sábado, 27 de agosto de 2011

É DE ROSCA




Estilo: ficção


Natureza: novelinha


Capítulo: 33 (mês de junho 2010) – incrível, apresentação do novo capítulo da novelinha esculhambada com, simplesmente, mais de um ano de atraso e esse troço não acaba! Nem satanás acaba essa novelinha.



O prefeito Dió estava animadíssimo, ia receber o governador JW, macaco de carteirinha, para uma inauguração e esperava um público contagiante, que não foi contagiado pelo grandioso evento.



Quando o prefeito Dió pegou o microfone, a galera soltou o grito; o foguetório estrondou a avenida e a fanfarra deu um repique. O prefeito Dio, eloquentemente, em dia de super-star, agradeceu ao “extraordinário governador” (o mesmo termo empregado quando recebeu o ex-governador Paulo Souto em palanque).



O governador JW começou a contar em verso e prosa o que tem feito por esta “Bahia de meu Deus” e o prefeito Dió estava atento e aguardando o governador dizer o que tinha feito por Ipirá; e até aquele instante, nada. Quando o governador comentou com seu vozeirão:


- No tempo do cabeça-branca, promessa de político era dúvida; comigo no governo é diferente, promessa de político vira dívida.



O prefeito Dió, que já estava incomodado, desajeitado e avexado aproveitou a oportunidade e resolveu cutucar o governador:


- Excelência! fale que vai ter UTI no Hospital de Ipirá, isso é importante.



O locutor repeliu imediatamente:


- Por favor, silêncio no palanque



O governador JW ouviu aquele palpite em seu ouvido, sem pestanejar e sem prestar muita atenção, também, para agradar ao prefeito Dió, mandou ver:


- Vamos implantar UTI no Hospital de Ipirá.



Era o que o prefeito Dió queria ouvir. Vibrou, pulou e solicitou aplausos do público. Era mais um que o prefeito Dió botava no esparro. Ficou pensando: “imagine se isso é lá coisa que vai acontecer em um hospital municipal!” Soltou um riso de galhofa pelo canto da boca e completou o raciocínio: “o Secretário de Saúde já comeu essa H, agora, só falta o sujeito do Blog fazer uma novela de rosca pela UTI do Hospital de Ipirá, essa aí vai durar uns duzentos anos.”



O governador continuava com a sua prosa. Um elemento apareceu no fundo do palanque e gritou: “E o matadouro de carneiro, governador, quando é que fica pronto?” Surgiu um burburinho no palanque. O locutor solicitou: “mais uma vez, silêncio no palanque”.



O prefeito Dió esticou o pescoço para ver quem era o intrujão e no desespero do momento, deu o sinal e o fogueteiro, lascou o tição, foi um estardalhaço barulhento que atrapalhou o governador, que comentou:


- É, o prefeito Dió teve mais foguete do que o governador, fizeram uma pergunta aí, até já esqueci qual foi, mas essa resposta vai ficar para outra oportunidade, pois agora vou para Pintadas, saborear um carneiro com feijão tropeiro, que eu também preciso provar as delícias dessa região, e só fico chateado com a fanfarra que não deu um repique quando eu comecei a falar, logo eu que gosto tanto de fanfarra. Um abraço a todos.



Suspense: e agora ? o que será que vai acontecer ? Em quem o prefeito Dió vai dar a próxima facada? Na macacada ou no irmão? Com crime toda novela aumenta a audiência. Agora é que essa novelinha vai ter morte e não acaba nunca. Duas coisas de rosca, essa novelinha e o Matadouro de Ipirá.



Leia o capitulo 32 (maio 2010) bem abaixo.



Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.


sábado, 20 de agosto de 2011

BA 414.







A inauguração das grandes obras em Ipirá sempre teve um público gigantesco. A energia na década de 1970 e a água do Paraguaçu na década de 1980 fizeram de Ipirá um formigueiro assanhado de gente. A inauguração da estrada Ipirá – Pintadas não empolgou muita gente.



Vamos por parte. Não gostei do discurso do prefeito de Ipirá, Diomário. Parecia que estava rouco, motivo pelo qual seu discurso apresentou-se desafinado, mas não gostei mesmo, porque ele só faz agradecer; obedece e agradece; agradece e obedece. Não precisa agradecer tanto, Ipirá sabe que o prefeito não é chegado à ingratidão, na verdade, precisa mesmo é reivindicar, é dizer o que Ipirá precisa e exigir que isso aconteça.



Gostei mesmo foi da prosa de Jacques Wagner. Êta governador pra falar bonito. Proseou bem e bem legal, por 28 min. e 45 segundos. Disse que estava alegre por se relacionar com um povo sincero e verdadeiro, que pede tudo o que precisa e que ele, governador, fala para cumprir e não para mentir. É isso! Esse é um governador arretado, como disse a esposa do ex-presidente Lula.



Acho que o governador disse tudo, quando afirmou: “antes, promessa de político era dúvida e, hoje, é dívida.” Aí, Aí... o governador bateu o prego e não virou a ponta, quando disse: “o Hospital de Ipirá vai ter UTI.” Pergunto ao governador: isso é para duvidar do seu governo ou é uma dívida com o povo de Ipirá? Vou ser sincero, governador: eu duvido que seu governo faça um esquema de UTI no Hospital Municipal de Ipirá, observem bem, Hospital Municipal. A partir de hoje, V. Exa. tem uma dívida com o povo de Ipirá, não permita que isso vire uma dúvida.



Vibrei quando o governador Wagner fez um rosário dos Institutos Federais de Ensino Tecnológico e das Universidades Federais que virão para a Bahia. Pensei: “agora vem.” As Universidades Federais ficarão em três sedes no Sul do Estado e quatro sedes no Oeste. Parei para pensar: “não veio.”



São oito Institutos Federais de Ensino Tecnológico para a Bahia. Fiquei entusiasmado, quando o governador disse: “vai ter um aqui, em I.....”. Pulei para gritar, quando ele completou: “Itaberaba.” Perdi o pulo.



Quando o governador Wagner disse: “vai ter uma Universidade Federal aqui em... (aqui, é aqui não pode ser lá), falei para mim mesmo: “aqui, em Ipirá” e o governador arrematou: “aqui, em Feira de Santana” (tenho que entender, aqui não é aqui, é lá) e o governador disse mais: “agora, que tem estrada boa, o jovem que quiser estudar pode ir para lá” (não é mais aqui, é lá mesmo, Feira ou Itaberaba). Governador! Aqui pra gente, não é isso que a juventude de Ipirá precisa.



O governador estava ligado e eu ligado nele. Comentou que a fanfarra foi embora antes do tempo. Foi verdade, assim que o prefeito Diomário terminou o discurso, a fanfarra deu o pinote. Tem gente querendo deixar o prefeito Diomário ruim na fita. E o fogueteiro? O governador não tinha terminado de prosear e o fogueteiro mandou ver. O governador reclamou, mas perdoou o fogueteiro, que estava tirando um cochilo. Tem gente querendo deixar o prefeito Diomário mal na fita.



Falaram bastante da importância da obra para a Bacia do Jacuípe e eu concordo plenamente com o que foi dito. A estrada não é somente um canal de tráfego, tem uma importância muito maior para o desenvolvimento da região. Apesar da grandiosidade ostentada, eu gosto de pegar as rebarbas para incrementar meu pensamento e pensar no que não foi dito para que o dito não vire não-dito.



Foi dito: “agora com estrada boa, quem quiser pode ir estudar lá.” Eu fico perguntando-me: “com estrada boa, nosso carneiro tem que ser abatido no Frigorífico de Pintadas?” Com estrada boa, o estudante de Ipirá tem que ficar fazendo vestibular em Pintadas, Itaberaba e Feira?



Não deu uma multidão por isso: essa é uma obra muito importante, mas não é uma obra essencial para Ipirá. Ipirá tem necessidades específicas, localizadas e imprescindíveis. Tenho o direito e o povo de Ipirá, também, tem o direito de expressar o que é fundamental para o nosso município de forma urgente e imprescindível. Posso citar: 1. Um Parque de Vendas de Animais; 2. Um Matadouro de Bovinos e Ovinos; 3. Mais fábricas, para desenvolver nossa economia; 4. Uma extensão universitária presencial, que é um sonho da juventude; 5. Curso federal de ensino tecnológico; 6. Um hospital para atender, pelo menos, as médias complexidades. Tem mais, se ouvirem o povo, vai aparecer mais reivindicações. Digo tudo isso, não é para contradizer o senador que conhece isso aqui como a palma da mão, digo isso tudo, porque tenho o cordão umbilical e a alma amarrados a este chão.






domingo, 14 de agosto de 2011

ADIVINA QOLE MINA PROFISSONE (2)



Fato no.1 ocorreu quando os meninos da Vila (do Santos), em seus arroubos infantis, ou quem sabe, vislumbrados na presunção cotidiana, mostravam uma predileção pelo grandioso. Comemoravam na Internet e arrotavam uma grandeza desmedida, mas real e concreta. Comentavam: “O que você ganha num mês, eu gasto de ração com meu cachorro”.



O lógico: “Não é que é verdade! O que eu ganho em minha profissão em um mês, essa meninada gasta em numa saída noturna; em meia hora de curtição; ou mesmo, levando o cachorro para passar um pente nos pelos.”



Vamos ao dia-a-dia do meu trabalho: na minha sala ficam varias pessoas de ambos os sexos, são pessoas pobres, embora, considerar que uma pessoa seja pobre esteja no enquadramento do preconceito, afinal, acabaram a pobreza do país, mas em Ipirá, a pobreza é avassaladora, 45,42% da população é considerada pobre; 37,54% situa-se abaixo da linha de pobreza (até 1 dólar por dia) – (dados do IBGE)



Vamos ao meu trabalho. Todas as pessoas que estão em minha sala possuem celular. Todos. Ouvi até o comentário de um deles:


- Qolé doidim! dei um baculejo no celular de um preiboizim, ta ligado, ta em cima, é a maió baguio, véi...


Não possuir celular é o descredenciamento numa espécie de “status de fingimento”; ‘mostra-me o teu celular e eu direi quem tu és’. Tem um caso de amostragem de um celular quebrado para suprir aparentemente um vazio que não pode esvaziar; ‘saco vazio não fica em pé’. Saquei até uma conversa: “pô meu! Iscapuliu, hoje, e bateu numa pedra; parou, num qué funcioná”. Tinha uns dois meses que era apresentado mudo.



É um atrativo fatal e devasta qualquer atenção. Toca quando é menos esperado; conversa num momento que não é de muito conversar; é digitado como um imã dilacerante. É inconveniente e inconseqüente. Tornou-se uma espécie de fetiche.



O que eu falava, em meu trabalho, não originava aplicativo. O interesse estava canalizado para aquela ferramenta da imprevisibilidade. Olhinhos dirigidos; concentração completa. Meu esforço era infrutífero. Observei o alvo de tanto interesse coletivo. Peguei o celular. Era um homem transando uma jega. O que se faz, em meu trabalho, é por mero divertimento e não por necessidade.



Você acha que eu deveria falar da bestialidade humana, mesmo sem os ouvidos estarem abertos? É coisa para se pensar, pois eu iria pregar num deserto. Uma coisa eu fiz: não falei da jega, nem mesmo que ela era descarada, para não ter o IBAMA no meu encalço. Também, não discriminei quem gosta de comer jega; vê se eu seria tão infantil para cometer um preconceito dessa natureza! Isso poderia dar um processo do tamanho de uma semana nas minhas costas. Não tem outra, eu tenho que aprender a situar-me nos tempos de hoje, posso terminar provocando injustiças ou causando prejuízos aos freqüentadores de minha sala, afinal são senhores de si.



Não dá outra, tenho que recorrer ao fato no. 2: O Imperador estava sentindo-se muito triste e infeliz, aí não pensou duas vezes, largou tudo como se fosse um nada. Esse tudo era uma coisa simplesinha, mais de um milhão por mês, a cidade de Milão, a vida mansa, mordomia, etc.



Aí eu vou ter que pensar mais do que o que eu penso, ou seja, o que eu ganho num mês é uma bufunfa em comparação com o que o Imperador mandou para os ares, assim sendo, vamos supor que eu esteja infeliz no meu trabalho e se eu não tiver a coragem de jogar tudo para os ares como fez o Imperador, significa que eu estou aprisionado por grilhões escravizadores, que me deixam subalterno ao Reino da Necessidade.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

QUEM COM ...



“Quem com ferro fere, com a brasa será queimado.” Ouvi esse ditado pela boca do maior ferreiro que Ipirá conhece, o “Neco Atrapalhado,” que sabia amolar uma enxada com fogo vivo como ninguém. Às vezes, percebo que esse ditado é propositalmente verdadeiro nas ocasiões propícias.




Com a chegada de Jacques Wagner ao governo do Estado da Bahia, o PT de Ipirá encheu-se de exaltação mística e sentiu-se o todo-poderoso do pedaço e indicou, indicou, indicou...




Indicou todo o pessoal do CIRETRAN em Ipirá. A equipe vinha trabalhando a contento. Quando ocorreram as eleições municipais, o todo-poderoso PT de Ipirá migrou para o grupo dos macacos, naturalmente, uma atitude bastante questionável e que deixou muitos militantes insatisfeitos, sendo que, um bom número deles resolveu votar em minha candidatura a prefeito, entre eles, André e Tineck, ambos pertencentes à equipe do CIRETRAN de Ipirá.




Foi a gota-d’água para a retaliação. O poderoso PT de Ipirá exigiu a saída de André e Tineck da equipe do CIRETRAN de Ipirá e os dois foram exonerados. O motivo foi político: simplesmente porque não votaram em Diomário.




O patrulhamento ideológico do poderoso PT de Ipirá fez o PT de Ipirá cometer o maior erro de sua história: a exigência da exoneração dos militantes André e Tineck. A prepotência e a arrogância do poderoso PT de Ipirá fez o PT de Ipirá cometer o maior engano de sua vida: pensar que tinha poder e prestígio junto ao governo do Estado e que mandava e desmandava no CIRETRAN de Ipirá. Ledo engano.




Além do mais, sem querer perceber que cargos de confiança são tão vulneráveis quanto as formações das nuvens, instigaram e provocaram uma demissão coletiva da equipe indicada pelo poderoso PT de Ipirá, fato que tem um significado muito triste, pois salienta uma postura de rebate e de boicote, extremamente equivocada, parecendo coisa de um petismo que só torce a favor quando está agarrado a algum benefício. Nem o pessoal indicado no tempo de Paulo Souto agiu de forma tão temerária. Por favor, não esqueçam que o governador da Bahia ainda é Jacques Wagner.




Feriram com ferro, é verdade, e queimaram-se com brasas, também, é verdade, pois dentro do arcabouço de um partido de vários grupos, só tem poder de fogo quem está organizado e combatendo nas trincheiras de uma tendência, fora disso é... (o leitor complete como quiser).