domingo, 5 de abril de 2020

CORONAVÍRUS É BOCA DE ZERO NOVE


“Ao menos 820 funcionários de hospitais da cidade de São Paulo foram afastados do trabalho porque estão contaminados com o novo coronavírus.”

No Brasil, o pior da pandemia, o seu ponto extremo na curva de infecção vai acontecer agora em abril, a partir desse domingo (5/4). É justamente o momento decisivo para sua contenção ou senão, ele avança mais ainda. É uma espécie de tudo ou nada, ou barra ou a dificuldade vai se prolongar por meses. É um momento de calma e de tirar o povo da rua.

É justamente nesse momento decisivo, que aparece a proposta de abrir completamente o comércio de Ipirá, num liberar geral. É muita inconseqüência e impulsividade. É não entender que, nesse momento, agora, o comércio, aqui e acolá, mudou e muito.

O comércio nesse instante, neste exato momento, vive uma situação fora do comum, de clima de guerra, em que a humanidade enfrenta um inimigo avassalador, assim sendo, é preciso que se tenha muita serenidade e não se passe uma mensagem equivocada, de forma apressada, como se fosse uma única solução.

Neste exato momento, o comércio mudou, sendo que, a preocupação da grande maioria das pessoas é comprar remédio, alimento e não supérfluo. Alimento e não roupa e sapato. Porque é um momento atípico.

Abrir o comércio, na afirmativa de garantir o emprego é muito singular, porque mesmo abrindo o comércio hoje, como é proposto, o comércio vai demitir, porque a crise econômica é uma realidade inevitável e vai continuar por tempo afora.

É uma crise do sistema capitalista, antecipada e provocada pelo surgimento de um vírus, que afeta a estrutura econômica produtiva do mundo. O turismo foi completamente abalado; o setor de aviação paralisou; a rede hoteleira parou. É assim que a roda vai girando, sob o espectro da morte de milhares ou milhões de pessoas.

Ninguém pode dizer que não vai acontecer ou vai acontecer em Ipirá. Ninguém tem bola de cristal. Esse é o grande problema. Caso fosse possível ser diferente seria fácil tomar as devidas e corretas providências.

Ninguém pode negar que o prefeito Marcelo Brandão teve atitude, não ficou com os braços cruzados e baixou os decretos dentro da necessidade do momento. O comércio de Ipirá colaborou imensamente, até acima do seu fôlego. É inegável.

Agora, as ruas de Ipirá estão formigando de gente, esse é o grande problema. Essa aglomeração é um perigo, significa o pavio curto de uma bomba para a contaminação e para a morte.

Acabar com a aglomeração tem sido um problema no mundo. A Rússia, em algumas cidades, colocou leões na rua. No Peru, os homens podem sair segunda, quarta e sexta; as mulheres na terça, quinta e sábado. Na Índia, a polícia tá baixando o cacete em quem fica na rua. O presidente das Filipinas mandou atirar para matar quem descumprir regras de isolamento social. Nos morros do Rio de Janeiro, os traficantes deram ordens para a população ficar dentro de casa.

Em Ipirá, não tem um gestor, macaco ou jacu, que consiga conter o povo dentro de casa. É uma questão de sobrevivência. Não sendo, desta forma, motivo para servir de argumento de que o prefeito Marcelo Brandão é justo com os ambulantes e injusto com os lojistas que têm suas lojas fechadas.

O grande equívoco da população de Ipirá é deixar o prefeito Marcelo Brandão pensar e agir sozinho como se fosse o dono dessa fazenda. É justamente nesse momento, que ele entra em euforia e se coloca como o bam bam bam, o ‘salvador da pátria,’ como ‘sua excelência, a autoridade,’ que resolve tudo e soluciona todos os problemas.

O Prefeito MB fez dois hospitais de campanha em Ipirá (dizendo ele) e tem condições de enfrentar a doença. A morte é mais evidente do que a solução apresentada pelo prefeito MB. Que não aconteça nada.

O prefeito MB tem uma tarefa clara nesse momento: é reduzir, diminuir as aglomerações nas ruas de Ipirá. Tem que usar a criatividade para buscar a solução. Abrir o comércio geral é fomentar e conformar-se com as aglomerações.

Forçar o prefeito Marcelo Brandão a decretar a abertura geral e irrestrita do comércio nesse instante tem o mesmo sentido de baixar um decreto legalizando as aglomerações, como se o perigo não existisse.

Fazer a defesa da abertura do comércio nesse devido momento, significa desmerecer as devidas precauções que devem existir para proteger a população. O poder municipal tem o dever de proteger o seu povo.

Se a pressão é pela abertura do comércio, que exige movimento de gente livremente na rua, quanto mais aglomeração melhor, então, estará tirando do prefeito MB a principal obrigação dele nesse momento e isentando-o da responsabilidade de seus atos, que é fazer o possível para evitar aglomeração nas ruas de Ipirá.

Não tendo mais o prefeito Marcelo Brandão a obrigação de evitar aglomerações nas ruas de Ipirá e o comércio escancarado querendo movimento de gente nas ruas, significa passar um salvo-conduto para o prefeito MB, que não terá nenhuma obrigação para conduzir o processo de resguardo da população e o prefeito poderá lavar as mãos. ‘Vocês querem assim, é com vocês,’ poderá dizer o prefeito.

Quem será o responsável? Até o exato momento é o prefeito MB. Pressionado a escancarar todo o comércio; quem o pressiona exime o prefeito MB de qualquer responsabilidade pelo que venha acontecer, pelo bem ou pelo mal. Quem vai assumir toda e qualquer responsabilidade pelo que possa acontecer?

Ipirá está livre? Não. Pode acontecer algum caso em Ipirá? Pode e não pode, ninguém tem convicção do que estar por acontecer. Uma coisa é certa. Um mundo todo está debaixo de uma tempestade. Não é hora de relaxar. Feira de Santana tem 19 casos e aconteceu uma morte em Utinga.

No Brasil são 9.391 casos infectados com 377 mortos. O problema da pandemia é muito sério. O Brasil já está necessitando de médicos, insumos e equipamentos na rede pública de saúde para o combate da pandemia. Qualquer aperto poderá levar o sistema a entra em colapso. Não existe UTI em número extensivo. Estamos no fio da navalha.

Na linha de frente estão médicos e o pessoal da enfermagem colocando suas vidas em risco, num ato de reconhecimento pela coragem, dedicação e sacrifício de todos que estão atendendo os pacientes. Isso já é o suficiente para as pessoas manterem a serenidade e a tranqüilidade. Essa tempestade vai passar, por mais que esteja no seu grau mais elevado.

sábado, 4 de abril de 2020

A VOZ DO CEMITÉRIO


Em entrevista o presidente Bolsonaro disse: “O vírus é igual a uma chuva. Ela vem e você vai se molhar, mas não vai morrer afogado.”

Chuva no Sertão é uma bênção. Chuva na caatinga é uma lavagem na alma deste povo. A meninada da cidade desafiava raios e trovões, corria para as praças e ruas, saltitante e esfuziante, em busca dos pingos de um chuveiro gigantesco; a água deslizava pela pele. Fazia-se barragem de terra, junto à calçada, para acumular água e resistir à correnteza. Ninguém era engenheiro, mas a peraltice da meninada segurava a água com dois palmos de altura e fazia um rabicho enorme, quando estourava, era uma fuzarca.

A chuva expressa a substância maior dessa localidade seca e árida. Se existe uma coisa que o catingueiro conhece de cor e salteado, essa coisa é a chuva. A nossa gente sabe o bem que ela faz. A meninada daquele tempo, tomando o seu banho na chuva, tirava todo o lodo do corpo; a rabugem ia embora, a lama saia, o sujo escorria e o que emporcalhava o corpo era tirado. O menino ficava leve e limpo, podia levar um mês sem tomar banho, que não fazia diferença e não havia necessidade.

Neste exato momento, o asfalto está passando na frente de minha residência. Não tem mais barro e terra para conter a correnteza. Neste exato momento, esta nossa cidade, como o mundo, está em sinal de alerta. Estamos vivendo uma chuva de vírus, que ninguém vê, não sabe de onde vem, mas quando sente é um problema que vai levar a pessoa à morte e vai morrer como morre uma pessoa afogada, no desespero de quem procura respirar e está sufocado.

O número de casos confirmados no mundo superou a marca de 1 milhão de pessoas. O total de mortos pelo novo coronavírus passou dos 50 mil. O coronavírus está acelerado: em 2 de março, o mundo registrava 92 mil casos; em 31 dias saltou para 1 milhão, quase 1.ooo%. Isso é assustador.

Nos Estados Unidos, até hoje, são 244.000 casos, com 5.926 mortes. Isso, por causa da quarentena. A projeção da Casa Branca é de 100 mil a 240 mil mortes nos EUA, mesmo com as regras de distanciamento social sendo obedecidas. Se não tivesse o isolamento social o casqueiro seria de 1 milhão a 2 milhões e meio de mortos. É a palavra da ciência.

O presidente Trump já avisou que os americanos estejam preparados para dias difíceis. A grande carência de máscaras no mundo, um dos produtos essenciais para evitar a propagação do coronavírus, está provocando um pripocó dos infernos, porque os Estados Unidos comprou toda a produção de máscaras da China e pagaram o triplo do preço por um pedido feito pela França.  Com os EUA é na base dofarinha pouca, meu pirão primeiro e o resto que se lasque.

A população tem colaborado com a proposta sistemática e necessária do isolamento social, sem resistência social, mas tem muita gente nas ruas de Ipirá, criando uma aglomeração indevida. Esse é um grande problema.

O prefeito Marcelo Brandão tem tomado as devidas providências, mas o prefeito sozinho é pouco e pequeno para o tamanho do problema. E o prefeito Marcelo Brandão tem uma vaidade poderosa e ele fala muito e não deixa de cantar Exagerado de Cazuza. Eu sou mesmo exagerado.” Ele acha que tem condições de enfrentar esse problema com semi-UTI no hospital de Ipirá. Não tem, pode preparar o caixão e a vela. Ele quer ser o rei da cocada branca e a gravidade desta situação poderá amargar a vida do povo de Ipirá.

Quero fazer um apelo necessário e fundamental nesse momento de extrema complexidade aos dois líderes da jacuzada e macacada, todos dois são médicos, Dr. Luiz Carlos Martins e Dr. Antônio Colonnezi. A população espera e chegou o momento de um pronunciamento dos dois grandes médicos e políticos sobre a saúde de Ipirá, para orientar e tranqüilizar a nossa população.

Tem muita gente, do nosso povo, que dá uma importância elevada às recomendações dos senhores, então, a nossa população está em busca de um conselho de uma pessoa da sua confiança. A omissão seria imperdoável e significaria dar as costas a nossa população num momento de grande incerteza.

Quero fazer um apelo de extrema importância à Dra. Ana Verena (que foi prefeita por 15 dias) e ao Dr. Maurício Brandão (que foi candidato a prefeito), que substanciado na capacidade, respeito e reconhecimento profissional, além do mais, no conceito elevado  que ambos nutrem junto à população ipiraense, que passem uma mensagem informativa ao nosso povo, que será de grande relevância pela credibilidade, dedicação e conhecimento, na área da medicina, da Dra. Ana e do Dr. Maurício. A população  aguarda e haverá de reconhecer e prezar por essa consideração.

Quero fazer um apelo indispensável a dois ipiraenses de renomado gabarito: Dr. Jolival Soares e Dr. René Saint Clair. O povo de Ipirá tem interesse e necessidade de escutar um comentário e uma orientação sobre esse momento de crise do coronavírus. O Dr. Jolival e o Dr. René são bioquímicos conceituados, de um valor profissional inquestionável e com méritos para informarem ao povo de Ipirá um caminho seguro para a preservação da vida.

A mídia televisiva traz todas as informações, mas é fria e distante. A palavra dessas pessoas tem a marca da confiabilidade e da amizade. As redes sociais é um caminho aberto e viável para toda a população.  Um vídeo feito em casa tem uma penetração muito grande.

A pressão econômica é forte, até partindo do presidente Bolsonaro e indo de encontro ao cogitado pelo Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que defende tecnicamente o isolamento social. Em Ipirá começa a ser esboçado a idéia de que o prefeito MB não conseguindo frear a feira livre, tem que liberar geral o comércio.

Aí a vaca vai tossir até ficar rouca. Seria a idéia do efeito manada a busca da imunidade das pessoas através do contato aberto e do movimento assimétrico, deixando no isolamento o grupo de risco.  Seria uma carnificina. Tirar o povo da rua e gradualmente ir afrouxando a corda seria uma forma de contenção a ser praticada com êxito. Seria o risco calculado..

Ipirá não agüenta uma porrada desse patamar, essa é a grande verdade. Com cinco respiradores e com o assistencialismo da medicina dos vereadores sem nenhuma serventia, as palavras do cemitério soam de forma serena e como um bom conselho para o povo de Ipirá. É assim que se fica distante da morte contaminada em Ipirá. Que não aconteça nenhum caso. Depende de nós.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

MORTE EM IPIRÁ


Disse o presidente Bolsonaro, durante entrevista ao Brasil Urgente: “Alguns vão morrer, vão morrer, lamento, é a vida. Não pode parar uma fábrica de automóveis porque tem mortes no trânsito",

Eu digo: “não quero morrer agora, neste momento, devido a uma contaminação; seria uma morte anunciada”

Sendo ou não do grupo de risco, o cidadão brasileiro tem o direito à vida e o governo brasileiro não tem o direito de decidir quem vive e quem morre. No Brasil, até agora, são 5.517 casos de contaminação, com 201 mortos, em situação de ‘subindo a ladeira’ e é aí que mora o grande perigo.

Estão na trajetória do disparo ‘da bala’ do vírus, milhares de vidas, principalmente os idosos e as pessoas mais pobres, que podem ser oferecidas em sacrifício em nome da economia.

A recomendação é que as pessoas mantenham medidas de isolamento social como forma de desacelerar a velocidade do ato de transmitir essa doença no país.

A Sociedade Brasileira de Infectologia e Fiocruz reforçaram que: “apenas o isolamento horizontal funcionaria para retardar as contaminações.” Isso basta, diz tudo.

O prefeito Marcelo Brandão seguiu essa lógica e tomou todas as medidas necessárias, isso ninguém pode negar. Acontece que a cidade de Ipirá está ocorrendo uma desobediência civil. É muita gente na rua em busca da morte.

As ruas de Ipirá têm mais gente do que o necessário, parece que a população daqui gosta de ‘pagar prá ver’ ou ‘acredita demasiadamente na sorte’, então, não custa nada arriscar 'um olho para ver o que acontece'. Não tem olho certo, se acontecer é a morte.

Eu acho que todos sabemos o perigo que corremos. Muitas vezes a necessidade obriga a pessoa a sair em busca de alimento e remédio. Mas com esse povo todo na rua, penso que as pessoas estão de brincadeira com a morte ou acreditam mais no diabo fantasiado de cordeiro do que num vírus.

O comércio está botando pressão e tem lojas abrindo. Neste momento, a criatividade é melhor do que correr atrás do perigo. O atendimento em casa salvou a China. O cliente telefona ou via zap e o comerciante faz a entrega.

A prefeitura poderia organizar de forma rápida e eficiente a ‘caravana do abastecimento’, o carro de som da prefeitura na frente anunciando, os vendedores com carros de mão (nossa realidade) atrás, guardando a devida distância, e atendendo as pessoas de casa, uma de cada vez, por rua, sem aglomeração, e de forma organizada, para evitar a atual aglomeração na Praça do Mercado. Tem que haver criatividade e inovação para ver se o povo fica em casa de quarentena.

Tem uma importância enorme as informações do prefeito Marcelo Brandão: “vai montar dois hospitais de campanha para atender prováveis casos do novo coronavírus.”
“uma ala do hospital municipal será usada para atender pacientes que precisem de um cuidado maior.”
“uma escola municipal, que deve ser definida até a quarta-feira (2), deve atender casos leves.”
“Nossa ideia é criar uma espécie de semi-UTI, já que não temos UTI.
“foram comprados cinco respiradores fixos e um portátil para a saúde local.”
“A ideia é minimizar a contaminação no município.”

“Que não haja uma infestação maior, porque se tiver muitos casos não vai dar para atender.”
“Mas se tiver poucos casos, nós vamos conseguir”
Não vai não, prefeito! Que essa doença não chegue até o município de Ipirá, porque o caso que ocorrer aqui é morte certa. O caso é mais grave do que a fantasia do prefeito. Aqui, em Ipirá, não tem nem condições de fazer o teste para saber quem está contaminada ou não. Aqui em Ipirá, é morte certa.

Que não haja contaminação em nosso município. Quais seriam os médicos que ficariam na linha de atendimento? Dr. Luiz Carlos ou Dr. Maurício? Dr. Antônio ou Dra. Ana? Ou os quatro? Qual seria a equipe de enfermagem que atenderia o paciente(s)? Qual seria as condições de trabalho para esses profissionais da saúde? Na Itália, 14% das mortes têm sido com o pessoal da saúde. Grandes médicos estão morrendo no mundo por contaminação pelo coronavírus. Seria de grande importância que esses quatro médicos citados dessem seus pareceres em relação à realidade verdadeira da saúde de Ipirá.

O prefeito Marcelo Brandão tem uma posição mais cômoda quando ele fala da sua carreira política. Vários dos seus correligionários estavam aguardando a sua presença e o prefeito pelo celular, à viva voz: “eu quero dizer que sou candidato a prefeito e que todos os vereadores devem se filiar ao DEM.”

A ordem não foi cumprida ao pé da letra. O candidato da família Martins foi contestado na sua altivez. Vai haver uma pesquisa para a definição do nome do grupo da jacuzada.

O prefeito Marcelo Brandão deve estar pensando: “logo agora, que eu levantei minha guia, esse pessoal quer embarreirar!”

O prefeito MB está fazendo o asfalto do centro da cidade; o prefeito comprou seis respiradores para combater o coronavírus em Ipirá; a crise econômica vai atingir em cheio o comércio ‘macaco’ de Ipirá; seu adversário macaco é empresário e a depender do estrago que a crise econômica poderá fazer em suas empresas ele poderá jogar a toalha; a prefeitura está dispensada de fazer grandes eventos festivos, então vai sobrar dinheiro; e o governo federal vai ter que abrir as torneiras para dar suporte para a prefeitura atender ao grande número de necessitados que está por vir. Tudo isso deve está contabilizado na cabeça do prefeito.

O prefeito MB é advogado, não é comerciante e não é pecuarista, tem nada a ver com esses segmentos. Pouco lhe importa diretamente que o comércio de Ipirá vá à falência ou que a seca acabe com a produção rural. Ele não será atingido, por não ser, nem uma coisa nem outra, ele é político. E se Ipirá retroagir às condições sociais e econômicas do século passado, fica mais fácil de acontecer o domínio oligárquico da família Martins e esse domínio é seu sonho e grande objetivo.

E na condição de político o prefeito MB poderá ter um gesto grandioso, quando, por porventura, se acaso acontecer, as eleições 2020 forem suspensas e os mandatos dos prefeitos prorrogados, ele de forma magnânima, renunciar ao cargo porque foi eleito para um mandato de quatro anos e, nesse momento complexo, sua tarefa principal é garantir o isolamento social para que a morte não seja o assunto mais comentado em Ipirá.

segunda-feira, 30 de março de 2020

O MUNDO É UMA BOLA



Neste momento de calamidade pública, o prefeito Marcelo Brandão tem tomado as medidas corretas e necessárias. Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. O zelo pela comunidade é uma questão prioritária.

Uma pandemia de coronavírus não é uma brincadeira de criança, não existe vacina até o momento e a disseminação é rápida. Neste primeiro momento, o fundamental é a prevenção da saúde da população. Cabe a cada governante tomar a medida exata e na dosagem certa.

Até agora, a medida mais eficiente tem sido a prática do distanciamento social. A melhor proteção tem sido o isolamento. Foi assim na China, o foco propulsor do vírus. Metrópoles viraram cidades desertas, devido ao isolamento total. Se assim não fosse, teríamos um deserto de vidas humanas. Essas medidas de isolamento salvaram essas áreas urbanas, hoje, estão gradativamente retornando à normalidade. A Itália negligenciou neste sentido e está pagando um preço doloroso.

Ipirá continua tendo, pela manhã, muita concentração de pessoas na Praça do Mercado, em frente aos bancos e em farmácias e supermercados. É muita gente junta, esse é o grande perigo. À tarde a movimentação diminui acentuadamente. Isso é o ideal.  A aglomeração no Centro de Abastecimento é outro fator de risco, embora o tamanho da feira tenha diminuído bastante.

É uma situação especial, porque, existe a questão do abastecimento, muitas vezes, a pessoa sai para pegar algo necessário para a sobrevivência, um alimento ou um remédio. Nas padarias, eu tenho percebido, que a coisa tem funcionado a contento, tem um controle mais eficiente para uma situação de jogo rápido. Pegou, pagou e saiu.

O ambulante pode mudar de hábito, ao invés de esperar o cliente na praça, ele pode ir andando pelas ruas, sozinho, oferecendo a banana, etc. Num jogo rápido. O comércio fechado deveria atender por telefone e fazer a entrega na residência. Num jogo rápido, com menos gente nas ruas e a devida e necessária movimentação para que as pessoas continuem confinadas. É o melhor remédio.

Não tem o que negar: quem for acometido por coronavírus em Ipirá é caixão e vela; não tem salvação. A cidade não tem nenhum recurso hospitalar para um atendimento eficaz e necessário. Evitar sair ou sair de casa o mínimo possível pode significar evitar o indesejável, uma contaminação fatal.

A estupidez e a irracionalidade estão no lugar errado e na hora errada. No Palácio do Planalto, num momento de crise na saúde da população. O presidente Bolsonaro parece um beque de baba que manda a bola para onde o nariz apontar, sem ter noção do que faz.

Vai de encontro à medida adotada pelo Ministério da Saúde do seu governo e orientação da Organização Mundial da Saúde e quer o povo na rua. Desobedece às normas sanitárias, sai pelas ruas procurando ibope e dizendo que doença que vem de fora não pega no brasileiro, porque o cara pula no esgoto, mergulha e nada acontece. Caso para estudo.

Lembrei-me de Júlio ‘Doido’ como era conhecido. Uma força descomunal, ultrapassando a de Sansão sem Dalila. Não dava um murro em alguém que não derrubasse. Carregava três sacas da mamona, com 60 kg cada, na cabeça sem fazer cara feia. Traçava um sapo nos dentes sem pedir cerimônia quando não encontrava uma galinha podre no lixo para fazer o seu banquete. O pobre Júlio ‘Doido’ engolia uma comida deteriorada e nada acontecia. Um caso de estudo.

Não, não! Muito mais uma sociedade de desigualdade extrema onde pessoas são atiradas ao lixo e esgotos para sobreviver. Infelizmente, o comportamento do presidente Bolsonaro perante a realidade que nos assola e assusta não tem a resistência do mergulhador e de Júlio ‘Doido’, mas tem a dimensão da estupidez inconseqüente de quem exerce um cargo e não sabe o que fazer. Pensa que o mundo é uma bola e que a bicuda pode ser dada de qualquer jeito e para qualquer lado.

Ficar em casa é o melhor que podemos fazer. Para ajudar o tempo passar, sem sair de casa, adquira pela Internet, o livro ‘A PRAÇA DAS BANDEIRAS E OUTRAS BANDEIRAS’ verifique como o Camisão suportou a Grande Depressão de 1929. É muito fácil, sem sair de casa, acesse  https://www.amazon.com.br para adquirir o eBook ‘A PRAÇA DA BANDEIRA E OUTRAS BANDEIRAS’. Obrigado e boa leitura.

quinta-feira, 26 de março de 2020

A GRIPEZINHA DO PRESIDENTE


Temos que ser honestos nos nossos pareceres. O prefeito Marcelo Brandão tomou a atitude correta diante da gravidade de uma pandemia que se estabeleceu no mundo. O prefeito MB publicou decretos que foram compreendidos pela população local na tentativa de resguardar e isolar a nossa comunidade.

Evidente que as pessoas estavam sendo informadas pela grande imprensa de maneira que entenderam com mais facilidade os decretos do prefeito MB, que assumiu seu papel cívico e cumpriu a obrigação de sinalizar com clareza a gravidade e o perigo que uma catástrofe opera quando se aproxima. 

Evidente, que diante de uma situação nova e delicada o prefeito MB não deixou de colocar seus devidos arroubos, lembrando e sem perder a mania de ser o prefeito Marcelo Brandão das obras faraônica, dos festejos mirabolantes e das ações megalomaníacas por demais conhecidas.
  
Sem perder o discurso grandiloqüente o prefeito Marcelo Brandão mostrando que uma pessoa prevenida vale por dez, disse que ia preparar leitos no hospital de Ipirá para casos mais graves e na Casa do Idoso para os casos de menor gravidade. O prefeito MB quer brincar de chicotinho queimado.

Tem hospitais nos grandes centros que não sabem como agir diante de tal situação, imagine as unidades de Saúde de Ipirá que o prefeito enxerga como de ‘excelências’ para suportar uma situação de extrema complexidade! 

O prefeito MB, no seu bom propósito, disse que já estava adquirindo respiradores dos fabricantes para quaisquer eventualidades. Quantas unidades serão adquiridas? Um caso positivo estabelecido sem o devido isolamento seria um foco propulsor da doença. O Poder Municipal tem que pensar em outras formas de monitoramento.

Enquanto o prefeito atua com presteza, o presidente Bolsonaro pressiona para que o povo venha para a rua. Pense num atleta bom para receber, de peito aberto, uma dose dupla de coronavírus! Pensou certo, pensou no presidente Bolsonaro! Aí ele ia engolir uma cacetada de comprimido contra a gripe, com muito chá de limão misturado com mel. Pronto. Não passou de uma invenção da ‘maldita imprensa’. Era uma gripezinha.

A gripezinha de Bolsonaro já matou 6.820 pessoas em 69.176 casos confirmados na Itália. Nos Estados Unidos já foram confirmados 60.115 casos com 827 pessoas mortas. No Brasil são 57 mortos em 2.433 casos. O presidente Bolsonaro tem que ficar de quarentena política, de boca fechada, para não infectar ainda mais esse país. É melhor ele deixar o Ministro da Saúde Mandetta conduzir o barco.

Nos Estados Unidos, as pessoas resolveram comprar armas de fogo para se defenderem. Aqui, em Ipirá, uma figura do povo como Luís Gambá, disse que enfrenta o coronavírus na bala trocada. No teatro da humanidade qualquer tragédia vira uma comédia.

A grande feira de Ipirá nesta quarta-feira (25/3) virou uma feirinha de domingo com os preços lá em cima. Dá para sentir o que vem por aí. Na grande Crise de 1929 as Bolsas de Valores despencaram. Em 2008 não foi diferente. Em 2020, as Bolsas de Valores, o grande Resort da Especulação, já começaram a despencar. Existe um prenúncio de grandes empresas em dificuldade, endividadas, insolventes e quebradas. A falência ronda como uma sombra maligna.

O capitalismo carrega em seu corpo crises cíclicas. Estamos na boca de uma grande crise econômica provocada pela concentração de renda e especulação, mas ativada pelo coronavírus. Nestes momentos dá para sentir a alma do sistema. O mercado tem como base a lei da oferta e procura: quanto maior a oferta menor o preço. A quantidade de capital (dinheiro) é imensa, uma oferta incrível, mas a desgraça dos juros não baixa.

O dinheiro é controlado pelos donos do mundo, o Capital Financeiro. Na hora do aperto, o neoliberalismo recorre ao Estado. O Estado norte-americano vai injetar 2 trilhões de dólares na economia americana. Vai contrair um empréstimo junto aos bancos para salvar a economia, naturalmente, salvando as grandes empresas falidas e mantendo grande parte da população na linha da sobrevivência.

É uma engrenagem. Se baixar o poder de consumo do povo, as empresas vão falir, com a falência, vem o desemprego, sem trabalhar acaba a renda, sem rendimentos vem a necessidade, com a necessidade vem a fome e uma série de outros problemas sócio-econômicos. Os grandes bancos querem a salvação do grande capital. O Estado é o trampolim para todos os pulos, até dos liberais.

Aí a crise converge para a política. A primeira coisa sugerida é a suspensão das Eleições Municipais de 2020. Da maneira como a coisa está posta, nada escapa da crise.

A conjuntura da política municipal poderá tomar novos rumos: a candidatura do prefeito Marcelo Brandão começa a tomar certo fôlego, vai sobrar dinheiro ao evitar aglomerações festivas e o Estado soltará mais recursos para possíveis emergências. A pré-candidatura do empresário Dudy poderá sofrer com a provável crise econômica que vai assolar o país. Como ficará seu ramo de negócio?  Caso despenque, como ficará sua pré-candidatura? A pré-candidata Nina poderá ter uma ação mais pontual com sua Associação Beneficente diante do quadro de miséria que se avista. A política do jacu e macaco não tem nenhuma condição de responder aos grandes e complexos problemas que poderão acontecer em nosso município.

sexta-feira, 20 de março de 2020

DO CORONAVÍRUS À CHAPA-QUENTE DO BETUME


Não sei por onde começar. De concreto mesmo, posso afirmar que o asfalto é uma realidade no centro da cidade, emboramente a obra esteja estancada na Praça da Bandeira, sem que ninguém saiba dar uma explicação.

É certo que o prefeito Marcelo Brandão invadiu o projeto do governo do Estado e criou uma situação de ilicitude de forma ampla para si e para o governo do Estado.

O projeto asfáltico do governo do Estado, bem elaborado, com planilha de custo, alvará municipal, recibo do ISS foi transformado em um recapeamento de duas ruas que foram asfaltadas no período do ex-prefeito Jota Oliveira.

O projeto do Estado não foi aplicado na forma licenciada, trata-se de um asfalto recauchutado e que o deputado está escolhendo outras adjacências para o complemento deixando o centro na obrigação da prefeitura. É muito bolodório.

O certo é que o governo Rui Costa não tem tido olhos generosos para o município de Ipirá e o prefeito Marcelo Brandão, faltando nove meses para findar o mandato, tem tido uma administração pífia em nosso município e isso reflete de forma incisiva no quadro pré-eleitoral que se aproxima.

No campo da macacada o rio corre para o mar. Numa calmaria celestial na superfície e numa correnteza tenebrosa na profundidade, quando a pré-candidata Nina insiste na sua intenção de ser uma candidata à prefeitura criando certo descompasso dentro do grupo. A tática da macacada, capitaneada pelo ex-prefeito Diomário Sá, de não lançar a vice neste momento é a causadora desse reboliço e o principal motivo que provoca a pororoca no grupo.

Outro fato concreto que é motivo de grande insatisfação no campo da vereança do grupo macaco foi a chegada de pré-candidatos do grupo jacu que migraram para a macacada. No ponto de vista de alguns vereadores prejudicados a coisa é séria, devido à atuação de um pré-candidato que veio do grupo jacu sem trazer um cabedal de votos significativo e está dilapidando as bases desses vereadores que se sacrificaram três anos na oposição ao atual prefeito e, agora, estão vendo suas bases serem engolidas pela atuação predadora do pretendente a uma vaga na Câmara, que chegou chegando, talvez até, com o apoio do pré-candidato Dudy, que necessita ter um vereador do seu alinhamento direto e incondicional. Na verdade, essa atuação coloca três vereadores atuais da macacada na berlinda ou na boca da onça. Vence a prefeitura e perde o mandato de vereador, grande coisa!

Ainda no campo macaco, o deputado Jurandy Oliveira não fraqueja na queda-de-braço com o ex-prefeito Diomário Sá, que busca manter sua performance de líder representativo do grupo junto ao governo estadual, mas o concorrente é mourão de canto, tem mandato na Assembléia Legislativa do Estado e está em alta com a conquista do asfalto para o centro da cidade. Não tem outra explicação a não aceitação da pré-candidata Nina Gomes como a vice da chapa, inclusive o deputado sinaliza de forma positiva, mas o ex-prefeito Diomário é o grande empecilho e protela a decisão. Pior para o candidato Dudy.

A demora de decisão, que no final será Nina Gomes, só contribui para aumentar o alvoroço na toca dos macacos, porque esta pré-candidata está se organizando, ganhando força e espaço para pleitear com mais firmeza a cabeça da chapa. Quanto mais tempo for delongado, mais o grupo do deputado vai ganhando gordura eleitoral dentro da macacada. O deputado já organizou uma chapa do PP para a vereança. Ficou mais forte e caudaloso para enfrentar a correnteza. Quanto mais demorar a tomada da decisão da vice, mais a pré-candidata Nina vai ganhando espaço eleitoral e se fortalecendo dentro do campo macaco e criando condições para exigir a cabeça dentro ou fora da macacada.

Pelo campo da jacuzada, o prefeito Marcelo Brandão é hegemônico na candidatura à reeleição, sem ter nenhum contratempo dentro do seu grupo. Mas a situação eleitoral do prefeito não é um mar de tranqüilidade, como pode pensar alguns ingênuos; pois que, é bem diferente e pior do que há quatro anos atrás.

O prefeito tem perdido muitos eleitores e prejudicou alguns vereadores e apadrinhou outros, fato que contribui para a falta de empenho em suas hostes. Já declinaram de sua candidatura: o vice-prefeito, um vereador e cinco candidatos à vereança de seu grupo. Isso compromete qualquer eleição.

O prefeito Marcelo Brandão ficou restrito a si próprio, este foi o seu grande equívoco. Não consegue atrair do campo adversário. Sem aglutinar e deixando de ser esperança cai na vala comum do agrado aos seus apaniguados. Assim sendo não conseguirá força para suplantar o quadro de dificuldades.     

A arrogância de qualquer pessoa é destrutiva, pode ser até um prefeito e o dogmatismo é uma grande cegueira, principalmente se for um prefeito. O prefeito Marcelo Brandão está num beco sem saída e com poucas chances de sobrevivência política e por uma pequena brecha dá para visualizar uma reviravolta na política local se o grupo jacu tiver a esperteza e adotar a tática magistral do ex-prefeito Diomário Sá, que comprovadamente dá certo em 90% das tentativas, e entregar a cabeça da chapa da jacuzada a pré-candidata Nina Gomes com o prefeito MB na vice, aí estaria formada a ‘Chapa do Betume’ com dois projetos de asfaltamento para balançar o chão da praça.

Como eu não tenho nada a ver com isso aí e o problema do coronavírus é muito mais importante, preocupante e contagiante do que o que foi colocado acima; eu tenho a contar é que encontrei Luís Gambá, uma pessoa do bem, genuinamente uma pessoa do povo, que não faz mal a ninguém e disse-lhe:

- Seu Luís! Cuidado com o coronavírus que está matando muita gente.

- Ele que venha que eu meto bala nele, bala trocada não é crime! – respondeu seu Luís.

- Mas é uma coisa que você nem enxerga – disse-lhe.

- Não enxerga não! E prá que é que eu tenho esses olhos?
     
Não deixa de ser surpreendente a valentia de seu Luís e a sua ingenuidade espirituosa que brota do seu íntimo e da pureza do seu Ser. Essa situação é muito delicada.

domingo, 15 de março de 2020

É DE ROSCA. (59)


Estilo: ficção
Modelo: mexicano
Natureza: novelinha
Fase: Querendo imitar Malhação, que não acaba nunca, sempre criando uma fase nova, agora é a do prefeito Marcelão.
Capítulo 59 (mês de abril 2019)(atraso de onze meses) (um por mês)

Quando deu o primeiro pipoco, o Matadouro de Ipirá saiu de sua casa, quando o último pipoco estava para ser estourado, encontrava-se na avenida César Cabral, diante do prefeito  Marcelão, que gesticulava com os braços para o alto e o povo aplaudia eufórico: “prefeito Marcelão disse que ia trazer o asfalto e trouxe, êta prefeito retado!” “Parabéns prefeito!” “Muito bem, prefeito Marcelão!”

- E com recursos próprios! – Frisou o prefeito Marcelão falando num tom elevado – e tem mais, vamos subir a avenida até a praça RC que tá tudo dominado – acrescentou o prefeito Marcelão em sua alegria incontida.

O Matadouro de Ipirá foi encostando, quando ouviu um eleitor dizer: “prefeito Marcelão na entrada da praça vamos colocar uma bomba atômica de foguete” ainda deu tempo de ouvir o prefeito Marcelão dizer: “não isso não, não tem necessidade disso não!” Em seguida o eleitor jacu arrematou: “o senhor não pode, mas nós podemos.” O prefeito Marcelão não pagou a girândola e o foguetório não aconteceu. O Matadouro de Ipirá aproveitou e perguntou:

- Ô prefeito Marcelão! V. Exa., está fazendo o asfalto no espaço do projeto do governo do Estado, que mal eu lhe pergunte, isso não é contra  a Lei?

- Eu sou o prefeito da cidade e a maior autoridade da cidade sou eu, então quem manda nessa cidade sou eu, a voz dessa cidade sou eu, a lei dessa cidade sou eu. Pode subir a avenida que quem manda nesse pedaço sou eu.

- Mas, prefeito Marcelão! A licitação dessa avenida e da praça é do Estado e V. Exa., está fazendo o seu asfalto justamente no local da obra do governo e quem vai pagar essa conta e como é que sua prestação de conta dessa obra vai ser aprovada se a obra é irregular?

- V. Pessoa fez uma boa pergunta seu Matadouro de Ipirá! Eu pago o asfalto com recursos próprios e o Estado paga a parte dele, não tem a menor importância o local onde o asfalto é feito, o que importa é que a comunidade ganhou o asfalto do centro da cidade, que era um desejo antigo da comunidade e eu disse que ia fazer e fiz; fale com o sujeito do Blog para ele escrever que o asfalto do centro da cidade foi realizado na minha gestão e que doze anos não fez nem uma borra de asfalto nessa terra.

- Alto lá, prefeito Marcelão! Eu não sou moleque de recado, eu não tenho nada a ver com esse sujeito do Blog, agora o que deu para entender pelo meu entendimento, é que V. Exa., acha que o governo do Estado vai pagar esse asfalto feito por V. Exa., na avenida e na praça e que V. Exa., vai pagar o asfalto feito pelo deputado Jura na periferia do centro da cidade, é isso mesmo?

- Oxente, seu Matadouro de Ipirá! O povo está alegre e satisfeito com o asfalto no centro da cidade, uma obra de minha gestão e da batalha incansável do deputado Jura, isso eu não posso negar de jeito nenhum, eu tenho é que lhe parabenizar pelo seu grande empenho; agora porque aconteceu um errozinho besta no local, V. Pessoa acha que o governo do Estado e a prefeitura vão ficar  criando embaraço, justamente para prejudicar a prestação de conta. Se eu cometi uma ilicitude, o governo do Estado também cometeu, porque eles vão fazer a Rua Rui Barbosa e a Praça do Mercado que não estava no projeto deles, então eles também vão desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal, então seu Matadouro de Ipirá, para não ficar nenhuma dúvida e ficar na maior transparência, o governo do Estado paga o projeto deles com aquelas ruas que eu asfaltei e eu pago o projeto dos recursos próprios com as ruas que o deputado Jura asfaltou. Uma mão lava a outra, o Tribunal de Contas engole tudo, porque o asfalto foi feito e a comunidade foi quem ganhou com isso.

- Mas, prefeito Marcelão? No meu pouco entendimento, V. Exa., cometeu um crime de improbidade administrativa ao não respeitar a licitação e o projeto do governo do Estado, isso pode ser configurado em crime por descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal; no meu fraco entendimento, V. Exa., cometeu um ato de ilicitude e suas contas não serão aprovadas e V. Exa., vai ser obrigado a ressarcir um milhão e quatrocentos mil do seu bolso porque o dinheiro público foi aplicado inadequadamente e, além do mais, com sua ação intempestiva, inadequada, impulsiva e inconseqüente,  V.Exa., obrigou ao governo do Estado a cometer desvio de conduta e cometer atos ilícitos desrespeitando a Lei.

- Ora, seu Matadouro de Ipirá! Tô nem aí! O que importa é que o povo foi contemplado com esta grande obra trazida por mim e pelo deputado Jura e se pique de minha frente que eu não quero ouvir essa conversa mole, em abril será a sua vez. Como é meu povo, quem fez o asfalto do centro da cidade?

A voz da multidão soava estridente: “prefeito Marcelão! E a macacada vá se f...” O engenheiro da obra chamou o prefeito Marcelão e fez um comentário: “prefeito Marcelão! Com esse povo aqui em cima não dá para continuar o asfalto. Eu estou impressionado, nas outras cidades que a gente tem asfaltado o povo fica dentro de casa por causa da poeira e o fedor, aqui o povo vem é para cima” responderam: “você ainda não viu nada” e o matadouro saiu de fininho para a outra obra do asfaltamento.

- Deputado Jura! Que negócio é esse, o prefeito Marcelão botou o asfalto dele no local do asfalto do governo do Estado e V. Exa., não diz nada, não toma nenhuma atitude? O que é isso deputado? – perguntou o matadouro.

- Seu Matadouro de Ipirá! Deixa ele fazer o dele lá e nós vamos fazendo o nosso aqui, essa é uma obra que o povo de nossa terra esperava há muito tempo e eu agradeço ao governador De Costa por ter acatado o meu pedido e eu estou muito feliz em servir ao povo de minha terra.

- Mas, deputado Jura! O prefeito Marcelão não respeitou a lei e V.Exa., não vai tomar nenhuma medida na Justiça? Como é que vai ficar a prestação de contas desses projetos se tá tudo embananado?

- Isso tudo se resolve. As contas serão aprovadas sem nenhum percalço, se houve algum erro no percurso, cumpre-se o que estava previsto no projeto e fica tudo resolvido. Esse prefeito Marcelão é danado! Eu quero mim encontrar com ele é nas eleições, aí a gente vai ver quem é que tem farinha no saco.

- Ô deputado Jura, eu posso lhe fazer uma pergunta? A macacada vai deixar V. Exa., indicar a vice do grupo, no caso a pré-candidata Dinina?

- Taí macho, uma coisa que eu quero ver! Depois dessa obra do asfalto não tem espaço prá mais ninguém; aqui prá gente, não conte prá ninguém, se a macacada não tiver um pai para esse asfalto a coisa vai pegar e, nesse caso, o pai é o deputado Jura; se o ex-prefeito Dió ficar criando embaraço eu posso mim juntar com a jacuzada e essa macacada vai ter condições de enfrentar dois asfaltos, o do deputado e o do prefeito?

O Matadouro de Ipirá ouviu o que tinha que ouvir e seguiu para a avenida. A apreciação do folclórico dia da chagada do asfalta é surreal e o Matadouro de Ipirá anotava tudo. O eleitor A estava sentado e a poeira tomava todo ambiente fazendo um redemoinho ‘brabo’ em cima dele, mas ele não arredava: “Daqui eu não saio, eu tenho que ver com esses olhos, não quero ouvir contado por ninguém, eu quero é ver com esses olhos!”

O eleitor B, pegou uma vassoura e varria a poeira de seu passeio, a maquina da limpeza jogava toda a poeira de volta ao passeio, mas B dizia: “aqui, em meu passeio quem manda sou eu e não adianta vim prá cá não que aqui quem manda sou eu!” O verdadeiro duelo da tecnologia em plena avenida de nossa terra.   

O eleitor C tinha dado o preço de uma casa na avenida de 500 mil reais, um dia antes. A pessoa apareceu com o asfalto ainda quente e perguntou: “ô C! como é mesmo o preço da casa? Não dá para fazer 490 mil não? C deu um pinote: “agora, é 700 mil!” A pessoa tomou aquele susto, mas indagou: “por que C?” O eleitor C respondeu por cima da bucha apontando para o chão: “ai, não tá vendo não, é! Aí, você não enxerga não, é?” O eleitor C estava tão emocionado que esqueceu e não teve jeito para se lembrar da palavra asfalto.

O eleitor D passou por um grupo de jacus e disse: “Olha bem! Vocês estão aqui, olhando o asfalto do prefeito Marcelão, amanhã quando começar o asfalto do deputado Jura não quero ver ninguém lá e quem aparecer lá vai levar chicotada no lombo, lá tem setecentos chicotes lambuzado com sebo de carneiro capado prá dá lapiada em jacu!”

O eleitor E era macaco e apareceu de forma distraída na avenida, a jacuzada apontou: “Olha quem tá ali, um macaco, sai daqui istrupício de Idalina, que teu lugar não é aqui!” ouviu uma sonora vaia.

O eleitor F acompanhava o maquinário sem perder um movimento; a máquina andava ele colado; colado e aprendendo, de forma que por dentro de toda técnica começou a orientar e dar ordem: “ô meu amigo! Você não está vendo que está fazendo o serviço errado, lado de cá tem um centímetro a mais do que o lado de lá, aí você tem que compensar o betume de lá prá cá” o trabalhador indaga: ”o senhor é engenheiro?” e ouviu a resposta: “não, mas também não sou burro!”

O encarregado da obra chamou o prefeito Marcelão e perguntou: “ô prefeito Marcelão esse povo daqui não tem uma trouxa de roupa pra lavar em casa não? Fica todo mundo em cima do trabalho e assim a produtividade fica prejudicada.”

O Matadouro de Ipirá foi saindo devagarzinho: “já deu prá mim, eu vou é pra casa.” Foi andando, passando por várias ruas e foi contando, quando deu fé, tinha passado por quarenta ruas da periferia, todas elas entregues à poeira no tempo de sol e dominadas pela lama no período da chuva. Como tudo nessa terra é voltado para a politicagem, o matadouro ficou pensativo: “será que a comunidade dessas ruas sem calçamento vai cair no conto do asfalto real, que chegou ao centro da cidade?” Eis uma questão.   
  
- Suspense: Veja que situação: a novelinha tá de correria, querendo chegar ao mês de março 20 sem nenhum capítulo em atraso. Um matadouro querendo ser obra e um prefeito querendo não ter problema! Onde vai parar uma desgraça dessa? O que é que eu tenho a ver com o desentendimento do prefeito Marcelão com o matadouro?

O término dessa novelinha acontecerá no dia que acontecer a inauguração desse Matadouro de Ipirá. ‘Inaugurou! Acabou na hora, imediatamente!’ Agora, o artista é o prefeito Marcelão, que foi grande divulgador da novelinha É de ROSCA pela FM.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência. Eles brincam com o povo e o povo brinca com eles.