A
seca fez o estrago; um estrago daqueles e nunca visto. Estas chuvas invernadas
do mês de junho são bem vindas, alívio para dois meses. Em meados de agosto
recomeçará a dura vida contra a seca. O grande enfrentamento da
desproporcionalidade. O contraditório que tem que ser solucionado.
Interessante
é que a promessa de um milho gratuito que o governo mandaria para socorrer o
produtor rural não veio, enquanto isso, vereadores digladiavam-se e discutiam
quais seriam os nomes favorecidos e quais deveriam ser excluídos da lista. Luta
justa; briga justíssima; bem intencionada.
Quem
tem condições não pode tirar uma de espertalhão e receber o milho do governo.
Aqui não tem lugar para esperteza. O milho gratuito não veio. Veio-me à
lembrança o “causo” dos meninos que brigavam para montar no jumento que estava
na barriga da mãe. Simplesmente fantástico. O filhote nasceu morto; não comeu o
milho do governo.
Veio-me
as lembranças dos bons malandros do Rio de Janeiro, que na gaiva ou na boa
conversa conseguiam vender o Cristo Redentor ou o Maracanã, ou o bondinho do
Pão de Açúcar para o primeiro otário que aparecesse. Era uma arte. Hoje não
precisa ter lábia para o convencimento; a coisa acontece no olho, basta ter
“olho gordo” para embarcar-se numa canoa furada.
Basta
trabalhar 5 minutos na Internet para ganhar 800 reais por mês. E que trabalho?
Postar propaganda de um produto. Não precisa saber nada de publicidade, muito
menos, vender o tal produto, desde quando, nenhum trabalhador-investidor
comprou o dito-cujo e não vai ser preciso comprar. É jogo financeiro; dinheiro
vivo. Fazer propaganda de algo que não é para vender! Entenda um troço desse!
É
assim mesmo! Trabalhador sem qualificação em publicidade passa a ser agente e
com salário maior do que o do mercado. É salário de executivo de multinacional:
5.000 reais por dia! Também, pudera, esse é o garimpeiro da rede, pesca peixe!
É uma empresa capitalista diferente: gosta de dá e não explora mais-valia,
muito pelo contrário, faz o milagre da reprodução e distribuição. É um veio de
ouro mágico e milagroso.
Falando
em ouro, veio-me a lembrança um sujeito que apareceu aqui em Ipirá conhecido
por “Gordo da Ovelha” que tinha um canal com São Paulo, um grandessíssimo pagador
de farras para os amigos, “um mão aberta.” Gastou, pagando, quase um milhão de
reais nas suas estripulias. O dinheiro pegava picula no seu bolso e escorria-lhe
pelos dedos, também, o dinheiro não era seu, aliás, nunca foi. Ipirá gemeu, não
teve para quem apelar.
A
mão aberta agora é uma empresa americana. Paga salários de marajá e só exige
uma postagemzinha de divulgação; copia e cola, só isso. Não tira o couro e o
osso do empregado; não suga mais-valia e o empregador não precisa vender o
produto para ganhar mais, basta procurar e achar mais empregados para fazer
propaganda e ficar rico. Todos vão ficar ricos, até o olho ficar mais gordo e
com o “olho gordo” todos entram na pirâmide. Não tem para quem apelar. Ninguém
sabe onde fica essa tal empresa. Quem vai chamar a polícia para grampear uma
empresa lá na casa do chapéu, nos Estados Unidos?
O
malandro carioca que vendia o bondinho de Santa Teresa, não, esse bastava um
grito: “Seu guarda foi esse aqui!” e o guarda mostrando a força da autoridade
brasileira dizia: “Teje preso, vagabundo!” Eu tenho até saudades dos malandros
daquele tempo; eram laboriosos, criativos e bons de lábia; chegavam a ser
românticos. Ganhavam e perdiam na conversa. Hoje, só se ganha. Não tem guarda
para se apelar, então, sem ter para quem fazer um apelo, fica-se com vergonha
de dizer que perdeu, mesmo tendo perdido.
O
prefeito de Ipirá, Ademildo Almeida, do PT, é que não deixa ninguém perder. Nem
que ele não tenha nada com o caso ele toma partido e resolve o problema. Com o
pessoal da Embasa de Ipirá foi assim. O pessoal já pode fazer de conta que o
salário já está no bolso; pode comprar fiado e pagar antecipado que o problema
já está resolvido. É assim que se faz! É assim que se age!
Aproveitando
a disposição do prefeito Ademildo Almeida, do PT, de resolver calote dos
outros, até calote de campanha dos macacos, não custa nada lembrar que os
proprietários de ônibus que trouxeram os alunos para as escolas, no mês de
janeiro 2013, para a rede estadual, não receberam um centavo ainda. Seis meses
sem nenhum centavo. Trabalho de trinta dias e nenhum centavo.
Inclusive
os proprietários estão achando que receberam um calote daqueles que deixa o
sujeito desconjuntado. Não, prefeito, não é da pirâmide! Também não, não é do
malandro do Rio! Muito menos, da empresa americana! Foi de uma empresa
contratada pelo governo do Estado da Bahia e esses proprietários de ônibus já
estão com as mãos na cabeça e não tem para quem apelar.
Só
resta V. Exa., Prefeito! Justamente V. Exa. que não tem culpa no cartório, dê
uma forcinha ao pessoal. Se não fosse V. Exa. Ipirá estaria estropiado e na
pindaíba. Veja bem, V. Exa. sem conexão com a Chapada, está vendo a boa
malandragem que encosta na prefeitura e no Estado, na pirâmide, na Embasa, no
São João, na licitação, nas ovelhas, na garagem, no pátio da prefeitura para
arrancar uma lasca. Isso, não! V. Exa. não vai deixar que os trabalhadores
percam. Não vai deixar. Não é possível que a pirâmide tenha dominado a tudo e a
todos nesta bendita terra!
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