segunda-feira, 4 de abril de 2016

O MESTRE CHICO ANTÔNIO

Chico Antônio tomava conta da fazenda Santa Helena e mostrava com muito orgulho uma mula que era chamada ‘Presidência’. Aos olhos de menino ‘Presidência’ parecia um camelo sem os dois calombos. Era um monumento, enorme e deslumbrante. Chico Antônio sempre repetia, com entonação na voz: “Quem faz montaria em ‘Presidência’ não apia por qualquer coisa, tem que ser uma coisa de seríssima seriedade”. Fiquei com aquele dizer na cabeça, até compreender que ‘seríssima seriedade’ era o mesmo que ‘muito séria’.

Lá pelas tantas, aparece no Congresso Nacional (tai um nome bonito para colocar em fazenda: ‘Fazenda Congresso’ sem o nacional, senão viraria propriedade estatal) Janaína, nêga de lá ele, e diz que para deixar a presidência basta as pedaladas fiscais e as violações que elas representam à LRF. Chico Antônio dizia que tinha que ser coisa muito séria.

Em Ipirá, a meninada dá pedalada no passeio modelo Copacabana da Praça da Bandeira e não tem impedimento. Oh, Janaína! Por pedalada fiscal não fica um governador e um prefeito neste País, cai tudo do mesmo jeito que cai umbu maduro do pé. Na fazenda Santa Helena, embaixo do umbuzeiro, o chão ficava forrado de umbu e as cabras dando o maior trato. Isso, para mim, é coisa séria. Para apiar da Presidência tem que ser coisa muito mais séria. Cadê o crime de responsabilidade cometido?

Em Feira de Santana, na área da rinha de Carlitão, tinha um sujeito chamado Zé Cebola, que veio da região de Itaberaba, era magro que nem um faquir e a barriga era uma bola murcha, mas quando pegava um facão Corneta apresentava uma agilidade impressionante, de forma que o facão girava em suas mãos e se transformava numa cortina de milhares de lâminas em todas as direções. Ninguém se atrevia. Dez capoeiristas não conseguiram dar um golpe. Cinco lutadores de karatê não deram um só golpe. Quem se atrevesse perderia a canela.

No Congresso, os golpistas ficam cantando em coro: ‘Jandira! Jandira! Jandira!’ A deputada vai ao microfone e diz: ‘’Para vocês falarem em meu nome, vocês vão ter que lavar a boca”. Nesse instante, eu me lembro da fazenda Santa Helena e entra nessa parada a figura de Chico Antônio que iria mais longe e diria: “lavar a boca com criolina”. Essa turma ia ficar com a boca bem lavada.

O velho Chico Antônio costumava dizer aquele ditado popular à sua maneira e eu repito do meu jeito: “Quando o sabido vem com os cajus, o besta já está torrando as castanhas.” Na fazenda Santa Helena quem mais andou na garupa da Presidência foi o PMDB, que lá se chamava manzá e tinha em abundância na lagoa que ficava na malhada da fazenda, esse bicho grudava no lombo do outro bicho e lá ficava enchendo o bucho de sangue até se empanturrar. Era um parasita oportunista que montou no lombo da Presidência e foi o último a apiar da montaria que tanto se apegava.

O caso do PMDB é tão vergonhoso que assustou até Barroso, que mora um andar abaixo do Céu, no Supremo, e eu vou colocar as palavras em sua boca: “É assustador vê um rebanho de patife com a mão levantada como se fosse gente decente”. O PMDB foi carne e unha desse governo, comeu, mamou e lambuzou-se; agora, na maior cara-dura, deixa o governo como se não tivesse nada a ver, como se nunca tivesse participado de nada. Vamos devagar que ninguém é otário.         

Essa turma do PMDB é parecida com a UDN, nunca chegou ao poder da Presidência pelo voto, tenta na manha e no golpe. Essa malandrotropia do Temer quer impor o programa de sua corja ao povo. É muita ingenuidade pensar que a PF e o MP vão ter corda solta com essa gente. Aí não tem jeito, vem à lembrança da fazenda Santa Helena, quando chegava a bezerrada que nascia no meio da caatinga, era uma massa bruta alvoroçada, pinotando mais do que jia em tempo de chuva, e eram colocadas no tronco, à corda curta, berravam, gemiam, contorciam-se, mas cediam. Fico a imaginar o MP e a PF no tronco.

Quem manda nessa barafunda é o Cunha, um pombo-sujo de Ipanema, que vive como xeique da Arábia, com conta na Suíça para alocar propina, só escapará de ver o sol nascer quadrado num acórdão que jogue um balde de água fria na Lava Jato e o povo brasileiro ficará sem saber quem é o ladrão das ovelhas de Cristo.


Pelo cumprimento rigoroso da Constituição; em defesa da democracia e contra qualquer tipo de golpe, até no pensamento. Na fazenda Santa Helena, Chico Antônio costumava dizer: “Cuidado com o prato, que ele é de louça!”

sábado, 26 de março de 2016

O CAMPEÃO VOLTOU



Estamos na quaresma, se Judas tiver de deixar alguma coisa para a macacada em 2016, já esta definido, vai deixar assombração e abismo. Não será nada fácil vencer o pleito de outubro 2016. O que a macacada vai encontrar pela frente é um abacaxi com casca de jaca, que vai ter que engolir.

O vídeo da macacada parecia um velório, só faltou mostrar o defunto. Eles tinham perdido, por desistência, o pré-candidato mais encorpado e com maiores possibilidades dentro do grupo, o Dudy, e tiraram das nuvens um discurso de que o grupo tinha um candidato forte e em condições de vencer as eleições 2016. Nome: qualquer um.

Veja que situação: o grupo na boca da onça; no maior esparro do mundo; um pouco melhor do que aquela de Vavá Kabila e eles acham que vão garantir a vitoria com ‘qualquer um’! Eles acham que ‘qualquer nome’ vira e revira esse jogo. Isso é um pensamento simplista e eivado de apaixonite aguda. Nas condições atuais, dentro do grupo macaco não tem um nome com o potencial de Dudy. Se este tem condições de vitoria? É outra conversa.

A situação ganhou contornos de confusão quando Dudy deu entrevista, no programa Top Sport, ao comunicador Manoel Hito. Ele foi categórico ao citar como o único motivo de sua desistência o fato do prefeito Ademildo não ter aceito René na vice, desde quando, o prefeito queria a vice para o PT. Dudy foi fidedigno ao seu pacto de vida ou morte com René. Foi homem e garantiu a palavra empenhada:” Sem René na vice, eu não sou candidato a prefeito”.

Depois do encontro com o prefeito, aconteceu a reunião da segunda-feira, em Salvador, com a macacada, e foi o dia da desistência. É aqui que está a contradição de Dudy, porque ele deve ter apresentado o seu único e verdadeiro motivo (a aceitação de René) e não foi ratificado pelo grupo, aí ele desistiu, pois que, se o grupo tivesse aceito ele não desistiria. Então, de forma lógica, não foi só o prefeito que não aceitou o vice, foi o prefeito e o grupo da macacada.

Vamos partir do pressuposto de que o grupo aceitou René como vice, então não haveria motivo para Dudy desistir, mas que desistiu, desistiu! Então a razão que levou a isso não foi a recusa da vice, mas outros motivos não mencionados na entrevista e de competência do grupo, mas que foram sonegados porque a intenção na entrevista era jogar toda a culpa nas costas do prefeito Ademildo.

Na realidade, o grupo da macacada está em crise, até mesmo pelo desgaste de doze anos na administração municipal. Nesses momentos de aperto, até mesmo, as idéias parecem fugir. Com a desistência de Dudy resolveram escolher outro pré-candidato por meio de pesquisa com quatro nomes.

A saída da crise não é tecnicista. Vamos supor que o primeiro colocado tenha uma rejeição maior do que o segundo (qual é o melhor?); se houver empate técnico? Se houver erro na coleta de dados? E mais outras questões que não respondem à problemática e cria mais problema ao alimentar duvidas e suspeições. O campeão voltou, suspende-se tudo.

A questão é política. A tarefa da macaca é uma espinha atravessada na garganta: Como vencer Marcelo Brandão no pleito 2016? O grupo macaco sozinho é praticamente impossível, haja visto, a crise que vive a macacada; a desorganização que apresenta; o resultado da eleição 2012; o desgaste administrativo; as perdas do percurso; e outras mais.

A tábua de salvação é a aliança política. Tem gente da macacada que entende que não é assim e chegam ao ponto de falar em tom de ameaça ao prefeito Ademildo, que vão entregar todos os cargos municipais de confiança em junho. Se o fizerem, estarão comprando o terno de posse de Brandão.


A questão é política: Qual é o candidato que tem maior probabilidade de unir o maior número de forças políticas para se empreender uma luta política capaz de mudar uma tendência fortíssima que se apresenta? Diomário sabe que é por aí e não na base de “O campeão voltou”. Ipirá está calmo e tranqüilo; o Brasil está pegando fogo.

terça-feira, 22 de março de 2016

PRÉ-DUDY

Agora, tudo indica, deixou a esfera da boataria e virou verdade: Dudy jogou a toalha. Reunião à tarde e deflagração da notícia à noite. Verdade ou falsidade? Estou indo na crista da onda. Muitos pensam que não, mas Dudy tem suas razões e não são poucas. Era um pré-candidato jogado à própria sorte e esforço, entregue ao compasso do “se vira nos 30”. Nunca foi acompanhado pelas lideranças do grupo da macacada em suas visitas à zona rural e na hora de meter a mão no bolso para tirar a jararaca fazia-o sozinho. Estava metido num esparro. Uma boa reflexão e a conclusão não podia ser outra: “Quem vai nessa é coelho, não eu!”

O problema não está em Dudy, está no grupo da macacada, que convive com um desgaste natural de 12 anos consecutivos na administração do município e vem de uma serie de trapalhadas nas ultimas eleições 2012, quando trocou as mãos pelos pés e escapou da derrota por milagre, aos 49 minutos do segundo tempo. Aquele lengalenga: “É Antonio, não é”, “É Ana, ela não quer”, “É 11, é 22”. Criou uma situação emblemática que resultou numa renúncia, que sem justificativa clara, nunca foi bem explicada. Isso criou um desgaste novo e entraves que repercutiram e tem tido um forte desdobramento nos dias atuais.

A macacada tem contra si o desgaste e a pressuposição de que a opinião pública caminha para um remanejamento do poder. Isso é fatal. Nestas condições desfavoráveis que se apresentam, qualquer nome que seja do grupo macaco que se arvorar a ser um pré-candidato do grupo estará pegando um rabo de foguete para carregar um caixão sem alça, principalmente, depois que Diomário garantiu que não é mais candidato a nada em Ipirá e deixou um vácuo, sem nenhuma cortina de anteparo para o grupo. O macaco, por si só, não tem um nome competitivo, Dudy era o melhor nome do grupo, percebeu a fragilidade organizacional da macacada e o esparro em que estava metido; caiu fora. Qualquer outro nome do grupo dos macacos não terá a mesma força de Dudy. É um fato.

É necessário que se diga, que o grupo da macacada para vencer os pleitos anteriores teve uma estratégia de aliança que o levou à vitoria. O macaco não pode se separar do PT local, seria o mesmo que entregar a rapadura a Marcelo Brandão. E na conjuntura atual, eu não acredito que essa aliança tenha condições para chegar, talvez seja necessário uma ampliação do leque e, para tal, um grupo oligárquico como a macacada não pode perder sua principal característica e deixar que as decisões não passem por Diomário, Antonio Colonnezi, Dinovaldo, Jurandy Oliveira e o prefeito Ademildo. O contrário seria um ato temerário e a abdicação do poder municipal antes mesmo de jogar o jogo, ou seja, estariam jogando a toalha. Ipirá está calmo e tranqüilo; o Brasil  está pegando fogo.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

GRAVÍSSIMO!


Terça-feira (dia 23 de fevereiro) – O Agente de Endemias esteve em minha residência e constatou que meu reservatório estava com larvas do mosquito da Dengue: ”tem larvas!” Fez um trabalho exemplar jogando a quantidade necessária do pó.

Quarta-feira (dia 24 de fevereiro) – Estava decidido a monitorar diariamente o meu reservatório, não encontrei larvas.

Quinta-feira (dia 25 de fevereiro) – Encontrei larvas no reservatório.

É necessário questionar:
1.     Para que serve o pó e qual é sua eficácia? Não mata é um inibidor. (?) – Qual é a garantia de eficácia? Dois dias?
2.     O mosquito que aparece dentro de minha residência tem 99,9% de probabilidade que tenha vindo do meu reservatório do que de uma tampinha que esteja em meu quintal.
3.     Eu tenho o direito de duvidar. Com tanta vagabundagem em relação ao poder público por esse Brasil afora, quem sabe se esse pó não é o famoso “comprando gato por lebre”, uma  propina acolá e empurra-se um pó sem nenhuma serventia.
4.     Essa denúncia é grave e tem que ser apurada por autoridades de um poder mais elevado e com interesses em solucionar o problema. Eu fiz um teste com uma observação cuidadosa e posso dizer que esse pó colocado em meu reservatório não serve para nada, não vai resolver o problema e o trabalho feito pelos agentes é um trabalho inútil.

GRAVÍSSIMO.
Para esse relato abaixo eu tenho três testemunhas. Quem fez o relato é uma pessoa idônea e quem fez a declaração não precisava mentir, inclusive por ter sido paciente do próprio hospital.

Hospital de Ipirá. Uma pessoa foi buscar uma paciente que tinha recebido alta hospitalar e ficou surpreendido ao ver um caixão de anjo adentrando ao hospital e disse:
- Morreu um anjo no hospital?
- Morreram três bebês essa semana – disse a paciente.
- De quê?
- Por falta de médico.

Vou fazer três perguntas (não são afirmativas):
1.     Essas mortes tem relacionamento com a microcefalia?
2.     O pretexto da ausência de médicos não foi um motivo para que acontecessem as mortes (infanticídio)?
3.     Se os três bebês eram sadios, qual é a tipificação criminal para a falta de assistência médica?

Continuando a conversa:
- Estão dando alta a toda mulher que tem bebê para sobrar vaga para outra parturiente – conta a paciente.
- Como?
- Tem uma parturiente de gêmeos, com um feto vivo e outro morto, foi colocada numa ambulância e levada para Feira de Santana, onde não foi aceita e devolvida do jeito que foi – narrou a paciente.


Eu não quero acreditar. Se uma denúncia dessa chegar a uma Rede Bahia, isso é caso de divulgação em Jornal Nacional e Fantástico. Eu só tenho uma coisa a dizer: “Estamos à beira do caos.”

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

MOSQUITO VOANDO BAIXO.




O principal assunto de Ipirá neste momento é o Aedes Aegypti. Pelo menos é o mais preocupante. É uma cidade com sinal de alerta piscando. Carimbadíssima como  Zona de Risco. Não acredito que Ipirá vença o mosquito, devido ao seu necessário sistema de reservatório de água em todas as unidades domiciliares.

O Chicungunya tem uma carga maléfica devastadora. Uma de suas branduras fica por conta do sono raso que provoca, complementado por pesadelos e delírios alucinantes, quando o vitimado fica no limite mais fragilizado entre o ser e o deixar de existir. Olhos travados desobedientes; boca emperrada sem obedecer; o pensamento à deriva em mar revolto com colônias de bilhões de  vírus (chico, zica, dengue, cefalia) atacando de forma dominadora, com a destruição impiedosa de quem reina proveniente de grande desgraça.

A consciência estava absorvida pelo inconsciente. Esta batalha infernal era travada dentro do meu universo: “eu vou levá-lo!”, “ele vai comigo!” Quem é que suporta bilhões de vozes dizendo isso no seu pé de ouvido? Eu não sou de ferro, esbravejei: “Ô, REBANHO DE DESGRAÇA! DECIDAM O QUE É QUE VOCÊS QUEREM!” Foi minha salvação. Acordei, fui mijar, a urina parecia cerveja colocada num copo, era pura espuma. Olhei bem olhado e pensei: “Olha as desgraças que querem mim tirar desse mundo!” Na baixa madrugada fui andar na Praça da Bandeira. Espero vencê-los com o Lenovo.


“O combate ao mosquito tem sido executado com perfeição pela prefeitura”. Eles acham que é assim e acreditam no que falam. Fazer o quê? Mosquito não respeita mestria e perícia feita de boca. A ação é de extermínio, caso contrário.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

CARNAVAL, SUOR E CAOS.



MANIFESTO EM DEFESA DO POVO DE IPIRÁ E A FAVOR DE UMA POLÍTICA AGRESSIVA E EXTERMINADORA CONTRA O MOSQUITO TERRORISTA.

AO POVO DE IPIRÁ.
Embora a maioria da população ipiraense seja indiferente, conformista e individualista, eu tomo a iniciativa de fazer uma denúncia séria. Não farei esta denúncia protocolada, registrada e burocratizada porque a solução não depende dessa papelada, mas de ação concreta. Não farei denúncia de foco de mosquito na casa do vizinho. Eu denuncio aqui, que existe um foco do mosquito terrorista em minha residência, na Praça da Bandeira, em frente à Igreja.

Tomei algumas providências. O Agente de Endemias disse o seguinte: “Eu faço a cobertura de 248 casas (se não me engano), eu faço a sua casa hoje e só retornarei aqui quando cobrir 247 casas. Esse trajeto leva dois meses.” Em minha casa, o mosquito não respeita esse prazo, vem bem antes. Existe alguma coisa errada.

O Agente de Saúde disse que: “Estamos usando um pó que não mata a larva, mas a enfraquece, ela definha e não prospera.” O pó é jogado no meu reservatório, não mata a larva e o pior, ela prospera, pois lá em casa tem o mosquito saído do tanque onde o pó foi jogado. Eu não quero nem pensar o que eu estou pensando: “Num país, onde até Satanás recebe e paga propina, será que tem alguém pagando ‘um por fora’ para empurrar um pó do Paraguai?” Não posso acreditar numa coisa dessa. Isso seria um crime contra a humanidade.  IMPENSÁVEL.

Neste momento, eu sou um corpo portador de uma carga virótica exponencial, (não sei se é Zika, Chikungunya ou Guilian Barré). Todo mosquito de minha casa que sentar no meu corpo é transformado num transmissor implacável. Assistindo um infectologista da FioCruz ele dizia que: “Quem já teve Chikungunya uma vez o organismo cria anticorpos que evitaria uma nova contaminação.” Eu estou na minha segunda contaminação (a primeira, na Semana Santa e agora, no Natal). Existe pouco conhecimento sobre esses vírus. Os médicos estão num patamar equivalente a um farmacêutico, há pouco na literatura e muito por pesquisar. Tem propaganda na TV contra a doença, um tal de Tylenol. Imagine a que ponto chegamos. Não se sabe nem qual é a dosagem exata para eliminar-se o vírus. Um verdadeiro caos.

O comentário mais consistente e preocupante que ouvi, dizia o seguinte: “dizem que essa doença deixa sequelas, doença que deixa sequelas é doença mal curada e doença mal curada vira doença crônica.” Observe o caos. Imagine a quantidade de pessoas em idade ativa sendo obrigada a não trabalhar devido a uma doença crônica que tira as forças dos braços e não permite que vista uma camisa sozinho. É o verdadeiro caos.

Telefonei para um amigo em Feira de Santana e disse-lhe: “Me consiga um remédio contra o Chikungunya, até garapa de óleo de carro importado queimado eu bebo” e ele disse-me: ”Há! Eu tenho um suplemento bom, já curou até malária no Amazonas.” Não pensei duas vezes: “É esse que serve prá mim!” Vamos que vamos.

Retorno às aulas. Fico imaginando: “Pegar um poço de vírus com um potencial extremo como o meu, colocá-lo numa sala dos professores, onde a mosquitaria gosta de pegar picula e depois colocar esses mosquitos em contato com quatrocentos adolescentes é um ato impensado.” Vamos que vamos.

Ao prefeito Aníbal Aragão.
O que eu quero dizer a V. Exa., é uma coisa que eu não diria a qualquer outro prefeito desta terra (desde 1976, sob controle de médicos e advogados, a serviço das oligarquias e com a marca registrada da concentração do poder, do autoritarismo e do favorecimento ao grupismo -do jacu & macaco-), mas a V. Exa., eu sinto-me no dever de pronunciar-me: Ipirá é uma cidade de alto risco, devido ao seu sistema de reservatório de água obrigatório em cada residência.

O vírus Zika está se espalhando pelo mundo. A microcefalia está avançando de forma acelerada pelo Brasil. Ou se faz alguma coisa, ou dificilmente Ipirá escapará de ter casos de microcefalia. Seria a finalização melancólica de qualquer governo, porque não terá a coragem e a transparência para assumir as consequências drásticas de uma situação deste tipo. O mais grave seria a negação dos fatos com a prática criminosa do infanticídio (tem gente capaz para esse trabalho sujo). Nada registrado nos arquivos. Irracionalidade, caos e infanticídio, seria o retorno da sociedade à barbárie.

O reinado de V.Exa., terminará no adeus da última Colombina que deixar as praças dos festejos carnavalescos. V.Exa., é um homem simples e humilde, mas isso não significa falta de coragem e ação. V.Exa., é um administrador determinado e compreende que este momento é imensamente delicado e que Ipirá não pode perder essa guerra para o mosquito terrorista. Seja um combatente do bom combate até o último instante. Não esmoreça nesse combate ao mosquito terrorista nas trincheiras da Câmara de Vereadores.

Não digam que falta recursos, pois isso é caso de vida ou morte. Ipirá não pode ficar refém da politicagem do grupismo, que favorece ao acúmulo de riqueza por parte de três dúzias de elementos em desprezo a uma população que necessita vencer uma guerra contra a mosquitaria.

De minha parte, eu não encontro uma explicação humana, justa, decente, racional para justificar ‘deixar a vida’ ou ‘não ter o direito de viver’ por causa de um mosquito. Só mesmo a irracionalidade, o caos e o crime.


Podem até dizer que denúncia tem que ser formal e que por rede virtual não tem nenhum valor e fechem os olhos. Espero contar com o apoio do programa Conexão Chapada para verberar esta denúncia e eles podem até dizer que se trata de oposição política e fechem os ouvidos. Mas, por mais que eles tentem, eles não poderão negar que o problema existe, que poderá ser pior, pois trata-se de uma guerra. Eu estou no meio dessa batalha, vitimado, mas sem dobrar-me e com muita esperança na força do ser humano, por mais obscurantismo, irracionalidade e caos possa existir.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

É DE ROSCA (18)


Estilo: ficção
Modelo: mexicano
Natureza: novelinha
Fase: Não sei se vale a pena ver de novo
Capítulo: 18 (mês de novembro 2015)(atraso de 2 meses) (um por mês)

Eu tenho quase certeza absoluta que, neste momento, quem manda em Ipirá é o PRIMEIRO COMANDO DA MOSQUITARIA. O ex-prefeito Dió tinha mais certeza do que eu. Ele valorizou muito Chico Gunha por sua potencialidade em sugar as forças e a energia das pessoas e, levando isso em conta, fechou acordo com o comando: “Eu proponho que o alto comando vá para a Praça da Bandeira e extermine o menino falador que tem escritório estabelecido naquela praça e de uma imprensada no sujeito do blog, que mora lá, não acabe com ele não, porque ele ainda faz uma novelinha em que eu sou o artista e a salvação dele é essa tal novelinha.”

A Praça da Bandeira está dominada pelos mosquitos terroristas. O sujeito do blog recebeu uma xalapada e ficou com o corpo todo travado. O menino falador não era de fácil identificação por não ser morador. Os mosquitos terroristas tinham que observar bastante.  

Domingo. Praça da Bandeira. Uma turma conversa em torno de um banco do jardim, quando parou uma moto e saltou um sujeito todo serelepe, fazendo fuzarca, um espalha-brasas notório, sem moderação, chamava atenção por suas atitudes descomedidas. Tratava-se de Zé Badogue.

- A gente vai tirar esse rebanho de ladrão da prefeitura – gritou Zé Badogue.

Observando o grupo, estavam os terroristas Zika, Da Dengue, Chico Gunha, Microcefalia e Guillan Barrê. Não tiveram dúvida: “É esse o sujeito falastrão.” 
Chico Gunha foi ficando entufado, ganhou uma cor esverdeada e quando isso acontece saia de baixo que nem o Cão aguenta. Partiu e grudou na perna de Zé Badogue. Enfiou uma carga virótica considerável.

- To sentindo as pernas pesadas e uma dor aqui na barriga - falou Zé Badogue.

- Deve ser Chico Gunha! – disse alguém.

- Se fô essa Chica Gunha, eu vou tomar um alcatrão com limão e mel qui eu quero vê eu não tirá essa arruinada no suor! – tagarelou Zé Badogue.

- Respeita o mosquito, cara! Quem é que está impedindo tu tomá tua cachaça? – indagou alguém.

- Vou batê três Abaíra alí no Trapiá, qui eu quero vê esse mosquito sair no primeiro peido – disse Zé Badogue que pegou a moto e foi que foi.

Ipirá - segunda-feira de madrugada: ocorre o falecimento de Zé Badogue, motivado por infarto fulminante.

Salvador - segunda-feira de madrugada: o ex-prefeito Dió pega um vôo para São Paulo.

Ipirá - terça-feira – enterro de Zé Badogue.

São Paulo - terça-feira: o ex-prefeito Dió desembarca no aeroporto de Cumbica e sente uma movimentação muito grande no saguão, ajeitou a gravata, passou a mão pelo cabelo e seguiu em direção ao burburinho. Uma pequena multidão aguardava a chegada do terceiro colocado na Bola de Ouro, o jogador Neimar do Barcelona. O ex-prefeito Dió passou sem ser incomodado, sem self, nem empurra-empurra, mas não perdeu a oportunidade de fazer um comentário para si próprio: ” Terceiro colocado! Eu fui o prefeito no. 1 da Bahia.”

Solicitou um taxi e foi indagando ao motorista: “O senhor me conhece?”

- O senhor é o meu passageiro no.250.449. O senhor deseja ir para onde? – indagou o motorista.

- Eu quero ir para o hospital dos bacanas. O senhor sabe onde é? – perguntou o ex-prefeito Dió.

- Sei, é o hospital dos políticos – respondeu o taxista e a partir desse momento a viagem transcorreu sem nenhuma conversa, até chegarem ao hospital.

O hospital era imenso. Só a sala de espera era maior do que o Hospital de Ipirá. O ex-prefeito Dió ganhou confiança e pensou: “Aqui eu estou nas mãos de Deus, vê lá se eu ia ficar no hospital de Ipirá!”

O médico de nome árabe atendeu de pronto e logo pediu os exames. O ex-prefeito Dió para ganhar confiança procurou conversa utilizando-se do caminho mais prático:

- O senhor me conhece?

- O senhor é o meu paciente no. 778 SP. Brasil.

- Não, eu sou o ex-prefeito Dió! Fui o melhor prefeito da cidade de Ipirá.

- I o quê. Onde é que fica isso? Lá produz o quê? – perguntou o médico sem tirar os olhos dos exames.

- Lá produz carteira. Vou mandar vir agora mesmo uma carteira de luxo para o senhor.

- Não se preocupe com isso não, eu só uso carteira fabricada em Israel com couro de camelo.

- Mas o senhor deve gostar de um filé. Lá tem a carne mais saborosa do Brasil por causa da alimentação dos animais com a berduega.

- O senhor, agora, paciente 778 SP. Brasil, atiçou a minha fome com a vontade de comer. Tem um porém, eu não como carne clandestina de jeito nenhum. Olhe bem, hoje eu estou aqui em São Paulo, amanhã, eu opero em Israel; quinta-feira, na África do Sul e na sexta em Nova Yorque. Então se o senhor tem a pretensão de me presentear com um filé tem que ser jogo rápido.

- Não se preocupe com isso não, doutor! Esse filé vem via Sedex e a carne é abatida num matadouro de Primeiro Mundo, que eu inaugurei na minha administração.

O ex-prefeito Dió pegou o celular e discou para o prefeito Bal, na presença do médico que examinava os exames.

- Prefeito Bal esqueça o ex-prefeito Déo, ele já fez a passagem pela política de Ipirá, é mais fácil chegar o prefeito Bené do que ele, agora é nós dois no pedaço. Me mande uns dez quilos de filé do primeiro garrote que abaterem aí no matadouro de Ipirá.

- Como? Que matadouro? Esse elefante branco nunca foi inaugurado.

- Fale baixo, prefeito Bal! Dê um jeito de inaugurar esse setor especial de cortes transversais, partindo do pariental direito em direção ao dorso esquerdo porque eu fechei contrato para vender toda a nossa produção para Israel, África do Sul, Estados Unidos e São Paulo. Nosso matadouro exportando para o mundo. Mande o filé via Sedex.


O prefeito Bal ficou sozinho e pensativo: “Será que o ex-prefeito Dió ta querendo caducar?” Chamou um secretário e mandou comprar dez quilo de filé no Centro de Abastecimento de Ipirá e enviar para aquele endereço de São Paulo.