quarta-feira, 19 de julho de 2017

IPIRÁ TOMOU NO WO

Não dá para acreditar, mas a seleção de Ipirá sub-17, que disputa um torneio de futebol do Território Bacia do Jacuipe perdeu os pontos dentro de casa! Acredite se quiser, perdeu sem jogar.

Isso foi no sábado (9/7). Inacreditável foi o motivo: não foi porque o ônibus furou os quatro pneus, nem por ter perdido o vôo do avião, mas tão simplesmente, porque não fizeram a marcação do campo com a cal e por não ter uma guarnição de dois policiais para dar proteção aos árbitros e fazer a segurança do estádio. Conclusão: Ipirá está virando uma roça ou o prefeito Marcelo Brandão está de brincadeira com a  população.

Eu digo de brincadeira, porque em entrevista na final do campeonato ipiraense 2017, o prefeito disse com aquela categoria, firmeza e postura de voz que lhe é própria, que não só o futebol terá todo apoio de sua gestão, mas também, outras modalidades de esporte, como baskete, vôlei, futebol de salão, etc, que seriam ativadas e prestigiadas. Muita gente acreditou.

Só pode ter sido de brincadeira, porque na primeira oportunidade, ele mostrou um desprezo substancioso por uma categoria importante no futebol que é a sub-17. É necessário todo apoio ao esporte para que essa juventude de Ipirá não naufrague nas drogas por causa do vazio e da alienação que existe nessa cidade. Convoque os profissionais de educação física da cidade e escute as propostas que eles possuem para a juventude e o esporte. Não é questão de grupo, essa coisa de grupo (jacu e macaco) é bajulação e negócio escuso, essa coisa cavernosa não resolverá um único problema social de Ipirá.

Dá para perceber que a conversa do prefeito É PAPO RETO, ou seja, ilação, ou melhor ainda, conversa prá boi dormir. Vamos aos fatos: Quem é o maior defensor de que Ipirá se torne um pólo turístico? É público e notório que é o prefeito Marcelo Brandão. E onde reside toda a contradição do prefeito? Tá nos fatos da realidade.

A conversa bonita do prefeito é ilação e contraditória. Ilação porque floreia na argumentação da atenção à todos os esportes na sua gestão e não atende de forma adequada ao futebol, que é o esporte mais popular e tradicional em nosso município. O descaso com a seleção sub-17 é incompreensível e não apoiar a seleção de Ipirá no Intermunicipal é o seu contraditório.

Quais foram os eventos que trouxeram mais visitantes à Ipirá até hoje? Foram três: o primeiro bingo realizado por Ademar Freire; um concurso fajuto e cheio de trambique realizado pelo prefeito Diomário e a invasão de Ipirá promovido pela torcida de Santo Amaro numa partida da semi-final do Intermunicipal.

Observem bem. O Intermunicipal da Bahia é o maior campeonato amador do Brasil. A partir das semi-finais a TVE transmite os jogos para todo o Estado da Bahia. A final tem a cobertura da rádio Sociedade da Bahia e do jornal A Tarde. Qual é o grande evento de Ipirá que terá uma cobertura de mídia nesse patamar e de graça? Nenhum. O Intermunicipal tem essa capacidade especial e esse potencial de divulgação do município. O Intermunicipal tem força para mobilizar visitantes e tem um custo menor do que qualquer festa de São João ou Micareta.

O prefeito Marcelo Brandão é um grande entusiasta nesta questão das pessoas visitarem Ipirá e aqui consumirem e deixarem dinheiro novo na cidade. Aqui está seu contraditório, quando ele não colabora para que Ipirá participe do Intermunicipal para que Ipirá receba visitantes está indo de encontro à sua principal idéias para desenvolver o município. Uma bela contradição.

A torcida de Santo Amaro pegou Ipirá desprevenida. Chegou em mais de trinta ônibus. Em pouco tempo, não tinha nem pastel nos bares da cidade. O Bar Ibirapuera fechou as portas mais cedo, porque vendeu tudo que tinha para vender. No Estádio José Luis dos Santos a torcida de Santo Amaro cantava: “Ah, eu tô com fome! Eu quero é gol! Vamo Santo, mata esse bode (Ipirá, a terra do bode) pra servir de tira-gosto” Venceu Santo Amaro por 2 x 0. A festa do Intermunicipal é sempre assim, ruidosa, mas consegue trazer visitantes e confraternização.


O prefeito fica preso ao PAPO RETO, brincando com a população. Ele falou em calçamento de 100 ruas de Ipirá com recursos próprios. Eu não acredito nem tomando uma surra de cansanção e ainda fiquei na dúvida, se escrevo esse 100 com c ou com s, mas de qualquer maneira ele tem mais uma obra para realizar, pois já conseguiu a Emenda Parlamentar de seu deputado, um pouco mais de 50 mil reais para a Praça do Mirante (15ª obra) para realizá-la em pouco menos de quatro anos. Cinquenta mil reais! Tem que ser com recursos da União? É por essas e outras que Ipirá está perdendo no WO..

domingo, 9 de julho de 2017

AS MIJONA

São João 2017, Ipirá, Bahia, Brasil. Muito forró, sertanejo e mijação. Nem todo município tem condições de fazer um grande evento; alguns o fazem para causar viva impressão e, às vezes, conseguem.

Praça da Bandeira, em todas as noites principais do festejo junino, uma multidão palmilhava e espremia-se na praça. Duas adolescentes, aparentando 14 ou 15 anos de idade, andavam sem rumo certo e sem uma certeza firme em busca de um lugar mais escondido, mais sombrio, mais recuado, menos povoado e com menos passantes, para não serem vistas, procurando privacidade em praça aberta e movimentada. Posicionaram-se entre os carros, uma baixou o short para mijar na calçada, a outra vigiava. Um ato profundamente íntimo realizado sem a devida dignidade. Foram várias mulheres nessa situação.

Observe a situação de extrema vulnerabilidade, exposição indevida e de risco em que foram colocadas as adolescentes que compareceram ao festejo junino de Ipirá. Condicionadas a atitudes sem pudor, reserva e segurança. Desse jeito mesmo; desprotegidas e inseguras devido à precariedade do conjunto das instalações necessárias às atividades humanas, que foram colocadas à disposição das pessoas. Quem se compromete a realizar e organizar grandes eventos tem que ficar atento para estas questões. Quem está na obrigatoriedade legal da defesa dos jovens e adolescentes tem que exigir e cobrar o cumprimento de tais demandas.

Foram muitas mulheres e homens mijando na calçada. Isso não é um sinal civilizacional, comum, normal e humanamente digno. O grande evento, como gosta o prefeito Marcelo Brandão, é sempre simbolizado, propagandeado e vendido como ‘tudo na vida’, como a ‘salvação do município’, mas a falta de condições, organização e eficácia demonstraram a nosso atraso de civilização. A prefeitura colocou sanitários químicos é bem verdade, não sei se na quantidade suficiente para uma festa de dez mil pessoas.

Às vezes, é necessário até uma reflexão mais apurada para o entendimento das ações humanas. Ainda nos festejos juninos. na Praça da Bandeira, no passeio do jardim, em frente a minha residência, tinha um caminhão parado, que virou ponto de mijação masculina. Eu fico refletindo sobre a capacidade ilimitada do raciocínio humano, que chega ao ponto de olhar e perceber num caminhão um sanitário químico. É uma capacidade impressionante. Para entendermos a capacidade dessa inteligência impar, jamais, em momento algum, essa inteligência enxergará num sanitário um caminhão.

E aquela inteligência que achou que o melhor lugar para mijar era dentro da casa da minha vizinha, se posicionou na grade e eu falei: “Você vai mijar aí?” Ele respondeu: “Quem não gostar que dê seu jeito!”. Era um caso de delinqüência, uma inteligência conturbada.

Certa feita, num Sete de Setembro, chegaram a essa terra do Ipirá duas jovens suecas e o que mais deixou-as impressionadas foi quando viram um casal de cachorro engatado em plena Praça da Bandeira, o Marco Zero da cidade. Nunca tinham visto cachorra no cio, nem pelo canal Discovery. Acharam o máximo. Na Suécia ninguém caga, nem mija na rua e é considerada o paraíso de libertinagem. Não é pertinente comparar Ipirá com Estocolmo, são dois mundos completamente diferentes.

Agora que Ipirá é exótico, isso ninguém pode negar. Cachorro em Ipirá caga no passeio do jardim e mija em poste. É normal e natural. Certa feita, no tempo do ex-prefeito Diomário, a grama do jardim estava alta, na altura do joelho, eu trouxe um carneiro para aparar a grama e contribuir com a administração. Vixe, Nosso Senhor Jesus Cristo! Foi um ‘Deus nos acuda’ o preposto da prefeitura se aproximou e disse-me: “Se você não tirar esse carneiro do jardim, eu vou lhe quebrar todo no cacetete e ainda vou chamar a polícia!” Tem muita autoridade na prefeitura.


Neste São João 2017, 6h da manhã, o carro-tanque fazia a sucção dos sanitários químicos. O Poder Municipal mostrava eficiência. Os passeios e o calçamento em frente às casas continuaram com as poças e uma fedentina de mijo insuportável. Tudo isso aconteceu, não por causa da incompetência da gestão atual, mas por um fato muito simples: a Praça da Bandeira não tem condições de suportar grandes eventos e em Ipirá não tem áreas apropriadas e em condições de atender a mega eventos. É isso que a inteligência oficializada não procura entender e eu não consegui fazer a correção do título, por isso, mijonas ficou sem o s. Tudo é exótico.