quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

UM PORTO SEGURO.








O Campeonato Intermunicipal 2010 finalizou com o título sendo conquistado pela seleção de Porto Seguro. A seleção de Ipirá não foi muito além do esperado. Ficou visível a improvisação, a falta de estrutura e de apoio substancial, inclusive, ficou pelas tabelas com a imaturidade do elenco de jogadores, que para o enfrentamento neste tipo de competição devem incorporar uma atitude de compromisso e responsabilidade de atleta. A seleção para ter a perspectiva do sucesso tem que fazer um planejamento eficiente e contar com um apoio logístico.

A seleção de Ipirá avançou em vários aspectos, inclusive, na implantação de um perfil mais atlético e responsável para os integrantes da equipe, o que não é fácil. Outras questões não puderam ser superadas. Nada é fácil neste campo e não é tarefa fácil tocar o futebol, principalmente quando próceres do poder municipal faziam mau agouro sobre a seleção ipiraense e torciam para o fim das referidas despesas municipais, como se isso levasse os cofres municipais à falência ou como se aplicar fundos municipais em esporte não fosse um investimento em cidadania.

Mesmo como todos os apertos e uma trajetória penosa e árdua, Ipirá teve sua revelação no Intermunicipal 2010. Foi uma brilhante e digna revelação. Seu nome é Anilton Ribeiro, conhecido por Paulistinha, que atuando como árbitro de futebol foi ganhando destaque na competição, devido a sua capacidade técnica, dedicação, responsabilidade e vontade para fazer o melhor e aqui fica a lição: qualquer jogador de bola que quiser aspirar algo mais do que ficar em Ipirá, tem que seguir essas referências.

Paulistinha foi árbitro principal em várias partidas do Intermunicipal 2010, participou do jogo de profissionais Fluminense 1 x 0 Serrano pela Copa Governador do Estado 2010, no Jóia da Princesa. Este mês, Anilton Ribeiro tornou-se árbitro do quadro profissional da Federação Baiana de Futebol. Anilton está de parabéns. Tem todo um caminho pela frente e, sem dúvida, irá trilhá-lo com trabalho, competência, maestria, e desta forma, chegará a um porto seguro e a uma carreira vitoriosa.



domingo, 26 de dezembro de 2010

O TRIO DE OURO.


A rebelião branca está em curso. O “trio de ouro” quer fazer do Legislativo um poder livre do chicote, do domínio e da interferência do Executivo de Ipirá. A liberdade já seria “terra à vista” se não fosse a oposição. A oposição ao prefeito virou situação, não era oposição, e o “trio de ouro” que era situação posicionou-se contrário ao Executivo. Se os vereadores que se diziam oposição mantivessem a posição, o tiro seria bem na testa do Executivo, que baixaria a crista.

Politicamente, a bancada oposicionista da Câmara comete um erro elementar, pois seria o primeiro momento e bom motivo para impor uma derrota ao prefeito e levá-lo a um desgaste profundo. Fez o inverso, pisou na bola. Vacilou. Não tem méritos para ocupar o lugar que está a ocupar.

Um Legislativo autônomo e independente seria altamente positivo para a democracia em nossa terra e na medida em que estivesse disposto a dizer não ao poder impositivo e centralizador do Executivo ipiraense estaria tomando uma postura alvissareira para o município de Ipirá. Mais do que nunca se faz necessário um Legislativo livre do guarda-chuva de ferro do Executivo.

Nos bastidores, a rebelião branca apresenta manchas de sangue, desde quando, o prefeito Diomário sempre atira ao ventilador um argumento que apresenta “um trio de ouro querendo vantagens pessoais”, mas na batalha em campo aberto, principalmente, nos meios de comunicação, ficou bastante claro que o desejo do “trio de ouro” é pelo atendimento às promessas de campanha feita pelo prefeito Diomário e a um acatamento às reivindicações das comunidades. O poder concentrador do prefeito Diomário descarta por completo esta proposição: “não tem recurso” diz ele.

O ponto de discórdia foi a eleição para o corpo diretor da Câmara. O prefeito que por que quer o vereador Edgar Batista na presidência. O “trio de ouro” rejeita e apresenta Weima Fraga como oponente. O prefeito não aceita e não quer de jeito nenhum, mesmo Weima tendo sido seu secretário até um mês atrás e pertencente ao grupo. O prefeito Diomário sai da reta e diz que não tem nada a ver com a eleição da Câmara, na verdade está no olho do furacão.

O impasse está na ordem do dia. A pretensa vantagem e força do prefeito Diomário cai por terra com a necessidade da Câmara votar o Orçamento 2011, em segundo turno. O “trio de ouro” bate pé firme e não vai aprovar o Orçamento 2011, que se cair, obrigará o prefeito a administrar com os valores do Orçamento de 2010. Se o prefeito Diomário deixar a peteca orçamentária cair estará cometendo o seu maior vacilo, pois deixará para trás 8 milhões de janeiro 2011, mais 7 de fevereiro 2011, ou seja, de um total de 15 milhões só poderá utilizar 5 e 10 ficará guardado para 2012. Assim sendo, o prefeito Diomário está sentado em uma bomba com pavio aceso, e entre o seu vacilo e o vacilo dos vereadores oposicionistas é preferível que ele mande para o inferno o vacilo dos vereadores oposicionistas e festeje Weima presidente.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

RADIOGRAFIA 9


Deu burros n’água, o Titanic afundou. Morreram mais de trezentos livros. Não foi noticiado pela mídia, simplesmente, porque a morte de livros não tem missa encomendada nem anuncio em carro de som.

É assim que a coisa anda e desanda em Ipirá. O Centro Cultural Elofilo Marques foi inaugurado um pouco antes das eleições 2010, na fervura da campanha, com a intenção de impressionar e instigar a população para a contemplação carregada de ingenuidade: “ma qui cosita ma bella!”

É incrível! O majestoso não suportou a primeira chuva das trovoadas. A água descia pelas paredes como uma cachoeira. O concreto gotejava como uma espuma. No piso, a água ia aumentando o volume e parecia o encouraçado Titanic recebendo água pelas fendas da fuselagem. Na biblioteca, a água alcançava os joelhos. No auditório, as cadeiras boiavam. O teto encharcado virou um bolsão de água e ameaçava desabar com o peso, foi providencial a abertura feita e a enxurrada desceu feito uma tromba d’água. As caixas de livros do FNDE foram atingidas. Era o dilúvio de Noé. Foram precisamente 1h30min de chuva, ou seja, 30 mm de precipitação e fez esse estrago todo. Imagine 100 mm, o que não faria?

Ninguém podia entrar ou sair. Bater fotos da correria? Nem pensar. Tentavam de todas as formas retirar a inoportuna e recalcitrante água que teimava em continuar. Ali, que outrora era a Caixa d’água de Dé Fonseca, que saciava a sede da população de Ipirá, a água buscava o seu antigo leito e revoltosa molhava as páginas que saciam a sede do saber. Páginas úmidas, molhadas e perdidas. Só saliva de prefeito e secretária pode recuperá-las.

Eis uma característica permanente, que não se pode suprimir e muito menos negar, da administração do prefeito Diomário: as suas obras carregam o crivo do indubitavelmente ordinário. De tão ordinárias as suas obras chegam a ser indecentes.

Indecentes pelo baixo custo e inferioridade do material; indecente pela aplicabilidade dos consideráveis recursos públicos de forma promíscua e irresponsável, quando firmas de fundo de quintal, sem nenhuma expressão e de capacidade duvidosa assumem o que não têm competência e o resultado é esse triste desarranjo de obras fajutas e chinfrins. Indecentes pela falta de fiscalização. Esse é o traço da capacidade administrativa do jacu e macaco em Ipirá.

domingo, 28 de novembro de 2010

OXENTE, BICHIM! O GOVERNADOR EM IPIRÁ.


Convite da FUNDAL. A convite da PREFEITURA. Oxente! Afinal, quem foi que trouxe o governador? Esta indagação tem certa procedência, embora não tenha tão grande relevância, mas, devido a uns dois comentários que ouvi dos munícipes vizinhos que compareceram ao evento, dizendo que: “não tem um acontecimento que consiga trazer o governador à Bacia do Jacuípe e Antônio Almeida conseguiu.” Oxente foi Almeida ou o prefeito Diomário? A dúvida ficou no ar.

Almeida preparou o melhor cavalo do haras; colocou arreio de ouro e sela com estofo acolchoado, quando foi fazer a montaria, o prefeito Diomário, como bom político que é, pongou na frente e desfilou com galhardia, altivez e brio. É um exímio político.

Dúvidas à parte e deixando a brincadeira de lado, não houve discursos, simplesmente, foi um diálogo entre dois grandes mestres da política, o governador Wagner e o prefeito Diomário, onde o céu era o limite.

O prefeito Diomário estava inspiradíssimo, deve ter levado uns quinze dias preparando o discurso. Foi prolixo, complexo e profundo. Foi longe. Foi buscar nas antigas lições do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA o brilhantismo da filosofia de Ortega y Gasset, deixando o governador boquiaberto e estupefato, e este, não deixou passar em branco a sua admiração e disse: “reconheço que o prefeito Diomário hoje está filosófico e poeta.”

O prefeito Diomário estava cheio de preciosidades e, além do mais, todo faceiro e ensaboado, mostrava-se de uma intimidade exemplar a Wagner e garantiu que estava pronto e que o governador iria receber uma farofa com carne de bode acompanhado de rapadura para a sobremesa. Oxente, bichim! Vê lá se governador vai comer esse tipo de comida depois que passou as eleições e não precisa mais de voto! Isso cheirou muito mais a um recado: “leve esse pirão para comer no avião, agora, olha lá, vê lá se não vai esquecer de mim quando chegar na governadoria, em Salvador.”

Depois do falatório expressivo, eloqüente e elogioso do prefeito Diomário, o governador deve ter pensado: “daqui a dois anos, eu tenho que arranjar um cargo lá em Salvador para esse prefeito.” O próprio governador não pediu segredo e disse: “eu sei que o prefeito Diomário vai me entregar um envelope cheio de pedido, quem não sabe pedir não sabe levar.”

Oxente, bichim! Já que é assim, ou o prefeito Diomário não sabe pedir ou pede mal de mais, ou não adianta pedir nada a esse governador. Uma coisa é certa, depois que criaram os territórios, as reivindicações de municípios do porte de Ipirá perderam-se ao vento. Mesmo sem ser chamado para o debate, eu digo assim: nesses oito anos (faltam quatro) Ipirá não terá uma obra de peso, como um Matadouro; um Hospital com UTI; uma Faculdade estadual; um Parque de Venda de animais; uma Escola Técnica federal; FUNCIONANDO é claro, sucata e virtual não vale, e tem mais, o governador Wagner só voltará a Ipirá, na campanha de prefeito, para defender o candidato macaco e nas próximas eleições para o governo do Estado, para defender o seu candidato, a não ser que o prefeito Diomário traga-o para comer uma carne de bode, com farofa e rapadura.

Oxente, bichim! E eu fico pensando:” o prefeito Diomário, com toda essa habilidade política que carrega, se o governador fosse Paulo Souto, o que ele faria? A oferta seria um filé à parmegiana, com figos na sobremesa. Oxente, bichim! E se fosse Geddel? Seria uma polenta com salmão e amoras frescas para o saboreio. E o falatório? Seria o mesmo apresentado para Wagner.” Como diz o ditado popular: raposa que não baba, não balança o rabo.

O governo foi claro no recado: “não concordo com bandido e essa juventude não pode ir por esse caminho, porque terminará presa ou morta.” A polícia colocou a faixa de alerta na avenida: “não deixe a Bahia virar o Rio, aumente nossos salários” ta dito, se não aumentar, o Rio vem para cá, porque com o que ganha os professores, a juventude vai virar bandida, pelo menos, os que quiserem.

Oxente, bichim! E quem trouxe o homem? Há trinta anos, todas vezes que o governador veio à Ipirá, com chamado da Prefeitura, antes da fala do prefeito e a dele, tocava-se umas dez girândolas, num estardalhaço de fazer tremer a terra, mas, dessa vez, não tocaram um traque de massa. Uma coisa é certa, quem tem média com o governador Wagner em Ipirá é o prefeito Diomário.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

UUUUUUUUUUUUUUUUUUÚ, TU ERROU!

Vaias sobre vaias: [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu errou].
Realmente, eu tinha feito um prognóstico para o SEGUNDO TURNO das eleições presidenciais no município de Ipirá (foi no conversando com os números 1) e não foi compatível com a realidade.

Realmente, como diz o prefeito Diomário, eu não acerto uma, mas isso não é motivo para essas vaias, eu não as mereço. Tem um culpado por trás disso. No primeiro turno votaram em Ipirá 30.992 eleitores. Eu afirmei (não nego) que iam comparecer para o segundo turno: 30. 500 eleitores. Não é que compareceram 30.088, errei por causa de 412 malandros que preferiram ir à praia do que comparecer ao local de votação para dar uma carimbada na sua condição de cidadão. No primeiro turno foram 8.558 (21,64%) abstenções, justamente a turma que não encontra trabalho em Ipirá e tem que dá seus pinotes lá fora (cortando cana no Paraná, Mato Grosso, etc), para o segundo turno, a abstenção aumentou para 9.462.

A abstenção cresceu 904 votos e eu vejo que a culpa está nos 412 malandros e no prefeito Diomário que, dessa vez, falhou na questão dos transportes para levar o povo para votar na zona rural. Na Praça do Mercado sobrava gente e faltava transporte. No primeiro turno o interesse era o voto para os deputados. Justifiquei o meu erro ?
[uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu errou]

O voto em branco caiu de 764 para 405. Eu calculei em 629. Realmente, errei por causa de 224 votos. O prestígio de Branco em Ipirá está caindo, aí eu não posso fazer nada. O voto nulo caiu de 2.680 para 1.509. Dessa vez, com o voto solitário, 1.171 pessoas acertaram o dedo. Eu calculei que seriam 775 nulos. Não errei como você está dizendo, foram, justamente, os 734 eleitores (a mais) que não queriam nenhum dos dois candidatos. Isso está claro ? [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu errou]

A votação de Dilma em Ipirá foi 20.365 e eu coloquei na postagem do dia 5 de outubro que seria 21.948, diferença de 1.583 votos a mais. A votação de Serra em Ipirá foi 7.809 votos e eu coloquei quinze dias antes, que seria 7.148, uma diferença de 661 a menos. [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu errou]

Não faça isso, eu não mereço essas vaias. [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu errou]. O que é isso, só porque não foi na mosca ... [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuué, tu errou]. Tenha um pouco de paciência, o percentual da diferença foi mínino... [uuuuuuuuuuuuú, tu errou].

Ó sujeito ! não me rete não, senão eu coloco um prognóstico aqui para 2012 e você vai ter que engolir. [uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuú, tu não acerta]. É, não acerta não, então lá vai: para 2012, eleições de prefeito em Ipirá, o candidato da macacada será Antônio, ou Dudy, ou Jurandy e o da jacuzada será Luís Carlos, ou Maurício ou Marcelo, agora, engula sua vaia.

[E o resto ?] Que resto ? [o resto da população, você só citou três pra lá e três prá cá]. Ipirá tem 62.197 habitantes menos os seis iluminados e mais o prefeito atual, que não pode ser reeleito, sobram 62.100 habitantes que só servem de massa de manobra e não possuem nenhuma capacidade para administrar esse município, assim está configurado o esquema das oligarquias dominantes. Ó sujeito! Por que você não continua vaiando? [pio, pio, pio, pio].

sábado, 23 de outubro de 2010

HOMENAGEM (parte 6)


O trio de Isaac Sanfoneiro, escorraçado e fugitivo de Ipirá, refugiou-se em Pintadas. O menino Dodó da Zabumba começou a mostrar-se pelas ruas do distrito, com uma camisa de manga comprida, nas cores amarelo e preto, parecendo couro de onça e uma calça verde-sumo, ao tempo que colocava os óculos escuros para distribuir charme e devido ao sol escaldante de Pintadas.

Aquela nova figura começou a despertar corações e atrair, para si, olhares apaixonados. O zabumbeiro Dodó ficava cada vez mais cheio de pose. Depois de algumas apresentações o alvoroço feminino aumentou em torno de sua pessoa. Dodó não podia ficar em casa e muito menos ir para a rua. Onde estivesse era atacado. O que mais ouvia era um tal de: “pão” prá lá e “pão” prá cá; “venha cá meu zabumbeiro”; e por aí a coisa ia esquentando até pegar fogo.

Certo dia, à boca da noite, o zabumbeiro Dodó foi atacado por uma mulher, que o jogou contra a parede dizendo:
- Meu pão gostoso! Ta faltando tu fungá nu meu cangote.
- O que é isso dona? Com uma prosa dessa a dona intorta o meu verso. Do jeito qui eu tô bateno zabumba, eu só vou tê uma folga daqui a três mês, até lá a dona tem qui ficá na fila.

A mulher puxou uma serra e encostou-a no pescoço de Dodô e foi dizendo:
- Se tu num atendê o meu chamego eu toro o teu pescoço em dois.
- Oxe dona! Tire essa serra inferrujada do meu pescoço. Quem já se viu querê assustá os ôtro cum uma serra vagabunda dessa, nem Starret é essa porcaria.
- Eu carrego essa serra é no meu coração e si tu me atraiçoá eu arranco os teus bagulho.
- Oxente dona! No meu coração eu só carrego amor prá dá. Serra xexelenta e ordinária eu num quero nem prá serrá chifre de chifrudo. Isso é lá coisa de gente de bem carregá na gibeira ? Eu num quero sabê do qui não presta.
- Vê lá cuma é qui tu vai depositá teu voto de cunfiança, qui de agora pur diante tu vai se vê cum minha pessoa e cum minha serra.

O zabumbeiro Dodô era determinado, mas, também, não era de ferro e ficou aturdido depois que teve aquela serra enferrujada encostada no pescoço. Levou alguns dias preocupado, mas, sem demora, apareceu na sua vida uma nova e doce esperança. Era uma menina de cabelo curto, que gostava de usar laquê e possuía um sorriso meio forçado. O zabumbeiro Dodó enxergou com clareza o seu verdadeiro caminho e sem perda de tempo foi perguntando:
- Qual é sua graça?
- Dilma – respondeu a menina.
- Bom, Dilma. Nós dois ainda não começou a namorá e eu já tô apaixonado por tu.

A notícia desse novo amor espalhou-se rapidamente e chegou ao conhecimento da concorrente que usava uma serra, esta por sua vez, baixou o nível da disputa e do debate, e quando encontrou o zabumbeiro foi mostrando-lhe a serra enferrujada e dizendo:
- Olha seu cretino, essa mulerzinha é macumbeira; arranca minino do bucho; num acredita in Deus e só torce pru Diabo e eu vou infiar essa serra nas tripa dela e vou te capá cuma se capa bode na fazenda Cais.

O zabumbeiro Dodó suava frio só de pensar em estar dormindo e acordar capado por serra ou com o pescoço cortado pela serra. Deu tempo correr, mas antes ainda falou:
- Lá ele; o cão é que quer uma serra inferrujada; chega prá lá, ti discunjuro.

Não teve jeito. A situação, nesta disputa, era favorável à Dilma. A figura que carregava a serra enferrujada era muito baixa, não subia de jeito algum, embora pressionasse um pouco, mas sem ser uma ameaça concreta e, por isso, no dia 31 de outubro, Dilma foi para Brasília, deixando um bilhete para o zabumbeiro Dodó: “Querido Dodozinho. Estou indo para Brasília; obrigado por confiar em mim. Eu sei que vou fazer muito por todos nós. Pintadas 31 de outubro. Dilma.”

O trio de Isaac Sanfoneiro apresentava-se numa quermesse na porta do Mercado e Dodó com a zabumba era um espetáculo à parte, neste exato momento, apareceu a tropa de elite da polícia de Pintadas: Pedrão, com dois metros de altura e três de largura; Oliveira, com um cacetete do tamanho de uma estaca; João, que tinha uma mão do tamanho de uma pata de onça e que era irmão da mulher da serra, que apontou dizendo:
- Meu devedô é aquele ali, o tocadô.

O zabumbeiro Dodó saiu de mansinho, disfarçando, diminuindo o ritmo da zabumba, que deixou no chão e disparou na correria. Era tarde. Pedrão deu uma rasteira e a mão de onça segurou-o pelo pescoço, enquanto esfregava sua cara no chão.
- É tu o sujeito sem-vergonha que desonrou minha irmã ?
- Qui cunversa é essa seu guarda! Bota essa boca prá lá seu guarda. Eu sou é florzinha, eu gosto é de home assim como o seu guarda – falou o zabumbeiro com a voz afeminada.

- Tu toma vergonha nessa cara seu franginha. Foi esse minha irmã?
- Foi sim, Jão.
- Num fui eu não seu guarda. Foi meu irmão Ramiro Taco Roxo.
- Vamos cumprová isso direito. Minha irmã, mi diga, o taco dele é roxo?
- É roxo Jão, é bem roxo.

O soldado João examinou e concluiu:
- Esse zabumbeiro é marica de nascença – e virando-se para Dodó, disse-lhe – olha sua mariposa, tu tem dois minutos para sumir de minha vista, senão eu te entrego para a serra enferrujada fazer um servicinho nus teus quimba.

O zabumbeiro Dodó saiu numa disparada que não ficou nada na dianteira que ele não levasse no peitoral, foi catinga de porco, palmatória, mandacaru, calumbí e o que mais aparecesse pela frente. Pela manhã estava em Ipirá.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

CONVERSANDO COM OS NÚMEROS (final)


A votação para deputado estadual foi o primeiro voto. Em Ipirá, foi o que menos apresentou votos nulos, apenas, 922 ( presidente foram 2.680 nulos e governador foram 3.026 nulos) o que significa claramente que o voto nulo vai cair no segundo turno. Dois fatores contribuíram para ter a menor quantidade de nulos: ser o primeiro voto de uma série de seis e pelo fato do voto de legenda absorver 4.073 votos ( legenda federal foram 3.372).

Para deputado estadual foram 1.568 votos em branco(5,06%) somados à legenda dá um total de 5.641 votos, mais os nulos apresenta um somatório de 6.563 eleitores que não quiseram ou não acertaram votar nominalmente para estadual e esse total só perdeu para o deputado Jurandy Oliveira. Em Ipirá, foram votados 232 deputados estaduais. Só quatro deputados tiveram mais de mil votos (53,2%).

Vamos ao que interessa. Começando pelo grande vencedor das eleições: o prefeito Diomário, que ao agradecer os votos foi enfático: “ ademais, liberamos partidários e amigos para, os que quisessem, votassem em Neusa Cadore, ela que é parceira e tem ajudado muito Ipirá, obteve 3.056 votos“. Coruja é quem gaba o toco, o prefeito Diomário, prepara o golpe, hoje, cantarola pelo que tem e pelo que deixa de ter, antes tinha dois votos na cuia, hoje, acha que tem um pote abarrotado. Nessa meia-tijela ele não dá prego sem estopa.

O governador Wagner deu o bote certo, fechou de corpo e alma com a macacada e pulou de 13 para 19. A deputada Neusa deu o bote errado, apoiou a macacada nas eleições para prefeito, caiu de 5 para 3. Mas, no giro que o mundo dá, uma linha torta quando esticada termina certa. O apoio da deputada aos macacos trouxe prejuízo neste momento, mas pensando num futuro próximo, a deputada que errou quando apoiou um grupo que tinha deputado próprio, vai sair ganhando porque esse deputado perdeu e o prefeito Diomário, que não perde tempo, vai correr atrás da deputada que será a nobre representante de Ipirá e do líder Diomário na visão do prefeito. Nada nesse mundo fará o governador deixar a macacada e como ele diz:”a macacada é hegemônica em Ipirá”.

A derrota do deputado Jurandy Oliveira encerra o ciclo de ter ipiraense na Assembléia Legislativa. Observe se tem ipiraense no Congresso Nacional. Henrique Lima Santos foi o único e o último. Todos os políticos ipiraenses comem o sal desta terra, são locais. Só tem um ipiraense (nascido nessa terra) que poderá galgar uma vaga na Assembléia, chama-se Lourival Gusmão, que corre toda a Bahia com um trabalho junto às organizações e tem mais, ainda tem que contar com o apoio do senador Pinheiro, a quem está ligado, caso contrário não vai. Fora do esquema é difícil, dificílimo (como diz seu Vavá da televisão). Jurandy não perdeu só a eleição, perdeu o espaço que tinha na política estadual, agora a voracidade petista abocanhará todos os seus redutos e aquele abraço.

O PT de Ipirá não saiu do lugar, mesmo com duas secretarias. Caiu da votação de Carlinhos para a votação de Ailton (1.770). Mas o azar dos petistas ipiraenses vai mais longe. Deram azar por Jurandy ter sido eleito em 2006, quando Wagner ganhou o primeiro mandato, motivo pelo qual o governador buscou o seu apoio e o deputado ficou prestigiado e com muita média junto ao governo, tendo mais respaldo do que qualquer petista ipiraense. O PT de Ipirá sobrou.

Azar maior do PT de Ipirá foi a derrota do deputado nestas eleições, justamente quando Wagner ganhou um segundo mandato. Sem a Assembléia e na geladeira do esquecimento petista, o ex-deputado virou um potencial candidato a prefeito de Ipirá e o que era dois (Antônio e Dudy) virou três postulantes. E o PT de Ipirá sobrou e sobrou feio. Candidato petista pelos macacos é uma carta fora do baralho.

Nessa situação, nem o governador Wagner poderá implorar ou impor uma candidatura petista na cabeça da chapa dos macacos para a prefeitura. Assim sendo, é aconselhável ao PT de Ipirá, baixar logo a crista e brigar por uma vaga de vice e ajudando nesta proeza impressionante, eu sugiro humildemente, se é que minha sugestão vale alguma coisa, uma chapa formada por Ademildo na vice e Jurandy na cabeça. Quem sabe !

A vice está de bom tamanho, até mesmo porque, a turma da prefeitura, para ficar melhor esclarecido, gente da Prefeitura de Ipirá, já começou a divulgar UM boato ou UMA verdade (não sei se é ou não é) sobre a Secretaria de Saúde, que torra com azeite fervendo na frigideira dos macacos e enterra de vez qualquer pretensão (se é que existe) do secretário Ademildo em ser prefeito dessa terra. Procurem averiguar o que estão espalhando, porque agora, os petistas ipiraenses vão ver a verdadeira face do prefeito que vocês apoiaram, o Diomário, e cobrem dele uma atitude, porque chegou a hora dos petistas ipiraenses perceberem a força da mentira ardilosa e o tamanho do embuste em que vocês se meteram.

O PCdoB em Ipirá ficou do mesmo tamanho. Foram votados em Ipirá vinte deputados do PCdoB. Tivemos na totalidade 580 votos. Javier obteve 218 votos e o professor Rui Oliveira teve 172, somados os dois, dá um total de 390 votos. Agradecemos aos amigos, aos simpatizantes, aos que tiveram a convicção de votar nos deputados estaduais de luta do PCdoB. Resistir, sempre, é preciso. Dilma presidenta.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

CONVERSANDO COM OS NÚMEROS (4)


Nas eleições em Ipirá, para a Câmara Federal, foram votados 163 deputados federais.
Foram 1.769 (5,71%) votos brancos (só perderam para 04 deputados).
Foram 1.252 (4,04%) votos nulos (também, só perderam para o4 deputados).
Somados brancos e nulos, 3021 eleitores não quiseram ou não acertaram votar para deputado federal (esse total só perdeu para Afonso).

O voto legenda federal conseguiu 3.372 votos (só perdeu para Afonso). A maioria desse tipo de voto é, justamente, aquele eleitor que votou na ordem do voto para deputado federal, o 2º., pensando em estar votando para governador ou presidente e o voto foi absorvido para legenda.

Os votos válidos para deputado federal foram 24.599 , para estadual 24.429, apenas uma pequena diferença de 170 votos. Os votos de legenda para deputado estadual (1º. Voto) foram superiores na ordem de 701 votos do que a federal (2º.voto). A legenda aumentou os votos dos deputados, que era o voto mais complicado devido o número de algarismos para serem digitados.

Para federal, o campeão de votos foi o prefeito Diomário, que conseguiu manter a macacada no seu propósito, com o discurso da unidade, garantiu o apoio dos secretários e cargos de confiança, com a caneta na mão, fez uma campanha arrojada, com a máquina municipal na linha de frente, desta forma soube colocar no mesmo balaio, a grande maioria dos vereadores da situação, os cabos eleitorais e apaniguados. Afonso era questão de honra do prefeito, que foi responsável por uma votação expressiva de 9.062 votos, colocando três vezes mais do que Lúcio, o segundo colocado, que ficou com apenas 2.771 votos.

A jacuzada veio pulverizada, com vários candidatos. Essa divisão é o maior sinal para uma evasão do grupo num futuro próximo. Sem uma unidade e fracionada a tendência é ocorrer uma migração para grupos com mais potencialidade. Cabo eleitoral nutrido pelas facilidades e cevado pelo vil metal não fica encostado em árvore que não dá sombra. Não chegou a 3 mil com Lúcio e ACM Neto, outrora, o menino de ouro dos olhos da jacuzada passou apertado pela casa dos mil votos, como dizem os vendedores de farinha, “foi na rasura” 1.004 votos.

O PT de Ipirá aumentou a votação de federal com Rui Costa (1.900 votos nas eleições passada) para 2.221 votos nestas eleições, mas temos que levar em conta que, agora, tiveram o apoio do vereador Eduardo do PSB, do ex-vereador Soares e do secretário Elton.

Sou um atento observador de como o PT de Ipirá canaliza a sua ética. Recentemente, expulsou Tineck e André dos cargos do CIRETRAN-Ipirá, por não votarem em Diomário, que era candidato do PT. Agora, quem tem razão ? O secretário Ademildo que não apoiou Rui Costa, apoiado pelo PT local, para apoiar Afonso, que era o candidato do prefeito ou o secretário Elton, que não apoiou Afonso, que era o candidato do prefeito, para apoiar Rui Costa, que era o candidato do PT local. Não tem complicação. Os dois estão com a verdade. É assim que a coisa funciona. Quem ficou num beco sem saída foi o prefeito Diomário. Se fizer qualquer retaliação ao secretário Elton, estará retaliando, também, o PT local. Neste tema, não posso esquecer de mandar para o grande Alonso Oliveira, aquele abraço, porque, está evidente que secretário do PT é diferente de secretário do prefeito.

O PCdoB em Ipirá, que contou com o apoio de outros setores e de simpatizantes das nossas candidaturas, obteve 325 votos para Daniel; 258 para Alice Portugal e 117 para Edson Pimenta, somando 700 votos, a mesma votação ou equivalente à votação que obtivemos com os nossos candidatos à vereança no último pleito.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CONVERSANDO COM OS NÚMEROS (3)

Nas eleições em Ipirá, as votações para o Senado apresentaram a maior quantidade de votos nulos (8.499), neste caso a maioria dos eleitores não acertou votar e a minoria resolveu anular.
Os votos brancos foram (3.856). A maioria optou por não votar em nenhum senador.

Somados os nulos 8.499 + 3.856 brancos dá um total de 12.355 votos (19.93%), maior do que a quantidade de votos de Zé da Feira. Eram dois votos, os mais complicados e menos atraentes, mesmo assim chegaram a 49.629, devido ao voto duplo.

Para o Senado, a cama-de-gato estava armada nas eleições de Ipirá. Na chapa-pesca dos macacos retiraram o nome de Lídice, para facilitar a eleição de Pinheiro e abrir espaço para o candidato José Ronaldo, que era apoiado pelo líder da macacada (Antônio Colonnezi) e pelo líder da jacuzada (Luis Carlos Martins).

O PSB, partido de Lídice, que em Ipirá parece mais uma sigla de aluguel, ficou com a cara pra cima, enquanto a maracutaia ganhava corpo. O PCdoB, em Ipirá, agiu rápido e denunciou a tramóia. O prefeito Diomário, que aceitou (não aceitando) por imposição do grupo dos macacos, relutou timidamente (o quanto pode) contra essa pretensão.

O ponto alto dessa situação, aconteceu no comício de uma inauguração na Praça do Mercado, quando o líder dos macacos, garantiu que nasceu macaco e não vai deixar de ser macaco e justificou o apoio a Zé Ronaldo como uma gratidão e uma velha amizade da qual ele não podia deixar de reconhecer. O vice-prefeito Dudy foi mais político e muito mais habilidoso, quando afirmou que estava com a chapa de Wagner de cabo a rabo. O prefeito Diomário soltou um sorriso pelo canto da boca, nesse meio, ele é a verdadeira estrela.

César Borges obteve 7.254 votos. Aleluia ficou com 1.135 votos. Edvado Brito com 476 votos. Edson Duarte com 134 votos (a onda verde foi muito mais uma onda Marina).

O senador Pinheiro obteve 16.537 votos, ou seja, 1.634 menos do que Wagner e 3.657 mais do que Lídice, que ficou com 12.880 e Zé da Feira com 11.135, estabelecendo uma frente de 1.745 votos. Lídice deveria ficar em torno dos 16 mil. A maracutaia foi derrotada. O povo estava atento e cravou Lídice, dando a resposta merecida.

domingo, 10 de outubro de 2010

CONVERSANDO COM OS NÚMEROS (2)


Em Ipirá, as votações para os governadores (o 5º. Voto) tiveram menos votos válidos do que os presidenciáveis (6º. Voto), num total de 722 de diferença.
Teve mais votos brancos: 1.140 contra 764 (3,68% contra 2,47%)
Teve mais votos nulos: 3.026 contra 2.680 ( 9,76% contra 8,65%)
Se isso expressar uma vontade, o eleitorado tinha uma preferência maior pelos presidenciáveis do que pelos governadores.
Marcos Mendes, que apertou Geddel no debate, abocanhou em Ipirá, apenas 56 votos.
Vamos para a onda verde – Marina 2.285 (Bassuma 422). Uma diferença de 1863 votos, que Marina obteve com outros governadores. Naturalmente, que este voto do governador será o indicativo da próxima escolha do presidente nas eleições do dia 31. Casado com Marina foram 422 votos, que irá para um dos presidenciáveis e poderá ir (alguns ou boa parte) para o voto nulo.

Em Ipirá, como na Bahia, sistema eleitoral, do dia 3 de outubro, estava, preferencialmente, voltado para uma disputa entre os três candidatos: Geddel 5.994 (22,34%) que somado a Paulo Souto 2.159 (8,05%) alcançaram 8.153 votos (30,39%), que poderá ser a votação de Serra, não considerando o que Dilma obteve nessas vertentes. Se Serra abocanhar todos os votos de Marina (2.285) (o que não vai acontecer) e somar aos seus, ficará com 8.824 votos. Em Ipirá, esse é o teto de Serra, se tiver força, desde quando o eleitorado não dá uma volta de 180º, sem mais nem menos.Para termos uma idéia da força de um curral eleitoral, Paulo Souto, em outros tempos, saia daqui com mais de 12 mil, agora, está vivenciando o tempo das vacas magras.

Wagner com 18.171 votos(67,74%), teve 425 votos a menos que a candidata Dilma. Significa que a mulher está bem na fita ipiraense. Quando o prefeito Diomário apoiou Paulo Souto, na eleição de 2006, o governador Wagner ficou na casa dos 13 mil, agora, com o apoio do prefeito, da máquina municipal, ele pulou para a casa dos 18 mil.

Engraçado, quando o prefeito agradece a votação, ele sonega a vontade e o desejo do povo ipiraense, que naturalmente tinha uma tendência pelo programa ou por Wagner, como tem pelo presidente Lula e por Dilma. Engraçado, quando o prefeito agradece a votação ele não remete para o conjunto de forças que apoiaram Wagner e Dilma, como um referencial significativo no processo, cada qual com sua potencialidade. Engraçado, quando o prefeito afirma que liberou correligionários para votar na deputada Neusa, o que deixa claro, que o “homem da porteira” tem o ferrão na mão, mas também, sabe apartar o gado que fecunda o seu curral eleitoral.

Está corretíssimo que tudo é fruto do trabalho e o voluntarismo não tem conseqüências. Agora, uma coisa também está clara, em nosso município, a candidatura de Dilma está na vontade, na boca e no coração do povo de Ipirá. Será uma vitória com larga distância, porque o povo assim o quer. Mesmo que não haja o grandioso volume de recursos municipais jogados na praça; mesmo com um volume de campanha reduzido; mesmo sem os gastos estrondosos do primeiro turno, mesmo assim, a candidata Dilma sairá vitoriosa em Ipirá e quiçá no Brasil. Vamos deixar o povo de Ipirá ter a sua vitória e expressar livremente a sua vontade, sem o consentimento do dono do curral, que não larga o seu ferrão. Quem vai agradecer dessa vez é o próprio povo e não precisa ser em carro de som.
O próximo “conversando” será com os votos para o Senado.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CONVERSANDO COM OS NÚMEROS.



Não gosto de Matemática, mas aprecio escutar a fala dos números. Ipirá tem 39.550 eleitores. Só compareceram 30.992 no dia das eleições.
8.558 (21,64%) do eleitorado não pisaram os pés por estas bandas ou na beira das seções.

Por qual motivo? As duas maiores possibilidades são: uma, a precariedade do transporte, para a qual não vejo muita substância, desde quando, não houve tumulto nem reclamações na Praça do Mercado.

A outra, a grande maioria dos faltosos deve estar em outras paradas, pelo fato de Ipirá não ter emprego ou trabalho. Checando a abstenção com mais apuro, haverá condições de se delinear melhor a realidade de Ipirá (que muita gente faz questão de escamotear); se a grande maioria for da zona rural, significa que a economia agrária de Ipirá está um fracasso.

O fato da queda ser bem acentuada (votaram menos do que na última eleição), talvez tenha sido, devido a exigência do documento de identidade, nesse caso, eles não puderam comparecer. Se fosse só o título, quem sabe, se a presença não chegaria na casa dos quarenta.

764 (2,47%) votos brancos. A sua maioria pode ser um ato voluntário, mas uma parte considerável poderá ter sido um escorregão no dedo e cravou a tecla branco. O segundo turno o branco ficará no patamar de 2% (o seu natural).

2.680 (8,65%) votos nulos. Em sua grande maioria é fruto do erro. Não souberam pegar a sequência do 6º. Voto. No segundo turno, com um voto só, o nulo ficará em torno de 2,5%, é esse o seu patamar.

83 votos para Plínio, que somados aos outros cinco candidatos tiveram 128 votos. Foram votos de quem sabe o que é que quer. Um voto que fugiu ao esquematizado e poderá ser nulo.

2.285 (8,29%) para Marina. A onda verde passou por aqui. Dá para imaginar que essa onda vá desaguar 80% em Dilma.

Agora os dois pólos. Quem escolheu essas duas candidaturas dificilmente terá um motivo para uma reversão extrema do voto.
6.539 (23,74%) para Serra. Não há porque Serra ter um volume de crescimento surpreendente em Ipirá. Poderá ter um pequeno crescimento, se chegar a muito atingirá 30%.

18.596 (67,5%) para Dilma. Pela tendência, pela amarração que existe em Ipirá e pela composição das forças está mais para a manutenção e crescimento dessa tendência, que dará outra cacetada no Serra. O trajeto em Ipirá não é de reviravolta.

Segundo turno. Pelo sussurro dos números, em Ipirá vão votar 30.500 eleitores.
Serão 775 nulos e brancos ficarão na casa dos 629.
Dilma terá 21.948 votos contra 7.148 de Serra.

Para esta vitória, em Ipirá, não tem cacique local responsável. É a vontade do povo. A próxima conversa com os números será em torno do resultado dos governadores e depois com a complexa numerologia dos deputados. AGUARDEM.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

DERROTA À VISTA.























DERROTA À VISTA.

Eram precisamente 7:30 h, quando eu ia chegando à Avenida César Cabral e a turma de Geddel atravessava o carro-baú na avenida. Fecharam a rua. Quem manda nesta joça ? É Geddel.

Eram precisamente 9:30 h, quando eu voltava a passar pela Avenida César Cabral, a confusão estava armada. Os bate-paus da prefeitura queriam tirar o carro-baú, que obstruía a avenida, de qualquer jeito. Quem manda nesta roça ? É o prefeito Diomário.

Polícia de prontidão; a chapa esquentando; nervosismo à flor da pele; a tensão aumentava e o conflito parecia iminente. Fiquei com a máquina fotográfica na posição. Ordem Judicial à vista e nas mãos. Tiraram o carro-baú que embarreirava a via pública. Quem manda nesta província é o prefeito Diomário.

Liberaram a rua. Lá vem a carreata do prefeito: patrol, ônibus escolares, carros pequenos, ambulâncias. Todos lavados e dado polimento. Havia necessidade urgentíssima de mostrá-los na avenida. Esqueci de contar quantos veículos tem a Prefeitura de Ipirá, mas com certeza absoluta não tem nenhuma ambulância do SAMUR. Quem manda nesta quizumba é o prefeito Diomário.

Passou a frota da Prefeitura de Ipirá. Passou a fanfarra comemorando a vitória do prefeito. Volta, novamente, para o mesmo lugar, o mondrongo do carro-baú e fecha a rua. Aí eu não entendi mais nada. Quem manda nesta quitanda é Geddel.

Que ingenuidade a minha! Eu pensei que o pripocó para tirar o carro-baú era para liberar a rua para a passagem do povo, mas não; não era; era só, e somente só, para passar a frota automotiva da prefeitura. Passou. Fecharam a avenida imediatamente com o carro-baú. Está claro que não abriram por causa do povo. Aí, paciência, eu já sei quem manda aqui e eu não posso chegar a outra conclusão: quem manda nessa desgraça é satanás, que só fica botando lenha na fogueira para vê se aparece besta para trocar tapas.

Até que enfim começou o comício que carrega o lema “derrota à vista”. Tinha tudo para ser um fiasco e ter, somente, uma moquequinha de gente. A arrogância, prepotência e a imperícia do prefeito Diomário criou um clima de expectativa favorável, aumentando o número de curiosos, devido à munição cedida ao adversário pela lambança macaco-jacu, que, agora, poderia atirar para o alto. A concentração foi até o INSS, virou uma trempinha de gente. Mostrou a fraqueza dos que estão caindo pelas tabelas. Não tem dois tempos: estão derrotados eleitoralmente.

Luis Carlos saiu da toca com o velho e surrado discurso, que não desgruda de uma tal ingratidão em mão única, só dos outros para com os seus, como se a sua oligarquia fosse de uma lealdade inquestionável. Como se traição e deslealdade política não fosse a pauta e a prática dos seus. Isso é uma roupagem rota de um discurso localizado e de apelo ultrapassado, que perde completamente o foco, que hoje, ganhou amplitude e um caráter nacional que afoga o municipal puro, com a política social do Lula. Só se fala em Lula e isso vai durar um certo tempo. Não renovando o discurso, esse grupo ficará petrificado e qualificado para conservar longos períodos a ver navios com a formosa bandeira “derrota à vista.”

Restava o timoneiro Geddel. Este observava com olhos arregalados de rapina e via o que não queria ver. Em seu discurso, Geddel, mostrou-se cansado e preso a uma realidade que não salta dos olhos e ele deve ficar imaginando: “Com esse bolinho de gente já fui, um grande abraço a todos”. Ninguém é menino.

JAVIER – 65222 ///// DANIEL – 6565. Dilma – Wagner – Pinheiro e Lídice





segunda-feira, 27 de setembro de 2010

MINHOQUINHA.



Por cima.







De cima prá baixo









Por baixo

MINHOQUINHA.

Foram contabilizados, com toda precisão e eficácia, por João, pessoa de minha confiança e aluno do profissionalizante em Ipirá, precisamente 132 carros, sendo que a fila ia da embaixadora de energia até a Pça. Duque de Caxias, uma minhoquinha.

Ficou sem sal e sem açúcar. Faltou o tempero da localidade, que só jacu e macaco sabem colocar. Foi aquela coisa frita, mas tem quem adore. Fazer o que?

Da localidade ninguém tinha nada a dizer, nem o prefeito, por culpa da pressa. Só falou o governador e não disse nada do programa, porque, também tinha pressa. Poderia ter falado para mais de cinco mil pessoas, como queria o prefeito Diomário. Terminou falando para um punhado de gente, enquanto passava carro, que também tinha pressa. Poderia ter sido um grande comício. Poderia. Fazer o que ?

O discurso ? O governador traz na ponta da língua. Estrada sonrisal; não xingar a família do adversário; ir para Pintadas sem comer poeira. Quando falava de suas obras na redondeza, informava sobre o Hospital da Criança em Feira de Santana, o prefeito Diomário, para levantar a bola do governador, entregou-lhe um bilhetinho. O governador leu e disse:
- Não estou entendendo nada.

O prefeito Diomário, que era para ficar calado, não entendeu e terminou dizendo:
- É bom lembrar os dois milhões de reais que veio para o Hospital de Ipirá fazer U.T.I.

O governador franziu a testa e confirmou:
- É, dois milhões para o hospital daqui.

Não falou em U.T.I. O prefeito Diomário não quer entender que U.T.I. custa os olhos da cara e que propaganda é propaganda, nada mais do que propaganda. U.T.I. e matadouro são obras do século XXII e dá-lhe 22.

Uma coisa deve ficar bem clara e ele próprio faz questão de transparecer: o amor do governador Wagner pela macacada já é uma obsessão. Quando fala em macacada, ele vibra tanto que chega ao ponto de pedir voto ao jacu.

Ele não quer entender e é problema dele, que jacu e macaco é a marca registrada do domínio de oligarquias provincianas, opressoras, oportunistas e conservadoras e representam o grande malefício dessa terra chamada Ipirá; e é por isso que Pintadas está passando a perna na gente e é por esse tipo de coisa e por outros entendimentos semelhantes, que um sujeito abestalhado (sem xingamento) chamado Tiririca está com uma previsão de dois milhões de votos em São Paulo.

É necessário que se dê um basta na alienação, aqui, em Ipirá; lá, em São Paulo ou em qualquer outro lugar. De nossa parte, enxergamos o voto como um meio para avançarmos nas conquistas e na luta política do povo trabalhador brasileiro. Sem mentira, sem demagogia e sem o mercantilismo caro ou barato.

Não temos porque escorregar. Defendemos para deputado estadual JAVIER ALFAIA 65222 e para deputado federal DANIEL ALMEIDA 6565, ambos do PCdoB, e estamos com Dilma para presidente, Wagner para governador, Pinheiro e Lídice para o Senado.




sábado, 25 de setembro de 2010

QUEDA DE BRAÇO.

QUEDA DE BRAÇO.

Como diz o ditado popular: “canário que canta pouco não cisca em terreiro de galinha”. E baseado nesse dito, vamos ao que se dispõe, pois que, “ bico de bule não bebe água.

O coronel Passarinho, em campanha eleitoral, arrepiava a platéia, quando invadia a Rua de Cima (hoje, Avenida César Cabral), numa cavalgada com trezentas montarias. Levantavam poeira e faziam obras na rua, uma verdadeira cagada. Isso acontecia nas décadas 20 e 30 do século passado.

No final do século XX, quando Paulo Souto, governador, chegava à Ipirá era um “Deus-nos-acuda”. Era tanto puxa-saco, que não ficava um espaço no corpo do homem para alguém colocar a mão. O dito-cujo era devoto de grande admiração e afeição. Era o poder com seu brilho e força. Era um trator que esmagava a oposição.

Nessa campanha 2010, o candidato Paulo Souto, com quatro gatos pingados, andou pela feira-livre de Ipirá apertando a mão calejada de catingueiro; sentindo o cheiro do suor encardido; botando um punhado de farinha na boca e jogando conversa fora. Quem te viu e quem te vê. Já foi Paulo.

O candidato Geddel fez a opção por soltar o gogó na Avenida César Cabral (antiga, Rua de Cima), dia 29, dia da feira. Vai esbravejar, cantarolar e se a língua estiver afiada igual a “navalha de barbeiro” deverá desfiar um rosário de maldições e prognosticar o amanhã, como um profeta da notícia nefasta, com base na observação de quem olha de baixo para cima o vôo das aves que nas alturas das pesquisas planam. Vai desfiar um rosário de promessas. Vai virar santo milagreiro como qualquer cão-tinhoso de quarteirão. Geddel já foi.

Wagner, governador e candidato, que está na boa. Antigamente, andava pela feira e montava palanque. Agora, estabeleceu-se na frente das pesquisas e abre larga vantagem na corrida eleitoral. Bem posicionado, vem à Ipirá de carreata, dia 26, vai engatar a quarta marcha e tome-lhe buzinaço. Quem não tiver olho de águia, nem vai perceber. Ele já foi.

Para o PT de Ipirá tanto faz cavalgada, caminhada, passeata, comício ou carreata, estão naquele do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

O prefeito Diomário pleiteava e defendia a concentração popular, no formato de comício, na avenida. Uma concentração com cinco a dez mil pessoas, inclusive, tinha entrado em contato com prefeitos da região e tal ato teria um caráter regional. Teria, se os de cima ouvissem os de baixo.

Com o comício, o custo seria baixo e a conversa seria viva, sem os enfeites da produção. O prefeito Diomário tem inequívoca razão na sua defesa do comício, como um recurso positivo e afirmativo da posição política e das propostas das forças que vão continuar governando a Bahia. O prefeito Diomário, que não é bobo, seria a grande estrela local, caso acontecesse o comício. Nessa, ele viajou.

Os candidatos a deputado estadual Javier Alfaia e Neusa Cadore e o candidato a deputado federal Daniel Almeida perderam a oportunidade de ficar diretamente em contato com uma massa eleitoral significativa, quando poderiam lançar suas propostas numa conversa franca e direta.

Sujeito de sorte é o candidato a deputado Jurandy Oliveira. Impedido de falar no comício por força da lei (44 não coligou com 13) foi o grande beneficiado. Ia ficar no aperto, escapou e, agora, vem com tudo na carreata, será força esmagadora no desfile e os incautos vão pensar que o candidato está por cima da carne-seca. Só depois do dia 3 é que poderei dizer se já foi.

Quem mais foi prejudicado eleitoralmente, pela falta do comício, foi a candidata Lídice da Mata, que postula uma vaga no Senado. Lídice teria a oportunidade de falar diretamente ao povo, justamente, numa terra, onde forças ligadas ao prefeito Diomário apóiam aberta e sistematicamente o candidato Zé da Feira para o Senado, beneficiando o concorrente direto Borges. O prefeito Diomário diz que não pode fazer nada.

Quem mais foi prejudicado politicamente, pela falta do comício, foi o povo de Ipirá. Que não vai ouvir da boca do governador as propostas para Ipirá e não vai ficar sabendo oficialmente, o que acontecerá com o Matadouro de Ipirá, que já foi há muito tempo, mas continua no mesmo lugar, do mesmo jeito, da mesma forma, sem serventia.

Tem gente que vai para a avenida, apenas para contar, por distração, a quantidade de carros em exibição na coluna. Trezentos carros numa carreata de governador é um nada. Para colocarem quinhentos carros no trajeto, vão ter que bancar muito tanque cheio. Quem pagará a conta? O prefeito Diomário está gemendo igual a cego em tiroteio. E eu, já fui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

PLANETA DOS MACACOS.

O cidadão tem a liberdade de fazer o que bem entender do seu voto, ou seja, depositá-lo numa urna eletrônica ou jogá-lo numa lata de lixo. Poderá escolher um "Tiririca da vida" ou pleitear de acordo com o que entender de melhor para a coletividade. Esse é um direito inalienável do eleitor.

Para os partidos e agrupamentos políticos é diferente, tem que haver ética e compromisso; não pode ser do jeito que está sendo praticado em Ipirá.
Quem será o autor dessa manobra ?

Será o prefeito Diomário ? Este é uso e vezeiro em fazer essas artimanhas. Em 1986, o seu grupo apoiava Waldir Pires para governador, mas o deputado estadual era Almir Miranda do PFL, como o “uso do cachimbo deixa a boca torta” é possível que tenha o seu dedo nesse misturadinho, inclusive depois que disse na inauguração do Comitê: “que Pinheiro era quem tinha serviço prestado e o RESTO era balela.”

Será que foi o deputado Jurandy Oliveira ? O candidato a deputado que arrisca até perder o mandato na justiça (44 apoiando 13) caso reeleito, desde que o seu partido 44 entenda como infidelidade partidária esta prática e recorra ao TRE. No caso desta chapa apresentada aqui estaria praticando a “infidelidade dentro da infidelidade”.

Será que foi o líder Antônio Colonnezi? Que por ser líder ou por imaturidade política permite-se ao direito de empurrar a candidatura de José Ronaldo (mesmo sendo o quinto colocado nas pesquisas) na chapa do time de Lula.

Será que foi o vereador Eduardo? Que pertencendo ao PSB (Partido Socialista Brasileiro), partido da candidata ao Senado, Lídice da Mata e mesmo assim, permitiu que isso acontecesse, até mesmo, pelo fato de não defender nem mesmo o deputado federal e estadual do PSB.

Será que foi por ordem do governador Wagner e do candidato Pinheiro? Numa forma de beneficiar diretamente à candidatura de Pinheiro, caso ocorresse a possibilidade deste ficar na terceira colocação. Não acredito que isto tenha acontecido. Mas o fato desta chapa ser profundamente antiética e lamentável eu não tenho dúvida.

A disputa pelas duas vagas baianas ao Senado Federal promete ser uma das mais duras nas eleições de outubro. Três candidatos aparecem empatados dentro da margem de erro nas pesquisas: Pinheiro, Lídice e César.

Lídice da Mata foi prefeita da cidade do Salvador. É uma mulher determinada e brava lutadora por uma sociedade brasileira mais justa e humana, desde os tempos da ditadura militar. A Bahia só tem o que se orgulhar dessa mulher combativa, que terá no Senado brasileiro uma atuação em prol da garantia e do avanço das mudanças sociais ocorridas no governo Lula, do jeito que a Bahia e o Brasil querem.

O PCdoB está com Lídice e Pinheiro para o Senado, com Wagner para governador e Dilma para presidente.

DANIEL ALMEIDA = 6565 para deputado federal e JAVIER ALFAIA 65222 para estadual. Essa turma é do time de Lula.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

HOMENAGEM (parte 5)


Sábado, a partir das 19 h, em Ipirá, era noite de quermesse movida por programa de calouros, leilão, bingo, rifa, teatro mambembe e outras fuzarcas, de modo que, a população apreciava de bom grado. Tudo isso era organizado por Roque Leão com o objetivo de angariar fundos para a compra de presentes, que seriam distribuídos com as crianças carentes da cidade, na noite de natal.

Logo pela manhã, em frente ao estabelecimento de Paulo Marinho, local que servia de ponto para a marinete, que fazia linha entre Feira de Santana e Rui Barbosa e era guiada por Besourinho, saltou um sujeito franzino, de pequena estatura, carregando uma sanfona nas costas: era Isaac, que vinha do Bravo. Logo, deu de frente com o menino Dodó que perambulava pela área, observando o movimento proporcionado pelo burburinho provocado pela marinete.

- Tu sabe disafronhá esse sete-baixo ? – indagou o menino Dodó.

- O freguês é quem incomenda a missa, o istribucho eu aprumo – falou Isaac.

- Já vi que de prosa vosmicê tá nus conforme, agora eu me intendo como o melhor zabumbeiro de Ipirá e prá deixá de conversa mole disapei essa istrovenga e me tire um dó de lá menor e arranque um Asa Branca do meu mestre Gonzagão prá eu vê se vosmicê é do ramo – disse o menino Dodó, que ficou na escuta do acorde.

O menino Dodó acertou com Isaac para participarem do Programa de Calouro daquela noite, que seria realizado no meio da rua, em frente à loja de seu Júlio Dantas. O Programa de Calouros reunia as melhores vozes da cidade: Zeco de Arlinda, Nane, Pedrito, Raimundo de Pijú, Ivambergue e o vencedor de toda edição, Delsuc Dultra, a voz mais querida e apreciada de Ipirá.

O menino Dodô fez a inscrição no bar de Roque Leão e dirigiu-se para a Praça da Bandeira, parando em frente ao local onde Zequinha Guarda alugava bicicleta e foi conversando com uma penca de meninos: Bua, Zé Grilo, Tonho Bocão, Babão, Luiz Barata e outros mais:

- O prêmio de hoje é comida de granfino, vai ser um queijo de cuia, se eu ganhá, cada um de vocês vai pegá uma lapada de queijo – compactuava o menino Dodó.

Quando começaram as apresentações dos calouro não havia mais espaço junto à carroceria do caminhão, enfeitada de bandeirolas de papel crepom. Raimundo de Pijú apresentou uma modinha de Juca Chaves com muito estilo e sarcasmo:
“ Cagar é bom quando a gente tá em paz,
Ouvindo n’água o som,
Que a merda caindo faz.
Cagar molinho,
Cagar durinho,
Cagar soltinho”...

Chegou a vez do trio: Isaac na sanfona, Guri no triângulo e o menino Dodó na zabumba. Na primeira batida do menino Dodó, a renca de menino começou a gritar: “já ganhou, já ganhou... é Dodó e ninguém tira... ei, ei, ei, Dodó é nosso rei... é primeirão, é primeirão”

Logo em seguida chegou a vez de Delsuc Dultra apresentar um bolero que era cantado por Altemar Dutra e na voz de Delsuc ganhava vida e força, fazendo a platéia enxugar as lágrimas dos olhos:
“Alguém me disse
Que tu andas novamente
De novo amor
Nova paixão toda contente
Conheço bem tuas promessas
Outras ouvi iguais a essas”...

Quando o organizador começou a anunciar o resultado, o silêncio era predominante, com palmas e protestos após cada anúncio. “Em segundo lugar, esse menino prodígio de Ipirá, essa figura espetacular de nossa cidade: Dodó da Zab”. Não conseguiu terminar o resto. A penca de menino começou a vaiar e atirar pedras, areia, terra e o que tivesse nas proximidade em cima do caminhão, atingindo os jurados e o organizador Roque Leão, que desceu para pegar uma arma na boléia do caminhão.

A penca de meninos subiu na carroceria. Roque Leão pegou uma espingarda de chumbo. A luz apagou naquele justo momento, porque as luzes da cidade eram apagadas às 11 h da noite. Ouviu-se o primeiro tiro. A polícia chegou, com o delegado Zé Roque à frente e disparando chumbo. O menino Dodô desceu desembestado, seguido por Isaac e Guri em direção à Praça da Bandeira, rua Riachuelo. Aumentaram os tiros. Quanto mais o trio do menino Dodô ouvia tiros, mais as pernas corriam. Passaram perto do tanque Velho e ganharam a caatinga. A polícia perdeu a pista. Roque Leão bufava de raiva e espumava ódio pelas ventas.

O trio do menino Dodó passou três dias andando pela caatinga, sobrevivendo à base de queijo e água de gravatá. Chegaram à Pintadas e procuraram a pensão de dona Amália, que de forma hospitaleira franqueou hospedaria para aqueles ilustres visitantes e em conversa dizia:

- Aqui em Pintadas, chegou umas conversa, qui ta nas boca do povo, qui im Ipirá, teve uma tiroteio, qui tem bala zunindo até hoje, qui até a puliça quis pegá uns metraquefe qui apareceram pur lá, diz o povo qui chuveu bala até umas hora.

- Foi mermo dona ! ainda bem qui eu não sei nem onde fica esse lugá. Onde é mermo que fica esse lugá, dona ? Eu não quero nem passá perto de um lugá desse. Dona ! lugá de valentão num é comigo não, embora eu num sou sujeito de tê medo nem de onça com boca de jacaré. Como é o nome desse lugá ? Ipi o quê ? Te discunjuro, lá ele é que quer tocá num lugá qui só tem onça. Quem vai lá é o cão não eu – disse o menino Dodó com a cara mais lavada desse mundo.

domingo, 22 de agosto de 2010

OS VERDADEIROS CANDIDATOS DE LULA.

OS VERDADEIROS CANDIDATOS DE LULA.

Esta frase ou pérola (OS VERDADEIROS CANDIDATOS DE LULA) eu saquei do Comitê do PT de Ipirá. Se eles apresentam os verdadeiros candidatos de Lula, naturalmente, os outros são falsos, ou melhor, são candidatos do Paraguai. Então existem candidatos falsos e verdadeiros e, sendo assim, os verdadeiros candidatos serão sempre amigos, confiáveis e sinceros. Os falsos serão duvidosos, infiéis e desleais.

Naturalmente, compete aos “verdadeiros candidatos” a fidelidade extrema e incondicional, fato que o PT de Ipirá defende de forma intransigente, desde quando, seja uma lealdade a eles, até mesmo no erro. Vamos aos fatos: André e Tineck não seguiram a aliança que eles fizeram no município e foram demitidos do CIRETRAN. Por incrível que pareça, André e Tineck continuam fiéis ao governo do presidente Lula e do governador Wagner. Se são fiéis são verdadeiros, mas o PT de Ipirá diz que foram falsos.

Baseando-me no princípio de candidaturas verdadeiras e falsas criado pelo PT de Ipirá faço a apresentação de alguns problemas gerados por tal conceituação, senão vejamos: Primeiro, se o PT retroagir de sua aliança com os macacos e voltar para uma posição de composição mais à esquerda, naturalmente, estará dando uma demonstração do vacilo e erro cometido, assim acontecendo, estará também passando o certificado de que André e Tineck estavam certos e foram verdadeiros ao não abandonarem a fronteira, enquanto isso o PT de Ipirá migrará da sua verdade para a falsidade, a não ser que, a verdade do PT de Ipirá seja absoluta e irredutível, neste caso, eles atingiram o estado celestial da perfeição. Cruz-credo! Chegaram ao céu da boca da onça.

Segundo: já que o PT de Ipirá foi para a macacada, naturalmente, podem, mas não devem pleitear uma candidatura a prefeito de Ipirá pelo grupo da macacada, dentro do ponto de vista de candidatura verdadeira e falsa, porque o verdadeiro candidato neste espaço da politicagem é um candidato macaco, uma candidatura do PT de Ipirá neste espaço da politicagem será, naturalmente, uma candidatura falsa, porque uma candidatura dos macacos para ser verdadeiramente macaco tem que possuir o pedigree, puro-sangue e ser amigo, confiável e sincero ao grupo da macacada. Uma candidatura falsa será infiel, duvidosa e inconfiável. E macaco para confiar num PT que ainda fica nessa de candidatura verdadeira e falsa só se for doido. Cruz-credo ! o PT de Ipirá ainda está nessa. A verdadeira candidatura de Lula no Maranhão é da turma do Sarney. E daí ? É a governabilidade. Enquanto isso o PT de Ipirá fica no céu. No céu da boca da onça.

Terceiro: em Ipirá, tem candidato comprando voto com cinco litros de feijão e dois litros de suco vindos da CONAB. Esses candidatos são candidatos verdadeiros. Não sei se da verdade pretendida pelo PT de Ipirá, mas que são candidatos verdadeiros são. Conclusão: só no céu da boca da onça é que existe esse negócio de “os verdadeiros candidatos de fulano ou de beltrano”. PT de Ipirá! É vida que segue e vocês ainda estão nessa.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

HOMENAGEM (parte 4)


O menino Dodó recebeu a notícia de que não podia nem passar na porta do Coió de Anália, muito menos, entrar e muito menos ainda, fazer budegagem em seu interior. Foi considerado persona non grata, o que não deixou de ser um desmerecimento e uma injustiça, ainda mais, levando-se em conta o propósito que espalharam para o impedimento do menino Dodó na área. Disseram e espalharam que o menino Dodó comia e não pagava. O menino Dodó não deixava por menos e retrucava à altura:

- Eu tô lá mi incomodano com isso; eu tô acustumado andar no Maria da Vovó em Salvador, vou tá lá mi incomodano com a proibição de intrá nessa ispirigueta.

Na verdade, o menino Dodô não conhecia Salvador ainda, mas ouvia as estórias de Dadai de Genésio, o Internacional, e não perdia a oportunidade de reproduzi-las de forma apimentada e com sua vivência a tonalidade de veridicidade era requentada.

Sendo um exímio zabumbeiro não lhe faltaria oportunidade e o convite veio da boca do sanfoneiro Chiquinho do Acordeão:
- Escuta aqui, ó minino! Tô na pricisão de um zabumbeiro do queixo largo, qui num seja ismoricido; nem molenga nas baquetas; qui tenha ripuxo nas munheca e batida de sino de paróquia prá podê mim acompanhá nos minuetos do acordeão, se é qui vosmicê intende do riscado.

- Eu não só intendo, cuma no capricho da modinha eu dou é dez parmo de distança prá qorquer sanfoneiro pidir pinico – disse o menino Dodó, cheio de si.

- Deixa lá qui eu gostei do teu atrivimento, mas bigorna de cabeça virada não tem primazia; minino de colo, amarelo e remelento, não pode receber ventania na caixa dus peito e o cabra só é valente inquanto num vê uma lapada de viana por riba do lombo. Tô isperano vosmicê no Armazém Estrela do Norte prá gente butá prá ferver no amola viana.

O forró do Armazém Estrela do Norte, de propriedade de Gil Mamona, que ficava onde hoje está o estabelecimento comercial de Deco, na rua Nova, era concorrido e a sociedade ipiraense participava em peso daquele esfrega-bucho sem a menor cerimônia ou preconceito e a mistura social era um congraçamento, sendo que as mocinhas da sociedade caiam no esmero dos presentes por mais humildes que fossem e tudo nos conformes da maior respeitabilidade.

O salão do Armazém Estrela do Norte estava lotado. Os que dançavam esbarravam uns nos outros; o suor escorria; as faces estavam úmidas. Lá pelas tantas, por uma porta entrou Euclides Plácido, pela outra Jonguinha, ambos deram uma volta pelo salão em busca de um par para a dança. Aproximavam-se e saiam deslizando pelo salão, cada qual com sua escolhida. Os casais retraíam-se e iam para as laterais. O sanfoneiro Chiquinho do Acordeão olhou para o zabumbeiro Dodó e disse-lhe:

- É agora filhote de Caboré qui eu quero vê se vosmicê acompanha uma sanfona virada da disgraça.

- O qui vié daí prá mim é peido de veio, vou botá tudo na garrafa – disse o zabumbeiro.

- Intonce, sigura zabumbeiro qui o capeta num leva disaforo pru inferno.

Começou com Brasileirinho; passou para ... “sonhei que estava em Moscou, dançando um” ...”atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”... “corre, corre lambretinha”... “tava o sapo cururu, tava a rã e tava a jia, tava tudo preparado pra fazer a” ... “balançando a cabeleira, um olho só procurando por um”...

Só dois casais no salão, ambos em pleno ápice. Euclides Plácido virava um peão no giro, para logo transformar-se num eixo, que fazia com que a acompanhante girasse reta e cintilante em torno de si, para isso, sustentava-a pelos braços; descia, subia, girava, como carrapeta; era sublime no passo e no deslizamento. Todos ficavam perplexos.

Jonguinha tornava-se um gigante na passada ao suspender a parceira e ao jogá-la para o alto, criava um suspense e arrancava suspiros; seus braços era uma rede protetora e de alto perfeccionismo para o enlace. O seu desempenho era gracioso e solene. Os presentes ficavam boquiabertos e pasmos.

A outra batalha era cruenta. A sanfona deslizava em mãos ágeis. O som cavalgava no dorso de um velocíssimo alazão, que deixava o vento para trás e tinha a aparência de um raio.

O som da zabumba saia inigualável e na ligeireza cadenciada. Estava grudado no lombo de uma pantera negra, que se embrenhava no tempo e rasgava o espaço sem pena nem dó, deixando só o vulto como rastro.

Por ironia do destino, a dança ninguém sabe quem ganhou, mas na peleja do som, a última batida foi da zabumba, que se apresentou tão forte e tão penetrante, o suficiente para imitar o último esforço de um coração para não deixar a vida.

A música parou. A dança esgotou-se. O sanfoneiro Chiquinho do Acordeão faleceu em pleno ato de reverência à vida. Um segundo antes, conseguiu colocar a mão no ombro do zabumbeiro Dodó e disse-lhe sua última frase:

- Não pare a zabumba, que eu estou entrando no céu.

O zabumbeiro Dodó marcou o tom grave, forte, cadenciado e triste do velório e foi assim, até o momento em que foi jogado a última pá de terra sobre o caixão em que estava Chiquinho do Acordeão. Foi uma solene despedida da zabumba para aquela sanfona, que foi brilhante nas mãos de Chiquinho do Acordeão. Foi um grande encontro.

sábado, 24 de julho de 2010

É DE ROSCA


Estilo: ficção
Natureza: novelinha
Capítulo: 30 (mês de março 2010) – incrível, apresentação do novo capítulo da novelinha com, simplesmente, 4 meses de atraso.

O prefeito Dió não estava muito satisfeito com os últimos acontecimentos e resolveu realizar uma reunião democrática com seu grupo político de forma a podar as arestas que estavam deixando saliências visíveis, fato que estava desagradando ao prefeito.

Estavam presentes: o prefeito Dió, o líder Antônio e o médico Antônio. O PT de Ipirá ? Não. Nestas reuniões democráticas e de cúpula, o PT de Ipirá fica no quintal, a uma distância equivalente à sua influência nas decisões do grupo sobre o município, dá para imaginar o poder de mudança que ele tem.

O prefeito Dió argumentava com sua inigualável capacidade de entendimento, ao tempo que olhava nos olhos do médico Antônio:
- Mas, doutor Antônio como é que o senhor vai dizer que eu vou ficar com o rabo do gato na mão, justamente numa reunião em que eu apresentava a minha melhor obra: o Hospital de Ipirá, com 10 UTIS, uma obra de primeiro mundo, o melhor Hospital dessa região, e tudo isso, numa reunião emocionada e brilhante; sem ninguém esperar o senhor diz uma coisa daquela e empanou a minha grandiosa obra.

- Mas prefeito Dió ! eu disse a verdade. A prefeitura não tem como sustentar um hospital com UTIS, pois o custo é de 1 milhão de reais por mês, então, na verdade, uma reforma de 3 milhões é uma reforma meia-boca e na verdade esse hospital não vai funcionar. A não ser que seja entregue ao Estado – argumentou o médico Antônio.

- Eu sei disso, mas o Estado não quer de volta, o fato é que do jeito que o senhor argumentou criou um grande constrangimento na reunião e no nosso grupo. O senhor sabe que eu ganhei uma eleição difícil com duas reformas de praças e com essa reforma no hospital, o nosso grupo ia arrebentar nas eleições e o meu federal ia esmagar na votação – disse o prefeito Dio.

O líder Antônio, que observava aquela conversa, achou providencial a sua intromissão e foi incisivo na sua argumentação:
- Não é querendo ser o porreta, mas o prefeito Dió não pode esquecer da minha ajuda na sua vitória, agora, na minha condição de líder, eu tenho que apresentar os meus candidatos e não, simplesmente, apoiar os candidatos apresentados pelo prefeito.

O prefeito Dió viu o mundo rodar, ficou meio grogue, mas foi logo pegando a palavra e tentando justificar:
- Mas, é claro que quem tem os votos é você, que é o líder, agora, o que eu quero frisar é a respeito da necessidade da unidade do grupo e eu não meço esforços para manter essa unidade que passa pelo deputado federal, desde quando, para deputado estadual temos dois e quem tiver a unha maior que suba na parede.

- Eu só digo ao prefeito, que eu tenho que ter um candidato meu, apresentado por mim, que seja o meu respaldo no Estado – disse o líder Antônio.

- Mas, não seja por isso líder Antônio, vamos ao que interessa: a sua candidatura a prefeito para ser o meu substituto. Vamos ajeitar as contas para que você possa ser candidato a prefeito em 2010. Apresente uma candidatura ao Senado. Que tal Zé Ronaldinho ? Desde quando, Lídice não vai ter chances, então você apresenta o Zé e política tem dessas coisas, quem sabe, num acontecimento imprevisível, caso aconteça um atoleiro do Jaques, o Zé pode ser nosso ponta de lança para ajeitar as coisas lá adiante. Coruja é quem dorme no toco – argumentou o prefeito Dió.

- Tudo bem ! agora, deixa eu dar um palpite sobre o hospital. Na minha opinião o prefeito Dió tem que fazer um hospital para atender a jacu e a macaco, no mais, a gente continua mandando descer doente para Feira e Salvador. É isso que rende voto – disse o líder Antônio.

- Eu também concordo com isso, mas é que eu pedi cinco UTIs ao governo e o governo disse: que não me daria cinco de jeito nenhum, que eu nem pensasse nisso, mas que pelo meu prestígio eu teria era dez UTIs. Como recusar uma atitude que demonstra a minha liderança junto ao governo – disse o prefeito Dió.

- Mas, prefeito Dió, só um iludido acreditaria numa fantasia dessa. Esse Hospital de Ipirá com UTIs não vai funcionar nunca, será mais um elefante branco. Faça um hospital para jacu e macaco e outros bichos – falou o líder Antônio.

- Não é que você tem razão! Taí, vou reformar esse hospital para ele atender a gato, preá, canário do reino, cachorro e outros bichos necessitados que possa haver por aí. Líder Antônio diga outro bicho que também poderá ser atendido nesse Hospital de Ipirá ? – perguntou o prefeito Dió.

- Pensando, assim, rapidamente, só tem ovelha.

- Ah ! que desgraça, isso nunca. Eu já disse, enquanto eu for prefeito nessa terra, aqui não vai ter MATADOURO DE CARNEIRO e quem não gostar que vá se queixar lá no programa Conexão Chapada e que os conversadores, o locutor da rádio e o sujeito do blog, façam esse matadouro, já que reclamam tanto. No meu governo não vai ter Matadouro de Carneiro em Ipirá e muito menos hospital para cuidar de ovelha. Hospital é para cuidar de jacu e macaco e de nenhum outro bicho.

Suspense: e agora ? o que será que vai acontecer ? será que o prefeito Dió vai construir um novo elefante branco em Ipirá ? Não basta o matadouro e já vem um hospital de rosca. Êta, que agora vão ser dois bichos de rosca. Agora é que essa novelinha não acaba nunca. Êta sujeita de rosca, essa novelinha.

Leia o capitulo 29 (fevereiro 2010) logo abaixo.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

sábado, 17 de julho de 2010

TROCANDO GATO POR LEBRE.


A manipulação política de ACM era devastadora. Qualquer obra pública virava uma obra eleitoreira até na estampa e tinha que dar voto até sair sangue. Tudo era motivo para a cobrança de votos da comunidade: a solicitação da obra; a assinatura da ordem de serviço; a divulgação da dita cuja; o lançamento da primeira pedra; o levante de não sei o que; o dia da inauguração.

A chegada da água do Paraguaçu em Ipirá, em 1982, com inauguração uma semana antes da eleição foi um detono. O resultado foi massacrante: 24 mil votos a 500. Nesses conformes, a manobra de ACM era imbatível, era uma propaganda avassaladora que transformava um direito de cidadania em uma obrigação eleitoreira submissa de um povo.

O prefeito Diomário até que tenta trafegar por essas bandas, quando busca fazer uma arrumação de obras com apelo eleitoreiro para que deslanche em votação maciça e a sua obra mais decantada nos últimos dias é a obra do Hospital de Ipirá. “ Três milhões de reais em recursos aplicados na ampliação e reforma do Hospital de Ipirá. Praticamente será feito um novo hospital e está prevista a implantação de semi-UTI e UTIS. Será o maior hospital da região”.

Êta coisa boa ! até uma promessa de Hospital está servindo de trampolim em busca de voto e virou lebre. Já foi inaugurado; tem pouco tempo que foi reformado. E agora foi anunciada a obra da reforma do Hospital em reunião solene.

Ano eleitoral. Como não tem obra, vem o anúncio em reunião. A apresentação do Projeto no Plenário da Câmara de Vereadores, para comemorar a celebração do convênio com o Governo da Bahia para a ampliação do Hospital de Ipirá tem que repercutir; tem que render voto.

Ia tudo bem, o melodrama estava montado e articulado numa promessa de 3 milhões de reais para a reforma do Hospital de Ipirá. Tudo transcorria da melhor maneira possível, até o momento em que o líder dos macacos e médico Antônio Colonnezi jogou areia no ventilador ao questionar de forma alegórica e categórica o propósito daquela obra, quando disse que “o prefeito Diomário ganhou um gato de 10 kg e guando fosse levantá-lo pelo rabo ficaria com o rabo na mão, porque não teria condições de sustentar o restante do corpo”. Trocou a lebre por gato. Trocando em miúdos: do jeito que estavam anunciando a obra, a prefeitura não teria como sustentar o tal hospital, pois o custo ficaria em torno de 1 milhão de reais, então, não tem como funcionar. Pasmem ! deu chabu; na gíria, sujou.

Foi um “Deus nos acuda”. Esqueceram de avisar ao líder dos macacos qual era a intenção da reunião e ele, desavisado, deu com a língua nos dentes. Aí foi um desmantê-lo; jogaram a peteca prá lá, prá cá e o aperto continuava. Quando terminaria a obra ? 3 milhões dá para terminar a obra ? Essa obra é para funcionar ? O Hospital vai parar para a reforma ser feita ? Vai dar de volta ao Estado ? O Estado quer de volta ? Essa obra é de rosca ?

Conclusão: tudo indica que chegou mais uma obra que não vai terminar tão cedo, mas isto aí não é problema, o prefeito Diomário já está acostumado com esse tipo de obra, o Matadouro de Ipirá é um exemplo claro, já foi concluído, foi inaugurado, já acabou, foi reconstruído e nunca terminou, muito menos, funcionou. É de rosca. Festa mesmo só depois que funcionar.

domingo, 11 de julho de 2010

O barulho é monumental.


Realmente, o barulho feito nos estádios da Copa parece mais o zumbido de abelhas-africanas enfurecidas. Se isso te incomodou, pior do que isso é o barulho nos bastidores da politicagem de Ipirá.

Tudo é motivo de bota prá lá, estica, empurra e puxa prá cá. Para deputado estadual, o prefeito Diomário apoiará dois candidatos, justamente para aplicar aquela tática do esforço reduzido, quando, lavará as mãos e colocará protetor nos ouvidos, exatamente, devido ao barulho.

Uma pessoa, bem próxima ao prefeito, que apóia a deputada Neusa, não cansa de afirmar que o deputado Jurandy não terá mais de 3 mil votos em Ipirá; por sua vez, o assessor do deputado faz uma previsão de 8 mil votos em Ipirá para o deputado. Números à parte, o assessor do deputado foi barrado no baile, ou melhor no forró, ou melhor ainda no gabinete do prefeito.

O deputado pediu a cabeça da pessoa próxima ao prefeito. A deputada não deixou por menos, disse que esta é uma briga que ela compra junto ao prefeito. O barulho é infernal, mas conta pouco ou quase nada para o currículo eleitoral do prefeito, desde quando a ficha pesada que o prefeito deposita e aposta é a do candidato a deputado federal, para a qual ele já enquadrou todos os secretários municipais, restando apenas para fechar o cerco, o apoio fundamental, essencial e imprescindível do líder dos macacos, Antônio Colonnezi, para que o projeto político pessoal do prefeito seja substanciado e concretizado. Sem esse apoio o barco ficará à deriva.

Sendo a prioridade do prefeito a candidatura do deputado federal, não significa que ele despreze a candidatura de Wagner ao governo, muito pelo contrário, o prefeito Diomário é o principal responsável e condutor da campanha do governador no município de Ipirá e isto terá como resultado, o fato do prefeito de Ipirá ser considerado e reconfirmado como o principal líder de Ipirá junto ao governo Wagner, caso reeleito; caso Wagner derrotado, o prefeito Diomário procurará um outro galho mais robusto para se agarrar, pois para ficar bem entendido, o município de Ipirá não pode ficar sem o governo do Estado, venha de onde vier.

Com toda essa perspicácia quem será rebaixado, não para a segunda divisão, mas para a condição de cabo eleitoral localizado será o líder dos macacos, Antônio Colonnezi, justamente por não ter influência, articulação e trâmite nas hostes do poder estadual, justamente por não ter uma capacidade política afiada para projetar-se e viabilizar um salto para um patamar mais elevado à nível de Estado, coisa que não falta ao prefeito Diomário. A vida é assim: um sobe e o outro desce a depender da competência.

Não custa nada lembrar que o governador Wagner foi vitorioso em Ipirá nas eleições de 2006, sem o apoio de nenhum cacique local, é bom repetir, de nenhum líder local, inclusive, do prefeito Diomário, que deu apoio ao candidato Paulo Souto do Demo. Naquele pleito, Wagner teve o apoio do PT e PCdoB locais, por isso foi a vitória da vontade do povo e não de lideranças.

É verdade que a vida tem reviravoltas e a novidade nestas eleições no município de Ipirá é o fato de que o governador Wagner ter declarado e definido sua preferência pela macacada e estigmatizado e humilhado a jacuzada, mas mesmo assim, tudo indica que Wagner sairá vencedor no município de Ipirá devido ao apoio da máquina municipal, até mesmo porque, lembrando o governador Wagner: “Jacu é prá perder”.

O PCdoB é uma força vibrante que apoiará as candidaturas de Dilma, Wagner; para o Senado, Lídice e Pinheiro, e o PCdoB de Ipirá terá o mesmo propósito sem nenhum equívoco, mas não mediremos nossos esforços na luta em defesa das candidaturas do deputado federal Daniel Almeida e do deputado estadual Javier Alfaia, independente de qualquer situação ou resultado continuaremos na fronteira da luta por uma sociedade socialista.

domingo, 4 de julho de 2010

Depois do jogo, a prorrogação.


Era um simples jogo de futebol. A Copa do Mundo virou um comércio fenomenal. Envolve dinheiro, custos, lucros ou prejuízos. Existem interesses múltiplos por trás de tudo isso, primordialmente da FIFA, dos investidores, dos patrocinadores e o midiático, este, causa grande impacto e consuma a expectativa do marketing.

Primeiro tempo.
A publicidade em torno é compulsiva e impiedosa. A população é bombardeada por um ufanismo e um nacionalismo exacerbado. Uma disputa esportiva é impulsionada como se fosse uma luta pela soberania nacional. É impositiva a idéia da superioridade e a prerrogativa de “Melhor do Mundo” é sistemática e insistentemente colocada antes do jogo jogado. Luís Fabuloso é colocado como o protótipo de um grande e épico guerreiro na publicidade da cerveja, é enroscado pelas pernas por cipós, desvencilhou-se, chutou uma bola, que não era bola, era um meteoro e estufa as redes. Os frágeis adversários, acabrunhados, carcomidos, com os rabos entre as pernas. Tudo isso antes do jogo jogado. VAI ENCARAR, gritou Fabuloso. Sneijder, com seus arquétipos companheiros, encarou e seu rosto tomou todo o espaço do vídeo da televisão dos brasileiros. Talvez na Holanda, o Sneijder tenha dito o que Fabuloso disse aqui. VAI ENCARAR. Isso é publicidade, campo em que todos os gatos holandeses e brasileiros são pardos. A propaganda sumiu; os palhaços somos nós.

Difícil definir a melhor seleção antes do jogo jogado. Na mídia brasileira existe essa preocupação: é a MELHOR SELEÇÃO DO MUNDO; são os melhores jogadores do planeta; o melhor disso e o melhor daquilo. Parece que existe uma necessidade gritante de carregar no marketing da seleção brasileira na condição de Melhor do Mundo, antes da sétima jogatina. Esse ser “o melhor do mundo” é emblemático, Qualquer firula e vem à tona esse é “o melhor do mundo”. Não me parece uma necessidade vital, mas sim, publicitária. Tanto é verdade, que depois do jogo jogado, no apito do juiz, o pessoal da Globo não perdeu tempo: ISSO É APENAS UM JOGO DE FUTEBOL; não era.

Segundo Tempo.
Vai a Copa, vem as eleições. Os números projetam que poderá acontecer segundo tempo entre o time de Serra e o time de Lula, ou não, da Dilma. Na Bahia, o jogo não quer endurecer e parece que o time de Wagner tem um baba pela frente. Mas interessante mesmo é a torcida, que às vezes fica mais exótica que a da Copa. Eu fico imaginando a fantasia que Antônio Colonnezi vai usar para defender as candidaturas de Lídice da Mata e Pinheiro para o Senado, quando no outro time está o seu grande amigo, parceiro e correligionário José Ronaldo e, tudo isso, tem que ser antes do jogo jogado. Para o deputado Jurandy Oliveira não há dificuldade, vai beber a água batizada que os jogadores brasileiros beberam do massagista argentino e vida que segue.

Prorrogação.
Vai durar até 2012. A vitória do time de Wagner vai atirar na Segunda Divisão a jacuzada por mais quatro anos. A jacuzada tá num mato sem cachorro. Ficou com Geddel e colocou uma parte do time com Paulo Souto. É mesmo que compra um papagaio e levar uma coruja. Pela primeira vez no jogo ficou longe do poder estadual, hoje não indica nem inspetor de quarteirão e não consegue arranjar um emprego de gandula para algum necessitado. O prefeito Diomário trava e dá botinada na Clínica Santa Helena, que vai sair carregada na maca e ninguém sabe se voltará a jogar. Como é que um time de Segunda Divisão vai enfrentar o Poder Estadual e Municipal, dentro dos parâmetros estabelecidos pela politicagem local ? É aquela coisa, se tiver um milhão, o poder tem dois, se tiver dois, o poder gasta três. É o jogo. Se tiver treze mil votos, quatorze, o adversário com a poderosa máquina pública de fazer votos chegará a quinze.

E ficar em segundo não é derrota ? Vou dar uma sugestão: Dunga foi dispensado da seleção brasileira, que tal convidá-lo para ser o candidato a prefeito da jacuzada. Ele simplesmente vai dizer: “o que vale é ser campeão do mundo, o que vale é vencer, não adianta ter o que se tem, treze ou quatorze, e não chegar em primeiro, e ai todo esse trabalho de oito anos estará perdido”. Dunga é pragmático, só vai na boa, não aceitará. Sem o poder, parte do eleitorado da jacuzada migrará para quem tem o poder, é uma forma de adquirir uma pequena vantagem. É interessante como as pessoas acreditavam na vitória da seleção do Dunga, simplesmente acreditavam por acreditar, por ter fé. Quando a jacuzada crédula e desavisada parar para pensar, a prorrogação já estará demorando vinte anos. É uma bênção.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

É DE ROSCA

Estilo: ficção
Natureza: novelinha
Capítulo: 29 (mês de fevereiro 2010) – incrível, apresentação do novo capítulo da novelinha com, simplesmente, 5 meses de atraso.

Quando saiam do Centro de Abastecimento de Ipirá pelo portão que fica próximo ao Chiqueiro de Vendas de Animais de Ipirá, o assessor e o prefeito Dió, que estava mais aliviado, sua barriga não doía mais e, talvez, devido a esse fato botou olho gordo em dois caminhões carregados de milho verde, aproximou-se e deu logo vontade de comprar umas espigas e foi indagando:

- Não posso ver um produto da zona rural de Ipirá, dá logo uma vontade enorme de comprá-lo. Eu quero dez dúzias dessas espigas de milho. Quanto é ?

- Doutô ! em primeiro lugar esse milho não é de Ipirá, é de Juazeiro da Bahia e o doutô vai pagar cento e vinte reais – disse o vendedor.

- Cobre aqui.

Sem nenhuma necessidade o prefeito Dió começou a comentar os gastos com o São João de Ipirá, ao tempo que olhava para todos os lados:

- Nesse São João já gastei mais de seiscentos mil, não apareceu ninguém para mim ajudar. Solicitei quinhentos reais de um banco e o mesmo não deu um centavo. É duro ! Mas eu quero é tranquilidade para curtir meu São João numa boa, sem aperto, aborrecimento e sem preocupação.

Olhando para o lado do portão do Centro, o prefeito Dió observou umas gaiolas e uns passarinhos. Teve uma idéia fantástica e dirigiu-se naquela direção:

- Bom dia. Eu estou precisando de uns canários para fazer uma cantoria num magnífico palco que eu fiz, mas tem que ser daqueles amarelinhos, só serve daqueles, porque eles vão ter que sair na televisão pelo sucesso que vão fazer. Eu acho que eles são conhecidos como canários da terra.

- Doutô ! esse tipo de canário amarelo já acabou em Ipirá faz tempo. O doutô pode andar os quatro canto desse município e o doutô não vai dá de frente com esse tipo de canário amarelo, que cantava de estalo. Agora, eu sei onde é que tem esses canário amarelo e o nome verdadeiro deles não é canário da terra, é Canário do Reino. Mas, eu tenho uma sugestão prá dá ao doutô ! se o doutô quizer eu posso conseguir uns periquitos cantadô prá o doutô, e tem de tudo quanto é cor, o doutô é quem escolhe.

- Não. Só tenho interesse nos canários amarelinhos. Como é seu nome ?

- Eu me chamo Chico Boi.

- Esse seu nome não me agrada, mas de qualquer forma esse tal de Boi a gente já manda prá Feira, se fosse outro bicho menor, eu ia te mandar prá Pintadas. Me consiga esses canarinhos, pode ser da terra, do Reino ou da seleção brasileira, o importante é que esteja na mídia.

Chico Boi, malandro de Feira de Santana, mais esperto do que teiú que engole mosquito, pegou uma porção de pardal, pintou todos de amarelo e apresentou os canarinhos do reino no palco e a cantoria virou um forró virado da celebrina, agradando em cheio aos presentes. Sem ninguém esperar, começou uma chuva fina e os canarinhos do reino começaram a desbotar, apareceu um rebanho de pardal. Não deu outra, polícia e televisão.

O delegado constatou. Não é canário do reino, é canário peba, clonado, do Paraguai. Quem é o responsável ? Pegaram Chico Boi.

- Apresente seu documento, seu Chico Boi – disse o delegado.

Chico Boi tirou a identidade do bolso e apresentou-o ao delegado, que surpreso, falou em voz alta:

- Mas seu nome não é Chico Boi, na realidade você se chama Chico Ovelha.

Aí, o prefeito Dió deu um pinote e foi dizendo:

- Eu já estava imaginando que tinha esse troço de ovelha por trás de tudo isso. Esse bicho chamado ovelha é o calo da minha administração, mas eu vou dizer em bom tom EU NÃO VOU DEIXAR FUNCIONAR ESSE MATADOURO DE OVELHA E BOI EM IPIRÁ, e seu delegado, trate logo de prender esse Chico Ovelha lá em Pintadas e abata ele por lá. Aqui em Ipirá eu não quero saber de matadouro de ovelha e tudo isso aconteceu por causa desse Chico Ovelha, ele é o culpado de tudo.

Suspense: e agora ? o que será que vai acontecer ? agora que o prefeito Dió teve seu São João na mídia, será que esse matadouro de Ipirá vai sair ? êta bicho de rosca.

Leia o capitulo 28 (janeiro 2010) logo abaixo.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.