domingo, 19 de junho de 2016

AI DE TI, IPIRÁ! (parte 2)


Vamos pensar um pouco. Só um pouco mais do que estamos acostumados. Algumas pessoas reclamaram das fotos da postagem “Ai de ti, Ipirá! (parte 1). A grande preocupação, para essas pessoas, foram as fotos e não o conteúdo. Tem pessoas que estão cativas da superficialidade de uma forma tão profunda que, para elas, as coisas resumem-se às imagens e o conteúdo não tem nenhuma importância. Por aí vamos nós.

Nós estamos bem próximos das eleições municipais de 2016 para a escolha do administrador do município de Ipirá. Temos dois candidatíssimos ao pleito (infelizmente), ambos, terão que apresentar suas propostas ou no mínimo o que pretendem fazer por esse município. Terão que debater a situação do município e seus propósitos, cara a cara, olho no olho com a população. Ou não é por ai? Se assim for, o conteúdo vale mais do que a fotos que se apresentam.

Se estivéssemos à véspera de um ”Concurso de Bonecos”, aí sim, a foto teria predominância absoluta diante do conteúdo. Neste caso, seria muito simples, mais fácil e descomplicado; era só, eleger o boneco mais bonito! Boneco não fala, não houve, não vê. Vixe, Nossa Senhora, Santíssima Santinha, da Igreja de Ipirá, pense num boneco administrando Ipirá! Só ia ficar “os loro” da prefeitura, a turma da esperteza ia raspar o tacho.

Nossa Mãe do Céu, imagine um troço desconcertante! Bonecos vestidos como prefeitos, pleiteando sentar na poltrona mais acolchoada da localidade e investido do poder executivo da municipalidade! Um boneco posto como chefe! É muito mais um angu-de-caroço. E a discussão? Não seria apenas de números, de dezenas para a cabeça da pule no jogo do bicho, seria sobre a foto. Como a foto desse boneco saiu feia! Não desentortou nem o nariz de cera! E o nariz de Pinóquio desse boneco tem uma légua de crescimento! O que Ipirá ganha com a discussão sobre bonecos? Na minha compreensão, nada.

Quem pensava que Tia Eron era uma boneca cobiçada, lascou a boca, ela votou como uma deputada arretada, não se deixou acunhar. Agora, pense num boneco malemolengo, do tipo Mané Gostoso! Pensou naquele deputado federal do Pará, o tal do Wladimir Costa, o elemento fez a defesa do Cunha, foi contra o parecer do relator e na hora do voto meteu o ferro no amigo! Taí um troço que a gente pode chamar de boneco-deputado! Um boneco de engonço, pendurado numa trave, que se move quando o eleitor senta o ferro.

Eu penso que é um perigo ser governado por um boneco. Tem mais, boneco por boneco, seria bem melhor um boneco de Olinda. Vai observar os problemas do município lá do alto; não vai apertar a mão de ninguém depois do concurso, também, não apertaria antes; nem pense em receber dinheiro para depositar seu voto nesse boneco, ele é liso até no bolso; não promete nada por ter convicção que promessa é coisa de santo; não tem cara-de-pau, é feito de gesso e pano; não enrola as pessoas, por ter mãos molembolembas; não faz acordo para não cumprir, porque não cumpre o acordo que faz; não mete a mão em cofre de dinheiro, porque não mete a mão em cumbuca; não toma emprestado, porque emprestado cria limo; por fim, toda self que faz só mostra a mesma cara, não tem duas, nem três fotos, é só a mesma cara, tanto faz na RG como na Habilitação. Não haverá porque reclamar.

Convenhamos que a reclamação está fora do prumo. Ipirá tem que ser encarado dentro da sua realidade e complexidade. Ipirá tem dentro de si, um bolsão de pobreza crônica, que está desenhado na quantidade de famílias inscritas nos programas sociais do governo federal. Mais de treze mil famílias no Bolsa Família, colocando-se três pessoas por família teremos uma quantidade avassaladora de 39 mil pessoas numa população de 62 mil pessoas. Esse é o gargalo que atravanca Ipirá. Isso é preocupante.

Com números nesse patamar Ipirá não tem perspectiva, porque dentro da ótica das esferas governantes mais elevadas, nível estadual e federal, não há dinheiro público para investimento e só se investe onde tem retorno. Capital e pólo produtor são as preferências, municípios médios e pequenos do semi-árido como Ipirá, são lugares de contenção e represamento da população para não migrarem para os grandes centros. E para tal, haja assistencialismo.

Eis uma questão e quem se habilita a ser candidato tem que ter um parecer sobre essa situação. Então, lá vai uma segunda perguntinha, bem simples, para os candidatíssimos Marcelo Brandão e Aníbal Ramos: Qual é a opinião dos senhores candidatíssimos para esta problemática do bolsão de pobreza no município de Ipirá e como encará-lo?

É bom lembrar a primeira pergunta: Qual é a proposta dos senhores candidatíssimos para promover o desenvolvimento do município de Ipirá? Essas perguntas são relevantes e têm uma importância muito grande para Ipirá. Foto não responde a essa perguntas nem aqui, nem no inferno, por isso e por outras razões, o conteúdo das matérias que são escritas e o conteúdo dos candidatos que se apresentam são mais elucidativos do que qualquer foto, inclusive com fotoshop.

Não adianta querer esconder o sol com uma peneira, tem muito interesse particular e exclusivista em jogo. Os candidatíssimos vão ter que soltar a língua, não com xingamentos, mas com propostas, para que a população tenha noção do que teremos pela frente. Ipirá, queiram ou não, é o mais importante e não pode sofrer um abuso coletivo.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

MEU 'MUI' AMIGO DIÓ

Esse Dió, tá aprontando alguma coisa! Eu estou achando que essa liderança mor não está querendo suar a camisa na campanha da macacada. Também pudera, Dió anda meio desencantado com o mundo. Se liga, Dió! Que onda é essa, meu ‘mui’ amigo? Observei que Dió ficou mais animado quando ele fez referência à Ipirá, aí ele ficou com outro astral. Pensei : “ Será que esse sujeito ta querendo dá a quarta cacetada na cabeça do jacu? Se dé, mata!”

Ele disse que na campanha vai ficar na coordenação, quer dizer, na moita. Olha a esperteza do sujeito! Para se embrenhar na caatinga, andar por cima de rastro de sapo cururu e pisar em rodilha da cascavel, que vá o candidato Aníbal; no dia do comício do governador Rui na cidade, que vá o Dió. O sujeito quer dar somente o nome e seu notável prestígio. Falou em dar sangue, ele apresenta a desculpa da saúde combalida.

Tudo, agora, ele joga para cima da doença e da idade. Eu penso, embora não tenha nada com isso, que Dió tem que retornar para fincar os fundilhos em Ipirá, também, eu continuo pensando, mesmo sem ter nada com isso, que Dió não pode ficar em Ipirá sem uma lavagem de roupa, ele vai ter que fazer alguma coisa. Vamos ter que arranjar algo para que Dió preencha seu tempo.

Pensei, bem pensado, e observei que vai ter uma grande oportunidade para Dió em Ipirá: ser âncora do programa Conexão Chapada e eu, naturalmente, o seu peru (não sou locutor). O povo sentando a ripa no prefeito: ”esse elemento só sabia falar!” Dió fazendo suas análises contundentes e gabaritadas e eu com meu bordão: “Dió tá certo ou Dió está falando a verdade” Porque não sendo assim, eu não imagino qual seria o futuro do programa. Seria um Conexão Charlatão com uma chapa-branca no peito? Aí, não tem graça! Esse emprego do Dió tem que dá certo. Nós compraremos o horário, não vamos deixar o programa Conexão ficar com uma chapa-branca na lataria.

Dió, também, pode virar palestrante e viver de palestra. Não dá certo? Por que não? Bill Clinton pode, Lula pode e por que Dió não pode? O preço de uma palestra de Dió vai ficar um pouco abaixo da de Clinton e um pouco acima da do Lula. Eu vou ser mais preciso: havendo palestra dos três, eu escolho a do Dió. Numa palestra do Clinton eu não vou entender nada; Lula já caiu no meu conceito, não estou a fim de aprender malandragem e Dió não, esse sujeito tem coisa a dizer que derruba até nave espacial fora da órbita da Terra.

Com tanta lamentação de Dió, fica parecendo que ele quer ir embora dessa vida e para o meu desespero, eu sonhei que eu e Dió tínhamos ‘batido as botas’ e estávamos indo para o inferno, o maior centro de tortura criado pela inteligência humana, com sofrimento contínuo, permanente e eterno. Quando botamos nossas caras na entrada, ouvimos aquela voz: “Há,há,há! Esses dois aí vão direto para as profundas, há, há,há!” Lá ele! Um sonho pancadão desse, entorta qualquer um. Bate três vezes aí na madeira Dió, que eu já bati do lado de cá.

Ô Dió! Vou te dizer uma coisa: “se a gente tiver que ir para um martírio daquele, a gente que nunca se uniu aqui nesta terra, vamos ter que nos unir naquela broaca, porque a fervura é de lascar”. Tu viu quanto pilantra tem lá dentro? E quanta gente conhecida? Aqueles umas e outras! Eu apostava que aquela galera tinha ido para o céu e os bichos tão lá naquela gemedeira! Fique calado, Dió! Não decline nenhum nome, senão a coisa vai esquentar prá cima dos nossos lombos. Lá ele com esse sonho; chega prá lá trem ruim.

Para não ficar parado com a cara prá cima, Dió poderia escrever um livro. Eu seria o seu secretário, digitador, diagramador, porque, tenho certeza, viria um conteúdo de levantar poeira, abalar o universo e esquentar a frigideira. Eu não tenho dúvida que Dió conhece profundamente toda a podridão do jacu e macaco em Ipirá; tudo, tim por timtim. Daria para escrever dez mil páginas, um verdadeiro dossiê Lava Jato da província de Ipirá, mas poderia ser feito em mil páginas um verdadeiro inquérito processual para levantar o lamaçal que representa jacu e macaco na administração de Ipirá. Com isso, Dió conseguiria se redimir dos momentos de omissão, da famigerada complacência, do incondicional e submisso apoio.

Olhando por esse lado a situação de meu ‘mui’ amigo Dió não é nada confortável. Ele está com um pé na mangueira e outro na jaqueira. Não é só fazendo esse livro que a barra ficará limpa não. Esse livro seria uma espécie de longa e perfeita confissão, uma espécie de mea-culpa; pela gravidade tem que ser num confessionário, com o papa Francisco na escuta, eu com um gravador captando tudo e Dió na sua tranqüilidade e frieza absoluta mandando vê, lendo o bê-a-bá; expondo o que há de podre no ninho do jacu e nos galhos da macacada e o mundo desabando.


Não se incomode com isso não, Dió! O que vale é expurgar todos os pecados que se tem nas costas e ficar purificado, leve e solto. Um verdadeiro passe para limpar e aliviar a alma dessa testemunha impar e que pode fazer um estrago com um buraco do tamanho do mundo nessa galhofa de jacu e macaco, bem maior até, do que o estrago feito pelo irmão de Collor na Republica collorida; do que a do Delcídio do Amaral poderia fazer na República petista e Eduardo Cunha poderá fazer na República brasileira. Eu só desejo coisa boa para o meu ‘mui’ amigo Dió.

sábado, 11 de junho de 2016

AI DE TI, IPIRÁ! (parte 1)




                 
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Pelo contador de visitas, mil e quinhentas pessoas, por semana, fazem a leitura das postagens desse blog. Sinto-me honrado e agradecido. Vou fazer uma pergunta bem simples: você tem interesse por Ipirá? Olha bem, interesse por Ipirá! É diferente do interesse pessoal, individual, subjetivo que vai fazer a volta lá no Monte Alto só para tirar uma lasquinha na coisa pública. É diferente do interesse apaixonado pelos grupos (jacu e macaco) que vota num poste, numa estaca, numa porta, porque representa o grupo oligárquico de sua paixão e, assim sendo, distancia-se de qualquer racionalidade. Neste caso, esqueça a minha pergunta, porque não faz o menor sentido.

Se você responder sim, obriga-me a fazer outras perguntas: qual é o critério que você utiliza para a escolha do administrador público de Ipirá? Quais são as qualidades que um administrador público tem que ter? Quais são os defeitos que um administrador público não tem que ter? Esses questionamentos são relevantes. O candidato a administrador tem que ter noção do que é necessário e tem que fazê-lo ou não precisa ter nenhum conhecimento de causa? O candidato tem que ser honesto e capaz ou fanfarrão e desonesto? Evidente que, você tendo interesse por Ipirá não depositará sua confiança no contrário do seu critério, se você definir a capacidade não privilegiará a incapacidade.

Eu faço essas perguntas, porque o pleito de outubro-16 será muito diferente dos anteriores, não teremos três opções, infelizmente, será plebiscitário, será um Segundo Turno disfarçado com duas únicas opções; ou vai tu ou tu; ou Lé ou Cré. Haverá um rigoroso enquadramento do maniqueísmo de duas forças sem outra alternativa; é o bem ou o mal; quem faz a escolha, só escolhe o bem, o outro não-escolhido é o mal; jacu é o bom macaco é o mal; macaco é o bom jacu é o mal, pela escolha do freguês. A riqueza da sociedade é ser plural, diversificada e múltipla; quando ela é colocada na bitola exclusiva do jacu e macaco ela se foca no atraso e na esterilidade. Fica fossilizada.

Dito desta forma, lá vai uma perguntinha para os candidatíssimos Aníbal Ramos e Marcelo Brandão. Qual é a proposta dos senhores para implementar um projeto de desenvolvimento para o município de Ipirá? Os eleitores que votam com base em critérios querem saber a opinião dos senhores.

Ficar no ataque pessoal, nas ofensas, no reme-reme costumeiro de jacu e macaco não levará Ipirá a lugar algum, significa dois avestruzes metendo as cabeças em buracos para não enxergar a realidade, na mais pura demonstração de despreparo e incapacidade pessoal para tomar a frente e gerir a causa pública, preferindo o baixo e mesquinho subterfúgio da ofensa pessoal, deixando no esquecimento as questões cruciais do município, para permearem-se na abstração da coisa rasteira e inútil. Ipirá não ganha nada com isso e tem que ser respeitada.

Não adianta ficar discutindo as administrações passadas de Antônio Colonnezi contra Luis Carlos Martins, todos dois carimbados com o crivo da ficha-suja por irregularidades administrativas; com o ferro da irresponsabilidade; com a marca vergonhosa do calote no funcionalismo da prefeitura; com pouca virtude e muita falcatrua no lombo. Discutir esses dois é perder tempo; é desprezar Ipirá; é enganar a população; é enrolar o povo; é ludibriar as pessoas de boa fé; é ficar olhando no retrovisor da ineficiência e do atraso. Esse tipo de encaminhamento de debate público sobre o município é frequentemente raso, Ipirá precisa ser olhado para o presente e seu futuro.

De nada vale ficar remoendo essa prática administrativa montada pelo esquema jacu/macaco em Ipirá. Os dois estão devendo muito a Ipirá, são os responsáveis pela situação na qual Ipirá se encontra hoje. Não foram capazes de dar um salto de qualidade e botar Ipirá prá frente, num patamar de desenvolvimento efetivo.

O Matadouro de Ipirá é o exemplo clássico, a prova contundente e inquestionável da desordem e incompetência do jacu e macaco na administração desse município, mas não é só isso, são quase cinqüenta obras dessas duas farsas administrativas que não tem serventia alguma, dinheiro do povo jogado fora, por falta de planejamento, por projetos mal elaborados, por superfaturamento, mal feitas, com a irresponsabilidade que tão bem caracteriza a jacuzada e a macacada. Essa discussão de qual foi a melhor administração entre as duas oligarquias é improdutiva, nociva e absolutamente desnecessária dentro de um espírito de coisa séria. Não rende nada para Ipirá.

A pergunta que interessa à população é esta: qual é a proposta dos senhores candidatíssimos Aníbal Ramos e Marcelo Brandão para implementar o desenvolvimento do município de Ipirá? A resposta cabe aos senhores, se fosse via rádio, tempo igual para os dois, séria interessante para a população de Ipirá. Esta é uma pergunta da pauta que interessa ao povo de Ipirá. Queremos ouvi-los, estamos na escuta. 


sábado, 4 de junho de 2016

INSTITUTO DIÓ

Notícia de segunda mão, porque quem fez a comunicação foi o próprio Dió. Nesse momento, eu senti um entusiasmo no nosso amigo. Penso eu, não sei se estou certo, que Dió está vivenciando um momento existencial muito profundo e faz uma reflexão minuciosa de sua passagem pela terra, de forma que os problemas de saúde fazem parte do seu lamento, mas uma força rejuvenescedora explode de forma salutar quando Dió expõe que pretende implantar um INSTITUTO em Ipirá para palestras, debates e formação política e ideológica dos jovens.

Eu fico indagando: será que esse Dió foi buscar essa idéia no fato de Lula ter o Instituto Lula e Fernando Henrique ter o Instituto FHC? Eu acredito que não, penso, que Dió está mergulhando profundamente na sua própria vida e nesta raiz está visualizando aquele rapaz com uma pasta de mão, com duas mudas de camisa, vestindo uma calça Lee surrada e cingida, entrando 5:30 h da manhã no ônibus da empresa Feirense, com destino a Salvador, transportando a alegria de uma tarefa cumprida em tempos obscuros, mas que, o jovem militante do Partidão soube executar com exímia aptidão e aquela célula estava em pleno funcionamento.

Essa idéia de um INSTITUTO não nasce em quem enxerga pela frente apenas as últimas primaveras. O Velho Dió já passou por estradas e manteve as coisas nos trilhos; já enquadrou muita gente no pensamento estreito, servindo ao sistema oligárquico de Ipirá. Quando o vigor começa a desfalecer, ai bate o drama da consciência que nos joga para o tempo da juventude destemida, imbirrenta, rebelde, sonhadora que quer tocar fogo no céu em busca de liberdade, democracia e igualdade social. O INSTITUTO DIÓ só pode ser resultado desse encontro. Caso contrário será uma farsa.

O velho Dió de hoje, choroso e moribundo, buscando ser preenchido, indo buscar esperança de um rejuvenescimento na sensibilidade e imagem sonhadora daquele jovem idealista que buscava mudar o mundo, mas foi desprezado lá atrás. O velho Dió já chegou onde tinha que chegar, alcançou tudo que podia alcançar. Nesta fase da vida, deve ter consciência de que precisamos muito pouco para viver. Em nossa trajetória acumulamos muito entulho que não serve para nada. Não precisamos de centenas de camisas, sapatos, etc. e tal. Aquele jovem Dió ficou no meio do caminho. O INSTITUTO é uma célula e a célula o reencontro.

Aqule jovem idealista Dió foi indo, se distanciando da causa, foi sendo neutralizado, amordaçado gradativamente, desfigurado, encurralado e finalmente morto naquela perspectiva de uma vida intelectual apaixonada e interiorizada no hábito da luta libertária.

Na estimativa maniqueísta da província, o Dió que ficava, ia sendo domesticado por Ipirá, ia sendo enquadrado na moldura opressora de uma politicagem de oligarguias, foi se adaptando e se conformando. Agora, na fase final da vida, a liberdade daquele jovem Dió vem incomodar e ser o pote de esperança que o velho Dió necessita.

Oh, Dió! Não esquenta a cabeça não, gente fina! Tu tens muita culpa no lombo para se redimir porque foram muitas gerações de ipiraenses que não encontraram um caminho e foram travadas por tua ação oportunista nesta terra, mas o arrependimento nunca será infrutífero. O INSTITUTO poderá ser um primeiro passo.


Que o rejuvenescido Dió não venha com esse INSTITUTO para cabalar eleitores para macacos e jacus, porque esses elementos conseguem-se através do reino da necessidade e do jogo de interesses pessoais. A questão é outra, a questão é de liberdade de consciência e o jovem Dió entendia com perfeição dessa causa.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

O DONO DO PEDAÇO


Dió continua em pauta, até porque, não é todo dia que participo de reunião com essa figuraça, então, tenho que aproveitar para torcer bem a roupa lavada, para não perder uma gota sequer de água.

Confesso, também, que estou preocupado com Dió, estou achando que ele está meio pra baixo, meio confuso, com a auto-estima muito xixilenta, desencantado com o mundo e um tanto borocoxô; só fica falando em doença, velhice, que não é mais candidato a nada, que não agüenta mais, que não tem mais disposição, etc e tal. Que é isso meu velho Dió! Levanta a cabeça, homem de Deus!

Eu compreendia muito bem, quando você era prefeito e chorava muito por causa do dinheiro da prefeitura: “Só nove milhões por mês!” Realmente, eu considero um nada, se fosse noventa milhões era muito pouco, nisso aí você tinha toda a razão e podia chorar à vontade, mas hoje, não.

Hoje, eu só posso considerar esse choro de Dió, transtornos emocionais graves, porque o sujeito vivendo em Praia do Forte; na beira desse marzão de meu Deus (o ser humano ainda não conseguiu privatizar o mar!); sem dá um prego numa barra de sabão; deitado numa rede, soltando peido para o vento carregar; só na maresia, água de coco, wisk, comendo lagosta e só fica dizendo que ta ruim a coisa. Não deixa esse xororô! Eu só penso que é prá gente que ta do lado de cá, com a nossa tripa assada na farinha, fique com pena e divida com ele o nosso pirão de todo dia.  Aí não, não é Dió! Não, com essa que não cola mais!

Mas, eu também, dou uma compensação, não é fácil o sujeito ficar sem fazer nada, só sentindo dor e cansaço no corpo. Telefona para o amigo governador, ouve: “estou ocupado”; para o amigo desembargador, “estou ocupado” aí o sujeito não tem nem com quem conversar; aí, convenhamos, não é fácil.

Uma cidade de mais de três milhões de habitantes e ninguém conhece o “Grande Dió”, prefeito duas vezes de Ipirá, três cacetadas no lombo da jacuzada e ninguém reconhece esses atos e fatos nessa cidade de São Salvador! Isso é doloroso. O anonimato da cidade grande é terrível e devastador, porque desumaniza.

Aqui, em Ipirá, pelo contrário, todo dia, o menino do rádio “é Dió pra lá, é Dió pra cá”, o sujeito do blog “é porque Dió...”, chegam a torrar a paciência, mas não esquecem o Dió.

Eu sinto que esse anonimato na cidade grande está deixando Dió triste e enfadonho, eu fico até pensando, que essa cidade grande poderá levar Dió a uma depressão profunda e, pense aí, Deus o livre e guarde, o nosso amigo Dió botar na idéia de que é atleta olímpico de natação e achar de dá um mergulho em Praia do Forte para sair na África! Deus o tenha sob seu comando!


Aí é só problema! Eu fico muito preocupado com essa situação do Dió, porque tem um vozeirão que só fica dizendo no meu pé de ouvido: “Para onde Dió for, você vai também!” Aí fica Dió todo alquebrado, só nesse chororô, parecendo que está pedindo para ir para ‘uma melhor’ e, ainda essa voz, dizendo que eu vou com Dió. Lá ele, que Dió vá só com Deus e fique numa boa, mas me deixe no meu canto sossegado! Queta com isso, meu velho Dió! Você ainda é um pé de Carvalho e tem no mínimo três centenários pela frente, nesse caso eu te acompanho para o que der e vier, nem que seja pra nós dois fazermos muita miséria nesse mundo.

terça-feira, 24 de maio de 2016

O JUMENTO

E agora, Fadigas? Com a devida precisão, eu posso afirmar, não votarei nem no jacu nem no macaco; nem em Santo Pedro nem em São José; nem no Diabo nem em Satanás, como vocês queiram. Aliás, esta questão do voto está nos limites da consciência ou da inconsciência de cada pessoa e a sua propagação não se faz necessário, mas as circunstâncias forçam certos esclarecimentos, sendo que, encerra-se o assunto.

Certas recordações são fantásticas. Fadigas era guarda da Sucam e tinha por desregramento habitual, obstinado, chegando a ser uma teimosia da qual ele não conseguia escapar, fazer uma fezinha no jogo do bicho. Fazia-o diariamente, não perdia uma corrida. Tinha o hábito de fazer seu jogo com Neném Maçarico, sempre trazia um sonho para ser decifrado e o cambista, com sua experiência e perspicácia, sempre dava um jeito de chegar a uma dezena.

-  Seu Neném! Eu tive um sonho meio encabulado. Sonhei com um jegue carregado de açúcar na ladeira da Caboronga, sem dono e sem tangedor. Qual é o grupo? – quis saber Fadigas.

-  Seu Fadigas! Não adianta esperniar, o jegue tem quatro patas, quem desce e sobe ladeira é bicicleta, quem vende bicicleta é a Radiofone, a Radiofone é de Arapiraca, o número da loja de Arapiraca é 75, então jogue 75 uma semana sem saltear que vai dar.

Passaram-se trinta dias e nada. Fadigas não falhou um dia, o palpite de Maçarico falhou trinta. Fadigas foi a Neném e reclamou, com razão, evidentemente.

-  Mas, seu Fadigas! O senhor disse que o jegue estava na ladeira da Caboronga, não falou se estava parado pra mijar ou esperando uma jeguinha; não falou se estava deitado prá descansar; não falou se ia prá riba ou de cabeça abaixo; não falou se o açúcar era prá comer ou vender; não disse nada disso, então, quem está na ladeira quer subir ou descer e quem sobe e desce é bicicleta, sendo desse jeito, eu estou certo e o seu sonho atravessado.

- Certo o quê, seu embusteiro de primeira linha! Eu vou agora mesmo dá uma queixa sua ao delegado Felix Mota.

Fadigas soube que em matéria de decifração de sonhos, dona Hosana era a especialista do lugar, acertava todas e não errava nenhuma. Tomando conhecimento desse fato, Fadigas dirigiu-se a dona Hosana, narrou-lhe o sonho e deixou-a pensativa, muda e concentrada por um bom tempo.

A casa de dona Hosana era uma espécie de santuário, durante o período natalino ela armava o presépio mais visitado na cidade e o resto do ano transformava-se no oráculo que detinha os segredos e comunicava os desígnios dos sonhos, também, interpretava os mistérios dos pesadelos humanos. Depois de longas horas de espera, Dona Hosana voltou a falar:

- Vosmicê me diz que é um jegue, certo? Na ladeira da Caboronga, certo? Carregado de açúcar, certo? Adveras de seu sonho sonhado tem muito a levar em consideração que açúcar vem da cana e cana tem nó e o jegue tem venta, vosmicê pode seguir sem pestaneja o noventa.

Fadigas deu um pinote e com confiança plena não parou de jogar, era noventa todo santo dia. Dona Hosana era dessas figuras carismáticas que enfrentava a vida pelo lado das suas dificuldades, mas sempre com a generosidade e a sabedoria que a vida nos dá, não deixando de dá suas estocadas sobre a existência humana: “ A inteligência é larga e percorre caminho; a burrice está amarrada num mourão, presa a uma paixão, não sai da rodilha, pensa que sabe e não sabe o que pensa.” Assim, dona Hosana passava os dias entre a sabedoria e os sonhos. Fadigas jogou a dezena noventa por tinta anos, cansado, desistiu numa quinta-feira, na sexta, noventa bateu no primeiro prêmio, deu o grupo do jumento, burro, jegue e semelhantes.

Esta estória deixou-me com uma certa impressão esclarecedora, porque comecei a ter uma visão mais abrangente e botei meu raciocínio para andar, comer poeira, como se diz no sertão, daí eu não ter a menor dúvida: se eu tiver pela frente um jacu e um macaco, eu prefiro o jumento, basta simplesmente, eu digitar 90 e confirmar. Assim vai ser, assim será.

Eu quero ver o jumento governando essa terra. Não prego voto nulo, porque na proporcional o meu voto é revolucionário, será dado com muito orgulho, eu não abro nem para um trem carregado de bomba atômica e no comando deste voto está Arismário. Disso ninguém tenha a menor dúvida.


Um alô para seu Tineck! alô Nei Beleza! Um alô para tantos outros que assim queiram caminhar! Faço o que posso e posso pelo que faço.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

PORQUE DIOMÁRIO É DIÓ.

O Renova Ipirá ouviu o canto da sereia e caiu no conto do pato. Tudo começou com um aceno de vice-prefeito feito tanto pelo jacu como pelo macaco. Vice do que vai ganhar ou vice do que vai perder? Uma esparrela. Uma ou outra divide e quebra o grupo, não só no núcleo diretor como na base, o que é pior e onde mora o estrago. O racha tem proporções de extermínio, rompe com a unidade, dilacera e faz desaparecer.

A pior escolha é ir para uma aliança com uma oligarquia numa condição subalterna, submissa, coadjuvante porque perde a identidade, a autonomia e a firmeza nos propósitos e, antes de tudo, porque dobra-se nos princípios e cede no essencial. Aliança com essas oligarquias só na condição de protagonista, essa é a principal condição para não se quebrar a cara.

Levou a melhor a macacada. Concedeu a vice e ofereceu um bando de coisa. A macacada parecia aquele disco de Roberto Carlos: “Eu te darei o Céu meu bem e o meu amor também!” Quando a esmola é grande desconfia-se do santo. Eu acho que essa macacada está blefando, isso está parecendo promessa de quem não tem nada para dar e dá tudo o que não tem. O sujeito está no buraco, perdido e oferta o paraíso para qualquer romeiro salvador. A turma do Renova que não é besta caiu dentro. Quem é o homem que vai garantir o prometido? O mundo quase desaba: “aqui só tem homem que honra a palavra!” Essa frase está entrando na conta do prefeito Aníbal, de Diomário, de Antônio e Dudy. O Renova é o vice da macacada, coisa consagrada pelos homens de palavra da macacada.

Para a base do Renova pode ficar parecendo que o Renova jogou a toalha. Não tenha dúvida, jogou. A situação do Renova é delicada e complicada, está no olho do furacão, virou macaco. No dia três de outubro, vamos ver quem tem razão: os que não aderiram ou os que foram para as hostes da macacada. O resultado das eleições é quem mostrará quem agiu corretamente. Agora, é bom frisar e deixar bem claro que respeito a posição dos companheiros e eles respeitam a minha.

O olho do furacão foi essa reunião com a macacada. Minha expectativa era Diomário, para esse eu tiro o boné, um especialista em politicagem de jacu e macaco, sabe tudo e conhece de tudo, que na sua categoria chegou mais ou menos com quinhentos liderados para a macacada e disse: “Estou aqui para ser o prefeito da macacada.” E foi. Soube ser protagonista. O Renova com 2.200 votos chega para a macacada e diz:”Quero ser vice.” E é. Só soube ser coadjuvante. No meu haver, seria protagonista ou nada.

Neste momento, a macacada encontra-se numa situação complicada. Verena (com a renúncia) colocou o macaco na UTI; Ademildo desligou todos os aparelhos; agora vem Renê querendo fazer exame de sangue para salvar o bicho; enquanto o PT local, no lado de fora, fica acendendo vela para que o macaco sobreviva. O momento era para chegar um médico ou uma enfermeira e enfiar um bisturi de meio metro bem na jugular e mandar a desgraça para o inferno, aí a outra desgraça (jacu) acompanhava e essa terra tomaria ares de humanidade.

Voltando a Diomário, quando começou a falar, apurei os ouvidos, esse merece atenção redobrada, porque tem substância, é o ninja, pensa com sagacidade e expõe suas idéias com inteligência e propriedade, sempre com uma agudeza mais aprimorada do que qualquer outro ipiraense, tem o meu profundo respeito e vamos ao erudito Diomário que começou como ardoroso defensor do centralismo democrático. Olha só em que doutrina ele foi beber água! Que sujeito esperto! Está querendo mim enquadrar.

Vejam só! Quando interessa aos seus anseios ele vai à essência da matéria e coloca-a ao critério rigoroso de seu interesse. Duvido muito que Diomário aplique o conceito de centralismo democrático em sua pratica política como um todo, até mesmo pelo seu espírito autocrático, mas quando é para o enquadramento às suas conveniências ele traz à tona uma questão basilar dos partidos marxistas leninistas. Esse sujeito parece uma cobra fumando cachimbo, quem entrar aberto ele tora no meio.

Logo em seguida, Diomário fez referência ao chapão dos macacos, a coisa mais perfeita do planeta, eu pensei até que fosse alguma comida com recheio de carne de macaco, que a pessoa come com molho chantilly ou coisa do gênero. Eu pensei assim: “Olha onde esse sujeito veio molhar o bico. Será que esse Diomário já foi camelô?” 

Não é nada disso, chapão é a arapuca para pegar candidato a vereador principiante, tolo e desavisado para eleger vereador macaco. É isso! Para encher o coeficiente de vereador macaco.  Sem coeficiente não tem vereador e o preenchimento da última cadeira fica por conta do saldo e Diomário disse que no chapão da macacada é que o vereador de baixo rendimento eleitoral tem vez. Quem é que agüenta um sujeito desse? Seu nome agora vai ser Dió.

A esperteza de Dió resume-se nessa capacidade nata que ele carrega consigo, se tiver um ingênuo pela frente ele derruba no papo. E o que ele falou do locutor da rádio? Aí eu não posso dizer senão esse blog vira um espaço de fuxico, mas eu vou colocar uma coisa que neste momento faz certo sentido. Marcelo Brandão se perder esse pleito de outubro merece ser deportado de Ipirá, só com uma passagem de ida, com uma mala carregada de pedra, para o deserto de Saara e só retornar a este município se conseguir atravessa o deserto com um cantil de água e comendo somente caldo de pimenta malagueta.

Respeito a posição dos companheiros do Renova. A partir deste momento não terei nenhuma influência ou participação nas decisões do grupo neste período eleitoral. Espero que os companheiros tenham juízo suficiente para não levar um chabu.


Resta-me apenas fazer um parágrafo para contemplar a indignação autorizada de Jolival Soares, de Genesito Santiago, minha (Agildo Barreto) e de todos os eleitores do Renova que se sintam órfãos por não ter uma opção concreta e verdadeira de voto. Inclusive, Jolival Soares deixou uma mensagem dizendo: “Não se tira a esperança das pessoas, pois ela é o alento da vida.” O Renova era essa esperança.