quinta-feira, 27 de dezembro de 2007


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 04. (mês de Janeiro 08)
Observação: Leia os capítulos 01,02 e 03 abaixo ou nas postagens anteriores.

A empregada Natalina não foi dispensada, porque o matadouro não está pronto e, também, devido à mão caprichosa que possui, o que a destaca como um dos melhores temperos de Ipirá, mas o fato de ser torcedora do Vitória e só saber cozinhar carne de carneiro, fez com que o prefeito Dió, anunciasse que dentro de sua casa não se falava mais em futebol. Com um problema a menos e com o campo de futebol inaugurado, o prefeito Dió andava muito sorridente, fato que chamou à atenção da empregada Natalina que falou, com a cara meio retorcida:
- Ô prefeito Dió ! eu tô cá com meus desconfiamento; vosmicê só tá de dente aberto, não é mais aquele homem carrancudo que só andava pelos canto, resmungando a farta de dinheiro. O que tá se assucedendo ?

- Não é nada fora do esperado, minha querida empregada Natalina, é que o Bahia ganhou na inauguração do campo e a vida é bela.

- Vosmicê num quer dizer, mas eu já tomei meus conhecimento pelo www. ipiranegócios que vosmicê tá montado na bufunfa e o que me deixa contrariada é que vosmicê primeiro contou para o mundo e não teve a consideração de mim dizer nem os centavos. Que farta de consideração é essa, como se trai assim a quem sempre lhe deu a mão ?

- Não entendi ainda o que a minha adorável empregada Natalina está referindo-se. Não lhe contei o que ?

- Já é do meu conhecimento que vosmicê recebeu do banco: dois milhões, vinte e um mil e duzentos e vinte e um real, e não me disse nem tantinho assim. Será que vosmicê pensou que eu ia querer esse um real ?

- Minha empregada Natalina ! quem tem que ficar aborrecido aqui sou eu. Não fique bisbilhotando Internet para ver as coisas. Lá tem coisa que não deve ser vista, como uma tal novelinha, que não vale nada. Assista só as novelas da Globo. Eu não falei com você, porque reservei a parte mais importante para o seu pronunciamento. O que eu devo fazer com esse dinheiro ?

- Vosmicê agora mim acarmou. Eu com uma dinheirama dessa deixava Ipirá nos trinco. Mandava pintar todo meio-fio da cidade, não podia ficar um parmo de meio-fio sem cal, e de lambuja exportava essa beleza para Baixa Grande e Macajuba, e bancava as conta; ia deixar tudo, uma belezoca de encher os zoim d’água. O povo ia ficar com os zoim anuviado de tanta belezura.

- Minha empregada Natalina ! fale sem querer dá lição de administração. É bom que você saiba que de todos os prefeitos que já teve essa terra, o que melhor e mais pintou meio-fio está aqui na sua frente e o povo na hora do vamos ver e digitar o seu número de confiabilidade, de que terá mais meio-fio pintado, não esquecerá dessa grande obra.

- Ô prefeito Dió ! deixe eu escutar de sua boca. O número de vosmicê é dois patinho na lagoa ou é aquele que as pessoa diz que dá azar ?

O tempo tinha passado e o prefeito Dió ficou sem condições de ir andar na Praça da Bandeira, resolveu dar outro rumo à conversa, e dirigindo-se à sua empregada doméstica e falou:
- Dona empregada Natalina coloque uma comida bem saborosa para este almoço, porque hoje eu estou com uma fome de leão do fazendão, enquanto isso eu vou tomar um banho rápido.

- Pode deixar prefeito Dió, a comida hoje tá uma delícia – disse a empregada.

O prefeito Dió foi rápido no banho, depois sentou-se à mesa e começou a fazer o seu prato, que estava posto sobre a mesa, logo surgiu uma montanha de arroz e de macarrão, e o prefeito Dió ordenou à empregada:
- Dona empregada Natalina ! traga a carne, por favor.

A empregada chegou com um prato cheiroso e fumegante e foi anunciando:
- Prefeito Dió ! adivinha o que eu fiz hoje, com molho de tomate e cebola ? vosmicê vai comer e recomer, até dizer chega: um fresco de carneiro.

O prefeito Dió deu um tremeleco, ficou sem sangue, botou a mão no estômago e desmaiou, caindo numa suadeira, que encheu a sala de água. A empregada pediu por socorro:
- Corre aqui gente, que o prefeito Dió tá entupizinado. Chama logo a ambulância.

SUSPENSE: Para onde o prefeito Dió será levado: para Salvador ou para o Hospital de Ipirá ? Será que o Hospital de Ipirá vai salvar o prefeito Dió, que corre risco de vida ? O que vai acontecer ?
Leia o quinto capítulo no mês de fevereiro 2008.

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


OS CÃES LADRAM.

Interessante. O dia em que meu pensamento pensou, mas não falou, quando deveria falar mais do que pensar. Fui abordado por um conhecido, que me disse:
- Você seu Agildo, que fala de tudo, por que nunca falou do cartel do gás de cozinha em Ipirá ?

Naquele instante fiquei três p: parado, perplexo e pensativo; buscando uma resposta que não aparecia de nenhum jeito. Meu pensamento viajou para dentro de si, numa reflexão intensa e intempestiva: "será que estou sendo agraciado com a responsabilidade de trazer à tona todo e qualquer problema existente no município de Ipirá ?" Isso é impossível, não deve e não pode ser assim. Gritar é um pressuposto da cidadania e não é um pertence de uma só pessoa, mas de todos ou de qualquer munícipe, sem nenhuma exclusividade.

Enquanto eu pensava para responder, meu interlocutor conhecido encurralava-me no meu pensamento, que girava buscando, a todo custo, desembaraçar-se, mas a metralhadora verbal interlocutora desferia uma rebombada atrás da outra:
- Eu estou por dentro do que está acontecendo. O gás em Ipirá custa 35 reais, enquanto ali no Bravo é 27 reais. Em Irecê é 28 reais. Por que aqui tem esse preço ? é por causa do cartel.

Meu pensamento estava estancado numa encruzilhada impiedosa e não sabia se respondia que não sabia de nada, como fazem os governantes desse país, ou se recriminava-me pelo fato de nunca ter ido saber o preço do gás no Bravo. A resposta não se apresentava à minha língua e o conhecido interlocutor lascava o verbo da maneira que achava mais apropriada:
- Você não fala da máfia do gás de cozinha em Ipirá, porque você é conivente, tem o rabo-preso com essa gente graúda e tem medo.

No meu pensamento, fiquei até agraciado de certa forma, pelo fato de fazer postagem num blog, e este ser reconhecido, de certa forma, como um porta-voz e levantador dos problemas da comunidade, mas virar a lama e desinfetar uma sociedade corrompida como a nossa, sem a menor dúvida, é tarefa de muita gente e de muita ação cidadã.

Meu pensamento continuava em busca da resposta adequada e própria, que insistia em não sair, mas conseguiu visualizar a caravana dos mafiosos do gás de cozinha passando, enquanto dois cães, eu e meu conhecido interlocutor, ladravam desesperadamente; repentinamente, meu interlocutor pulou para o cortejo de príncipes, princesas e pequenos-burgueses formadores do cartel do gás de cozinha em Ipirá e, sorrindo alvissareiro, deixou-me latindo... latind...latin... e assim vamos chafurdando nessa imundície e engasgando com essa podridão que impera na sociedade capitalista. Eu espero continuar com meu latido, agora, eu juro por tudo, se estivesse a par desse abuso econômico não me negaria de fazer um artigo de repúdio e indignação. Fora isso e a tempo, resta dizer, que de gás eu sou apenas um simples consumidor.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007


TRAIÇÃO EM IPIRÁ.

Quero dirigir-me ao povo de Ipirá e, principalmente, a você que diz que ama Ipirá e está sempre preocupado com seus problemas.

Em entrevista ao programa Conexão Chapada, da rádio Ipirá FM, no dia 28/11/07, o presidente da ADAB foi categórico, preciso e direto; não deixando nenhuma dúvida. Neste instante faço um resumo de cinco pontos que foram mais ou menos expostos da seguinte maneira:

1. ... não sei porque o pessoal de Ipirá não quer abater o carneiro em Feira de Santana, que fica a 100 Km ou em Pintadas, que fica a 70 km de Ipirá...

2. ...o poder público não tem a obrigação de fazer matadouro, isso tem que ser ação da iniciativa privada...

3. ...Ipirá tem 60 mil habitantes e temos que olhar para o interesse de toda essa população consumidora e não para 100 ou 200 pessoas...

4. ...matadouro é uma espécie de indústria e não pode funcionar abaixo da capacidade produtiva, porque representa prejuízo...

5. ...o governo não vai fazer gastos desnecessários com um matadouro em cada cidade; apenas é necessário que tenha um no território...

Podemos concluir, baseado na clarividência dessas colocações, que o Matadouro de Ipirá não vai sair do projeto e que Ipirá não vai ter matadouro para ovinos, caprinos e suínos. PONTO FINAL (é o que eles querem).

Vou colocar meu ponto de vista sem rodeios. Existe um complô contra Ipirá, por diversas razões, que envolve poderes públicos, comerciantes, políticos, partidos, sindicatos e até fervorosos ipiraenses, para beneficiar diretamente Feira de Santana ou Pintadas, que tem matadouro de ovinos. Isso não é fantasia nem invenção de minha parte.

O problema é que falta vontade política. No esquema administrativo e político montado com base no território, algumas demandas localizadas, que são essenciais e prioritárias para o município, perdem força e substância em razão do regional. Ipirá tem necessidade urgente, vital e logística de uma matadouro para sua produção de ovinos, para o sustento direto e a manutenção do seu mercado consumidor, mas como no território já existe um matadouro para ovinos, em Pintadas, o governo do Estado não vai gastar dinheiro à toa e não vai inviabilizar o matadouro de Pintadas, que para funcionar dando lucro depende da produção e do mercado de Ipirá, que não se indispõe a contribuir, mas não desse jeito avassalador.

Eis a questão fundamental. Tem muita gente e políticos na defesa dos interesses de lá e desse jeito o maior prejudicado será Ipirá.

Por que nem a reforma do matadouro de bovinos em Ipirá sai do papel ? Observe bem. Um grande matadouro tem um custo de 10 milhões de reais; um pequeno de 2 milhões de reais. Ipirá só recebeu 740 mil reais do Ministério do Desenvolvimento Agrário/CEF/SAF, para adequação e ampliação físicas para operação do matadouro de Ipirá. De onde sairá o restante ? Por que não mandaram o total de recursos necessários ? Porque uma pessoa do CRA até hoje, não veio vistoriar a obra e liberar o local ? Será que tudo isso não é uma farsa ? Se não for, no mínimo, é muita falta de seriedade e respeito para com a população de Ipirá.

Resta ver quem está a favor de Pintadas e contra Ipirá. Eles querem ganhar na opressão e perseguição aos marchantes de carneiros; na demora e delonga da obra; pelo cansaço da população; e pelo tempo, na esperança que as pessoas esqueçam a luta e acomodem-se. Trata-se de um grande jogo de interesse. Está na hora do prefeito Diomário mobilizar a população e enfrentar o problema de frente com o apoio e a ajuda popular, porque o esquema do governo e da justiça é forte e tem todos os trunfos nas mãos.

Cumpro a minha obrigação de enfrentar a discussão e alertar a população de Ipirá para todos esses fatos, porque até mesmo essa conversa de beneficiar 60 mil pessoas é puro engodo e um simples disfarce para atender aos interesses de três pessoas: dois atravessadores e um empresário. Ipirá necessita de um relacionamento econômico com Pintadas em mão-dupla e não nessas condições. O que é que você acha de tudo isso ?

quinta-feira, 29 de novembro de 2007


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 03. (mês de dezembro 2007)
Atenção: leia os capítulos 01 e 02, que estão abaixo.

O prefeito Dió foi ao matadouro e começou a observar que a obra encontrava-se no seu início, na capinagem, e pela sua vontade era para estar em ponto de inauguração. Ficou observando tudo com a maior paciência, ao tempo em que anotava todos os detalhes para fazer uma cobrança enérgica aos devidos responsáveis. Quando o sino da Igreja Matriz, na Praça da Bandeira, sinalizou que eram seis horas, o prefeito Dió deixou o matadouro e foi para casa. Deitou-se e acordou precisamente ao meio-dia, novamente sob os acordes do sino da Igreja Matriz. Dirigiu-se a empregada e falou:
- Minha dedicada empregada Natalina, prepare um almoço, que eu vou andar na Praça da Bandeira, êpa, errei o nome ! apaga o que eu falei – respirou fundo e continuou – aliás, eu quero apagar a noite de ontem e esquecer de vez esse Matadouro de Ipirá, que só me tem trazido preocupação.

- Vosmicê tem toda sabedoria, prefeito Dió; ficá com o pensamento em coisa que não vai prá frente só traz fervura na cabeça. Por que vosmicê não bota o pensamento só no campo de futebol, que vai ser desenroscado esse mês ? – sugeriu a empregada.

- Desenroscado não, ele vai ser inaugurado. Veja bem como você fala as coisas, minha empregada Natalina. Eu já estou pensando num time de primeira divisão para inaugurá-lo. Vai ser o tricolor de aço.

- Não prefeito Dió ! é que minha língua ficou atravessada e eu troquei as bola. E se vosmicê não se incomodar, eu vou fazer uma nova pergunta – esperou uma resposta, que veio com o balançar da cabeça – esse tal tricolor de aço sartou da terceira prá primeira ?

- Não é isso, minha grata empregada Natalina, o esquadrão de aço pode estar até na quinta, mas é time de primeira divisão. De futebol você não entende nada.

- Ah ! taí prefeito Dió, uma coisa que eu estou por dentro, igualmente a fazer comida. Eu acompanho jogo de bola desde o tempo do Independente, que quando entrava em campo, ia um bode na frente.

- Eu alcancei esse tempo, minha empregada Natalina, e lembro-me do bode que era mascote do Independente. O Bahia tem como mascote o super-homem. Eu quero descobrir uma pessoa, aqui em Ipirá, para se fantasiar de super-homem no dia da inauguração.

- O único super-homem que eu conheço nessa terra é vosmicê, prefeito Dió. Eu sou de opinião que vosmicê, prefeito Dió, deve vestir a roupa de super-homem, porque vosmicê é merecedor.

- Isso aí não ! eu prefiro não trazer o Bahia no dia da inauguração.

- Vosmicê, prefeito Dió, devia trazer um time com três letrinhas, igualmente ao nome de vosmicê, D – I – Ó, com acento no Ó, para abrir esse campo.

- Minha empregada Natalina ! não me fale em três letrinhas, porque é justamente três letrinhas que tem atanazado minha vida. Tem três letrinhas que mora aí no outro lado da rua, que só fica no meu calcanhar, e tem essas três letrinhas CRA, que pisa no meu calo e está tirando o meu sono.

- Taí prefeito Dió, porque vosmicê não trás o irmão desse CRA, o CRB das Alagoas para abrir o campo ? O CRB vem e joga, mas vosmicê paga ao irmão dele o CRA, aí esse trem ruim tira o pé de riba do seu.

- Não é assim que as coisas acontecem. O CRA não quer vir nesta cidade.

- Êta sujeito pozudo, esse tal de CRA. Vá vê que esse CRA é da quinta divisão do futebol das Alagoas. Eu já tô me vendo naquela arquibancada, que dá pra gente ficar deitada, pra vê o irmão desse CRA, o CRB abrindo o campo de Ipirá e entrando no gramado, com seu mascote na frente do time.

- Qual é o mascote deles ? – perguntou o prefeito Dió.

- É um carneiro – respondeu a empregada Natalina.

- Ai ! ai ! ai! Tira esse carneiro de dentro do campo, ele vai comer o gramado todo e só vai deixar a terra, ai ele vai engordar e vão querer matá-lo e o Matadouro de Ipirá não está pronto. Novamente, esse bicho carneiro atravessando na minha vida; eu não aguento mais isso. O que eu devo fazer para acabar com essa raça de bicho carneiro no município de Ipirá ?

- Eu tenho uma idéia, prefeito Dió. Como tá tudo seco em Ipirá e só tem de verde a grama do campo de futebol, vosmicê deixa todos os carneiro que tem em Ipirá entrá no campo, com as otoridade que persegue os carneiro, e traz as três letrinhas, ECV, o Vitória, para abrir o campo, aí o mascote do time, o leão da barra, come os carneiro e as otoridade, e aí acaba o problema prá vosmicê.

- Ô minha empregada Natalina, com essa enrolação toda de três letrinhas, era para chegar no ECV. Você é Vitória ?

- Desde criancinha, prefeito Dió.

- Em minha casa não, você vai trabalhar no matadouro – disse o prefeito Dió.

SUSPENSE: Será que o prefeito Dió vai botar a empregada vitoreira prá fora ? O que é que faz uma espiã do Vitória na casa do prefeito Dió ? Será que o prefeito Dió já virou Quinta coluna e agora é Vitória ? Quem vai inaugurar o campo de futebol de Ipirá, é o CRA; CRB; ECV; ECB; LCM; DIÓ ?

OBSERVAÇÃO: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.
Leia o próximo capítulo no mês de janeiro 08

sexta-feira, 23 de novembro de 2007


UNHA ENCRAVADA.

Abrem-se as cortinas no sertão ipiraense; no cenário, aparece a terra nua à mostra, o chão está rachado e esturricado; e neste instante, recomeça, novamente, o velho e surrado drama: a seca. Invariavelmente, ainda não aprendemos a lição da convivência com esta milenar incidência, que fica ao crivo das possibilidades individuais de cada personagem envolvido. O drama trágico desenvolve-se na angústia sentida pelo ser humano catingueiro, encravado nesta situação, que se vê negativado diante dos grandes problemas colocados à sua capacidade de ser gente e devido ao temor de desintegrar-se no nada. Aí, fica olhando para o céu em busca da ajuda divina e esperando que a natureza atenda
com abundantes chuvas as suas preces.

Enquanto as chuvas não caem, a nordestina indústria da seca faz a festa e suga a seiva que ainda resta. A estiagem chupa as reservas de água e a necessidade de água para beber passa a ser um tormento para o ser humano catingueiro. Aqui, o drama vira uma tragédia diabólica, porque os olhares ficam esperando o "Água para todos" e todo ser vivente está enfastiado de saber que a burocracia traceja com a desgraça humana e alheia, sendo que, neste triste cenário desenrola-se o já batido enredo das mulheres e crianças com latas de água nas cabeças; dos carros pipas atendendo às filas de gente com vasilhames, numa cena tão costumeira e de uso geral, que pouco importa ao sertanejo pagar o bem ou todo direito com o que se deposita nas urnas em tempo de eleições. Até as cisternas, que são reservatórios que atendem as unidades familiares, estão lacradas a diversos interesses e não consegue deixar de lado essa moeda de troca, e aconteceu até casos, em que o candidato que influenciou para que se fizesse a cisterna, perdesse o voto para o candidato que colocou a água na cisterna, que ele não influenciou para que fosse feita. Essa é a engrenagem em que está o ser humano carente da caatinga. Tudo é política, politicagem, favores, dependência, cabresto e unha encravada.

A base econômica do município de Ipirá é a pecuária. Na estiagem, essa base começa a declinar. Toma dimensões trágicas porque é formada por pequenos proprietários, sem apoio, carentes de recursos e de técnicas de convivência com a seca e sem capacidade para quitar dívidas sem dificuldades; mesmo nas unidades produtivas mais organizadas e preparadas para o enfrentamento da estiagem, esse é um período em que ocorrem perdas das reservas obtidas nos tempos mais favoráveis, assim sendo, esvaem-se as riquezas dos produtores e do município. Os carentes de recursos fazem das tripas, coração, e estendem as mãos em busca de uma ajuda. Poucos aguentam o tranco; só aqueles que retiram recursos de outras atividades para sustentar a pecuária, suportam a peleja. É uma fase de baixo ou nenhum rendimento e muita e alta despesa. É uma coisa que está amarrada no mourão de cada fazenda. Como um município pode prosperar com uma economia tão frágil e precária como esta ? Como um município pode ir para frente com uma base produtora tão vulnerável como essa ? Como um município pode aguentar o tranco, quando a esmagadora maioria de seus produtores rurais não possuem recursos para auto-sustentar-se ou nestes momentos, só fazem dilapidar a sua base de sustentação ?

Dessa dramaturgia barata da vida sertaneja, desponta os dramalhões de sempre nesse encantado reino ipiraense, quando a Prefeitura Municipal recebe 1 milhão de reais de convênios: 877 mil reais do Ministério do Turismo/CEF/TUR para a construção do mercado eventos pavimentação de vias/ruas em Ipirá – 130 mil reais do Ministério das Cidades/CEF para infra-estrutura urbana comunitária e apenas 740 mil reais para reformar o matadouro de animais, uma obra necessária, elementar e urgente para salvar a pecuária local. Não é uma inversão de prioridades ?

Mesmo vivendo um momento crítico para a economia do município, a preocupação está voltada para a feitura da praça mais bonita do interior da Bahia, para o deleite dos olhos que brilham com as flores na primavera, mas que, muitas vezes, não conseguem enxergar os galhos secos da vida e, também, daquelas pessoas que ouvem música estrangeira e a suadeira, mas que não se tocam com o que está em sua volta, porque estão cagando para o mundo. Dessa forma a realidade é o que é; depois não digam que a seca é crua e cruel.
O drama prossegue seu lento desenrolar. A pecuária de Ipirá, com seca ou sem seca, mastiga grandes dificuldades e está tomando uma topada que pode tirar-lhes os pés, porque está fechada em vontades estranhas às suas estruturas íntimas, que são sinuosas e frágeis, por isso precisam de mudanças, como o matadouro e um parque de venda de animais, coisas que não têm em Ipirá, mas a unha está encravada

terça-feira, 13 de novembro de 2007


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 02. (mês de novembro 2007)
Observação: Antes, Leia o primeiro capítulo logo abaixo.

O prefeito Dió só conseguiu sair do seu gabinete, na Prefeitura Municipal, depois da meia-noite. Estava exausto. Foi direto para casa, tomou um banho e deitou-se. Com meia hora de sono já estava envolvido com um sonho, no qual discutia-se qual seria o primeiro animal a ser abatido na inauguração do matadouro de Ipirá.
- Tem que ser uma vaca – dizia um fazendeiro.
- Por que vaca ? tem que ser um boi – falava um negociante de carne.
- Tem que ser uma vaca; por ser a vaca um animal sagrado lá na Índia e que representa a fertilidade que vai nutrir esse matadouro. Tem que ser uma vaca; porque a vaca tem uma anca sinuosa e apetitosa. Quem não tem vontade de comer uma vaca ? a vaca tem a docilidade e o frescor da feminilidade. Tem que ser uma vaca; porque a vaca tá no jogo do bicho e o boi não. Tem que ser uma vaca...

Neste instante foi interrompido pelo comerciante, que disse em voz alta:
- Só você pode falar ? você também tem que ouvir. Não tem nada a ver isso que você falou. Tem que ser um boi, por ser uma espécie robusta e cheia de vitalidade, a vaca tem que ir é para o brejo. O boi é o maior representante mamífero da caatinga; é um ruminante de aparência indolente, mas é de um temperamento indócil e é disso que os valentes catingueiros precisam. Não tem outro artiodáctilo que mereça a primazia diante do boi...

O prefeito Dió acompanhava toda aquela embolação sobre o boi e a vaca de forma displicente e já estava impaciente com aquela converseira toda, que não apresentava uma definição precisa, imediata e prática para que se inaugurasse logo aquele matadouro. Era preciso um rumo definidor. O prefeito Dió apenas ouvia, mas seu olhar esta petrificado na direção da navalha e quando o responsável gritou:
- Atenção ! neste exato momento, vai ser abatido o primeiro animal no Matadouro de Ipirá – pegando a alavanca e...
- Nãããããão – gritou o prefeito Dió, na tentativa de parar a ação do abate, antes que fosse tarde.

O prefeito Dió acordou, deu um salto da cama, atormentado e suando barbaridade, ao tempo que, sua esposa, assustada, indagava-lhe:
- O que foi prefeito Dió ?
- São os carneiros que querem tomar conta do matadouro.
- Foi um sonho prefeito Dió. Prá que a família Carneiro quer o matadouro ?
- Não é a família Carneiro não; é o bicho carneiro que botou a cabeça na guilhotina do matadouro para inaugura-lo e isso não pode acontecer e eu não vou deixar. Vou lá para ver como está a obra.
- Mas, prefeito Dió, é uma e meia da madrugada. O que é que você vai fazer lá, homem de Deus ? – perguntou a esposa.

SUSPENSE: O prefeito Dió vai ou não vai ao matadouro, acompanhar a obra ?
Ele vai ou não vai observar de perto ?
Leia o terceiro capítulo no mês de dezembro 2007.
OBSERVAÇÃO: Essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

sábado, 10 de novembro de 2007

PARADA MÉDICA

A população ipiraense é obrigada a engolir cada caroço de manga-mamão, que não sei como passa pela garganta. Algumas idéias ficam embutidas nas cabeças das pessoas do mesmo jeito como o mandacaru está fincado na terra árida, como uma fortaleza. Mesmo sendo dessa maneira, nada é irremediavelmente verdadeiro, nem tão necessariamente correto.

Afirmava-se e acreditava-se que: "médico era imbatível nas eleições em Ipirá". Muito acreditou-se nisso, porém, esta proposição já caiu por terra e nem é levada em consideração, pois, por duas vezes, candidato médico foi derrotado por candidato advogado.

Reformularam a afirmativa, que tomou o formato de: "candidato a prefeito em Ipirá, para ser potencialmente forte tem que ser médico". Não duvido que seja forte, mas também, não me abstenho de fazer uma verificação da veracidade e legitimidade de tal proposição.

Se nenhum dos médicos, que atuam em Ipirá, é especialista em administração de cidades, então, os médicos, que aqui trabalham, não são portadores de um requisito que lhes dariam a preponderância diante de outros segmentos sociais.

Certas assertivas, como "médico é candidato forte" que são alavancadas para determinados fins, atendem muito mais aos interesses corporativos de determinado setor social, do que à essência das necessidades do município.Contrapõe-se à afirmativa "médico é candidato forte" um valor que contém muito mais substância do que o anterior, seria: "candidato com preparo". Então, a proposição anterior demonstra ser vulnerável diante de um olhar mais apurado e vai diluindo-se diante de uma inferência mais atenta, deixando de ser absolutamente verdadeira e muito menos legítima para as amplas aspirações municipais. Para o corporativismo da categoria que almeja o poder público é altamente satisfatória, útil e necessária; para o município, em sua complexidade, é de uma inutilidade a toda prova.

Se nenhum desses médicos, que atuam em Ipirá, possui uma compreensão total do município, o que é totalmente impossível; e se nenhum deles possui um conhecimento amplo dessa complexidade socioeconômica, então, esses fatos, por si só, já pressupõem uma deficiência e uma carência que os iguala a qualquer outro postulante, de qualquer outro segmento da sociedade ipiraense, e dessa forma, adeus superioridade e pretendente forte, ficaria eliminada a primazia.

Será que os pretendentes candidatos à prefeitura de Ipirá, que são médicos, debruçam-se diante de uma análise das raízes dos nossos problemas ? Será que eles pretendem buscar soluções com vistas ao bem comum ? Será que já extirparam da alma, os interesses pessoais ou de pequenos grupos ? Será que já estão convencidos da necessidade de uma prática política voltado para o bem comum ? Será que eles conseguem visualizar o traçado de uma infra-estrutura capaz de tirar Ipirá do fundo do poço ?

Ter o município de Ipirá administrado por médicos, não pressupõe de forma alguma progresso e desenvolvimento, também podem ser acompanhados de grandes escândalos. A prática tem nos mostrado essa realidade, o município de Ipirá está sendo obrigado a desembolsar mais de um milhão de reais em precatórios para a família de um médico despedido da Prefeitura Municipal, pelo prefeito de plantão, que era médico, nada mais, nada menos, por arrogância, prepotência, estupidez e irresponsabilidade. É dinheiro que está faltando para o matadouro, calçamento, escolas e hospital.

No meu entendimento, esse ponto de vista é insustentável e bem que poderia ser um princípio para uma boa discussão, e quem sabe, talvez desmanche alguns pedestais e apague algumas chamas da mais pura vaidade. O desenrolar dos acontecimentos leva a crer, que em Ipirá, no ano que vem, todos os candidatos a prefeito, serão médicos. Isso não significa a redenção deste município.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007


É DE ROSCA.
Estilo: ficção.
Natureza: novelinha.
Capítulo: 01 (mês de outubro 2007)

Ipirá vivia mais um dia calorento, como sempre, e sem grandes novidades, não tinha acontecido nenhum crime e, nem ao menos, uma traição, daí não haver grande burburinho entre os munícipes. Nesse ar de monotonia, algo relevante tinha acontecido e quem mais vibrava e comemorava exaustivamente era o prefeito Dió, que reuniu em seu gabinete, na Prefeitura Municipal, seu secretariado e alguns puxa-sacos, ao tempo, que dizia eufórico:
- A batalha foi difícil, mas alcancei grande êxito na minha empreitada e posso afirmar com toda convicção, que já está disponível 740 mil reais para o matadouro de Ipirá.
A platéia presente não economizou os calorosos e efusivos aplausos:
- Viva o prefeito Dió – gritavam.
- O prefeito Dió conseguiu o que nenhum outro prefeito conseguiu: o matadouro para Ipirá – bradava um secretário.
- Vamos abrir uma garrafa de champagne para comemorar – gritou um puxa.
- Só que aqui não tem champagne – retrucou outro puxa fazendo deboche.
- Eu vou comprar agora mesmo – afirmou o puxa que fez a proposta e saiu em disparada do gabinete, voltando em dois preciosos minutos e, cansado, disparou a língua:
- Aqui está o champagne e quem vai abrir é o prefeito Dió.
O prefeito Dió pegou a garrafa e tentou abri-la, mas não conseguia.
- Prefeito Dió ! ela é de rosca e desenrosca ao contrário – orientou o puxa.
O prefeito Dió, meio sem jeito, e querendo fazer uma gracinha para a turma divertir-se, comentou:
- É verdade, para desenroscar esse troço e o matadouro – frisou bem – eu tenho que fazer o contrário do que fizeram meus antecessores.
Neste espaço de tempo de interminável labuta para abrir o champagne, ouviu-se um foguetório ensurdecedor que vinha do pátio da prefeitura. Um funcionário entrou no gabinete e disse o que estava acontecendo:
- Prefeito Dió, os perseguidos marchantes de carneiro estão festejando o matadouro de Ipirá e querem parabenizá-lo por isso. É uma alegria só.
O prefeito Dió deu um pinote e foi ordenando ao funcionário:
- Não deixe essa gente entrar aqui não. Vamos fechar a porta e as cortinas. Ninguém fala nada, vamos fazer o maior silêncio até eles saírem. Diga a eles, que eu estou em Salvador e que dei a notícia por telefone. Não deixe ninguém entrar aqui. Não quero ver esse povo.

SUSPENSE: Por que o prefeito Dió não quer encontrar os perseguidos marchantes de carneiro ? O que está acontecendo ? Debaixo desse angu tem carne.
Leia o SEGUNDO CAPÍTULO no mês de dezembro 2007.

OBSERVAÇÃO: Como nas novelas da Globo, nesta novelinha É DE ROSCA, tem personagens do bem e do mal (senão não é novelinha), agora só tem um artista, o prefeito Dió. Essa novelinha é apenas uma brincadeira literária que envolve o administrador e o matadouro, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007


É DE ROSCA.

Por onde começa nossa história ? Começa lá por trás e vem dando voltas pelas trapalhadas da vida. Sendo assim, nesta pacata cidade de Ipirá, há muito tempo atrás, na administração do prefeito Antônio Colonnezi, foi feito na beira da estrada do Feijão, com dinheiro do povo, um belo "elefante branco", chamado MATADOURO DE IPIRÁ. Não matou um mosquito. Seu seguidor, prefeito Luís Carlos Martins, governou por oito anos, não mexeu um palito e o "elefante branco" foi perdendo a cor e a serventia, virando um traste dilapidado e não foi abatido nem um bengo. Conclusão: o marchante de carneiro é um criminoso ( tem gente que só consegue enxergar desse jeito ).

E contra os dois prefeitos foi feito o que ? Nada, absolutamente nada. Para eles a vida continua bela, colorida e distante das atrapalhações que merecem os irresponsáveis que não trataram com seriedade um bem público essencial e necessário para que a população tenha qualidade nas suas mesas e não corra nenhum risco com tais produtos de origem animal. Não foram enxotados da vida pública. Enquanto isso, os marchantes de carneiro vivem na peia ( tem gente que quer assim ).

A batata quente caiu na mão do atual prefeito Antônio Diomário. Antes das eleições de 2004, ele participou das passeatas dos marchantes na luta pelo funcionamento do matadouro em Ipirá, agora é a sua vez. Começou jogando a batata para cima e disse: "o INSS impede a liberação de recursos para o início das obras" , e dizia mais: "a prefeitura tem que obter da Receita Federal a liberação do CND, Certidão Negativa de Débitos, que vai possibilitar a ordem da Caixa Econômica Federal para licitar as obras e iniciar o matadouro". Observe bem, em que engrisilhada da desgraça estava metida a população consumidora de Ipirá. E não para aí, o prefeito Diomário afirmou: " depende do órgão ambiental". Veja que situação: depender de burocrata no Brasil é problema, essa gente não tem pressa e não tá nem aí para os problemas do povo de Ipirá. E os marchantes de carneiro são os culpados.

A batata estava muito quente e o prefeito Diomário, cansado, foi dizendo: "foi uma grande luta que travei em duas difíceis frentes: primeiro, junto a Super Receita, que descobriu mais débitos da prefeitura com o INSS desde 1999 até 2003. O ex-prefeito não fez os GFIPS (Guias Fiscais) que recolhem as contribuições para o INSS e por conta disso o governo federal só libera o recurso depois da regularização". Deu para perceber que o prefeito Diomário não diz o nome do ex-prefeito nem quando é futucado, mas continua dizendo: " paguei R$106.896,56, como parte do débito e parcelei o restante, mais de 400 mil reais para receber a certidão". Ele não disse, mas eu posso lembrar o nome do ex-prefeito, foi o Luís Carlos Martins, esse é um sujeito desastrado quando trata com a coisa pública. E a culpa é dos marchantes de carneiro.

Depois, o prefeito Diomário aparou a batata no colo e soltou o verbo: " a empresa TRANSFRAN ganhou a licitação para a construção do matadouro de Ipirá" e concluiu: " o CRA liberou o local, mas exige inúmeros projetos para a liberação da implantação do projeto". Aí eu posso dizer: oh, beleza ! agora vai !. E quem atrapalha tudo é o marchante de carneiro.
Agora prefeito Diomário, a batata é sua. Desde o dia 01.10.07 foi liberado de forma integral os recursos para adequação e ampliação físicas para operação do matadouro de Ipirá, no valor total de 740 mil reais. Esse convênio vem desde as eleições de 2006 e só agora saiu da gaveta, mas quem amarra as coisas é o marchante de carneiro.

COM DINHEIRO NA MÃO, não é possível que demore mais um ano para sair esse matadouro de rosca. Esta é a prova de fogo da administração do governo Diomário. Chegou a hora de mostrar para que veio ser prefeito. Este é um momento de ação e agilidade, porque Ipirá não aguenta mais esse sofrimento e essa perseguição. É hora de dar um basta no descaso e na irresponsabilidade administrativa neste município, caso contrário, o prefeito Diomário será enxotado da vida pública de Ipirá, ao menos, pelos marchantes de carneiro. Disso eu não tenho dúvida, porque eles não são culpados por nada.

Neste instante, encerro essa série de artigos sobre o matadouro, mas iniciarei, só no meu blog, a novela É DE ROSCA. Escreverei um capítulo por mês, até que desenrosque o dito cujo matadouro. No seu entender, quantos capítulos escreverei ?.

sábado, 13 de outubro de 2007


É CRIME, COM PRISÃO DE 2 A 5 ANOS.

Sim. É isto mesmo. É crime, com prisão de 2 a 5 anos, vender produtos de origem animal não inspecionado pela Vigilância Sanitária e está previsto no Código Penal. É a LEI e estamos no Brasil.

É a LEI. Na África do Sul, a população branca de origem inglesa ou holandesa impôs ao país uma LEI oficializando a segregação racial denominada de apartheid. Era a LEI da Terra; a LEI Residencial; a LEI do Registro da População. Era a LEI. Pelas LEIS sul-africanas a maioria negra da população não tinha nenhum direito. Era a LEI. Então não custa nada deduzir e dizer que tem LEI boa e tem LEI que é boa porcaria, pois ela é fruto dos interesses das classes sociais que dominam a sociedade. Foi uma luta longa e penosa, mas o povo sul-africano derrubou aquelas deploráveis LEIS.

Voltando à Bahia. Jornal A TARDE 30/09/07. Carne Proibida. Lá vem a LEI. 566 quilos de carne foram apreendidos nas feiras livres dos bairros de Cosme de Farias, Liberdade e Itapuã em Salvador e os produtos recolhidos foram incinerados no Aterro da Canabrava. Diante da notícia vem uma pergunta: e Salvador não tem matadouro e frigorífico ? tem, e vários. Mais uma pergunta: e por que essa gente de lá mata bicho clandestino ? eu não sei.

Chegando à Ipirá. Salvador tem o que Ipirá não possui, tem matadouro e tem frigorífico. Aí vem a LEI achando que Ipirá tem o que Salvador possui e ameaça os marchantes de carneiros daqui com o mesmo rigor que atua contra os de lá. As realidades são diferentes. A aplicabilidade das normas na mesma tonalidade implica penalidades com grau desajustado. Explicitando: vamos supor que pela LEI, 5 anos de prisão para um negociante de carne em Salvador, nestas condições de procedência duvidosa, "talvez" esteja razoavelmente justa, mas 2 anos de prisão para um marchante de carneiro em Ipirá seria muito mais injustiça do que justiça. E por que seria uma crueldade e uma desumanidade sem par a prisão de um marchante de carneiro em Ipirá ? simplesmente porque Ipirá não tem matadouro; simplesmente porque Ipirá não oferece a essas pessoas as mínimas condições de um abate diferente do que eles fazem; simplesmente porque essas famílias vivem sob os efeitos da LEI da sobrevivência.

Todas essas pessoas que abatem o carneiro em Ipirá são acolhedoras das normas, são respeitadoras e prestimosas perante a LEI, até que esta não lhes tire a vida. A aplicabilidade da LEI PURA tem a mesma ressonância grosseira da defesa insistente e inconsistente da venda da carne procedente do abate clandestino e sem normas de higiene. A razão encaminha para um ajuste de conduta de todas as partes interessadas, até chegar a solução final: o matadouro em Ipirá. Depois disso, que venha a LEI.
UMA PROPOSTA: que o Poder Público Municipal contrate um veterinário para observar, acompanhar os abates de carneiros na forma provisória que ocorrem em Ipirá, e também, inspecionar as carnes de carneiro no Centro de Abastecimento de Ipirá.

domingo, 23 de setembro de 2007


ÊTA IPIRÁ PORRETA !.

Dizem que no reino animal é assim: "qualquer ventinho balança o macaco no cipó e ele apanha tanto porque não pensa". Não sei se é desse jeito, mas no reinado da bicharada em Ipirá, a macacada (grupo político) já ganhou o poder municipal por três vezes, sendo duas delas apoiando migrantes da jacusada (outro grupo político).

Atualmente o controle do município é da macacada, mas nos quatro cantos do município a choradeira dos macacos é impressionante e só pode ser por dois motivos: porque não pensam ou porque estão querendo entregar o poder municipal à jacusada.

Saindo do reino animal para o reino coronelístico ipiraense, o chefe da macacada, o médico Antônio Colonnezi , que não é bobo, já declarou nos bastidores, extra-oficialmente, pelo menos é o que comentam as línguas afiadas, que não quer ser mais candidato a prefeito ( se quiser será); quem mais sabe é ele a sangria interminável que sofre um patrimônio particular ou público ao receber uma "facada" do eleitorado esperto. Caso seja uma declaração verdadeira, a sua conseqüência imediata é que ele passa a ser o maior e mais forte apoiador e ponto de sustentação de outras candidaturas que saiam da macacada, dos migrantes ou até da esquerda. Não sei suas pretensões, nem dos seus limites.

Vamos à primeira suposição. Seu apoio a um candidato saído do seio da macacada para ser um candidato forte e com grandes possibilidades de vitória, tem que ter também, além do seu apoio, o aval do outro Dr. Antônio, o Diomário, porque o deslocamento e o retorno do prefeito às hostes da jacusada representa a derrota do grupo. Quem duvidar do estrago que o prefeito Diomário fará se deixar a macacada pensa pouco. Essa unidade é fundamental para a garantia do sucesso dos macacos.

A segunda suposição. Apoiando o candidato que saia do campo dos migrantes, naturalmente que o nome que tem mais potencial é o do prefeito Antônio Diomário de Sá , mas que, neste preciso momento, sofre um desgaste fantástico junto aos seus eleitores do grupo macaco, que querem fritá-lo de qualquer jeito, é um negócio de louco. Só se vê macaco alfinetando o prefeito, que se não tiver o corpo fechado vai virar boneco de vodu de tanta espetada. Se arrependimento matasse em toda encruzilhada ia ter um defunto macaco. Como macaco pensa pouco, a debandada parece que vai ser determinante para a derrota da reeleição do prefeito.

A terceira suposição. Apoiando um candidato de esquerda ! Aqui começa os partidos ( PT – PCdoB), os problemas, as contradições e um esclarecimento: ninguém é dono da esquerda, por melhor articulador ou manipulador que seja. E aqui, também, começa o debate. Uma coisa é certa: a base da macacada nunca foi carlista por vontade própria e chegou a proporcionar a maior vaia que ACM recebeu em Ipirá e foi cara a cara, mas também, outra coisa é verdadeira, a cúpula da macacada sempre foi carlista, mesmo desprestigiada, massacrada, humilhada e esporroteada, nem mesmo assim, deixou de ser carlista. Hoje é muito fácil deixar o carlismo, desde quando o poder estadual é outro e "Toninho Malvadeza" não se encontra mais aqui e está em qualquer alto promontório praticando das suas e tirando o sossego lá de cima ou lá de baixo, pelo menos ficamos livres dele cá em baixo e é um despropósito colocá-lo como argumento justificativo para a formação de compromissos, o que pode conduzir-nos a muito mais equívocos. Além do mais, tem que ficar bem claro que nesta cúpula encontra-se os maiores opositores ao governo Lula aqui em Ipirá.

Tem que se pensar em um monte de coisas, até porque, para quem não tem memória curta, nas últimas eleições municipais em Ipirá, o PT rejeitou a indicação para vice feita pelo PCdoB e, agora, seria muito estranho aceitar na vice o apoiador Dr. Antônio Colonnezi, sem mais nem menos. Com que argumento ? O argumento de estar na cabeça é muito simples, porque existem muitas contradições políticas. Tem que haver um argumento convincente, porque se não for assim, os militantes e eleitores destes dois partidos em Ipirá ficarão na dúvida e pensarão que com seu voto estarão dando um emprego seguro, tranqüilo de quatro anos ou um merecido prêmio ao apoiador, que não vai se preocupar nem precisar trabalhar, porque vice não faz absolutamente nada. O que é que tem que ser feito ? Ocupar os cargos já foi feito. E agora, fazer o quê ? isso talvez seja o ponto primordial e mais importante até do que colocar todo mundo no mesmo bocapio. É sempre bom sonhar, agora quando o sonho é atravessado vira pesadelo.

Enquanto isso acontece, retorno ao reino animal, precisamente ao ninho da jacusada, onde entrava Abelha e deu de cara com uma figura estranha, ele olhou atravessado e espantado, ao virar o rosto viu o grande chefe da jacusada dando uma risadinha disfarçada, foi logo indagando-lhe:
- É mesmo o que eu tô vendo ? esse aí é o Tatuzão que está saindo daqui ?
- É ele mesmo. Os amigos estão voltando para nossa casa – respondeu o grande chefe.
- O senhor chama isso aí de amigo ! isso aí é uma traíra traidora, seu amigo sou eu, que fiquei com o senhor mesmo com o senhor perdendo a eleição.
- Sim, sim, mas não deixa de ser nosso amigo, você sabe... – respondeu o grande chefe.

A jacusada está igual a cobra no bote, só na espera. A jacusada, liderada pelo médico Delorme Martins foi um grupo político cevado no carlismo e hoje depende exclusivamente do retorno dos antigos amigos, os traíras, caso contrário, já entra em campo perdido. Ou não é assim ? Não conta com o apoio do governo estadual, nem federal. Se o projeto do DEMo com Paulo Souto fracassar na Bahia, o que não está difícil, aí adeus Corina, a jacusada vai entra em órbita e girar na política do desespero, e eu vou ficando por aqui, porque em terra de bicho o progresso chega de jegue e ainda querem colocar todo mundo no mesmo balaio de gato.

domingo, 9 de setembro de 2007


FALTOU A FOTO DA VERGONHA DE IPIRÁ.

A CRÔNICA.
Quem chegar ao Banco do Brasil, agência Ipirá, para enfrentar aquela terrível fila do caixa, terá a oportunidade de observar uma Mostra de Fotos direcionada ao público. Depois de uma hora na fila, olhando aquelas fotos, observei que um senhor, que estava ao meu lado, começou a contorcer-se e a ficar verde. Segurei-o pelo braço, ao tempo que lhe indagava:
- O senhor está bem ?
- Tô sentindo um embrulhamento na boca do estômago, só pode ser as oitenta arrobas dessa carne aí, que eu comi – respondeu o senhor.
Fiquei assombrado diante daquela situação e perguntei-lhe em cima da bucha, para não perder tempo:
- Como ? o senhor comeu oitenta arrobas desta carne ? aqui em Ipirá até hoje, só teve Zé Bigorna que comeu dois quilos de carne de uma só sentada e o senhor tá dizendo que comeu oitenta arrobas. Como assim ?.
- Não foi de uma sentada não. Foi de bife em bife, de lombo em lombo, e isso foi desde criancinha – explicou o senhor.
Eu estava perplexo e comecei a fazer minhas deduções: "não é que essa minha barriga grande, que eu pensava que era barriga-d’água, só pode ser resultado dessa carne aí, afinal de contas, eu já comi mais de noventa arrobas desse treco". Estava nessa meditação profunda, quando um sujeito magro que estava ao meu lado deu uma tremedeira, que parecia que o bicho estava custipiado, pequei-o pelo braço e já fui perguntando:
- Foi essa carne ?
- Não. Eu não como carne, sou vegetariano.
Pensei rápido e disse: - Então deve ser aquelas verduras e legumes ensopados de agrotóxicos que são vendidos no Centro de Abastecimento.
Neste instante, aproximou-se um rapaz que estava branco feito folha de papel e ao vê-lo, questionei-lhe:
- Você está branco assim é por causa desta carne ?
- Não. Eu não toco em carne, só tomo vitamina de banana pela manhã, no almoço e na janta – disse o branquelo.
Não disse mais nada, mas pensei no pior: "leite saído do peito da vaca com banana no carbureto vendida na feira de Ipirá, depois da branquidão vem a ferrugem". Nesse momento, veio um sujeito alto, com pinta de magarefe, saído de não sei onde, e falou:
- Morreu mais gente de vaca-louca na Inglaterra do que aqui.
- Quantos morreram lá na Inglaterra ? – perguntei-lhe.
- Não sei – respondeu e perguntou-me – e aqui, quantos tiveram óbitos ?
- Não sei, mas sei que sem dados corretos não esquento mais a panela – respondi.
Saímos os cinco da agência do banco, um amparado no outro e todos com um destino duvidoso.
Deixando de lado a brincadeira literária, afirmo que o assunto é seríssimo, porque tem que haver ótima qualidade nos gêneros alimentícios consumidos pela população. Ninguém duvida disso e toda população é favorável a que isso aconteça.

A VIDA.
A exposição de fotos na agência de Ipirá, do Banco do Brasil, é sintomática. Demonstra de forma transparente e cabal que Ipirá é um município atrasado; indubitavelmente atrasado; vergonhosamente atrasado; lamentavelmente atrasado. Em pleno século XXI, estamos amargurando as práticas de abate de animais do século XIX, enquanto o desenvolvimento, a modernidade e o progresso estão ali adiante, a 100 km de distância, ali em Feira de Santana, com seus moderníssimos frigoríficos e aparelhadíssimos matadouros de alta tecnologia (se assim não for, que assim se entenda). Que triste sina a de Ipirá. Aqui, do lado de cá, é a falta e a carência; lá, do lado de lá, é o desenvolvimento.

Se estancarmos e circunscrevermos as nossas posições e idéias na observação imediata e intuitiva destas fotos como única e pura verdade, cairemos na fácil constatação e demarcação da autoria do crime: o marchante clandestino.

Será que chegamos ao fim de linha ? será que encerrou a discussão com o argumento irrefutável do estabelecimento do culpado através das fotos, neste preciso momento ? está correto colocarmos nosso foco neste ponto e encerrá-lo neste instante ? pronto, acabou, a solução foi encontrada e está aí, problema resolvido, fim de papo, já fui e que se dane o mundo.

É fácil perceber e visualizar o que acontecerá ao setor trabalhista dos marchantes: ou aceita abater o boi em Feira e o carneiro em Pintadas ou sai do ramo. Não deixa de ser uma solução implacável e rigorosa com esta parcela de prováveis ou supostos culpados. Será que são os únicos e verdadeiros culpados ?

Será que não convém que verifiquemos o que está além das fotos ? e se formos além das fotos, o que veremos ? sem dúvida, ultrapassando os limites das fotos teremos um problema social agudo para um setor trabalhista, que não dispõe de outros recursos para a garantia de sobrevivência e sustento das suas famílias, e neste caso, estarão sendo empurrados para a exclusão social milhares de pessoas, tornando o campo social em Ipirá mais miserável do que é. Isso também é muito preocupante, embora diga-se que o sacrifício de poucos serve para o benefício de muitos.

Está mais do que evidente, que esta situação vai ficando mais complexa. Será que essa situação não atira estilhaços para todas as bandas ? sim, porque ao atingir os marchantes, atinge-se também o município de Ipirá, queiram ou não, e tudo isso vai respingar diretamente sobre o coração de Ipirá, que é a pecuária, o seu principal setor produtivo e daí, canalizado para toda a economia. Desde quando, todas as medidas até agora tomadas foram superficiais, simplesmente não fizeram mais do que "descobrirem os pés para cobrir a cabeça de Ipirá". Está bastante claro e todo mundo entende que Ipirá não pode e não deve ser duramente condenada ao atraso. Ipirá não pode ficar nessa situação de carência e necessidade.

A REALIDADE.
Onde está a pendência ? numa solução que atenda a todas as demandas, tanto a da qualidade, quanto a do abate local.

A foto da vergonha é esta que você vê aqui no blog. Eu não sei o que é, dizem por aqui, que é um matadouro. RAIO X DA OBRA.

LOCALIZAÇÃO: fica na zona oeste, a 4 km de Ipirá, junto à estrada do Feijão. PROJETO: do governo do Estado da Bahia. CUSTO DA OBRA: estimativa (minha) de um milhão e meio de reais. CUSTO DA REFORMA: estimativa (deles) de dois milhões de reais. OBRA CONCLUÍDA: há mais de doze anos. INAUGURAÇÃO: num período de eleição. FUNCIONALIDADE: não tem. Até hoje, nunca foi abatida uma rês aqui. UTILIDADE: é uma obra inútil. CRIME: aí tem prevaricação e má aplicação do dinheiro do povo ( ou não é crime ?). CONCLUSÃO: aí está uma prova incontestável de desperdício do dinheiro público, que escorre para a vala comum do esgoto da ineficiência ou para os bolsos de alguns empreiteiros. Existe uma clara distorção do custo/benefício, e isso é de uma maldade que não tem tamanho, desde quando o governo mendiga ajuda para o FOME ZERO e deixa escorrer rios de dinheiro pelo gargalo da incompetência, ineficiência ou da descaração.
Só tenho a dizer que Ipirá precisa de um matadouro para bovinos e ovinos, caprinos e suínos. Esta é a verdadeira solução, para todas as pendências.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007


SEJA BEM-VINDO A IPIRÁ.

Todos os envolvidos na política de Ipirá acham-se conhecedores profundos desta terra. Eu não duvido que conheçam esta terra como a palma de sua mão esquerda ou direita; mas quem tem boca fala o que quer e diz até o que não pensa. De minha parte, eu acho que o problema reside no fato de que, quando eles falam deste município os seus olhos estão direcionados para o próprio umbigo e o respectivo bolso. Eu nunca presenciei "nenhum deles" fazendo qualquer pronunciamento analisando a situação econômica, social e política deste município. Situam-se sempre na fronteira do episódico e do quanto mais curto e simples melhor. São reflexões pessoais, contemplativas e superficiais de quem se diz possuidor de fórmulas salvacionistas, mas que não são expressadas, nem externadas, talvez, para não se comprometer. Muitos deles não conseguem livrar-se do campo da difamação e do procedimento indigno. "Queta com essa gente", vamos deixá-los num canto com seus motivos carregados de excesso ou de escassez de conhecimento sobre Ipirá.

Seja bem-vindo a Ipirá.
Essa recepção é para você que NÃO conhece ou NUNCA ouviu falar nessa cidade. Tenho a intenção de impressionar você e, nesse sentido, não me recuso em usar a argumentação da ala IMPRESSIONISTA, que afirma: "em Ipirá acontece coisa que nem em Paris acontece", praticamente colocando Ipirá acima de Paris, mesmo sabendo que seus integrantes não conhecem Paris e, talvez, nem saibam onde ela está no mapa; mas, deixando de lado esse detalhe, eu gosto mais daquele argumento que vem com o pé no freio e afirma que "isso só acontece em Paris e em Ipirá", aí, dentro dos conformes, colocam Ipirá no mesmo patamar de Paris, nesse caso, menos mal, porque se for verdade, você está perdendo a maior oportunidade da sua vida, que é matar dois coelhos de uma só cacetada, visitar Ipirá e enxergar Paris, o que será muito atrativo. Para apimentar ainda mais a sua curiosidade, utilizo-me de outra afirmativa da ala IMPRESSIONISTA que diz de boca cheia "êta Ipirá bom". Quando a ala IMPRESSIONISTA diz: "êta Ipirá bom", eles nunca dizem em que. Neste caso só resta a você, visitar Ipirá para descobrir e é este o convite que te faço. Vem comigo.

Agora, quero dirigir-me aos que conhecem Ipirá. Tenho certeza que você conhece Ipirá e você sabe que Ipirá está de coração escancarado para acolhê-lo(a). Mas, também, não é nada de mais perguntar. Você conhece realmente Ipirá ? de resenha ou nas entranhas ? Eu pergunto isso, porque você pode ser daquela ala ROMÂNTICA, que visualiza Ipirá como "a mais bela criatura do universo" e acrescenta que: "seu amor por Ipirá é sublime, eterno e irretocável", além do mais "é um paraíso no interior e é muito linda" e, sem cansar de louvar, diz: "essa Ipirá é uma terra abençoada e famosa" e ainda afirma: "uma cidade impar, conhecida internacionalmente por suas iguarias". Somando-se a esta, encontra-se a ala SAUDOSISTA, que não declina de ser "suadosista das coisas boas", sempre relatando que "Ipirá é muito famosa por suas festas de vaquejadas e suas feiras- livres.

Defrontando-se amistosamente com as alas anteriores, desponta a ala RADICAL XIITA, que não perde tempo em alfinetá-los: "Ipirá é um ovo e todo mundo se conhece" e com a língua afiada afirma: "esse interiorzinho", acrescentando "isso já é uma grande bosta" e complementando "uma grande merda, um verdadeiro c...". Até que os politiqueiros locais gostariam de tomar partido nessa contenda, mas como formam a ala ABSTRACIONISTA ficam em cima do muro, mas defendem a idéia de que "Ipirá é uma cidade em franca expansão dentre as demais do interior" e que "amam essa nossa cidade maravilhosa" e que aqui tem "o melhor S.João do mundo" e desfiam um rosário de "aqui tem o melhor não sei o que do Brasil". Do exagero à hipocrisia não se distanciam um palmo. Com tudo isso, seja bem-vindo a Ipirá e venha comigo.

Para aqueles que residem ou adotaram Ipirá em seu cotidiano, e mantendo um grau de preocupação relevante com o que está acontecendo, e desse jeito, formando a ala NATURALISTA que brada com vigor: "a mata da Caboronga, riquíssima reserva ecológica, com mata nativa e fontes de água mineral", o que não deixa de ser uma grande retrospectiva idealista, porque nem mesmo a aspiração de um bioma de caatinga, com seus galhos retorcidos, está pulsando veemente em nossos arredores. Neste semi-árido, região de sol causticante, de terra esturricada, de água barrenta, de mandacarus e palmatórias, apelo para a ala EXÓTICA, que diz: "I love that city" e deixo sem comentários.
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Tem uma ala SURREALISTA, que impõe a idéia de que "Ipirá é uma boa madastra e uma péssima mãe" ficando equidistante do concreto. Apego-me à visão da ala REALISTA, que diz sempre "aqui tem miséria e riqueza; aqui tem a paz de poucos e a intranquilidade de muitos".
Eu digo que aqui é o céu e o inferno. Bem-vindo a Ipirá, vem comigo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

VOU JOGAR AS CARTAS (Parte I )

No próximo ano teremos eleições municipais em Ipirá. Todo mundo sabe que eleições para prefeito em Ipirá o bicho pega. Sem dúvida, as paixões serão afloradas e ganharão as ruas numa intensidade volumosa e como sempre acontece. Tratando-se de política, seria conveniente fazer uma análise da conjuntura local, mesmo numa distância significativa do pleito, um ano e três meses, mas referindo-se a paixão, prefiro jogar as cartas para ver que bicho vai dar, mesmo não tendo tendência para vidente.

Jogo as cartas sobre a mesa e observo o primeiro problema: o baralho perdeu um montão de cartas. Em tempo de recadastramento é sempre assim, perde-se o excesso de gordura e o ajuste é no facão e na rigidez do critério residencial. Se o peão não tiver sete palmos de terra registrado nesta localidade; já era, cai fora do baralho. De quarenta e cinco mil cartas apareceram mais ou menos trinta mil cartas (presumo). Lá em casa, três cartas saíram do baralho; sem um pigí em seus nomes nestas paragens e se aqui, em Ipirá, não tem Universidade e trabalho para elas, não tem como fixarem residência neste município. Como ficar em Ipirá com essas necessidades ? Só na cabeça de um jegue.

Ôpa ! que carta diferente é essa ? que problemão. Comício na praça do Mercado, aberta, sem feira, dia de quarta, só vai nessa quem tem azeite na moringa. Tem gente que vai pipocar e vai sair escorregando de mansinho, fazendo caminhada pelo Centro de Abastecimento, disfarçando, pegando de mão em mão e fugindo do antigo local da feira como bode foge da chuva. São as mudanças. Não posso dizer quem é, mas que tem gente que vai dar um pinote da antiga praça da feira, isso aí vai, as cartas não mentem.

Lá vai carta ! O delormismo não vive um bom momento. Apiado dos três poderes (municipal, estadual, nacional), isso para quem sempre teve um galho lá em cima para se sustentar é simplesmente doloroso e leva a um isolamento de dar pena, além do mais, estão órfãos, devido ao falecimento de Toninho Ternura, para eles, e neste sentido, o projeto do DEMo na Bahia perde um pouco de fôlego e pode não ter o futuro previsto, isso pode tornar-se um pesadelo para os delormistas que não sabem onde vão colocar as trouxas de roupa. Vão precisar de muito dinheiro para bancar a corrida do ouro e dinheiro está curto nestes tempos bicudos, além disso, não cai do céu. Seu pretendente mais forte gosta de usar uma sigla com três letrinhas LCM, para facilitar a comunicação com o povão e por sorte, ainda pode utilizar-se de "Lula" ou "Lulinha" para influenciar mais ainda; mas da forma e com a roupagem que se apresentar é um pretenso candidato que tem estrada rodada e toda população sabe de quem se trata, principalmente o funcionalismo público municipal e seus amigos fornecedores que ficaram a ver navios e em sua administração o calote funcionou direitinho, deste jeito, já deu mostras de ser um futuro candidato bastante manjado. Esse grupo depende substancialmente do fracasso e desgaste da atual administração municipal de Ipirá, e que, em consequência disso aconteça uma revoada de cartas debandando para o seu lado. Sem que aconteça essa fuga significativa de cartas do grupo do lado do prefeito para esse outro lado, teremos a reafirmação do adágio popular "nadou, nadou, e morreu no Rio do Peixe, por ter fôlego curto". É o que dizem as cartas.

VOU JOGAR AS CARTAS (Parte II)

E tome-lhe carta. O prefeito Diomário Sá é o dono do baralho. Espernei quem quiser, mas a sucessão municipal tem que ter o seu pitaco; além de ser a atual vidraça é quem vai liderar o processo. O seu momento pode não ser dos melhores; sofre um grandioso desgaste no seio de suas próprias cartas, a macacada, que parece que não querem provar café requentado, mas mesmo assim, saltou uma fogueira no São João e na transferência da feira-livre, que não o salpicou. Livrar-se do desgaste tem sido o seu principal esforço. Possui uma equipe que embola o meio-de-campo e parece desencontrada; gasta pouco e uma radiografia da sua gestão na saúde, a chapa apresentar-se-á queimada; o município tem carências estruturais que sua administração não consegue enxergar (campo de venda de animais estruturado e decente é uma delas) que viraram grandiosos problemas e o seu governo é demasiado lento nas ações para atender as demandas e suprir as necessidades estruturais; teve a porta de sua administração arrombada e agora surpreende a todos ao colocar-se como corretor de imóveis, leiloando fazenda. Nessa marcha lenta e pelo andar da carruagem, se a administração não melhorar, se não ajustar os parafusos, se não apertar o cinto e fechar os ralos, poderá ser um grande perdedor de cartas.

Tem mais cartas. Agora o bicho pegou. Os ventos sopram favoráveis a estas cartas contrárias. Nestas muitas décadas criou-se uma dependência total do município em relação aos governos estadual e federal, e por incrível que possa parecer, são estas cartas contrárias que caminham nos trilhos do governo federal e estadual, além disso, dispõem de uma representante na Assembléia Estadual, a deputada Neusa Cadore. Em tempo algum as condições e os ventos foram tão favoráveis. Nunca o terreno apresentou-se tão fofo e tão propenso a ser um atrativo para a sublevação descontente e silenciosa. Nos arcabouços em que colocaram o município, a vinda do governador Jaques Wagner a Ipirá poderá ser uma alavanca para este conjunto de cartas, desde quando atenda às necessidades fundamentais do município (por exemplo: a estrada Ipirá-Pintadas; a extensão da UNEB; Parque de Venda de Animais, etc); porque se vier sem as obras, não atendendo às expectativas do povo, só no zero a zero e na base da conferência, a população ficará com saudade de quem já se foi. Na boa lógica a deputada Neusa Cadore apresenta-se como uma carta de boa aceitação junto à população ipiraense, pelo seu desempenho no último pleito, pelo seu carisma e simpatia angariou potencialidade para promover a esperança e a mudança. Infelizmente é uma carta de outro baralho e não pode ser protagonista direta desse sonho. Aí, as cartas, que aqui pelejam, descobriram a monumental divisão do átomo e procuram fazer uma tempestade num copo d’água, que para mim, demonstra e reafirma muito mais que "farinha pouca meu pirão primeiro" e que todo pensamento que rola é para o "ser em si". Aí, paciência, é muita metafísica para o meu gosto.

Não se zangue comigo, isso é apenas um jogo de cartas. Se você quiser uma análise baseada em critérios metodológicos, para que possa refletir com clareza um momento conjuntural, convém que contrate um instituto de pesquisa, porque de minha parte fiz o que foi possível, joguei as cartas fora.

quinta-feira, 12 de julho de 2007


Tributo a dona Alzira Barrêto. ( Parte I )

Queria construir um poema falando dessa pessoinha meiga e amiga; miudinha como um beija-flor. Precisa ser doce, belo e úmido de lágrimas. Precisa falar da tristeza e saudade que me cerca, mas também, da alegria e da vida que partiu como um pássaro ferido em busca de um sopro. Precisa ser repleto com a dimensão do amor vibrante que embalava a sua existência. Precisa ter a arte da escrita perfeita, um estilo cativante e um canto melodioso, que não deve ser apagado pelo tempo. Não pode ser de outro jeito. Preciso dizer queria, porque não passarei para o papel e só dona Alzira sabe que ele existe, aliás só nós sabemos que ele existe; está aqui no meu peito, bem grudado e lapidado, retratando este diamante duro e resistente, mas também, essa fina e delicada porcelana chinesa que foi dona Alzira, merecedora de um cuidado todo-especial.

Dona Alzira era uma catingueira valente e destemida. Quando ainda menina, invadiu um curral para defender seu pai, Chico Antõe, de uma vaca "braba" que o derrubou, sob olhares masculinos paralisados. Assim ela levou a vida enfrentando com firmeza as agruras e as dificuldades que povoam a existência das pessoas simples e humildes na caatinga. Em 1964, soube suportar o pesadelo que se abateu sobre nossa família com a prisão de seu companheiro Arnaldo Barrêto, pela ditadura militar, por razões estritamente políticas e ideais humanitários (isso não é crime, é honra), e protegeu suas crianças, blindando-as com lágrimas, afeto e uma resistência defensiva da dignidade de nossa família, para aguentar a sanha criminosa e o terrorismo ideológico odiento e raivoso que sofremos. Na década de 70, quando perdeu a sua filha Josete, rasgou o coração com um pranto constante, e isso anos à fio; até que um dia, pediu para mudarmos o retrato do lugar costumeiro, deixando de lado o choro, mas guardando a lembrança com um amor profundo, sem jamais esquece-la. No século XXI, quando acometida pelo terceiro AVC e com sérios comprometimentos para voltar a andar; trouxemos-lhe uma cadeira de rodas, recusou-se a aceita-la no mesmo instante, nem experimentou, em alguns dias estava dando novos passos. Era obstinada.

Dona Alzira era uma pessoa de poucas letras, possuía apenas o primário, mas trazia consigo uma sabedoria especial. Tinha os seus instrumentos de raciocínio bastante afiados; usava a intuição e a dedução como pouca gente é capaz de faze-lo. Possuía uma percepção psicológica apuradíssima, sem ao menos ter lido uma linha sequer sobre essa temática. Lia com os olhos e sabia como estavam passando seus familiares com um simples passar de vistas. Dizia-me: "meu filho ! cuidado com fulano, ele é falso". Mais tarde eu tinha a comprovação. E eu afirmo que era sábia, porque sendo uma pessoa simples, viveu de forma decente e honesta com seu companheiro Arnaldo, e ministraram essa lição de vida como os melhores mestres, nenhum de seus filhos anda por aí tocando fogo em índio, nem espancando e massacrando pessoas simples e trabalhadoras. Souberam educar, transmitindo dignidade, caráter e valores humanos, que muitos doutores não conseguem passar, e eles nas suas simplicidades mostraram-nos essa trilha e nela marcamos nossas passadas. Eu sou imensamente grato por isso e não tem preço que pague esse patrimônio herdado. Isso é uma riqueza inestimável e por isso somos seus devedores morais.

Se você leu até aqui, solicito encarecidamente que não faça nenhum comentário, porque o atendimento qualificado da saúde pública só melhorará se ultrapassarmos a fronteira da indignação e adentrarmos no campo da ação.

Tributo a dona Alzira Barrêto. ( Parte II )

Minha ignorância é profunda em conhecimento de medicina. O erro é humano, mas algumas vezes, suas consequências podem ser irreparáveis. Dona Alzira estava alegre e falante até o momento crucial da crise. Visualizei o momento da dor, que eu não sentia e nem compreendia, na sua fase regressiva e imaginei que fosse uma indisposição estomacal e logo, ela adormeceu com um sono leve e suave. Se eu estivesse em Cuba, viria um médico de família para atendê-la ainda em seu leito, porque com o sistema de atendimento familiar, o médico vai ao povo, mas eu estou é no Brasil e aqui, os profissionais de medicina são formatados como criaturas de elite e são raros os que se livram dessa concepção elitista e da necessidade de status social na cúpula da sociedade e o povo é que tem que ir ao seu encontro nestes clausuros que chamam de hospitais. O atendimento do nosso plano de saúde fica a 100 km de distância. Sua paciência e tranquilidade retornavam após as crises e depois veio mais uma, removemo-la para o Hospital Regional de Ipirá. O diagnóstico saiu correto, era infarto, e a ambulância veio de imediato. Neste instante, caí na real e começou meu tormento interior, pois minha negligência poderia ser fatal. Fiquei remoendo de forma constante e instigante em meu pensamento uma culpa dilacerante.

Dona Alzira era destemida e arrojada; agora estava na U.T.I. em Feira de Santana. Com sua intuição sabia perfeitamente que sua morada não era ali e ela queria arrancar toda entubação na sua determinação arretada, até mesmo, por não ter consciência da gravidade de sua situação. Fui vê-la e encontrei-a amarrada ao leito. Olhou em meus olhos e mandou eu sair, virando o seu rosto: "vá, vá embora, vá". Não queria ver tristeza em minha face atormentada. Ela era sábia em sua intuição e ali demonstrava o amor profundo, fraterno e qualificado que possuía para doar. Sabia que não daria mais para segurar a onda da vida, mas ainda tinha uma grande missão a cumprir: restava salvar seu filho. A intuição de dona Alzira entrava em rota de colisão com o pensamento cartesiano e científico que indicava um direcionamento em contrário, teria que ficar ali por 96 h. Mantinha um quadro estável e de súbito recebemos a notícia de sua saída da U.T.I. Do mesmo jeito que fui enganado no momento da sua crise, também foram enganados os aparelhos de monitoramento, médicos e enfermeiras e minha impressão é que sua intuição foi determinante nesse sentido. Veio para o apartamento do hospital com sua alegria cativante, brincou, gargalhou e esbravejou. Encontrei-me com sua sensibilidade e ela dizia, tentando descer do leito: "vou embora pra minha casa", querendo fugir do tenebroso inverno, que trás raios que rompem com a vida. Dona Alzira não me faltou em nenhum momento da vida. Salvou-me de um martírio penoso e de um remorso eterno de culpa e traição.

Dona Alzira não foi fútil, nem besta. Foi uma pessoa simples que se tornou o esteio de uma família e soube conduzi-la com correção e dignidade. Sabia assimilar e compartilhar sofrimentos e alegrias com os seus; tinha uma imensa capacidade de perdoar para amenizar a dor; possuía uma força interior gigantesca que se tornou o alicerce da sua beleza; era carinhosa e amável. Foi um exemplo de vida revigorante e de norteadora beleza para seus filhos, netos e bisnetos seguirem, porque amou plenamente a vida. Nosso amor por ela é suave e eterno, porque é de coração para coração, todos feridos, um pela lancinante dor sentida, os outros pela tristeza da ausência.
Essa é minha interpretação.

Se você leu até aqui, solicito encarecidamente que não faça nenhum comentário.

Tributo a dona Alzira Barrêto. ( Parte III )

Dona Alzira era corajosa e eu tenho que me espelhar nisso. Agora chegou a minha vez de fazer a minha confissão com a mesma sinceridade de quem vai a um confessionário, sem medo, sem mentira e sem receio de abrir a ferida, doa a quem doer. Por princípio sou favorável ao tratamento de saúde pública com qualidade, como é prerrogativa constitucional. Toda e qualquer demora de chegar até o Hospital Regional de Ipirá vem do meu íntimo mais profundo. Esse hospital deixa-me indignado; me deprime; deteriora a minha condição de cidadão; envergonha-me como gente; estraçalha-me a alma e reduz meu lado humano a nada; destrói a minha convicção humanitária e coloca-me para baixo com sua auréola de negatividade. Ali a fragilidade das pessoas é machucada e triturada.

Estive lá várias vezes, algumas acertaram e outras erraram o diagnóstico, mas sem gravidade, porque o meu grau de confiança não era total. A assistência da saúde no Hospital Regional de Ipirá é deficiente e totalmente carente nos casos mais complexos. É um monstrengo sucateado, cheio de improvisação e uma aparência interna horrorosa. É um amontoado de macas em péssimas condições, com lençóis sujos, num espaço aberto em que qualquer pessoa estranha transita livremente, disparando olhares indecifráveis sobre os doentes e a curiosidade voeja como varejeiras.

É um espaço imundo, com paredes sujas, infectada de sangue, num ambiente onde uma paciente fazia inalação e a faxineira arrastava um monte de sujeira em sua direção. Um local, onde eu pedi um vaso para a paciente cuspir e a enfermeira trouxe a cesta de lixo. É um local dirigido por pessoas sem nenhuma condição administrativa, desde quando isso aí não é quitanda, mas um hospital, e é necessário uma qualificação em administração hospitalar, e se o diretor disso aí for um médico, piora ainda mais a situação, porque demonstra a falta de capacidade e de competência que esse sujeito tem.

O funcionalismo é formado por pessoas boas, mas que não têm culpa de exercerem uma função para a qual não receberam um preparo adequado. Aí junta a incapacidade com o despreparo e o problema é gravíssimo. Uma enfermeira tem que ter uma formação superior da mesma forma que o médico, não pode haver charlatanismo. Tem que haver sensibilidade humana e qualidade no tratamento das pessoas.

É necessário uma saúde pública de qualidade, como um dever do Estado e não essa porcaria que existe no Brasil, até mesmo pelo caráter mercantilista da saúde privada. Encerro com a frase de um conhecido que é dono de um Plano de Saúde e hoje esbanja riqueza e gasta dinheiro como se fosse folha seca. Ao ser perguntado sobre sua empresa de saúde, disse: "estou arrombado, o Ministério Público obrigou-me a colocar uma paciente num hospital em Salvador e eu estou gastando 150 mil reais por mês com a U.T.I. e a desgraçada não morre". Está mais do que evidente que o atendimento da saúde pública tem que melhorar e qualificar-se.
Isso é o que eu enxergo.

Se você leu até aqui, caso queira, faça seu comentário, porque o atendimento qualificado da saúde pública só melhorará se ultrapassarmos a fronteira da indignação e adentrarmos no campo da ação.

segunda-feira, 9 de julho de 2007


O CARNEIRO E O PREFEITO.

Ipirá está num beco sem saída, com esta questão do abate de bovinos e ovinos fora do nosso município. É um problema sério e que afeta de forma violenta a nossa economia, com repercussões avassaladoras na questão social, com a exclusão de milhares de homens, mulheres e seus filhos. Trata-se do desmonte de uma estrutura de "abate tradicional" sem dó, nem piedade ou sensibilidade humana e sem ao menos dar a menor chance. Quem vai alimentar essa gente ?
É bom reviver um pouco o passado histórico. A grande questão social que aconteceu no município de Ipirá foi o conflito entre os criadores de bode contra os fazendeiros que criavam boi. Foi um período quente, com discussões, tiros e mortes. O prefeito daquela época, Edson Pires (1954-1958) não ficou em cima do muro, tomou posição a favor dos criadores de bode, de forma clara, aberta e transparente, sem subterfúgio, vacilo ou morosidade. Partiu para cima e foi o grande baluarte daquele movimento.
Nos dias atuais, vivemos um problema de largas proporções econômicas e sociais: o abate de carneiro e bovinos fora de Ipirá. É necessário que as instituições locais digam ao povo de Ipirá de que lado estão. A Câmara de Vereadores de Ipirá já se posicionou favorável a Ipirá. A rádio Ipirá FM está do lado do povo de Ipirá. Diante dos fatos queremos fazer as seguintes perguntas ao prefeito de Ipirá, Diomário Gomes de Sá, que como democrata não se furtará de responde-las publicamente, desde quando, referem-se a um problema social do nosso município e não ao desejo do missivista.
O prefeito acha que o abate de ovinos deve ser feito em Ipirá ou Pintadas ?
O prefeito acha que o abate de bovinos deve continuar do jeito que está sendo feito hoje em Feira de Santana ou deve ser em Ipirá ?
Qual é a proposta imediata do prefeito para a solução deste problema ?
O drama dos machantes de bovinos em Ipirá já está completando 4 anos e até agora não saiu o matadouro em Ipirá. Na opinião do prefeito, quais são os setores sociais beneficiados com essa demora ?
Por que o dinheiro ( + de 800 mil reais) que veio para o matadouro de bovinos de Ipirá não saiu ainda da gaveta da Caixa Econômica, afinal de contas fazem mais de 9 meses ? É a morosidade do governo municipal ou são erros técnicos no projeto ?
Por causa dos equipamentos necessários os custos do matadouro subiram para aproximadamente 1 milhão e 800 mil reais. A Prefeitura de Ipirá tem 1 milhão de reais para suprir esses custos ? O que a prefeitura vai fazer ?
O prefeito é o representante público mais importante do município diante dos órgãos governamentais e neste momento de grande dificuldade esperamos que a ação do prefeito de Ipirá seja em prol de sua comunidade trabalhadora e não outra, e neste sentido, salientamos que o prefeito de Ipirá tem que estar à frente dessa movimentação, liderando e buscando atender duas reivindicações importantes para o município de Ipirá: o matadouro de bovinos acoplado ao de ovinos e um campo de vendas de animais estruturado, organizado e decente, para alavancar o desenvolvimento da pecuária de Ipirá. Abater o boi em Feira de Santana e o ovino em Pintadas não é solução, é atrapalhação.

segunda-feira, 25 de junho de 2007


SUA EXCELÊNCIA, O CARNEIRO.

Quarta-feira é dia de feira na cidade de Ipirá,é dia de botá pirão no prato e cum aligria trabaiá.O catingueiro pergunta avexado: "Muié o qui tá em farta?".Responde a muié sem pestanejá: "Tá in farta de tudo". O catingueiro dá uma paulada im sua excelença, qui cai sem bodejá.Arranca o couro de lado; puxa o bofe e a triparia;em duas banda vira a carcaça e os miúdo vira iguaria,prus barrigudim sustentá. O catingueiro vai à feira e leva a pele e duas banda desua excelença pra niguciá.Pode paricê primitivismo, mas há uma fila de gente isperando prá levá um taco de carne, sinônimo de boa qualidade, pra quem tá isperando pra fome amenizá. Essa é uma imagem que se encontra em milhares de povoados e cidades deste Nordeste sem par, inclusive em Ipirá.Com dinheiro comprá açúcar, café, farinha e outras necessidades;além de pagá a quem deve e deixá o nome limpo, no comércio de Ipirá. Sua excelença tá nu coração, na barriga e na razão do povo alegre do sertão,que sabe que sua excelença é, portanto, moeda de troca,e que vale mais que uma dúzia de doutor incambitado com juiz, delegado e promotô. Sua excelença não permite mão de catingueiro estirada,pedindo em nome do Senhor uma esmola abençoada.Quem tá vendo e nada faz, não perde por esperá,seja prefeito, governador, deputado ou vereador. Deus no céu é tistimunha da lambança aprontada,por quem não tem o qui fazê,perseguindo sua excelença,para o nosso disprazê.

Quero chamar sua atenção para a difícil encruzilhada em que se encontra a ovinocultura em Ipirá.
Temos um mercado interno que necessita do abate de mais de 500 carneiros por semana e envolve mais de mil pessoas nessa atividade, tornando-se, desta forma, uma questão social relevante.
Na medida em que se exige uma abate diferente sem fornecer a infra-estrutura necessária, cria-se uma dificuldade em larga extensão no campo social, com a exclusão de milhares de pessoas e este fato é preocupante.
A ovinocultura de Ipirá tem necessidade urgente de um matadouro e de um campo de venda decente, organizado e estruturado, para uma comercialização diária, permanente e geradora de emprego e renda.
Que o "causo" acima tenha tocado teu coração, porque abater carneiro em Pintadas ou Feira de Santana não é solução, é atrapalhação

domingo, 17 de junho de 2007


A TRISTE CRÔNICA DA MORTE DE UM CARNEIRO.

A grama do jardim da Praça da Bandeira estava alta e para apara-la eu trouxe um carneiro da roça para fazer um bom serviço. Só queria colaborar. Foi quando o simples jardineiro veio em minha direção e falou alto: - É proibido carneiro aqui.
Como num lance de sorte, no mesmo instante, passou um cachorro e perguntei-lhe:
- E porque cachorro pode andar solto pelas ruas de Ipirá ?
Ele apenas respondeu: - Carneiro não pode e acabou.

Não sei qual é a birra que ele tem contra carneiro, mas não é só ele. Na justiça, até portaria existe proibindo a venda de carne de carneiro na "forma tradicional", mas não tem nenhuma norma exigindo e cobrando do poder público medidas ou a iniciativa de construir ou reconstruir o matadouro em Ipirá, quando, inclusive, o dinheiro já chegou, segundo afirmativa da assessoria do deputado Walter Pinheiro.

A corda está quebrando no lombo do mais fraco e dá para perceber que as autoridades desconhecem o significado e a importância do carneiro para Ipirá. Quem sustenta Ipirá é a pecuária e principalmente a de pequeno porte. Ipirá possui, em torno, de 2.300 propriedades rurais e mais de 80% são de pequenas propriedades e o seu sustento básico é o criatório de ovelhas.

Quando se fala em desenvolvimento com inclusão social, não se pode desprezar esses números acima, além do mais, há mais de mil pessoas no município envolvidas na comercialização da carne de carneiro e que, neste momento, encontram-se em dificuldades para sustentarem as suas famílias e isto significa um trajeto em direção à exclusão social.

A crise que vive a pecuária em Ipirá é profunda e tem uma causa clara, visível e fundamental, que desencadeia toda essa situação : É A FALTA DE UM MATADOURO NO MUNICÍPIO. Esse é o pivô de toda a situação, mas as autoridades não entendem assim e quebram a vara nas costas dos mais fracos, na medida em que condenam a venda da carne de carneiro na "forma tradicional", sem apertar quem tem a obrigação de providenciar os meios (matadouro) para um abate dentro do rigor sanitário. É daí que vem o grande impasse.

Para a venda da carne de carneiro ser diferente da "forma tradicional" só com a existência do matadouro em Ipirá, isso é lógico e indispensável. Mas sem a obrigação da lei para o poder público providenciar o matadouro local e com o arrocho da lei proibindo a venda da carne na "forma tradicional", o desfecho não pode ser outro, que não seja: o benefício de comerciantes atravessadores e dos matadouros de outras cidades (Feira – Pintadas) em detrimento das famílias que vivem do abate e que se transformam em "traficantes de carne de carneiro". E todos nós sabemos que abater em outro lugar não é solução, é atrapalhação.

O que se quer é simplesmente: o ABATEDOURO LOCAL e um CAMPO DE VENDA DE ANIMAIS decente, estruturado e organizado. Depois disso, produzir
e trabalhar em paz, seguindo todas as normas sanitárias necessárias.

Aqui, ninguém come carne de cachorro, que pode adquirir raiva e transmitir outras
doenças com suas fezes espalhadas pelas ruas da cidade, o que demonstra o desleixo da vigilância sanitária. Não entendo a discriminação contra o carneiro, o produto nobre da produção agropecuária de Ipirá.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

A MARRADA DO CARNEIRO.

Até a década de 50, Ipirá era conhecida como a "terra do bode". A comunidade ipiraense participou daquele embate (bode x boi) com acaloradas discussões e um grande acirramento dos ânimos. Com o decreto do PÉ-ALTO e outros interesses venceu o boi. O bode praticamente desapareceu, juntamente com o incômodo e depreciativo pejorativo de "terra do bode". Eram bons tempos, pelo menos, houve o bom combate e não aconteceu o engessamento das idéias.

A base econômica de Ipirá é a pecuária, com mais de 120 mil bovinos e uma estimativa de 240 mil ovinos. Esta base produtiva não está para ser implantada, ela já existe e fomenta um mercado interno que necessita de um abate de mais de 500 ovinos, por semana, e garante trabalho e renda para mais de mil pessoas, só na comercialização de carne. Este é o grande potencial de Ipirá e a sua capacidade produtiva não precisa ser provada para mais ninguém.

Acontece que o criatório de ovinos em Ipirá vive uma crise profunda e afeta sensivelmente todo o comércio local. O boi tem que ser abatido em Feira de Santana e o carneiro tem que ir para ... ? Dizem que o dinheiro do abatedouro de bovinos já chegou e essa conversa já faz mais de 9 meses.
A causa dessa crise acentuada é a falta de um abatedouro em nosso município e, também, de um local de comercialização decente, estruturado e organizado para a venda de animais. Está faltando infra-estrutura para consolidar a cadeia produtiva de Ipirá e ações nesse sentido tem que ser tomadas pelas autoridades públicas, ou não ?

Que o abatedouro de ovinos em Pintadas, que ainda não está funcionando, na medida em que estabeleça venda com a EBAL, ou até para o mercado externo, que não é fácil, venha a ser um canal a mais na comercialização, tornar-se-á um benefício para os dois municípios, mas não nega nossas necessidades. Agora, fazer com que a idéia de território engula o "pensar pequeno" da municipalidade, que tem os seus naturais e justos interesses, sem uma discussão com as mais amplas parcelas populares do território é uma contradição, pois o município não pode ficar a mercê do "pensar graúdo" de um "pequeno grupo" e isso significa negar o amplo debate. Vou ser sincero, não presenciei o debate das idéias divergentes.

Ah ! tem uma portaria. É bem verdade, mas as pessoas necessitam sobreviver, como toda gente trabalhadora e honrada. É só isso o que se quer. A postura impositiva provoca o surgimento do "traficante" (não é o que você está pensando). É o "traficante de carne", que diz bem baixinho, "vai um quilo aí ?". O carneiro, que é nosso produto nobre, chegou a esse ponto lastimável.
Agildo Barrêto.