quinta-feira, 30 de agosto de 2007


SEJA BEM-VINDO A IPIRÁ.

Todos os envolvidos na política de Ipirá acham-se conhecedores profundos desta terra. Eu não duvido que conheçam esta terra como a palma de sua mão esquerda ou direita; mas quem tem boca fala o que quer e diz até o que não pensa. De minha parte, eu acho que o problema reside no fato de que, quando eles falam deste município os seus olhos estão direcionados para o próprio umbigo e o respectivo bolso. Eu nunca presenciei "nenhum deles" fazendo qualquer pronunciamento analisando a situação econômica, social e política deste município. Situam-se sempre na fronteira do episódico e do quanto mais curto e simples melhor. São reflexões pessoais, contemplativas e superficiais de quem se diz possuidor de fórmulas salvacionistas, mas que não são expressadas, nem externadas, talvez, para não se comprometer. Muitos deles não conseguem livrar-se do campo da difamação e do procedimento indigno. "Queta com essa gente", vamos deixá-los num canto com seus motivos carregados de excesso ou de escassez de conhecimento sobre Ipirá.

Seja bem-vindo a Ipirá.
Essa recepção é para você que NÃO conhece ou NUNCA ouviu falar nessa cidade. Tenho a intenção de impressionar você e, nesse sentido, não me recuso em usar a argumentação da ala IMPRESSIONISTA, que afirma: "em Ipirá acontece coisa que nem em Paris acontece", praticamente colocando Ipirá acima de Paris, mesmo sabendo que seus integrantes não conhecem Paris e, talvez, nem saibam onde ela está no mapa; mas, deixando de lado esse detalhe, eu gosto mais daquele argumento que vem com o pé no freio e afirma que "isso só acontece em Paris e em Ipirá", aí, dentro dos conformes, colocam Ipirá no mesmo patamar de Paris, nesse caso, menos mal, porque se for verdade, você está perdendo a maior oportunidade da sua vida, que é matar dois coelhos de uma só cacetada, visitar Ipirá e enxergar Paris, o que será muito atrativo. Para apimentar ainda mais a sua curiosidade, utilizo-me de outra afirmativa da ala IMPRESSIONISTA que diz de boca cheia "êta Ipirá bom". Quando a ala IMPRESSIONISTA diz: "êta Ipirá bom", eles nunca dizem em que. Neste caso só resta a você, visitar Ipirá para descobrir e é este o convite que te faço. Vem comigo.

Agora, quero dirigir-me aos que conhecem Ipirá. Tenho certeza que você conhece Ipirá e você sabe que Ipirá está de coração escancarado para acolhê-lo(a). Mas, também, não é nada de mais perguntar. Você conhece realmente Ipirá ? de resenha ou nas entranhas ? Eu pergunto isso, porque você pode ser daquela ala ROMÂNTICA, que visualiza Ipirá como "a mais bela criatura do universo" e acrescenta que: "seu amor por Ipirá é sublime, eterno e irretocável", além do mais "é um paraíso no interior e é muito linda" e, sem cansar de louvar, diz: "essa Ipirá é uma terra abençoada e famosa" e ainda afirma: "uma cidade impar, conhecida internacionalmente por suas iguarias". Somando-se a esta, encontra-se a ala SAUDOSISTA, que não declina de ser "suadosista das coisas boas", sempre relatando que "Ipirá é muito famosa por suas festas de vaquejadas e suas feiras- livres.

Defrontando-se amistosamente com as alas anteriores, desponta a ala RADICAL XIITA, que não perde tempo em alfinetá-los: "Ipirá é um ovo e todo mundo se conhece" e com a língua afiada afirma: "esse interiorzinho", acrescentando "isso já é uma grande bosta" e complementando "uma grande merda, um verdadeiro c...". Até que os politiqueiros locais gostariam de tomar partido nessa contenda, mas como formam a ala ABSTRACIONISTA ficam em cima do muro, mas defendem a idéia de que "Ipirá é uma cidade em franca expansão dentre as demais do interior" e que "amam essa nossa cidade maravilhosa" e que aqui tem "o melhor S.João do mundo" e desfiam um rosário de "aqui tem o melhor não sei o que do Brasil". Do exagero à hipocrisia não se distanciam um palmo. Com tudo isso, seja bem-vindo a Ipirá e venha comigo.

Para aqueles que residem ou adotaram Ipirá em seu cotidiano, e mantendo um grau de preocupação relevante com o que está acontecendo, e desse jeito, formando a ala NATURALISTA que brada com vigor: "a mata da Caboronga, riquíssima reserva ecológica, com mata nativa e fontes de água mineral", o que não deixa de ser uma grande retrospectiva idealista, porque nem mesmo a aspiração de um bioma de caatinga, com seus galhos retorcidos, está pulsando veemente em nossos arredores. Neste semi-árido, região de sol causticante, de terra esturricada, de água barrenta, de mandacarus e palmatórias, apelo para a ala EXÓTICA, que diz: "I love that city" e deixo sem comentários.
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Tem uma ala SURREALISTA, que impõe a idéia de que "Ipirá é uma boa madastra e uma péssima mãe" ficando equidistante do concreto. Apego-me à visão da ala REALISTA, que diz sempre "aqui tem miséria e riqueza; aqui tem a paz de poucos e a intranquilidade de muitos".
Eu digo que aqui é o céu e o inferno. Bem-vindo a Ipirá, vem comigo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

VOU JOGAR AS CARTAS (Parte I )

No próximo ano teremos eleições municipais em Ipirá. Todo mundo sabe que eleições para prefeito em Ipirá o bicho pega. Sem dúvida, as paixões serão afloradas e ganharão as ruas numa intensidade volumosa e como sempre acontece. Tratando-se de política, seria conveniente fazer uma análise da conjuntura local, mesmo numa distância significativa do pleito, um ano e três meses, mas referindo-se a paixão, prefiro jogar as cartas para ver que bicho vai dar, mesmo não tendo tendência para vidente.

Jogo as cartas sobre a mesa e observo o primeiro problema: o baralho perdeu um montão de cartas. Em tempo de recadastramento é sempre assim, perde-se o excesso de gordura e o ajuste é no facão e na rigidez do critério residencial. Se o peão não tiver sete palmos de terra registrado nesta localidade; já era, cai fora do baralho. De quarenta e cinco mil cartas apareceram mais ou menos trinta mil cartas (presumo). Lá em casa, três cartas saíram do baralho; sem um pigí em seus nomes nestas paragens e se aqui, em Ipirá, não tem Universidade e trabalho para elas, não tem como fixarem residência neste município. Como ficar em Ipirá com essas necessidades ? Só na cabeça de um jegue.

Ôpa ! que carta diferente é essa ? que problemão. Comício na praça do Mercado, aberta, sem feira, dia de quarta, só vai nessa quem tem azeite na moringa. Tem gente que vai pipocar e vai sair escorregando de mansinho, fazendo caminhada pelo Centro de Abastecimento, disfarçando, pegando de mão em mão e fugindo do antigo local da feira como bode foge da chuva. São as mudanças. Não posso dizer quem é, mas que tem gente que vai dar um pinote da antiga praça da feira, isso aí vai, as cartas não mentem.

Lá vai carta ! O delormismo não vive um bom momento. Apiado dos três poderes (municipal, estadual, nacional), isso para quem sempre teve um galho lá em cima para se sustentar é simplesmente doloroso e leva a um isolamento de dar pena, além do mais, estão órfãos, devido ao falecimento de Toninho Ternura, para eles, e neste sentido, o projeto do DEMo na Bahia perde um pouco de fôlego e pode não ter o futuro previsto, isso pode tornar-se um pesadelo para os delormistas que não sabem onde vão colocar as trouxas de roupa. Vão precisar de muito dinheiro para bancar a corrida do ouro e dinheiro está curto nestes tempos bicudos, além disso, não cai do céu. Seu pretendente mais forte gosta de usar uma sigla com três letrinhas LCM, para facilitar a comunicação com o povão e por sorte, ainda pode utilizar-se de "Lula" ou "Lulinha" para influenciar mais ainda; mas da forma e com a roupagem que se apresentar é um pretenso candidato que tem estrada rodada e toda população sabe de quem se trata, principalmente o funcionalismo público municipal e seus amigos fornecedores que ficaram a ver navios e em sua administração o calote funcionou direitinho, deste jeito, já deu mostras de ser um futuro candidato bastante manjado. Esse grupo depende substancialmente do fracasso e desgaste da atual administração municipal de Ipirá, e que, em consequência disso aconteça uma revoada de cartas debandando para o seu lado. Sem que aconteça essa fuga significativa de cartas do grupo do lado do prefeito para esse outro lado, teremos a reafirmação do adágio popular "nadou, nadou, e morreu no Rio do Peixe, por ter fôlego curto". É o que dizem as cartas.

VOU JOGAR AS CARTAS (Parte II)

E tome-lhe carta. O prefeito Diomário Sá é o dono do baralho. Espernei quem quiser, mas a sucessão municipal tem que ter o seu pitaco; além de ser a atual vidraça é quem vai liderar o processo. O seu momento pode não ser dos melhores; sofre um grandioso desgaste no seio de suas próprias cartas, a macacada, que parece que não querem provar café requentado, mas mesmo assim, saltou uma fogueira no São João e na transferência da feira-livre, que não o salpicou. Livrar-se do desgaste tem sido o seu principal esforço. Possui uma equipe que embola o meio-de-campo e parece desencontrada; gasta pouco e uma radiografia da sua gestão na saúde, a chapa apresentar-se-á queimada; o município tem carências estruturais que sua administração não consegue enxergar (campo de venda de animais estruturado e decente é uma delas) que viraram grandiosos problemas e o seu governo é demasiado lento nas ações para atender as demandas e suprir as necessidades estruturais; teve a porta de sua administração arrombada e agora surpreende a todos ao colocar-se como corretor de imóveis, leiloando fazenda. Nessa marcha lenta e pelo andar da carruagem, se a administração não melhorar, se não ajustar os parafusos, se não apertar o cinto e fechar os ralos, poderá ser um grande perdedor de cartas.

Tem mais cartas. Agora o bicho pegou. Os ventos sopram favoráveis a estas cartas contrárias. Nestas muitas décadas criou-se uma dependência total do município em relação aos governos estadual e federal, e por incrível que possa parecer, são estas cartas contrárias que caminham nos trilhos do governo federal e estadual, além disso, dispõem de uma representante na Assembléia Estadual, a deputada Neusa Cadore. Em tempo algum as condições e os ventos foram tão favoráveis. Nunca o terreno apresentou-se tão fofo e tão propenso a ser um atrativo para a sublevação descontente e silenciosa. Nos arcabouços em que colocaram o município, a vinda do governador Jaques Wagner a Ipirá poderá ser uma alavanca para este conjunto de cartas, desde quando atenda às necessidades fundamentais do município (por exemplo: a estrada Ipirá-Pintadas; a extensão da UNEB; Parque de Venda de Animais, etc); porque se vier sem as obras, não atendendo às expectativas do povo, só no zero a zero e na base da conferência, a população ficará com saudade de quem já se foi. Na boa lógica a deputada Neusa Cadore apresenta-se como uma carta de boa aceitação junto à população ipiraense, pelo seu desempenho no último pleito, pelo seu carisma e simpatia angariou potencialidade para promover a esperança e a mudança. Infelizmente é uma carta de outro baralho e não pode ser protagonista direta desse sonho. Aí, as cartas, que aqui pelejam, descobriram a monumental divisão do átomo e procuram fazer uma tempestade num copo d’água, que para mim, demonstra e reafirma muito mais que "farinha pouca meu pirão primeiro" e que todo pensamento que rola é para o "ser em si". Aí, paciência, é muita metafísica para o meu gosto.

Não se zangue comigo, isso é apenas um jogo de cartas. Se você quiser uma análise baseada em critérios metodológicos, para que possa refletir com clareza um momento conjuntural, convém que contrate um instituto de pesquisa, porque de minha parte fiz o que foi possível, joguei as cartas fora.