segunda-feira, 30 de agosto de 2010

HOMENAGEM (parte 5)


Sábado, a partir das 19 h, em Ipirá, era noite de quermesse movida por programa de calouros, leilão, bingo, rifa, teatro mambembe e outras fuzarcas, de modo que, a população apreciava de bom grado. Tudo isso era organizado por Roque Leão com o objetivo de angariar fundos para a compra de presentes, que seriam distribuídos com as crianças carentes da cidade, na noite de natal.

Logo pela manhã, em frente ao estabelecimento de Paulo Marinho, local que servia de ponto para a marinete, que fazia linha entre Feira de Santana e Rui Barbosa e era guiada por Besourinho, saltou um sujeito franzino, de pequena estatura, carregando uma sanfona nas costas: era Isaac, que vinha do Bravo. Logo, deu de frente com o menino Dodó que perambulava pela área, observando o movimento proporcionado pelo burburinho provocado pela marinete.

- Tu sabe disafronhá esse sete-baixo ? – indagou o menino Dodó.

- O freguês é quem incomenda a missa, o istribucho eu aprumo – falou Isaac.

- Já vi que de prosa vosmicê tá nus conforme, agora eu me intendo como o melhor zabumbeiro de Ipirá e prá deixá de conversa mole disapei essa istrovenga e me tire um dó de lá menor e arranque um Asa Branca do meu mestre Gonzagão prá eu vê se vosmicê é do ramo – disse o menino Dodó, que ficou na escuta do acorde.

O menino Dodó acertou com Isaac para participarem do Programa de Calouro daquela noite, que seria realizado no meio da rua, em frente à loja de seu Júlio Dantas. O Programa de Calouros reunia as melhores vozes da cidade: Zeco de Arlinda, Nane, Pedrito, Raimundo de Pijú, Ivambergue e o vencedor de toda edição, Delsuc Dultra, a voz mais querida e apreciada de Ipirá.

O menino Dodô fez a inscrição no bar de Roque Leão e dirigiu-se para a Praça da Bandeira, parando em frente ao local onde Zequinha Guarda alugava bicicleta e foi conversando com uma penca de meninos: Bua, Zé Grilo, Tonho Bocão, Babão, Luiz Barata e outros mais:

- O prêmio de hoje é comida de granfino, vai ser um queijo de cuia, se eu ganhá, cada um de vocês vai pegá uma lapada de queijo – compactuava o menino Dodó.

Quando começaram as apresentações dos calouro não havia mais espaço junto à carroceria do caminhão, enfeitada de bandeirolas de papel crepom. Raimundo de Pijú apresentou uma modinha de Juca Chaves com muito estilo e sarcasmo:
“ Cagar é bom quando a gente tá em paz,
Ouvindo n’água o som,
Que a merda caindo faz.
Cagar molinho,
Cagar durinho,
Cagar soltinho”...

Chegou a vez do trio: Isaac na sanfona, Guri no triângulo e o menino Dodó na zabumba. Na primeira batida do menino Dodó, a renca de menino começou a gritar: “já ganhou, já ganhou... é Dodó e ninguém tira... ei, ei, ei, Dodó é nosso rei... é primeirão, é primeirão”

Logo em seguida chegou a vez de Delsuc Dultra apresentar um bolero que era cantado por Altemar Dutra e na voz de Delsuc ganhava vida e força, fazendo a platéia enxugar as lágrimas dos olhos:
“Alguém me disse
Que tu andas novamente
De novo amor
Nova paixão toda contente
Conheço bem tuas promessas
Outras ouvi iguais a essas”...

Quando o organizador começou a anunciar o resultado, o silêncio era predominante, com palmas e protestos após cada anúncio. “Em segundo lugar, esse menino prodígio de Ipirá, essa figura espetacular de nossa cidade: Dodó da Zab”. Não conseguiu terminar o resto. A penca de menino começou a vaiar e atirar pedras, areia, terra e o que tivesse nas proximidade em cima do caminhão, atingindo os jurados e o organizador Roque Leão, que desceu para pegar uma arma na boléia do caminhão.

A penca de meninos subiu na carroceria. Roque Leão pegou uma espingarda de chumbo. A luz apagou naquele justo momento, porque as luzes da cidade eram apagadas às 11 h da noite. Ouviu-se o primeiro tiro. A polícia chegou, com o delegado Zé Roque à frente e disparando chumbo. O menino Dodô desceu desembestado, seguido por Isaac e Guri em direção à Praça da Bandeira, rua Riachuelo. Aumentaram os tiros. Quanto mais o trio do menino Dodô ouvia tiros, mais as pernas corriam. Passaram perto do tanque Velho e ganharam a caatinga. A polícia perdeu a pista. Roque Leão bufava de raiva e espumava ódio pelas ventas.

O trio do menino Dodó passou três dias andando pela caatinga, sobrevivendo à base de queijo e água de gravatá. Chegaram à Pintadas e procuraram a pensão de dona Amália, que de forma hospitaleira franqueou hospedaria para aqueles ilustres visitantes e em conversa dizia:

- Aqui em Pintadas, chegou umas conversa, qui ta nas boca do povo, qui im Ipirá, teve uma tiroteio, qui tem bala zunindo até hoje, qui até a puliça quis pegá uns metraquefe qui apareceram pur lá, diz o povo qui chuveu bala até umas hora.

- Foi mermo dona ! ainda bem qui eu não sei nem onde fica esse lugá. Onde é mermo que fica esse lugá, dona ? Eu não quero nem passá perto de um lugá desse. Dona ! lugá de valentão num é comigo não, embora eu num sou sujeito de tê medo nem de onça com boca de jacaré. Como é o nome desse lugá ? Ipi o quê ? Te discunjuro, lá ele é que quer tocá num lugá qui só tem onça. Quem vai lá é o cão não eu – disse o menino Dodó com a cara mais lavada desse mundo.

domingo, 22 de agosto de 2010

OS VERDADEIROS CANDIDATOS DE LULA.

OS VERDADEIROS CANDIDATOS DE LULA.

Esta frase ou pérola (OS VERDADEIROS CANDIDATOS DE LULA) eu saquei do Comitê do PT de Ipirá. Se eles apresentam os verdadeiros candidatos de Lula, naturalmente, os outros são falsos, ou melhor, são candidatos do Paraguai. Então existem candidatos falsos e verdadeiros e, sendo assim, os verdadeiros candidatos serão sempre amigos, confiáveis e sinceros. Os falsos serão duvidosos, infiéis e desleais.

Naturalmente, compete aos “verdadeiros candidatos” a fidelidade extrema e incondicional, fato que o PT de Ipirá defende de forma intransigente, desde quando, seja uma lealdade a eles, até mesmo no erro. Vamos aos fatos: André e Tineck não seguiram a aliança que eles fizeram no município e foram demitidos do CIRETRAN. Por incrível que pareça, André e Tineck continuam fiéis ao governo do presidente Lula e do governador Wagner. Se são fiéis são verdadeiros, mas o PT de Ipirá diz que foram falsos.

Baseando-me no princípio de candidaturas verdadeiras e falsas criado pelo PT de Ipirá faço a apresentação de alguns problemas gerados por tal conceituação, senão vejamos: Primeiro, se o PT retroagir de sua aliança com os macacos e voltar para uma posição de composição mais à esquerda, naturalmente, estará dando uma demonstração do vacilo e erro cometido, assim acontecendo, estará também passando o certificado de que André e Tineck estavam certos e foram verdadeiros ao não abandonarem a fronteira, enquanto isso o PT de Ipirá migrará da sua verdade para a falsidade, a não ser que, a verdade do PT de Ipirá seja absoluta e irredutível, neste caso, eles atingiram o estado celestial da perfeição. Cruz-credo! Chegaram ao céu da boca da onça.

Segundo: já que o PT de Ipirá foi para a macacada, naturalmente, podem, mas não devem pleitear uma candidatura a prefeito de Ipirá pelo grupo da macacada, dentro do ponto de vista de candidatura verdadeira e falsa, porque o verdadeiro candidato neste espaço da politicagem é um candidato macaco, uma candidatura do PT de Ipirá neste espaço da politicagem será, naturalmente, uma candidatura falsa, porque uma candidatura dos macacos para ser verdadeiramente macaco tem que possuir o pedigree, puro-sangue e ser amigo, confiável e sincero ao grupo da macacada. Uma candidatura falsa será infiel, duvidosa e inconfiável. E macaco para confiar num PT que ainda fica nessa de candidatura verdadeira e falsa só se for doido. Cruz-credo ! o PT de Ipirá ainda está nessa. A verdadeira candidatura de Lula no Maranhão é da turma do Sarney. E daí ? É a governabilidade. Enquanto isso o PT de Ipirá fica no céu. No céu da boca da onça.

Terceiro: em Ipirá, tem candidato comprando voto com cinco litros de feijão e dois litros de suco vindos da CONAB. Esses candidatos são candidatos verdadeiros. Não sei se da verdade pretendida pelo PT de Ipirá, mas que são candidatos verdadeiros são. Conclusão: só no céu da boca da onça é que existe esse negócio de “os verdadeiros candidatos de fulano ou de beltrano”. PT de Ipirá! É vida que segue e vocês ainda estão nessa.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

HOMENAGEM (parte 4)


O menino Dodó recebeu a notícia de que não podia nem passar na porta do Coió de Anália, muito menos, entrar e muito menos ainda, fazer budegagem em seu interior. Foi considerado persona non grata, o que não deixou de ser um desmerecimento e uma injustiça, ainda mais, levando-se em conta o propósito que espalharam para o impedimento do menino Dodó na área. Disseram e espalharam que o menino Dodó comia e não pagava. O menino Dodó não deixava por menos e retrucava à altura:

- Eu tô lá mi incomodano com isso; eu tô acustumado andar no Maria da Vovó em Salvador, vou tá lá mi incomodano com a proibição de intrá nessa ispirigueta.

Na verdade, o menino Dodô não conhecia Salvador ainda, mas ouvia as estórias de Dadai de Genésio, o Internacional, e não perdia a oportunidade de reproduzi-las de forma apimentada e com sua vivência a tonalidade de veridicidade era requentada.

Sendo um exímio zabumbeiro não lhe faltaria oportunidade e o convite veio da boca do sanfoneiro Chiquinho do Acordeão:
- Escuta aqui, ó minino! Tô na pricisão de um zabumbeiro do queixo largo, qui num seja ismoricido; nem molenga nas baquetas; qui tenha ripuxo nas munheca e batida de sino de paróquia prá podê mim acompanhá nos minuetos do acordeão, se é qui vosmicê intende do riscado.

- Eu não só intendo, cuma no capricho da modinha eu dou é dez parmo de distança prá qorquer sanfoneiro pidir pinico – disse o menino Dodó, cheio de si.

- Deixa lá qui eu gostei do teu atrivimento, mas bigorna de cabeça virada não tem primazia; minino de colo, amarelo e remelento, não pode receber ventania na caixa dus peito e o cabra só é valente inquanto num vê uma lapada de viana por riba do lombo. Tô isperano vosmicê no Armazém Estrela do Norte prá gente butá prá ferver no amola viana.

O forró do Armazém Estrela do Norte, de propriedade de Gil Mamona, que ficava onde hoje está o estabelecimento comercial de Deco, na rua Nova, era concorrido e a sociedade ipiraense participava em peso daquele esfrega-bucho sem a menor cerimônia ou preconceito e a mistura social era um congraçamento, sendo que as mocinhas da sociedade caiam no esmero dos presentes por mais humildes que fossem e tudo nos conformes da maior respeitabilidade.

O salão do Armazém Estrela do Norte estava lotado. Os que dançavam esbarravam uns nos outros; o suor escorria; as faces estavam úmidas. Lá pelas tantas, por uma porta entrou Euclides Plácido, pela outra Jonguinha, ambos deram uma volta pelo salão em busca de um par para a dança. Aproximavam-se e saiam deslizando pelo salão, cada qual com sua escolhida. Os casais retraíam-se e iam para as laterais. O sanfoneiro Chiquinho do Acordeão olhou para o zabumbeiro Dodó e disse-lhe:

- É agora filhote de Caboré qui eu quero vê se vosmicê acompanha uma sanfona virada da disgraça.

- O qui vié daí prá mim é peido de veio, vou botá tudo na garrafa – disse o zabumbeiro.

- Intonce, sigura zabumbeiro qui o capeta num leva disaforo pru inferno.

Começou com Brasileirinho; passou para ... “sonhei que estava em Moscou, dançando um” ...”atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”... “corre, corre lambretinha”... “tava o sapo cururu, tava a rã e tava a jia, tava tudo preparado pra fazer a” ... “balançando a cabeleira, um olho só procurando por um”...

Só dois casais no salão, ambos em pleno ápice. Euclides Plácido virava um peão no giro, para logo transformar-se num eixo, que fazia com que a acompanhante girasse reta e cintilante em torno de si, para isso, sustentava-a pelos braços; descia, subia, girava, como carrapeta; era sublime no passo e no deslizamento. Todos ficavam perplexos.

Jonguinha tornava-se um gigante na passada ao suspender a parceira e ao jogá-la para o alto, criava um suspense e arrancava suspiros; seus braços era uma rede protetora e de alto perfeccionismo para o enlace. O seu desempenho era gracioso e solene. Os presentes ficavam boquiabertos e pasmos.

A outra batalha era cruenta. A sanfona deslizava em mãos ágeis. O som cavalgava no dorso de um velocíssimo alazão, que deixava o vento para trás e tinha a aparência de um raio.

O som da zabumba saia inigualável e na ligeireza cadenciada. Estava grudado no lombo de uma pantera negra, que se embrenhava no tempo e rasgava o espaço sem pena nem dó, deixando só o vulto como rastro.

Por ironia do destino, a dança ninguém sabe quem ganhou, mas na peleja do som, a última batida foi da zabumba, que se apresentou tão forte e tão penetrante, o suficiente para imitar o último esforço de um coração para não deixar a vida.

A música parou. A dança esgotou-se. O sanfoneiro Chiquinho do Acordeão faleceu em pleno ato de reverência à vida. Um segundo antes, conseguiu colocar a mão no ombro do zabumbeiro Dodó e disse-lhe sua última frase:

- Não pare a zabumba, que eu estou entrando no céu.

O zabumbeiro Dodó marcou o tom grave, forte, cadenciado e triste do velório e foi assim, até o momento em que foi jogado a última pá de terra sobre o caixão em que estava Chiquinho do Acordeão. Foi uma solene despedida da zabumba para aquela sanfona, que foi brilhante nas mãos de Chiquinho do Acordeão. Foi um grande encontro.

sábado, 24 de julho de 2010

É DE ROSCA


Estilo: ficção
Natureza: novelinha
Capítulo: 30 (mês de março 2010) – incrível, apresentação do novo capítulo da novelinha com, simplesmente, 4 meses de atraso.

O prefeito Dió não estava muito satisfeito com os últimos acontecimentos e resolveu realizar uma reunião democrática com seu grupo político de forma a podar as arestas que estavam deixando saliências visíveis, fato que estava desagradando ao prefeito.

Estavam presentes: o prefeito Dió, o líder Antônio e o médico Antônio. O PT de Ipirá ? Não. Nestas reuniões democráticas e de cúpula, o PT de Ipirá fica no quintal, a uma distância equivalente à sua influência nas decisões do grupo sobre o município, dá para imaginar o poder de mudança que ele tem.

O prefeito Dió argumentava com sua inigualável capacidade de entendimento, ao tempo que olhava nos olhos do médico Antônio:
- Mas, doutor Antônio como é que o senhor vai dizer que eu vou ficar com o rabo do gato na mão, justamente numa reunião em que eu apresentava a minha melhor obra: o Hospital de Ipirá, com 10 UTIS, uma obra de primeiro mundo, o melhor Hospital dessa região, e tudo isso, numa reunião emocionada e brilhante; sem ninguém esperar o senhor diz uma coisa daquela e empanou a minha grandiosa obra.

- Mas prefeito Dió ! eu disse a verdade. A prefeitura não tem como sustentar um hospital com UTIS, pois o custo é de 1 milhão de reais por mês, então, na verdade, uma reforma de 3 milhões é uma reforma meia-boca e na verdade esse hospital não vai funcionar. A não ser que seja entregue ao Estado – argumentou o médico Antônio.

- Eu sei disso, mas o Estado não quer de volta, o fato é que do jeito que o senhor argumentou criou um grande constrangimento na reunião e no nosso grupo. O senhor sabe que eu ganhei uma eleição difícil com duas reformas de praças e com essa reforma no hospital, o nosso grupo ia arrebentar nas eleições e o meu federal ia esmagar na votação – disse o prefeito Dio.

O líder Antônio, que observava aquela conversa, achou providencial a sua intromissão e foi incisivo na sua argumentação:
- Não é querendo ser o porreta, mas o prefeito Dió não pode esquecer da minha ajuda na sua vitória, agora, na minha condição de líder, eu tenho que apresentar os meus candidatos e não, simplesmente, apoiar os candidatos apresentados pelo prefeito.

O prefeito Dió viu o mundo rodar, ficou meio grogue, mas foi logo pegando a palavra e tentando justificar:
- Mas, é claro que quem tem os votos é você, que é o líder, agora, o que eu quero frisar é a respeito da necessidade da unidade do grupo e eu não meço esforços para manter essa unidade que passa pelo deputado federal, desde quando, para deputado estadual temos dois e quem tiver a unha maior que suba na parede.

- Eu só digo ao prefeito, que eu tenho que ter um candidato meu, apresentado por mim, que seja o meu respaldo no Estado – disse o líder Antônio.

- Mas, não seja por isso líder Antônio, vamos ao que interessa: a sua candidatura a prefeito para ser o meu substituto. Vamos ajeitar as contas para que você possa ser candidato a prefeito em 2010. Apresente uma candidatura ao Senado. Que tal Zé Ronaldinho ? Desde quando, Lídice não vai ter chances, então você apresenta o Zé e política tem dessas coisas, quem sabe, num acontecimento imprevisível, caso aconteça um atoleiro do Jaques, o Zé pode ser nosso ponta de lança para ajeitar as coisas lá adiante. Coruja é quem dorme no toco – argumentou o prefeito Dió.

- Tudo bem ! agora, deixa eu dar um palpite sobre o hospital. Na minha opinião o prefeito Dió tem que fazer um hospital para atender a jacu e a macaco, no mais, a gente continua mandando descer doente para Feira e Salvador. É isso que rende voto – disse o líder Antônio.

- Eu também concordo com isso, mas é que eu pedi cinco UTIs ao governo e o governo disse: que não me daria cinco de jeito nenhum, que eu nem pensasse nisso, mas que pelo meu prestígio eu teria era dez UTIs. Como recusar uma atitude que demonstra a minha liderança junto ao governo – disse o prefeito Dió.

- Mas, prefeito Dió, só um iludido acreditaria numa fantasia dessa. Esse Hospital de Ipirá com UTIs não vai funcionar nunca, será mais um elefante branco. Faça um hospital para jacu e macaco e outros bichos – falou o líder Antônio.

- Não é que você tem razão! Taí, vou reformar esse hospital para ele atender a gato, preá, canário do reino, cachorro e outros bichos necessitados que possa haver por aí. Líder Antônio diga outro bicho que também poderá ser atendido nesse Hospital de Ipirá ? – perguntou o prefeito Dió.

- Pensando, assim, rapidamente, só tem ovelha.

- Ah ! que desgraça, isso nunca. Eu já disse, enquanto eu for prefeito nessa terra, aqui não vai ter MATADOURO DE CARNEIRO e quem não gostar que vá se queixar lá no programa Conexão Chapada e que os conversadores, o locutor da rádio e o sujeito do blog, façam esse matadouro, já que reclamam tanto. No meu governo não vai ter Matadouro de Carneiro em Ipirá e muito menos hospital para cuidar de ovelha. Hospital é para cuidar de jacu e macaco e de nenhum outro bicho.

Suspense: e agora ? o que será que vai acontecer ? será que o prefeito Dió vai construir um novo elefante branco em Ipirá ? Não basta o matadouro e já vem um hospital de rosca. Êta, que agora vão ser dois bichos de rosca. Agora é que essa novelinha não acaba nunca. Êta sujeita de rosca, essa novelinha.

Leia o capitulo 29 (fevereiro 2010) logo abaixo.

Observação: essa novelinha é apenas uma brincadeira literária, que envolve o administrador e o matadouro e, sendo assim, qualquer semelhança é mera coincidência.

sábado, 17 de julho de 2010

TROCANDO GATO POR LEBRE.


A manipulação política de ACM era devastadora. Qualquer obra pública virava uma obra eleitoreira até na estampa e tinha que dar voto até sair sangue. Tudo era motivo para a cobrança de votos da comunidade: a solicitação da obra; a assinatura da ordem de serviço; a divulgação da dita cuja; o lançamento da primeira pedra; o levante de não sei o que; o dia da inauguração.

A chegada da água do Paraguaçu em Ipirá, em 1982, com inauguração uma semana antes da eleição foi um detono. O resultado foi massacrante: 24 mil votos a 500. Nesses conformes, a manobra de ACM era imbatível, era uma propaganda avassaladora que transformava um direito de cidadania em uma obrigação eleitoreira submissa de um povo.

O prefeito Diomário até que tenta trafegar por essas bandas, quando busca fazer uma arrumação de obras com apelo eleitoreiro para que deslanche em votação maciça e a sua obra mais decantada nos últimos dias é a obra do Hospital de Ipirá. “ Três milhões de reais em recursos aplicados na ampliação e reforma do Hospital de Ipirá. Praticamente será feito um novo hospital e está prevista a implantação de semi-UTI e UTIS. Será o maior hospital da região”.

Êta coisa boa ! até uma promessa de Hospital está servindo de trampolim em busca de voto e virou lebre. Já foi inaugurado; tem pouco tempo que foi reformado. E agora foi anunciada a obra da reforma do Hospital em reunião solene.

Ano eleitoral. Como não tem obra, vem o anúncio em reunião. A apresentação do Projeto no Plenário da Câmara de Vereadores, para comemorar a celebração do convênio com o Governo da Bahia para a ampliação do Hospital de Ipirá tem que repercutir; tem que render voto.

Ia tudo bem, o melodrama estava montado e articulado numa promessa de 3 milhões de reais para a reforma do Hospital de Ipirá. Tudo transcorria da melhor maneira possível, até o momento em que o líder dos macacos e médico Antônio Colonnezi jogou areia no ventilador ao questionar de forma alegórica e categórica o propósito daquela obra, quando disse que “o prefeito Diomário ganhou um gato de 10 kg e guando fosse levantá-lo pelo rabo ficaria com o rabo na mão, porque não teria condições de sustentar o restante do corpo”. Trocou a lebre por gato. Trocando em miúdos: do jeito que estavam anunciando a obra, a prefeitura não teria como sustentar o tal hospital, pois o custo ficaria em torno de 1 milhão de reais, então, não tem como funcionar. Pasmem ! deu chabu; na gíria, sujou.

Foi um “Deus nos acuda”. Esqueceram de avisar ao líder dos macacos qual era a intenção da reunião e ele, desavisado, deu com a língua nos dentes. Aí foi um desmantê-lo; jogaram a peteca prá lá, prá cá e o aperto continuava. Quando terminaria a obra ? 3 milhões dá para terminar a obra ? Essa obra é para funcionar ? O Hospital vai parar para a reforma ser feita ? Vai dar de volta ao Estado ? O Estado quer de volta ? Essa obra é de rosca ?

Conclusão: tudo indica que chegou mais uma obra que não vai terminar tão cedo, mas isto aí não é problema, o prefeito Diomário já está acostumado com esse tipo de obra, o Matadouro de Ipirá é um exemplo claro, já foi concluído, foi inaugurado, já acabou, foi reconstruído e nunca terminou, muito menos, funcionou. É de rosca. Festa mesmo só depois que funcionar.

domingo, 11 de julho de 2010

O barulho é monumental.


Realmente, o barulho feito nos estádios da Copa parece mais o zumbido de abelhas-africanas enfurecidas. Se isso te incomodou, pior do que isso é o barulho nos bastidores da politicagem de Ipirá.

Tudo é motivo de bota prá lá, estica, empurra e puxa prá cá. Para deputado estadual, o prefeito Diomário apoiará dois candidatos, justamente para aplicar aquela tática do esforço reduzido, quando, lavará as mãos e colocará protetor nos ouvidos, exatamente, devido ao barulho.

Uma pessoa, bem próxima ao prefeito, que apóia a deputada Neusa, não cansa de afirmar que o deputado Jurandy não terá mais de 3 mil votos em Ipirá; por sua vez, o assessor do deputado faz uma previsão de 8 mil votos em Ipirá para o deputado. Números à parte, o assessor do deputado foi barrado no baile, ou melhor no forró, ou melhor ainda no gabinete do prefeito.

O deputado pediu a cabeça da pessoa próxima ao prefeito. A deputada não deixou por menos, disse que esta é uma briga que ela compra junto ao prefeito. O barulho é infernal, mas conta pouco ou quase nada para o currículo eleitoral do prefeito, desde quando a ficha pesada que o prefeito deposita e aposta é a do candidato a deputado federal, para a qual ele já enquadrou todos os secretários municipais, restando apenas para fechar o cerco, o apoio fundamental, essencial e imprescindível do líder dos macacos, Antônio Colonnezi, para que o projeto político pessoal do prefeito seja substanciado e concretizado. Sem esse apoio o barco ficará à deriva.

Sendo a prioridade do prefeito a candidatura do deputado federal, não significa que ele despreze a candidatura de Wagner ao governo, muito pelo contrário, o prefeito Diomário é o principal responsável e condutor da campanha do governador no município de Ipirá e isto terá como resultado, o fato do prefeito de Ipirá ser considerado e reconfirmado como o principal líder de Ipirá junto ao governo Wagner, caso reeleito; caso Wagner derrotado, o prefeito Diomário procurará um outro galho mais robusto para se agarrar, pois para ficar bem entendido, o município de Ipirá não pode ficar sem o governo do Estado, venha de onde vier.

Com toda essa perspicácia quem será rebaixado, não para a segunda divisão, mas para a condição de cabo eleitoral localizado será o líder dos macacos, Antônio Colonnezi, justamente por não ter influência, articulação e trâmite nas hostes do poder estadual, justamente por não ter uma capacidade política afiada para projetar-se e viabilizar um salto para um patamar mais elevado à nível de Estado, coisa que não falta ao prefeito Diomário. A vida é assim: um sobe e o outro desce a depender da competência.

Não custa nada lembrar que o governador Wagner foi vitorioso em Ipirá nas eleições de 2006, sem o apoio de nenhum cacique local, é bom repetir, de nenhum líder local, inclusive, do prefeito Diomário, que deu apoio ao candidato Paulo Souto do Demo. Naquele pleito, Wagner teve o apoio do PT e PCdoB locais, por isso foi a vitória da vontade do povo e não de lideranças.

É verdade que a vida tem reviravoltas e a novidade nestas eleições no município de Ipirá é o fato de que o governador Wagner ter declarado e definido sua preferência pela macacada e estigmatizado e humilhado a jacuzada, mas mesmo assim, tudo indica que Wagner sairá vencedor no município de Ipirá devido ao apoio da máquina municipal, até mesmo porque, lembrando o governador Wagner: “Jacu é prá perder”.

O PCdoB é uma força vibrante que apoiará as candidaturas de Dilma, Wagner; para o Senado, Lídice e Pinheiro, e o PCdoB de Ipirá terá o mesmo propósito sem nenhum equívoco, mas não mediremos nossos esforços na luta em defesa das candidaturas do deputado federal Daniel Almeida e do deputado estadual Javier Alfaia, independente de qualquer situação ou resultado continuaremos na fronteira da luta por uma sociedade socialista.

domingo, 4 de julho de 2010

Depois do jogo, a prorrogação.


Era um simples jogo de futebol. A Copa do Mundo virou um comércio fenomenal. Envolve dinheiro, custos, lucros ou prejuízos. Existem interesses múltiplos por trás de tudo isso, primordialmente da FIFA, dos investidores, dos patrocinadores e o midiático, este, causa grande impacto e consuma a expectativa do marketing.

Primeiro tempo.
A publicidade em torno é compulsiva e impiedosa. A população é bombardeada por um ufanismo e um nacionalismo exacerbado. Uma disputa esportiva é impulsionada como se fosse uma luta pela soberania nacional. É impositiva a idéia da superioridade e a prerrogativa de “Melhor do Mundo” é sistemática e insistentemente colocada antes do jogo jogado. Luís Fabuloso é colocado como o protótipo de um grande e épico guerreiro na publicidade da cerveja, é enroscado pelas pernas por cipós, desvencilhou-se, chutou uma bola, que não era bola, era um meteoro e estufa as redes. Os frágeis adversários, acabrunhados, carcomidos, com os rabos entre as pernas. Tudo isso antes do jogo jogado. VAI ENCARAR, gritou Fabuloso. Sneijder, com seus arquétipos companheiros, encarou e seu rosto tomou todo o espaço do vídeo da televisão dos brasileiros. Talvez na Holanda, o Sneijder tenha dito o que Fabuloso disse aqui. VAI ENCARAR. Isso é publicidade, campo em que todos os gatos holandeses e brasileiros são pardos. A propaganda sumiu; os palhaços somos nós.

Difícil definir a melhor seleção antes do jogo jogado. Na mídia brasileira existe essa preocupação: é a MELHOR SELEÇÃO DO MUNDO; são os melhores jogadores do planeta; o melhor disso e o melhor daquilo. Parece que existe uma necessidade gritante de carregar no marketing da seleção brasileira na condição de Melhor do Mundo, antes da sétima jogatina. Esse ser “o melhor do mundo” é emblemático, Qualquer firula e vem à tona esse é “o melhor do mundo”. Não me parece uma necessidade vital, mas sim, publicitária. Tanto é verdade, que depois do jogo jogado, no apito do juiz, o pessoal da Globo não perdeu tempo: ISSO É APENAS UM JOGO DE FUTEBOL; não era.

Segundo Tempo.
Vai a Copa, vem as eleições. Os números projetam que poderá acontecer segundo tempo entre o time de Serra e o time de Lula, ou não, da Dilma. Na Bahia, o jogo não quer endurecer e parece que o time de Wagner tem um baba pela frente. Mas interessante mesmo é a torcida, que às vezes fica mais exótica que a da Copa. Eu fico imaginando a fantasia que Antônio Colonnezi vai usar para defender as candidaturas de Lídice da Mata e Pinheiro para o Senado, quando no outro time está o seu grande amigo, parceiro e correligionário José Ronaldo e, tudo isso, tem que ser antes do jogo jogado. Para o deputado Jurandy Oliveira não há dificuldade, vai beber a água batizada que os jogadores brasileiros beberam do massagista argentino e vida que segue.

Prorrogação.
Vai durar até 2012. A vitória do time de Wagner vai atirar na Segunda Divisão a jacuzada por mais quatro anos. A jacuzada tá num mato sem cachorro. Ficou com Geddel e colocou uma parte do time com Paulo Souto. É mesmo que compra um papagaio e levar uma coruja. Pela primeira vez no jogo ficou longe do poder estadual, hoje não indica nem inspetor de quarteirão e não consegue arranjar um emprego de gandula para algum necessitado. O prefeito Diomário trava e dá botinada na Clínica Santa Helena, que vai sair carregada na maca e ninguém sabe se voltará a jogar. Como é que um time de Segunda Divisão vai enfrentar o Poder Estadual e Municipal, dentro dos parâmetros estabelecidos pela politicagem local ? É aquela coisa, se tiver um milhão, o poder tem dois, se tiver dois, o poder gasta três. É o jogo. Se tiver treze mil votos, quatorze, o adversário com a poderosa máquina pública de fazer votos chegará a quinze.

E ficar em segundo não é derrota ? Vou dar uma sugestão: Dunga foi dispensado da seleção brasileira, que tal convidá-lo para ser o candidato a prefeito da jacuzada. Ele simplesmente vai dizer: “o que vale é ser campeão do mundo, o que vale é vencer, não adianta ter o que se tem, treze ou quatorze, e não chegar em primeiro, e ai todo esse trabalho de oito anos estará perdido”. Dunga é pragmático, só vai na boa, não aceitará. Sem o poder, parte do eleitorado da jacuzada migrará para quem tem o poder, é uma forma de adquirir uma pequena vantagem. É interessante como as pessoas acreditavam na vitória da seleção do Dunga, simplesmente acreditavam por acreditar, por ter fé. Quando a jacuzada crédula e desavisada parar para pensar, a prorrogação já estará demorando vinte anos. É uma bênção.