O
que é que pode ser feito por Ipirá? Muita coisa ou quase nada; isso será uma
decorrência do pensar e da ação. O debate essencial, mais importante e
necessário sobre o município de Ipirá continua sendo sobre a economia do
município.
O
debate de opiniões que abordem desenvolvimento autossustentável ou dependência;
importar de tudo ou tocar a produção; a questão da vocação econômica desaguando
na geração de emprego e renda. Gerar riqueza como? Quem vai produzir e o quê?
Esse é o verdadeiro debate e, acredito, tem muita gente que pode contribuir,
embora não o faça.
Evidente
que a temática desse artigo trata da capilaridade econômica desse município.
Desejar que Ipirá seja um pólo disso ou daquilo nas atuais circunstâncias que
nos encontramos é querer atingir as nuvens subindo num monte de areia. A
realidade é impositiva e determinante.
Ipirá
é um município localizado no semi-árido que padece de condições de autossustentabilidade
para suportar à contento as agruras advindas das dificuldades que se impõem com
a estiagem. Esse é um problema chave e agudo. Enquanto não for equacionado o
problema da economia rural com a problemática da produção, Ipirá estará
entalado com uma espinha na garganta.
As
vertentes do pensamento são postas, principalmente na linha de que a festa-espetáculo,
bancada com dinheiro público, poderá ser o caminho mobilizador da economia
local, de forma a suprir a enorme contingência local do subemprego em suas
necessidades e no atendimento às demandas do setor serviços, com eventualidades
econômicas. Tenho minhas dúvidas sobre isso.
Tirar
Ipirá do buraco imprime uma linha de pensamento que tenta atingir o céu com uma
inusitada vocação turística, onde a Caboronga e o Monte Alto seria o ponto de
atração. É impossível fazer as coisas sem um projeto definido e profundo. Paulo
Afonso foi citada e, não resta dúvida, possue força de atração. A Chapada é um
pólo turístico atrativo comprovado. Alunos saem de Ipirá para visitar aquela
região. A Caboronga em sua decomposição e falta de trato não acode a esse anseio,
nem que se gastem os recursos financeiros de um ano da prefeitura em
propaganda.
Eu
fico imaginando: o poder público bancando um grande evento de micareta ( 350
mil reais para CcB/IS/AdF, para tocarem duas horas cada um), mais
infraestrutura e lá se vão mais de 1 milha e meia, de uma prefeitura falida, para
fora do município. A praça vai ficar com lotação completa (cabe 10, 12 mil
pessoas), tenho minhas dúvidas se conseguirá atrair 20% de fora do município. O
setor de serviços (bares e hotéis) e o sub-emprego (barraqueiros e ambulantes)
ganharão uma renda-temporão. É assim que Ipirá vai sair do buraco? Quem banca
as micaretas em outras cidades é o folião-brincante em seus blocos. Poder público
nenhum agüenta essa sangria.
Eu
mantenho a crítica e tenho propostas nesse sentido. O rádio e o blog são boas
ferramentas para esse confronto de idéias. O maior obstáculo para o incremento
de idéias em busca de uma solução diante de uma realidade gritante é o sistema
da politicagem local, o famigerado jacu/macaco, que fica ruminando alegremente
a obscuridade de um corpo de idéias que rasteja e só vislumbra um tal ‘astro’,
uma tal ‘sofrência’ e um imponderável ‘quebra’. Nessa forma de expor o pensar,
essa turma vai quebrar Ipirá.
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