse troço.



- Esse não precisa nem entrar, pelo jeito já bateu as botas, vou levar ele lá dentro só para descarrego de consciência – disse um maqueiro.



O prefeito Dió abriu um olho de mansinho, observou a movimentação do ambiente e pensou: “Eu acho que vou tirar uma onda de morto, só na novelinha, é bom lembrar, só na novelinha, vou lembrar de novo, é só na no-ve-li-nha, ai eu livro-me dessa coisa chata e sem graça, essa tal novelinha e de lambuja eu inauguro a minha UTI, que vai me ressuscitar, aí o povo vai saber que eu fiz uma obra de grande UTI-lidade para a população de Ipirá. E viva eu.”



Suspense: e agora ? o que será que vai acontecer ? Em quem o prefeito Dió vai dar a próxima facada? Na macacada ou no irmão? Será que não vai ter sangue e morte nessa novelinha? Ou vai ser tudo de mentirinha para aumentar a audiência. Agora é que essa novelinha vai ter briga de irmãos e não acaba nunca. Duas coisas de rosca, essa novelinha e o Matadouro de Ipirá.



Leia o capitulo 38 (novembro 2010) bem abaixo.



Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.