segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

É DE ROSCA (17).


É DE ROSCA. (17)
Estilo: ficção
Modelo: mexicano
Natureza: novelinha
Fase: Não sei se vale a pena ver de novo
Capítulo: 17 (mês de outubro 2015)(atraso de 2 meses) (um por mês)

Quem manda, hoje, em Ipirá é o PRIMEIRO COMANDO DA MOSQUITARIA. As maiores lideranças da localidade estavam dispostas naquela mesa redonda de forma a não ter nenhuma notoriedade na cabeceira. O primeiro a falar foi Chico que deu a sugestão de telefonar imediatamente para o ex-prefeito Dió e sem demora pegou o celular e discou:

- Alô, ex-prefeito Dió!

- Alô! Quem está falando?

- É Chico.

- É Chico Buarque?

- Não, é Chico Gunha! Venha imediatamente para Ipirá, porque temos uma força que dominou a cidade.

- Vê lá se eu, macaco velho, vou acreditar num disparate desse! Quem manda nesse terreiro aí, sou eu, o ex-prefeito Toinho e o prefeito Bal. O resto tá xopado.

Telefone desligado. O primeiro a usar a palavra foi o Zika, um feroz terrorista e sanguinário malfeitor que disse com veemência:

- Eu não disse que com esse sujeito a gente tem que jogar duro, porque esse sujeito é esperto demais, qualquer coisinha ele corre para se tratar em São Paulo nunca vai para o hospital de Ipirá.

- Não é assim não, Zika! Diz prá ele que a campanha já começou e que ninguém fala no nome dele, prá tu vê se ele não risca no pedaço em dois minutos – falou Da Dengue que discou e ouviu a resposta do ex-prefeito Dió.

- É Da Dengue que está falando, não é? Preste atenção ao que eu vou dizer agora e escreva aí, o jogo só começa quando eu chegar ai em junho, tudo isso é presepada do baixo clero. Vou sentar com o ex-prefeito Toinho e o prefeito Bal e vamos decidir no tempo certo e adequado.

- Não é assim não seu chupa-cabra, venha logo para cá e tome o seu lugar nesta situação de desgaste que você e o ex-prefeito Déo deixaram para a macacada. E tem mais! Você vai se vê é comigo, vou enfiar uma picada no seu pescoço que você vai perder até esse vozeirão QUERO DESEJAR A TODOS OS IPIRAENSES E AOS QUE AQUI ESCOLHERAM PARA MORAR – falou o perigoso e terrível Microcefalia, que jurou ser o primeiro a grudar no ex-prefeito.

- Bonjour monsieur, ex-prefeito Dió! Como tá le vu? Aqui quem fala é o françuá Guillan Barrê, parente bem próximo do jacobino Robespierre, que gostava de usar a guilhotina, assim como eu, e estou doido para ver como vai ficar seu pescoço, porque do umbigo para baixo seu corpo vai ficar todo paralisado.

O ex-prefeito Dió pensou: “Com um francês pelo meio esse Primeiro Comando da Mosquitaria deve ser o cão chupando manga, vou agora mesmo para Ipirá!” Riscou em sua residência, na rua de Delorme, o único lugar que não tem mosquito na cidade. O Primeiro Comando da Mosquitaria sobrevoou em frente à casa e comentou:

- Vamos pegá-lo aqui mesmo e agora – falou Guillan Barrê.

- Não! Vamos deixá-lo seguir para as bandas da ABB e o nosso comando terrorista de dez mil mosquitos acaba com ele – falou Da Dengue.

- Nada disso! Vamos grudar esse sujeito é agora e lá dentro que ele não é melhor do que ninguém – falou Microcefalia, que deu dois toques na porta e partiu para cima, foi o primeiro a tirar uma lasquinha, quando o ex-prefeito Dió apareceu com uma toalha no pescoço.

O ex-prefeito Dió não suportou o repuxo e jogou a toalha, seu cérebro foi ficando inchuido e ele entrou rapidamente em contato com o prefeito Bal que chegou escorregadio:

- Vamos inaugurar o Matadouro de Ipirá agora, eu não quero ser mais candidato a prefeito nessa terra – disse o ex-prefeito Dió.

- Como? Oxente, ex-prefeito Dió! Até ontem, V. Exa. era contra a inauguração e agora não quer mais ser prefeito! O que será que tá acontecendo homem de Deus?

- Eu sempre fui a favor, quem é contra é essa mosquitaria, que eu reconheço, tomou conta de Ipira. Eu ganhei a primeira eleição dizendo que ia inaugurar esse matadouro, ganhei a segunda cercando a Praça da Bandeira, que eu mudei de nome, e se quisesse  ganhar a terceira, ganharia com a inauguração do matadouro, com a universidade do ex-prefeito Déo e com o asfalto da cidade, mas eu não sou mais candidato a nada.

Ao ouvir aquilo, o prefeito Bal ficou preocupado, amarrou o ex-prefeito Dió e mandou-o para fazer um tratamento num hospital de São Paulo, em Ipirá ele corria o risco do ataque de mosquito e mudar de ideia, por isso toda medida de precaução é previdente. Que ninguém, nem macaco, nem mosquito, telefone para o ex-prefeito Dió que ele não dará ligação. Tá dito e escrito.

Suspense: e agora, o bicho pega? esse matadouro vai ou não vai? Êta novelinha complicada e chata. Tem gente que já cansou dessa novelinha. Fica aquela coisa repetitiva. Eu não agüento mais escrever esse troço.

É difícil, muito difícil, escrever uma novelinha em condições tão adversas. Vinte e cinco anos e nada de inauguração desse elefante branco e eu na obrigação de escrever essa novelinha, na obrigação de inventar até causo com mosquito, coisa que não tem em Ipirá e que não vai provocar nenhuma tragédia nessa terra, mas eu fico fazendo ficção com essas coisas, não é fácil. Você pensa que é fácil fazer uma síntese do ex-prefeito Dió? Não é, principalmente agora que ele está preso a um destino incontornável de manter-se absoluto como o maior expert da politicagem oligárquica interiorana.

O término dessa novelinha acontecerá no dia que acontecer a inauguração desse Matadouro de Ipirá. Inaugurou! Acabou, imediatamente.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência. Eles brincam com o povo e o povo brinca com eles.

domingo, 20 de dezembro de 2015

EMERGÊNCIA & CALAMIDADE.

Duas palavras que galopam bem próximas uma da outra, pelo menos, no campo do sinistro e da coisa tenebrosa: emergência e calamidade (chega prá lá trem ruim!). O lamaçal de Mariana é o exemplo mais recente dessa incompetência, que vira descaso e descamba em erro, que se transforma em tragédia, porque causa morte, sofrimento, perda e dano. Não precisa dizer mais nada. São setecentos quilômetros de natureza morta. Um rio Doce que vira uma massa lamacenta. Isso tudo é uma coisa medonha.

Em Ipirá, a problemática não é o rio de lama, mas as duas palavras (emergência e calamidade) estão grudadas no município como chifre na cabeça de bode. Este 2015 foi um ano de bom índice pluviométrico, mas a estiagem a partir de agosto já colocou o município no beleleu. A zona rural vive a sua tragédia. Falta água em algumas localidades e falta alimento para os animais em todo lugar. É a fartura da falta.

Não significa ser agourento indagar: “Se não consegue viver no semi-árido como é que vai conseguir viver no deserto?” O rio Doce virou lama; o semi-árido caminha para virar deserto. Essa é a nossa tragédia. Uma tragédia que vem de décadas e mais décadas e não de presságio de acontecimentos infaustos. A vaca vai para o pasto do dono e não encontra o que comer. O dono aluga um pasto e a vaca vai comendo o pasto e o próprio dono. É uma engrisilha medonha. Um ponto de atraso. A seca é uma calamidade. Morre o bicho fica o homem em situação precária.

O município vai ficando sem saída. O rebanho de gado (bovino, ovino) vai diminuindo. Uma feira de animais no Parque de Exposição (uma prioridade) não marca presença, nem mesmo uma simples contabilidade dos animais que chegam e que saem se consegue fazer. Se não tivermos ideia do tamanho da queda como chegaremos às medidas protelatórias ou até mesmo ao equacionamento do problema. Uma simples questão de gerenciamento. Sem produção no campo o município vai sendo sustentado por uma massa de aposentadoria e programas assistenciais.

O país vivendo uma crise, o que piora a vida no varejo e no atacado. Para agravar ainda mais a situação temos um poder público municipal travado, tanto pela queda na arrecadação como pela política do jogo de empurra, quando o ex-prefeito Ademildo não quer concretizar a renúncia para dar total autonomia ao prefeito Aníbal. Isso emperra e atola o município. O município vivendo uma situação de emergência, sendo encaminhado para um estado de calamidade e o poder municipal incorrendo num viés de falta de autoridade. Se não existe a probabilidade da renúncia, que não se castre a autonomia e a legitimidade do prefeito Aníbal tocar o município dentro de sua lógica e da sua visão administrativa. O prefeito precisa de um poder efetivo, até mesmo, para ser o responsável direto pelos seus atos.

Na maioria das vezes, a realidade dos municípios do semi-árido não é nada fácil e chega a ser cruel. O município de Ipirá está na corda bamba entre a emergência e a calamidade. O poder municipal travado. A Prefeitura Municipal em estado pré-falimentar. A politicagem do grupismo empaca a máquina pública. O município é maior do que qualquer grupo, mas o BA-VI do jacu/macaco fornica o município. Fazer o quê?

Vamos partir do pressuposto de que essa iluminação para o Natal em Ipirá foi o que foi possível fazer no momento; custou em torno de R$ 150 mil reais em pleno estado de emergência, mas Ipirá tem que ser uma cidade-luz como Gramado. Pare, pense bem pensado. Pontencialize essa iluminação atual em dez vezes e teremos uma iluminação com dez vezes mais peças luminosas, uma coisa linda de se ver. O custo também será potencializado em dez vezes mais. Um milhão e meio de reais. Vem mais gente, vem mais dinheiro, o comércio vai vender mais, as pessoas vão ficar felizes, o astral vai ficar elevado, blá, blá, blá. Nada brilha mais do que a luz solar e sob esses raios luminosos o município de Ipirá trilha entre a emergência e a calamidade.

Tudo isso acontecendo e o deputado Jurandy Oliveira, em sua notória preocupação com o município de Ipirá, continua passando o podão pelo pescoço dos funcionários do CIRETRAN de Ipirá. Dessa vez, uma das vítimas, foi o único funcionário indicado pelo PT local. Agora, tem que ser bem pensado, o governador do Estado é o PETISTA Rui Costa que permite e consente que o deputado Jurandy Oliveira corte a cabeça dos indicados pelos deputados do PT e do PCdoB para o CIRETRAN em Ipirá.

Ninguém pode negar que o deputado Jurandy Oliveira tem poder e força junto ao governo do Estado, mas também ninguém vê o deputado Jurandy Oliveira levantar uma proposta que ajude Ipirá sair desse estado de emergência junto ao governador Rui Costa.

Não se pode preterir a calamidade, ela avança e não deixa algo ou alguém para trás, atinge o município, o catingueiro e o bicho e, não tenha a menor dúvida que um governador, um deputado, um prefeito pode ser uma grande calamidade.

Não tenham dúvida que o Renova Ipirá está passando por um momento de emergência, mas não estamos em estado de calamidade. Em janeiro/2016 o Renova Ipirá estará lançando uma nota sobre o seu posicionamento à população.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

FECHANDO A JANELA.

Fomos surpreendidos esta semana com a exoneração do indicado pelo deputado federal Daniel Almeida (PCdoB) ao CIRETRAN em Ipirá. Confesso que não esperávamos. O governo ainda é do petista Rui Costa. Tudo indica que está havendo a substituição de todos os cargos de confiança do CIRETRAN/Ipirá a pedido do deputado estadual Jurandy Oliveira.

Confesso que não escutei nenhum comentário negativo contra a atual direção e equipe do CIRETRAN-Ipirá por todo esse tempo, sinal evidente de um bom trabalho para a comunidade e quando o serviço público é executado de forma criteriosa, eficaz e com dignidade, no meu parecer não deveria sofrer descontinuidade, pena que o deputado não pensa assim.

O deputado Jurandy Oliveira é muito poderoso, forte e possuidor de votos, nunca mudou de lado ou posição, está sempre do lado do poder (da situação), seja Rui Costa ou Paulo Souto; seja PT ou DEM, (são eles que mudam quando deixam o poder e não o deputado).

Estas indicações de cargos pelo interior são objetos de cobiça e de disputa pelas forças políticas, isso é tido até como uma coisa natural e que tem que ser assim mesmo. Que seja ou não! Não iremos entrar no mérito, também, salientamos que vamos exercer nosso protesto e que, neste momento, o deputado Daniel Almeida está concentrado na questão da defesa da presidenta Dilma na problemática do impeachment, mas ele também tem o direito de dar seu parecer sobre essa questão e ainda não o fez, mas fará. Aguardem.

O deputado Jurandy Oliveira está cuidando dos seus. O deputado Jurandy Oliveira está chegando a 10 mandatos de deputado estadual, são quase 40 anos na Assembléia do Estado. O deputado Jurandy Oliveira é muito poderoso, forte e merecedor de uma votação expressiva no município de Ipirá, pena que o deputado não tem ido além da indicação de cargos para o nosso município. O deputado não luta e não consegue asfalto para a cidade; uma faculdade para Ipirá; uma UTI para o hospital; uma SAMU; uma escola técnica para a juventude; uma fábrica para gerar emprego; coisas desse quilate. Ipirá agradeceria.

Às vezes eu fico pensando: “Será que o que o deputado Jurandy Oliveira conseguiu para Ipirá nestes quase quarenta anos preenche meia folha de papel de ofício?” Mas, logo em seguida, eu defendo o deputado: “Deputado não tem poder de execução, deputado é legislador”.

Nesta contextualização, eu chego a uma conclusão simples: “Um deputado só não faz verão”. Não por menos, eu penso que o grande equívoco do ex-prefeito Ademildo na questão da universidade para Ipirá foi jogar todas as fichas no deputado Afonso, ao invés de buscar formatar uma espécie de lobby com uns dez deputados federais no empenho dessa luta. A universidade não veio e se tivesse vindo, não tenho dúvidas, o deputado Jurandy Oliveira ia querer indicar do reitor aos faxineiros e, assim, fecharia todas as janelas.

domingo, 6 de dezembro de 2015

ACUNHA!

A Praça da Bandeira está infestada de mosquitos, o tal do Aedes aegypti. Digo, afirmo e provo. Estava eu, assistindo à sessão do Conselho de Ética pela televisão, é claro, numa boa, de bermuda e sem camisa; o calor era intenso, lá e cá. Na Comissão reclamavam do calor e o advogado reclamava da admissibilidade contra Cunha dizendo: “Eduardo não mentiu. Ele disse que não tem conta no exterior, ele disse que todas as suas contas estão registradas na declaração do Imposto de Renda. Qual a mentira que tem nisso?” Eu estava ligado na televisão.

“Não tem lei que obrigue qualquer brasileiro a declarar conta no exterior, se não é exigido por lei não é obrigatório. Onde é que está a mentira?” indagava o advogado. Eu observava a televisão e vi que um mosquito desceu em vôo livre e sentou no calombo do meu joelho. Eu desviei o olhar para ele e ele olhou para mim. Notei que aquele mosquito era transmissor do vírus chicungunia. Ele balançou a cabeça negativamente e lascou a picada. Dei-lhe um tabefe e senti dores e mais dores nas juntas e no braço esquerdo.

“Não, não, ele não tem conta do exterior, é tudo em nome da mulher dele, da filha dele, é trust (ou qualquer outro troço com esse nome), não é dele, ele só, somente só, é beneficiário, mas não é dele. Onde é que está a mentira? Indagava o advogado pela televisão. Outro mosquito desceu da televisão e aterrissou na batata da minha perna, era forte e musculoso, olhou para minha cara, sorriu maliciosamente, levantei a mão para dar um tabefe, ouvi: “sob tortura não vale”.

Na televisão, o advogado de Cunha argüia que a delação premiada sob tortura não podia ser levada em consideração. Pensei: ”Estão obtendo delação sob tortura?” O mosquito olhou para mim com aquela carinha descarada e eu percebi que ele dizia que “sob tortura não vale!” Eu coloquei o dedo em riste na sua cara e falei: “Que mentira mais deslavada!” e o mosquito inclinou a cabeça como querendo dizer: “Cadê a ética?” Senti que tinha que ser ligeiro e antecipei o tapaço, dei e matei o bicho, não nego, mas antes disso senti a alfinetada. Meu cérebro comprimia-se e diminuía, era a microcefalia.

Meio tonto, observei que estava sendo dominado por uma amnésia, que me levou a mudar de canal na televisão e parei num campo de futebol que ficava na rota do lamaçal de Mariana. Era um jogo misturado. O bandeirinha É Cunha, que escorregou e ficou todo sujo, mais sujo do que pau-de-galinheiro e, lá pelas tantas, não é que esse bandeirinha marcou um impeachment. Não entendestes? Marcou um impedimento. Não deu para entender? Marcou uma banheira. Tá dito.

Cinco mosquitos saltaram da televisão e deu para sacar que o que sentou na minha barriga transmitia dengue; o da coxa propagava chicungunya; o do dedão do pé era condutor do zica; o da perna era transmissor de microcefalia e o do braço era tirado a bacana e  transmitia Guillain-Barré. Observei claramente que Ipirá estava sendo dominada pela mosquitaria.

A banheira foi marcada por causa do nariz ou do dedão do pé da centro-avante Dilma, que fez um gol de bicicleta. Foi ou não foi banheira? O crivo é do bandeirinha É Cunha. É pessoal. Pode ser reflexo do ódio ou da cafajestagem. Se tivesse sido, comprovadamente, banheira de corpo inteiro com intenção de gatunear e o bandeirinha É Cunha não quisesse marcar, não marcaria, engavetava. Se a centro-avante Dilma soltasse “um por fora” para esse bandeirinha É Cunha, conhecido pela torcida pelo vulgo pombo-sujo, ele fecharia o par de olhos.

E aí a torcida tem razão porque sabe que esse bandeirinha É Cunha é um desses trampolineiros de marca maior e um chantagista cara-de-pau com pose de homem probo. Em campo, o goleiro P reclamou; também o zagueiro M não deixou por menos; o beque D esbravejou e o meio-campista B não deixou de graça. Vê lá se tem quem suporte essa falta de democracia em campo? É muito poder de decisão na vontade de um só pregoeiro! O jogo vai ser jogado com bicuda na canela, com o acinte das torcidas organizadas, mas golpe do sujo não passará.

Minha situação era vaxaminosa. Dominado e sob a batuta de cinco mosquitos. Sofrendo de dores na junta deixada pelo chicungunia e em processo de microcefalia, ainda resta pensar que para cada cinco mosquitos em 1m quadrado, existe um comando de um exército de 50 mosquitos combatentes que atacam uma casa; para uma ala de 500 mosquitos-bombas fuzileiros que partem para cima de um quarteirão; uma divisão de 5000 mosquitos que atuam como camicases atacando uma rua; não deixando de pensar em 50000 mosquitos que praticam atos terroristas nas praças; sem deixar de verificar que tem 500000 mosquitos de prontidão para atacar com mísseis um bairro; nunca esquecendo que 5000000 mosquitos estão invadindo Ipirá, uma cidade que tem que ter reservatório de água nas casas por necessidade premente, por questão de vida ou morte.

E eu! Com meu pensamento embotado, querendo saber: ONDE É QUE NESTA CIDADE DE IPIRÁ VENDE UMA DESGRAÇA DE UM VENENO PARA EXTERMINAR MOSQUITOS. E eu, com este pensamento pouco perceptível, fico indagando coisa sem coisa: hoje em dia, o pai não pode tocar a mão no seu de menor e a polícia de São Paulo dá cacetetada, joga bomba de gás lacrimogêneo e prende o de menor das escolas, pode ou não pode? Eu sei que um mosquito acaba com uma pessoa, mas será que um rebanho de mosquito pode acabar com uma cidade? Será que um verme psicopata, cínico e sem ética pode abalar uma nação?

Enquanto eu pensava desordenadamente, os cinco mosquitos começaram a cantar uma musiquinha: “Rará, rurú, o Ipirá é nosso”. E um deles bradou: “Tudo isso que você leu acima é mentira, a Praça da Bandeira não existe, vamos prá cima meu povo, vamos acunhar esse sujeito!” O outro afirmava: “Vamos que vamos, vamos acunhar essa cidade de Ipirá!” E eu pensando: “Quanto tempo dura uma amnésia de um povo?”

domingo, 29 de novembro de 2015

TROCADILHOS OU CONTRADITOS, QUAL É MESMO?

Não falta mais um ano. Um alívio. Outubro 2016. Eleições Municipais. Faltam apenas onze meses. Um aperto. Aperto para quem deu a partida. Não adianta ter a dianteira agora, neste momento, a disputa é longa, palmo a palmo. Tudo indica que, se não destoar o andar da carruagem, teremos uma das mais baixas contendas nestas plagas. Aguardem e veremos. Ipirá perderá mais uma vez. Para eles, pouco importa.

Desemprego em crescente. Crise econômica afinando as cordas. Crise política no miolo do pão. Senador petista preso. PT retira solidariedade. Em Ipirá, ninguém quer o PT para a vice. A estrela incandescente afundou-se em Ipirá. Serviu de sabonete-de-macaco. Por culpa própria e dos outros. Os outros forçaram a barra; a culpa própria engoliu-a. O PT de Ipirá não sabe se vai ou se fica, tem que ficar. Hoje, atrapalha o prefeito Aníbal, que é prefeito, mas tem que tolerar o PT e ainda não assumiu o prefeito que é. Sempre esperando o que não é ou nunca foi. Era um ninho de macaco, com ninhada de macaco.

A aristocracia familiar já tem pré-estabelecido, sem novidades. Com pena de lá sofrência del pueblo destas bandas envia-nos el salvador de lá pátria, de lá família e da lá propriedade. É lá tradicione. O governador Rui já despachou a ordem de serviço: “Ipirá é questão de honra, é a mais importante PM da Bacia do Jacuipe.” Nessa hora é estratégica. Água dura sem bacia. A fervura que faltava na bacia. Promessa e promessas. A turma da comilança quer ver bambá.

A pequena-burguesia lançou seu pré-determinado, com novidades del astro. Catiripapo e gengibre descendo garganta abaixo para amaciar, sempre pelo amor a esta terra. Minhoca gosta mais da terra. O avalista é o senador Otto. Aval mais forte é o de Diomário. Mais que demais. Esse é o que não bate na porta da governadoria e não fica do lado de fora engolindo o que não deve. Entra, tem média, toma cafezinho e decide. Se Diomário não meter a mão na massa, não sai pão. Vai ficar nesse chora bebê.

Aristocracia e a pequena-burguesia se esgoelando. O peão de mão calejada cuspindo brasa encabulado. O operário do fabrico perdido num saracoteado embrulhador. O caminho do paraíso nunca teve tanta cruz. Desgraça alheia é pequeno café, porque café pequeno é não ter uma cruz no fim da estrada. A classe operária é classe social, expoente da construção da sociedade, mesmo que não se ache como tal. Proletários, uni-vos. É muito forte. É mais que os demais. É ver além do além.

O grupismo vive seu momento crítico por si só, porque é um mecanismo devastador e solapador de recursos. O líder na frente e o impostor atrás. O líder levando e o impostor confabulando. Custa caro ser líder. Custa grana viva. Assistencialismo e clientelismo de mãos dadas. O sistema é bruto. Engole os de dentro e come os de fora. O preço da campanha tem cara de conta de borrachudo. Voto comprado. Ninharia por voto. De ninharia em ninharia, chegamos ao mensalão, petrolão, quebrou o Brasil. De ninharia em ninharia, chegamos a sofência, a astro, a chora bebê. Quebra! O quê? Ipirá.

Não tem quem agüente esse esquema. O monstro vai engolir o mantenedor. As bandas podres usufruem. Atenção, aristocracia e pequena-burguesia, quem avisa, inimigo não é. Ipirá quer solução e não confusão.

domingo, 15 de novembro de 2015

É DE ROSCA (16).


É DE ROSCA. (16)
Estilo: ficção
Modelo: mexicano
Natureza: novelinha
Fase: Não sei se vale a pena ver de novo
Capítulo: 16 (mês de setembro 2015)(atraso de 2 meses) (um por mês)

O ex-prefeito Dió assobiava alegremente, ao tempo que ia em direção ao Centro Administrativo do Município, mais conhecido como prefeitura, quando, observou e viu, com os olhos que a terra haverá de comer, em plena estrada de feijão, uma Hilux da PF e uma S-10 do MP.

Êta, que o dia já prestou! Virou sexta-feira 13 do PT, dói até na cabeça do dedão do pé. O ex-prefeito Dió correu, acelerou e emburacou no túnel da prefeitura e, esbaforido, agoniado, apressado, sentou-se na primeira cadeira que encontrou, suava feito cuscuz quente na manteiga, começou a falar:

- Óóó...cicici...pepepe...

- Êta, que o ex-prefeito Dió tá de gagueira! Chama o prefeito Bal para socorrer o homem; vai ligeiro, que não se pode perder tempo.

O prefeito Bal levou o ex-prefeito Dió a um médico, especialista neste tipo de problema, que ao observar cuidadosamente a aparência de medo e pânico em que estava o ex-prefeito, indagou o seu nome.

- Óóó...cicici...pepepe...

O médico botou a mão na cabeça e exclamou:
- Vixe, que esse troço é sério! Isso é encrenca das brabas, daquelas que não tem jeito, nem rejeito. Isso aí se trata do Transtorno Neuro-linguístico provocado pelo estado psíquico esquizofrênico desintegrador de todo dorso parental esquerdo em face da psicose endógena cujo sintoma fundamental aponta a existência de uma sintomatologia variada, com delírios persecutórios de grande potencialidade, principalmente a sensação de carência do lenitivo vitamínico PT. Aqui é caso perdido, não tem retorno, no máximo, pode-se impedir o avanço devastador. O único remédio existente só tem nos Estados Unidos e custa 15 milhões de reais a caixa e não tem nenhuma garantia de que vai dar certo.

O ex-prefeito Dió fez um negativo com a cabeça e com o dedo. O prefeito Bal pensou sem externar o que pensou: “será que esse sujeito quer ser candidato e tem quinze milhões para gastar?” De volta, o prefeito Bal pensou internamente: “Esse ex-prefeito é o melhor pensador e orador do nosso grupo. Só tem um jeito de botar esse ex-prefeito Dió para falar: é ligar para o Conexão que anda fazendo milagres.”

- Alô, quem fala?

- Óóó...cicici...pepepe...

- Alô, aqui é MB! Você fala de onde?

- Óóó...cicici...pepepe...

- Caiu a linha! Você entendeu AJ? Parecia o Una.

- Não, MB! Esse vozeirão não é de Una. Eu não entendi o que ele queria, mas eu acho que ele queria um fonoaudiólogo.

- É verdade, AJ! Alô, seu Óócicipepe! Passe aqui na rádio que já está agendada uma consulta com o fonoaudiólogo para você. Aqui é o Conexão, aqui o povo fala.

Aquela gagueira do grande líder estava preocupando o prefeito Bal, que pensava no vexame do seu grupo ficar sem discurso no pleito de 2016. Saiu pelas ruas da cidade e dos povoados, mostrando as realizações e nada era nada. A gagueira não queria ir embora. O prefeito Bal rumou para o Matadouro de Ipirá, entrou na majestosa obra, olhou para todos os lados, arregalou os olhos, e disse:

- Não conte para ninguém o que eu vou dizer agora, essa obra aqui vai fazer 25 anos de construção e até agora nada de conclusão, não se matou um bengo nesse elefante branco e eu vou deixar bem claro agora, vou terminar essa obra e vai ter abate de boi e carneiro nessa geringonça de vocês.

- Óóó...cicici... se pepepe... pelo visto você fizer uma coisa desta, você estará sendo excomungado, porque eu agora só vou falar a verdade e aqui, neste matadouro, estaremos implantando a universidade do ex-prefeito Déo; a fábrica de carro elétrico; a cobertura da feira livre, com os refletores do estádio; a Samu, com UTI; uma escola de SENAI, e tan... tan... tan... tan... tanta coi... coi... coi... coisas mais, que eu vou precisar de 2016 para dizer tudo.

Suspense: e agora, o bicho pega? esse matadouro vai ou não vai? Êta novelinha complicada e chata. Tem gente que já cansou dessa novelinha. Fica aquela coisa repetitiva. Eu não agüento mais escrever esse troço. Será que o prefeito Bal não vai ficar com a gagueira do ex?

O término dessa novelinha acontecerá no dia que acontecer a inauguração desse Matadouro de Ipirá. Inaugurou! Acabou, imediatamente.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência. Eles brincam com o povo e o povo brinca com eles.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

GRANDES EVENTOS, PEQUENAS SOLUÇÕES (4).


O que é que pode ser feito por Ipirá? Muita coisa ou quase nada; isso será uma decorrência do pensar e da ação. O debate essencial, mais importante e necessário sobre o município de Ipirá continua sendo sobre a economia do município.

O debate de opiniões que abordem desenvolvimento autossustentável ou dependência; importar de tudo ou tocar a produção; a questão da vocação econômica desaguando na geração de emprego e renda. Gerar riqueza como? Quem vai produzir e o quê? Esse é o verdadeiro debate e, acredito, tem muita gente que pode contribuir, embora não o faça.

Evidente que a temática desse artigo trata da capilaridade econômica desse município. Desejar que Ipirá seja um pólo disso ou daquilo nas atuais circunstâncias que nos encontramos é querer atingir as nuvens subindo num monte de areia. A realidade é impositiva e determinante.

Ipirá é um município localizado no semi-árido que padece de condições de autossustentabilidade para suportar à contento as agruras advindas das dificuldades que se impõem com a estiagem. Esse é um problema chave e agudo. Enquanto não for equacionado o problema da economia rural com a problemática da produção, Ipirá estará entalado com uma espinha na garganta.

As vertentes do pensamento são postas, principalmente na linha de que a festa-espetáculo, bancada com dinheiro público, poderá ser o caminho mobilizador da economia local, de forma a suprir a enorme contingência local do subemprego em suas necessidades e no atendimento às demandas do setor serviços, com eventualidades econômicas. Tenho minhas dúvidas sobre isso.

Tirar Ipirá do buraco imprime uma linha de pensamento que tenta atingir o céu com uma inusitada vocação turística, onde a Caboronga e o Monte Alto seria o ponto de atração. É impossível fazer as coisas sem um projeto definido e profundo. Paulo Afonso foi citada e, não resta dúvida, possue força de atração. A Chapada é um pólo turístico atrativo comprovado. Alunos saem de Ipirá para visitar aquela região. A Caboronga em sua decomposição e falta de trato não acode a esse anseio, nem que se gastem os recursos financeiros de um ano da prefeitura em propaganda.

Eu fico imaginando: o poder público bancando um grande evento de micareta ( 350 mil reais para CcB/IS/AdF, para tocarem duas horas cada um), mais infraestrutura e lá se vão mais de 1 milha e meia, de uma prefeitura falida, para fora do município. A praça vai ficar com lotação completa (cabe 10, 12 mil pessoas), tenho minhas dúvidas se conseguirá atrair 20% de fora do município. O setor de serviços (bares e hotéis) e o sub-emprego (barraqueiros e ambulantes) ganharão uma renda-temporão. É assim que Ipirá vai sair do buraco? Quem banca as micaretas em outras cidades é o folião-brincante em seus blocos. Poder público nenhum agüenta essa sangria.

Eu mantenho a crítica e tenho propostas nesse sentido. O rádio e o blog são boas ferramentas para esse confronto de idéias. O maior obstáculo para o incremento de idéias em busca de uma solução diante de uma realidade gritante é o sistema da politicagem local, o famigerado jacu/macaco, que fica ruminando alegremente a obscuridade de um corpo de idéias que rasteja e só vislumbra um tal ‘astro’, uma tal ‘sofrência’ e um imponderável ‘quebra’. Nessa forma de expor o pensar, essa turma vai quebrar Ipirá.

sábado, 31 de outubro de 2015

É DE ROSCA 15.

Estilo: ficção
Modelo: mexicano
Natureza: novelinha
Fase: Não sei se vale a pena ver de novo
Capítulo: 15 (mês de agosto 2015)(atraso de 2 meses) (um por mês)

O prefeito Bal, ainda sentado na cadeira de prefeito, deu por falta de um motor de carro e começou a procurá-lo no pátio da prefeitura. Nada. Esmiuçou o centro e os bairros da cidade. Nada. Ai aconteceu aquele estalo e ele pensou rápido e maliciosamente: “vou procurá-lo no matadouro.” E assim o fez.

Chegou às dependências do matadouro no maior silêncio e com muita precaução. Andava em marcha lenta e atento. Algo chamou-lhe atenção e o pensamento funcionou de imediato, indagando a si próprio: “que sombra é aquela ali na moita?” Saiu de mansinho, nas pontas dos pés, quando chegou próximo, adiantou os passos e jogou-se contra a figura que estava na moita e ouviu:

- Uai, uai! Me solta homem, me solta que eu sou o deputado Jura!

- Oxente, deputado Jura! O que é que a excelência está fazendo aqui na moita com esse pacote do jornal Tribuna da Bahia. V. Excelência tá vendendo a Tribuna da Bahia? – indagou o prefeito Bal.

- Não, meu prefeito Bal! Eu estou aqui no matadouro é plantando – explicou o deputado Jura.

- Não é possível, deputado! V. Excelência plantando notícia no jornal Tribuna da Bahia?

- Não, meu prefeito Bal! Na Tribuna quem planta notícia é jornalista, eu não tenho nada com isso. Eu estou plantando é um pé de umbuzeiro doce aqui no matadouro, pois é uma forma de recuperar a natureza da caatinga que está bastante castigada em nossa região e eu não vou deixar isso aqui virar deserto.

- Oxente, deputado Jura! Isso aí é um pé de pinha, homem! Aí ninguém vai acreditar que V. Excelência está reflorestando a caatinga com umbuzeiro. Vou dá um conselho a V. Excelência, não plante essa candidatura sua porque a terra tá esturricada e não vai dá fruto.

Quando o deputado Jura ia dá sua resposta categórica, ouviu-se um zuumm a 300 por hora. O deputado gritou:

- O que é isso?

- É o carro da prefeitura que anda sem motor e só anda a 600 p/ hora – respondeu o prefeito Bal, que completou – eu estou procurando o motor para frear esse carro.

Os dois personagens ipiraenses observaram uma movimentação numa moita maior, correram em sua direção e se jogaram em cima do vulto, um segurou-o pelo pescoço e o outro pelas pernas. O vulto abriu o berreiro:

- Ui, ui, ui, uiiiiiii, eu sou o 22.

- Mas, o que é que tu tá fazendo na moita, ex-prefeito Dió? – indagou o prefeito Bal.

- Esse elemento na moita não é novidade. Esse sujeito tá querendo ser candidato ! – sentenciou o deputado Jura.

Em volta da moita, naquele caminho de terra que sai no fundo do matadouro para chegar ao asfalto, perto dos tanques, estava tomado de bozó, era garrafa, cálice com sangue e outros objetos que completavam o serviço. Indagado sobre o que estava fazendo naquele matadouro, no meio daquele bozó, o ex-prefeito Dió começou a explicar sua preocupação.

- Eu estou aqui tem mais de um mês. Não saio daqui por nada nesse mundo. Eu estou evitando que aconteça uma grande desgraça nessa nossa terra. Aqui, em Ipirá só se faz obra espetacular e souberam lá no exterior que aqui tem um matadouro de primeiro mundo e não é que um navio libanês está sendo carregado no Pará com cinco mil bois para serem abatidos aqui nesse matadouro.

- Aqui, no matadouro de Ipirá! Não me avisaram nada – disse o prefeito Bal.

- Vem com certeza, vai sair do Pará em direção ao rio Jacuípe, vão entrar no rio do Peixe, pegarão um riacho e vão descarregar a boiada de cinco mil bois na Jitirana de Zabelê. Eu contratei um pai de santo e fiz essa encomenda aqui porque essa boiada não pode chegar nesse matadouro.

- O ex-prefeito Dió não tem assistido televisão, não? – indagou o deputado Jura.

- Não, eu estou mocado nessa moita aqui tem quase dois meses e não saio daqui para nada, não ouço rádio, não assisto televisão, não leio jornal, eu estou preocupado é em salvar Ipirá. Pense que desfeita para Ipirá é inaugurar esse matadouro com boi vindo do Pará, isso significa uma humilhação sem precedentes – disse o ex-prefeito Dió.

- Esse navio carregando cinco mil bois naufragou no Pará – falou o deputado Jura, que resolveu dizer a verdade e chamou o prefeito Bal em particular e, saindo um pouco do ex-prefeito, disse-lhe ao pé do ouvido:

- O que eu vou lhe dizer não fale com ninguém. Eu não viajo de navio nem pago, muito menos de avião e carro nem pensar, só vou viajar de ônibus. Veja que sujeito perigoso, esse ex-prefeito Dió! O bozó desse elemento derruba até santo sentado no trono lá no céu! Retiro minha candidatura agora mesmo, não sei se a DiDudy vai agüentar.

Nesse momento, passou o carro sem motor da prefeitura botando prá lá, com 300 p/h. Zummmmm ... O prefeito Bal, deu um pinote e saiu atrás do carro. O deputado Jura pegou o pacote de jornal e correu atrás do prefeito Bal. O ex-prefeito Dió não perdeu tempo e comentou: “veja a preocupação desses dois: um motor de carro. Eu não! Eu estou preocupado com o matadouro, é que esse matadouro de Ipirá não abata nenhuma cabeça de boi. Eu já vi que para isso não acontecer eu tenho que ser prefeito. Eu não quero não, mas do jeito como está acontecendo determinadas coisas eu acho que não tem outro jeito não!”

Suspense: e agora, esse matadouro vai ou não vai? Êta novelinha complicada e chata. Tem gente que já cansou dessa novelinha. Fica aquela coisa repetitiva. Eu não agüento mais escrever esse troço. Será que o prefeito Bal não vai ter o direito de continuar grudado na cadeira?

O término dessa novelinha acontecerá no dia que acontecer a inauguração desse Matadouro de Ipirá. Inaugurou! Acabou, imediatamente.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência. Eles brincam com o povo e o povo brinca com eles.

domingo, 25 de outubro de 2015

GRANDES EVENTOS, PEQUENAS SOLUÇÕES (3).


‘Ói nóis na área Marcelão, se derrubá é penalte!’ Vamos começar com um ponto de vista que chega a ser notório e consenso: a festa do interior é o São João. É o acontecimento maior e quando acontece uma arribação de gente da capital para o interior.

Os festejos juninos fazem com que haja uma migração massiva para o interior e as cidades interioranas que fizerem uma programação atrativa são invadidas, mas não vou focar no São João nesta postagem, o farei em outros artigos, em breve.

A pauta desta postagem é a abordagem de uma festa popular, o carnaval, e um festejo genérico, a micareta. No século passado, que não se distancia duas décadas ainda; duas festas populares, uma profana e outra misturada com a religiosidade, faziam a animação, a alegria e a festividade da população de Ipirá: o São João e o carnaval, ambos realizado no formato tradicional.

O carnaval em Ipirá era simples, mas participativo e era um bom carnaval na região. Realizado com batucadas, cordões, bandinhas de músicos, pequenos blocos de mascarados que saiam de casa em casa para tomar mé, as cantigas da moda e da dança eram as marchinhas, sendo que o ápice era o grande baile à noite. Tudo isso realizado a custo acessível a qualquer pessoa e ao poder público. O clima era de carnaval e a tônica era a alegria e a confraternização entre as pessoas. Era um festejo popular feito pelas pessoas por livre e espontânea vontade, com a participação das famílias, onde prevalecia a solidariedade, a interação, a espontaneidade e o congraçamento humano. Virou coisa do passado.

Quem jogou a pá de terra foi a jacuzada. Acabou o carnaval e veio a micareta. Venhamos e convenhamos, é necessário que se analise os acontecimentos. Neste período, era a fase inicial da incrementação do carnaval de Salvador em um enquadramento capitalista para que o espaço urbano fosse privatizado pela indústria de entretenimento e os investidores auferissem lucros estratosféricos. Assim foi feito.
 
O tripé (mídia; empresários de trios, blocos, camarotes e cervejaria; com o apoio do poder público) montou a estrutura de uma festa gigantesca, que aglomera mais de dois milhões de pessoas, num espaço que vai do Pelourinho à Ondina, e que vomita lucro em todo seu percurso e esta grande massificação humana perdeu a ingenuidade e a alegria natural, transformando-se numa aventura que pode ter o sabor de doce veneno para a alegria ou tristeza. Esse tsunami carnavalesco nesta fase de implantação e consolidação varreu e acabou todo o carnaval do interior.

Coube a jacuzada jogar a pá de terra no carnaval de Ipirá. O trio elétrico da capital era a bola da vez no espaço público. Fizeram a micareta, um carnaval fora de época. Morreu na terceira tentativa. Ipirá ficou sem micareta e sem carnaval. Botar trio na rua não é e nunca foi micareta. Micareta é clima.

Outro fator saliente nesta produção articulada em busca do lucro foi a transformação de cantores de trio em estrelas com um custo superfaturado, o que inviabiliza eventos grandiosos com superstar do axé para que o poder público banque sozinho essa dinheirama com um orçamento municipal apertado e comprometido com outras questões sociais necessárias e prioritárias.

As grandes micaretas são bancadas por foliões que pagam o bloco, que contrata a estrela a peso de ouro. Alagoinhas que tem uma micareta tradicional não teve condições de realizá-la este ano, devido ao custo elevado. Feira de Santana cambaleia nesta questão. Carnaval é feriado nacional, micareta não, isso faz com que se reduza drasticamente o turismo. E o poder público de Feira não tem condições e por que bancar sozinho um grande evento? Isso já demonstra muita coisa.

Na minha opinião, Ipirá tem mais campo para um carnaval do que para uma micareta, desde que, seja bem planejado, bem organizado e com uma ótima divulgação. O grandioso e gigantesco carnaval de Salvador não está conseguindo atropelar o carnaval de mascarados de Maragogipe que, com três meses antes, não deixa uma diária hoteleira disponível. São os espaços e oportunidades se oferecendo.

Marcelo Brandão, uma coisa é certa! Pelo menos nós dois temos a coragem de colocar nossas opiniões e propostas a respeito de Ipirá. Seria ótimo que outras pessoas assim o fizessem. De forma aberta, democraticamente, para o engrandecimento de Ipirá. E, também, aproveito a oportunidade para colocar esse blog como um espaço de exercício democrático à sua valiosa e importante participação, bastando para tal, um clique em comentários e a digitação de suas brilhantes opiniões. Uma Ipirá desenvolvida será fruto do debate livre, respeitoso e democrático e não da mudez conveniente.

domingo, 18 de outubro de 2015

"Incarca, Ipirá!"

 
Discussão política em Ipirá é travada no interesse público, privado, particular, pessoal, familiar, coletivo, grupal e ‘us cambal’: em qualquer esquina, rua, praça, botecos, bares, mentes e corações, a coisa se desenrola ladeira abaixo e acima.

Vamos começar pelos brilhantes analistas políticos que na atualidade e por ‘décadas e décadas’ passadas, ainda viventes e os que já passaram para a história, contribuíram e contribuem de forma significante para a consagração desse formato imprescindível de pensamento político: “EB tá com a gente!”, “o ‘vereador tal’ pulou para o nosso lado!”, “Fulano passou prá cá!”, “Beltrano pulou pra lá!”, “cicrano vai votá no nosso grupo!”; “a família de RR está com a gente e é uma família grande”, ”administração boa é da jacuzada”, ”administração ótima é da macacada”. E assim, Ipirá agradece pela grandiosa contribuição.

Como foi no passado, ainda hoje, ficam moendo e remoendo essas idéias profundas, analíticas, alvissareiras para a população. “Fulano passou pra o nosso grupo.” Não se desvinculam dessa esfera e especificação de pensamento. O que seria de Ipirá sem essa discussão tão necessária e pertinente?

Não podemos deixar de lado, enérgicos editorialistas da imprensa radialista que buscam a formatação de um corpo de idéias que desponta dos reclames populares em busca de reparos simples, essenciais e, talvez até, imprescindíveis à vida cotidiana: “tem um buraco aqui na rua tal que engole um menino”, “o lameiro aqui no bairro tá no meio da canela”, “a estrada do povoado tá pistiada de costela de vaca”, “no hospital não tem esparadrapo!”, “o ônibus escolar da linha tal carrega os estudantes em pé!”, “o esgoto ta correndo no meio da rua”. Desse jeito, Ipirá só tem a agradecer pela grande contribuição.

Como foi em passado recente, desde que surgiu o rádio neste município, essas idéias ficam em constante e permanente ebulição, sem querer sair da pauta cotidiana, sem se desgarrar da realidade viva, concreta, palpável do dia-a-dia, porque são rigorosamente negligenciadas. “A estrada do povoado tá pistiada de costela de vaca.” Ultimamente, essas reclamações pelas ondas radiofônicas se transformam em clamor popular como um meio de acelerar o êxito do atendimento dessas demandas, até mesmo, em configuração programática, para registro em papel.   O que seria de Ipirá sem essa discussão tão necessária e pertinente?

Não podemos deixar no esquecimento, enérgicos editorialistas da mídia virtual ‘bloguista’ que buscam elencar uma série de questões que impactam com a realidade estabelecida, que não quer deixar de ser uma realidade gritante e famigerada: “o desenvolvimento não está na mão estendida e pedinte”, “a saúde está estropiada”, “a educação carece de qualidade”, “a produtividade míngua na terra apilada”, “a produção econômica está mirrada”, “a sociedade esgota-se no assistencialismo viciante”, “a questão do trabalho e renda é a prioridade de ontem”. Ipirá tem a agradecer por esta tentativa de discussão.

Em passado recente, a ferramenta da NET veio apressar e acelerar em padrões inimagináveis essas informações para um debate mais veloz, pena não ser caudatário de um programa de metas com intuito de varrição. “A questão do trabalho e renda é a prioridade de ontem”. O que seria de Ipirá sem uma discussão que faça desdém da superficialidade.

Ipirá agradece! Qualquer néscio pode dizer: que o que escrevo está longe de um sentido verdadeiro. Não me aborreço com isso, muito pelo contrário, isso me aquece para o ato de escrever e, até prevejo que, em 2016, poderemos ter extrapolação de discussões efêmeras, com uma carga de debates no mais baixo nível, manchados por um ódio recíproco, com acalorada troca de farpas (jacu x macaco), com muito disse-me-disse, com debates menores e desvio de foco, alçando Ipirá... Para onde? Quem serão os beneficiados?

A baixaria em nada beneficiará o município, só servirá para atender aos interesses escusos dos escroques que estão imiscuídos na politicagem de Ipirá. Quando será superado este vazio agonizante? Será que Ipirá não está incomodada com essa sensação de orfandade e abandono completo? Não é necessário que cheguemos a uma penosa constatação de que o pior ainda está por vir, embora digam que gostam de Ipirá!

sábado, 10 de outubro de 2015

É DE ROSCA. (14)


É DE ROSCA. (14)
Estilo: ficção
Modelo: mexicano
Natureza: novelinha
Fase: Não sei se vale a pena ver de novo
Capítulo: 14 (mês de julho 2015)(atraso de 2 meses) (um por mês)

Tudo fazia crer que haveria a morte de um boi no Matadouro de Ipirá. O ex-prefeito Dió resolveu agir imediatamente e falou energicamente:

- Não, não vai não! – e continuou falando – ô sujeito que escreve o blog! Pare a filmagem dessa novelinha esculhambada agora mesmo, neste exato momento, com esse boi caindo lá de cima, enquanto eu vou providenciar uma rede do Corpo de Bombeiros para aparar esse boi e não acontecer o abate de nenhum bovino nesse lugar sagrado.

Parou a filmagem: o guindaste fabricado pela firma holandesa Mammoet Bliebhen, com duas letras enormes MB, mordendo dois dedos do macaco, que esperneava barbaridade e um boi caindo, parado no ar, na metade do caminho da descida. Enquanto o ex-prefeito Dió foi a Feira de Santana e, duas horas depois, retornou com uma rede, abrindo-a para amparar a queda do boi. O ex-prefeito Dió foi dizendo:

- Sujeito que escreve a novelinha do blog pode continuar a filmagem.

- Pronto, la vou eu, ex-prefeito Dió! – escreveu o sujeito que escreve o blog.

O boi voltou a cair e havia uma rede esticada para salvá-lo. O macaco preso nos dentes do guindaste, com duas letras MB, esperneava cada vez mais desesperado, até que conseguiu se soltar da dentada e desceu em queda-livre; ao passar pela altura da cintura do guindaste com duas letras MB, o macaco enfiou o dedo e um observador da platéia não perdeu o detalhe e comentou:

- Êta qui o macaco infiou o dedo no furico do guindaste da firma Mam...,eu não sei dizer esse nome não; eu falo é como sei, êta qui o macaco infiou o dedo no furico do guindaste MB.

Ao receber a dedada do macaco, o guindaste fabricado pela Mammoet Bliedhen, com duas letras enormes MB, perdeu o rebolado, se desconjuntou todo, foi desmanchando-se e desabando lá de cima. Agora a situação era a seguinte: ia caindo um boi, logo atrás, um macaco e, por último, um guindaste MB. O ex-prefeito Dió foi direcionando a coisa:

- Salvem o boi e deixem espatifar no chão, o macaco e esse guindaste MB todo torto e espedaçado por cima que o IBAMA não vai criar nenhum problema por causa desses dois.

Aí o prefeito Bal fez uma observação:

- Vamos aproveitar essa carne de macaco e inaugurar esse Matadouro de Ipirá.

- Com carne de macaco? Que mau gosto é esse, prefeito Bal! Tem doze anos que a população só come essa carne rançosa de macaco, você acha que o povo daqui vai ficar o tempo todo só engolindo macaco? Um dia esse bicho vai enjoar – disse o ex-prefeito Dió.

- E o guindaste MB, a gente vai mandar para o ferro-velho? – indagou o prefeito Bal.

- Esse você pode deixar comigo! – Disse o ex-prefeito Dió, que pegou o celular e telefonou para o seu amigo governador De Costa e disse retado da vida:

- Meu amigo, governador De Costa! Para Ipirá, V. Exa. só manda porcaria, leve seu guindaste MB de volta, que isso não serve para tirar prefeito colado na cadeira.

Aí, o governador De Costa, assustado com aquelas palavras contundentes do seu grande liderado, retrucou de forma mansa e cautelosa para não colocar mais pimenta no vatapá:

- Que é isso minha grande e maior liderança dessa terra aí. Meu querido, ex-prefeito Dió! Deixe de ingratidão homem de Deus, vocês aí ganharam uma universidade; um SAMU; uma UTI; 200 km de asfalto nas ruas da cidade; um saneamento urbano de 42 milhões que não vai sair por menos de 84 milhões; uma UPA em três funcionando plenamente; uma fábrica de carro elétrico que acabou o desemprego de vocês; um bocado de creche fechada; uma escola do SENAI; uma escola técnica do IF Baiano; a iluminação da entrada da cidade; três grandes barragens para os rios Paulista, Peixe e riachos; os refletores do estádio; um laticínio de leite; uma construtora de estrada com tanta patrol; uma companhia de polícia sem viatura; um matadouro do bom e do melhor; tanta Quadra Poliesportiva que o próximo craque da seleção vai ser daí; não esquecendo,  um aeroporto pedido na campanha. Vamos parar por aqui, é tanta obra que eu vou precisar de uns dez blogs para conseguir relatar tudo que eu fiz pela terra de vocês e ainda tem gente que reclama.

A ligação do celular caiu, (ainda bem, como era que eu ia escrever tanta obra). O prefeito Bal indagou:

- Onde é que tá tanta obra que eu não enxergo?

- É melhor não perguntar nada e deixar como está, sem inaugurar esse matadouro. Esse é o jeito fictício do PT administrar - disse o ex-prefeito Dió.

Suspense: e agora, esse matadouro vai ou não vai? E agora Ipirá? Será que agora o elefante branco vai ter serventia? Êta novelinha complicada. Será que o prefeito Bal não vai ter o direito de continuar grudado na cadeira?

O término dessa novelinha acontecerá no dia que acontecer a inauguração desse Matadouro de Ipirá. Inaugurou! Acabou, imediatamente.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência. Eles brincam com o povo e o povo brinca com eles.

domingo, 4 de outubro de 2015

GRANDES EVENTOS, PEQUENAS SOLUÇÕES (2)


Agora, é nóis, Marcelão! Pense numa mega exposição! A de Ipirá? “Oxente, home dessa ‘Luz só pode ser você’, qolé de Ipirá, queta com isso!”  Eu to relembrando a Bahia Farm Show 2015, que movimentou 1 bilhão de reais em volume de negócios, estiveram presentes 210 expositores de novidades tecnológicas, com as maiores empresas de máquinas, implementos, insumos, aviação e serviços. Foram vendidos 5 aviões e é considerada a maior feira de tecnologia agrícola de negócios do Norte/Nordeste do Brasil. O número de visitantes ficou em torno de 63 mil pessoas. Êta, Mimoso do Oeste ‘virada do nove novecentos’. Ipirá ainda é ‘zero novecentos’, pelo menos não tem calorias.

Vem mais exposição: essa tem mais de mil animais campeões e mais de três mil animais inscritos de várias partes do país, são os melhores exemplares da pecuária nacional. O número de visitantes fica em torno de 350 mil pessoas. “Êta, festa do bode que levanta a guia de Ipirá!” Segura a onda, gente fina! Isso aí é a Expozebu, em Uberaba, a maior feira de pecuária brasileira e terceira do mundo.

Coisa de peso em Ipirá é pintura de meio-fio, embora seja irrelevante. Eis a questão, Ipirá não tem condição de sonhar com esse tipo de exposição de mega negócio, nossa realidade é outra, completamente distinta. Ipirá tem mais de 6.800 propriedades rurais, sendo que, a grande maioria é pequena propriedade com característica de agricultura familiar e encravada no semi-árido. Nós sofremos e estamos numa indubitável baixa produtividade nesse sistema produtivo rural e isso é, sem dúvida, o gargalo que atravanca Ipirá em todos os sentidos.

Uma exposição luxuosa não atinge esse público real e não potencializa o município nos parâmetros necessários. Qualquer exposição festiva a nível regional, para termos dez mil visitantes, não é o calibre certo e na medida exata dentro do contexto da nossa realidade. É aquele negócio: “mas tinha gente!” Sim, e daí?

Uma festa anual não cheira e nem fede, pois a necessidade de Ipirá é semanal. A prioridade de Ipirá é essa feira de animais nos dias de quarta-feira, no Parque de Exposição, que por incrível que pareça, nem mesmo uma simples contagem de entrada e saída de animais para se ter uma noção clara de como está a movimentação, foi e é feita.

Tem mais! A situação de Ipirá é preocupante, porque é um problema estrutural, de organização da produção e viabilidade econômica. Não adianta pensar nas nuvens, temos que ter um projeto para implementar o desenvolvimento sustentável do município. Uma coisa eu não tenho dúvida. A política do grupismo (jacu/macaco) em Ipirá fracassou e está ultrapassada, é coisa de aproveitadores. Não é nada não! Luis Eduardo e Uberaba estão a mais de mil quilômetros na frente de Ipirá.

sábado, 26 de setembro de 2015

É DE ROSCA (13).


É DE ROSCA. (13)
Estilo: ficção
Modelo: mexicano
Natureza: novelinha
Fase: Não sei se vale a pena ver de novo
Capítulo: 13 (mês de junho 2015)(atraso de 3 meses) (um por mês)

Todo movimento nesta terra junta gente, principalmente quando tem um guindaste de 200 m de altura, fabricado pela Mammoet Bliebhen, com duas grandes letras MB, pendurando um boi numa altura de quase 190 m, atuando sobre o Matadouro de Ipirá. Poderá ser o primeiro boi a ser abatido na localidade.

O ex-prefeito Dió procurou desanuviar as vistas para enxergar melhor o que estava nas alturas e perguntou:

- O que é que aquele carneiro tá fazendo lá em cima?

- Aquilo lá em riba não é um carneiro, é um boi, ex-prefeito Dió! Num tá veno as quatro pata do bicho-boi ? – indagou explicando uma pessoa que estava no local.

- Eu tô dizendo isso porque eu só estou vendo duas patas, aí a gente fica na dúvida – explicou o ex-prefeito Dió.

- Duas pata qui eu sei, só tem o cão e Deus nus discunjure desse furtum vim pra essas banda – argumentou a pessoa no meio do povo.

Neste intervalo de tempo, o macaco que recebeu a ordem para subir no guindaste já estava prá lá dá metade e numa agilidade impressionante atingiu a parte mais alta do guindaste com as letras MB. Um observador da platéia não deixou de graça:

- O macaco vai furar os zolhos do guindaste da Mam... eu não sei falar esse nome não, eu sei é o seguinte: o macaco vai furar os zolhos de MB.

O macaco, cara a cara com o guindaste que carregava as letras MB, preparou os dois dedos, direcionou-os na medida exata e záas; o guindaste com as letras MB numa rapidez do raio da silibrina e zaap, suspendeu a cabeça e recebeu dois dedos na boca e meteu os dentes; o macaco gritou e esperneou:

- Ui, ui, ui, ui, ui, uiuiiiiiiiiiiiiiiiii...

Nessa esperneação desesperada e agoniada do macaco, o guindaste com as letras MB soltou o boi das alturas. O prefeito Bal, grudado na cadeira, gritou:

- ESSE BOI VAI MORRÊ NO MATADOURO DE IPIRÁ, VAMOS APROVEITAR E INAUGURAR ESSE ELEFANTE BRANCO.

- Êpa, para aí! E quem vai pagar meu boi? – perguntou o fazendeiro Canjinho do Rio do Peixe.

- Quem vai pagar é o ex-prefeito Dió e o ex-prefeito Toinho – disse o prefeito Bal.

- Lá ele é quem quer conta com esses dois elementos; eu não dou crédito a esses dois sujeitos nem de uma banda de conto – falou o fazendeiro Canjinho.

- O que eu quero é inaugurar esse matadouro – disse o prefeito Bal.

- ISSO NÃO! – gritou o ex-prefeito Dió.

- Vai sim! – falou de forma determinada o prefeito Bal.

Suspense: e agora, esse matadouro vai ou não vai? E agora Ipirá? Será que agora o elefante branco vai ter serventia? Será que o fazendeiro Canjinho vai deixar seu boi inaugurar o matadouro? Será que o macaco vai se livrar do guindaste da firma MB, ou melhor, da famosa firma Mammoet Bliebhen? Êta novelinha complicada. Será que o prefeito Bal não vai ter o direito de continuar grudado na cadeira?

O término dessa novelinha acontecerá no dia que acontecer a inauguração desse Matadouro de Ipirá. Inaugurou! Acabou, imediatamente.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência. Eles brincam com o povo e o povo brinca com eles.